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Penhane BOLETIM OFICIAL DA ASSOCIAÇÃO DE APOIO E ASSISTÊNCIA JURÍDICA AS COMUNIDADES

Director Executivo: Rui de Vasconcelos* Sede: AAAJC* Telefone: 20030252*Cidade de Tete *Chingodzi* Editado em Português e Inglês

Tribunal Administrativo e MITADER “deixam andar” Vale e Jindal

A Ordem dos Advogados de Moçambique (OAM), reque- Trata-se de um incumprimento por parte do MITADER e do
reu, já faz algum tempo, na sequência do projecto de Moni- Tribunal Administrativo quanto a obrigação legal de aplicar
toria Legal dos Direitos sobre a Terra e Segurança Alimentar multas àquelas mineradoras, uma vez que devem proferir
das Comunidades Afectadas pelos Grandes Investimentos, uma decisão relativamente ao processo interposto pela OAM,
ao Tribunal Administrativo, que intimasse o Ministério da já há um ano, para que o Estado, aplique as referidas multas.
Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural (MITADER) pa- Até porque são bastantes as provas do incumprimento dos
ra, nos termos da lei aplicar à JINDAL e à Vale Moçambi- planos de reassentamento tanto pela Vale Moçambique como
que, uma multa no valor correspondente a 10% do valor dos pela JINDAL.
empreendimentos, por incumprimento dos Planos de Reas-
sentamento aprovados pelo Governo, como estabelece a Para fazer prova do incumprimento dos planos de reassenta-
alínea c) do n.º 2 do artigo 25 do Decreto n.º 31/2012, de 8 mento, a Ordem dos Advogados juntou o Acórdão N.º 54/
de Agosto, que regula o Processo de Reassentamento Resul- TAPT/17, do Tribunal Administrativo da Província de Tete e
tante de Actividades Económicas no país. o Acórdão n.º 41/2018, de 12 de Junho, da 1.ª Secção do Tri-
bunal Administrativo, condenando a JINDAL a levar a cabo
É o processo 152/2018-1.ª, interposto pela OAM, e que é de o reassentamento justo das comunidades afectadas e em tem-
natureza urgente nos termos da lei, mas corre os seus trâmi- po útil. Mas tal ainda não aconteceu em clara desobediência
tes por mais de um ano o que revela uma injustificada e das decisões dos tribunais, o que acarreta outras sanções le-
inaceitável morosidade processual, também injusta consubs- gais, considerando que nos termos da Constituição da Repú-
tanciando denegação de justiça. Aliás, os reassentamentos blica, as decisões dos tribunais são de cumprimento obrigató-
das comunidades no âmbito do projecto de exploração de rio para todos os cidadãos e demais pessoas jurídicas além de
carvão mineral tanto pela empresa JINDAL como pela em- prevalecerem sobre as de outras autoridades, tal como pres-
presa Vale Moçambique não tiveram o devido desfecham crito no artigo 214.
até ao presente momento.

Estado de Direito e a Ordem dos Advogados

A Comissão dos Direitos Humanos da OAM reve-


la que não percebe por que razão o MITADER Aliás, a OAM diz que continuará a promover e a defen-
não quer cumprir com o disposto na alínea. c) do der o Estado de Direito e a justiça no quadro das suas
nº 2 do artigo 25 do Decreto 31/2012, de 08 de atribuições e responsabilidades.
Agosto, no sentido de penalizar as duas empresas
em multa no valor igual a 10% do valor de cada
projecto ou empreendimento, por não cumpri-
mento do plano de reassentamento.

Por outro lado, aquele interlocutor da OAM não Parceiros:


percebe por que razão o Tribunal Administrativo
não se digna a proferir uma decisão final deste
caso, em conformidade com os princípios da lega-
lidade e da justiça e tendo em conta que se trata
de um processo de natureza urgente.

Quem somos? Associação de Apoio e Assistência Jurídica as Comunidades (AAAJC), é uma organização da Sociedade Civil
Moçambicana, não-governamental, sem fins lucrativos, de âmbito nacional, fundada em 2008 e com os seus estatutos legal-
mente publicados em 2010 no Boletim da República nº. 2, III serie, 4º suplemento de 19 de Janeiro. A sede é na cidade de Tete.
Penhane OFICIAL REPORT CARD OF THE ASSOCIATION FOR SUPPORT AND LEGAL ASSISTANCE TO COMMUNITIES

The Executive Director Rui de Vasconcelos* Sede: AAAJC* Telefone: 20030252*City of Tete*Chingodzi* Edited in Portuguese & English
o
Edition n 181

Administrative Court and MITADER “let go” Vale and Jindal

The Mozambican Bar Association (OAM) has requested, force the said fines. Moreover, there is plenty of evidence
some time ago, following the project of Legal Monitoring of that Vale Mozambique and JINDAL have failed to comply
Land Rights and Food Security of Communities Affected by with resettlement plans.
Large Investments, to the Administrative Court, to subpoena
the Ministry of Land, Environment and Rural Development In order to prove the non-compliance with the resettlement
(MITADER) to impose a fine of 10% of the value of the pro- plans, the Bar Association has joined Judgment No. 54 /
jects, pursuant to law, on JINDAL and Vale Moçambique for TAPT / 17 of the Administrative Court of Tete Province and
non-compliance with the Government-approved Resettle- Judgment No. 41/2018 of 12 June 1 Section of the Adminis-
ment Plans, as set out in paragraph c) Article 25 (2) of Decree trative Court, ordering JINDAL to carry out the fair and
31/2012 of 8 August, which regulates the Resettlement Pro- timely resettlement of affected communities. But this has not
cess Resulting from Economic Activities in the country. It is yet happened in clear disobedience of court rulings, which
the case 152 / 2018-1.ª, brought by the OAM, which is of an entails further legal sanctions, considering that under the
urgent nature under the law, but runs its proceedings for Constitution of the Republic, court rulings are binding on all
over a year which reveals an unjustified and unacceptable citizens and other legal entities in addition to prevailing over
procedural delay, also unfair substantiating denial of justice. other authorities as required by Article 214.
Incidentally, the resettlement of the communities under the
coal mining project by both JINDAL and Vale Moçambique
has not been properly completed so far.

This is a failure on the part of MITADER and the Adminis-


trative Court to comply with the legal obligation to impose
fines on those miners, as they have to give a ruling on the
proceedings brought by OAM a year ago for the State to en-

Rule of Law and Bar Association

The OAM Human Rights Commission reveals that it In fact, the OAM says it will continue to promote
does not understand why MITADER does not want to and defend the rule of law and justice within its re-
comply with paragraph. c) Article 25 (2) of Decree mit and responsibilities.
31/2012 of 08 August, to penalize both companies in a
fine equal to 10% of the value of each project or under-
Partners:
taking, for non-compliance with the resettlement plan.
On the other hand, that OAM interlocutor does not
understand why the Administrative Court is not enti-
tled to give a final decision in this case, in accordance
with the principles of legality and justice and given
that this is an urgent case.

Who Are We? The Association for Support and Legal Assistance to Communities (AAAJC) is an mozambican Civil Society Organization (CSO) based in Tete province, non-governmental and non proffit, created in 2008 by
a group of Paralegals in natural resources and development law, formed by the Center for Legal and Judicial Training (CFJJ), now Ministry of Justice, who decided to organize themselves based on their knowledge to promote
social and economic development and respect for human rights based on observance of the principles of social justice, equity and sustainability. Its scope of action was limited to the areas of economic development and poverty
reduction in a participatory manner, legal support to communities and citizens, environmental education, conflict resolution, advocacy of public policies and human rights. In 2010, following the implementation of some initiatives
and completing the process of its constitution, the organization was formally legalized with statutes published in the Bulletin of the Republic no. 2, III series, 4th supplement of January 19, 2010.