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CONCEITOS IMPORTANTES PARA COMPREENSÃO DA MATÉRIA

ORIGEM DA ESCRAVIDÃO NO BRASIL


No Brasil, a escravidão teve início com a produção de açúcar na primeira metade do século XVI. Os
portugueses traziam mulheres e homens negros africanos de suas colônias na África para utilizar como mão
de obra escrava nos engenhos de açúcar do Nordeste. O transporte era feito da África para o Brasil nos porões
dos navios negreiros (também conhecidos como tumbeiros). Amontoados, em condições desumanas, muitos
morriam antes de chegar ao Brasil, sendo que os corpos eram lançados ao mar. Nas fazendas de açúcar ou nas
minas de ouro (a partir do século XVIII), os escravos eram tratados da pior forma possível. Trabalhavam
muito (de sol a sol), recebendo apenas trapos de roupa e uma alimentação de péssima qualidade. Passavam as
noites nas senzalas (galpões escuros, úmidos e com pouca higiene) acorrentados (para evitar fugas). Eram
constantemente castigados fisicamente, sendo que o açoite era a punição mais comum no Brasil Colônia.
Eram proibidos de praticar sua religião de origem africana ou de realizar suas festas e rituais africanos.
Tinham que seguir a religião católica, imposta pelos senhores de engenho, adotar a língua portuguesa na
comunicação. Mesmo com todas as imposições e restrições, não deixaram a cultura africana se apagar.
Escondidos, realizavam seus rituais, praticavam suas festas, mantiveram suas representações artísticas e até
desenvolveram uma forma de luta: a capoeira. As mulheres negras também sofreram muito com a escravidão,
embora os senhores de engenho utilizassem esta mão de obra, principalmente, para trabalhos domésticos.
Cozinheiras, arrumadeiras e até mesmo amas de leite foram comuns naqueles tempos da colônia.
No Século do Ouro (XVIII) alguns escravos conseguiam comprar sua liberdade após adquirirem a
carta de alforria. Juntando alguns "trocados" durante toda a vida, conseguiam tornar-se livres. Porém, as
poucas oportunidades e o preconceito da sociedade acabavam fechando as portas para estas pessoas. O negro
também reagiu à escravidão, buscando uma vida digna. Foram comuns as revoltas nas fazendas em que grupos
de escravos fugiam, formando nas florestas os famosos quilombos. Estes eram comunidades bem organizadas,
onde os integrantes viviam em liberdade, através de uma organização comunitária aos moldes do que existia
na África. Nos quilombos, podiam praticar sua cultura, falar sua língua e exercer seus rituais religiosos. O
mais famoso foi o Quilombo de Palmares, comandado por Zumbi.

POR QUE NÃO SE ESCRAVIZOU INDÍGENAS?


Desde o início a escravidão indígena não deu certo pelos seguintes motivos:
 Os índios não aguentavam o trabalho forçado e intenso nos engenhos;
 Muitos indígenas resistiam ao trabalho forçado, não trabalhando (mesmo recebendo punições físicas)
ou tentando a todo custo fugir para a mata;
 Havia forte oposição ao trabalho escravo indígena por parte dos jesuítas portugueses que vieram para
o Brasil catequizarem os indígenas no período colonial;
 Com o aumento do lucrativo tráfico de escravos africanos, a própria coroa portuguesa começou a se
opor à escravização indígena no final do século XVI;
 Muitos indígenas morreriam de doenças trazidas pelos colonos portugueses como, por exemplo,
sarampo, varíola e gripe.

A partir do final do século XVI houve uma forte redução da escravidão indígena. Isso ocorreu,
principalmente, em função das dificuldades apontadas acima e também do aumento da escravidão negra
africana. Esta segunda era bem mais lucrativa aos comerciantes e também a cora portuguesa. Não houve
também, como ocorre com a indígena, uma forte oposição dos jesuítas ao trabalho escravo africano no Brasil.
Oficialmente, a escravidão indígena só foi proibida em 1757, através de um decreto do Marques de Pombal.

COLONIALISMO
O colonialismo é uma forma de imposição de autoridade de uma cultura sobre outra. Ele pode
acontecer de forma forçada, com a utilização de poderio militar ou por outros meios como a linguagem e a
arte. A dominação portuguesa no Brasil é um bom exemplo de colonialismo, assim como a colonização da
África, destruição da cultura dos povos andinos e a influência da cultura americana em países
subdesenvolvidos.
Os dois tipos de colonização que existem são: de exploração e de povoamento. Na primeira são
retirados os recursos naturais e minerais do país, os quais são comercializados pelos colonizadores. No
segundo, o interesse é desenvolver a região colonizada. Criam-se leis, há um investimento na economia e
melhorias da infraestrutura. O colonialismo pode ser dividido em duas etapas: a primeira começa na Europa
Ocidental entre os anos de 1415 e 1800. Foi liderada por Portugal e Espanha que criaram rotas pelas pelas
Índias. Neste momento, o interesse era o comércio de especiarias. A segunda fase tem dois períodos. O
primeiro vai de 1815 a 1880, quando a política expansionista vinha somente de países da Europa já
estabelecidos. A segunda pode ser datada entre os anos de 1880 a 1914, quando chegou no continente africano,
regiões asiáticas e do Pacífico.

IMPERIALISMO
Imperialismo é a prática através da qual, nações poderosas procuram ampliar e manter controle ou
influência sobre povos ou nações mais pobres. Embora Imperialismo signifique o mesmo que Colonialismo e
os dois termos sejam usados da mesma forma, devemos fazer a distinção entre um e outro. Colonialismo
normalmente implica em controle político, envolvendo anexação de território e perda da soberania.
Imperialismo se refere, em geral, ao controle e influência que é exercido tanto formal como informalmente,
direta ou indiretamente, política ou economicamente.

FIM DO TRÁFICO NEGREIRO


Os interesses do Governo da Inglaterra em relação à extinção do tráfico negreiro intercontinental
estiveram presentes no Brasil desde a instalação da Corte portuguesa no Rio de Janeiro. A princípio a
Inglaterra agiu buscando restringir as áreas de atuação do tráfico que entendia ser ilícito. A emancipação
política do Brasil fez a Inglaterra, mediadora na questão do reconhecimento, tomar uma série de medidas
restritivas ao tráfico negreiro. neste contexto de pressão D. Pedro I assinou a Convenção de 1826. No artigo
Iº definia-se um prazo de três anos para extinguir o tráfico nacional, que, após expirado seria considerado
pirataria. Nos demais artigos o Brasil concordava em manter os tratados anteriores (anglo-portugueses) e
instituíam-se duas comissões mistas, uma no Rio de Janeiro e outra em Serra Leoa na África, com a finalidade
de resolver questões relativas a apresamentos, garantindo a liberdade dos africanos encontrados nesta situação.
A Convenção foi ratificada a 13 de março de 1827, transformando automaticamente o tráfico nacional em
pirataria a partir de 13 de março de 1830. Esta situação gerou um grande desconforto à Câmara, que condenaria
a atitude do Governo imperial questionando-o por ceder a compromissos que, no seu entender, prejudicavam
o Brasil.

ABOLIÇÃO DA ESCRAVATURA
A abolição da escravatura no Brasil ocorreu no dia 13 de maio de 1888, por meio da Lei Áurea,
assinada pela Princesa Isabel. Esta lei libertou os escravos no Brasil após quase 400 anos de escravidão. A
abolição do Brasil ocorreu de forma gradual e controlada pela governo. Afinal, as elites tinham medo que
acontecesse uma rebelião ao estilo da que gerou a Independência do Haiti ou uma Guerra Civil, como nos
Estados Unidos.
Desde a vinda da corte portuguesa para sua colônia portuguesa, Dom João teve que aceitar vários
tratados, impostos pela Inglaterra, que comprometiam a libertação dos escravos. Em 1831, por exemplo, no
período regencial, declarou-se que toda pessoa escravizada que chegasse ao Brasil, seria considerada livre.
Mais tarde, com a consolidação do Segundo Reinado, uma série de leis foram sendo sancionadas para se por
fim ao trabalho escravo de maneira lenta.
São elas: Lei Eusébio de Queirós, proibia o tráfico negreiro da África para o Brasil; Lei do Ventre
Livre (1871), estabeleceu a liberdade para os filhos de escravos que nasciam após essa data; Lei do
Sexagenários ou Lei Saraiva-Cotegipe (1885), beneficiava os negros maiores de 60 anos. O processo de
libertação dos escravos não foi simples, pois os grandes proprietários de escravos e latifundiários queriam ser
indenizados. Por sua parte, os próprios cativos se organizavam e economizavam para pagar sua alforria, por
exemplo. Igualmente eram comuns as fugas, motins e rebeliões.
Essas leis também deram ao escravo a possibilidade de solicitar na Justiça a sua liberdade caso seu
senhor o transferisse de maneira indevida ou se ele provasse que tinha chegado ao país após 1831. A Lei Áurea
resolveu o problema da escravidão, mas não o da inclusão social dos negros à sociedade. Os fazendeiros
também preferiram usar a mão-de-obra que chegava cada vez mais da Europa numa clara postura racista.
Desde então, os afrodescendentes sofrem como problema da inclusão social no país.
DARWINISMO SOCIAL
Darwinismo social é a teoria da evolução da sociedade. Recebe esse nome uma vez que se baseia no
Darwinismo, que é a teoria da evolução desenvolvida por Charles Darwin (1808-1882), no século XIX. O
darwinismo social acredita na premissa da existência de sociedades superiores às outras. Nessa condição, as
que se sobressaem física e intelectualmente devem e acabam por se tornar as governantes. Por outro lado, as
outras - menos aptas - deixariam de existir porque não eram capazes de acompanhar a linha evolutiva da
sociedade.
Assim, elas entrariam em extinção acompanhando o princípio de seleção natural da Teoria da
Evolução. Em virtude de ser uma teoria que considera a sociedade em raça superior e raça inferior - a chamada
superioridade racial, o darwinismo social - que tem também como base ideais nacionalistas - consiste em um
pensamento preconceituoso e racista. Deste modo, acreditava que se os europeus eram tão bons dominadores
esse fato decorria de a sua raça ser superior às demais. Da mesma forma, o monopólio do comércio
acompanhado pelos progressos científicos e tecnológicos era reflexo dos povos capacitados para essa situação.
Enquanto isso, os países que ficaram limitados ao fornecimento de mão-de-obra seriam inferiores, os
menos capazes. Além das situações europeias citadas acima, destacamos como exemplo da teoria de Herbert
Spencer o nazismo e o fascismo. Na Alemanha, o movimento nazista tinha como dogma a superioridade da
raça ariana e resultou no extermínio de milhares de pessoas, especialmente judeus, no conhecido holocausto.
Na Itália, o imperialista sistema político de nome fascismo tinha como uma de suas principais características
o racismo ao pregar a premissa da purificação, uma vez que a mistura de raças era considerada uma
contaminação. A presença do darwinismo social é revelada no racismo no Brasil, que tem origem na época da
colonização. Embora os brasileiros não admitam, grande parte deles discriminam os negros. O resultado desse
comportamento é revelada nas estatística que mostram, por exemplo, que a grande parte da população carente
no Brasil é negra.

POLÍTICAS DE EMBRAQUECIMENTO DA POPULAÇÃO


Entre a segunda metade do século XIX e a primeira metade do século XX, vigoraram em várias partes
do globo as teses eugenistas, isto é, teses que defendiam um padrão genético superior para a “raça” humana.
Tais teses defendiam a ideia de que o homem branco europeu tinha o padrão da melhor saúde, da maior beleza
e da maior competência civilizacional em comparação às demais “raças”, como a “amarela” (asiáticos), a
“vermelha” (povos indígenas) e a negra (africana).
Nesse período, alguns intelectuais brasileiros incorporaram essas teses e delas derivaram outra, por sua
vez, “aplicável ao contexto do Continente Americano: a “tese do branqueamento.” A defesa do
branqueamento, ou do “embranquecimento”, tinha como ponto de partida o fato de que, dada a realidade do
processo de miscigenação na história brasileira, os descendentes de negros passariam a ficar progressivamente
mais brancos a cada nova prole gerada.
O antropólogo e médico carioca João Baptista de Lacerda foi um dos principais expoentes da tese do
embranquecimento entre os brasileiros, tendo participado, em 1911, do Congresso Universal das Raças, em
Londres. Esse congresso reuniu intelectuais do mundo todo para debater o tema do racialismo e da relação das
raças com o progresso das civilizações (temas de interesse corrente à época). Baptista levou ao evento o artigo
“Sur les métis au Brésil” (Sobre os mestiços do Brasil, em português), em que defendia o fator da miscigenação
como algo positivo, no caso brasileiro, por conta da sobreposição dos traços da raça branca sobre as outras, a
negra e a indígena.
A tese do branqueamento ainda ganhou argumentos por parte de outros intelectuais de peso do Brasil,
como Oliveira Vianna. As teses racialistas, de modo geral, só foram desacreditadas, de fato, após a Segunda
Guerra Mundial, sobretudo por meio de congressos fomentados por organismos internacionais, como a ONU
(Organização das Nações Unidas).

POLÍTICAS DE INCENTIVO À IMIGRAÇÃO EUROPEIA


A formação da sociedade brasileira foi fortemente marcada por grandes deslocamentos populacionais
(migrações). O tráfico de escravos, que desde o século 15 trasladou mais de 10 milhões de negros africanos
para terras americanas, foi o mais importante desses afluxos, deixando marcas profundas em nossa
constituição social. Contudo, desde a primeira metade do século 19, com o iminente fim da escravidão, a
possibilidade de introduzir trabalhadores europeus esteve na pauta das ações políticas brasileiras,
principalmente na transição do trabalho escravo ao assalariado.
No entanto, é preciso entender esse enorme movimento migratório em outra perspectiva, inseri-lo num
panorama mais geral. A segunda metade do século 19 assistiu o desenrolar de um processo que ficou marcado
como a maior migração de povos de toda a história. Estima-se que entre 1846 e 1875, cerca de 9 milhões de
pessoas deixaram a Europa - principalmente a Itália - e cruzaram o Atlântico, rumando sobretudo para os
Estados Unidos, na esperança de "fazer a América".
Igualmente importante é entender os fatores que impulsionaram esse grande fluxo migratório. O fato
é que a Itália, na segunda metade do século 19, possuía milhares de trabalhadores dispostos a abandonar sua
terra natal e se aventurar em países distantes como Brasil, Argentina e Estados Unidos. Isso se explica,
sobretudo, pela forte penetração das relações capitalistas no campo e a consequente concentração da
propriedade da terra. As altas taxas e impostos sobre a posse da terra obrigaram muitos pequenos proprietários
a empréstimos e endividamentos. Além disso, o pequeno produtor não conseguia competir com os grandes
proprietários, que enchiam os mercados com produtos mais baratos. Sem condições de ocupação, esses
trabalhadores se proletarizaram, transformando-se em mão-de-obra barata na nascente indústria italiana.
Outros tantos preferiram cruzar o Atlântico, em busca de sorte melhor. Nesse sentido, a forte propaganda do
governo brasileiro encontrou um público bastante vulnerável, carente de possibilidades de uma sobrevivência
digna em sua terra natal.
No entanto, é forçoso notar que não apenas aspectos econômicos nortearam as políticas de imigração
de meados do século 19. A introdução de grandes levas de europeus era também motivada por aspectos de
cunho raciais, dado o manifesto desejo de nossas elites de "branquear" a população brasileira, aliando-se ao
plano de nação moderna que buscavam construir. Em 1879, por exemplo, o deputado Ulhoa Cintra apresentou
um projeto de introdução de trabalhadores chineses, advindos dos EUA ou da própria China, onde a
abundância dessa mão-de-obra oriental tornava-a extremamente barata. Alvo de críticas de todo tipo, porém,
tal projeto foi rechaçado. Alegavase, sobretudo, que os chineses representavam uma "raça inferior", e portanto
incompatível com o ideário do novo Brasil desejado pelas elites.

CRIAÇÃO DAS FAVELAS


No começo do século XX, o Rio de Janeiro era a capital do país e vivia um período de transformações.
A nova imagem do Rio era planejada por Pereira Passos, prefeito da cidade, que queria dar ao Brasil
características mais modernas, fugindo da visão de atraso, de país escravocrata. O prefeito se inspirou em
Paris para fazer as reformas urbanísticas no Rio, construindo praças, ampliando ruas e criando estruturas de
saneamento básico. Entre as principais heranças da gestão Passos estão o Theatro Municipal, o Museu
Nacional de Belas Artes e a Biblioteca Nacional.
Incentivado pelo presidente Rodrigues Alves, Pereira Passos começou as reformas em 1903. O
presidente levantou os recursos e o prefeito pôde realizar as obras, a higienização ficou nas mãos do médico
Oswaldo Cruz, diretor do Serviço de Saúde Pública. A reforma urbana carioca foi inspirada na reforma feita
em Paris no século XIX, entre 1853 e 1870. Em sua gestão, Passos modernizou a Zona Portuária, criou a
Avenida Central, hoje Rio Branco, a Avenida Beira-Mar e a Avenida Maracanã. A reforma Pereira Passos
buscou adaptar a cidade também para os automóveis. É nesse período que o Rio de Janeiro vê a chegada da
energia elétrica e a reorganização do espaço urbano carioca. O prefeito proibiu ainda a atuação de ambulantes.
Foi nessa época que muitas favelas surgiram. Com a destruição dos cortiços, parte das pessoas foi para a
periferia da cidade e a outra parte subiu o morro, formando favelas.
De acordo com as Nações Unidas, por meio da UM-HABITAT, favela é o termo que designa áreas
que abrigam habitações precárias, desprovidas de regularização e serviços públicos (água tratada, esgoto,
escolas, posto de saúde, entre outros). Atualmente, cerca de um bilhão de pessoas vivem em favelas em todo
o mundo. As favelas são caracterizadas por abrigarem pessoas de baixa renda e com baixa qualidade de vida.
Esse tipo de habitação é resultado de vários fatores, entre eles: industrialização, mecanização do campo e
crescimento vegetativo da população urbana.
Com a mecanização do campo, um número muito grande de trabalhadores rurais ficou sem emprego,
ao mesmo tempo houve a instalação de muitas indústrias nos principais centros urbanos. Isso promoveu um
maciço fenômeno migratório, denominado êxodo rural. Porém, as cidades não conseguiram absorver o
elevado número de pessoas e os empregos não eram suficientes. Para piorar, os migrantes não tinham
qualificação para ocupar uma vaga no mercado de trabalho, desse modo, sem renda para comprar ou alugar
uma casa em áreas mais centrais, a única alternativa foi ocupar áreas periféricas, geralmente de terceiros ou
do governo.
A composição das favelas difere de acordo com as regiões. Em razão do quadro de pobreza inserido
nesses espaços urbanos, as favelas entram na rota do crime, como tráfico de drogas e gangues, entre outras
modalidades ilegais. Por ocupar áreas impróprias e pela fragilidade dos barracos, esses são frequentemente
atingidos por deslizamentos de terra, terremotos, tempestades, incêndios, enchentes, entre outros.

MITO DA DEMOCRACIA RACIAL


A democracia racial é um termo usado por algumas pessoas para descrever relações raciais no Brasil.
O termo denota a crença de alguns estudiosos que o Brasil escapou do racismo e da discriminação racial.
Estudiosos afirmam que os brasileiros não vêem uns aos outros através da lente da raça e não abrigam o
preconceito racial em relação um ao outro. Por isso, enquanto a mobilidade social dos brasileiros pode ser
limitada por vários fatores, gênero e classe incluído, a discriminação racial é considerada irrelevante (dentro
dos limites do conceito da democracia racial). O conceito foi apresentado inicialmente pelo sociólogo Gilberto
Freyre, na sua obra Casa-Grande & Senzala, publicado em 1933. Embora Freyre jamais tenha usado este termo
nesse seu trabalho, ele passou a adotá-lo em publicações posteriores, e suas teorias abriram o caminho para
outros estudiosos popularizarem a ideia.
Freyre argumentou que vários fatores, incluindo as relações estreitas entre senhores e escravos antes
da emancipação legal dada pela Lei Áurea em 1888, e o caráter supostamente benigno do imperialismo
Português impediu o surgimento de categorias raciais rígidas. Freyre também argumentou que a miscigenação
continuada entre as três raças (ameríndios, os descendentes de escravos africanos e brancos) levaria a uma
"meta-raça". A teoria se tornou uma fonte de orgulho nacional para o Brasil, que se contrastou favoravelmente
com outros países, como os Estados Unidos, que enfrentava divisões raciais que levaram a significantes atos
de violência. Com o tempo, a democracia racial se tornaria amplamente aceita entre os brasileiros de todas as
faixas e entre muitos acadêmicos estrangeiros. Pesquisadores negros nos Estados Unidos costumavam fazer
comparações desfavoráveis entre seu país e o Brasil durante a década de 1960.
Nas últimas quatro décadas, principalmente a partir da publicação em 1976 de Preto no Branco, escrito
por Thomas Skidmore, um estudo revisionista das relações raciais brasileiras, os estudiosos começaram a
criticar a noção de que o Brasil seja de verdade uma democracia racial. Skidmore argumenta que a elite
predominantemente branca na sociedade brasileira promoveu a democracia racial para obscurecer formas de
opressão racial.
Os críticos que se opõem à ideia da democracia racial, afirmando que ela seja um mito, frequentemente
usam como base a alegação genérica de que não seria possível definir com exatidão à qual raça uma pessoa
pertença realmente, visto que os próprios indivíduos não são capazes de se definir. Muitos pesquisadores
relatam estudos em que demonstram a discriminação generalizada nos campos do emprego, educação e
política eleitoral. O uso aparentemente paradoxal da democracia racial para obscurecer a realidade do racismo
tem sido referido pelo estudioso Florestan Fernandes como o "preconceito de não ter preconceitos". Ou seja,
porque o Estado assume a ausência de preconceito racial, ele não consegue fazer cumprir o que existem poucas
leis para combater a discriminação racial, pois acredita que tais esforços sejam desnecessários.
Michael Hanchard, cientista político da Universidade John Hopkins, argumenta que a ideologia da
democracia racial, muitas vezes promovida por aparatos estatais, impede uma ação efetiva de combate à
discriminação racial, levando as pessoas a atribuírem a discriminação a outras formas de opressão e permitindo
que funcionários do governo acusados neguem a sua existência, mesmo que apenas inicialmente.

RACISMO
Racismo é a discriminação social baseada no conceito de que existem diferentes raças humanas e que
uma é superior às outras. Esta noção tem base em diferentes motivações, em especial as características físicas
e outros traços do comportamento humano. Consiste em uma atitude depreciativa e discriminatória não
baseada em critérios científicos em relação a algum grupo social ou étnico. O racismo no Brasil é crime
previsto na Lei n. 7.716/1989, e inafiançável e não prescreve, ou seja, quem cometeu o ato racista pode ser
condenado mesmo anos depois do crime. O preconceito racial está relacionado com conceitos como
homofobia, xenofobia, bullying racista, entre outros muito debatidos na atualidade.

RACISMO INSTITUCIONAL
O conceito de Racismo Institucional foi definido pelos ativistas integrantes do grupo Panteras Negras,
Stokely Carmichael e Charles Hamilton em 1967, para especificar como se manifesta o racismo nas estruturas
de organização da sociedade e nas instituições. Para os autores, “trata-se da falha coletiva de uma organização
em prover um serviço apropriado e profissional às pessoas por causa de sua cor, cultura ou origem étnica” [1].
No Brasil, o Programa de Combate ao Racismo Institucional (PCRI) implementado no Brasil em
2005[2] “, definiu o racismo institucional como “o fracasso das instituições e organizações em prover um
serviço profissional e adequado às pessoas em virtude de sua cor, cultura, origem racial ou étnica. Ele se
manifesta em normas, práticas e comportamentos discriminatórios adotados no cotidiano do trabalho, os quais
são resultantes do preconceito racial, uma atitude que combina estereótipos racistas, falta de atenção e
ignorância. Em qualquer caso, o racismo institucional sempre coloca pessoas de grupos raciais ou étnicos
discriminados em situação de desvantagem no acesso a benefícios gerados pelo Estado e por demais
instituições e organizações. (CRI, 2006, p.22).
Mais recentemente Jurema Werneck definiu o racismo institucional como “um modo de subordinar o
direito e a democracia às necessidades do racismo, fazendo com que os primeiros inexistam ou existam de
forma precária, diante de barreiras interpostas na vivência dos grupos e indivíduos aprisionados pelos
esquemas de subordinação desse último” [3] . Seu impacto na vida da população negra no Brasil pode ser
percebido tanto na sua relação direta com os serviços e as instituições que deveriam garantir seus direitos
fundamentais, quanto no cotidiano de suas vidas.
CULTURA AFROBRASILEIRA
A cultura africana chegou ao Brasil com os povos escravizados trazidos da África durante o longo
período em que durou o tráfico negreiro transatlântico. A diversidade cultural da África refletiu-se na
diversidade dos escravos, pertencentes a diversas etnias que falavam idiomas diferentes e trouxeram tradições
distintas. Os africanos trazidos ao Brasil incluíram bantos, nagôs e jejes, cujas crenças religiosas deram origem
às religiões afro-brasileiras, e os hauçás e malês, de religião islâmica e alfabetizados em árabe. Assim como a
indígena, a cultura africana foi geralmente suprimida pelos colonizadores. Na colônia, os escravos aprendiam
o português, eram batizados com nomes portugueses e obrigados a se converter ao catolicismo.
Os africanos contribuíram para a cultura brasileira em uma enormidade de aspectos: dança, música,
religião, culinária e idioma. Essa influência se faz notar em grande parte do país; em certos estados como
Bahia, Maranhão, Pernambuco, Alagoas, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul a
cultura afro-brasileira é particularmente destacada em virtude da migração dos escravos. Os bantos, nagôs e
jejes no Brasil colonial criaram o candomblé, religião afro-brasileira baseada no culto aos orixás praticada
atualmente em todo o território. Largamente distribuída também é a umbanda, uma religião sincrética que
mistura elementos africanos com o catolicismo e o espiritismo, incluindo a associação de santos católicos com
os orixás.
A influência da cultura africana é também evidente na culinária regional, especialmente na Bahia, onde
foi introduzido o dendezeiro, uma palmeira africana da qual se extrai o azeite-de-dendê. Este azeite é utilizado
em vários pratos de influência africana como o vatapá, o caruru e o acarajé. Na música a cultura africana
contribuiu com os ritmos que são a base de boa parte da música popular brasileira. Gêneros musicais coloniais
de influência africana, como o lundu, terminaram dando origem à base rítmica do maxixe, samba, choro,
bossa-nova e outros gêneros musicais atuais. Também há alguns instrumentos musicais brasileiros, como o
berimbau, o afoxé e o agogô, que são de origem africana. O berimbau é o instrumento utilizado para criar o
ritmo que acompanha os passos da capoeira, mistura de dança e arte marcial criada pelos escravos no Brasil
colonial.

RELIGIÕES DE MATRIZ AFRICANA

Candomblé

O Candomblé é uma religião monoteísta que acredita na existência da alma e na vida após a morte. A
palavra “candomblé” significa “dança” ou “dança com atabaques” e é uma das religiões africanas mais
praticadas no mundo. Esta religião cultua os orixás, normalmente reverenciados por meio de danças, cantos e
oferendas. No Brasil, a história do Candomblé se mistura com a do Catolicismo. Proibidos de continuar com
sua religião, os escravos usavam as imagens dos santos para escapar da censura imposta pela Igreja. Isto
explica o sincretismo encontrado no Candomblé no Brasil, algo que não se verifica na África. Nos dias de
hoje, porém, muitas casas de candomblé não aceitam o sincretismo e buscam retornar às origens africanas.
Igualmente, na versão brasileira, temos uma mistura de orixás de várias regiões do continente africano. Isto
se deve ao fato dos negros que desembarcaram para serem escravos, durante a escravidão no Brasil, eram de
várias partes da África. Cada Orixá representa uma força ou personificação da natureza e também representava
um povo ou uma nação O Candomblé, como prática religiosa, ganhou contornos nítidos na Bahia em meados
do século XVIII e definiu-se durante o século XX.
Atualmente, existem milhões de praticantes em todo Brasil, podendo chegar a mais de 1,5% da
população nacional. A fim de preservar esta herança da cultura africana, a Lei Federal 6292, de 15 de dezembro
de 1975, tornou certos terreiros de candomblé patrimônio material ou imaterial passível de tombamento. Os
rituais de Candomblé são, via de regra, realizados por meio de cânticos, danças, batidas de tambores, oferendas
de vegetais, minerais, objetos e, às vezes, sacrifício de alguns animais. Os participantes devem usar trajes
específicos com as cores e guias do seu orixá. Um ritual pode reunir dezenas a centenas de pessoas, variando
de acordo com o tamanho da casa que realiza as obrigações e festas. Nestas ocasiões, há uma grande
preocupação com a higiene e alimentação, pois tudo deve estar purificado para estar digno do orixá.
Normalmente, os rituais de Candomblé são praticados em casas, roças ou terreiros, os quais podem ser
de linhagem matriarcal, patriarcal ou mista. Por conseguinte, as celebrações são dirigidas pelo "pai ou mãe de
santo" ou "babalorixá" e "iyalorixá" respectivamente. Deve-se destacar também que a sucessão desses líderes
espirituais é hereditária. No entanto, podem haver contendas na sucessão, o que, frequentemente, acaba
levando ao fechamento do terreiro. Por fim, vale lembrar que os adeptos no Candomblé levam sete anos para
concluir a iniciação dentro dos preceitos estipulados. Os Orixás são entidades que representam a energia e a
força da natureza. Possuem personalidades, habilidades, preferências rituais e fenômenos naturais específicos,
o que lhes conferem qualidades e forças distintas. Os Orixás desempenham um papel fundamental no culto
quando são incorporados pelos praticantes mais experientes. Cada Orixá possui o seu dia, cor, objetos e
alimentos específicos, adequados ao seu ritual. O Deus único do Candomblé pode variar de acordo com a
região africana de origem. Para os Ketu é Olorum, entre os Bantus é Nzambi e para os Jeje é Mawu.

Umbanda

A Umbanda é uma religião afro-brasileira surgida em 1908 fundada por Zélio Fernandino de Moraes.
A palavra "umbanda" pertence ao vocabulário quimbundo, de Angola, e quer dizer "arte de curar". A umbanda
é uma religião surgida nos subúrbios do Rio de Janeiro. Em 15 de novembro de 1908, Zélio Fernandino de
Moraes, nascido em São Gonçalo/RJ, teria incorporado do Caboclo das Sete Encruzilhadas. Este espírito o
teria ajudado a criar a religião de Umbanda. Rapidamente, ela se espalhou por todo Brasil e outros países da
América Latina. Suas crenças misturam elementos do candomblé, do espiritismo e do catolicismo. Por isso,
para muitos estudiosos, a Umbanda seria apenas o candomblé sem sacrifícios de animais que seria mais aceito
pela população branca e urbana. Ainda pegou conceitos do kardecismo, que estava chegando ao país, como o
de “evolução” e “reencarnação”.
Também tem Jesus como referência espiritual e não é raro encontrar sua imagem em lugar destacado
nos altares das casas ou de terreiros de umbanda. O local para a realização das cerimônias da umbanda chama-
se Casa, Terreiro ou Barracão. Igualmente, são feitas várias celebrações ao ar livre, junto à natureza, em rios,
cachoeiras ou na praia. Essas cerimônias são presididas por um “pai” ou “mãe”, um sacerdote que dirige os
ritos e comanda a casa. Também é responsável por ensinar a doutrina e os segredos da umbanda aos seus
discípulos. Nestes locais realizam-se sessões de “passe”, no qual a entidade reorganiza o “campo energético
astral” da pessoa. Igualmente são feitas sessões de “descarrego”, quando é captada a energia negativa da
pessoa e transferida para os fundamentos do templo.
Note que não é permitido qualquer tipo de remuneração por esses trabalhos espirituais. As vestes mais
usadas nestas cerimônias são de cor branca porque é a cor neutra que agrada todos os orixás e guias. Na
Umbanda não se pratica o sacrifício de animais e se celebra rituais de batizado, consagração e casamento. Os
pontos de umbanda são cantigas para louvar, chamar e se despedir do orixá e as linhas de entidades.
Acompanhadas por instrumentos de percussão como o atabaque é importante conhecer o ritmo de cada
orixá/entidade. Este aprendizado começa na infância do iniciado. Igualmente é preciso saber uma infinidade
de canções. Os pontos de umbanda e do candomblé influenciaram diretamente a música popular brasileira.
Apesar da Umbanda variar de acordo com cada região do Brasil e de cada casa/terreiro, ao menos uma canção
é muito popular: o Hino da Umbanda. Composta por José Manoel Alves (letra) e Dalmo da Trindade Reis
(música) foi oficializada como hino em 1961.

MANIFESTAÇÕES CULTURAIS AFROBRASILEIRAS

Samba

O samba é uma dança e um gênero musical brasileiro considerado um dos elementos mais
representativos da cultura popular do Brasil. Este ritmo é fruto da miscigenação entre a música africana e
europeia nos campos e na cidade. Devido a sua grande presença em todo território nacional, o samba assume
formas diferenciadas em cada região, mas sempre mantendo a alegria e sua cadência envolvente. O samba foi
criado no Brasil e sua origem são os batuques trazidos pelos negros escravizados, misturados aos ritmos
europeus, como a polca, a valsa, a mazurca, o minueto, entre outros. Inicialmente, as festas de danças dos
negros escravos na Bahia eram chamadas de "samba". Os estudiosos apontam o Recôncavo Baiano como o
berço do samba, especialmente o costume de dançar, cantar e tocar instrumentos em roda. Após a abolição da
escravidão, em 1888, e da instituição da República, em 1889, muitos negros se dirigiram à então capital da
República, o Rio de Janeiro, em busca de trabalho.
Porém, qualquer manifestação cultural africana era vista com desconfiança e criminalizada, como a
capoeira e o candomblé. Com o samba não foi diferente. Assim, os negros começam a fazer suas festas nas
casas das "tias" ou "vovós", verdadeiras matriarcas afro-descendentes que acolhiam os batuques. No Rio de
Janeiro, o mais célebre desses lugares era a casa de Tia Ciata, mãe de santo carioca. Da mesma forma,
compositores de origem erudita como Chiquinha Gonzaga e Ernesto Nazareth, utilizam os ritmos africanos
em suas composições. Ainda não era o samba tal como conhecemos hoje e, por isso, o chamavam de choro,
valsa-choro e até mesmo tango. Outro que seguiria o mesmo caminho seria o compositor Heitor Villa-Lobos.
Em 1917 foi gravado no Brasil aquele que é considerado o primeiro samba com o título "Pelo Telefone", com
letra de Mauro de Almeida e Donga. O samba foi entrando nos salões da elite e pouco a pouco foi se associando
ao Carnaval, que até aquele momento, tinha as marchinhas como trilha sonora.
O advento do rádio e o talento de intérpretes como Carmem Miranda, Aracy de Almeida e Francisco
Alves, fizeram o samba cada vez mais popular em todo Brasil. Há controvérsias sobre a origem da palavra
"samba", mas provavelmente advém do termo africano "semba" que significa "umbigada". Cumpre dizer que
"umbigada" era uma dança executada pelos negros escravizados durante seus momentos de folga. O samba
está presente em todas as regiões brasileiras e, em cada uma delas, são incorporados novos elementos ao ritmo,
sem contudo, perder sua cadência característica. Os mais conhecidos são: Samba da Bahia; Samba Carioca
(Rio de Janeiro); Samba Paulista (São Paulo).
Assim, dependendo do estado modificam-se os ritmos, as letras, o estilo de dançar e até mesmo os
instrumentos que acompanham a melodia. O samba da Bahia foi influenciado pelos batuques e canções
indígenas, enquanto no do Rio, sente-se a presença do maxixe. Em São Paulo, as festas das colheitas de café
nas fazendas seria a origem da influência da relevância dos sons mais graves da percussão no samba paulista.

MPB – Música Popular Brasileira

A música popular brasileira resulta de um conjunto de manifestações culturais de influência indígena,


africana e europeia. Já o movimento MPB (Música Popular Brasileira) é uma referência à produção musical
nacional desenvolvida após o golpe militar de 1964. Estão enquadradas nesse período todas as músicas de
sucesso no rádio e televisão, independente do posicionamento em relação ao regime militar. A música sempre
esteve presente na rotina das populações nativas do Brasil em rituais e festas religiosas, antes do
descobrimento. O canto era entoado para embalar o bate-pau, danças ritmadas com o uso do bambu.
A chegada do colonizador português representou incremento na sonoridade, com instrumentos como
violão, viola, cavaquinho, tambor e pandeiro. Até os dias atuais, esses são elementos que remetem à identidade
musical local, principalmente no samba. Somente no século XVII, instrumentos de harmonia mais sofisticada,
como o piano, foram incorporados ao arsenal musical local. Ainda assim, ficavam restritos às famílias nobres
ou abastadas. O colonizador português utilizou a música como instrumento de catequese. Os padres jesuítas
musicaram peças teatrais e autos como forma de facilitar a compreensão do evangelho. Padre José de Anchieta
é reconhecido como compositor de muitas dessas peças e autos.
A tradição das danças, do ritmo e do som africanos foram decisivos para as atuais manifestações da
música nacional. O batuque, extraído de instrumentos como atabaques, cuíca, reco-reco, pandeiro e tambor,
formam a base do que seria, mais tarde, o samba. A música popular brasileira também recebeu influência
francesa, manifestada nas tradicionais quadrilhas. A dança em pares, comum nas festas de São João, é uma
alegoria às danças da corte francesa. A partir de 1800, a mistura de influências já resulta na composição de
modinhas e popularizam o ritmo lundu. Entre os mais reconhecidos compositores de modinha estão Padre
José Maurício Nunes, Francisco Manuel da Silva e Cândido Inácio da Silva. As composições de modinhas e
o lundu foram incrementadas com a sonoridade erudita e influenciam para o surgimento de novos ritmos,
como a polca, o maxixe e o choro. O ano de 1870 é tido como ponto de partida do choro, que notabilizou
muitos artistas, entre eles Chiquinha Gonzaga. Em 1899, a maestrina e pianista carioca lança "Ó Abre Alas",
a primeira marchinha de Carnaval.
O pioneirismo de Chiquinha Gonzaga foi reconhecido por meio da Lei Federal N.º 12.624, que instituiu
o dia 17 de outubro como o "Dia da Música Popular Brasileira". A data lembra o aniversário da artista. A
trajetória de Chiquinha influencia compositores como Anacleto de Medeiros, Irineu Almeida e Pixinguinha.
As composições de Pixinguinha representaram um divisor de águas na história da música popular brasileira.
Isso ocorreu por estarem diretamente ligadas ao surgimento do samba. O gênero samba, que surge a partir de
1917, é considerado uma revolução. Inspira compositores como Ernesto Joaquim Maria dos Santos e Mauro
de Almeida. Pixinguinha, porém, é sua melhor tradução. Até 1950, choro e samba revelam nomes que ainda
são destaques na música local, como Jacob do Bandolim e Nelson Gonçalves. Essa é a época da chamada "Era
do Rádio", com a influência de intérpretes como Dalva de Oliveira, Caubi Peixoto e Ângela Maria.
O início dos anos 50 também são destacados pela influência de Cartola, considerado um dos maiores
mestres do samba nacional. A melodia de Cartola é revelada também na voz da gaúcha Elis Regina. Paralelo
ao sucesso do samba e do choro, surge nos anos 50 o movimento que ficou conhecido como Bossa Nova. O
movimento demonstra o cotidiano local, em especial o carioca e sua malemolência. A melodia suave foi
perpetuada por Tom Jobim, com letras de Vinicius de Moraes. A Bossa Nova evidenciava a mistura da música
erudita aos ritmos nacionais e recebeu reconhecimento internacional. Entre seus representantes está também
o compositor e intérprete João Gilberto. A Bossa Nova é o ponto de partida para movimentos musicais que
ocorrem em paralelo entre o fim da década de 50 e a década de 60. São a Tropicália e Jovem Guarda, que
apontam o cotidiano, mas demonstram a rebeldia, o questionamento às instituições oficiais.
A década de 60 é considerada um período de ebulição na música brasileira. É quando passam a coexistir
o samba, o jazz, a Bossa Nova, o sertanejo de raiz, a moda de viola, o baião nordestino, o rock e outros. Esse
período é considerado um marco para a indústria da música nacional. Compositores e intérpretes passam a
contestar o regime militar que cassou direitos e restringiu a liberdade. A partir dessa fase é popularizada a
sigla MPB como marca de um movimento próprio de contestação social e política. O carioca Chico Buarque
está entre os maiores representantes da MPB, ao lado de Caetano Veloso, Geraldo Vandré e Gilberto Gil. Já
o baiano Raul Seixas muda a era do rock nacional revelado pela Jovem Guarda. O artista impõe letras marcadas
pela contrariedade à rotina, à exploração social e do trabalho. Como movimento, a MPB também é manifestada
pelo romantismo com letras que abordam as relações amorosas. Entre os nomes estão Roberto Carlos e Erasmo
Carlos.
Nessa faceta da MPB, Chico Buarque é elevado a uma espécie de tradutor da alma feminina, revelando
seus desejos, culpas e sonhos no estilo denominado "cantiga e amigo". Manifestação semelhante é observada
no trabalho de Caetano e Gil, além de outros, como Djavan, Gal Costa, Simone e Leila Pinheiro.

Bossa Nova

A Bossa Nova foi um movimento da música popular brasileira que surgiu em finais dos anos 50,
caracterizado por estilos de músicas com forte influência do samba carioca e do jazz norte-americano. Em
meio ao processo de urbanização e industrialização no Brasil, no governo de Juscelino Kubitschek (1902-
1976), com o Plano de Metas e a Política Desenvolvimentista realçada pelo lema "cinco anos em cinco", a
Bossa Nova surge, mais precisamente em 1958, com o lançamento do compacto de João Gilberto, um dos
maiores representantes do movimento musical. Contudo, o termo "Bossa" foi utilizado pela primeira vez numa
canção composta por Noel Rosa, "Coisas Nossas" na década de 1930. O movimento surge com o intuito de
buscar algo novo e com isso, jovens cariocas se unem em prol da inovação musical.
Além de João Gilberto, Tom Jobim e Vinícius de Moraes foram figuras essenciais para o
desenvolvimento desse novo estilo de música que despontava no cenário cultural brasileiro. Além deles, outros
músicos e compositores aderiram ao estilo da Bossa Nova, a saber: Dorival Caymmi, Edu Lobo, Francis Hime,
Marcus Valle, Paulo Valle, Carlos Lyra, Nara Leão, Baden Powell, Nelson Motta, Wilson Simonal, dentre
outros. Um pouco mais de uma década durou o movimento da Bossa Nova que termina, em 1966, todavia
para dar lugar a outro, entretanto, seu valor artístico e cultural foi considerado pelo novo estilo que surgia no
Brasil, a MPB, Música Popular Brasileira. Importante ressaltar que o término do movimento não significou o
fim da criação musical da Bossa Nova, uma vez que muitos compositores e músicos atualmente buscam unir
os tons melódicos e o samba brasileiro: Roberto Menescal, Carlos Lyra, Wanda Sá, Joyce Moreno.
A Bossa Nova é marcada, em sua grande maioria, pelo tom coloquial, temas cotidianos e voz mais
baixa, permeada de harmonias de samba e invenções melódicas de jazz. Assim, uma das músicas da Bossa
Nova mais marcantes que ficou conhecida mundialmente é "Garota de Ipanema", composta por Vinícius de
Moraes e Antônio Carlos Jobim em 1962. A história da canção é verídica, inspirada na modelo brasileira Helô
Pinheiro, a moça bonita que passava na orla da praia de Ipanema no Rio de Janeiro. Além dessa, outra canção
ficou muita famosa chamada "Chega de Saudade", também composta pela dupla Tom e Vinícius. Vale lembrar
que a música que marcou o fim do movimento da Bossa Nova no Brasil é "Arrastão", de Vinícius de Moraes
e Edu Lobo Outras músicas que fizeram muito sucesso na época e são conhecidas até os dias atuais são: Eu
Sei Que Vou Te Amar, Se Todos Fossem Iguais a Você, Águas de março, Samba de uma nota só, O barquinho,
Desafinado, Outra Vez, Coisa mais linda, Corcovado, Insensatez, Maria Ninguém, O Pato, Lobo Bobo,
Saudade fez um Samba, dentre outras. Um dos criadores do movimento da Bossa Nova, Antônio Carlos
Brasileiro de Almeida Jobim, conhecido por "Tom Jobim", nasceu no Rio de Janeiro, dia 25 de janeiro de
1927 e faleceu em Nova Iorque, no dia 8 de dezembro de 1994. Dedicado à música, Tom Jobim foi compositor,
pianista, maestro,cantor e violonista brasileiro. Algumas de suas composições: Garota de Ipanema, Eu sei que
vou te amar, Águas de março, Pela luz dos olhos teus, Samba do Avião, dentre outras. Um dos fundadores do
movimento da Bossa Nova, junto à João Gilberto e Tom Jobim, Marcus Vinícius de Moraes, nasceu no Rio
de Janeiro, no dia 19 de outubro de 1913 e faleceu em sua cidade natal, no dia 9 de julho de 1980. Figura
multifacetada, Vinícius foi poeta, compositor, diplomata, dramaturgo, jornalista brasileiro. Algumas de suas
composições: Soneto da Fidelidade, Aquarela, Samba da benção, a Felicidade, a Casa, o Girassol, dentre
outras.

Capoeira

A capoeira é uma expressão cultural brasileira que compreende os elementos: arte-marcial, esporte,
cultura popular, dança e música. Ela constrói relações de sociabilidade e familiaridade entre mestres e
discípulos, sendo difundida de modo oral e gestual nas ruas e academias. A capoeira foi criada no século XVII
pelo povo escravizado da etnia banto e se difundiu por todo o Brasil. Hoje é considerada um dos maiores
símbolos da cultura brasileira. Uma característica que distingue a capoeira de outras lutas é o fato de a mesma
ser acompanhada por música. É a música que decide o ritmo e o estilo do jogo, que é praticado no decorrer da
roda de capoeira, um círculo de pessoas onde a capoeira é jogada.
Assim, os capoeiristas se alinham na roda de capoeira batendo palmas no ritmo do berimbau enquanto
cantam para os dois praticantes jogarem. O berimbau é um instrumento musical de corda feito de madeira,
bambu, arame e uma cabaça. O jogo pode terminar ao comando do capoeirista no berimbau (normalmente um
capoeirista mais experiente), ou com o início de um novo combate entre uma nova dupla. A música, por sua
vez, é composta de instrumentos e canções, onde o ritmo varia de acordo com o 'toque de capoeira', que varia
de lento (Angola) ao bastante acelerado. Nos grupos de capoeira regional ou de capoeira angola, a graduação
é simulada pelas cores de cordas ou cordéis atados na cintura do jogador. A capoeira é caracterizada por golpes
e movimentos ágeis e intricados. Utiliza principalmente de movimentos feitos junto ao chão ou de cabeça para
baixo. Os dois principais tipos de capoeira são Angola e Regional.
A Angola é o estilo original praticado pelos escravos. Essa maneira de jogar capoeira é caracterizada
por ser mais lenta, composta de movimentos furtivos e executados de modo rasteiro. O componente básico
desse estilo é a malícia. Essa “malandragem” consiste em simular movimentos que sirvam de engodo ao
oponente em combate. Capoeira Regional A capoeira Regional é o estilo contemporâneo de capoeira. Ela
possui atributos de outras artes-marciais em sua prática. Esse estilo foi criado pelo Mestre Bimba e difundiu-
se rapidamente pelo mundo. Isso contribuiu para melhorar a imagem do capoeirista ao mesmo tempo que
favoreceu o Ad aumento de seus adeptos.