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Aula 9.

Urbanização, consumo e
mudanças ambientais globais
Francisco Bernardes de Oliveira
“População e mudanças
climáticas globais”
Daniel Joseph Hogan

• 1992: a centralidade dada à hipótese do aquecimento global (Cúpula


da terra); dados ainda incompletos/abstratos = dúvidas/polêmicas;
• 2007: Fourth Assessment Report (4º Relatório de
Avaliação)+militância+divulgação de dados sintetizados;
• Assimilação da população sobre as consequências do aquecimento:
– Efeitos na saúde humana das ondas de calor;
– Migração de vetores de doenças;
– Mudança nos padrões de precipitação;
– Frequência e intensidade de fenômenos climáticos extremos.
• As dimensões humanas das mudanças ambientais globais:
população e mudança climática;
• População+ambiente+desenvolvimento;
• Subutilização de informações demográficas (limitação à relação
“crescimento da população+emissões”;
• Relatório especial sobre cenários de emissões (2000):
urbanização, estrutura etária e composição da unidade doméstica;
não seguido pelo 4AR (2007);
• “Volume total da população tem uma relação menos direta com as
emissões do que outras características demográficas”;
• MacKellar et al. (1998): “As emissões futuras são muito mais
sensíveis a uma faixa razoável de variação nas emissões per capita
associada ao crescimento econômico, às mudanças estruturais e ao
progresso técnico do que a uma variação razoável nas taxas de
fertilidade”.
• Conferência do Cairo sobre População e Desenvolvimento (2004);
• Cap. III do Programa de Ação do Cairo:
– População+
– Crescimento econômico+
– Proteção ambiental.
• “Considerou-se que o estresse ambiental (incluindo, por extensão, as
mudanças climáticas) se deve tanto a padrões de produção e
consumo (incluindo o consumo de recursos em países ricos e por
ricos em países pobres), quanto a fatores demográficos (UNITED
NATIONS, 1995)”;
• Pegada ecológica (2005, Fundo de População das Nações Unidas);
• Consequências ambientais dos processos de mobilidade
populacional e padrões de assentamento populacional no território;
• Mudança ambiental (e climática)+mortalidade e morbidade.
“Sustentando a insustentabilidade”
Comentários à Minuta Zero do documento base de negociação da
Rio+20

Carlos Walter Porto-Gonçalves

• Sobre a natureza do documento:


– I. Preâmbulo/definição;
– II. Renovando compromissos políticos;
– III. Economia Verde (no contexto do Desenvolvimento
Sustentável e erradicação da pobreza);
– IV. Quadro Institucional;
– V. Quadro de Ação de Acompanhamento.
• “Economia como auto evidente e que não comporta leituras
múltiplas”;
• Referências à dimensão econômica: 55. Ambiental e derivados: 7.
Cultural: 3; Natureza: 1;
• Economia mercantil>economia capitalista>economia como
dimensão central da vida;
• “Embora tenhamos tido pouco a pouco o fim do colonialismo não
tivemos o fim da colonialidade” (Aníbal Quijano)
• Progresso+desenvolvimento=“dominação da natureza”;
urbano/rural; separação homem/natureza;
• Proposta: “Economia verde” (limitada a abertura de mercados) por
“desenvolvimento de práticas sustentáveis”;
• Erradicação da pobreza: transferência de responsabilidade para os
pobres;
• 23 referências à “ajuda privilegiada aos países desenvolvidos para
alcançarem o desenvolvimento sustentável”;
• A dimensão quantitativa de riqueza: realização pelo consumo.
• “Nesse sentido propomos substituir no documento tudo que diga
respeito à ‘erradicação da pobreza’ por partilha da riqueza existente
e abrir o debate sobre o sentido do modo de produção de riqueza
que caracteriza esse desenvolvimento não sustentável fundado nos
princípios acima analisados.”
• O destaque ao “setor privado” e às grandes empresas:

– O documento privilegia e destaca a importância do setor privado (que apesar de


submetido as leis, consegue manter alguns privilégios, como o sigilo comercial.);
– Ele não deve ser visto como isento de responsabilidades;
– Domenico di Mais “últimos 20 anos temos a luta dos ricos contra o pobres para acabar com
os direitos”;
– Formas de economia e valores fundados na solidariedade e na cooperação não
lucrativa como terrenos promissores de uma racionalidade ambiental com justiça social.

• O jogo das escalas e a questão das territorialidades:

– Dimensões do jogo político onde os grupos sociais (comunidades, classes sociais, etnias,
estados, empresas) se afirmam através delas. A ênfase na noção de globalização nas últimas
décadas se deu pela afirmação das grandes corporações globais que se afirmavam por meio
dessa escala.
– O conceito de cidadania é ambiguo quando visto de outras perspectivas, como a dos
povos indígenas ou de algumas campesinidades com forte caráter comunitário. Reduz o
cidadão ao indivíduo ignorando as individualidades que se conformam em consonância com
o sentido de identidade comunitária.
– Precisam ser reconhecidos como tais na sua diferença estabelecendo um diálogo de
saberes desses povos/comunidades com o conhecimento científico e filosófico convencional.
• A gestão racional e o uso racional:

– Tecnocracia no campo ambiental; “sustentável” como sinônimo de “racional”;

– A racionalidade é prisioneira de uma certa racionalidade;

– Há no documento um olhar imperial que acriticamente se crê superior ao colocar


a racionalidade científica sobre outras formas de conhecimento; ciência e técnica
como atemporais e utópicas;

– A capacitação é invocada no documento em nome de levar a tecnologia a alguém


incapacitado numa perspectiva unidirecional;

– “ Rio + 20 tem a obrigação de chamar à responsabilidade o setor público para


que se fortaleça institucionalmente superando definitivamente esse verdadeiro
pesadelo que tem sido capturar o público e o comum à lógica do poder
econômico e do poder privado”.
• Sobre o caráter das instituições:

– Os fundamentos institucionais que dão suporte às práticas insustentáveis permanecem


fora do debate (como os princípios do liberalismo como a propriedade privada, a
ênfase no indivíduo, a idéia de acumulação, lucro e crescimento);

– Desenvolvimento sustentável: o social+o econômico+o ambiental. Sem dimensão


política;

– “Isso é grave na medida em que todo o debate ambiental indica, como de diversas
maneiras vem se manifestando nos movimentos sociais, a luta da humanidade para
dar outros sentidos (sustentáveis) à relação com a natureza”;

– Não há referência à democratização do acesso à terra e à água, o reconhecimento


da importância da diversidade cultural e das múltiplas territorialidades
existentes que carecem de reconhecimento formal (reforma agrária ecológica, por
exemplo);

– “Dissociar a dimensão técnica da política é afirmar uma lógica que acredita numa
razão técnica acima do mundo mundano que habitamos, onde uma determinada
intenção se sobrepõe às outras (classismo burguês/gestorial e seu etnocentrismo de
pretensão universalista)”.
• Sobre “participação pública”:

– “Um dos pré-requisitos fundamentais para atingir o desenvolvimento sustentável


é a ampla participação pública nos processos decisórios”;
– Conflito de intenções em termos das práticas e dos destinos a serem dados à
natureza;
– “Insistir numa economia mercantil, ainda que pintada de verde, numa crença
no milagre da tecnologia dissociada dos fins que lhes dão vida, numa visão da
política que ignora seu caráter necessariamente contraditório e, portanto,
conflitivo, como faz o documento em apreço, não altera as estruturas das relações
sociais de poder que dão sustentação ao insustentável mundo que habitamos.”
“Caminhos e Descaminhos para a
Biocivilização”
Documento de trabalho para o Ateliê Internacional Biocivilização para a Sustentabilidade
da Vida e do Planeta
Cândido Grzybowski

• Introdução
– Crise ambiental/crise de valores e de utopias, de imaginários mobilizadores;
– O produtivismo e o consumismo destrutivos ;
– Ameaça do tecido social da convivência e do compartilhamento, do reconhecer-se
responsável pela igualdade de direitos de todos.
– “A crise de civilização caracteriza a perda de capacidade de resposta do sistema
dominante diante dos desafios planetários, tanto de preservação da integridade do
planeta e da vida para futuras gerações, como de injustiça social e ambiental intra e
inter povos hoje. Os fundamentos, a legitimidade e os rumos do modelo ocidental
eurocêntrico, extensivamente do Atlântico Norte, velho de alguns séculos, gestador das
conquistas e do colonialismo escravagista, do capitalismo e do socialismo (seu oposto
irmão siamês), estão derretendo e podem acabar tornando irreversível o processo de
destruição ecológica e social.”
– Biocivilização: um novo paradigma civilizatório.
• Fundamentos para uma Biocivilização:

– Para a biocivilização não basta maquiar de verde o que temos e


continuar crescendo com exclusões sociais e destruições do
bem comum natural. É preciso recompor e reconstruir os fundamentos
da civilização humana para que ela mesma não seja uma ameaça à
sustentabilidade de todos, sem exclusões, intra e inter gerações, e de
toda a vida, bem como da integridade do planeta.
• Sociedade e Natureza:
• Antropocentrismo e tecnocracia;
• Homem/natureza;
• “Trata-se de fazer um percurso mental e prático de relocalização e redescoberta dos
laços que nos unem ao mundo natural e com base nele dos laços de convívio social, num
planeta natural e humano interdependente, do local ao mundial.”
• “A ideia do bem viver, que tem como seu pilar o reconhecer-se como parte da natureza e
ver nela um sujeito com que se relacionar e respeitar, a mãe terra, e pode nos inspirar
na reconstrução ética e prática a fazer enquanto humanidade para uma biocivilização”

• Biocivilização: relação com a biosfera e os territórios;

• Renuncia ao antropocentrismo e mudança radical da visão e relação


com a natureza.
• O que é bem viver numa favela, numa acampamento de refugiados e
de sem terra ameaçados? Como voltar a sonhar em bem viver nas
nossas cidades feitas para carros de uso individual ou nos edifícios
refrigerados e nos condomínios cercados, da mais radical separação
com o “mundo lá fora” e entre nós mesmos? Qual o senso de
comunidade que ainda existe para resgatar de dentro do que a
civilização industrial produtivista e consumista nos transformou?
Como deixar um estilo de vida do ter mais, produzindo sempre mais
lixo e destruição, para dar lugar ao ser mais, mais feliz, mais
solidário, mais consciente das responsabilidades em regenerar,
reproduzir e preservar a integridade da base natural, compartindo-a
com todos hoje e com gerações futuras?

• A vida, toda forma de vida, tem o direito fundamental de existir, este


deve ser o princípio fundante, condição e limite da civilização
humana.
• Ética do Cuidado, da Convivência e do Compartilhamento:

– Cuidado como princípio fundante mas interdependente dos outros dois;

– Convivência e compartilhamento são indispensáveis para a


comunicação, para a linguagem, para o aprendizado. Os conhecimentos,
por sua vez, não existiriam não fosse o compartilhamento;

– Os três como centro da nova economia e do novo poder;

– Compartilhamento x propriedade individual da terra;

– A dominação territorial é a negação dos princípios da biocivilização;


• Os bens comuns:

– Ruptura com a lógica da riqueza mercantil; da propriedade;

“A civilização existente é ecológica e socialmente insustentável. Os


diagnósticos sobre as mazelas da nossa civilização atual são abundantes
e alarmantes. Não é, porém, escopo deste caderno de propostas fazer
um balanço crítico e posicionar-se a respeito. O que importa são as
condições de transformação do sistema atualmente dominante e de
constituição de um novo paradigma.”

– Os bens não são comuns, são socialmente tornados comuns; a


necessidade sentida, almejada e enfrentada coletivamente leva a criar
bens comuns. Ao mesmo tempo, a desenfreada busca de acumulação
individual capitalista vem sendo a forma mais radical de
encarceramento e destruição dos bens comuns.
• A descomodificação e desmercantilização dos bens comuns são uma
das condições incontornáveis para superar a crise de civilização. Sua
importância, antes e acima da propriedade, reside na ideia de
substrato da vida em sociedade.

• Bens comuns não negam a industrialização, mas a subordinam à


lógica do comum.

• Não são contra o os benefícios e utilidades que propiciam os bens


comuns, simplesmente impõem e reforçam os princípios do cuidado
e do compartilhamento
• Requalificando a Luta por Justiça:

– O problema da desigualdade é de relações de força e relações de poder. As


formas de desigualdade como formas de dominação social são uma
característica intrínseca da civilização industrial produtivista e consumista;

– No processo de produzir e acumular, o modelo de desenvolvimento da


riqueza produz ao mesmo tempo desigualdade social e desigualdade
ambiental, mas impõe o seu ideário de consumo a toda sociedade;

– Incorporação da destruição ambiental na requalificação da questão da


desigualdade social; a destruição ambiental deve ser vista como uma
fundamental faceta da própria desigualdade social atual;

– Avançar com o modelo de desenvolvimento e crescer economicamente para


geral emprego e distribuir renda é um modo de encobrir e continuar um
modo predatório de produção de riqueza, não sustentável, nem social e nem
ambientalmente.
• Existe ou não uma questão de ética ecológica, de direitos e de justiça
da natureza em si? Como tudo isto requalifica a fundamental luta
por justiça social?
• Direitos e Responsabilidades Humanas:

– Direito como bem comum;


– Direitos humanos+responsabilidades humanas.

• Igualdade, Diversidade, Individualidade:

– A diversidade como parte da ética social, da ética ambiental e da ética ecológica;


– Fundamentos: igualdade na diversidade; diversidade como contraposição da
homogenização, seja social como ecológica; diversidade como condição da vida
sustentável e da integridade do planeta; diversidade como forma de realização da
igualdade;
– Individualidade é condição de emancipação social, de luta por justiça social,
de construção de uma biocivilização. Individualismo é uma reafirmação da
civilização produtivista e consumista dominante, da acumulação individual, que
concentra riqueza e destrói a natureza (negação do social, dos princípios e
valores que fundam o coletivo e a individualidade);
– O social, a coletividade e a interdependência como elementos essenciais do viver
humano.
• Democracia e Paz:

– Não existe processo histórico sem forças em movimento, em disputa; a


estratégia é radicalizar e democratizar a democracia;

– Democratização: “a equalização pela ação política das assimetrias e


desigualdades existentes na sociedade. Aí reside o seu enorme potencial
transformador. Trata-se de um método de ação política, de busca do
possível na diferença e oposição, resultando num pacto histórico
possível”; um processo, antes de ser um fim.

– “A qualidade da participação define, em última análise, a qualidade da


própria democracia.”
• Uma Possível Agenda de Transição

– Sem vontade política e determinação aplicada na busca de um novo


paradigma, o mais provável é adaptar-se ao dominante e mitigar o seu
impacto, sem efetivamente mudar a sua lógica.

– “O new deal da economia verde”. Trata-se de uma nova frente de


negócios capitalistas, para continuar crescendo e acumulando, e não
uma proposta de transformar a economia e o poder que a sustenta.
“Produção, consumo e
sustentabilidade: o Brasil e o
contexto planetário”
José Augusto Pádua
• O novo realismo ecológico (ou economia da vida real) contra o
enfoque abstrato e flutuante (acima da terra e seus ecossistemas) que
domina o pensamento político e econômico contemporâneo;

• Limites para a produção humana e para a exploração de recursos;

• Balanço energético negativo das atividades produtivas no capitalismo


industrial;

• Menor valor monetário das fontes energéticas+alto valor dos produtos


finais=lucro para o mercado.
• O enfoque flutuante obscurece e retira relevância pública do debate sobre
sustentabilidade e sobre opções políticas em favor da justiça e equidade em
um mundo finito;

• Não se trata de adotar uma postura determinista e desumanizada, mas sim


de pensar os conflitos e as opções políticas da humanidade no contexto do
mundo material.

• “Horror ao mundo” (Michel Serres);

• A entropia estabelece que existe uma tendência para o desgaste e a


desordem no universo, pois uma parte da energia utilizada em todos os
movimentos que ocorrem no mundo físico se dissipa em formas que não são
mais utilizáveis. A construção das formas vivas na ecosfera, neste sentido, se
dá por um processo de neguentropia (negação da entropia), fundada no
intercâmbio energético e na reciclagem permanente. As formas vivas se
constroem por uma negação provisória, pois sempre ocorre em um intervalo
de tempo limitado, dessa tendência para a desordem.
• Os problemas do enfoque flutuante:

1. Ignora o fato de que a ação dos seres humanos ocorre sempre por meio
dos fluxos de matéria e energia do mundo físico, sendo assim limitadas
de acordo com biorregiões e pelo planeta;

2. Mascara que as desigualdades (fruto de conflitos históricos e do


estabelecimento de configurações de classe e dominação) também se
expressam materialmente e precisam ser enfrentadas no contexto
dessa mesma materialidade;

• As desigualdades sociais são sempre desigualdades ecológicas


• Recursos naturais e iniquidade global

– O pensamento pré-moderno e a expansão da economia capitalista (e


aumento da capacidade produtiva); a visão política da ecassez e risco de
colapso suplantada pela ideologia do crescimento ilimitado;

– Pressuposição de crescimento contínuo das forças produtivas; redução


de ameaça de conflitos interiores; possibilidade de atendimento a
demandas coletivos por meio de arranjos econômico-políticos;

– A maior parte do pensamento social e econômico contemporâneo,


especialmente no debate sobre o desenvolvimento, continua a adotar o
enfoque flutuante que dominou os séculos de exuberância da civilização
urbano-industrial.
– A economia capitalista promove em alguns países um aumento
crescente da produção, gerando um consumo de massas inédito na
história da humanidade;

– Os arranjos da “social-democracia-história” forçaram politicamente a


elevação do nível de renda, da capacidade de poupança e das condições
de habitação, saúde e educação das classes trabalhadoras. O Estado
exerceu um papel fundamental neste processo, apesar do próprio
mercado capitalista ter incorporado mais tarde o grande dinamismo
trazido pela disseminação da capacidade de compra;

– A ideologia do desenvolvimento disseminou a expectativa de que o


modelo de alto consumo poderia ser replicado universalmente, gerando
sociedades afluentes em todas as partes do planeta.
– Tempos históricos não homogêneos e não perfeitamente replicáveis (por ex., a
industrialização da Europa);

– Hiato histórico, inaugurado pelas transformações históricas da era da


exuberância; um hiato de alguns séculos na preocupação tradicional com a
dependência do mundo natural.;

– Forte ressurgimento na agenda política do final do século XX da discussão sobre


os riscos à sobrevivência, provocada pelas novas ameaças trazidas pela crise
ecológica e pelos armamentos nucleares;

– Da "escassez tecnológica" do passado, derivada da incapacidade para extrair


recursos da natureza, passou-se à "escassez ecológica", derivada de uma
supercapacidade tecnológica que rompe a mecânica de funcionamento dos
sistemas naturais.
– A questão central do futuro, portanto, não vai ser como aumentar ainda
mais a produção agregada, mas sim como redistribuir de forma mais
equitativa a produção e o uso da riqueza e dos recursos naturais nas
diferentes regiões ocupadas pela comunidade humana;

– Fluxos de recurso: as bases materiais das economias industriais (EUA,


Holanda, Alemanha e Japão: buscava calcular a demanda material total,
numa equação entre a produção doméstica e importada de materiais
renováveis e não-renováveis, incluindo os seus fluxos ocultos (materiais
e ambientes utilizados ou modificados no processo de produção das
mercadorias e que por não serem quantitativos no mercado
permanecem ocultos, apesar de produzirem impacto ecológico);
– Política ambiental é diferente de uma política de sustentabilidade;

– A primeira se concentra em limpar aspectos pontuais do sistema de


produção e consumo, tornando o ambiente vivido menos degradado,
enquanto a segunda supõe uma transformação das próprias estruturas e
padrões que definem a produção e o consumo, avaliando a sua
capacidade integral de sustentação;

– Os cálculos de fluxos materiais e de espaço ambiental servem como


indicadores para um dilema absolutamente crucial para o futuro da
humanidade, que é o da iniqüidade global. Segundo Carley e Spapens, é
possível dividir a humanidade em três grandes blocos no que se refere
ao consumo dos recursos do planeta:
O Bloco I é formado por 1/5 da humanidade (cerca de 1, 2 bilhões de
pessoas) e corresponde ao grupo de alto consumo. Este grupo se
confunde, de maneira geral, com os habitantes dos países da OECD
(Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) e é
responsável por 82,7 % do PIB mundial, 81,2 % do comércio mundial e
50% da produção de grãos. Também é responsável pelo consumo de
60% dos fertilizantes artificiais, 92% dos carros privados, 75% da
energia, 80% do ferro e aço, 81% do papel, 85% dos produtos químicos
e 86% do cobre e alumínio.

O Bloco II é formado por 3/5 da humanidade (cerca de 3,6 bilhões de


pessoas), que os autores identificam como sendo de renda média. É
possível criticar o caráter demasiadamente amplo dessa agregação.
Uma análise mais fina e exigente colocaria uma boa parte deste grupo
na categoria de baixa renda. De toda forma, para efeito de indicador
temporário, vale a pena continuar com o raciocínio dos autores. O
grupo é responsável por 15,9% do PIB e 17,8% do comércio mundial.
Produz, além disso, sendo essa a sua principal participação na
economia-mundo, cerca de 30 a 40% dos alimentos primários.
Também é responsável por cerca de 10-15% do consumo energético e
da produção industrial do planeta.
O Bloco III é formado pelos 1/5 mais pobres da humanidade (cerca de
1, 2 bilhões de pessoas). O bloco é responsável por 1, 4 % do PIB
mundial e 1% do comércio mundial. Este 1/5 da humanidade, e mais
outro 1/5 que foi incluído no bloco II pelos autores, não têm acesso, a
não ser em casos excepcionais, a veículos aéreos ou motorizados,
eletricidade, telefone, computadores, Internet ou outros elementos do
chamado mundo global (Carley e Spapens, 1998: 42).
Alguns comentários:

– A enorme ilusão ideológica presente na noção de que o mundo está se


globalizando;

– Importante não pensar estes blocos exclusivamente em termos de


países. As diferenças entre países também aparecem nos dados
comparativos das médias nacionais de consumo de recursos naturais. É
essencial não ficar preso à leitura centrada nas diferenças nacionais,
colocando a questão da iniquidade global como um mero conflito entre
países. As diferenças não são irrelevantes, especialmente em termos
políticos, mas é preciso visualizar também a existência de castas
internacionais de consumo;
– Este tipo de qualificação, estabelecendo diferentes níveis de
consumo de recursos naturais e, consequentemente, de impacto
ambiental, ajuda a superar alguns dos conceitos generalizados por
uma visão ambientalista superficial. O planeta não está sendo
destruído pelo conjunto da humanidade. A responsabilidade por
esta destruição cabe, de forma quase total, a uma minoria de 1/5 da
humanidade. É sobre este setor que deve incidir de maneira mais
forte as políticas de restrição do consumo material e da emissão de
diferentes formas de poluição;

– É necessário que não se repita no desenvolvimento material dos


blocos II e III a mesma irresponsabilidade ecológica observada nos
processos anteriores de urbano-industrialização. Estes setores da
humanidade podem se beneficiar da planetarização do debate
socioecológico no século XX e do avanço no conhecimento científico
sobre os ecossistemas, os fluxos materiais e as tecnologias
apropriadas.
– O direito legítimo aos setores mais pobres de consumir mais do
planeta;

– Este bloco da humanidade pode consumir mais recursos naturais


sem chegar ao nível de ameaçar as bases do funcionamento
biogeofísico planetário mas para que se dê de modo sustentável é
crucial que ocorra uma redução radical no consumo do bloco I;

– Necessidade da superação da ideologia convencional do


desenvolvimento em favor de um debate ético-político sobre o
desenvolvimento enquanto direito das sociedades à melhoria das
suas condições de vida em um contexto de equidade e
sustentabilidade planetárias;

– Diferenciação de contextos.
• Produção, consumo e iniquidade no Brasil:

– Especificidades: país de fronteira, população relativamente pequena em relação


ao território, estoques de recursos naturais aparentemente não problemáticos;

– Contrastes: intensa degradação social e ambiental (derivada da concentração de


renda e apropriação dos recursos e do meio natural); os números tomados em
sentido geral, sem observar as diferenças regionais e os processos sociais
concretos, apresentam-se enviesados, especialmente devido à gigantesca reserva
de recursos presentes na Amazônia.

– A questão da sustentabilidade no Brasil não pode ser pensada com base nos
mesmos padrões em que a discussão se dá nos países da Europa e da OECD em
geral. A necessidade central no caso do Brasil não é a de estabelecer metas
agregadas de redução, mas sim adotar uma forte dinâmica política que
transforme a estrutura social desigual, desequilibrada e predatória que vem
sendo estabelecida nos diversos pontos do território.
– É preciso, em primeiro lugar, combater a insustentabilidade
social. Isso significa democratizar a renda e o acesso à terra, aos
recursos naturais, aos serviços básicos e aos bens de consumo
úteis. Um segundo movimento fundamental, na medida em que
a cidadania e o senso de comunidade nacional se fortaleça, é
combater o desperdício, o elitismo, o descaso com o espaço
comum e a alienação tecnológica que vem caracterizando a
economia urbano-industrial no Brasil.

– Observa-se um processo intenso e rápido de crescimento


urbano-industrial, incluindo a industrialização do espaço rural,
que configuram dinâmicas sociais e econômicas que não
ocorreram de forma espontânea, mas foram induzidas por
políticas definidas em favor da implantação de uma sociedade
capitalista moderna no Brasil, com seus diferentes ciclos e
etapas.
• Referente ao consumo, destacam-se dois pontos:

– Padrões de consumo definidos por um mercado interno elitista: com


uma industrialização voltada para uma parcela minoritária da população, que
constituía a sua elite consumidora, e a produção industrial sempre voltada para
essa minoria.

– O caráter iníquo do mercado brasileiro cria uma grande distorção nos padrões de
consumo, pois os recursos naturais são utilizados basicamente para atender a
uma elite internacionalizada que quer replicar os padrões perdulários dos
mercados do Norte, ao passo que as necessidades básicas deixam de ser
atendidas.

– Um enorme déficit no consumo popular de serviços públicos e


condições de vida apropriadas ao pleno exercício da cidadania:
carência generalizada de saneamento, habitação, serviços básicos e alimentos. A
falta de atendimento das necessidades populares constitui um fator crucial do
padrão de consumo estabelecido no Brasil, distorcido pelo elitismo e pela
exclusão social.
• Referente ao padrões de produção, destacam-se dois pontos:

– Desperdício e descaso com o espaço público: os sistemas


produtivos padecem da falta de controle social e político, assim como da
falta de consciência pública do empresariado. O comportamento
perdulário e curto-prazista das elites revela-se na falta de cuidado com a
produção, que mesmo assim produz taxas de lucro suficientes ao ser
direcionada para um mercado elitista;

– A taxa de desperdício no país é imensa, sendo que a maior parte da


matéria e da energia desperdiçadas são lançadas nos espaços públicos,
contribuindo para aumentar a degradação ambiental generalizada;
descaso em áreas ambientais especialmente sensíveis;

– Esse padrão não é consequência de eventualidades naturais da


produção, e sim gerado pela soma de fatores que caminham opostos à
sustentabilidade democrática.
• Referente ao padrões de produção, destacam-se dois pontos:

– A alienação tecnológica da produção rural e urbana: em vez de


construir um padrão tecnológico próprio, a partir das potencialidades
ecológicas do território, da diversidade cultural e das necessidades
efetivas da população, o Brasil importou padrões tecnológicos
exógenos e sem os controles institucionais que, nos países capitalistas
avançados, desenvolveram-se historicamente para mitigar alguns dos
seus efeitos;

– O país tomou exatamente o modelo oposto do que seria indicado;

– A transição para uma sustentabilidade democrática passa por uma


mobilização renovada de conhecimentos para a construção democrática,
tanto em níveis teóricos quanto metodológicos.
• Breve conclusão:

– O enfrentamento da dívida social brasileira vai exigir uma utilização endógena


considerável de recursos naturais;

– Os recursos, em geral, poderão ser obtidos na própria diversidade do território


brasileiro, criando de fato uma grande oportunidade de geração de emprego,
renda e produção;

– Este esforço não deve ser criticado com base em um ambientalismo superficial, já
que se trata de uma necessidade crucial de sustentabilidade social e de um uso
perfeitamente legítimo de espaço ambiental;

– O esforço de enfrentamento prioritário da dívida social brasileira, pensando em


termos planetários, vai ao encontro da lógica de reduzir a concentração no uso de
recursos naturais pelos países industrializados do Norte.
– Para que tal esforço não seja danoso ao equilíbrio ecológico do
território e do planeta é necessário adotar novos padrões de
tecnologia, produção e consumo, que superem a alienação
mencionada acima e enfatizem o uso cuidadoso, apropriado e
descentralizado dos recursos renováveis, assim como a proteção
da qualidade e da saúde ambiental do espaço comum.

– Um desenvolvimento fundado na vontade política democrática,


na organização/participação social e na criatividade científico-
tecnológica informada por uma profunda e realista consciência
ecológica.
“Population and Sustainable
Consumption in Brazil”
Donald Saywer

• Sobre a dificuldade do que fazer;

• Centralização no consumo; pressupondo uma interação bidirecional entre


produção e consumo e que o consumo, embora amplamente determinado pela
produção, não seja um simples reflexo da estrutura produtiva;

• O consumo é o oposto da poupar, que poderia ser investido para transformar as


estruturas produtivas;

• Desenvolvimento e sustentabilidade se referem a coletividades econômicas e


sociais, enquanto o consumo por si só pode se referir a indivíduos ou famílias.
Assim, o consumo sustentável é necessariamente sistêmico e refere-se a padrões
coletivos
• Perspectivas Internacionais

– Há uma noção de que a degradação é causada pelo consumo do Norte e pobreza do


Sul, mas de modo menos simplificado reconhece-se que também há excesso de
consumo entre os segmentos de alta renda no sul. Essa meia-verdade mascara a
realidade e as decisões baseadas nela podem produzir resultados inesperados e
contraproducentes;

– A redução da pobreza ou a retomada do crescimento econômico não necessariamente


teria m efeitos positivos objetivos sobre o meio ambiente, uma vez que o aumento do
consumo inevitavelmente envolveria maior consumo de matérias-primas;

– Os padrões insustentáveis ​existentes e as perspectivas de crescimento do consumo e da


população tornam a busca explícita por padrões de consumo sustentáveis ​no Sul, sem
esperar que o problema seja resolvido no Norte

– Progressos significativos no consumo sustentável foram feitos em alguns países


desenvolvidos na década de 1990, especialmente na Escandinávia e na Holanda
(cálculo de “pegadas ecológicas”);
• Tendências Recentes de População e Consumo no Brasil

– Tendências demográficas: a fertilidade, em declínio em todo o país desde a


década de 1960, está agora próxima do nível de reposição (espontâneo); a
mortalidade continuou o declínio iniciado na década de 1940, com a expectativa
de vida agora em cerca de 70 anos (intencional); alteração no padrão de vida e
estrutura familiar;

– Resulta em um envelhecimento da população, o que pode ter influência


significativa nos padrões de consumo; mudança no tamanho médio das famílias
(de 5, em 1950, para 3,8, em 2002);

– Entrada contínua de mulheres na força de trabalho, a fim de manter ou


aumentar o consumo das famílias (resulta em uma mercantilização mais
completa da produção doméstica);
– A pulverização de unidades familiares, também significou um
aumento nas necessidades de consumo devido à redução das
economias de escala domésticas;

– O consumo torna-se cada vez mais individualizado;

– Aumento no nível de urbanização; adensamento da rede urbana;

– Embora a migração definida em termos de mudança permanente


de residência tenha diminuído, parece claro que a mobilidade
temporária aumentou;
– A reforma agrária, que envolveu a distribuição de terras para
mais de 500.000 famílias, contribuiu para o movimento urbano-
rural e novos assentamentos rurais (Malin, 2002).

– A agricultura familiar passou a ser de responsabilidade do novo


Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e do Programa
Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF).

– Há persistência de grupos cujo consumo difere do padrão


moderno e cuja reprodução não está totalmente integrada ao
mercado, mas depende, em grau significativo, de uma ampla
variedade de fontes não monetárias derivadas diretamente da
natureza.
• Tendências de consumo

– Estrutura de consumo: deriva da noção de recursos naturais ilimitados;

– De acordo com a estrutura de classes, um padrão duplo de consumo foi


estabelecido. No período do pós-guerra, com distribuição de renda
muito desigual, o processo de desenvolvimento de substituição de
importações dependia do consumo de uma minoria privilegiada que
constituía um mercado de bens duráveis ​de luxo produzidos com
tecnologia importada, imitando os padrões de consumo dos países
desenvolvidos;

– A maioria adquiriu existência com baixos níveis de consumo (Tavares


1972, Furtado 1972). Assim, o Brasil reproduziu internamente a
distância entre o centro e a periferia ou entre o Primeiro e o Terceiro
Mundo.
– Brasil se destaca por ser campeão mundial de concentração de
renda;

– O consumo de habitação, energia, automóveis etc. por essa


massa de consumidores tem maior impacto em termos
ambientais que o desperdício de consumo de uma pequena elite,
e seu consumo está crescendo. Apesar da exclusão social da
classe E, houve inclusão da classe média baixa através de
processos de mercado e políticas sociais. Por estas razões,
embora seja útil para enfatizar a acentuada desigualdade do país,
o modelo dualista não é apropriado para a análise dos padrões
de consumo e seus impactos ambientais no Brasil.
– Mudanças recentes no padrão de consumo

– Aumento no consumo dos estratos de baixa renda após o Plano Real de 1994,
devido à redistribuição resultante da eliminação do imposto inflacionário;

– O acesso ao crédito facilitado pela estabilização econômica estimulou o consumo


de bens duráveis;

– Como nos países desenvolvidos, o Brasil testemunhou um movimento em prol de


estilos de vida saudáveis, que envolvem a rejeição de pesticidas e organismos
geneticamente modificados nos alimentos, exercícios físicos e preocupação com a
forma física;

– Outra novidade recente é o crescimento de um mercado consumidor “verde”


nacional, seguindo o exemplo dos países desenvolvidos;

– Em termos espaciais, há sinais de enfraquecimento da expansão da fronteira


agrícola;
– Aumento no consumo dos estratos de baixa renda após o Plano Real de 1994,
devido à redistribuição resultante da eliminação do imposto inflacionário;

– O acesso ao crédito facilitado pela estabilização econômica estimulou o consumo


de bens duráveis;

– Como nos países desenvolvidos, o Brasil testemunhou um movimento em prol de


estilos de vida saudáveis, que envolvem a rejeição de pesticidas e organismos
geneticamente modificados nos alimentos, exercícios físicos e preocupação com a
forma física;

– Outra novidade recente é o crescimento de um mercado consumidor “verde”


nacional, seguindo o exemplo dos países desenvolvidos;

– Em termos espaciais, há sinais de enfraquecimento da expansão da fronteira


agrícola;
• Interações entre população e consumo

– O rápido crescimento do número de domicílios implica maior consumo


de bens duráveis, além de água e energia, como mencionado
anteriormente;

– O envelhecimento da população contribui para o aumento do consumo


de bens duráveis, como resultado da acumulação ao longo do ciclo de
vida;

– A redistribuição espacial da população e a integração dos mercados


implicam o aumento do consumo de veículos, rodovias e combustíveis
para a circulação de bens produzidos para o mercado nacional, que
substitui cada vez mais os produtos nacionais e locais;
– A rejeição de respostas malthusianas inapropriadas e
contraproducentes (Hogan, 2001) não implica ignorar os impactos
ambientais das tendências demográficas em relação ao tamanho da
população e às taxas de crescimento, que, por sua vez, têm
conseqüências para a distribuição e composição da população;
• Perspectivas futuras:

– A população do Brasil se estabilizará em cerca de 250 milhões de


habitantes em 2050;

– Nos próximos 50 anos, a distribuição espacial da população deve


passar por uma desconcentração regional devido à
desconcentração econômica e aos diferenciais no aumento
natural da população;

– A composição etária incluirá mais idosos e menos crianças;

– A igualdade pode aumentar um pouco, mas a heterogeneidade


socioeconômica persistirá;
– No geral, essas prováveis ​tendências futuras implicam em constante
aumento do consumo de matérias-primas e energia, poluição da água,
ar e solo e aumento do volume e composição mais problemática de
resíduos sólidos, líquidos e gasosos;

– O constante aumento dos impactos deve continuar mesmo com maior


eficiência e processos de produção mais limpos, que provavelmente não
serão suficientes para compensar os aumentos de consumo em termos
absolutos.

– No curto e médio prazo, novas energias serão geradas mais por


termelétricas do que por usinas hidrelétricas. Assim, a matriz energética
brasileira, que se destaca pela sua maquiagem limpa, ficará cada vez
menos limpa.
– Impactos ambientais:

– Em qualquer cenário futuro, exceto o colapso econômico, as próximas


décadas testemunharão um aumento considerável no consumo total,
cuja composição implicará maior uso de matérias-primas bem como
maiores volumes de resíduos devolvidos à natureza, incluindo
substâncias mais perigosas e não biodegradáveis. Embora não seja
adequado defender a estagnação econômica ou a desigualdade social,
pode-se analisar e tentar minimizar os impactos socioambientais dos
diferentes cenários de consumo;

– A sustentabilidade dependerá também da cooperação entre agentes


públicos e privados. A transição para padrões mais sustentáveis ​implica
incorporar variáveis ​demográficas e ambientais ao planejamento, na
medida em que ele ainda existe em regimes neoliberais em crise, e em
agendas de desenvolvimento sustentável, que são declarações de
intenções úteis, mas não operacionais;
– Acima de tudo, depende da formulação e implementação de políticas
públicas específicas, programas e projetos que envolvam a sociedade
civil e o setor produtivo em vários níveis, do nacional ao local.