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PODER JUDICIÁRIO
JUSTIÇA DO TRABALHO
TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 17ª REGIÃO
7ª Vara do Trabalho de Vitória
ENDEREÇO: AVENIDA CLETO NUNES, 85, 8º andar, PARQUE MOSCOSO, VITORIA - ES - CEP: 29018-906
EMAIL: vitv07@trtes.jus.br
RTOrd 0000323-58.2018.5.17.0007
AUTOR: MARIO ALMEIDA PEREIRA
RÉU: FUNDACAO PETROBRAS DE SEGURIDADE SOCIAL PETROS, PETROLEO BRASILEIRO S A PETROBRAS

SENTENÇA

I - RELATÓRIO

Vistos, etc.

MARIO ALMEIDA PEREIRA, já qualificado nos autos, ajuizou ação de execução de sentença em face de FUNDACAO PETROBRAS DE
SEGURIDADE SOCIAL PETROS e PETROLEO BRASILEIRO S A PETROBRAS também já qualificadas, em 18.04.2018. Declarou ser
beneficiário da coisa julgada estabelecida nos autos da ação coletiva 0078300-38.2009.5.17.0009 distribuída à 9ª Vara do Trabalho de Vitória,
movida pelo Sindicado em face dos réus, onde foram deferidos aos inativos os mesmos índices representados pelos níveis salariais
concedidos ao pessoal da ativa, nas datas de 01.09.2004, 01.09.2005 e 01.09.2006, em decorrência de Acordos Coletivos. Juntou procuração
e documentos.

Conciliação recusada.
Os requeridos apresentaram defesas sob a forma de contestação, impugnando os cálculos autorais. Juntaram procurações, atos
constitutivos e documentos.
Alçada fixada pelo valor da causa.
Ausente a 1ª ré na audiência do dia 18.05.2018.
No doc. id. n. 91c85a7 o autor apresentou sua réplica.
Sem mais provas, foi encerrada a instrução processual.
É o relatório.

II - FUNDAMENTAÇÃO

1. REVELIA.

Foi a 1ª ré devidamente citada para comparecer a audiência designada. Contudo, a mesma não se fez presente na audiência realizada,
sendo, portanto, revel. Contudo, nos moldes do art. 345, I, do NCPC, inviável aplicar a pena de confesso, tendo em vista que a 2ª ré
apresentou contestação, bem como porque se trata de ação de execução de sentença coletiva, onde se busca apenas a satisfação do título
executivo, devendo o presente processo se limitar a apurar as verbas deferidas na referida decisão, caso o reclamante se enquadre como
substituído na ação coletiva.

2. EXECUÇÃO INDIVIDUAL DE SENTENÇA COLETIVA.

O reclamante aduziu ser beneficiário da coisa julgada estabelecida nos autos da ação coletiva 0078300-38.2009.5.17.0009 distribuída à
9ª Vara do Trabalho de Vitória, movida pelo Sindicado em face dos réus.

No presente caso, compete o autor comprovar o dano individual e o nexo etiológico entre o dano genérico reconhecido na sentença
coletiva e o prejuízo individualmente sofrido, demonstrando que se enquadra na situação fática descrita no título executivo.

A sentença coletiva exequenda julgou procedentes os pleitos autorais, conforme transcrição a seguir:

"Perfilho-me ao entendimento do colendo Pretório pois a mudança de nível de modo geral e uniforme para todos foi uma forma de
mascarar reajuste salarial a fim de evitar a sua aplicação aos chamados inativos, que em face da regra do artigo 41 do Regulamento deve ser
estendido também aos mesmos, sendo irrelevante que as normas coletivas não tenham estendido o benefício aos inativos e pensionistas,
visto que esta decisão esbarra na norma do regulamento.

Observo que esses reajustes devem observar a regra dos artigos 41 (aposentados) e 42 (pensionistas) do Regulamento de Benefício da
segunda Ré.

Finalmente, registro que a repactuação não tem qualquer repercussão nesta parcela, porque conforme amplamente debatido nos autos, sua
implementação só correu a partir de 24 de novembro de 2.008, com a publicação da Portaria 2.123/SPC.

Julgo procedente o pleito para reconhecer aos inativos - aposentados e pensionistas - direito a aplicação de todos os percentuais decorrentes
do aumento dos níveis concedidos pela PETROBRAS ao pessoal na ativa, em setembro de 2.004, setembro de 2.005 e setembro de 2.006,
observando o ano da concessão do benefício, vez que quem obteve benefício após estas datas não tem direito ao reajuste."

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Dessa forma, o título executivo determinou o pagamento das verbas supra aos inativos, desde que a aposentadoria ou a pensão tenha
sido concedida antes dos períodos de reajustes dos empregados ativos em 2004, 2005 e 2006.

Além do autor comprovar sua condição de aposentado desde 2002, não houve controvérsia sobre autor ser beneficiário da coisa julgada,
sendo comprovado o nexo etiológico entre o dano genérico reconhecido na sentença genérica e o prejuízo individualmente sofrido.

Ante o exposto condeno os reclamados a pagarem ao autor as verbas deferidas no título executivo.

3. PARÂMETROS DOS CÁLCULOS. IMPUGNAÇÃO DOS RECLAMADOS.

O autor apresentou seus cálculos e as reclamadas impugnaram diversos temas, trazendo os cálculos que entendem corretos.

Contudo, em sua réplica o autor concordou com os cálculos da 2ª reclamada, requerendo sua imediata homologação, apenas
ressalvando a necessidade de inclusão de honorários advocatícios, deferidos no título executivo e não apurados pela reclamada, bem como
das parcelas vincendas.

Dessa forma, deixo de me manifestar sobre as defesas/impugnações aos cálculos autorais, uma vez que o autor concorda
expressamente com os apresentados pela 2ª reclamada, razão pela qual, estando corretos, os mesmos devem ser homologados.

Registro que não é devida a apuração de honorários advocatícios, nestes autos, em decorrência da ação coletiva, pois houve
condenação de honorários sobre o valor da causa, sendo a execução realizada no próprio bojo daquela ação.

Contudo, tal fato não impede a análise dos honorários advocatícios postulados na presente ação de liquidação/execução de sentença
coletiva.

Assim, homologo os cálculos trazidos pela 2ª reclamada, doc. id. n. cf68ee1, vez que de acordo com a sentença coletiva, devendo ser
incluídas as parcelas vencidas até o cumprimento da obrigação de fazer (inclusão da diferença devida na folha de pagamento dos proventos
de aposentadoria), para posterior encerramento dos cálculos.

4. ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA GRATUITA.

Porque presentes os requisitos do art. 14 da Lei 5.584/70, defiro a assistência judiciária gratuita.

5. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS.

Em relação aos honorários sucumbenciais, o artigo 791-A, da CLT (incluído pela Lei n.º 13.467/2017), estabeleceu que serão devidos
honorários de sucumbência ao advogado, ainda que atue em causa própria, fixados entre o mínimo de 5% (cinco por cento) e o máximo de
15% (quinze por cento) sobre o valor que resultar da liquidação da sentença, do proveito econômico obtido ou, não sendo possível mensurá-lo,
sobre o valor atualizado da causa.

Apesar da referida Lei não estabelecer expressamente os honorários na fase de liquidação/execução, também não houve vedação.

Logo, aplica-se os termos do art. 85, §1º do NCPC, com fundamento no art. 15 do mesmo diploma legal.

Assim, considerando a procedência parcial da ação, condeno as reclamadas a pagarem honorários advocatícios de sucumbência ao
advogado do reclamante, no valor equivalente a 15% do valor da condenação.

III - DISPOSITIVO.

Diante do exposto, JULGO PARCIALMENTE PROCEDENTES os pedidos contidos na ação individual de liquidação e execução de
sentença coletiva proposta, para: DECLARAR que MARIO ALMEIDA PEREIRA é beneficiário da coisa julgada firmada no processo 0078300-
38.2009.5.17.0009, sendo apto a receber diferenças deferidas no título executivo, tudo nos moldes da fundamentação acima que integra este
decisum para todos os fins.

Após o trânsito em julgado, as reclamadas deverão cumprir a obrigação de fazer(inclusão da diferença devida na folha de pagamento
dos proventos de aposentadoria).

Em seguida, a 2ª reclamada deverá retificar seus cálculos conforme a presente decisão, com vistas ao reclamante e à 1ª reclamada
para efeito de verificação. Posteriormente, à Contadoria para adequação dos cálculos.

Custas no importe de R$3.200,00, calculadas sobre o valor arbitrado à condenação R$160.000,00, às expensas das reclamadas.

Intimem-se as partes.

Vitória /ES, aos 11 de julho de 2018.

Anna Beatriz Matias Diniz de Castilhos Costa

Juíza do Trabalho

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Inserido por RICARDO CESAR MATHIAS CARDOSO

VITORIA, 12 de Julho de 2018


ANNA BEATRIZ MATIAS DINIZ DE CASTILHOS COSTA
Juiz(íza) do Trabalho Substituto(a)

Assinado eletronicamente. A Certificação Digital pertence a:


[ANNA BEATRIZ MATIAS DINIZ DE CASTILHOS COSTA]

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Documento assinado pelo Shodo

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