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Número de lojas fechadas no País


volta a subir após cinco trimestres
- Economia - Estadão
4-5 minutes

Depois de quase um ano e meio no azul, o comércio


varejista voltou a mais fechar do que abrir lojas no primeiro
trimestre. Entre janeiro e março, 39 pontos de venda
lacraram as portas no País. O número é pequeno, mas
emblemático, pois indica grande mudança de rota. E
confirma o quadro de estagnação da economia, já
apontado por outros indicadores.

No último trimestre de 2018, o saldo entre abertura e


fechamento de lojas foi positivo em 4,8 mil unidades. O ano
passado também tinha sido o primeiro ano positivo de
inaugurações depois da recessão, com 11 mil pontos de
venda abertos. O saldo de lojas de 2018 é pequeno
comparado às 220 mil lojas que o varejo perdeu entre 2014
e 2017. Mas era importante porque sinalizava a
recuperação do setor, agora ameaçada.

Os dados de abertura de lojas fazem parte de estudo da


Confederação Nacional do Comércio (CNC) feito com base
nas informações prestadas por empresas formais e com

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vínculo empregatício, reunidas no Cadastro Geral de


Empregados e Desempregados (Caged).

No final do ano passado, ainda sob a influência do


prognóstico favorável para a economia neste ano, a
expectativa era de que 2019 encerrasse com a abertura
líquida de 22 mil lojas, diz o economista-chefe da CNC,
responsável pelo estudo, Fabio Bentes. Hoje, ele acredita
que essa projeção está prejudicada diante do pífio
desempenho da atividade econômica esperado para o ano.

“Essa previsão vai derreter como todas as previsões de


indicadores têm derretido. Seguramente não vamos ter
crescimento no número de lojas e há o risco de que o ano
termine com um número negativo”, diz Bentes.

O retrocesso do varejo é visível. Quem circula pelas


principais ruas de comércio de São Paulo encontra várias
lojas vagas, tanto em shoppings como no comércio de rua.
Na Rua Teodoro Sampaio, no bairro de Pinheiros, zona
oeste da capital, por exemplo, há sequências de lojas
fechadas em vários trechos.

Roberto Frias, diretor-superintendente da distrital de


Pinheiros da Associação Comercial de São Paulo, diz que
aumentou muito o número de lojas vagas nos corredores
comerciais da sua região, depois da pequena recuperação
que houve no ano passado. “O desempenho de 2018 foi
febre em defunto”, brinca, pondo em xeque os resultados
positivos alcançados até dezembro.

Bentes ressalta que todos os fatores condicionantes do


consumo, como emprego, renda e juros ao consumidor

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estão evoluindo muito mal, o que reforça sua avaliação de


que este será mais um ano perdido para a expansão do
varejo. “Os números mostram que o varejo está indo para o
ralo de novo e quem tinha planos de expansão deve estar
engavetando”, diz.

O economista lembra que, no fim do ano passado, uma


pesquisa com comerciantes feita pela CNC apontava que
quase metade dos entrevistados pretendia abrir lojas ou
ampliar as existentes. Hoje, esse indicador está abaixo de
40%.

Vestuário lidera fechamento de lojas

O estudo mostra que o segmento de vestuário e calçados


foi o que mais fechou lojas no primeiro trimestre deste ano
– quase 400 – e também foi o que mais demitiu
trabalhadores, 65,7 mil pessoas, de um total de 101,4 mil
funcionários no varejo como um todo.

“O segmento de vestuário é o mais democrático do varejo,


tem tíquete médio para todos os bolsos”, afirma Bentes.
Para ele, o fato de esse segmento ser o mais atingido
revela a grande abrangência da crise.

Até as farmácias, que vinham resistindo à crise,


sucumbiram no primeiro trimestre. Foram fechados 196
estabelecimentos no primeiro trimestre, número que supera
o encerramento de pontos de venda de móveis e
eletrodomésticos. Já os supermercados e hipermercados,
que vendem itens de consumo básico, continuaram no azul
e inauguraram 645 lojas entre janeiro e março.

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