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Penhane BOLETIM OFICIAL DA ASSOCIAÇÃO DE APOIO E ASSISTÊNCIA JURÍDICA AS COMUNIDADES

Director Executivo: Rui de Vasconcelos* Sede: AAAJC* Telefone: 20030252*Cidade de Tete *Chingodzi* Editado em Português e Inglês

AAAJC contra projecto do porto de Nsanje no rio Chire


Está circular no jornal Notícias, a informação segundo a qual Mo- estudo datado de 2005, já eram estimados em cerca de 175 milhões
çambique considera “assunto encerrado” a discussão sobre o pro- de dólares norte-americanos. E como faz referência aquela fonte, o
jecto de construção do porto do interior de Nsanje, no rio Chire, um projecto do porto chegou a mergulhar os dois países numa crise
afluente do Zambeze cujas águas são partilhadas entre Moçambi- diplomática devido à tentativa do Malawi de navegar os rios Zam-
que e Malawi. O jornal cita o Presidente do Malawi, Peter Muthari- beze e Chire, em direcção ao porto fluvial de Nsanje, sem a devida
ka, como tendo dito que está à espera do aval do Governo de Mo- autorização das autoridades moçambicanas.
çambique para retomar o projecto de construção do referido porto. Até porque a via fluvial Chire-Zambeze só pode ser navegável medi-
Falando em Nsanje, Mutharika assegurou estar em conversações ante uma modificação da estrutura morfológica dos rios. Aliás, do
com as autoridades moçambicanas, acrescentando que logo que draft do Relatório do Estudo sobre a navegabilidade dos rios Chire e
conseguir a autorização, o seu Governo retomará, imediatamente, a Zambeze, fica desde logo claro que não há condições para a aprova-
edificação das infra-estruturas que estão em falta, escreve o jornal ção do documento, mesmo quando no futuro, sejam incorporadas as
Noticias. Ora, o que interessa a Associação de Apoio e Assistência observações técnicas de redução dos negativos impactos ambientais.
Jurídica as Comunidades, (AAAJC) nesta notícia do “Noticias” é Há no entanto, alternativas que podem ser usadas para contornar o
que o Chefe do Departamento de Cooperação Bilateral no Ministé- impacto negativo projecto. Pode ser a ligação do sistema ferroviário
rio dos Transportes e Comunicações do nosso país, Horácio Parqui- do Malawi à Linha de Sena que é de 193 km, através dos troços Sena-
nio, vincou que Moçambique não está em conversações e nem tem Zobué-Blantyre e Sena-Vila Nova da Fronteira-Blantyre. Pode ainda
mais nada a conversar com o Malawi a respeito do projecto do por- ser a de ligação de Nsanje no Malawi ao Corredor de Macuse numa
to de Nsanje, porque num passado recente, foram realizados estu- secção de 476 Km, o Corredor Blantyre-Milanje-Mocuba-Quelimane
dos aprofundados sobre a viabilidade ambiental e, “não recomen- que é de 425 Km e a maior utilização do Corredor de Nacala, este
daram a navegabilidade do rio Zambeze”. É aqui mesmo onde está último revitalizado com o Projecto de reabilitação do Porto de Naca-
centrada a nossa atenção. la. E o corredor de Nacala está a beneficiar de mais melhorias da
É que seria preciso pensar muito nos impactos ambientais que essa respectiva linha férrea, no quadro do projecto da reabilitação e cons-
infra-estrutura do porto de Nsanje e seu uso irá gerar ao rio Zambe- trução de alguns troços da linha férreas Moatize/Nacala-a-velha,
ze em primeiro plano, mas sobretudo ao rio Chire, na região do passando pelo Malawi, o proponente do projecto de navegabilidade
nosso país. É certo que em termos económicos, é benéfico para o dos rios Zambeze e Chire, cujos estudos mostram ser uma iniciativa
Malawi porque a hidrovia Chire-Zambeze, pretende ligar o Malawi inviável.
ao Chinde na Zambézia, em Moçambique, reduzindo os custos de
transporte e da factura anual das importações do Malawi, que num

Morreu o delegado da ANAMAZU em Marávia

Foram enterrar nesta Quarta-feira, os restos mortais de mente missão de paralegais que desperta o domínio comunitá-
Elias Stivin Waeti, delegado distrital da Associação dos rio no quadro dos desafios de desenvolvimento actual . Por
Naturais e Amigos de Marávia e Zumbo, ANAMAZU, esta perda, o Director executivo da AAAJC, membros e seus
falecido vítima de doença. As comunicações imperfei- colaboradores, endereçam à família enlutada, as mais sentidas
tas e o alvoroço provocado pela sua doença, tanto no condolências.
seio familiar como no distrito de Marávia contribuíram
de certa forma na limitação de possível intervenção da
AAAJC com quem desde sempre, o finado colaborou. Parceiros:
Elias Stivin Waeti era para além de homem corajoso,
muito dedicado e carregava à cabeça a vida institucio-
nal da ANAMAZU na divisão de Marávia como se de
seu bem pessoal se tratasse. Aliás, nessa sua qualidade
de Delegado distrital, Elias foi com outros companhei-
ros daquela associação, a “pedra de toque” na imple-
mentação dos projectos de Boa Governação Florestal a
urgência do momento, projectos sobre direitos das co-
munidades daqueles dois distritos e ainda sobre a vee-

Quem somos? Associação de Apoio e Assistência Jurídica as Comunidades (AAAJC), é uma organização da Sociedade Civil
Moçambicana, não-governamental, sem fins lucrativos, de âmbito nacional, fundada em 2008 e com os seus estatutos legal-
mente publicados em 2010 no Boletim da República nº. 2, III serie, 4º suplemento de 19 de Janeiro. A sede é na cidade de Tete.
Penhane OFICIAL REPORT CARD OF THE ASSOCIATION FOR SUPPORT AND LEGAL ASSISTANCE TO COMMUNITIES

The Executive Director Rui de Vasconcelos* Sede: AAAJC* Telefone: 20030252*City of Tete*Chingodzi* Edited in Portuguese & English
o
Edition n 166b

AAAJC against Nsanje port project on the Chire River


In the newspaper Notícias, the report states that Mozambique con- ject has plunged both countries into a diplomatic crisis due to Mala-
siders the “closed matter” discussion of the project to build the port wi's attempt to navigate the Zambezi and Chire rivers to the Nsanje
of Nsanje inland on the Chire River, a tributary of the Zambezi river port without proper authorization from the Mozambican au-
whose waters are shared between Mozambique and Malawi. The
thorities.
newspaper quotes Malawi President Peter Mutharika as saying he is
awaiting the endorsement of the Government of Mozambique to The Chire-Zambezi waterway can only be navigated by modifying
resume the construction project for the port. Speaking in Nsanje,
the morphological structure of the rivers. In fact, from the draft Re-
Mutharika said he was in talks with the Mozambican authorities,
port on the Study on the Navigability of the Chire and Zambezi
adding that as soon as he gets the permit, his government will im-
Rivers, it is immediately clear that there are no conditions for the
mediately resume building the missing infrastructure, writes
“Noticias” newspaper. However, what interests the Association for approval of the document, even when in the future technical obser-
Support and Legal Assistance to Communities, AAAJC in this news vations to reduce negative environmental impacts are incorporated.
report is that the Head of the Department of Bilateral Cooperation in There are, however, alternatives that can be used to circumvent the
the Ministry of Transport and Communications of our country, Ho- negative project impact. This could be the Malawi rail system con-
rácio Parquinio, stressed that Mozambique is not in talks and noth- nection to the 193 km Seine Line via the Sena-Zobué-Blantyre and
ing else to talk to Malawi about the Nsanje port project, because in Sena-Vila Nova of Blantyre border sections. It may also be connect-
the recent past, in-depth environmental feasibility studies have been ing Nsanje in Malawi to the Macuse Corridor in a 476 Km section,
carried out and “did not recommend the navigability of the Zambezi the Blantyre-Milanje-Mocuba-Quelimane Corridor which is 425 Km
River”. This is where our attention is focused. and the largest use of the Nacala Corridor, the latter being revital-
ized with the rehabilitation of the port of Nacala. And the Nacala
It is necessary to think a lot about the environmental impacts that
corridor is benefiting from further improvements to its railway as
this infrastructure of the port of Nsanje and its use will generate to
part of the project for the rehabilitation and construction of some
the river Zambezi in the foreground, but especially to the river
sections of the Moatize / Nacala-a-Velha railway line through Mala-
Chire, in the region of our country. Admittedly, it is beneficial for
wi, the proponent of the river navigability project Zambeze and
Malawi in economic terms because the Chire-Zambeze waterway
Chire, whose studies prove to be an unviable initiative.
aims to link Malawi to Chinde in Zambezia, Mozambique, reducing
transportation costs and the annual invoice for imports from Mala-
wi, which in a study dated by 2005, they were already estimated at
about US $ 175 million. And as that source points out, the port pro-

ANAMAZU delegate died in Maravia

They were burying on Wednesday the remains of Elias context of current development challenges. For this
Stivin Waeti, district delegate of the Association of loss, the AAAJC Executive Director, members and
Naturals and Friends of Maravia and Zumbo, their collaborators, address the most mourning con-
ANAMAZU, who died of illness. The imperfect com- dolences to the bereaved family.
munications and the excitement caused by his illness,
both within the family and in the Maravian district,
contributed to some extent in limiting the possible in-
tervention of the AAAJC with whom the deceased has
always collaborated. Elias Stivin Waeti was not only a Partners:
brave man, he was very devoted and carried the insti-
tutional life of ANAMAZU in the Maravia division as
if it were his personal good. Indeed, in his capacity as
District Delegate, Elias was with other fellows of that
association, the “cornerstone” in the implementation
of the Good Forest Governance projects, the urgency of
the moment, projects on the rights of the communities
of those two districts and on the vehement mission of
paralegals that awakens Community dominance in the

Who Are We? The Association for Support and Legal Assistance to Communities (AAAJC) is an mozambican Civil Society Organization (CSO) based in Tete province, non-governmental and non proffit, created in 2008 by
a group of Paralegals in natural resources and development law, formed by the Center for Legal and Judicial Training (CFJJ), now Ministry of Justice, who decided to organize themselves based on their knowledge to promote
social and economic development and respect for human rights based on observance of the principles of social justice, equity and sustainability. Its scope of action was limited to the areas of economic development and poverty
reduction in a participatory manner, legal support to communities and citizens, environmental education, conflict resolution, advocacy of public policies and human rights. In 2010, following the implementation of some initiatives
and completing the process of its constitution, the organization was formally legalized with statutes published in the Bulletin of the Republic no. 2, III series, 4th supplement of January 19, 2010.