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Morfologia e Citologia Bacteriana

1. - CARACTERÍSTICAS BÁSICAS DOS MICRORGANISMOS:

A) VÍRUS
São acelulares
Medem cerca de 200nm
Não se reproduzem sozinhos, dependem de célula viva para de reproduzir
Em seu interir tem uma cápsula proteica denominada de capsíde
No interior do capsídeo há DNA ou RNA, não ocorrendo os dois tipos em um
mesmo vírus
Dois tipos de ciclos reprodutivos, o ciclo lítico e o ciclo lisogênico

B) BACTÉRIA
Unicelulares primitivos (ou seja, o individuo é uma célula procarionte)
Só conseguem viver parasitando animais, plantas ou ambientes ricos como o leite
São organismos procarióticos – cujo DNA não está organizado em estruturas
elaboradas (única molécula de fita dupla)
Vivem em todos os meios, sejam aquáticos ou terrestres e são bem resistentes a uma
grande variedade de temperaturas

C) EUCARIOTOS SUPERIORES (FUNGOS)


Desenvolvem-se, em locais com grande presença de material orgânico e umidade
Podem ser pluricelulares ou unicelulares
Pluricelulares, que são a maioria, possuem o talo que é denominado micélio. Este
micélio é composto por filamentos (hifas).
Obtém seus nutrientes através de um processo de absorção de matéria orgânica
Podem se reproduzir de forma sexuada ou assexuada.
A reprodução através de esporos também é muito comum em várias espécies de
fungos

2. - FORMAS BACTERIANAS

COCOS: esférico
BACILOS: bastonetes retos
ESPIRILOS: bastonetes encurvados
VIBRIÃO: forma de vírgula

E com essas formas básicas criam arranjos bacterianos

Cocos: diplococos (pares), estreptococos (cadeias), tétrades, sarcinas


Bacilos: diplobacilos (pares), estreptobacilos (cadeias)

3. - ESTRUTURAS ESSENCIAIS DA CELULAR BACTERIANA PROCARIÓTICA TÍPICA

A) Composição da parede celular de Gram positivos e negativos.


Gram-negativas: peptidioglicano, lipoproteína, membrana externa e lipopolissacarídeo
Gram-positivas: várias camadas de peptidoglicano, não tem membrana externa
A parede celular das bactérias Gram-positiva e Gram-negativa são diferentes. A parede
celular da bactéria Gram-positiva é espessa, a da Gram-negativa é menos espessa.
As múltiplas camadas de peptidioglicano das bactérias Gram-positivas constituem uma
estrutura extremamente forte em tensão, enquanto que nas Gram-negativas o
peptidioglicano é apenas uma camada espessa e, consequentemente, frágil.

B) PEPTIDEOGLICANO
Formado por dois açúcares aminados: o ácido N-acetil glicosamina e o ácido N-acetil
murâmico
O peptidioglicano situa-se no espaço periplásmico, localizado entre a membrana
citoplasmática (interna) e a membrana externa
Responsável pela forma das células e proteção do citoplasma
Confere rigidez ao corpo bacteriano

C) LIPOPOLISSACARÍDEO (LPS)
Maior fator de virulência, determinando efeitos biológicos que resultam na
amplificação das reações inflamatórias
Constituída de um lipídeo e um polissacarídeo (carboidrato) ligados por uma ligação
covalente
Um dos componentes principais da membrana exterior de bactérias gram-negativas
Contribui para a integridade estrutural da bactéria
Protege sua membrana de certos tipos de ataque químico
É composta de um antígeno O (parte mais externa), um núcleo externo, um núcleo
interno e um lipídeo A (parte mais interna)
É uma endotoxina que provoca uma forte resposta por parte de sistemas
imunitários de animais saudáveis.
Macrófagos, monócitos, células dendríticas e linfócitos B que entram em contato com
um LPS promovem resposta inflamatória, febre, vasodilatação (óxido nítrico) e
secreção de eicosanoides

D) MEMBRANA PLASMÁTICA
Localiza-se subjacente à parede celular
É formada por dupla camada fosfolipoproteica
Atua como barreira osmótica
Livremente permeável aos íons sódio e aos aminoácidos (permeabilidade seletiva)
Sede de importantes sistemas enzimáticos envolvidos nos últimos estágios da
formação da parede celular

E) SIDEROFOROS
A bactéria excreta o sideróforo no ambiente próximo a ela, que forma um composto
solúvel com o ferro e em seguida é absorvido para o interior da bactéria, onde o ferro
será transportado para a região de interesse.

F) FLAGELO
Tubo oco, com 20 nanômetros de espessura
Composto pela proteína flagelina
Forma helicoidal com uma dobra à saída da membrana celular chamada "gancho", que
faz com que a hélice fique virada para o exterior da célula.
Entre o gancho e a estrutura basal existe uma bainha que passa através de anéis de
proteína na membrana celular, que funcionam como “rolamentos”

Filamentos axiais são feixes de fibrilas que se originam das extremidades celulares e
fazem uma espiral em torno da bactéria

G) PILI OU PELO SEXUAL


É um apêndice filiforme que pode ser encontrado na superfície de muitas bactérias
Constituídos por uma proteína oligomérica denominada pilina
São microfibrilas proteicas que se estendem da parede celular em muitas espécies
Gram-negativas.
Têm funções de ancoramento da bactéria ao seu meio e são importantes na
patogénese. Um tipo especial de pilus é o pilus sexual, estrutura oca que serve para
ligar duas bactérias, de modo a trocarem plasmídeos

H) CÁPSULA
Contém glicoproteínas e um grande número depolissacáridos diferentes,
incluindo poliálcoois e aminoaçúcares
Permite às bactérias terem uma camada protectora resistente à fagocitose
Também é utilizada como depósito de alimentos e como lugar de eliminação de
substâncias
Protege da desidratação, já que contem uma grande quantidade de água disponível
em condições adversas
Algumas bactérias secretam substâncias pegajosas, que aderem à superfície externa da
parede e formam um envoltório protetor, chamado cápsula ou capa.
Os defensores do corpo, os glóbulos brancos do sangue, têm mais dificuldade de
englobar e destruir bactérias com cápsula do que bactérias sem cápsula

H) ESPOROS BACTERIANOS
Ocorre quando estas bactérias estão em ambiente que ameaçam a sua sobrevivência,
que não tem nutrientes suficientes para que cresçam e se reproduzam
O esporo é uma camada que protege a bactéria e é responsável pela resistência e ao
ataque dos agentes físicos e químicos da esterilização e desinfecção
Na fase esporulada, as bactérias não realizam atividade biossintética e reduzem sua
atividade respiratória
Nesta fase também não ocorre a multiplicação e crescimento bacteriano
Assim que o ambiente se torna favorável, estes esporos podem voltar a se reproduzir e
multiplicar
4. - PATOGÊNESE E FATORES DE VIRULÊNCIA BACTERIANOS.

A) MICRORGANISMO PATOGÊNICO
Os patogênicos são aqueles que não causam alterações nos alimentos, mas podem
causar doenças em quem os consumir. São os micro-organismos responsáveis pelas
DTA’s (doenças transmitidas por alimentos).
É aquele que causa doenças para as pessoas que o ingerirem. Alguns exemplos de
bactéria patogênica: Salmonella sp

B) PATÓGENO OPORTUNISTA
Causam infecções caso haja lesões nos tecidos onde residem ou a resistência do corpo
a infecções diminui

C) PATÓGENO OBRIGATÓRIO
Só conseguem sobreviver em meio intracelular, ou seja, na célula de um hospedeiro.

D) INFECÇÃO
Invasão de tecidos corporais de um organismo hospedeiro por parte de organismos
capazes de provocar doenças

F) PATOGENICIDADE
Capacidade do agente invasor em causar doença com suas manifestações clínicas
entre os hospedeiros suscetíveis.

G) VIRULÊNCIA
Capacidade infecciosa de um microrganismo, medida pela mortalidade que ele produz
e/ou por seu poder de invadir tecidos do hospedeiro.

5. - ORIGENS (MICROBIOTA INDÍGENA OU EXÓGENA), ETIOLOGIAS (MONO OU


POLIMICROBIANA) E NATUREZA (PATOGÊNESE INFECCIOSA VERSUS NÃO
INFECCIOSA-QUANDO E COMO ACONTECE-).

A) EXÓGENA e ENDÓGENA
Endógenas: é quando causadas pela microbiota endógena (flora residente), própria do
paciente
Exógena: é quando causada pela microbiota exógena (flora transitória), do paciente ou
de outros vetores.

B) POLIMICROBIANA
Significa que há microorganismos indesejáveis em sua microbiota

C) PATOGÊNESE INFECCIOSA
Doença infecciosa ou doença transmissível é qualquer doença causada por um agente
patogênico (como: vírus, bactéria e também parasita), em contraste com causa física
(por exemplo: queimadura, intoxicação química, relação sexual, beijos ou ferimentos).
6. - FATORES DE VIRULÊNCIA BACTERIANOS

6.1 - COMPONENTES DA PAREDE CELULAR

A) ENDOTOXINA
Podem se ligar a diversos tipos de células do organismo, principalmente às proteínas
séricas específicas (as LBPs) provocando uma resposta do organismo, o que pode
finalizar em uma septicemia em humanos
Sua produção está presente no LPS (lipopolissacarídeo) da membrana externa da
parede celular, sendo liberado somente após destruição da bactéria
As principais doenças causadas por endotoxinas são: febre tifóide, infecções no trato
urinário e meningite meningocócica.

B) PROTEÍNA M
É um fator de virulência que pode ser produzido por algumas espécies
de Streptococcus, entre outros pela bactéria Streptococcus pyogenes
É altamente anti-fagocítica e é um alto fator de virulência. Liga-se ao fator H do soro,
destruindo a C3 convertase e prevenindo a opsonização pela C3b. No entanto, as
células B podem gerar anticorpos contra a proteína M que ajudam na opsonização e
destruição dos microorganismos pelos macrófagos e neutrófilos.

C) PEPTIDEOGLICANO
É tóxico para células animais in vitro e in situ
Peptideoglicano, na parede celular: tem alguma atividade de endotoxina, estimulando
a febre e vasodilatação excessivas, devido à produção pelas células imunitárias de
citocinas como a IL-1

D) CÁPSULA
Confere resistência à fagocitose
A cápsula define a virulência de muitas bactérias. Sem ela, normalmente não são
patogênicas.

E) FIMBRIAS
Possibilita a fixação da bactéria à mucosa faringoamigdalina
Fimbrias ou pili: Estruturas filamentosas que recobrem toda a superfície da bactéria
funcionam como adesinas para muitas Gram (-)

F) ADESINAS
Através delas os microorganismos se aderem nas células ou tecidos do hospedeiro. (A
infecção começa com a adesão)

6.2 – TOXINAS

A) ENDOTOXINAS VERSUS EXOTOXINAS


Endotoxinas: Podem se ligar a diversos tipos de células do organismo (LBPs), produzida
no LPS da membrana externa da parede celular, sendo liberado somente após
destruição da bactéria. As principais doenças causadas por endotoxinas são: febre
tifóide, infecções no trato urinário e meningite meningocócica.

Exotoxina: são divididas em três grupos, de acordo com as suas interações com as
células do hospedeiro. Afetam principalmente funções celulares, células nervosas e
trato gastrointestinal.

B) TIPOS DE EXOTOXINAS
São divididas em três grupos: citotoxinas, enterotoxinas, neurotoxinas
Citotoxina é qualquer substância que tem um efeito tóxico sobre as células
Enterotoxinas são toxinas produzidas nos órgãos intestinais
Neurotoxina são as toxinas que são capazes de lesar o sistema nervoso, podendo
ainda agir sobre outras partes do organismo

6.3 - ENZIMAS SECRETADAS

A) LEUCOCIDINAS
Tipo de toxina formadora de esporos
As leucocidinas têm este nome por matarem leucócitos

B) HEMOLISINAS
São exotoxinas produzidas por bactérias que provocam lise dos eritrócitos in vitro

C) COAGULASE
As coagulases são enzimas com capacidade para coagular o plasma sanguíneo através
de um mecanismo similar ao da coagulação normal.
A atividade da coagulase é utilizada para distinguir espécies patogênicas
de Staphylococcus de espécies não patogênicas, sendo um bom indicador da
patogenicidade do S.aureus.

D) HIALURONIDASE
Enzima facilitadora da difusão de líquidos injetáveis

E) COLAGENASE
Tem o poder de quebrar as moléculas de colágeno

F) IGA-PROTEASE
Enzima produzida pelos pneumococos capaz de degradar imunoglobulinas que fazem
parte de um importante mecanismo de defesa do hospedeiro

6.4 – PLASMÍDEOS

São moléculas de DNA extra cromossomais que podem ser passados de bactéria à
bactéria, carregando consigo informações genéticas (e até mesmo novos genes)
Composta de DNA de fita dupla, possuindo tamanho variável.
A importância dos plasmídeos incide na sua capacidade de possuir genes de virulência
e codificar fatores de virulência e resistência a antibióticos.
Plasmídeo F e F’: esse tipo de plasmídeo é responsável pela fertilidade das bactérias.
Plasmídeo R (ou RTF): esse tipo de plasmídeo confere a resistência bacteriana aos
antimicrobianos.
Plasmídeo COL (ou colicinogênico): já este tipo está intimamente relacionado
à fixação do nitrogênio no solo, ele é responsável por esta fixação.

E ainda existem os plasmídeos que degradam metais pesados e codificam


algumas toxinas bacterianas.

7. - MECANISMOS DE PATOGENICIDADE

7.1 - CAPACIDADES DE COLONIZAÇÃO DO HOSPEDEIRO POR AUMENTO DA


INVASIVIDADE

Presença de adesinas, fimbrias e etc

A) MOTILIDADE E QUIMIOTAXIA
Quimiotaxia: É a orientação da motilidade em resposta a um gradiente químico

B) EVASÃO DAS DEFESAS DO HOSPEDEIRO


A resposta imune tem papel fundamental na defesa contra agentes infecciosos e se
constitui no principal impedimento para a ocorrência de infecções disseminadas,
habitualmente associadas com alto índice de mortalidade.

8. - DIAGNÓSTICO MICROBIOLÓGICO

a) O que é detectado nos microrganismos para realizar um diagnóstico Microbiológico


Clínico?
Fatores de virulência

B) HISTÓRICO DO DESCOBRIMENTO DOS ANTIMICROBIANOS


Em meados de 1860, Joseph Lister foi o primeiro cientista a estudar o efeito inibitório
de substâncias químicas sobre as bactérias. Lister usou fenol para esterilizar
instrumentos cirúrgicos com importante diminuição nas taxas de morbidade e
mortalidade associadas à cirurgia
A segunda era, conhecida como a dos compostos sintéticos, foi marcada pela
descoberta do salvarsan por Paul Ehrlich (Alemanha) em 1909 para o tratamento de
tripanossomas e outros protozoários. Em 1910 Ehrlich testou o 606º composto
arsênico e viu que ele era ativo contra o treponema causador da sífilis. Esse composto
foi usado como tratamento de escolha da sífilis até 1940 quando foi substituído pela
penicilina

C) ANTIBIÓTICOS VERSUS QUIMIOTERÁPICOS


Antibiótico: é qualquer remédio capaz de combater uma infecção causada
por microrganismos que causam infecções a outro organismo. Não destroem vírus.
Quimioterápicos: refere-se ao tratamento de doenças por substâncias químicas que
afetam o funcionamento celular.
9. - A MICROBIOTA

A) MICROBIOTA INDÍGENA (RESIDENTE OU AUTÓCTONE)


Autóctone (residente): microrganismos que estabelecem uma residência mais ou
menos permanente (colonizam), mas que não produzem doença em condições
normais
Altamente dependente das condições às quais um indivíduo é exposto.
Papel importante na manutenção da integridade do hospedeiro, quando em equilíbrio
em um sítio específico
- Oferecem barreiras contra colonização por patógenos;
- Produzem substâncias utilizáveis pelo hospedeiro;
- Degradam produtos tóxicos;
- Participam da modulação do sistema imune dos hospedeiros

B) MICROBIOTA NÃO INDÍGENA (TRANSITÓRIA OU ALÓCTONE)


Microrganismos não patogênicos ou potencialmente patogênicos, encontrados em
superfícies externas e internas, durante algumas horas, dias ou mesmo semanas.
Pouca importância se a microbiota residente estiver em equilíbrio. Caso ocorra
alteração neste equilíbrio, os microrganismos transitórios podem proliferar-se e
produzir doença.

C) O NASCIMENTO COMO FATO FUNDAMENTAL NA AQUISIÇÃO DA MICROBIOTA


INDÍGENA.
Ocorre a aquisição da microbiota indígena no momento do nascimento. É encontrada
na pele, mucosas em áreas em direto contato com o meio externo.

D) MECANISMOS DE COLONIZAÇÃO INICIAL DO CORPO


Nascimento - Colonizadores primários: E. coli e Enterococcus
Pós-parto - Colonizadores secundários: Bacteroides, Clostridia, Bifidobacterium
Até 6 meses - Microbiota sofre interferência do tipo alimentação
A partir dos 6 meses - Microbiota mais diversa e complexa
Adulto - Redução gradual da diversidade – Bacteroidetes e Firmicutes e estabilidade

E) COMUNIDADE CLÍMAX ESTÁVEL E SUA RELAÇÃO COM AS DOENÇAS INFECCIOSAS


É uma biocenose caracterizada pela estabilidade onde o ecossistema está em
equilíbrio dinâmico.

F) FUNÇÕES DA MICROBIOTA INDÍGENA


- Impede colonização de patógenos
- Produz substâncias nocivas contra outras microbiotas: ácidos graxos, bacteriocinas,
etc
- Altera o pH e potencial redox (Eh)
- Fornece substâncias nutritivas para outros microrganismos da microbiota residente e
para o hospedeiro.
G) CARÁTER ANFIBIÓNTICO
É definida como um conjunto variado de microorganismos normalmente encontrados
colonizando um determinado sítio (superfície e mucosas do corpo) do organismo,
convivendo de maneira harmoniosa com o hospedeiro

H) COMPOSIÇÃO DA MICROBIOTA INDÍGENA


Microbiotas digestivas dominantes e subdominantes são relativamente mais estáveis
e menos variáveis que a microbiota residual, que além de variar de um indivíduo para
outro também pode flutuar ao longo da vida de um indivíduo. Assim, todo
microrganismo que tem um papel na fisiologia do hospedeiro pertence à microbiota
dominante e subdominante.

I) MUTUALISMO
Ambos se beneficiam. Exemplo: Escherichia coli sintetiza vitaminas K e do complexo B,
o hospedeiro fornece nutrientes ao microrganismos

J) COMENSALISMO
Um organismo se beneficia e o outro não é afetado. Exemplo: micobactérias que
habitam o ouvido e a genitália externa

L) PARASITISMO
Um organismo é beneficiado à custa do outro. Exemplo: microrganismos causadores
de doenças

M) RELAÇÃO DE ANTAGONISMO
Microbiota indígena pode impedir a infecção por um microrganismo patogênico por:
Competição por sítios de adesão na mucosa, Competição por nutrientes, Produção de
substâncias antimicrobianas (ácidos graxos, ácidos orgânicos, H2O2, bacteriocinas,
outros.

10. - CONTROLE DE POPULAÇÕES MICROBIANAS

10.1 CONDIÇÕES QUE AFETAM A ATIVIDADE DE UM MICROBICIDA

A) TAMANHO DA POPULAÇÃO
Quanto maior a população, maior o tempo necessário à sua eliminação.

B) NATUREZA DA POPULAÇÃO
Se nesta população de microrganismos existirem endosporos, os quais são muito mais
resistentes que formas vegetativas, sua eliminação não ocorrerá tão facilmente.
No caso de células em diferentes estágios de crescimento: células mais jovens tendem
a ser mais suscetíveis que células em fase estacionária.

C) TEMPERATURA
Dentro de limites, o aumento da temperatura torna o processo mais eficiente.
Para agentes químicos, geralmente o aumento de 1°C da temperatura aumenta em 10
vezes a eficiência do processo, o que também permite a diluição do agente.
D) CONDIÇÕES "AMBIENTAIS"
pH do meio - quando é ácido, favorece a eliminação térmica
Presença de matéria orgânica - dificulta a ação do produto. Altas concentrações de
açúcar, proteínas ou lipídeos diminuem a penetrabilidade do calor, enquanto o sal
pode aumentar ou diminuir a resistência ao calor.

E) TEMPO DE EXPOSIÇÃO
De acordo com normas da OMS, o tempo mínimo de exposição deve ser de 30
minutos.

F) CONCENTRAÇÃO DO AGENTE
Geralmente, quanto mais concentrado, melhor (exceto álcool).
A relação entre a concentração e a eficiência via de regra não é linear.

10.2 - CONCEITOS BÁSICOS

A) DESCONTAMINAÇÃO
Qualquer processo físico, químico que serve para reduzir o número de microrganismos
num objeto inanimado, para torná-lo seguro para o manuseio subsequente.

B) ANTI-SÉPTICO
Produto que evita a infecção em tecidos, seja inibindo ou matando os microrganismos.
Como são aplicados em tecidos vivos, os antissépticos são, geralmente, menos tóxicos
que os desinfetantes (agentes aplicadas em materiais inanimados).

C) ASSEPSIA
Conjunto de medidas adotadas para impedir a introdução de agentes patogênicos no
organismo

D) DESINFECÇÃO
Elimina microrganismos na forma vegetativa, exceto os esporos bacterianos.
Pode ser realizada através de processos químicos ou físicos.
Esta definição tem sido considerada classicamente, entretanto, muitos desinfetantes
químicas possuem a propriedade de eliminar algumas formas esporuladas.

E) ESTERILIZAÇÃO
Processo de destruição de todas as formas de vida de um objeto ou material.
É um processo absoluto, não havendo grau de esterilização.

F) GERMICIDA
É o termo aplicado à substância química ou processo físico capaz de destruir todos os
microrganismos, incluindo também suas formas de resistência,denominadas de
esporos, como aqueles produzidos por bactérias do gênero Clostridium sp e Bacillus
sp.

10.3 - CRITÉRIOS PARA A ESCOLHA DO MELHOR MÉTODO DE CONTROLE DE


MICRORGANISMOS
Cada microorganismo responde de uma forma, de acordo com sua resistência,
quantidade e estágios metabólicos.
O método a ser escolhido deve ser aquele mate as formas mais resistentes de
microorganismos. Os três parâmetros que podem expressar essas diferenças:
temperatura, tempo e grau de resistência.

11. - CONTROLE ANTIMICROBIANO POR AGENTES FÍSICOS

Inibição do crescimento: “Stático”: bacteriostático, fungistático


Eliminação Total/Morte: “Cida”: bactericida, fungicida, algicida

Destruição ou remoção das formas de vida e vírus:


TOTAL - Objeto ou habitat: Esterilização
PARCIAL - Superfícies inanimadas: Desinfetantes
Tecido vivo: Antissépticos

Ação dos agentes físicos e químicos de Controle do Crescimento Microbiano:


Alteração da Permeabilidade da Membrana Citoplasmática
Danos às Proteínas e aos Ácidos Nucleícos

FORMAS DE CONTROLE DO CRESCIMENTO

A) TEMPERATURA (AQUECIMENTO/RESFRIAMENTO)
Mecanismo de ação: desnaturação de proteínas.

CALOR ÚMIDO:
Autoclave:
- Destrói esporos, em um pequeno volume, em 10 a 12 minutos.
Frequentemente são utilizados indicadores da eficiência de esterilização, por exemplo,
ampolas contendo esporos de B. stearotermophilus ou de Clostridium PA3679, os
quais são inoculados em meios de cultura após o processo de esterilização. Caso haja o
desenvolvimento de células vegetativas, o processo não foi realizado adequadamente,
uma vez que não houve a esterilzação.

Autoclave de oxido de etileno


- O óxido de etileno C2H4O é um gás incolor à temperatura ambiente, é altamente
inflamável.
Em sua forma líquida é miscível com água, solventes orgânicos comuns, borracha e
plástico.
O óxido de etileno reage com a parte sulfídrica da proteína do sítio ativo no núcleo do
microrganismo, impedindo assim sua reprodução.

CALOR SECO
Incineração
- Utilizado para incinerar diversos tipos de materiais, como papéis, materiais
hospitalares, carcaças de animais, etc.
Também oxida todo o material até virar cinzas.

Forno Pasteur
- Desnaturação de proteínas.
Este método consiste em aquecer o produto em uma determinada temperatura, por
certo tempo e logo após, resfriá-lo.
Este processo reduz o número de microorganismos, mas não assegura sua esterilização

B) RADIAÇÃO
Radiação ionizante (raios X e gamma)
- Destruição de DNA por raios gama e feixes de elétrons de alta energia

Não ionizante (UV)


- Lesão do DNA pela luz UV – superfície

C) FILTRAÇÃO
Filtros de profundidade (HEPA)
- Removem quase todos os microrganismos maiores que cerca de 0,3 micrometros de
diâmetro.

D) DESSECAÇÃO
Liofilização (medicamentos)
Método para preservação de microorganismos.
Na ausência de água alguns microorganismos têm o seu metabolismo reduzido e até
ausente, porém permanecem viáveis.
Através da liofilização a água é removida do interior das células e os microorganismos
são preservados em condições especiais de armazenamento e temperatura.

11. - CONTROLE ANTIMICROBIANO POR AGENTES QUÍMICOS

A) CARACTERÍSTICAS IDEAIS DE UM AGENTE QUÍMICO ANTIMICROBIANO


Atividade antimicrobiana
Solubilidade
Estabilidade e homogeneidade
Ausência de toxicidade
Não ser corrosivo
Capacidade detergente e desodorizante
Atividade à temperatura ambiente
Disponibilidade e baixo custo

12. - FISIOLOGIA BACTERIANA

A) DEFINIÇÃO DE COLÔNIA BACTERIANA


Colônias são agregados de centenas a milhares de células bacterianas, da mesma
espécie, e que podem se originar a partir um único indivíduo.
Uma colônia é formada por uma ou mais camadas de células aderidas entre si, sendo
que a primeira camada de células é encontrada aderida a uma superfície sólida ou
pastosa.
Os indivíduos de uma colônia exibem interações celulares significativas e cooperação,
mas também algum grau de competição.

B) DIVISÃO CELULAR BACTERIANA


Reproduzem-se assexuadamente por um processo chamado divisão binária, também
conhecida como cissiparidade ou bipartição.
- A divisão binária ocorre quando uma bactéria duplica o seu material genético e logo
em seguida se divide, originando duas bactérias idênticas a ela.
- As bactérias não apresentam nenhum tipo de reprodução sexuada, e sim
recombinação genética que pode ocorrer por transformação, transdução ou
conjugação.
- Transformação ocorre com algumas bactérias que conseguem absorver fragmentos
de DNA que se encontram dispersos no meio. Esses fragmentos são incorporados ao
material genético das bactérias transformando-as.
- Transdução bacteriana ocorre troca de material genético entre bactérias com a
participação de um bacteriófago.
- Conjugação bacteriana, é a passagem de DNA de uma célula doadora para um
receptor. É necessário o contato entre as células bacterianas, sendo que a doadora
possui um plasmídio conjugativo, que possui genes que codificam, por exemplo, para o
pili F (F= fertilidade).

12. - NUTRIÇÃO BACTERIANA

A) MACRONUTRIENTES
Necessários em grandes quantidades
- C,O, N, H, P, S = Constituintes de carboidratos, lipídeos, proteínas e ácidos nucleicos.
- K = Atividade enzimática, cofator para várias enzima
- Ca = Cofator de enzimas, componente do endósporo
- Mg = cofator de enzimas, estabiliza ribossomos e membranas
- Fe = Constituição de citocromos e proteínas ferro enxofre (transportadores de
elétrons), cofator de enzimas.

B) FATORES DE CRESCIMENTO
Compostos orgânicos requeridos em pequenas quantidades e somente por algumas
bactérias que não podem sintetizá-los.
Muitos microrganismos são capazes de sintetizá-los.
Ácidos graxos insaturados, colesterol, poliaminas e colinas.

C) OLIGOELEMENTOS
São elementos químicos essenciais para os seres vivos, geralmente são encontrados
em baixa concentração nos organismos, mas são essenciais aos processos biológicos
por serem fundamentais para a formação de enzimas vitais para determinados
processos bioquímicos como, por exemplo, a fotossíntese ou a digestão.
13. - MEIOS DE CULTURA BACTERIANOS

A) ÁGAR NUTRIENTE (AN)


Análise de água, alimentos e leite como meio para cultivo preliminar das amostras
submetidas a exames bacteriológicos e isolamento de organismos para culturas puras,
conservação e manutenção de culturas em temperatura ambiente
B) ÁGAR SANGUE (AS)
O meio, usando uma base rica, oferece ótimas condições de crescimento a maioria dos
microrganismos. A conservação dos eritrócitos íntegros favorece a formação de halos
de hemólise nítidos, úteis para a diferenciação de Streptococcus spp. eStaphylococcus
spp.

C) ÁGAR
É um meio de cultura obtido a partir de algas marinhas vermelhas e formado por uma
combinação de agarose e agaropectina.

14. - GENÉTICA BACTERIANA

NUCLEÓIDE BACTERIANO ou CROMOSSOMO BACTERIANO


É a região de algumas células procarióticas onde se concentra o material genético.
É uma molécula circular de DNA, que se encontra no citoplasma da célula, e não está
associado a proteínas.
É o nucleóide que determina as características da célula e comanda as suas atividades.

A VARIABILIDADE GENÉTICA EM BACTÉRIAS

A) MUTAÇÃO VERSUS RECOMBINAÇÃO


Mutação corresponde a uma modificação que ocorre na informação genética
(sequência de nucleotídeos do DNA) e que pode ser espontânea (devida a erros no
processo de duplicação do DNA) ou causada por agentes físicos ou químicos.
A Recombinação gênica, por sua vez, corresponde à mistura de genes entre indivíduos
de mesma espécie durante a formação de gametas, na meiose, através da troca de
partes entre cromossomos homólogos (permutação). Este processo garante o
aumento da variabilidade primariamente produzida pela mutação.