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SEDUC/MT

Professor da Educação Básica

1. Mato Grosso e a região Centro-Oeste, ........................................................................................... 1

2. Geopolítica de Mato Grosso, ........................................................................................................... 4

3. Ocupação do território, .................................................................................................................... 5

4. Aspectos físicos e domínios naturais do espaço mato-grossense, ................................................ 10

5. Aspectos político-administrativos, ................................................................................................. 11

6. Aspectos socioeconômicos de Mato Grosso, ................................................................................ 12

7. Formação étnica, .......................................................................................................................... 15

8. Programas governamentais e fronteira agrícola mato-grossense, ................................................. 22

9. A economia do Estado no contexto nacional, ................................................................................ 24

10. A urbanização do Estado. ........................................................................................................... 31

Candidatos ao Concurso Público,


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professor terá até cinco dias úteis para respondê-la.
Bons estudos!

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1. Mato Grosso e a região Centro-Oeste

Caro(a) candidato(a), antes de iniciar nosso estudo, queremos nos colocar à sua disposição, durante
todo o prazo do concurso para auxiliá-lo em suas dúvidas e receber suas sugestões. Muito zelo e técnica
foram empregados na edição desta obra. No entanto, podem ocorrer erros de digitação ou dúvida
conceitual. Em qualquer situação, solicitamos a comunicação ao nosso serviço de atendimento ao cliente
para que possamos esclarecê-lo. Entre em contato conosco pelo e-mail: professores @maxieduca.com.br

Região Centro-Oeste

O meio natural e os impactos ambientais:


A Região Centro-oeste é formada pelos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás e pelo
Distrito Federal, ocupando cerca de 18% do território e abrigando pouco mais que 7% da população do
país.
O clima tropical é predominante na Região Centro-oeste, caracterizado por estação bem seca no
inverno e outra chuvosa no verão. O norte da região está’ sob influência do clima equatorial úmido e da
massa equatorial continental.
No extremo sul da região as frentes frias da massa polar atlântica causam instabilidades no inverno e
queda da temperatura, ocasionando as friagens, quando a temperatura pode cair bastante. No verão, as
temperaturas são mais elevadas, com máximas oscilando entre 30ºC e 40ºC.
O Cerrado predomina na Região Centro-Oeste. Em seu limite oeste, localiza-se o Pantanal, enquanto
o limite norte caracteriza-se pela presença da Floresta Amazônica; ao sul ocorrem remanescentes da
Mata Atlântica.
O Cerrado apresenta grande biodiversidade. Na vegetação, encontram-se formações florestais (mata
ciliar, mata seca e cerradão), formações savânicas (cerrado no sentido restrito, arque de cerrado,
palmeiral e vereda) e campestres (campo sujo, campo limpo e campo rupestre).
Variações do tipo de solo e nas formas de relevo explicam essas diferenças: a mata galeria, por
exemplo, formada por espécies arbóreas, ocorre nas margens de rios, em vales úmidos.
Nas últimas décadas, a expansão rápida e intensiva da agropecuária tem provocado a destruição de
matas ciliares e de reservas permanentes do Cerrado. Na região das nascentes do Rio Araguaia, por
exemplo, a erosão provoca voçorocas (erosões profundas que atingem o lençol freático). O
assoreamento dos rios e a poluição dos aquíferos também são problemas comuns no Cerrado.
Iniciativas importantes do Governo Federal, como o Programa Nacional de Conservação e Uso
Sustentável do Bioma Cerrado e o Programa Cerrado Sustentável buscam promover a conservação,
a recuperação e o manejo sustentável desse bioma, além de incentivar a valorização e o reconhecimento
das populações tradicionais. Entretanto, isso não tem sido suficientes para conter a devastação.
Quatro bacias hidrográficas drenam a Região Centro-oeste: Amazônica (Rio Xingu e afluentes do
Amazonas), do Paraguai, do Tocantins-Araguaia e Platina (rios Paraná e Uruguai).
O relevo do Centro-Oeste é predominantemente planáltico.
Nele, destacam-se os Planaltos e Serras de Goiás-Minas, os Planaltos e Chapadas dos Parecis, os
Planaltos e Chapadas da Bacia do Paraná e as Serras Residuais do Alto Paraguai. Entre os Planaltos,
estão encaixadas depressões como a Marginal sul-amazônica, e do Alto Paraguai-Guaporé e a do
Araguaia.

O Pantanal:
A planície do Pantanal Mato-Grossense e a do Rio Guaporé localizam-se a oeste da região. O
Pantanal é uma planícies sujeita a inundações sazonais, em decorrência da pequena declividade de seu
relevo e do padrão de drenagem da bacia do Rio Paraguai. A vegetação é mista (cerrados, florestas,
campos, charcos inundáveis e ambientes aquáticos), e mais de mil espécies animais, incluindo cerca de
650 tipos de aves aquáticas, vivem na região.
No Pantanal, a expansão da agropecuária e as queimadas acarretaram a supressão de parte da
vegetação e a contaminação dos corpos d’água por agrotóxicos. Além disso, o pantanal recebe os rejeitos
da atividade mineradora de exploração de diamantes e de ouro, especialmente o mercúrio, altamente
poluente. Diversos programas e políticas ambientais têm sido desenvolvidos pelo governo federal para
proteger o bioma, prevendo o manejo correto de bacias hidrográficas, saneamento e apoio ao produtor.
A Floresta Amazônica se estende pela metade norte do estado do Mato Grosso, e se encontra bastante
ameaçada por desmatamentos e queimadas. A expansão da fronteira agropecuária nessa área, para

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plantio ou criação de gado, atinge áreas de conservação ambiental e provoca erosão e assoreamento
nos rios.

Ocupação territorial e dinâmicas econômicas:


Originalmente, os territórios que hoje compõem a Região Centro-Oeste eram habitados por diversos
agrupamentos indígenas, especialmente os bororo. Nos termos do Tratado de Tordesilhas, assinado
em 1494, essas terras pertenceriam à América espanhola. Entretanto, a partir do século XVI, sucessivas
ondas de bandeirantes paulistas se dirigiram para a região com a finalidade de aprisionar e escravizar
indígenas, desbravando o interior do Brasil.
No final do século XVII, estimulados pela descoberta de ouro em Minas Gerais, os bandeirantes
passaram a se aventurar em terras cada vez mais distantes. Subindo o Rio Cuiabá e alcançando o
território bororo, os bandeirantes encontraram ouro e iniciaram a conquista do território que atualmente
corresponde ao Mato Grosso. Enquanto isso, expedições pelo sertão descobriam minas de ouro no
território que hoje compreende o estado de Goiás, onde foi fundada a Vila Boa, embrião da atual cidade
de Goiás.
Em 1726, Rodrigo César de Meneses, capitão-geral de São Paulo, chegou às minas chamadas de
Cuiabá, fundando, no ano seguinte, a Vila Real do Bom Jesus, que já contava com dois portos fluviais.
Deles, partiam as expedições que visavam ao apresamento de indígenas no Pantanal.
A cidade de Goiás, conhecida como Goiás Velho, foi fundada em 1726 pelo filho do bandeirante
Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera. Em 2001 foi reconhecida pela Unesco como Patrimônio
Cultural da Humanidade.
Em 1748, preocupada com a posse dessas terras, a Coroa portuguesa criou a capitania de Mato
Grosso, com sede em Vila Bela da Santíssima Trindade, fundada pelo mineradores às margens do Rio
Guaporé. Posteriormente, a sede da capitania foi transferida para a Vila de Cuiabá. A Capitania de Goiás,
com sede em Vila Bela, também foi criada em 1748.
Em 1750, a assinatura do Tratado de Madri entre Portugal e Espanha legalizou a posse efetiva da
região pelos portugueses. Porém, com a anulação desse tratado, ocorrida em 1761, a Coroa portuguesa
passou a implantar uma rede de fortificações para garantir a posse da margem direta do Rio Guaporé: o
Forte de Conceição foi erguido em 1762 e o Forte de Príncipe da Beira, em 1776. O Tratado de Santo
Idelfonso, firmado pelas coroas ibéricas em 1777, finalmente ratificou a soberania portuguesa sobre o
território das duas capitanias ocidentais.
A partir de então, o povoamento luso-brasileiro passou a avançar na direção do Rio Tocantins,
dizimando os índios caiapó de Goiás, os xavante do Araguaia e, mais tarde, os canoeiro do Tocantins.
Do século XIX em diante, com o declínio da mineração, as províncias de Mato Grosso e de Goiás
conheceram um longo período de decadência econômica e de isolamento. Apenas as atividades agrícolas
de subsistência, como a extração da borracha, a criação de gado e a exploração de erva-mate,
sobreviveram na região.

A ocupação moderna do Centro-Oeste:


Ao longo do século XX, porém, o isolamento da região foi sendo vencido gradativamente com a
transformação dos estados do Centro-Oeste em área de atração populacional.
A inauguração de Goiânia, em 1936, a Marcha para o Oeste, iniciada por Getúlio Vargas na década
de 1940, a construção de Brasília, assim como as políticas de integração nacional consolidadas pela
ditadura militar na década de 1970, incentivaram a migração para o Centro-Oeste, contribuindo para
acelerar o povoamento da região.
No início do século XX, a abertura da Estrada de Ferro Noroeste Brasil (Bauru-Corumbá) ajudou a
intensificar os fluxos entre o Sudeste e o Centro-Oeste. A ferrovia abriu a fronteira para a pecuária do
Mato Grosso, permitindo o transporte do gado vivo até os frigoríficos de São Paulo e do Rio de Janeiro.
A partir da década de 1960, rodovias como a Belém-Brasília, a Cuiabá-Porto Velho e a Brasília-Acre
transformaram-se em plataforma para a conquista da Amazônia.
Em 1977 o estado de Mato Grosso foi desmembrado, e dois anos depois oficializou-se a criação do
estado de Mato Grosso do Sul.
Goiás, por sua vez, foi desmembrado em 1998, quando se criou o estado de Tocantins, que atualmente
pertence à Região Norte. Em ambos os casos, as justificativas utilizadas para o desmembramento foram
a grande extensão desses estados, as dificuldades de planejamento e de administração.

Cenário econômico recente:


Na década de 1970, teve início um período de intenso desenvolvimento econômico nos estados do
Centro-Oeste, motivado principalmente pela modernização da agricultura. A mecanização, a

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introdução de novas culturas e o desenvolvimento de tecnologias e técnicas como a adubação e correção
dos solos de cerrados impulsionaram a produtividade da agricultura regional, que se tornou altamente
competitiva nos mercados internacionais.
No entanto, essa modernização tem sido responsável por diferentes impactos ambientais, em especial
o desmatamento.
Desde a década de 1980, o incremento da produção agropecuária e os incentivos fiscais atraem
para o Centro-Oeste indústrias ligadas à transformação de matérias-primas de origem animal ou vegetal.
É o caso dos frigoríficos, das empresas de avicultura, do setor sucroalcooleiro e das indústrias que
processam os grãos de soja. Instaladas próximos aos polos produtores, essas indústrias lucraram com a
redução de despesas com fretes.
Sendo assim, o panorama industrial da região é pouco diversificado.
A exceção fica por conta de alguns polos produtivos instalados no eixo Brasília-Goiânia, em especial
em Anápolis, que concentra empresas do setor farmoquímico e farmacêutico.
Nas últimas décadas, o Mato Grosso do Sul foi o estado da região que apresentou maior crescimento
econômico. A agricultura, praticada principalmente na porção leste do estado, beneficiou-se da
proximidade com os grandes mercados consumidores do Sul e do Sudeste. Dados do Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística indicam que somente no estado de Mato Grosso, o crescimento da área
plantada de soja foi de 28,7% entre os anos de 2008 e 2011.
A expansão dos canaviais para o Centro-Oeste também é fato recente. Os maiores índices de
crescimento da produção de cana-de-açúcar são encontrados em Goiás e Mato Grosso do Sul.
Além do aumento da área cultivada, destaca-se a instalação de usinas na região, o que fortalece a
cadeia agroindustrial sucroalcooleira.
A indústria do turismo também tem apresentado rápido crescimento na Região Centro-Oeste. O
pantanal é a área mais visitada, embora os parques nacionais da Chapada dos Guimarães, em Mato
Grosso, da Chapada dos Veadeiros, em Goiás, e das Esmas, no sudeste goiano, também contribuam
para o aumento do número de turistas, atraídos pelas chapadas, cânions, quedas-d’água, cavernas e
diversos sítios arqueológicos.
No Rio Araguaia, na época da estiagem (junho a setembro), o nível das águas cai formando praias,
tornando a região uma atração turística.
Cidades históricas como Pirenópolis e Goiás, antiga capital goiana, atraem visitantes pelos sobrados
coloniais preservados e pelas igrejas de arquitetura barroca.
Em direção ao sul do estado, a cidade de Caldas Novas recebe em média um milhão de turistas por
ano, em busca de suas fontes de água quente.
Brasília apresenta arquitetura moderna e é considerada Patrimônio da Humanidade.

Os centros urbanos:
A rede urbana do Centro-Oeste desenvolveu-se de maneira linear, seguindo as rodovias de integração
e as ferrovias que ligam à Região Sudeste.
Brasília, metrópole nacional, Goiânia, metrópole, assim como Campo Grande e Cuiabá, capitais
regionais, situam-se sobre os grandes eixos viários. As cidades que exibem forte crescimento – como
Dourados (MS), Rondonópolis (MT) e Anápolis (GO) – estão também situadas nesses eixos.

A cidade-capital:
Brasília representa um caso especial, entre as grandes cidades brasileiras. Não simplesmente por ser
uma cidade planejada: Belo Horizonte, fundada em 1897, e Goiânia, fundada em 1933, constituem outros
exemplos de cidades planejadas no Brasil. A singularidade de Brasília reside na finalidade específica que
orientou seu planejamento urbano – a criação de uma cidade-capital, condição que determinou a
expansão demográfica e econômica da região.
O Plano Piloto constitui o cerne da nova capital. É ele que está submetido ao plano urbanístico, com
seu rígido sistema de aprovação de plantas destinado a conservar as características originais da cidade.
Ideologicamente, esse plano, de autoria de Lúcio Costa, vinculava-se à tradição de pensamento
urbanístico do francês Le Corbusier e da escola arquitetônica da Carta de Atenas, cujos princípios
remontam ao IV Congresso de Arquitetura Moderna, realizado em 1933. A cidade deveria ser, a um só
tempo, funcional e harmônica: uma engrenagem de residências, consumo e trabalho. Para isso, os
planejadores deveriam dispor da capacidade de organizar o espaço de forma absoluta, excluindo as
incertezas e os conflitos inerentes ao desenvolvimento espontâneo das aglomerações urbanas. A ordem
seria um produto da autoridade e do saber urbanístico.

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A base espacial do plano urbanístico reside na segregação funcional. No interior do Plano Piloto,
definiram-se as áreas reservadas às diferentes funções urbanas – administração pública, residências,
comércio local e central, etc.
Um eixo viário retilíneo, chamado Eixo Monumental, foi implantado e reservado aos palácios e edifícios
destinados aos órgãos de poder político, à administração e às embaixadas. Esse eixo é cortado por um
outro, arqueado, chamado Eixo Rodoviário, destinado à circulação expressa. Com 13 quilômetros de
extensão e cinco pistas sem cruzamentos, ele separa a circulação municipal da circulação local. Juntos,
os dois eixos têm o formato de asas de avião.
Ao longo do Eixo Rodoviário alinham-se as superquadras, destinadas à moradia. Nessas áreas
encontram-se escolas, igrejas e espaços de comércio local. Esses serviços localizam-se no interior dos
conjuntos de superquadras, direcionado a circulação de pessoas para dentro e não para as ruas. O
comércio de grande porte foi alocado em uma zona separada, no cruzamento entre os dois grandes eixos
da cidade. Todo o sistema de zoneamento e circulação da cidade prioriza o automóvel, a circulação
expressa.
Concebida por Oscar Niemeyer, a arquitetura da capital é coerente com o plano urbanístico, visando
reforçar simbolicamente a função de sede dos órgãos de poder político, que constitui a razão de ser de
Brasília.

A cidade polinucleada:
O plano urbanístico não eliminou a clássica estruturação espacial das grandes cidades brasileiras: o
contraste entre as áreas centrais reservada às classes médias e às elites, de um lado, e as periferias
populares, de outro. No entanto, operou uma transformação radical nesse esquema, abrindo um espaço
vazio entre a área central (o Plano Piloto) e a periferia (as cidades-satélite). O elevado preço dos
terrenos no Plano Piloto empurrou os mais pobres para os núcleos urbanos satélites, que cresceram
como verdadeiras cidades-dormitório.
Embora não estivessem formalmente previstas no plano, as cidades-satélite desenvolveram-se para,
de certa forma, protege-lo, evitando a concentração da pobreza. Dessa maneira, a capital cresceu como
cidade polinucleada: uma única aglomeração urbana dispersa territorialmente em diversos núcleos
separados. Esses núcleos são chamados de regiões administrativas, já que a Constituição impede a
formação de municípios autônomos no Distrito Federal.
A maioria da população ativa que reside nas cidades-satélite trabalha no Plano Piloto e consome horas
diárias em deslocamentos entre o local de moradia e o local de emprego.
A concentração de recursos financeiros no Plano Piloto – que abriga uma elite de políticos, burocratas
da administração pública e diplomatas estrangeiros – dinamiza a economia do Distrito Federal, atraindo
migrantes para as cidades-satélites. Assim, o crescimento demográfico dos núcleos urbanos ao redor é
muito superior ao da área central: em 1960, o Plano Piloto concentrava cerca de metade da população
do Distrito Federal; atualmente essa proporção é inferior a 15%.

Referências Bibliográficas:
TERRA, Lygia. Conexões: estudos de geografia geral e do Brasil – Lygia Terra; Regina Araújo; Raul
Borges Guimarães. 2ª edição. São Paulo: Moderna.

2. Geopolítica de Mato Grosso

(Imagem disponível em: http://www.mt.gov.br/geografia)

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Localização
Mato Grosso tem 903.357,908 km2 de extensão. É o terceiro maior estado do país, ficando atrás
somente do Amazonas e do Pará. A área urbana de Mato Grosso é de 519,7 km2, o que coloca o estado
em 11º lugar no ranking de estados com maior mancha urbana.
Localizado no Centro-Oeste brasileiro, fica no centro geodésico da América Latina. Cuiabá, a capital,
está localizada exatamente no meio do caminho entre o Atlântico e o Pacifico, ou seja, em linha reta é o
ponto mais central do continente. O local exato foi calculado por Marechal Rondon durante suas
expedições pelo estado e é marcado com um monumento, o obelisco da Câmara dos Vereadores.
Mato Grosso é um estado com altitudes modestas, o relevo apresenta grandes superfícies aplainadas,
talhadas em rochas sedimentares e abrange três regiões distintas: na porção centro-norte do estado, a
dos chapadões sedimentares e planaltos cristalinos (com altitudes entre 400 e 800m), que integram o
planalto central brasileiro. A do planalto arenito-basáltico, localizada no sul, simples parcela do planalto
meridional. A parte do Pantanal Mato-Grossense, baixada da porção centro-ocidental.
Devido à grande extensão Leste-Oeste, o território brasileiro abrange quatro fusos horários situados a
Oeste de Greenwich. O Estado de Mato Grosso abrange o fuso horário quatro negativo (-4). Apresenta,
portanto, 4 horas a menos, tendo como referência Londres, o horário GMT (Greenwich Meridian Time).

(Imagem disponível em: http://www.mt.gov.br/geografia)

3. Ocupação do território

(Imagem disponível em: http://www.mt.gov.br/historia).

O que hoje conhecemos como Mato Grosso já foi território espanhol. As primeiras excursões feitas no
território de Mato Grosso datam de 1525, quando Pedro Aleixo Garcia vai em direção à Bolívia, seguindo
as águas dos rios Paraná e Paraguai. Posteriormente portugueses e espanhóis são atraídos à região
graças aos rumores de que havia muita riqueza naquelas terras ainda não exploradas devidamente.
Também vieram jesuítas espanhóis que construíram missões entre os rios Paraná e Paraguai.
A história de Mato Grosso, no período "colonial" é importantíssima, porque durante esses 9 governos
o Brasil defendeu o seu perfil territorial e consolidou a sua propriedade e posse até os limites do rio
Guaporé e Mamoré. Foram assim contidas as aspirações espanholas de domínio desse imenso território.
Proclamada a nossa independência, os governos imperiais de D. Pedro I e das Regências (1º Império)
nomearam para Mato Grosso cinco governantes e os fatos mais importantes ocorridos nesses anos
(7/9/1822 a 23/7/1840) foram a oficialização da Capital da Província para Cuiabá (lei nº 19 de 28/8/1835)
e a "Rusga" (movimento nativista de matança de portugueses, a 30/05/1834).
Proclamada a 23 de julho de 1840 a maioridade de Dom Pedro II, Mato Grosso foi governado por 28
presidentes nomeados pelo Imperador, até à Proclamação de República, ocorrida a 15/11/1889. Durante
o Segundo Império (governo de Dom Pedro II), o fato mais importante que ocorreu foi a Guerra da Tríplice
Aliança, movida pela República do Paraguai contra o Brasil, Argentina e Uruguai, iniciada a 27/12/1864 e

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terminada a 01/03/0870 com a morte do Presidente do Paraguai, Marechal Francisco Solano Lopez, em
Cerro-Corá.
Os episódios mais notáveis ocorridos em terras mato-grossenses durante os 5 anos dessa guerra
foram: a) o início da invasão de Mato Grosso pelas tropas paraguaias, pelas vias fluvial e terrestre; b) a
heroica defesa do Forte de Coimbra. c) o sacrifício de Antônio João Ribeiro e seus comandados no posto
militar de Dourados. d) a evacuação de Corumbá; e) os preparativos para a defesa de Cuiabá e a ação
do Barão de Melgaço; f) a expulsão dos inimigos do sul de Mato Grosso e a retirada da Laguna; g) a
retomada de Corumbá; h) o combate do Alegre; Pela via fluvial vieram 4.200 homens sob o comando do
Coronel Vicente Barrios, que encontrou a heroica resistência de Coimbra ocupado por uma guarnição de
apenas 115 homens, sob o comando do Tte. Cel. Hermenegildo de Albuquerque Portocarrero. Pela via
terrestre vieram 2.500 homens sob o comando do Cel. Isidoro Rasquin, que no posto militar de Dourados
encontrou a bravura do Tte. Antônio João Ribeiro e mais 15 brasileiros que se recusaram a rendição,
respondendo com uma descarga de fuzilaria à ordem para que se entregassem.
Foi ai que o Tte. Antônio João enviou ao Comandante Dias da Silva, de Nioaque, o seu famoso bilhete
dizendo: "Ser que morro mas o meu sangue e de meus companheiros será de protesto solene contra a
invasão do solo da minha Pátria" A evacuação de Corumbá, desprovida de recursos para a defesa, foi
outro episódio notável, saindo a população, através do Pantanal, em direção a Cuiabá, onde chegou, a
pé, a 30 de abril de 1865.
Na expectativa dos inimigos chegarem a Cuiabá, autoridades e povo começaram preparativos para a
resistência. Nesses preparativos sobressaia a figura do Barão de Melgaço que foi nomeado pelo Governo
para comandar a defesa da Capital, organizando as fortificações de Melgaço. Se os invasores tinham
intenção de chegar a Cuiabá dela desistiram quando souberam que o Comandante da defesa da cidade
era o Almirante Augusto Leverger - o futuro Barão de Melgaço -, que eles já conheciam de longa data.
Com isso não subiram além da foz do rio São Lourenço. Expulsão dos invasores do sul de Mato Grosso-
O Governo Imperial determinou a organização, no triângulo Mineiro, de uma "Coluna Expedicionária ao
sul de Mato Grosso", composta de soldados da Guarda Nacional e voluntários procedentes de São Paulo
e Minas Gerais para repelir os invasores daquela região. Partindo do Triângulo em direção a Cuiabá, em
Coxim receberam ordens para seguirem para a fronteira do Paraguai, reprimindo os inimigos para dentro
do seu território.
A missão dos brasileiros tornava-se cada vez mais difícil, pela escassez de alimentos e de munições.
Para cúmulo dos males, as doenças oriundas das alagações do Pantanal mato-grossense, devastou a
tropa. Ao aproximar-se a coluna da fronteira paraguaia, os problemas de alimentos e munições se
agravava cada vez mais e quando se efeito a destruição do forte paraguaio Bela Vista, já em território
inimigo, as dificuldades chegaram ao máximo. Decidiu então o Comando brasileiro que a tropa seguisse
até a fazenda Laguna, em território paraguaio, que era propriedade de Solano Lopez e onde havia,
segundo se propalava, grande quantidade de gado, o que não era exato. Desse ponto, após repelir
violento ataque paraguaio, decidiu o Comando empreender a retirada, pois a situação era insustentável.
Iniciou-se aí a famosa "Retirada da Laguna", o mais extraordinário feito da tropa brasileira nesse
conflito. Iniciada a retirada, a cavalaria e a artilharia paraguaia não davam tréguas à tropa brasileira,
atacando-as diariamente. Para maior desgraça dos nacionais veio o cólera devastar a tropa. Dessa
doença morreram Guia Lopes, fazendeiro da região, que se ofereceu para conduzir a tropa pelos cerrados
sul mato-grossenses, e o Coronel Camisão, Comandante das forças brasileiras. No dia da entrada em
território inimigo (abril de 1867), a tropa brasileira contava com 1.680 soldados. A 11 de junho foi atingido
o Porto do Canuto, às margens do rio Aquidauana, onde foi considerada encerrada a trágica retirada. Ali
chegaram apenas 700 combatentes, sob o comando do Cel. José Thomás Gonçalves, substituído de
Camisão, que baixou uma "Ordem do dia", concluída com as seguintes palavras: "Soldados! Honra à
vossa constância, que conservou ao Império os nossos canhões e as nossas bandeiras".

(Imagem disponível em: http://www.mt.gov.br/historia).

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A Retirada da Laguna

A retirada da Laguna foi, sem dúvida, a página mais brilhante escrita pelo Exército Brasileiro em toda
a Guerra da Tríplice Aliança. O Visconde de Taunay, que dela participou, imortalizou-a num dos mais
famosos livros da literatura brasileira. A retomada de Corumbá foi outra página brilhante escrita pelas
nossas armas nas lutas da Guerra da Tríplice Aliança. O presidente da Província, então o Dr. Couto de
Magalhães, decidiu organizar três corpos de tropa para recuperar a nossa cidade que há quase dois anos
se encontrava em mãos do inimigo. O 1º corpo partiu de Cuiabá a 15.05/1867, sob as ordens do Tte. Cel.
Antônio Maria Coelho. Foi essa tropa levada pelos vapores "Antônio João", "Alfa", "Jaurú" e "Corumbá"
até o lugar denominado Alegre. Dali em diante seguiria sozinha, através dos Pantanais, em canoas,
utilizando o Paraguai -Mirim, braço do rio Paraguai que sai abaixo de Corumbá e que era confundido com
uma "boca de baía".
Desconfiado de que os inimigos poderiam pressentir a presença dos brasileiros na área, Antônio Maria
resolveu, com seus Oficiais, desfechar o golpe com o uso exclusivo do 1º Corpo, de apenas 400 homens
e lançou a ofensiva de surpresa. E com esse estratagema e muita luta corpo a corpo, consegui o
Comandante a recuperação da praça, com o auxílio, inclusive, de duas mulheres que o acompanhavam
desde Cuiabá e que atravessaram trincheiras paraguaias a golpes de baionetas. Quando o 2º Corpo dos
Voluntário da Pátria chegou a Corumbá, já encontrou em mãos dos brasileiros. Isso foi a 13/06/1867. No
entanto, com cerca de 800 homens às suas ordens o Presidente Couto de Magalhães, que participava do
2º Corpo, teve de mandar evacuar a cidade, pois a varíola nela grassava, fazendo muitas vítimas. O
combate do Alegre foi outro episódio notável da guerra. Quando os retirantes de Corumbá, após a
retomada, subiam o rio no rumo de Cuiabá, encontravam-se nesse portox "carneando" ou seja,
abastecendo-se de carne para a alimentação da tropa eis que surgem, de surpresa, navios paraguaios
tentando uma abordagem sobre os nossos.
A soldadesca brasileira, da barranca, iniciou uma viva fuzilaria e após vários confrontos, venceram as
tropas comandadas pela coragem e sangue frio do Comandante José Antônio da Costa. Com essa vitória
chegaram os da retomada de Corumbá à Capital da Província (Cuiabá), transmitindo a varíola ao povo
cuiabano, perdendo a cidade quase a metade de sua população. Terminada a guerra, com a derrota e
morte de Solano Lopez nas "Cordilheiras" (Cerro Corá), a 1º de março de 1870, a notícia do fim do conflito
só chegou a Cuiabá no dia 23 de março, pelo vapor "Corumbá", que chegou ao porto embandeirado e
dando salvas de tiros de canhão. Dezenove anos após o término da guerra, foi o Brasil sacudido pela
Proclamação da República, cuja notícia só chegou a Cuiabá na madrugada de 9 de dezembro de 1889.

(Imagem disponível em: http://www.mt.gov.br/historia).


Origem do nome

(Imagem disponível em: http://www.mt.gov.br/historia).

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As Minas de Mato Grosso, descobertas e batizadas ainda em 1734 pelos irmãos Paes de Barros,
impressionados com a exuberância das 7 léguas de mato espesso, dois séculos depois, mantendo ainda
a denominação original, se transformaram no continental Estado de Mato Grosso. O nome colonial
setecentista, por bem posto, perdurou até nossos dias.
Assim, em 1718, um bandeirante chamado Pascoal Moreira Cabral Leme subiu pelo rio Coxipó e
descobriu enormes jazidas de ouro, dando início à corrida do ouro, fato que ajudou a povoar a região. No
ano seguinte foi fundado o Arraial de Cuiabá. Em 1726, o Arraial de Cuiabá recebeu novo nome: Vila Real
do Senhor Bom Jesus de Cuiabá. Em 1748, foi criada a capitania de Cuiabá, lugar que concedia isenções
e privilégios a quem ali quisesse se instalar.
As conquistas dos bandeirantes, na região do Mato Grosso, foram reconhecidas pelo Tratado de
Madrid, em 1750. No ano seguinte, o então capitão-general do Mato Grosso, Antonio Rolim de Moura
Tavares, fundou, à margem do rio Guaporé, a Vila Bela da Santíssima Trindade. Entre 1761 e 1766,
ocorreram disputas territoriais entre portugueses e espanhóis, depois daquele período as missões
espanholas e os espanhóis se retiraram daquela região, mas o Mato Grosso somente passou a ser
definitivamente território brasileiro depois que os conflitos por fronteira com os espanhóis deixaram de
acontecer, em 1802.
Na busca de índios e ouro, Pascoal Moreira Cabral e seus bandeirantes paulistas fundaram Cuiabá a
8 de abril de 1719, num primeiro arraial, São Gonçalo Velho, situado nas margens do rio Coxipó em sua
confluência com o rio Cuiabá.
Em 1º de janeiro de 1727, o arraial foi elevado à categoria de vila por ato do Capitão General de São
Paulo, Dom Rodrigo César de Menezes. A presença do governante paulista nas Minas do Cuiabá ensejou
uma verdadeira extorsão fiscal sobre os mineiros, numa obsessão institucional pela arrecadação dos
quintos de ouro. Esse fato somado à gradual diminuição da produção das lavras auríferas, fizeram com
que os bandeirantes pioneiros fossem buscar o seu ouro cada vez mais longe das autoridades cuiabanas.
Em 1734, estando já quase despovoada a Vila Real do Senhor Bom Jesus do Cuiabá, os irmãos
Fernando e Artur Paes de Barros, atrás dos índios Parecis, descobriram veio aurífero, o qual resolveram
denominar de Minas do Mato Grosso, situadas nas margens do rio Galera, no vale do Guaporé.
Os Anais de Vila Bela da Santíssima Trindade, escritos em 1754 pelo escrivão da Câmara dessa vila,
Francisco Caetano Borges, citando o nome Mato Grosso, assim nos explicam:
Saiu da Vila do Cuiabá Fernando Paes de Barros com seu irmão Artur Paes, naturais de Sorocaba, e
sendo o gentio Pareci naquele tempo o mais procurado, [...] cursaram mais ao Poente delas com o mesmo
intento, arranchando-se em um ribeirão que deságua no rio da Galera, o qual corre do Nascente a buscar
o rio Guaporé, e aquele nasce nas fraldas da Serra chamada hoje a Chapada de São Francisco Xavier
do Mato Grosso, da parte Oriental, fazendo experiência de ouro, tiraram nele três quartos de uma oitava
na era de 1734.
Dessa forma, ainda em 1754, vinte anos após descobertas as Minas do Mato Grosso, pela primeira
vez o histórico dessas minas foi relatado num documento oficial, onde foi alocado o termo Mato Grosso,
e identificado o local onde as mesmas se achavam.
Todavia, o histórico da Câmara de Vila Bela não menciona porque os irmãos Paes de Barros batizaram
aquelas minas com o nome de Mato Grosso.
Quem nos dá tal resposta é José Gonçalves da Fonseca, em seu trabalho escrito por volta de 1780,
Notícia da Situação de Mato Grosso e Cuiabá, publicado na Revista do Instituto Histórico e Geográfico
Brasileiro de 1866, que assim nos explica a denominação Mato Grosso:
[...] se determinaram atravessar a cordilheira das Gerais de oriente para poente; e como estas
montanhas são escalvadas, logo que baixaram a planície da parte oposta aos campos dos Parecis (que
só tem algumas ilhas de arbustos agrestes), toparam com matos virgens de arvoredo muito elevado e
corpulento, que entrando a penetrá-lo, o foram apelidando Mato Grosso; e este é o nome que ainda hoje
conserva todo aquele distrito.
Caminharam sempre ao poente, e depois de vencerem sete léguas de espessura, toparam com o
agregado de serras [...].
Pelo que desse registro se depreende, o nome Mato Grosso é originário de uma grande extensão de
sete léguas de mato alto, espesso, quase impenetrável, localizado nas margens do rio Galera, percorrido
pela primeira vez em 1734 pelos irmãos Paes de Barros. Acostumados a andar pelos cerrados do
chapadão dos Parecis, onde apenas havia algumas ilhas de arbustos agrestes, os irmãos aventureiros,
impressionados com a altura e porte das árvores, o emaranhado da vegetação secundária que dificultava
a penetração, com a exuberância da floresta, a denominaram de Mato Grosso. Perto desse mato
fundaram as Minas de São Francisco Xavier e toda a região adjacente, pontilhada de arraiais de
mineradores, ficou conhecida na história como as Minas do Mato Grosso.

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Posteriormente, ao se criar a Capitania por Carta Régia de 9 de maio de 1748, o governo português
assim se manifestou:
Dom João, por Graça de Deus, Rei de Portugal e dos Algarves, [...] Faço saber a vós, Gomes Freire
de Andrade, Governador e Capitão General do Rio de Janeiro, que por resoluto se criem de novo dois
governos, um nas Minas de Goiás, outro nas de Cuiabá [...].
Dessa forma, ao se criar a Capitania, como meio de consolidação e institucionalização da posse
portuguesa na fronteira com o reino de Espanha, Lisboa resolveu denominá-las tão somente de Cuiabá.
Mas no fim do texto da referida Carta Régia, assim se ex-prime o Rei de Portugal [...] por onde parte o
mesmo governo de São Paulo com os de Pernambuco e Maranhão e os confins do Governo de Mato
Grosso e Cuiabá [...].
Apesar de não denominar a Capitania expressamente com o nome de Mato Grosso, somente
referindo-se às minas de Cuiabá, no fim do texto da Carta Régia, é denominado plenamente o novo
governo como sendo de ambas as minas, Mato Grosso e Cuiabá. Isso ressalva, na realidade, a intenção
portuguesa de dar à Capitania o mesmo nome posto anos antes pelos irmãos Paes de Barros. Entende-
se perfeitamente essa intenção.
Todavia, a consolidação do nome Mato Grosso veio rápido. A Rainha D. Mariana de Áustria, ao nomear
Dom Antonio Rolim de Moura como Capitão General, na Carta Patente de 25 de setembro de 1748, assim
se expressa:
[...]; Hei por bem de o nomear como pela presente o nomeio no cargo de Governador e Capitão General
da Capitania de Mato Grosso, por tempo de três anos [...].
A mesma Rainha, no ano seguinte, a 19 de janeiro, entrega a Dom Rolim a suas famosas Instruções,
que determinariam as orientações para a administração da Capitania, em especial os tratos com a
fronteira do reino espanhol. Assim nos diz o documento:
[...] fui servido criar uma Capitania Geral com o nome de Mato Grosso [...] § 1º - [...] atendendo que no
Mato Grosso se requer maior vigilância por causa da vizinhança que tem, houve por bem determinar que
a cabeça do governo se pusesse no mesmo distrito do Mato Grosso [...]; § 2º - Por se ter entendido que
Mato Grosso é a chave e o propugnáculo do sertão do Brasil [...].
E a partir daí, da Carta Patente e das Instruções da Rainha, o governo colonial mais longínquo, mais
ao oriente em terras portuguesas na América, passou a se chamar de Capitania de Mato Grosso, tanto
nos documentos oficiais como no trato diário por sua própria população. Logo se assimilou o nome
institucional Mato Grosso em desfavor do nome Cuiabá. A vigilância e proteção da fronteira oeste era
mais importante que as combalidas minas cuiabanas. A prioridade era Mato Grosso e não Cuiabá.
Com a independência do Brasil em 1822, passou a ser a Província de Mato Grosso, e com a República
em 1899, a denominação passou a Estado de Mato Grosso.
A partir do início do século XIX, a extração de ouro diminui bastante, dessa maneira, a economia
começa um período de decadência e a população daquele estado para de crescer. Militares e civis dão
início a um movimento separatista, em 1892, contra o governo do então presidente Mal. Floriano Peixoto.
O movimento separatista é sufocado por intervenção do governo federal.
A economia do estado começa a melhorar com a implantação de estradas de ferro e telégrafos, época
em que começam a chegar seringueiros, pessoas que cultivaram erva-mate e criadores de gado.
Em 1977, Mato Grosso é desmembrado em dois estados: Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

(Imagem disponível em: http://www.mt.gov.br/historia).

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Referências:

Governo do Mato Grosso. Disponível em:


http://www.mt.gov.br/historia.

4. Aspectos físicos e domínios naturais do espaço mato-grossense

(Imagem disponível em: http://www.mt.gov.br/geografia)

Mato Grosso possui um grande território, nesse existe uma grande variedade de recursos e paisagens
naturais.
Diante da imensa biodiversidade, serão abordadas as principais características do relevo, clima,
vegetação, hidrografia, além das reservas ecológicas que se faz presente na região.

Relevo
O Relevo apresenta as irregularidades da superfície terrestre. O território de Mato Grosso é composto
por um relevo de baixas altitudes, dessa forma, grande parte do espaço estadual é plano.
No entanto, esse tipo de relevo se divide em três tipos de compostos, chamados de unidade, sendo
todos distintos. São eles:
- Planalto mato-grossense: formação a partir de planaltos cristalinos e chapadões sedimentares,
nesse as altitudes podem variar entre 400 a 800 metros em relação ao nível do mar. Esse planalto tem a
função de divisor de águas de importantes bacias, tais como Paraguai e alguns rios da bacia do
Amazonas.
- Planalto Arenítico-basáltico: formado pelos dois últimos elementos, podem ser encontrados no sul
de Mato Grosso.
- Planalto mato-grossense: se estabelece em uma área rebaixada, já no sul do planalto brasileiro se
encontra o divisor entre as duas bacias, Paraguai e Amazonas.
A partir dessas considerações, as principais elevações (serras) do relevo contido no Estado do Mato
Grosso:
- Serra dos Parecis
- Serra Formosa
- Serra do Norte
- Serra dos Caiabis
- Serra dos Apiacás
- Serra do Roncador
Além das serras citadas, existe outra variação do relevo que são as depressões, desse modo as duas
principais são:
- Depressão do Alto Xingu
- Depressão do Médio Araguaia

Clima
O clima do estado sofre variações de acordo com a localização geográfica. Com base nessa afirmativa
o clima que predomina é o tropical superúmido, característica do clima amazônico, no qual há elevadas
temperaturas, algo em torno de 26ºC em relação à média anual e uma grande incidência de precipitações
que chegam a 2.000 mm ao ano.

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Outro tipo de clima de grande influência no Estado é o tropical, que possui duas estações bem
definidas, sendo uma seca e outra chuvosa.

Vegetação
Uma grande parcela do território mato-grossense é composta por cobertura vegetal de floresta
equatorial, que corresponde ao tipo de vegetação da floresta amazônica.
Já ao sul da capital, Cuiabá, o tipo de vegetação que predomina é o cerrado, esse bioma é composto
por árvores baixas com troncos retorcidos, folhas e cascas grossas, além de uma vasta vegetação rasteira
formada por capins nativos e arbustos.
Na área que está localizado o Pantanal o tipo de vegetação é variado, chamada pelos estudiosos de
área de transição entre cerrado, campos, floresta seca, floresta equatorial, floresta tropical, desse modo,
não há um tipo homogêneo de vegetação.

Hidrografia/Bacias Hidrográficas
Mato Grosso é um dos lugares com maior volume de água doce no mundo. Considerado a caixa-
d'água do Brasil por conta dos seus inúmeros rios, aquíferos e nascentes. O planalto dos Parecis, que
ocupa toda porção centro-norte do território, é o principal divisor de águas do estado. Ele reparte as águas
das três bacias hidrográficas mais importantes do Brasil: Bacia Amazônica, Bacia Platina e Bacia do
Tocantins.
Os rio de Mato Grosso estão divididos nessas três grandes bacias hidrográficas que integram o sistema
nacional, no entanto, devido à enorme riqueza hídrica do estado, muito rios possuem características
específicas e ligações tão estreitas com os locais que atravessam que representam, por si só, uma
unidade geográfica, recebendo o nome de sub-bacias.
As principais sub-bacias do estado são: Sub-bacia do Guaporé, Sub-bacia do Aripuanã, Sub-bacia do
Juruena-Arinos, Sub-bacia do Teles Pires e Sub-Bacia do Xingu.
Os rios pertencentes a Bacia Amazônica drenam 2/3 do território mato-grossense.

Fonte:
Governo de Mato Grosso.
Disponível em:
http://www.mt.gov.br/geografia.

5. Aspectos político-administrativos

O estado do Mato Grosso, assim como em uma república, é governado por três poderes, o executivo,
representado pelo governador, o legislativo, representado pela Assembleia Legislativa do Estado de Mato
Grosso, e o judiciário, representado pelo Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso e outros tribunais
e juízes.
Além dos três poderes, o estado também permite a participação popular nas decisões do governo
através de referendos e plebiscitos.
A atual constituição do estado foi promulgada em 1989, acrescida das alterações resultantes de
posteriores Emendas Constitucionais.
O poder executivo mato-grossense está centralizado no governador do estado, que é eleito em sufrágio
universal e voto direto e secreto pela população para mandatos de até quatro anos de duração, podendo
ser reeleito para mais um mandato.
Sua sede é o Palácio Paiaguás, que desde 1975 é sede do poder executivo e residência oficial do
governador.
Nas eleições estaduais em Mato Grosso em 2014, Pedro Taques candidatou-se pelo PDT a
governador e foi eleito em 1º turno com 57,25% dos votos válidos.
O poder legislativo estadual é unicameral, constituído pela Assembleia Legislativa do Estado de Mato
Grosso, localizada no Centro Político Administrativo. Ela é constituída por 24 deputados, que são eleitos
a cada quatro anos. No Congresso Nacional, a representação mato-grossense é de três senadores e
setenta deputados federais.
O poder judiciário tem a função de julgar, conforme leis criadas pelo legislativo e regras constitucionais
brasileiras, sendo composto por desembargadores, juízes e ministros.
Atualmente, a maior corte do Poder Judiciário mato-grossense é o Tribunal de Justiça de Mato Grosso.

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6. Aspectos socioeconômicos de Mato Grosso

As bases da economia do estado mato-grossense

O estado de Mato Grosso é conhecido como o celeiro do país, campeão na produção de soja, milho,
algodão e de rebanho bovino, e agora quer alcançar novos títulos do lado de fora da porteira das
fazendas. Com crescimento “chinês” de seu Produto Interno Bruto, o estado iniciou um planejamento para
atacar diversas frentes com potencialidades até então adormecidas. A estratégia vai permitir que sua
produção seja diversificada para agregar valor a tudo aquilo que é produzido em terras mato-grossenses
e que acaba abastecendo o Brasil e o mundo.
O governado do Estado, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec), está
planejando um conjunto de ações para atrair investidores para Mato Grosso. Cinco eixos prioritários para
esta transformação foram definidos pela secretaria. A partir de agora serão realizados estudos para
reformular as políticas tributária, de atração de investimentos, logística e mão de obra.
Os cinco setores com grande potencial de crescimento na região e que terão atenção especial do
estado são agroindústria, turismo, piscicultura, economia criativa e pólo joalheiro. Para isso, o estado
pretende reformular o Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Mato Grosso (Prodeic) e
o sistema tributário estadual.

Agronegócio

Em pouco mais de uma década, o PIB estadual passou de R$ 12,3 bilhões (1999) para R$ 80,8 bilhões
(2012), representando um crescimento de 554%. Neste mesmo período, o PIB brasileiro aumentou 312%,
segundo dados do IBGE. Grande parte deste desempenho positivo veio do campo. Atualmente, o estado
Mato Grosso lidera a produção de soja no país, com estimativa de 28,14 milhões de toneladas para a
safra 2014/2015. Também está à frente na produção de algodão em pluma – 856.184 toneladas para
2014/2015 – e rebanho bovino, com 28,41 milhões de cabeças. De acordo com o Instituto Mato-
Grossense de Economia Agropecuária (Imea), o agronegócio representa 50,5% do PIB do estado.
Com o agronegócio consolidado, Mato Grosso é terreno fértil para as indústrias que atuam antes e
depois da porteira. Até 2013, segundo a Federação das Indústrias no Estado de Mato Grosso (Fiemt), o
estado tinha 11.398 unidades industriais em operação, com 166 mil empregos gerados.

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Ainda assim, é preciso agregar mais valor ao produto que sai de Mato Grosso. Da porteira para dentro
há potencial para as empresas que abastecem os produtores com adubo, defensivo e maquinário, entre
outros produtos. Da porteira para fora, as empresas de beneficiamento, como a têxtil e de etanol.

Plantação de soja
A Produção de grãos em Mato Grosso está associada à atividade pecuária.
O mapeamento mostra que a atividade pecuária predomina em pelo menos 40% de Mato Grosso, com
animais de grande porte e rebanho de corte.
A atividade predomina no sul do estado, no nordeste, na região do Rio Araguaia e no norte, entre Alta
Floresta e Nova Bandeirantes.
A área para a produção de grãos e fibras apresenta maior concentração na região centro-norte do
estado, especialmente nos municípios de Sinop, Sorriso e Lucas do Rio Verde, e no centro-sul, sobretudo
nos municípios de Campo Verde e Primavera do Leste.
A atividade associa-se à pecuária de animais de grande porte, dispersa por todas as regiões do estado.
O Mapa da Cobertura e Uso da Terra de Mato Grosso é resultado da interpretação de imagens de
satélite que são comparadas à análise de informações obtidas em trabalhos de campo, análises de
tipologia agrícola e de documentação acessória disponível, como estatísticas e textos.
O IBGE também publica o manual Geoestatísticas de Recursos Naturais da Amazônia Legal, que
apresenta avaliações qualitativas e quantitativas de dados sobre a organização e a distribuição dos
recursos naturais e da cobertura da terra disponíveis para a Amazônia Legal, com base em estatísticas
do Banco de Dados e Informações Ambientais, também do instituto, obtidos por aplicativos
computacionais de análise espacial.
O mapa é disponibilizado nos formatos shape – arquivo que contém dados geoespaciais em forma de
vetor – e PDF, que auxilia no processo de gestão ambiental, além de servir de apoio para a avaliação de
impactos ambientais e elaboração de zoneamentos ecológico e econômico e de processos de
transformação.1

Fonte:
Governo de Mato Grosso.
Disponível em:
http://www.mt.gov.br/geografia.

Pesquisa e tecnologia
O que poucos sabem é que Mato Grosso, além de grãos, é o maior produtor de pescado de água doce
do país, responsável por 20% da produção do Brasil, com 75,629 mil toneladas (IBGE 2013). E esse
mercado tem muito a crescer. O potencial está na abundância de rios e lagos em território mato-
grossense.
Atualmente, 72% do pescado produzido no estado são destinados ao consumo interno, de acordo com
dados de 2014 do Imea. O segundo maior consumidor do peixe produzido no estado é o Pará (9,71%),
seguido do Tocantins (2,35%). O plano do Governo do Estado é estimular o aumento da produção e atrair
empresas de beneficiamento do peixe para exportá-lo para outros estados.
A Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer) é uma das que
investe no setor, tanto em pesquisa quanto na produção. A instituição mantém no município de Nossa
Senhora do Livramento uma estação de piscicultura onde são produzidos e comercializados alevinos de
espécies como pacu, tambacu e tambatinga. A meta da instituição é fechar o primeiro quadrimestre de
2015 com uma produção de 800 mil alevinos.
Para isso a Empaer conta com 39 tanques de reprodução com capacidade para produzir um milhão
de alevinos – sendo 12 tanques de pesquisa e 27 para recria. A instituição também oferece cursos para
produtores rurais e técnicos agrícolas sobre noções básicas de piscicultura.
A borracha natural é outro foco da política de incentivos desenvolvida pelo Governo de Mato Grosso,
que quer agregar valor à borracha produzida no estado, com beneficiamento e industrialização. O estado
é o segundo maior produtor de borracha natural do país, com 40 mil hectares de área plantada e 25 mil
famílias envolvidas na atividade, conforme dados da Empaer.
Pioneira no estado em produção e pesquisa da seringueira, a empresa possui um campo experimental
no município de Rosário Oeste (128 km ao Norte de Cuiabá) com jardim clonal e viveiro para atender a
agricultura familiar. Os produtores contam com o apoio do Programa Nacional de Fortalecimento da

1
Disponível em: http://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2015-06/ibge-disponibiliza-mapa-da-cobertura-e-uso-da-terra-de-mato-grosso.

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Agricultura Familiar (Pronaf Eco), que disponibiliza uma linha de crédito com prazo de 20 anos para
pagamento e oito de carência.
Paralelamente, a Secretaria de Ciência e Tecnologia (Secitec) investe em inovação e qualificação de
mão de obra com a criação do primeiro parque tecnológico de Mato Grosso, além de negociação com
centros europeus para cooperações na área de tecnologia.
Energia também não falta para mover esta máquina. Superavitário no setor energético, Mato Grosso
alcançou em 2014 a produção de 14 milhões/MWh. Desse montante, consumiu 9 milhões/MWh e
exportou 5 milhões/MWh via o Sistema Interligado Nacional (SIN).

Do ouro às pedras coradas


Se durante a colonização Mato Grosso foi reconhecido pelo ouro, hoje é um mercado potencial para a
fabricação de joias e semi joias a partir de pedras preciosas. Além de ser o maior produtor de diamante
do Brasil – com 88% do total da produção brasileira, segundo o Departamento Nacional de Produção
Mineral (DNPM) –, o estado também se destaca pelas pedras coradas, como a ametista, o quartzo rosa,
a ágata e a turmalina.
A atividade mineral no Estado é histórica. Não há como falar da povoação de Mato Grosso sem falar
da extração do ouro e diamante. Era 1719, quando o ouro foi descoberto por bandeirantes às margens
do Rio Coxipó. Já o diamante começou a ser explorado no fim do século XVIII nas regiões de Coité,
Poxoréu e Diamantino.
Atualmente, conforme dados da Companhia Mato-grossense de Mineração (Metamat), as pedras
coradas se concentram nas regiões noroeste, centro sul e leste de Mato Grosso. A granada, o zircão e o
diopsídio em geral são encontrados associados ao diamante, nas regiões de Paranatinga e de Juína.
Nas proximidades de Rondolândia existe um depósito de quartzo rosa e as turmalinas são encontradas
próximas a Cotriguaçu, enquanto as ametistas estão concentradas próximas aos municípios de Aripuanã
(noroeste) e Pontes e Lacerda (oeste).

Economia criativa
A política de incentivo do Governo do Estado para o setor inclui o estímulo a pequenos empresários
do ramo joalheiro, dentro do programa de Economia Criativa que vem sendo desenvolvido pela Secretaria
de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec), que abrange setores como moda, design, artes e
gastronomia.
Há 30 anos no mercado de joias em Cuiabá, Carmem D’Lamonica vê Mato Grosso como um futuro
polo joalheiro pela abundância de pedras coradas existentes no solo mato-grossense e até então pouco
exploradas. Para estruturar o mercado, avalia, é necessário criar uma política voltada para o ramo, desde
a extração até o produto final.
“Temos condições de montar uma cadeia produtiva e nos tornar referência no setor”, garante a
designer, lembrando que matéria-prima atrai não apenas joalheiros, mas também indústrias de semi joias
e bijuterias.

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Paraíso do ecoturismo
Cachoeiras, safaris, trilhas ecológicas, observação de pássaros, mergulho em aquários naturais. Seja
no Pantanal, no Cerrado ou no Araguaia, Mato Grosso é o destino certo para quem gosta de ecoturismo
e para quem planeja investir no segmento que mais cresce no setor de turismo.
Dados da Organização Mundial de Turismo (OMT) apontam que o ecoturismo cresce em média 20%
ao ano, enquanto o turismo convencional apresenta uma taxa de aumento anual de 7,5%, conforme
divulgado pelo Ministério do Turismo em 2014. A organização estima ainda que pelo menos 10% dos
turistas em todo o mundo sejam adeptos do turismo ecológico.
Como belezas naturais não faltam em Mato Grosso, os governos Federal e Estadual têm investido em
infraestrutura de acesso a paraísos naturais mato-grossenses, como o Pantanal. Exemplo disso é o
projeto de substituição de pontes de madeira ao longo da rodovia Transpantaneira – que liga a cidade de
Poconé até a localidade de Porto Jofre, cortando a planície alagável. Ao todo serão construídas 31 pontes
de concreto.
Chapada dos Guimarães é outro ponto prioritário para a Sedec quando o assunto é infraestrutura. No
município, que atrai visitantes adeptos do turismo de contemplação e de esporte de aventura, será
executada a conclusão do Complexo Turístico da Salgadeira e a pavimentação da MT-060 e MT-020. O
Governo do Estado também retomou o diálogo com o Instituto Chico Mendes de Conservação da
Biodiversidade (ICMBio) para o andamento das obras do Portão do Inferno e da entrada da Cachoeira
Véu de Noiva, os dois principais pontos de contemplação do Parque Nacional de Chapada.

Fonte:
Governo de Mato Grosso. Disponível em:
http://www.mt.gov.br/economia.

7. Formação étnica

População2

Mato Grosso é um estado de povos diversos, uma mistura de índios, negros, espanhóis e portugueses
que se miscigenaram nos primeiros anos do período colonial. Foi essa gente miscigenada que recebeu
migrantes vindo de outras partes do país. Hoje, 41% dos moradores do estado nasceram em outras partes
do país ou no exterior.

Geografia e dinâmica da população em Mato Grosso

O Mato Grosso é um estado brasileiro localizado na região Centro-Oeste. Sua extensão territorial é de
903.329,700 quilômetros quadrados, sendo o maior estado da região e o terceiro maior do Brasil.
Conforme contagem populacional realizada em 2010 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), o Mato Grosso possuía na época 3.035.122 habitantes, o que representava 1,59% da população
brasileira.
É o segundo Estado mais populoso da região Centro-Oeste, apenas o estado de Goiás possui
população superior (6.003.788 habitantes). No entanto, o território mato-grossense possui grandes vazios
demográficos, fato que interfere diretamente na densidade demográfica estadual, que, atualmente, é de
3,3 habitantes por quilômetro quadrado, portanto, o estado é pouco povoado.
A taxa de crescimento demográfico é de 1,9% ao ano.3

2
Governo de Mato Grosso. Disponível em: http://www.mt.gov.br/geografia.
3
Governo de Mato Grosso. Disponível em: http://www.mt.gov.br/geografia.

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Cuiabá, capital e cidade mais populosa de Mato Grosso

A maioria dos mato-grossenses reside em áreas urbanas (82%), a população rural compreende 18%.
O estado possui 141 municípios, a maioria é habitada por menos de 20 mil pessoas.
Cuiabá, capital do Estado, é a cidade mais populosa – 551.098 habitantes.
Outros municípios com grande concentração populacional são: Várzea Grande (252.596),
Rondonópolis (195.476), Sinop (113.099), Cáceres (87.942), Tangará da Serra (83.431).
Nos últimos anos o Mato Grosso tem recebido consideráveis fluxos migratórios, consequência da
expansão da fronteira agrícola. A população do estado é formada por pessoas de diferentes composições
étnicas. De acordo com dados do IBGE, a distribuição é a seguinte:

Pardos – 55,2%.
Brancos – 36,7%.
Negros – 7%.
Indígenas – 1,1%.

Portanto, os habitantes que se declaram como pardos é maioria.


A população indígena de Mato Grosso se concentra no Parque Nacional do Xingu, ali vivem tribos
indígenas que preservam a tradição do Kuarup, ritual realizado em homenagem aos mortos.
O estado apresenta grande pluralidade cultural, entre os elementos da cultura mato-grossense estão:
o Cururu, o Siriri, o Rasqueado Cuiabano, o Boi, a Dança de São Gonçalo, a Dança dos Mascarados e o
Congo.
O Mato Grosso ocupa a 11° posição no ranking nacional de Índice de Desenvolvimento Humano (IDH),
com média de 0,796.
A taxa estadual de mortalidade infantil é de 19,2 a cada mil crianças nascidas vivas, essa média é a
maior do Centro-Oeste.
A taxa de assassinatos por 100 mil habitantes é de 25,2, sendo uma das maiores médias do país.
A maioria dos habitantes é alfabetizada – 89,8%, e 48,7% possuem oito anos ou mais de estudo.

Referências Bibliográficas:

FRANCISCO, Wagner de Cerqueria e. "Aspectos da população de Mato Grosso"; Brasil Escola.


Disponível em <http://brasilescola.uol.com.br/brasil/aspectos-populacao-mato-grosso.htm>.

Composição étnica

Religião:
Semelhante ao que ocorre em todo território nacional o Mato Grosso é predominantemente povoado
por pessoas cristãs, sendo na sua maioria católicos e uma fração menor dividida em inúmeras
denominações evangélicas, contando ainda com a presença de religiões afrodescendentes.

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Cultura

(Disponível em: http://www.mt.gov.br/cultura).

DANÇA E MÚSICA

A dança e a música de Cuiabá tem influências de origem africana, portuguesa, espanhola, índigenas
e chiquitana. É um conjunto muito rico de combinações que resultou no rasqueado, siriri, cururu e outros
ritmos. Os instrumentos principais que dão ritmo às músicas e danças são: a viola de cocho, ganzá e
mocho.

• Cururu
Música e dança típica de Mato Grosso. Do modo como é apresentado hoje é uma das mais importante
expressões culturais do estado. Teve origem à época dos jesuítas, quando era executado dentro das
igrejas. Mais tarde, após a vinda de outras ordens religiosas, caiu na marginalidade e ruralizou-se. É
executada por dois ou mais cururueiros com viola de cocho, ganzás (kere-kechê), trovos e carreiras.

• Congo
Esta dança é um ato de devoção a São Benedito. No reinado do Congo os personagens representados
são: o Rei, o Secretário de Guerra e o Príncipe. Já no reino adversário, Bamba, fica o Embaixador do Rei
e doze pares de soldados. Os músicos ficam no reino de Bamba e utilizam: ganzá, viola caipiria,
cavaquinho, chocalho e bumbo.

• Chorado
Dança surgida na primeira capital de Mato Grosso, Vila Bela de Santíssima Trindade, no período
colonial. A dança leva esse nome, pois representa o choro dos negros escravos para seus senhores para
que os perdoassem dos castigos imposto aos transgressores. O ritmo da música é afro, com marcações
em palmas, mesa, banco ou tambor.

• Siriri
Dança com elementos africanos, portugueses e espanhóis. O nome indígena é referência aos cupins
com asa, que voavam num ritmo parecido com a dança nas luminárias. A música é uma variação do
cururu, só que com ritmo bem mais rápido. Os instrumentos utilizados são: viola de cocho, o ganzá, o
adufe e o mocho. Os versos são cantigas populares, do cotidiano da região.

(Disponível em: http://www.mt.gov.br/cultura).

• Dança dos Mascarados

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Dança executada durante a Cavalhada em Poconé. E uma apresentação composta apenas por
homens - adultos e crianças. Tem esse nome por executarem a dança com mascaras de arame e massa.
O ritmo é instrumental com o uso de saxofone, tuba, pistões pratos e tambores. O município de Poconé
é o único do Brasil a realizar esse espetáculo.

• Rasqueado
Tem origem no siriri e na polca paraguaia. O nome do ritmo é referência ao rasqueado que as unhas
fazem no instrumento de corda, uma forma tradicional de tocar instrumentos. Na sua essência utiliza os
mesmos instrumentos que o siriri: viola de cocho, mocho, adufe e ganzá. Mas evoluiu para o uso de
violões, percussão, sanfona e rabeca.

Fonte: LOUREIRO, Antônio. Cultura mato-grossense. Cuiabá, 2006

LINGUAJAR

Mato Grosso é uma terra de vários sotaques. Com influência de Gaúchos, mineiros, paulistas,
portugueses, negros, índios e espanhóis, o estado não tem uma fala própria. Em lugares como Sorriso,
Lucas do Rio Verde e Sinop o acento do sul fica mais evidente. É claro que o língua é porosa e a influência
se faz presente, até mesmo nas comunidades mais fechadas.
No entanto, em Mato Grosso, temos o falar cuiabano, talvez o sotaque mais marcados da língua
portuguesa. Com expressões próprias como “vôte” e “sem-graceira” esse falar se mistura com uma
entonação diferente, como a desnasalização no final de algumas palavras. Infelizmente ele é um dos
menos retratados na cultura nacional, nunca apareceu em uma novela ou filme de sucesso nacional e
não possui uma identificação imediata.
Devido ao seu enorme isolamento por conta da distância e acontecimentos históricos, o linguajar
guardou resquícios do português arcaico, misturou-se com o falar dos chiquitanos da bolívia e dos índios
das diversas tribos do estado.
Antônio de Arruda descreveu algumas expressões idiomáticas que são verificadas num glossário do
Linguajar Cuiabano:
• É mato - abundante.
• Embromador - tapeador.
• Fuxico - mexerico.
• Fuzuê - confusão, bagunça.
• Gandaia - cair na farra, adotar atitude suspeita.
• Ladino - esperto, inteligente.
• Molóide - fraco.
• Muxirum - mutirão.
• Pau-rodado - pessoa de fora que passa a residir na cidade.
• Perrengue - molóide, fraco.
• Pinchar - jogar fora.
• Quebra torto - desjejum reforçado.
• Ressabiado - desconfiado.
• Sapear - assistir do lado de fora.
• Taludo - crescido desenvolvido fisicamente.
• Trens - objetos, coisas.
• Vote! - Deus me livre

Fonte
ARRUDA, Antônio. O Linguajar Cuiabano E Outros Escritos. Cuiabá, 1998.

IMAGINÁRIO POPULAR (MITOS E LENDAS)

• Currupira
Este personagem faz parte do folclore nacional, mas tem bastante espaço no meio rural de Mato
Grosso. Um garoto com os pés virados, que vaga pela mata aprontando estripulias. Em Mato grosso diz-
se que ele protege os animais selvagens da caça e chama garotos que caçam passarinhos para dentro
da mata – esta parte é usada pelos adultos para manter as crianças longe da mata fechada.

• O Minhocão

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Este ser mítico é o Monstro do Lago Ness de Cuiabá. Relatos dos mais antigos atestam que um ser
em forma de uma cobra gigante, com cerca de 20 metros de cumprimento e dois de diâmetro, morava
nas profundezas do rio e atacava pescadores e banhistas. A lenda percorre toda extensão do rio e foi
passada de boca a boca pelos mais velhos.

• Boitatá
O nome quer dizer “cobra de fogo” (boia = cobra / atatá = fogo). É uma cobra transparente que pega
fogo como se queimasse por dentro. É um fogo azulado. Sua aparição é maior em locais como o Pantanal,
onde o fenômeno de fogo fátuo é mais comum. Esse fenômeno se dá por conta da combustão espontânea
de gases emanados de cadáveres e pântanos.

• Cabeça de Pacu
Se você estiver de passagem por Mato Grosso é bom ficar atento ao Pacu. De acordo com a lenda
local, quem come cabeça de Pacu nunca mais saí de Mato Grosso. Se o viajante for solteiro não tardará
a casar com uma moça da terra, caso for casado, vai fincar raízes e permanecer no estado.

Fonte: LOUREIRO, Antônio. Cultura mato-grossense. Cuiabá, 2006

GASTRONOMIA

Apesar de ser conhecido como o celeiro do mundo, Mato Grosso tem um enorme potencial também
para servir comidas de excelente qualidade. A culinária do estado tem influências da África, Portugal,
Síria, Espanha e dos antigos indígenas. Com a migração dos últimos anos a culinária também agregou
alguns pratos típicos de outras regiões brasileiras.
Pratos considerados bem mato-grossenses são: Maria Isabel (carne seca com arroz ) o Pacu assado
com farofa de couve, a carne seca com banana-da-terra verde, farofa de banana-da-terra madura além
do tradicional churrasco pantaneiro que se desenvolveu pelas longas comitivas de gado no pantanal.
O peixe é um alimento farto. Ele é comido frito, assado ou ensopado, recheado com farinha de
mandioca ou servido com pedaços de mandioca. Os peixes de mais prestígio nas mesas locais são: o
pacu, a piraputanga, o bagre, o dourado, o pacupeva e o pintado. Os peixes dos rios do estado, carnudos
e saborosos, são uma atração turística para quem visita o estado.
Outro elemento bastante presente é o guaraná de ralar, usado principalmente pelos mais velhos que
o tomam sempre pela manhã antes de começar o dia.
Podemos destacar a variedade de doces e licores apreciados pelos mato-grossenses. Temos como
os mais famosos o Furrundu (doce feito de mamão e rapadura de cana), o doce de mangaba, o doce de
goiaba, o doce de caju em calda, o doce de figo, o doce de abóbora, e outros. Como aperitivo temos o
licor de pequi, licor de caju, licor de mangaba, e outros.

Fonte: LOUREIRO, Antônio. Cultura mato-grossense. Cuiabá, 2006

(Disponível em: http://www.mt.gov.br/cultura).

PATRIMÔNIO HISTÓRICO

O Patrimônio Histórico de Mato Grosso vem sendo revitalizado através de várias ações em âmbito
estadual. Imóveis que contam a história coletiva dos povos mato-grossenses, como igrejas e museus,

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são alvos de projetos de recuperação em várias cidades como Vila Bela de Santíssima Trindade,
Diamantino, Rosário Oeste, Cáceres e Poxoréu.

Igreja Nossa Senhora do Bom Despacho

A igreja dedicada à Nossa Senhora foi uma das primeiras a serem levantadas em Cuiabá, ainda no
século XVIII. A construção atual, entretanto, data de 1918, iniciada durante a presidência de Dom
Francisco de Aquino Correia, que também era arcebispo de Cuiabá na época. Tombada estadualmente
em 1977, a Igreja foi reinaugurada em 2004 após passar por um amplo processo de recuperação feito
em parceria pelos governos estadual e federal.

Palácio da Instrução

Belíssima construção em pedra canga, localizada na região central de Cuiabá, ao lado da Catedral
Metropolitana. Inaugurado em 1914, é hoje a sede da Secretaria Estadual de Cultura, do Museu de
História Natural e Antropologia e da Biblioteca Pública.

O Palácio da Instrução foi reinaugurado no dia 06 de dezembro de 2004. O projeto foi considerado a
maior obra de recuperação feita até hoje no Estado.

Igreja Nossa Senhora do Rosário e São Benedito

A igreja é um dos marcos de fundação da cidade de Cuiabá, tendo sido construída em arquitetura de
terra em torno de 1730, próximo às águas do córrego da Prainha, em cujas águas Miguel Sutil descobriu
as minas de ouro que impulsionariam a colonização da região.

(Disponível em: http://www.mt.gov.br/cultura).


Igreja Senhor dos Passos

Instalada há 214 anos num cantinho discreto do Centro Histórico – no movimentado cruzamento das
ruas 7 de setembro e Voluntários da Pátria -, a Igreja do Nosso Senhor dos Passos guarda muitas histórias
e lendas, que se confundem, e revelam aspectos do folclore, das crendices e do espírito religioso da
Cuiabá antiga.

Museu Histórico de Mato Grosso

O prédio do antigo Thesouro do Estado foi recuperado e entregue em novembro de 2006. Atualmente,
abriga o Museu Histórico de Mato Grosso. O acervo do Museu contém documentos, maquetes e registros
que vão desde os tempos pré-históricos de ocupação do território, passando pelos períodos colonial e
imperial do Estado até chegar à Política Contemporânea.

Antiga Residência Oficial dos Governadores de Mato Grosso

A Residência Oficial dos Governadores de Mato Grosso foi construída entre os anos de 1939 e 1941,
no Governo do Interventor Júlio Müller. Getúlio Vargas, que ocupava o Palácio do Catete no Rio de
Janeiro à época, foi o primeiro presidente brasileiro a visitar o Estado e, também, o primeiro hóspede
ilustre da casa.

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Durante 45 anos a residência abrigou 14 dirigentes do Estado de Mato Grosso e seus familiares. Foi
palco de grandes decisões políticas e governamentais, sendo desativada como residência oficial em
1986. A última reforma/restauro, em 2000, devolveu a residência suas características do projeto original.

Fonte: Secretaria de Cultura de Mato Grosso

ARTESANATO

O artesanato mato-grossense reflete o modo de vida do artesão. Em cada obra, vemos representado
o dia-a-dia e os costumes da sociedade. Verdadeiras obras de arte enriquecem a cultura mato-grossense
e transformam o cotidiano num encanto de belezas. São objetos de barro, madeira, fibra vegetal, linhas
de algodão e sementes.
Dentro do artesanato mato-grossense a cerâmica é a que mais se destaca pelas suas formas e
perfeições. Feita de barro cozido em forno próprio, ela é muito utilizada para a fabricação de utensílios
domésticos e objetos de ornamentação. Na divulgação da arte, cultura e tradição mato-grossense, a
tecelagem também detém grande representatividade, principalmente pela beleza das cores refletidas nas
redes tingidas e bordadas, uma a uma, pelas mãos das redeiras. A mistura de cores forma lindas imagens,
que vão desde araras e onças até belas flores nativas.

Indígena

A cultura mato-grossense sofre forte influência dos indígenas, através de seus costumes e tradições.
O artesanato é forte e expressivo, representando o modo de vida de cada tribo. Eles preservam a arte de
confeccionar cocar, colares, brincos e pulseiras, utilizando-se das matérias-primas oriundas da natureza,
como sementes, penas e pigmentos.

Fonte: Mato Grosso e seus Municípios

(Disponível em: http://www.mt.gov.br/cultura).

FOLCLORE

CAVALHADA
A Cavalhada é uma das mais ricas manifestações da cultura popular da cidade de Poconé, que rende
homenagem a São Benedito. Uma festa organizada por famílias tradicionais da região, carrega o Pantanal
para uma longínqua Idade Média. Trata-se de uma disputa entre mouros e cristãos. Nesta luta são
utilizados dezenas de cavalos e cavaleiros que têm por objetivo salvar uma princesa presa em uma torre
permanentemente vigiada. Em dia de Cavalhada, a cidade de Poconé amanhece azul e vermelha, as
cores que representam os cristãos e os mouros, um exemplo puro de cultura e paixão por suas raízes.

(Disponível em: http://www.mt.gov.br/cultura).

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FESTA DE SÃO BENEDITO
Geralmente realizada entre a última semana de junho e a primeira de julho, movimenta milhares de
fiéis, em procissão com bandeiras e mastros tão criativos quanto singelos. Ao final da procissão é
levantado o mastro em homenagem ao santo. Dias antes do festejo há um ritual no qual os festeiros
percorrem as ruas da cidade levando a bandeira do santo de casa em casa e recebendo donativos.
Durante os dias de festa há fartura de comida e diversas iguarias, com distribuição de alimentos.

DANÇA DOS MASCARADOS


Típica do município de Poconé, é uma mistura de contradança européia, danças indígenas e ritmos
negros. A maior peculiaridade desta dança é o fato de participarem apenas homens, aos pares, metade
dos quais vestidos de mulher, com máscaras e roupas coloridas onde predominam o vermelho e o
amarelo. A Dança dos Mascarados não encontra semelhanças com nenhuma outra manifestação no
Brasil e sua origem ainda é um mistério, porém a origem pode estar ligada aos índios que habitavam a
região.

DANÇA DO CHORADO
Dança afro, da região de Vila Bela da Santíssima Trindade, surgiu no período colonial, quando
escravos fugitivos e transgressores eram aprisionados e castigados pelos Senhores e seus entes
solicitavam o perdão dançando o Chorado. Com o passar do tempo a dança foi introduzida nos últimos
dias da Festa de São Benedito, pelas mulheres que trabalhavam na cozinha. Com coreografia bem
diferente da demais danças típicas, são equilibradas garrafas na cabeça das dançarinas que cantam e
dançam um tema próprio.

(Disponível em: http://www.mt.gov.br/cultura).

8. Programas governamentais e fronteira agrícola mato-grossense

O espaço no centro da compreensão da realidade4

O ritmo de transformação da realidade brasileira propõe à análise novos desafios, exigindo o estudo
da produção do espaço em sua complexidade. A urbanização ocorrida nos últimos 30 anos no Mato
Grosso pode nos revelar ao mesmo tempo a reprodução das contradições da história do Brasil, não
enfrentadas na expansão econômica para o oeste e norte, assim como pode revelar os novos conteúdos
da urbanização contemporânea.
Esse processo apresenta uma especificidade, que é o imbricamento da questão agrária (permanência
de relações sociais atrasadas – entre elas a concentração fundiária - que se reproduzem no presente),
com o processo de industrialização da agricultura (processo de modernização econômica que reproduz
as relações arcaicas que vem da história) e com a urbanização (produção do espaço que reproduz as
contradições do passado, mas que traz novas problemáticas para a análise). Assim, a reflexão sobre a
urbanização no Mato Grosso implica a consideração dos processos históricos de apropriação-dominação
da terra, assim como as relações sociais que produzem o espaço contemporâneo.
A configuração do espaço, que se realiza como a materialização das relações sociais, nos indica a
aceleração da velocidade das mudanças, o que parece ser uma característica da contemporaneidade e
aponta para novas complexidades no entendimento do mundo moderno. Estamos diante, portanto, do
desafio de interpretar o sentido desse movimento da realidade.
O Mato Grosso hoje representa uma das fronteiras da produção do espaço brasileiro, e podemos dizer,
por isso mesmo, que se revela como uma das fronteiras do conhecimento desse processo de produção
4
PADUA, Rafael Faleiros de. QUESTÃO AGRÁRIA, MODERNIZAÇÃO DA AGROPECUÁRIA E URBANIZAÇÃO EM MATO GROSSO. Revista Mato-Grossense
de Geografia - Cuiabá - v. 17, n. 1 - p. 33 - 63 - jan/jun 2014. Disponível em: http://periodicoscientificos.ufmt.br/ojs/index.php/geografia/article/download/770/2845.

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e reprodução do espaço brasileiro. Como fragmento de estudo, o Mato Grosso se apresenta,
hipoteticamente, como uma síntese do momento atual da urbanização brasileira na sua forma mais
“moderna”, carregando e reproduzindo as contradições que vem da história da formação territorial do
Brasil.
Trata-se de um processo produzido no bojo da reprodução das contradições históricas da formação
do espaço brasileiro (MARTINS, 1999), mas cujo produto é também um espaço característico do
momento atual de reprodução do capitalismo.
O espaço produzido (o espaço da produção do agronegócio), que é produto da reprodução de
contradições históricas, é também produzido sem a espessura da história, trazendo a espacialidade para
o primeiro plano da análise, dado que são materialidades de projetos estatais e econômicos, cuja
paisagem reflete o desenraizamento e a efemeridade (estradas, cidades parecidas, constituídas pelo
deslocamento de grande quantidade de pessoas de outras regiões do país).
Esse processo tem a mediação central do Estado para sua realização, sob o discurso da integração
das regiões centro-oeste e norte ao restante do Brasil, num esforço continuado que tem como um de seus
pontos altos (e representativos) na inauguração de Brasília em 1960. É o Estado que produz as
possibilidades de deslocamentos massivos de pessoas e de novos empreendimentos privados (no caso
do norte de Mato Grosso representados pelos projetos privados de colonização, implementados por
companhias de colonização privadas) e públicos para as regiões a serem “integradas” ao restante do
país. É uma realidade que carrega as abstrações da modernidade, uma vez que é concebida na prancheta
e nos escritórios do poder político e econômico.
O planejamento estatal da ditadura militar na década de 1970, sobretudo através do Plano de
Integração Nacional e do II PND (Plano Nacional de Desenvolvimento) propiciou as condições de avanço
dessa fronteira econômica em direção ao cerrado e à Amazônia no norte de Mato Grosso. Uma das
infraestruturas fundamentais para isso foi a construção de inúmeras rodovias, entre elas a BR-163
(Cuiabá-Santarém), que se constituiu em um eixo de expansão da agricultura modernizada e de produção
de novas cidades (TORRES, 2005).
A noção de fronteira (MARTINS, 2009; MONBEIG, 1998) é fundamental para a compreensão desse
processo, dado que um dos fundamentos dessa integração é a integração de novos espaços ao processo
do capital, é a expansão (acumulação) capitalista na sua dimensão espacial em larga escala que se
realiza. A fronteira é o mundo do contato violento entre visões de mundo distantes, que se realiza como
negação do outro e mesmo o extermínio de povos que ocupavam (e produziam) anteriormente o espaço
(MARTINS, 2009).
Para José de Souza Martins, o conteúdo da fronteira está no conflito, visto a partir de quem perde, de
quem tem destituída a sua terra de vida e de trabalho: os índios e os posseiros (MARTINS, 2009). O
“vazio” territorial se revela assim como justificativa ideológica estatal para “integrar” parcelas do território
nacional à economia nacional. É preciso pensar essa noção de “vazio territorial”, o que ela significa e
significou na formação territorial do Brasil, na retórica da ocupação dos “vazios”, ou seja, trata-se de uma
criação discursiva dos vazios, sob uma ótica “geopolítica”, assim como de estratégias de ocupação
desses vazios criados discursivamente.
Pensando a partir do presente, observamos que nesse mundo da fronteira produziu-se um espaço,
fruto da agricultura modernizada, cuja prosperidade (ideologia do progresso) visa apagar a história e as
contradições que a história carrega. Em nossa perspectiva, a história da produção desse espaço sem
história (a urbanização que é produto da expansão da agricultura modernizada) revela as contradições
presentes nessa produção espacial, que é a particularidade que dá sentido e conteúdo a esses lugares.
Assim o moderno (que se apresenta como progresso) presente na produção agrícola, indicado na
paisagem rural ou urbana, é produzido pelo atraso, pelas relações arcaicas que dominam a reprodução
da história brasileira, que se revela como uma história lenta (MARTINS, 1999).
É evidente a dominação política e econômica (e cultural) da grande propriedade da terra, seja no nível
federal, estadual ou municipal. Em Mato Grosso percebe-se uma dominação política (os grandes
proprietários são majoritariamente os representantes políticos), econômica (também dominam as
atividades econômicas principais) e cultural (construção da opinião pública) da grande propriedade da
terra, o que é necessário decifrar no relativo consenso social de que o agronegócio representa
necessariamente a prosperidade e o progresso.
Nesse contexto de expansão para o oeste e para o norte, respaldado pelas iniciativas estatais, o
chamado agronegócio vem se expandindo rapidamente nos últimos 30 anos no território mato-grossense.
É uma atividade que demanda espaço, seja para a produção rural em si, seja para as atividades que dão
suporte e processam a produção, que se realizam nas cidades. Procuraremos desenvolver no texto
caminhos possíveis de interpretação desse crescimento da produção econômica, articulada ao âmbito do
político em Mato Grosso, procurando apontar conteúdos desse processo no nível do social.

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A expansão da agricultura modernizada induzirá o crescimento quantitativo de inúmeros elementos
em Mato Grosso nos últimos 30 anos, entre eles podemos ressaltar o crescimento demográfico acelerado,
assim como o crescimento da produção agropecuária, seja em termos absolutos de área e produção
como em rendimento médio dessa produção. Esse processo, encarado de modo mais amplo, produz uma
transformação qualitativa, no âmbito das relações sociais, revelando a urbanização como produto e
condição de realização desses inúmeros crescimentos. No entanto, a urbanização não é somente um
processo quantitativo de aumento da população urbana em relação à população rural, mas um processo
de produção de novas condições e necessidades sociais, que vai além das questões quantitativas que
os dados secundários podem mostrar. A urbanização é do âmbito do qualitativo, na transformação do
modo de apropriação do mundo em que vivemos.
Do ponto de vista quantitativo, o crescimento das cidades é expressivo. Mesmo da capital Cuiabá, que
cresceu relativamente menos que as cidades das regiões de expansão do agronegócio, se observarmos
que em 1970 a cidade tinha aproximadamente 100 mil habitantes, constatamos que ela também
acompanha esse crescimento do estado. No entanto, alguns dados da produção econômica nos indicam
que o dinamismo do crescimento econômico de Mato Grosso reside na produção agropecuária, e pela
criação e crescimento acelerado de novas cidades em áreas do cerrado e da Amazônia.
É interessante observarmos que o crescimento das cidades acompanha o crescimento da produção
(em quantidade e em área produzida) e da produtividade. Isso indica que uma série de novos produtos e
serviços são necessários para a realização desse processo de produção (implementos, insumos, serviços
de assistência técnica, serviços financeiros, etc.), o que se realiza nas cidades, como ressaltam
GOODMAN, SORJ e WILKINSON, “a produção capitalista no caso da agricultura localiza-se na cidade,
não no campo” (GOODMAN et al., 1990, p.6). Com isso, as cidades evidenciam na paisagem essa
articulação com as atividades agrícolas, lojas de máquinas agrícolas e de insumos, bancos, cooperativas,
empresas de armazenagem, consultorias, construtoras, imobiliárias, indústrias, empresas de aviação
agrícola, etc.
Os dados sobre a produção agrícola (do milho, algodão e soja, que são os principais produtos agrícolas
do estado) permitem vislumbrarmos a dimensão desse crescimento quantitativo do ponto de vista da
economia predominante em Mato Grosso, a agropecuária o volume de produção tem um crescimento
acelerado nos últimos 30 anos. Esse aumento no volume da produção demanda necessariamente espaço
e técnicas de manejo. Com isso, a produção agropecuária se mostra ao mesmo tempo como
conquistadora de espaço para a produção econômica de larga escala (avanço da frente pioneira), assim
como cada vez mais produtiva ao longo do tempo, com pequenas variações segundo os anos no período
dos últimos 30 anos. Tendo em vista que a área total do município de Sorriso (maior produtor de soja do
estado de Mato Grosso) é 9.345,76 km², e que a área colhida em 2009 foi de 5.900 km², isso significa
que nesse ano 63% da área do município esteve ocupada por esta lavoura em determinados períodos do
ano, o que indica a dimensão da homogeneização da produção.
Há uma intensificação do uso do solo, que se realiza num processo de modernização da agricultura e
da pecuária. Isso nos indica a industrialização da agropecuária, transformando continuamente a
temporalidade e a espacialidade do contexto dessa produção, revelando como realidade um campo
urbanizado, usuário de intensa tecnologia, compreendendo sementes modificadas, agrotóxicos,
maquinário de última geração, cuja finalidade é a rentabilidade máxima da produção, seja no campo, seja
nas atividades propriamente industriais. Nesse contexto, se concretiza a dominação de setores que são
externos à produção agrícola (um setor importante desse processo é o capital financeiro, que domina a
produção de longe, revelando a agropecuária como mediação de sua própria reprodução), como as
grandes empresas fornecedoras de insumos e implementos agrícolas (multinacionais e nacionais), cujas
sedes se localizam nas grandes metrópoles, onde os negócios se realizam com mais fluidez.

9. A economia do Estado no contexto nacional

A questão agrária e a privatização do território em Mato Grosso5

A questão agrária se impõe na história do Brasil como elemento fundamental da reprodução de nossa
realidade social e como atualidade nesse processo de reprodução.
Nesse sentido, a questão agrária aparece no presente como um dos fundamentos de nosso processo
de formação territorial e da produção do espaço brasileiro. O objetivo central que apresentamos aqui se

5
PADUA, Rafael Faleiros de. QUESTÃO AGRÁRIA, MODERNIZAÇÃO DA AGROPECUÁRIA E URBANIZAÇÃO EM MATO GROSSO. Revista Mato-Grossense
de Geografia - Cuiabá - v. 17, n. 1 - p. 33 - 63 - jan/jun 2014. Disponível em: http://periodicoscientificos.ufmt.br/ojs/index.php/geografia/article/download/770/2845.

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constitui na busca por investigar a questão agrária no processo de reprodução das relações de produção
contemporâneo, revelado pelos conflitos e contradições postos mesmo no interior das atividades
compreendidas como modernas. Mais especificamente, buscaremos esses elementos pensando a
realidade da expansão da agropecuária modernizada no Mato Grosso, propondo uma reflexão sobre os
novos conteúdos da produção do espaço, assim como sobre o redimensionamento da relação cidade-
campo nesse processo.
O debate sobre a questão agrária é fundamental à reflexão sobre o moderno no Brasil, se revelando
como fundamento da história da nossa formação territorial, produzindo e reproduzindo contradições que
perpassam o processo histórico, determinando a produção social do presente. Se por um lado a questão
agrária exige que busquemos na história os fundamentos da produção do mundo, não permanecemos na
reflexão sobre o passado, pois o objetivo é o entendimento do presente, mesmo porque essa questão se
reproduz sob novas formas no presente.
A formação territorial do Brasil se revela então como um processo de expansão espacial do
capitalismo, cuja forma de reprodução é necessariamente expropriatória, necessita expropriar os meios
de vida de grande parcela da população para se realizar. A questão agrária se coloca aí como uma
mediação fundamental dessa expansão capitalista, cujo resultado é a expropriação de camponeses e o
extermínio de grupos indígenas (a questão indígena faz parte da questão agrária), produzindo as
particularidades do processo capitalista no Brasil.
A questão agrária, surgida da institucionalização da propriedade privada da terra (Lei de Terras de
18503), quando o acesso à terra passava a se realizar exclusivamente pela mediação do dinheiro, se
reproduz ao longo da história, se colocando, em diferentes momentos, como o principal entrave para a
modernização efetiva do país. Ela se revela, nesse movimento, como a característica arcaica da
permanência da concentração fundiária, e determina em grande parte nosso processo de modernização
(MARTINS, 1999), e cujo debate é fundamental mesmo para entendermos as nossas contradições
sociais, inclusive as que se realizam nas cidades. Dessa forma, é preciso que encaminhemos a nossa
reflexão de modo a entender de que maneira essa questão se impõe hoje como determinação de nossa
realidade social atual.
Assim, a questão agrária não se define como uma questão central para o entendimento dos processos
do mundo rural somente, mas também para o entendimento do próprio processo de urbanização
brasileiro, e a realidade contemporânea do Mato Grosso nos aponta isso. O urbano vai além da cidade,
assim com a questão agrária e suas implicações vão além do campo. Em nosso processo histórico as
contradições se complexificam nas realidades da cidade e do campo, redimensionando a relação cidade
campo, que agora se realiza em novas bases, totalizada pelo urbano.
Problematizar a questão agrária hoje significa, portanto, pensar como ela se reproduz diante da
modernização da agropecuária, e que espaço é produzido nesse processo, assim como desvendar as
formas nas quais a propriedade privada da terra se põe como dominação política e econômica (e cultural),
produzindo novas contradições no âmbito do social.
Tomando o caso específico do Mato Grosso, é preciso desvendar a produção do espaço sob a
dominação da grande propriedade, agora não mais aquela que já na aparência se mostrava arcaica (o
grande latifúndio), mas a grande propriedade unida ao capital (o agronegócio). Essa modernização da
agricultura produz um espaço-tempo característico do processo de produção do que hoje se denomina o
“agronegócio” revelado nas formas das cidades novas (sem história, pois produzidas segundo a lógica da
produção econômica), das lavouras (imensas plantações homogêneas), dos equipamentos (máquinas,
aviões, etc.), das relações sociais determinadas pelo ritmo da reprodução econômica (a esfera do
financeiro mundializado se imiscuindo nas relações de proximidade). Ao mesmo tempo, refletir sobre a
questão agrária implica em pensar a luta pela terra, que traz à tona os conflitos e contradições da posse
da terra no Brasil. A luta histórica dos movimentos sociais do campo nos escancara a dimensão cotidiana
de enfrentamento da mediação abstrata da propriedade privada da terra como condição fundamental da
posse, com a transformação do sentido da terra de terra de vida e de trabalho (caso dos camponeses e
indígenas) para a terra como meio de reprodução do capital (caso do agronegócio).
A reflexão sobre a questão agrária no Brasil nos coloca diante de contradições centrais da nossa
história, aquela do acesso à terra, que tem como consequência a dominação dos meios de vida. O
entendimento do presente, no caso da Geografia através da dimensão espacial da vida social (buscando
sempre superar a condição de ciência parcelar), passa por construirmos um conhecimento que leve em
conta o movimento da realidade como processo histórico concreto, buscando as mediações que nos
expliquem a produção desse processo. Nesse sentido, a reflexão envolve dois momentos, um se refere
ao movimento da realidade, e outro ao movimento do pensamento sobre essa realidade. Tanto a realidade
quanto o pensamento sobre a realidade são produtos sociais historicamente determinados, nos colocando
a questão de pensar o movimento do real construindo necessariamente um conhecimento novo sobre

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esse real que se transforma, como condição necessária do movimento do pensamento do real. Dessa
maneira, o debate que propomos para a reflexão sobre a questão agrária no Brasil vai na direção do
enfrentamento da questão a partir dos elementos do presente, para entendermos a realidade social atual,
buscando na história os fundamentos necessários para o entendimento desse presente.
Nos últimos 40 anos, o processo de expansão da agropecuária capitalista no Centro-Oeste e na
Amazônia foi determinado pelas ações estatais elaboradas e implementadas durante o período do regime
militar (1964-1985). “Assim, a implantação dos projetos agropecuários na Amazônia tem também que ser
entendida como uma das estratégias dos governos militares no sentido de patrocinarem o acesso à terra
na região pelos grandes grupos econômicos” (OLIVEIRA, 1997, p.67). Essas estratégias do Estado
brasileiro de ocupação dos “vazios” da Amazônia se realizaram através dos incentivos fiscais, buscando
atrair grupos capitalistas do centro-sul do país para o norte. Com isso, grandes grupos econômicos
passam a investir na área da Amazônia Legal, que compreende toda a região amazônica e parte do
cerrado do Centro-Oeste e do Norte. Esses investimentos se deram inicialmente sobretudo na pecuária,
com a derrubada da vegetação natural para a constituição de grandes pastagens.
Esses empresários investiram nesta empreitada da ocupação da Amazônia pela pata do boi, sendo
que o resultado, hoje, passados quase 20 anos [o texto é da segunda metade da década de 1980,
observação minha], é no mínimo melancólico. Pois o rastro deixado por este processo foi quase sempre
marcado pelo sangue. Sangue derramado das nações indígenas e dos posseiros. Sangue derramado dos
peões no trabalho de “abertura da mata” (OLIVEIRA, 1997, p.68)
O professor Ariovaldo Umbelino de Oliveira, estudioso da questão agrária no Brasil, evidencia em seus
trabalhos o resultado desse processo patrocinado pelo Estado durante a ditadura militar e mesmo depois,
quando observamos que a violência no campo ainda é uma mediação importante para a reprodução das
desigualdades de acesso à terra, mesmo nos dias de hoje.
A violência, assim como o trabalho escravo, ainda fazem parte do cenário do processo contraditório
de ocupação-dominação da terra no Brasil, sobretudo nas regiões de fronteira, onde a frente pioneira
(avanço da grande propriedade capitalista) se encontra com a frente de expansão (posseiros e
camponeses que ocupam a terra) (Martins, 2009), processo que o documentário “Nas terras do bem-virá”
(Alexandre Rampazzo, 2007) mostra muito bem. Neste documentário podemos ver que nos dias de hoje
a violência ainda reina com o aval do Estado (vide o massacre de Eldorado dos Carajás (1996), o
assassinato de Irmã Dorothy Stang (2005), retratados no filme, assim como o assassinato do casal de
extrativistas José Cláudio Ribeiro e Maria do Espírito Santo (2011), entre tantos outros atos de violência
sobre quem luta pela terra e que a Comissão Pastoral da Terra não cansa de denunciar.
A omissão e/ou morosidade e mesmo a participação do Estado na violência sobre as pessoas e
movimentos que lutam pela terra faz parte da questão agrária no Brasil. O Estado é, dessa forma, um
agente fundamental da reprodução da concentração fundiária no país, não somente por essa violência e
omissão, mas também como o mediador que garante que essa reprodução aconteça até os dias de hoje.
Nesse processo, a grande propriedade privada da terra é produzida e garantida pela violência, através
da grilagem de terras, com a produção de títulos falsos de propriedade, expropriando a terra de nações
indígenas e posseiros, que legitimamente lutam pela terra de vida e de trabalho. Alia-se a esse estado de
coisas a peonagem, que podemos definir como a “escravidão branca” (OLIVEIRA, 1997, p.85), onde os
peões são aliciados por “gatos” em regiões com alto índice de desemprego, principalmente no Nordeste
brasileiro, com propostas enganosas de trabalho, e são levados para o trabalho de desmatamento e
formação de pastagens, em condições extremamente degradadas de trabalho, onde tudo o que o peão
consome ou usa é debitado em sua conta, algo que nunca conseguirá quitar com o fazendeiro, o que
produz um processo de escravidão por dívida (OLIVEIRA, 1997; MARTINS, 2009).
A partir da década de 1970, a Amazônia passa a concentrar os conflitos e as mortes (sobretudo de
trabalhadores rurais, posseiros, peões) no campo e os genocídios das nações indígenas com o avanço
dos projetos de “ocupação” da terra. Devemos entender esse processo no contexto do avanço da
produção capitalista no Brasil. É uma história de expropriação e da reprodução de uma estrutura fundiária
concentrada (a questão agrária).
Historicamente no Brasil, os camponeses migram para onde podem ser proprietários de seu próprio
trabalho, e nesse sentido, há um movimento migratório de camponeses empobrecidos das regiões onde
a concentração fundiária se aprofunda (através inclusive de uma modernização agrícola que elimina
trabalho no campo), ou seja, onde a terra se torna raridade, para as regiões onde há uma abundância de
terras a serem ocupadas. A região amazônica e parcelas do cerrado do Centro-Oeste e Norte do país
são assim o destino dessas populações empobrecidas expropriadas de suas terras em suas regiões de
origem, embora a terra de chegada não fosse de todo desocupada, tendo em vista a presença de
populações indígenas, elas próprias acuadas (e também migrantes) pela expansão espacial do
capitalismo no Brasil.

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Segundo OLIVEIRA, a presença de posseiros na Amazônia “passou de mais de 213 mil em 1960, para
360 mil em 1970, 452 mil em 1975, e baixando para 404 mil em 1980” (OLIVEIRA, 2007, p.91). Segundo
esse autor, a queda do número de posseiros em 1980 se deu pela violência dos grileiros, uma vez que
os projetos estatais e o consequente avanço das mega-propriedades já se estabeleciam como uma
realidade em direção ao norte do país. Os grandes projetos agropecuários da SUDAM, que até o final da
década de 1980 somavam 9 milhões de hectares, se concentraram no Pará e no Mato Grosso, com áreas
médias por projeto agropecuário de “16.300 há no Pará e 31.400 há no Mato Grosso” (OLIVEIRA, 1997,
p.83), voltados principalmente para a pecuária. A partir desses números podemos construir uma ideia da
concentração fundiária que se produz a partir desses projetos de “ocupação”.
Se inicialmente os projetos de colonização públicos, através do INCRA, apontavam para uma
redistribuição da terra, pretendendo resolver a pressão exercida pela concentração fundiária,
posteriormente se vê que as estratégias se direcionam para o incentivo da “ocupação” do território pelas
grandes propriedades. As margens da Transamazônica (10 km de cada lado) foram inicialmente voltadas
para a constituição de assentamentos de reforma agrária, no entanto os projetos foram realizados sem
levar em conta nem mesmo a realidade regional e assim foram logo abandonados pelo Poder Público
(OLIVEIRA, 1997). Cabe salientar aqui que as rodovias que o Estado brasileiro construiu, cortando grande
parte da região amazônica, se revelaram como os eixos de ocupação-dominação do espaço, no processo
de avanço da fronteira agrícola, com destaque para as BR-163 (Cuiabá-Santarém), BR-364 (Brasília-
Acre) e a própria Transamazônica (BR-230).
Nesse processo induzido pelas políticas de espaço implantadas pelos governos da ditadura militar
sobretudo a partir da década de 1970 há um abandono dos projetos públicos de colonização e um
incentivo aos projetos particulares de colonização, quando se concede a empresas colonizadoras grandes
parcelas do território, e são essas empresas que irão vender os lotes, sejam estes rurais ou urbanos, já
que aí nascem novos municípios cuja posse e propriedade da terra, assim como a própria produção do
espaço são totalmente controladas por essas empresas. Trata-se de um processo de privatização da
terra, que permite o que Martins chama de aliança da grande propriedade da terra ao capital (MARTINS,
1999).
O Estado de Mato Grosso concentrou os projetos de colonização privados, que se revelaram como
estratégias espaciais de longo alcance, seja espacialmente como temporalmente, já que ao mesmo tempo
dominaram grandes parcelas de terras em regiões onde a qualidade do solo é particularmente superior
(CABRAL, 2007), e onde se materializaram lógicas de produção do espaço estritamente mediadas pela
redução da terra à “qualidade” de mercadoria, ou seja, o espaço é produzido a partir de projetos privados
visando o lucro, a terra e a produção do espaço aí se realizam estritamente como um grande negócio.
Como reprodução desse processo em um contexto de expansão da agricultura modernizada a partir da
década de 1990 são produzidas realidades regionais características do agronegócio, num processo que
produz concomitantemente e complementarmente, o campo e a cidade, como elementos de uma mesma
realidade. São os casos de cidades como Sinop, Sorriso, Nova Mutum, para citar apenas alguns
municípios que se formaram no eixo da BR-163 (Cuiabá-Santarém).
Ainda segundo Ariovaldo Umbelino de Oliveira, Isso reflete a estratégia da geopolítica militar, expressa
nos escritos do General Golbery, onde a ocupação da Amazônia deveria avançar em cunha a partir do
planalto central mato-grossense, através da Cuiabá- Santarém, e as fronteiras deveriam receber
assentamentos de modo a “garanti-las” sob domínio brasileiro (OLIVEIRA, 1997, p.95).
O projeto estatal de dominação do espaço, que se materializa nas inúmeras estratégias de
“colonização”, impõe uma lógica ao território, a lógica capitalista. Se por um lado se incentiva o
estabelecimento de grandes empreendimentos agropecuários que se revelam como a necessária
expansão espacial da produção capitalista (produção de capital, através de uma acumulação primitiva,
necessariamente expropriatória), por outro lado os parques indígenas também se revelam como o
estabelecimento dessa lógica no espaço, já que ao se transformar a terra em mercadoria, se mostra a
necessidade de restrição do uso da terra às nações indígenas, que são reduzidas às reservas indígenas
(OLIVEIRA, 1997). Se a terra como lugar da vida das nações indígenas não tem limites, os limites são
impostos pelo avanço do capitalismo no território, e mesmo os limites onde se fecharam as nações
indígenas são usurpados pela necessidade devoradora do capital por espaço, para tornar o espaço
produtivo economicamente.

A modernização da agricultura e seu impacto em Mato Grosso

A modernização da agricultura se apresenta como uma condição fundamental do processo de


expansão espacial da fronteira econômica no Brasil. Essa modernização se realiza como uma
intensificação da inserção dos processos naturais ao processo do capital. Trata-se, sempre, de uma

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apropriação parcial da natureza, mas que se concretiza como uma subordinação crescente de setores da
agricultura ao processo do capital. Essa incorporação da agricultura ao processo do capital se coloca no
contexto da necessidade de expansão espacial e setorial da acumulação capitalista, mas encontra
barreiras nos elementos irredutíveis do processo: a terra e as condições naturais ainda tem um papel
relevante na produção agrícola (GOODMAN et al., 1990).
Esses autores demonstram que em um primeiro momento, que se inicia no século XIX, sobretudo nos
EUA, a industrialização da produção agrícola se dá no processo de trabalho e nos processos físicos de
manejo do solo e não nas questões químicas e biológicas, que serão desenvolvidas em um segundo
momento, já no século XX. Sobretudo na segunda metade do século XIX há uma intensificação do
desenvolvimento dos equipamentos agrícolas, assim como uma diminuição acentuada dos fabricantes
destes equipamentos. Isso revela uma concentração do capital nesse setor, com a constituição de
grandes corporações. Entretanto, se a mecanização dos processos de trabalho na agricultura transformou
as relações sociais de produção, com a diminuição drástica de trabalho braçal, alavancando um aumento
da produtividade, a barreira para o processo de acumulação na agricultura é o tempo natural das plantas.
Os fertilizantes industrializados começam a ser produzidos também no século XIX, na Inglaterra,
promovendo uma transformação na fertilidade natural e na recuperação dos solos. Essa indústria se torna
também um importante setor industrial e demanda grandes investimentos para seu desenvolvimento, o
que restringe a sua produção às grandes corporações, o que passa a ocorrer já no começo do século XX
(GOODMAN et al., 1990).
A intensificação das inovações genéticas se dão somente no século XX, com pesquisas realizadas
sobretudo por órgãos públicos, dado os riscos em termos de negócios que essas pesquisas envolviam.
As técnicas de hibridização de sementes (sobretudo do milho nos EUA) permitiram a entrada das grandes
empresas na pesquisa e produção de sementes, esmagando a pesquisa dos órgãos públicos (no caso
dos EUA) e os pequenos produtores de sementes. É nesse contexto que se expande o que ficou
conhecido como “Revolução Agrícola” ou “Revolução Verde”, que para esses autores se trata da difusão
de sementes e técnicas agrícolas dos países temperados para os países tropicais e subtropicais
(GOODMAN et al., 1990), promovendo uma homogeneização cada vez maior da agricultura.
Posteriormente, com o aprimoramento das pesquisas em biotecnologias, assim como com o avanço
no setor químico (insumos), a difusão das inovações industriais trouxe ganhos espetaculares no
crescimento da produtividade total, transformando a economia política da agricultura e do sistema
agroalimentício. Por exemplo, a produção total das safras aumentou 97% nos Estados Unidos entre 1950
e 1981, com um aumento de apenas 3% nas terras cultivadas e apesar de um declínio de 63% no emprego
de mão de obra (GOODMAN et al., 1990, p.10).
Com isso, ainda segundo esses autores, o setor agrícola passa a ter que lidar com o problema da
superprodução, que vai incentivar, no caso dos grãos, o direcionamento da produção para a fabricação
de ração animal.
Nesta exposição, fica evidente que, mesmo se os setores mecânico, químico e biológico/genético se
desenvolvem de maneira não concomitante e desigual no tempo, eles cada vez mais passam a se
articular, levando a indústria de mecanização a se adaptar às necessidades dos demais setores. Nesse
processo, a produção agrícola passa a cada vez mais depender de um pacote industrial: implementos-
sementes-insumos (fertilizantes e agrotóxicos). Ou seja, o grande capital representado por esses setores
(a grande maioria das empresas produtoras de sementes, implementos e insumos são grandes
corporações multinacionais) exerce um controle cada vez maior sobre a produção agrícola, restringindo
a autonomia dos produtores, já que são necessárias práticas de cultivo mais precisas, mais
cuidadosamente reguladas e cronologicamente determinadas, mas isto devido às consequências diretas
e imediatas da maior intromissão nos processos naturais por parte do capital (GOODMAN et al., 1990,
p.36).
Esse maior controle externo à produção agrícola irá provocar uma transformação radical nas relações
sociais, impactando sobremaneira a agricultura camponesa. Nesse sentido, o “pacote” que passa a
dominar a produção agrícola se define como uma série de imposições, começando com as sementes, as
chamadas “variedades de alto rendimento”, que vão exigir novas técnicas de manejo mecanizado do solo,
assim como a aplicação de pesticidas e fungicidas. O avanço contínuo que essas inovações biológicas
da produção de sementes impõem passa a ditar o ritmo das inovações relativas à produção agrícola como
um todo, exigindo que os setores mecânico e químico acompanhem as novas temporalidades impostas
à produção agrícola (GOODMAN et al., 1990), produzindo uma transformação na relação espaço-
temporal das populações envolvidas nesta produção.
Do ponto de vista da criação de animais, as principais inovações se referem às técnicas de
confinamento (com a industrialização da alimentação animal), promovendo uma diminuição do espaço
necessário para as criações. A partir da década de 1950, a engenharia genética, com as técnicas de

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inseminação artificial vão, por sua vez, promover um significativo aumento de produtividade e também
um crescente aumento do controle da produção (GOODMAN et al., 1990).
Uma questão que se nos apresenta diante desse quadro de aumento de uma agropecuária
modernizada de alta produtividade, altamente tecnificada, são quais as necessidades sociais estão sendo
contempladas nesse processo, a da sociedade como um todo, que necessita de alimentos para sua
sobrevivência ou a reprodução econômica dos agentes envolvidos nas cadeias produtivas?
Muitas pesquisas, inclusive aquelas que se dedicam a pensar o impacto da atividade do agronegócio
sobre a saúde dos trabalhadores e da população nos apontam claramente que a finalidade desse
processo é a acumulação ampliada do capital, que se utiliza da produção agropecuária da forma mais
rentável (e necessariamente mais produtiva economicamente) para sua reprodução. As condições de
trabalho e a qualidade (e acesso) da sociedade em geral aos alimentos produzidos estão subordinados
à acumulação ampliada, ou seja, o âmbito do social está subordinado às necessidades da reprodução do
econômico e às normas do político, mediação fundamental para a realização desse processo.
Dessa maneira, o processo de modernização da agricultura e da pecuária se substancia em um
processo de industrialização da produção que as submetem a um movimento crescente de dependência
de um pacote mecânico/químico/biológico genético, dominado por grandes corporações, que muitas
vezes controlam todo o processo de produção, processamento e comercialização dos produtos. A
produção de alimentos se revela aí como um grande negócio, mediação da realização de interesses
externos, alheios aos agentes imediatamente ligados à produção, ou seja, nesse processo de
industrialização da agricultura e pecuária, há também um processo de alienação do trabalho. É em um
contexto de crescente mundialização do capital, assim como de acentuação das crises do capitalismo,
que esse processo de modernização como força produtiva econômica, que se realiza em escala mundial,
permite o avanço da agricultura de grande escala para o Cerrado e para a Amazônia.
Nesse cenário, a partir do final do decênio de setenta, acompanhando a tendência do agro nacional, o
contínuo avanço do capital industrial no ambiente agropecuário implicou acentuada transformação e
diferenciação das características básicas do agro mato-grossense.
Além do surgimento de número elevado de latifúndios capitalizados, grande parte dos
estabelecimentos então existentes se transformou em modernas empresas capitalistas, diferenciando-se
cada vez mais dos antigos latifúndios tradicionais. Essas empresas produzem bens dotados de alto valor
comercial, como a soja, o algodão, o arroz e outros produtos de origem agropecuária (PEREIRA, 2007,
p.50).
É esse processo de modernização da agropecuária, que aproxima cada vez mais essa produção da
produção industrial, que vai dar um aspecto ideológico de legitimidade na aliança entre a grande
propriedade da terra e o capital, processo que contribuirá também para uma desmobilização das lutas
dos camponeses pela terra em Mato Grosso e uma desvalorização, também ideológica, da agricultura
camponesa.

Produção do espaço regional mato-grossense

A formação e ocupação do território mato-grossense6

O território mato-grossense compreende, aproximadamente, 10% do território nacional e abriga, em


contrapartida, aproximadamente 1,53% da população do país, (3.033.991habitantes- IBGE/SEPLAN
2010, hoje aproximadamente 3.306.000). Constitui exemplo de região que caminha rumo à consolidação
de uma área de moderna produção agroindustrial, após a transformação de sua base produtiva,
impulsionada por forte ação estatal.
Como característica preliminar, pode-se dizer que essa área vem-se afirmando, nas últimas décadas,
como uma economia baseada predominantemente na pecuária extensiva de corte e de leite, e,
principalmente, na produção intensiva de milho, algodão e soja, afora experiência isolada de indústrias
madeireiras.
Esses sistemas produtivos têm sido responsáveis pela produção de matérias primas para a
agroindústria e algumas mercadorias processadas, em geral destinadas à exportação como: grãos,
carnes e algodão e, portanto, desencadeadores do próprio processo de agroindustrialização regional.
Esses produtos são exportados principalmente para os estados das regiões Sul e Sudeste do Brasil e
para os países da comunidade europeia, Estados Unidos, China, Rússia, etc.

6
ABUTAKKA, Antonio. A formação e ocupação do território mato-grossense. Artigos da Secretaria de Estado de Planejamento – SEPLAN. Governo do Mato
Grosso. Disponível em:
http://www.seplan.mt.gov.br/documents/363424/3935270/A+forma%C3%A7%C3%A3o+e+ocupa%C3%A7%C3%A3o+do+territ%C3%B3rio+mato-
grossense.pdf/dd149e42-ce2e-4eb0-8ad7-fffa31ce3d43.

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Deve-se ainda considerar que o território mato-grossense partilha vasta área de fronteira interna com
vários estados brasileiros e externa com a Bolívia.
Embora só tenha recebido atenção há pouco tempo, essa área de fronteira internacional ocupa lugar
potencialmente estratégico no espaço econômico latino-americano e sua integração, seja nas
articulações com o Mercosul, seja em possíveis vias de escoamento pelo pacífico.
Partindo-se de uma visão geral sobre o território mato-grossense, pode-se, identificar seus
desdobramentos particulares nas distintas frações do seu espaço, em seus tempos respectivos, os
principais vetores da expansão recente e as implicações no redesenho de sua estrutura espacial.
Efetivamente no século XVIII, inicia-se a ocupação do Estado de Mato Grosso, através das incursões
dos bandeirantes à região, em busca de ouro e na captura e aprisionamento de mão-de-obra indígena,
mercadoria que viabilizou, durante longo tempo, a economia da colônia de povoamento de São Vicente,
(atualmente estado de São Paulo).
Durante todo o século XVIII, mesmo após a descoberta de ouro na região de Cuiabá, o espaço mato-
grossense permaneceu “vazio” dado que as atividades econômicas implementadas na região de Cuiabá,
basicamente mineração do ouro e de diamantes, fundavam-se num sistema comumente designado como
o de pilhagem do período colonial e num povoamento temporário e itinerante. (DSEE/ZSEE - Relatório
sobre o Processo de Ocupação do Estado de Mato Grosso. Cuiabá: SEPLAN, 1997).
Sob a lógica da expansão capitalista, de concentração-centralização do capital e da dominação-
subordinação, no que diz respeito às suas relações sociais e de produção, o desenvolvimento econômico
brasileiro, em termos espaciais, pode ser visto como um processo de articulação e integração nacional
que se desenvolveu, de forma desigual e combinada, segundo três fases distintas: a do isolamento das
regiões; a da articulação comercial e a de integração produtiva.

Diante disso, contextualiza-se também a formação histórica de Mato Grosso, caracterizando-se:


1) o período da ocupação do território e da constituição da região, ainda sob uma longa fase de
isolamento, que perdura até às primeiras décadas do século XX;
2) o da diversificação da base produtiva incipiente e sua articulação comercial com centros produtores-
consumidores nacionais e internacionais; e,
3) o da criação das condições materiais e não-materiais (década de 1970) para a efetiva integração
produtiva da região (década de 1980) ao movimento de produção/reprodução do capital hegemônico
nacional quando este, concretamente, apropria-se do espaço, via instrumento jurídico da propriedade da
terra, subordinando à sua lógica de desenvolvimento os processos de trabalho e de produção existentes
em quase todos os segmentos da economia regional.
Assim, para melhor compreensão sobre o processo de ocupação do estado de Mato Grosso, uma vez
que ele será apresentado de uma forma sintética, achou-se melhor dividir essa abordagem em sete fases,
ou seja:
A primeira fase de ocupação do território mato-grossense tem seu início nos séculos XVII-XVIII, com
a penetração portuguesa em terras de Mato Grosso promovida pelas incursões de bandeirantes paulistas.
A partir de então, o avanço bandeirante em direção ao oeste intensificou-se cada vez mais, na medida
em que o aprisionamento de índios para o trabalho escravo na Província de São Paulo constituía-se numa
atividade bastante lucrativa. O final dessa fase encerra-se quando o ouro de Mato Grosso, que tinha
proporcionado grande riqueza ao final do século XVIII, à Coroa Portuguesa, começa a dar sinais de
esgotamento, disso resultando o esvaziamento dos principais núcleos populacionais ligados à mineração.
A segunda fase de ocupação do território mato-grossense acontece nos séculos XIX-XX. Ela mostra
que os núcleos portuários mais antigos, como Cuiabá, Corumbá e Cáceres, convivem com uma intensa
atividade econômico comercial.
Cáceres firma-se como centro exportador da poaia, cuja extração e comercialização geraram grande
movimento agrícola e comercial nas cidades de Barra do Bugres, Vila Bela da Santíssima Trindade e
Cuiabá, e também através da exportação da seringa (látex), extraída na Bacia Amazônica.
A terceira fase de ocupação é marcada pela “Marcha para o Oeste” (1930- 1950), cujo fator principal
foi uma política de interiorização da economia e de incorporação das regiões, em especial, Centro-Oeste
e Norte ao processo de reprodução do capital hegemônico nacional. Enquanto área de fronteira, a
necessidade de legitimar os limites estabelecidos, através de uma ocupação efetiva do território, foi uma
constante em toda a formação histórica de Mato Grosso.
A quarta fase de ocupação do território mato-grossense é marcada com a construção de Brasília. (Final
da década de 1950 a 1960).
A quinta fase (final da década de 1960 a 1970) foi intitulada como sendo a da implementação dos
primeiros programas de desenvolvimento da região Centro Oeste, corporificados, em grande parte, no I

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e II PND (Programa Nacional de Desenvolvimento), e com a intensificação do fluxo migratório dirigido a
essa região.
A sexta fase de ocupação compreendeu os programas de desenvolvimento, pós década de 1970,
como o POLOCENTRO, o POLONOROESTE e o PRODEAGRO. Somente a partir dessa década e fruto
de uma intervenção do Estado Nacional, planejada e dirigida à ocupação do Centro-Oeste e Amazônia,
é que se criam, na região, as condições efetivas para a apropriação do espaço pelo capital e - além disso
- para sua transformação em espaço econômico integrado ao movimento dominante da
produção/reprodução do capital tanto nacional como internacional. (SIQUEIRA, 1990).
A sétima fase é a atual, ou seja, os avanços recentes da fronteira agrícola do território rumo a
“consolidação”. Dessa forma, as frentes de expansão fizeram surgir um conjunto variado de formas de
apropriação do espaço agrário, tornando-se estas também responsáveis pela transformação da paisagem
natural do Estado. Essa transformação implicou não somente na organização de um setor primário
dinâmico, baseado numa gama variada de produtos (extrativos vegetais, agrícolas, pecuários, etc.), mas
também num leque de impactos sócio-econômicos e ambientais de natureza e intensidade diversas.
De maneira geral, a agricultura empresarial localizou-se nas áreas planas dos cerrados, cujos solos
são potencialmente de boa qualidade. A pecuária, além de estar também nesse tipo de ambiente, tende
a ocupar áreas mais antigas, anteriormente exploradas pela agricultura tradicional, ou expande-se para
a região de fronteira de ocupação, em áreas onde as condições ecológicas e/ou o fator distância (fretes)
são desfavoráveis à grande empresa de exploração agrícola. (DSEE/ZSEE - Relatório sobre o Processo
de Ocupação do Estado de Mato Grosso. Cuiabá: SEPLAN, 1997).
Em linhas gerais, o modelo de ocupação pautado na agricultura “moderna” mantém-se ancorado no
modelo agroexportador de contexto “maior” (nacional/internacional) e nas políticas agrícolas nacionais
(crédito e financiamento).
Esse modelo de ocupação, na medida em que privilegia a agropecuária de caráter empresarial e as
cadeias agro-industriais associadas aos produtos de mercado externo (soja, cana-de-açúcar, carnes,
milho, madeira) tende a adequar-se às normas e padrões determinados pelos mercados nacionais e
internacionais, inclusive quanto à mitigação dos impactos ambientais derivados.

10. A urbanização do Estado

Apontamentos para a reflexão sobre a urbanização nas cidades das regiões de expansão do
agronegócio7

As cidades concebidas no contexto de expansão da agricultura modernizada são desde o seu início
produtos e se reproduzem desde então como negócio, sem passado, reproduzindo a temporalidade da
produção da agricultura modernizada (MARTINS e SEABRA, 1993). A história social (a história das
migrações, carregadas de esperanças; das resistências de posseiros e índios; das expropriações e
conflitos no embate da terra como lugar da vida e como lugar da acumulação do capital) permanecem no
subterrâneo, não reveladas, diante desse processo que se realiza na produção simultânea da cidade e
do campo (do campo modernizado), em uma unidade dialética totalizada pelo urbano como modo de vida
(LEFEBVRE, 2009; ARRUDA, 2007). O urbano aí se revela como mediação com a mundialidade, assim
como sociabilidade fundamental, mesmo que contraditoriamente revelando a privação de relações sociais
qualitativas e concretas.
O momento atual do modo capitalista de produção aponta a esfera do financeiro se reproduzindo
através da cidade e do campo, induzindo outra temporalidade à produção concreta de mercadorias e sua
circulação (ARRUDA, 2007). Essa temporalidade, ligada ao ritmo da reprodução do capital financeiro
induz uma determinada produção do espaço, que a nosso ver impõe, no contexto da urbanização recente
do Mato Grosso, uma escala de análise que supera a escala intra-urbana, embora não a elimine,
encaminhando a análise para uma escala de abrangência regional. Assim, a própria escala se revela
como um conteúdo da análise, dado o imbricamento do local ao regional e deste ao mundial, indicado
pelo fato de a produção agrícola, que se constitui como a principal fonte de riquezas, estar intimamente
ligada a um contexto mundial de produção de matérias-primas.
A ligação do excedente econômico produzido no agronegócio à urbanização, realizando esse
excedente no mercado imobiliário das cidades (em muitas cidades se aceita quantidade de produção de
soja como pagamento de imóveis, por exemplo), demonstra que a produção do campo está articulada de

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PADUA, Rafael Faleiros de. QUESTÃO AGRÁRIA, MODERNIZAÇÃO DA AGROPECUÁRIA E URBANIZAÇÃO EM MATO GROSSO. Revista Mato-Grossense
de Geografia - Cuiabá - v. 17, n. 1 - p. 33 - 63 - jan/jun 2014. Disponível em: http://periodicoscientificos.ufmt.br/ojs/index.php/geografia/article/download/770/2845.

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maneira fundamental à reprodução do espaço urbano, seja em Cuiabá, seja nas cidades ligadas mais
diretamente ao agronegócio (Sinop, Sorriso, Lucas do Rio Verde, Nova Mutum, Campo Verde, Primavera
do Leste e outras) e porque não dizer, provavelmente em outras cidades do país e mesmo de outras
regiões do mundo.
É uma realidade voltada para a produção agropecuária, e cria uma espacialidade e temporalidade
específicas. Pode-se ver a cidade como uma concentração de elementos necessários à produção (mão-
de-obra, estabelecimentos comerciais, serviços bancários, etc.). Mas a concentração urbana aponta para
novas questões qualitativas: a vida urbana e a centralidade como necessidades da realização do humano
(CARLOS, 2008).
Estamos construindo a hipótese de que a urbanização recente do Mato Grosso revela uma nova
dimensão da relação campo-cidade, pois produz (ou reproduz) o campo e a cidade como elementos do
urbano (concentração de inúmeros elementos, simultaneidade, fluidez). A agricultura modernizada nos
dá argumentos para pensar a urbanização do campo. Ou seja, nos colocamos diante da questão: que
campo e que urbano são produzidos nesse processo? Para pensarmos um caminho de resposta a essa
questão é preciso refletir teoricamente sobre essa realidade nova, a partir de sua materialidade concreta,
colhendo aí as indicações de seu conteúdo.
Temos ainda que deixar claro que é um processo que usa o espaço e produz o espaço como se fosse
uma página em branco a ser preenchida, e ao mesmo tempo é um processo que nega uma história
concreta, aquela das terras indígenas e dos posseiros que se reproduziam, não através de relações
abstratas, mas concretamente a sua vida no espaço hoje ocupado pela homogeneidade das grandes
plantações e das cidades planejadas. As resistências e os conflitos escancaram as contradições do
processo de avanço da agricultura moderna no Brasil. Assim, a história da expansão econômica para
oeste e norte promovida pelo Estado se concretiza não como uma história de ocupação de espaços
vazios, mas como a história violenta de extermínio dos índios, expulsão de camponeses pobres (os
posseiros), pela violência da propriedade privada da terra (mesmo sendo esta ilegal) e pela produção
monopolista do espaço, regida hegemonicamente pelo Estado e por grupos econômicos que dominam
economicamente e politicamente grandes parcelas do território.
A questão que importa para nós é: quais os conteúdos sociais desse crescimento quantitativo que
apresentamos no início do texto? Ou seja, é preciso passarmos do âmbito do quantitativo para aquele do
qualitativo para entendermos o sentido do movimento da realidade urbana (GEORGE, 1966). Deparamo-
nos aqui com a limitação de uma ciência parcelar (em nosso caso a Geografia) a partir da qual vamos
nos inserir no movimento do conhecimento dessa realidade; por outro lado, estamos diante de outra
limitação inerente à pesquisa que é a de, a partir de um fragmento da realidade, refletirmos sobre todo o
conjunto da sociedade. Nesse sentido, sem resolvermos as contradições e limitações da pesquisa
científica, devemos sempre ter como horizonte a noção de totalidade, articulando o objeto específico da
pesquisa ao movimento do real, ou seja, à totalidade na qual está inserido (LEFEBVRE, 1955).
Outra questão com a qual nos deparamos neste encaminhamento é como podemos pensar
teoricamente a urbanização (recente) de Mato Grosso? Até o momento atual, se privilegiou o estudo da
técnica, fundamental para se pensar a produção do espaço (BERNARDES e FREIRE FILHO (orgs.),
2005; BERNARDES, 2008; BERNARDES, 2010; SANTOS, 2008; SANTOS e SILVEIRA, 2011). No
entanto é preciso ir além da técnica, buscando refletir sobre a vida cotidiana (finalidade última e conteúdo
da produção do espaço), uma vez que o urbano e a urbanização dizem respeito à vida e não somente à
reprodução de coisas no espaço (LEFEBVRE, 2009, 2000, 1999; CARLOS, 2008, 2001).
No limite poderíamos definir o processo de urbanização como o processo de concentração permanente
de pessoas em um determinado lugar ou região, e que se revela como um lugar de possibilidades,
reunião, encontro das diferenças, criação, mesmo em função de uma concentração quantitativa de
população. Ou seja, a partir do quantitativo se revela o qualitativo enquanto possibilidade. Mesmo que
resultado de projetos de colonização privados, onde a finalidade reside na produção e realização de um
negócio mercantil, a urbanização carrega em si novos conteúdos, ainda que como possibilidades,
virtualidades presentes no real. Dessa maneira, é preciso pensar as relações sociais que envolvem a
urbanização nesse contexto de expansão do agronegócio: os agentes sociais que produzem essa
realidade de fronteira (realidade de migração e de extermínio).
Estamos diante, portanto, de uma persistência do passado (a questão agrária como permanência e
conteúdo da nossa modernidade (MARTINS, 1999)) mas que aparece como uma paisagem nova,
“moderna” (as cidades novas criadas a partir de estratégias estatais e privadas) que sugere o futuro,
realizando o repetitivo da produção de mercadorias (aqui o espaço e a cidade também são as
mercadorias), com o esvaziamento do tempo como duração enquanto condição de realização desse
mundo do instantâneo, ligado ao tempo da reprodução do econômico (o imobiliário, os ramos do

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agronegócio, o financeiro), que entra em contradição com as necessidades próprias da reprodução da
vida, revelando as contradições como o conteúdo do processo.
Valores se consolidam, carregando o moderno na concepção da propriedade privada, revelada no
“sucesso” do empreendedorismo individual. Qual o conteúdo desse progresso? Produziu-se um espaço
característico da atividade agrícola modernizada e criaram-se cidades intrinsecamente ligadas a essa
atividade. Qual o conteúdo dessa urbanização no nível da prática socioespacial? Estamos diante de uma
realidade urbana que é nova (mesmo sendo produzida por relações sociais arcaicas) que carrega também
o conteúdo da migração (que traz também a sua complexidade). O que essas cidades revelam enquanto
conteúdos do urbano? Dessa maneira, é preciso pensar a prática socioespacial que é produzida nesse
processo, com todas as dificuldades de alcançá-la.
A realidade da urbanização recente do Mato Grosso nos coloca diante de novas questões para
pensarmos uma problemática urbana. O urbano está posto nesta expansão para o oeste, pois, como
estamos afirmando, é uma realidade urbana a que é produzida, inserida no próprio movimento de
transformação da realidade brasileira. Já a partir da década de 1950-60, quando o Brasil se industrializava
efetivamente e passava a ser um país de população majoritariamente urbana, a urbanização como
realidade trazia novas questões do âmbito do social: moradia, transporte, saneamento, etc., passava a
demandar uma vida urbana concreta, que não se restringe ao provimento de serviços urbanos básicos,
mas se refere ao uso da cidade pelos cidadãos, o direito à centralidade, enfim, o direito à cidade
(CARLOS, 2011).
As cidades do agronegócio foram criadas por projetos de colonização públicos ou privados, há poucas
décadas, se revelando como uma produção do espaço hegemonizada por determinados interesses,
criando novas espacialidades. Nesse contexto, é o espaço e a produção do espaço que determinam a
produção de novas relações sociais (LEFEBVRE, 2000), que produzem novas sociabilidades urbanas.
Nessa produção do espaço dessa nova realidade social ligada à produção do agronegócio, a técnica
tem um papel importante (BERNARDES, 1996; GOLDMAN et al., 1990). Com isso, podemos dizer que a
industrialização define essa realidade e é determinante na produção dessa urbanização.
A agroindústria, a integração lavoura-indústria (que podemos definir como a relação lavoura-indústria-
cidade), é uma realidade que nasce urbanizada, tendo o urbano como conteúdo e perspectiva. A história
desse processo de urbanização nos aponta para o fato de que é a produção do espaço que explica os
conteúdos sociais no momento atual, ou seja, a produção de novas espacialidades produz novas relações
sociais. O espaço é produto de determinadas relações sociais da contemporaneidade, mas também é
produtor de novas relações sociais (LEFEBVRE, 2009, 2000). As estratégias públicas e privadas (a
ocupação dos “vazios territoriais”, os projetos de colonização, a produção de um espaço agrícola
modernizado), que se revelam como estratégias espaciais, produziram e produzem uma realidade
específica, com um espaço característico. Trata-se um espaço que é produzido, já no início do processo
de colonização, de maneira fragmentada, com funções específicas, se realizando aos pedaços como
negócio.
Henri Lefebvre nos ajuda a pensar esses espaços produzidos segundo as estratégias dos agentes
hegemônicos da produção do espaço em Mato Grosso, quando escreve sobre Mourenx, uma cidade nova
construída para dar suporte a um complexo petroquímico, próxima a sua cidade natal, nos Pireneus
franceses:
Mourenx ensinou-me muita coisa. Aqui os objetos têm o título de sua existência social: sua função.
Cada objeto serve e o diz. Sua função é bem distinta e bem própria. No melhor caso, quando a cidade
nova for acabada e bem sucedida, tudo nela será funcional, e cada objeto terá uma função própria: a sua.
Esta função, cada objeto a indica, significa, grita-a a sua volta. Ele se repete infinitamente. O objeto
reduzido a sua função e também a sua significação; aproxima-se indefinidamente do sinal e o conjunto
desses objetos de um sistema de sinais. Em Mourenx, não há ainda muitos sinais verdes ou vermelhos.
Tudo é apenas sinais verdes ou vermelhos: isto exigido, isto proibido. O objeto reduzido à uma simples
significação confunde-se com a coisa nua, despojada, desprovida de sentido (LEFEBVRE,1969, p.140-
141).
Nas cidades produzidas nas regiões de expansão do agronegócio, observamos que ordens estritas
comandam o ritmo da vida. Nessas cidades há pouca tolerância para o diferente, para aquilo que foge à
lógica da produção econômica. Muitos são os relatos de que pessoas com pouco ou nenhum dinheiro
são coagidas a sair ou mesmo são expulsas dessas cidades.
Constitui-se aí, contraditoriamente, uma realidade urbana, cujos conteúdos é preciso investigar, de um
lado através da pesquisa sobre a reprodução dessas estratégias espaciais dos agentes hegemônicos da
produção do espaço (prefeituras, companhias de colonização, imobiliárias, empresas do agronegócio,
bancos, etc.); por outro lado, é preciso investigar a prática socioespacial que se produz nesse processo,
trazendo para o debate a noção de vida cotidiana (LEFEBVRE, 1992), fundamental para refletirmos sobre

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o nível do social no lugar, onde se concretizam as contradições, no embate desigual com os níveis do
político e do econômico.
Podemos a princípio indicar que se trata de uma realidade onde o campo e a cidade não estão
separados de maneira estritamente definida, pois formam uma única realidade, um se realizando no outro,
inseridos em uma realidade que como conteúdo se revela urbana. A vida urbana é preenchida por
inúmeras informações (concretas), com inúmeros significados, que no momento atual são reduzidas a
ordens nas estratégias espaciais, impondo o mundo do consumo dirigido (LEFEBVRE, 1992). São
espaços produzidos com uma única finalidade que nas cidades do agronegócio são representados pelas
agroindústrias, os armazéns, a área residencial, as áreas de lazer (clubes), etc., espaços que se realizam
por ordens estritas de uso: o lugar do morar (habitat), o lugar de comprar, o lugar da burocracia, o lugar
do trabalho, o lugar do lazer.
A particularidade desses lugares novos (as cidades das regiões de expansão agronegócio) se
apresenta como generalidade do modo de vida urbano, baseado em atividades que podemos chamar de
atividades “modernas”. Mas, mesmo não deixando notar a princípio, dada a “modernidade” aparente
revelada na paisagem, o espaço carrega as contradições de nossa formação social. Assim, relações
sociais arcaicas, atrasadas e reprodutoras de um atraso social fazem parte do conteúdo da nossa
“modernidade” (MARTINS, 1999). O monopólio da terra, mesmo em sua versão atual (o agronegócio)
aponta nessa direção, pois se converte em mediação central da produção das relações sociais (inclusive
através do espaço produzido), baseadas em relações de poder e de domínio político, se revelando
também enquanto dominação cultural e simbólica.
Os “significados” do processo no que podemos chamar da construção da “opinião pública”, são
produzidos e difundidos pelos detentores das esferas de domínio, ou seja, pela grande propriedade da
terra. Nesse sentido, a questão agrária se revela como a base da reprodução das relações sociais,
definindo inclusive as particularidades do urbano nas cidades do agronegócio, complexificada pela união
do capital com a propriedade da terra promovida pelos governos militares (1964-1985) (MARTINS, 1999).
O urbano e a produção do espaço aparecem aí como resultado do aprimoramento da terra como
mercadoria, através dos projetos de colonização, num processo histórico e estratégico de privatização da
terra em Mato Grosso. A partir das centralidades produzidas com a criação das cidades, sobretudo ao
longo da BR-163, com o processo de modernização da agricultura, a indústria e o urbano passam a ser
determinantes na produção da sociabilidade, propondo novos conteúdos sociais.
Assim, devemos considerar que a industrialização (propiciada pela industrialização da agricultura e
pelo processamento dos produtos agrícolas) e o urbano se revelam na prática socioespacial, descolada
da história, pois produzida em um espaço-tempo ligado ao processo de realização do capital de forma
ampliada. No entanto, os conteúdos do processo de industrialização-urbanização apontam para novas
questões de ordem qualitativas: a vida urbana, o urbano como realização concreta da vida está como
perspectiva mesmo nesse espaço produzido segundo a lógica da reprodução econômica.

Questões

01. (DETRAN/MT – Auxiliar do Serviço de Trânsito – UFMT/2015) Sobre aspectos da Geografia


Física do estado de Mato Grosso, assinale a afirmativa INCORRETA
(A) Há três grandes biomas: Amazônia, Cerrado e Pantanal. Ao norte, o estado é coberto por floresta
equatorial, a Floresta Amazônica.
(B) O principal divisor de águas de Mato Grosso é o Planalto dos Parecis que divide as águas que
correm para três bacias hidrográficas: Amazônica, Platina e do Araguaia-Tocantins.
(C) De maneira geral, o relevo é composto por chapadas e planaltos na região central, planícies a
oeste, planaltos residuais ao norte e depressões ao sul do estado.
(D) O clima no estado caracteriza-se como temperado com variações na direção sul, chegando a atingir
temperaturas elevadas devido às massas de ar frequentes nos meses de agosto e setembro.

02. (DETRAN/MT – Administrador – UFMT/2015) Sobre os aspectos econômicos do estado de Mato


Grosso, assinale a afirmativa correta.
(A) O maior contingente populacional reside nas áreas rurais onde se encontra a maior oferta de
emprego, o que reflete as consequências do estilo de desenvolvimento adotado.
(B) A agropecuária é a principal atividade econômica e se caracteriza pela alta rentabilidade na
exportação de commodities e liderança na produção de grãos.
(C) Devido à alta produtividade e à moderna tecnologia, o setor industrial lidera as exportações
direcionadas ao mercado asiático.

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(D) O rebanho bovino do Estado é pouco expressivo com a utilização de mão de obra especializada
em larga escala.

03. (CGE/MT – Auditor – FMP/2015) NÃO se constitui um dos irradiadores da influência geopolítica
do Mato Grosso e em consequência da região Centro-Oeste:
(A) a localização geográfica
(B) a presença do MERCOSUL.
(C) as bacias hidrográficas do Paraguai e Paraná.
(D) as estradas voltadas para o porto de Paranaguá e Santos.
(E) os portos bolivianos.

04. (DETRAN/MT – Administrador – UFMT/2015) As características naturais do estado de Mato


Grosso são constantemente impactadas pelas atividades econômicas desenvolvidas. Sobre o assunto,
assinale a afirmativa INCORRETA.
(A) O Bioma Cerrado é composto por árvores baixas com troncos retorcidos, folhas e cascas grossas,
além de uma vasta vegetação rasteira formada por capins nativos e arbustos; a ocorrência de incêndios
devido às técnicas de manejo agropecuário pode ocasionar múltiplos danos à vegetação, à fauna e à
saúde humana.
(B) Há no estado nascentes das três maiores bacias hidrográficas do país, cujas principais fontes de
poluição resultam, entre outros fatores, dos esgotos domésticos, despejos industriais e das águas do
retorno de irrigação.
(C) A planície mato-grossense é formada por chapadões com a função de divisores de águas de
importantes bacias hidrográficas cujas Áreas de Preservação Permanentes encontram-se intocadas.
(D) O Bioma Pantanal é recoberto por uma vegetação característica com predominância do Cerrado
cujo desmatamento para estabelecimento de pastagens cultivadas pode levar à perda de áreas nativas e
da biodiversidade.

05. (DPE/RR – Auxiliar Administrativo – FCC/2015) Em outubro, cerca de 2.000 pessoas, segundo
cálculos da prefeitura, foram seduzidas por imagens de pepitas gigantes e sacos de dinheiro
compartilhadas nos últimos dias nas redes sociais. Imagens que ninguém sabe dizer se são verdadeiras.
Chamada de "Nova Serra Pelada", a área atrai pessoas de todo o país.
(Adaptado de: http://www1.folha.uol.com.br/mercado)
Esta nova área de atração de população se localiza no Estado
(A) do Mato Grosso.
(B) de Goiás.
(C) do Pará.
(D) do Amazonas.
(E) de Rondônia.

06. (DETRAN/MT – Agente do Serviço de Trânsito – UFMT/2015) Assim se denominam os torneios


hípicos que se constituíram num dos mais populares folguedos em Mato Grosso, notadamente em
Cuiabá, Poconé, São Luís de Cáceres e Porto Esperidião. [...] Foi uma diversão popular que conservou
vestígios das lutas medievais, preservada pelos povoadores de Mato Grosso, que imitaram os celebrados
torneios que o feudalismo desenvolveu. [...] Caracteriza-se como as guerras entre mouros e cristãos.
(LOUREIRO, R. Cultura Mato-Grossense: Festas de Santos e outras tradições. Cuiabá, MT:
Entrelinhas, 2006.)
O texto faz referência às
(A) Touradas.
(B) Folias de Santos.
(C) Cavalhadas.
(D) Folias de Reis.

07. (DETRAN/MT – Agente de Fiscalização de Trânsito – UFMT/2015) A vegetação do estado de


Mato Grosso varia de acordo com a localização geográfica. Sobre o assunto, analise as assertivas.
I - Ao sul da capital, Cuiabá, a vegetação encontrada originalmente era o cerrado, com características
e biodiversidade próprias. Porém, com o avanço da agricultura, grande parte da área antes coberta pelo
cerrado transformou-se em plantações principalmente de soja ou algodão.
II - Ao norte do Estado encontra-se o Pantanal, com predominância de vegetação com árvores altas e
raízes profundas, sendo utilizado pela pecuária intensiva.

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III - No sudoeste do Estado predomina a vegetação de transição caracterizada pela presença de
gramíneas.
A prática da queimada otimiza a produção de feijão e algodão em larga escala.
Está correto o que se afirma em
(A) II e III, apenas.
(B) I e II, apenas.
(C) I, apenas.
(D) III, apenas.

08. (DETRAN/MT – Agente de Fiscalização de Trânsito – UFMT/2015) A Região Metropolitana do


Vale do Rio Cuiabá (RMVRC) envolve municípios com estreitas ligações.
Sobre o assunto, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.
( ) O município de Santo Antônio do Leverger está em processo de conurbação com a capital.
( ) Nossa Senhora do Livramento exibe sólidas relações socioeconômicas e culturais com o município
de Várzea Grande.
( ) A centralização da oferta de bens e serviços está nos municípios de Rosário Oeste e Acorizal.
( ) Várzea Grande possui população reduzida e dispersa, apresentando baixa taxa de urbanização, e
crescimento urbano em direção ao município de Poconé.
Assinale a sequência correta.
(A) V, F, V, V
(B) F, F, V, V
(C) F, V, F, V
(D) V, V, F, F

09. (DETRAN/MT – Agente de Fiscalização de Trânsito – UFMT/2015) Sobre características do


modelo da ocupação demográfica e econômica da Amazônia Legal, que inclui parte do estado de Mato
Grosso, considere:
I - Níveis significativos de desmatamento, resultante de múltiplos fatores, tais como a abertura de
estradas, o crescimento das cidades, a ampliação de pecuária, a acelerada exploração madeireira e a
crescente agricultura mecanizada.
II - Desenvolvimento econômico resultante do elevado contingente industrial via ocupação das áreas
urbanas que incluem as Áreas de Reserva Legal.
III - Dinâmica ligada ao mercado de exportação impulsionada pela alta rentabilidade das principais
atividades econômicas, como a extração madeireira, a pecuária e a produção de grãos.
Está correto o que se afirma em
(A) II e III, apenas.
(B) I e III, apenas.
(C) I e II, apenas.
(D) III, apenas

10. (AL/MT – Técnico – FGV/2013) A divisão do estado de Mato Grosso em dois estados, com a
consequente criação do estado de Mato Grosso do Sul ocorreu
(A) na República Velha, em 1906.
(B) na Era Vargas, em 1930.
(C) no Estado Novo, em 1942.
(D) no Regime Militar, em 1977.
(E) na Nova República, em 1987

11. (PGE/MT – Técnico – FCC/2016) Considere o mapa do Mato Grosso a seguir.

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Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), entre os 15 Municípios que
dobraram a população no período compreendido entre 2000 e 2010, quatro estão localizados no Estado
do Mato Grosso na mesorregião
(A) Sudoeste mato-grossense.
(B) Nordeste mato-grossense.
(C) Norte mato-grossense.
(D) Centro-Sul mato-grossense.
(E) Sudeste mato-grossense.

12. (PGE/MT – Técnico – FCC/2016) O cultivo da soja no Mato Grosso,


(A) caracteriza-se pelo emprego de moderna tecnologia, incluindo o tipo de maquinário envolvido, o
uso de biotecnologia, a pesquisa da transgênese e outros investimentos que tornaram o Brasil o maior
produtor mundial.
(B) teve notável crescimento nas últimas décadas do século XX, sendo o produto agrícola que mais se
expandiu em âmbito nacional, mas atualmente sofre uma crise resultante da concorrência oferecida por
novos países produtores, como o Canadá.
(C) iniciou-se concomitantemente às primeiras levas de assentamento de migrantes do sul na região,
favorecendo a economia familiar, a descentralização de recursos e somando, com a produção gaúcha, o
mais alto volume de exportações de grãos do Brasil.
(D) continua em franca expansão em direção ao Norte e ao Nordeste, em função das grandes
demandas de importação existentes por parte de países como Argentina, China e Estados Unidos, os
principais compradores desse produto brasileiro.
(E) ocupa a maior área plantada do Estado, tem parte da produção destinada à fabricação de rações
para animais e conta com certo crescimento de seu consumo nos hábitos de alimentação do brasileiro,
ainda que existam polêmicas sobre os benefícios desse grão à saúde.

13. (SEAP/GO – Vigilante - SEGPLAN/GO/2015) Oficialmente o Brasil é dividido em 05 grandes


regiões: Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul. Cada uma dessas regiões é formada por vários
estados, sendo que o estado de Goiás faz parte da região Centro-Oeste, juntamente com:
(A) Distrito Federal, Tocantins e Mato Grosso.
(B) Tocantins, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
(C) Mato Grosso, Bahia e Tocantins.
(D) Distrito Federal, Mato Grosso e Bahia.
(E) Distrito Federal, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

14. (PGE/MT – Técnico – FCC/2016) Sobre os climas do Mato Grosso, é correto afirmar que
(A) em áreas elevadas do sudoeste mato-grossense, o clima é tropical continental e a média anual
atinge os 25ºC, podendo chegar a 35ºC nos meses de verão.
(B) as baixas latitudes do Estado impedem a presença de massas de ar polares e continentais, o que
torna o clima sujeito a pequenas variações de temperatura.
(C) no extremo sul do Estado a pluviosidade é alta devido à presença de serras e chapadas que
provocam chuvas orográficas, principalmente no verão e outono.
(D) ao norte o clima é equatorial com elevada temperatura média anual, alta pluviosidade e predomínio
da massa de ar equatorial no verão.
(E) no centro-leste do Estado, nas áreas de baixa altitude, há predomínio do clima tropical úmido com
fracos períodos de seca nos meses de inverno.

15. (PGE/MT – Técnico – FCC/2016) A divisão do território do Estado do Mato Grosso, que resultou
na criação do Estado do Mato Grosso do Sul
(A) realizou-se por uma decisão do governo de Ernesto Geisel, após o longo histórico de pressões
pela separação, desde a Revolução Constitucionalista de 1932 quando a elite local havia proposto o
“Estado de Maracaju”, em moldes democráticos e em contraposição às práticas coronelísticas vigentes
no norte.
(B) aconteceu no início da ditadura no Brasil, numa tentativa do governo militar em solidificar alianças
políticas com certos grupos oligárquicos, particularmente famílias ricas que se dedicavam à pecuária e
reforçariam a base política do ARENA, o partido governista.
(C) resultou de um plebiscito popular realizado em 1977, uma vez que a população dessa parte do
Estado sentia-se negligenciada pelo governo estadual, ao qual reivindicava mais investimentos e maior
presença do poder público, que parecia privilegiar o norte do Estado.

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(D) ocorreu em pleno regime militar, por antigas pressões das elites estabelecidas na parte sul do
Estado, sob o argumento, dentre outros, de que a diversidade presente na grande extensão do território
dificultava sua unidade, sua administração e seu desenvolvimento econômico.
(E) derivou de conflitos de interesses, acirrados após os anos 1950, entre a elite do norte do Estado,
ligada à produção da soja e à pecuária para o mercado interno, e a elite do sul, que se dedicava à
exportação da erva mate e café, sendo formada por empresários paulistas.

Respostas

01. Resposta: D.
O clima do estado sofre variações de acordo com a localização geográfica. Com base nessa afirmativa
o clima que predomina é o tropical super úmido, característica do clima amazônico, no qual há elevadas
temperaturas, algo em torno de 26ºC em relação à média anual e uma grande incidência de precipitações
que chegam a 2.000 mm ao ano.
Outro tipo de clima de grande influência no Estado é o tropical, que possui duas estações bem
definidas, sendo uma seca e outra chuvosa.

02. Resposta: B.
A agropecuária, apesar de corresponder a 28,1% das riquezas do estado, é a principal atividade
econômica, pois o setor de serviços, que contribui com 55,5%, está diretamente ligado a ela.

03. Resposta: E.
Com a importância geopolítica e econômica reconhecida desde o Brasil colônia, Mato Grosso começou
a ser amplamente explorado a partir da segunda metade do século XX, e, a partir da década de 1970,
passou a receber estímulos para a ocupação do seu território, provenientes de diversos programas
federais e estaduais, que rapidamente o transformaram em um dos maiores produtores agropecuários do
país.
O desencadeamento desse processo provocou a interiorização da economia, crescimento
populacional e, consequentemente, intensa urbanização, que, ao lado de outros fatores, sobretudo
políticos, foram decisivos para contínuas divisões territoriais, originando dezenas de municípios nas
últimas duas décadas do século XX.8

04. Resposta: C.
Com relação à manutenção desse bioma, trata-se da construção de hidrovias. Essas vias de transporte
fluvial, severamente criticadas por ecologistas e também por algumas ONGs, evidenciam os impactos
ambientais provocados pela derrubada da mata ciliar e o assoreamento dos rios, afetando a fauna lacustre
e terrestre.

05. Resposta: A.
A “Nova Serra Pelada” fica na pequena cidade de Pontes e Lacerda, a 450Km de Cuiabá.9

06. Resposta: C.
Cavalhada de Poconé é uma festividade de origem portuguesa a Cavalhada chegou a Mato Grosso
em 1769, em comemoração à chegada de Luiz Pinto de Souza Coutinho, capitão general e terceiro
governador da capital de Mato Grosso, fixando-se no município pantaneiro de Poconé. A manifestação
se ausentou do cenário cultural mato-grossense por 35 anos (de 56 a 90), mas retornou em 1991 com
muito pique. E dessa forma, a Cavalhada, palco de torneios medievais acirrados em arenas europeias,
ganhou destaque na tradição e cultura mato-grossense.
A manifestação é comumente associada a famosos episódios da história e da literatura universal, como
a Guerra de Tróia e As Cruzadas. Cavalos e cavaleiros ricamente ornamentados competem ao som do
repique de uma “caixa”. A Cavalhada acontece todos os anos durante a Festa de São Benedito, em junho
e além do embate entre os exércitos Mouros e Cristãos, a Cavalhada tem ainda o Baile dos Cavaleiros,
a Festa da Iluminação (com espetáculo pirotécnico), a Dança dos Mascarados, siriri e cururu e é
encerrada com um grande show popular. Cavaleiros e pajens com vestimentas e adereços riquíssimos
posicionam-se nos seus cavalos que, com singular adorno, enfeitam-se de plumas, fitas e guizos. Em
seguida adentram na arena travando lutas ao som do repique da "caixa", um peculiar instrumento de
percussão, compassado ao trote dos cavalos e ao tilintar dos guizos. Cada exército e composto por 12
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Disponível em: http://www.entrelinhaseditora.com.br/uploads/produtopdf/000276201315598.pdf.
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Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2015/10/1694607-fotos-de-pepitas-gigantes-em-redes-sociais-criam-nova-serra-pelada.shtml.

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cavalheiros e seus respectivos pajens. A festa começa a entrada do exército Mouro com vermelho, e do
exército Cristão cor azul, depois com a entrada da rainha, e dos mantenedores (pessoas que mandam no
exército), em seguida do embaixador, depois as bandeiras do Divino Espírito Santo e de São Benedito,
depois a rainha moura é roubada pelo exército Cristão e o castelo é incendiado. Logo após o castelo ser
queimado, inicia-se então as competições entre elas cabeça do judas, prova do limão, cabeça da rainha,
entre outros. Que ao final o exército mouro coloca bandeiras brancas na arena no qual declara a paz
entre os dois exércitos.
Histórico de representantes da Rainha Moura.
A Rainha moura, disputada pelos exércitos, e escolhida pelo Capitão de Mastro. Na reunião de
escolha, atualmente, o cargo de Capitão é o mais disputado, justamente porque os pais (ou parentes)
querem colocar suas filhas (sobrinhas, netas...) para fazer parte da História das Cavalhadas de Poconé.
(A partir de 2004) 2004 - Mariella Prado 2005 - Aline França 2006 - Tereza Raquel Costa Marques 2007
- Camila Volpato 2008 - Rafaela Silva 2009 - Rafaella Rondon 2010 - Alice França.10

07. C/ 08. D/ 09. B

10. Resposta: D.
A fundação do Mato Grosso do Sul, realizada durante o Regime Militar no Brasil, foi sancionada em
1977 e buscou promover um melhor desenvolvimento regional.

11. C/ 12. E

13. Resposta: E.
A Região Centro-Oeste é uma das cinco regiões do Brasil definidas pelo Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística(IBGE) em 1969. É formada por três estados: Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso
do Sul, mais o Distrito Federal.

14. Resposta: D.
As temperaturas médias situam-se entre 22º e 26ºC nas regiões com clima equatorial e entre 20ºC e
28ºC nas regiões com clima tropical. Estas características, associadas a um período seco (outono-
inverno) e outro chuvoso (primavera-verão), definem o clima de Mato Grosso.

15. Resposta: D.
Ernesto Geisel assumiu o governo em 1974 e estabeleceu a legislação básica para a criação de novos
estados e territórios. No ano seguinte, renasceram as ideias divisionistas devido à discussão dos limites
de Mato Grosso com Goiás. O movimento tomou fôlego e, em 1976, a Liga Sul-Mato-Grossense, presidida
por Paulo Coelho Machado, liderou a campanha da divisão do estado de Mato Grosso.
Trabalhando com rapidez e sigilo, os integrantes da Liga forneceram ao governo federal subsídios
necessários para viabilizar a divisão do Estado. A lei foi assinada pelo presidente Ernesto Geisel no dia
11 de outubro de 1977 e publicada no Diário Oficial do dia seguinte.

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Disponível em: http://www.matogrossobrasil.com.br/culturaefolclore.asp.

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