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Direito Processual Civil III – Prof. Dr.

Miguel Teixeira de Sousa

Casos Práticos -Como resolver

1. Identificar o problema; Verificar o que pode o juiz fazer;

2. Verificar o que pode o agente de execução fazer;

3. Verificar o que pode o executado fazer

I. ASPECTOS GERAIS DA EXECUÇÃO

§ 1.º Enquadramento geral

§ 2.º Aspectos estruturantes

§ 3.º Órgãos da execução

Diferença entre ação declarativa e executiva?

Ação executiva:

 A finalidade que se depreende do artigo 10º nº4 prende-se com a reparação


efetiva de um direito violado.
 Na medida em que se realiza coativamente as providências adequadas à
realização coativa de uma prestação do executado.
 A ação executiva é aquela em que o autor requer como efeito jurídico as
providências adequadas à realização de um direito/poder a uma prestação
num titulo legalmente suficiente (através de atos materiais como a penhora).

Ação declarativa:

 Simples apreciação:
o É pedido ao tribunal que declare a existência ou inexistência de um
direito.
 Condenação:
o Sem prejuízo do tribunal dever ainda emitir um juízo declarativo, em
consequência deve ainda condenar o réu à prestação de uma coisa
ou de um facto.

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o O pedido de declaração prévia do direito ou do facto jurídico pode
ser expresso, caso em que se verifica uma cumulação de pedidos
(artigo 555.º CPC).
o Mas pode o autor limitar-se a pedir a condenação do réu, e então o
juízo prévio de apreciação mais não é do que um pressuposto lógico
do juízo condenatório pretendido.
o Pressuposto lógico da condenação é também a violação dum direito;
mas não é necessário que a violação esteja consumada à data do
recurso a juízo ou mesmo à data da sentença.
o A ação de condenação pode, com efeito, ter lugar na previsão da
violação do direito, dando então lugar a uma intimação ao réu para
que se abstenha de o violar (artigo 1276.º CC) ou à sua condenação a
satisfazer a prestação no momento do vencimento (artigos 557.º e
610.º CPC);
 Constitutiva:
o O juiz não é condicionado pela situação de direito ou de facto pré-
existente.
o Pela sentença o juiz cria novas situações jurídicas entre as partes,
constituindo, impedindo, modificando ou extinguindo direitos e
deveres que embora fundados em situações jurídicas anteriores, só
nascem com a própria sentença.
o O aspeto declarativo da sentença, indo além do juízo prévio sobre a
existência do direito potestativo, reside fundamentalmente na
definição, só para o futuro ou retroativamente, da situação jurídica
constituída.

 Diferenças face à ação executiva:


o Nesta ação há a reparação efetiva de um direito violado.
o Não se trata de declarar existente direitos, pré-existentes ou a
constituir.
o Mas antes providencia-se a realização coativa de uma pretensão
devida.
o Passa-se da declaração concreta da norma jurídica para a sua atuação
prática, mediante o desencadear do mecanismo da garantia.

Quais os tipos de ação?

1. Pagamento de quantia certa;

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a. O exequente (credor) pretende obter o cumprimento duma
obrigação pecuniária através da execução do património do
devedor, o executado (817º).
b. Assim, são apreendidos os bens suficientes do executado
(devedor) pelo tribunal para cobrira importância da dívida e
das custas, tendo normalmente lugar a sua venda para que
com a quantia obtida pagar ao exequente (credor).
c. Assim obtém o exequente o mesmo resultado que teria com a
realização da prestação.
2. Entrega de coisa certa;
a. O exequente enquanto titular do direito à prestação duma
coisa determinada, pretende que o tribunal apreenda essa
coisa ao devedor (executado) e seguidamente entregue ao
exequente 827ºCC
b. Se a coisa não for encontrada:
i. O exequente procederá à liquidação do seu alor e do
prejuízo resultante da falta de entrega, penhorando e
vendendo os bens do executado para o pagamento da
quantia liquidada 867º.
c. Neste tipo de processo, pode assim o exequente obter um
resultado idêntico ao da realização da própria prestação que
segundo o título, lhe é devida ou um seu equivalente.
d. O direito à prestação da coisa pode ter por base:
i. Direito real;
ii. Obrigação.
3. Prestação de facto
a. Facto fungível:
i. O exequente pode requerer que o facto seja prestado
por outrem às custas do executado 828º CC;
ii. Sendo apreendidos e vendidos os bens que forem
necessários para o custo da operação.
b. Facto não fungível:
i. O exequente já só pode pretender a apreensão e a
venda de bens suficientes do executado para o
indemnizar no dano sofrido com o incumprimento
868º.
c. Quando ocorre violação de um dever de omissão – prestação
de facto negativo:
i. O exequente, consoante os casos, pede : 829ºCC, 876º
CPC.

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1. a demolição da obra que porventura tenha sido
efetuada pelo devedor, à custa deste;
2. assim como a indemnização do prejuízo
sofrido;
3. ou uma indemnização compensatória.
ii. Neste tipo de processo, o credor pode obter o mesmo
resultado que obteria com a realização, ainda que por
terceiro, da prestação que segundo o título, lhe é
devida ou um seu equivalente.
iii. Embora em todo os casos se realize uma prestação de
natureza obrigacional, a obrigação de demolir ou
indemnizar pode resultar de: um direito real.

O que é penhora?

 Apreensão judicial dos bens do executado.


 Perante uma situação de incumprimento, o tribunal priva o executado do
pleno exercício dos seus poderes sobre bens que, sem deixar de pertencer
ao executado, fica a partir de então especificamente sujeito à finalidade
última de satisfação do crédito o exequente, a atingir através da disposição
do direito do executado nas fases subsequentes da execução.

Carateristicas da execução

Especialização da execução (assegurar a satisfação da prestação do credor)

 O PE não tem em si mesmo uma estrutura contraditória, embora possa existir.


Contudo este é tendencialmente linear.
 Ao longo do processo há várias hipóteses de oposições que são processos
declarativos p.e embargos de executado; oposição à penhora; reclamação de
créditos -> processos declarativos que correm por anexo ao processo
executivo, mas não o integram, podendo ter aspeto incidental - função
instrumental.

Caráter formal

 Toda a execução necessita de um título executivo. E este é suficiente para


instaurar a execução.
 Este, é suficiente p.e no processo sumário, para a propria penhora, podendo
em alguns casos discutir se o mesmo existe ou não.

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 Título executivo + setença condenatória -> suficiente para execução.

Caráter coativo

 10.º n.º4 "realização coativa da prestação".


 Podendo passar-se da coação -> coerção.

Caráter descentralizado

 Dois órgãos: O tribunal, O agente de execução (introduzido em 2003);


 Artigo 719.º: " Repartição de competências";
 Artigo 723.º: Competêcia de caráter jurisdicional;

Transparência patrimonial

 Necessário encontrar património penhorável - da qual depende o êxito da


execução;
 Daí que se estabeleça: 750.º n.º1;

Publicidade

 Por razões:
o Tráfego jurídico;
o Para futuras execuções;
 É bom que se conheçam as execuções pendentes, o que terminaram sem êxito
-> para potenciais negociantes ou contratantes com o executado e útil para
outras execuções.

Registo

 DL 201/2003 10 de Setembro;
o Publicidade mais restrita;
o Lista pública de execuções.
 717.º - registo informático;
 Este registo é acessível: n.º4 artigo 718.º; - publicidade restrita.

Princípios Processuais

Estruturantes:
 Princípio da igualdade das parte;

 Princípio do contraditório;

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 Princípio da legalidade da decisão;

 Princípio da publicidade;

 Princípio da economia processuail

Instrumentais:
 Princípio do dispositivo;

 Princípio da oficialidade;

 Princípio do inquisitório;

 Princípio da cooperação;

 Princípio da preclusão;

 Princípio da autorresponsabilidade das partes;

 Princípio da legalidade de formas.

Análise:

 Princípio do contraditório e respeito pela igualdade das partes:

o 4º;

o Há quem entenda que há um princípio de favor creditoris que leva à


conclusão de que a “igualdade das partes no processo executivo é
meramente formal”.

o Quanto ao princípio do contraditório: 724º, 728º, 726º nº6;

 A contestação é diferente da ação declarativa, na medida em


que nesta ela é necessária e na ação executiva é
intencionalmente eventual, pois esta aqui apenas diz se pode
ou não haver execução na perpetiva do executado e não se
existe ou não um direito.

o Elementos de contrariedade:

 784º 785º, 342 ou 812º nº1 – audição dos interessados;

 Mas uma exceção ao princípio do contraditório nos atos


executivos: penhora, apreensão para entrega – é possível sem
audição prévia do executado no caso do artigo 855ç nº3, 856º
nº1 e 626º nº3.

 Princípio da legalidade da decisão

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o Vale tanto para os despachos do juiz de execução – 726º, 734º como
para os despachos do agente de execução 812º.

o Devem decidir segundo a lei pelo que deverão indagar a


fundamentação do direito e 607º;

 Princípio da publicidade:

o Os atos processuais executivos não são secretos – sejam os atos de


dedução de pretensões ou os atos executivos de penhora ou de
venda e pagamento .

o Vale neste campo o artigo 163º.

o Este é um processo bastante eletrónico 712º; artigo 52º nº1 e 4,


27ºPortaria 282/29103.

o 131º nº4;

o 163º nº1 CRP.

o Dependente da publicidade: 817º ou 21 Portaria referida em cima.

 Princípio da economia processual:

o Cada ato apenas á devido ou admissível se for útil para a finalidade


executiva, sob pena de ilicitude nos termos do artigo 130º.

o Expressões deste princípio 749º, 727º, 855º nº2 e 856º nº1 , 131º.

 Princípio do Dispositivo:
o O impulso processual pertence às partes;
o Este está na disponibilidade das partes, daí que possam existir reflexos na
execução de negócios substantivos celebrados entre as partes (p.e
novação da obrigação ou até remissão da dívida);
o Negócios processuais são admitidos no âmbito da execução, mas com
restrições:
 P.e não é possível alargar por via convencional o elenco dos títulos
executivos, apenas os do 703º;
 MTS:
 Válidos os negócios que excluem a execução ou até
temporariamente;
 Negócios que restringem a execução 602.º CC, CPC na revisão
2010 -> passou a prever-se especificamente o acordo sobre o
pagamento em prestações 806º e acordo global 810º -
negócios processuais que extingue a execução.

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 Princípio da Gestão Processual
o Versão mais restritiva, difícil adaptar ou eleminar passos.
o Aspeto em que este princípio pode relevar: execução para prestação de
facto negativo porque a lei só trata de uma situação - demolição de uma
obra construída - mas pode haver outras situações de execuções de facto
negativo e aqui, terá de haver construção à medida dos factos que o
executado tinha obrigação de não realizar.

Princípios instrumentais:

 O processo civil é um processo assente na disponibilidade das partes sobre a


instância.

 Cabe ao credor dar o primeiro impulso – 724º e podem as partes produzir


negócios jurídicos com efeito sobre a lide:

o Negócios materiais: 857º CC e 863º nº1 CC;

o Negócios processuais:

 Comuns: 848º, 873º;

 Executivos: 602º, 735º nº1;

 760º nº2 e 769º nº1;

 806º nº1.

 Mas existem traços de oficialidade: pois incumbe ao agente de execução praticar


sem necessidade de requerimento de parte, os atos necessários à execução que
sejam de sua competência, como a citação, a penhora, a venda e o pagamento.

 É o agente de execução que tem o poder de direção do processo – 719º nº1.

 Princípio da legalidade do procedimento:

o Apenas o juiz pode fazer uso do principio da adequação formal 547º


e não as partes.

o 703º tipicidade dos títulos executivos;

o Todavia, há atos do agente de execução que trazem alguma


flexibilidade: 751º nº1 e 812º nº1.

 Princípio da Cooperação:

o 7º º
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o Dever de litigância executiva de boa fé – 8º - violação – 542º

o Vigora o regime geral da litigância de má fé.


o 726º nº4 - possibilidade de o tribunal aperfeiçoar o requerimento
executivo;
o Expressões de dever de cooperação do executado, nomeadamente -
transparência patrimonial.
o Expressões deste princípio : 750 nº1 2ªP e 754º nº1 a), 726º nº1; 767º
nº2.

 Princípio da preclusão ou caducidade

o As parte têm o ónus de praticar os atos processuais num certo


momento do processo e num determinado prazo, sob pena de
preclusão ou caducidade.

Princípios privativos

Podem isolar-se princípios privativos à ação executiva?

 MTS: aponta algumas caraterísticas essenciais:

o Além da especialização;

o A formalização – ação ocorre baseada num único documento – título


executivo 10º nº5 e a coação.

Ponderação de interesses

 Entre o exequente e o executado:


o A execução está subjacente um princípio de favor creditori - são os seus
interesses que são defendidos em primeira linha.
o Manifestações deste princípio: executar sem ter sido transitada em
julgado;
o A proteção do executado é algo que também releva e que se têm em
conta na ação executiva, havendo até direitos fundamentais deste que
terão de ser observados na medida do justificado;
o As medidas executivas estão por isso -> sujeitas ao princípio da
proporcionalidade.
o Direitos fundamentais:
 Restrições à penhorabilidade dos bens - ex. salário não pode ser
executado na totalidade - impenhorabilidade relativa;

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 Habitação do executado, quando penhorada, também merece
alguma proteção, p.e se se trata de uma execução de sentença não
transitada (provisória) - nesta hipótese compreende-se que não se
pode vender a habitação do executado;
 Outros autores: Manuel de Andrade, e MTS:
o Favor creditoris: a execução seria um processo sem igualdade material
de fundo entre o credor exequente e o devedor executado,
prevalecendo a posição daquele sobre este.
 No entender de lebre de Freitas, a atuação da garantia de um direito
subjetivo pré-definido leva a que o executado não goze de paridade de
posição com o exequente:
o Assim as notas deste principio seriam:
 722º, 720º nº1 e 4, 733º nº1, 740º nº2 e 751º nº6, 741º nº2,
773º nº3, 791º nº4, 792º nº3.
 Note-se que estes aspetos do favor creditoris decorrem do postulado
intrínseco da execução:
o A parte ativa não pretende ter um direito, mas sim exercê-lo, ela já
tem o direito – demonstrado no titulo executivo.
o Assim a execução é do e para o crdor.
o O favor creditoris é a expressão procedimental da natureza forçada
da execução insita no 817º CC.
 Outro princípio pode ser o da patrimonialidade da execução: os atos
executivos têm por objeto situações jurídicas ativas integrantes do património
do devedor, coisas corpóreas ou prestações de facto.

Proporcionalidade das medidas executivas

 Proporcionalidade aos fins a atingir;


 P.e proporcionalidade da penhora;
 Artigo 735.º n.º3.
 Se divida ao paga em 6 meses - execução de habitação: MTS não concorda
porque viola este princípio.

Articulação entre o execuente e terceiro

 Problema: está pendente ou é instaurada uma execução, mas há outros


credores do executado, ou seja este tem outros credores e o que se coloca é
saber se a execução pendente se abre a outros credores, ou permanece restrita
ou abrir-se apenas a alguns?

o 1- restringida a exequente;
o 2- todos podem intervir;
o 3- alguns podem intervir.

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 Soluções:
o 1- restrita ao credor exequente - ESPANHA;
o 2- Igualdade em todos os credores - abre-se a todos - FRANÇA, ITÁLIA;
o 3- Intermédia: alguns podem intervir- PORTUGAL Artigo 786º nº1 b);
 Não intervem todos, mas tem ónus de intervir os que têm garantia
real sobre o imóvel.
 MTS é um ónus e não um mero poder:
o 824º nº2 CC: esta hipoteca extingue-se com a venda executiva.

Responsabilidade do Exequente

 O exequente, goza do favor creditoris, portanto, a execução está pensada para


garantir a pretensão do exequente, e por isso mesmo p.e, a lei permite na
própria ação ordinária para pagamento de quantia certa 727º o próprio
exequente que queira a dispensa.
 Regra: citação posterior à penhora do executado -> situação de benefício
concedido ao próprio exequente.
 O que sucede se depois de ter havido penhora de bens se descobre que a
execução é indevida, dizendo que o crédito já foi satisfeito?
o Em qualquer destas situações vale o 866º -> responsabilidade por facto
ilícito - o credor não atuou com a diligência devida, mas sim
culposamente, logo responsável pelos danos.

Importância de dificultar a execução

 Execução entre A e B, estas são sempre propostas contra alguém que em


princípio detém já algumas dificuldades económicas é isso que justifica a não
satisfação do crédito.
 Esta divída pode ser pequena, mas como é comum, B tem uma casa
hipotecada ao banco,
 Empréstimo bancário é pago, logo o crédio de A fica por pagar.
 A -> ação B;
 B não tem muitos bens, embora, tenha a casa;
 Logo penhora-se a casa do executado, de B, pode não haver outra solução.
 O que sucede quando a casa é penhorada? Regra 796º e o banco que não
quer perder a hipoteca sobre a casa vai reclamar o crédito - divida de 5.500
face a A e o banco reclama 550 mil € que é o montate que B está em dívida.
 Neste caso, o processo executivo em vez de ser processo de reclamação de
uma dívida, mas sim de constituição de uma divida
 Logo casa penhorada, vendida e pago primeiro paga-se ao banco e depois a
B.

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 Penhora da casa constitui uma divida que não existia .
 Logo na medida do possivel deve estabelecer-se regra atraves de penhora de
outros bens, pagar p.e no prazo de um ano o crédito de B sem penhorar a
casa.

Órgãos da execução

Reformas de 2003, 2008 e 2013

Agente de execução

 Na ação executiva é necessária a existência: tribunal e entidade que pratique


atos materiais de ingerência no património do devedor em nome do Estado.
 O poder de direção no processo é do agente de execução.
 No sistema clássico: execução corre por parte do juiz, tendo mudado em 2003
através de uma privatização.
 Solicitador de execução era o nome de 2003 agora designa-se de agente de
execução com inspiração francesa. Este é um auxiliar de justiça de natureza
privada e integra ordem dos solicitadores e agente de execução. Sendo este
fiscalizado por uma entidade administrativa: Comissão para o
Acompanhamento de Auxiliares de Justiça.
 Detém ius imperi do estado.
 Alemanha: funcionário judicial e na Suécia é um funcionário privado.
 Estatuto dos Agentes de Execução Lei n.º154/2015. (ver incompatibilidades e
impedimentos)
 A regra é a de que quando o CPC fale em agente de execução está a falar
desta entidade privada .
 Podem haver agentes de execução que sejam oficiais de justiça artigo.º722
Nº1? Sim.
o P.e uma dívida trabalhista até 30 mil € também poderá ser oficial de
justiça porque é mais económico.
 Incompatibilidade e impedimento: p.e participou na autenticação do título
executivo, não poderá ser o agente de execução - visa respeito pelo princípio
da imparcialidade.

 Deveres:
o Gerais: de qualquer associado da OSAE;

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o Especiais:
 Dever de legalidade e justiça;
 Dever de imparcialidade ou independência;
 Dever de diligência;
 Dever de informação;
 Dever de sigilo;
 Dever de organização.

 O agente de execução não é mandatário do exequente, é imparcial - é agente


de execução do exequente e do executado.

Quem paga ao agente de execução?

 Sem prejuízo de apoio judiciário a regra do artigo 721.º n.º1 e o pagamento e


reembolso de despesas são suportadas pelo exequente.
 Artigo 533º n.º2 c) - o reembolso integra as custas de parte que o exequente
tem direito a receber do executado.
 Como o executado não tem dinheiro para pagar, quando se fizer a penhora a
penhora vai abranger as custas do processo 735.º N.º3.
 Rui Pinto considera que o artigo 735.º n.º é de constitucionalidade duvidosa.
 721º Nº1: é possível haver ação à parte se a penhora não chegar.
 A primeira coisa que se retira do dinheiro da venda é logo para o agente de
execução 541.º: 728.º n.º1;
 Portaria 282/2013 - 50º e ss - estabelece os valores da remuneração - tabelas
anexas.
 Existe uma parte fixa na remuneração - sempre que se começar cada fase do
processo tem de se remunerar o agente de execução para pagar um conjunto
de atos sob pena de extinção do processo - atos processuais que a lei associa
a cada fase. Existe ainda uma parte variável, o agete de execução ganha uma
% do dinhero que recuperar e que for garantido.
 Necessário estar registada num sistema informatico - sisae.
 São ainda pagas despesas de deslocação.
 A ação executiva começa com o pagamento 724º Nº6 - documento
comprovativo de cobrança de dinheiro junto ao requerimento;

Quem designa o agente de execução?

 Designado\escolhido pelo exequente no requerimento de pedido, sob pena de


a secretaria o fazer aleatoriamente artigo 720.º n.º1 e n.º2.

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 Em 2003 o objetivo era o de que cada um tivesse o seu agente, não
confundido contudo com a figura do mandatário
 O agente de execução pode recusar Artigo 720º nº8 .
 O AE pode ser substituído quando há morte, incapacidade definitiva ou
cessação de funções
 Destituição:
o Motivos disciplinares por ser sancionada pela CAAJ.
o O juiz não pode destituir o agente de execução;
o O exequente pode por declaração unilateral destituir o agente de
execução 720.º n.º4 - deste modo fica dependente deste.
 RP: não é compatível com ideia de imparcialidade.

Competências

 Pré-executivas:
o A lei prevê fora do CPC: Procedimento extra-judicial pré-executivo - Lei
n.º 32/2014) - sistema em que o exequente quando tivesse titulo
executivo pudesse fazer requerimneto ao agente de execução
diretamente procurando bens e pagando logo sob pena de ir para ação
executiva, não indo deste modo para tribunal. É extra-judicial e é pré-
execução, pagando voluntariamente não há ação, não pagando - ação +
lista de devedores.
o Facilita a vida do exequente e dificulta o executado.
o Neste caso o agente de execução á sorteado.

 Executivas:
o Artigo 719.º n.º1
o Poder expansivo: penhora, venda, pagamentos (..) mesmo quando a lei
nada diga, se não for matéria jurisdicional e seja da competência da
secretaria ou do tribunal é do AE;
o Poder oficioso, dirige ele mesmo o processo - sendo o motor das
execuções.
o Enquanto o juiz de execução tem competências tipícas, a do AE é atípica
e inominada.

 Não executiva:
o Pontualmente.
o P.e o AE na forma sumária recebe o requerimento executivo artigo.º252º
ou 253º.
o Pode ainda proferir despachos e decisões; p.e despacho em que o AE
define a modalidade da venda.

Regime dos atos

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 Regras gerais que estão definidas, p.e prazos do agente de execução 270.º
n.º7;
 Sendo atos processuais, não havendo normas especiais, aplicam-se as regras
gerais p.e artigo 130.ºe ss.
 Quanto às decisões aplica-se as regras que existem para o juiz no que respeita
aos despachos judiciais, mantendo-se deste modo os deveres subjacentes
como o dever de fundamentação.

Como se impugna os atos do agente de execução?

 Em primeiro lugar, estão sujeitos às regras gerais das nulidades processuais p.e
falta de citação - nulidade artigo 195.º.
 Há atos do agente de execução que tem regimes próprios:
o Penhora: meios de oposição à penhora: 784.º; embargos de terceiro
342.º; oposição à penhora por requerimento 764.º;
 Sendo decisões pode aplicar-se o artigo 615.º:
 O que não estiver aqui abrangido e residualmente é que podemos dizer que
naquilo em que não se aplicar estes meios é que se pode recorrer: Reclamação
dos atos e decisões do agente de execução - esta é de última ratio 723º nº1 c).
o Fundamentos:
 Qualquer ilegalidade que não esteja abrangida pelos outros meios;
 Sempre que violada uma norma do estatuto do agente de
execução;
 Sempre que o AE proferir uma decisão com erro de direito ou de
facto, não existindo recurso porque não é uma decisão judicial;

 O agente de execução é entidade administrativa privada, não mandatário do


exequente.
 O AE é mandatário do estado - Rui Pinto sempre defendeu 162º OSAE;
 O estado responde civilmente pelo AE, o exequente só pode responder por
culpa in eligendo (escolheu alguém que já sabia que era incompetente);
 O processo nunca se considera deserto por culpa do agente de execução.
 Parado á mais de 6 meses por culpa do exequente - deserto.

 Os atos do agente de execução são atos administrativos.

II. TRAMITAÇÃO DO PROCESSO EXECUTIVO

§ 4.º Aspectos da tramitação

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§ 5.º Execução para pagamento
§ 6.º Outras formas de execução
§ 7.º Procedimento extrajudicial pré-executivo

Objeto mediato e imediato

 724º nº1 f) – objeto imediato – realização coativa da prestação que


significa:
o A realização de atos materiais de ingerência na esfera
patrimonial do devedor, destinado a produzir os mesmos
efeitos jurídicos e económicos que adviriam da realização
voluntária da prestação.
 Objeto mediato: será tendencialmente o objeto da prestação
devida, com a diferença de a mesma ser realizada coativamente.
 Logo há uma coincidência entre o objeto devido da prestação e o
objeto efetivo da execução.
 O direito apenas poderá ser exercido depois do vencimento 713º.
 Verificada impossibilidade legal ou prática de obtenção dos
mesmos efeitos que adviriam do cumprimento espontâneo, pode o
credor pretender um efeito jurídico sucedâneo.
 Nesse caso, o pedido de cumprimento específico da prestação dá
lugar a um pedido de cumprimento por equivalente.

Execução específica e execução não específica

 Quando existe uma coincidência entre o objeto devido da prestação e o objeto


efetivo da execução - estamos perante uma execução específica, quando não
exista trata-se de execução não especifica ou por equivalente, caso em que
dado o princípio da patrimonialidade da execução, o objeto será uma quantia
certa, substitutiva da prestação.

 Podem ser executadas especificamente as prestações cujo objeto é indiferente


ao incumprimento:

o A prestação de coisa certa;

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o A prestação de facto fungível por terceiro, ainda que mediata ou
indireta;

o A prestação de facto negativo, quando represtinável por via de


demolição ou outro ato de reposição do estado inicial.

 Diversamente as prestações cujo objeto não é indiferente ao incumprimento


apenas podem ser executadas não especificamente:

o A prestação de facto infungível, quando o devedor não realiza a


prestação em mora;

o A prestação de facto negativo não represtinável.

 E a execução de pagamento de quantia pecuniária?

o MTS: estamos perante uma execução não especifica porque esta


prestação pode ser cumprida com qualquer moeda com curso legal,
retirada do património do devedor ou obtida através da alienação
desse património ou de uma parcela dele.

o No mesmo sentido Remédio Marques.

o Lebre de Freitas: entende que se trata de uma forma de execução


especifica indireta porquanto antes do pagamento efetivo tem de
ocorrer uma apreensão e uma venda de bens.

o Rui Pinto: discorda porque:

 O caráter fungível das obrigações pecuniárias dos artigos 550º


e ss CC impede que sem mais se afirme um carater não
especifico da execução pois o exequente tem o direito ex vis
20º nº1 CRP a deduzir um pedido com essas qualidades
materiais: a entrega d quantia consubstancia um pagamento –
logo a satisfação do crédito.

 Esse pagamento tanto pode ser de entrega de dinheiro em


espécie consignação de rendimentos ou entrega do produto
para venda 795º nº1, 798º e 803º nº1.

 Portanto por regra na execução para pagamento de quantia


certa é especifica.

 Mas se a satisfação for feita por meio de adjudicações dos


bens penhoráveis, 795º nº1 e 799º.

 Somente nessa eventualidade a execução para pagamento de


quantia certa não é especifica, já que a extinção da obrigação
Pág. 17
decorre do cumprimento 762º e ss CC, mas de uma dação em
cumprimento ou pro solvendo , consoante as situações ,
próxima de prevista nos artigs 837º ess.

Causa de Pedir

 A causa de pedir é o facto jurídico concreto, simples ou complexo de que


decorre o efeito jurídico pretendido pelo autor – os factos jurídicos constitutivos
do efeito jurídico pretendido.

 O contrato, os pressupostos da responsabilidade civil, a usucapião, podem p.e


ser causa de pedi de pretensões, creditícias e reais.

 Uma vez que na execução o efeito jurídico pretendido junto do tribunal é a


realização coativa da prestação cabe perguntar de onde o autor deduz esse
efeito jurídico. O ponto não é pacifico.

 Alguns autores defendem que a causa do pedido executivo é o titulo jurídio


judicial ou extrajudicial que segundo o artigo 10 nº5 serve de fundamento à ação
cumprindo a função de titulo executivo. – alberto dos reis, lopes cardoso e
Anselmo castro e mais recentemente a jurisprudência.

 MTS por sua vex escreve que a causa de pedir da ação executiva é a a causa
debendi sendo esta o incumprimento.

o Este indica como causa de pedir na execução da prestação


correspondente à quantia mutuada não restituída – o próprio
fundamento deste dever de restituição isto é o incumprimento do
contrato de mútuo.

 Lebre de Freitas:

o A ação executiva pressupõe o incumprimento da obrigação.

 Rui Pinto:

o Discorda destas soluções: a causa de pedir da execução não é nem


titulo executivo nem o incumprimento.

o O titulo executivo é apenas um documento – forma legal ou


voluntária de um facto juriico.

o Esse facto jurídico é o facto de aquisição pelo exequente de um


direito a uma prestação.

Pág. 18
o E até pode suceder que o mesmo facto de aquisição esteja já titulado
de modo múltiplo – p.e 458º nº1 CC, 703º n1 b) e em sentença
condenatória 10 nº3 b) e 703º nº1 a).

o Neste sentido, a jurisprudência como a do STJ 18-1-2000/99 A1037


Lopes pinto - enuncia que na execução a causa de pedir não se
confunde com o titulo – é a obrigação exequenda; o titulo não só a
incorpora como a demonstra mas não é a obrigação exequenda.

o Mas a causa de pedir não é a obrigação em si mesma, mas o


correlativo facto aquisitivo do direito ou poder à prestação seja ele
um direito de crédito, um direito real ou um direito pessoal – o
contrato, os pressupostos da responsabilidade civil, a ingerência no
exercício de direito de propriedade.

o A exigência desse facto aquisitivo concreto decorre anto das regras


gerais do artigo 581º nº4 como do artigo 817 apenas pode executar
aquele que for credor de obrigação.

o É esse o facto jurídico que deve decorrer do titulo executivo.

 Mas, a causa de pedir não integra apenas a constituição do direito ou poder na


esfera do credor.

 Esse é o facto principal mas devem ser associados factos complementares de


exigibilidade da obrigação, exigida pelo 713º entre outros e subentendida no 817
CC ou seja a obrigação não ser voluntariamente cumprida.

 O titulo executivo não tem por objeto o incumprimento do direito á prestação


mas sim a aquisição do direito á prestação.

 713º requer que a obrigação haja sido incumprida.

 O incumprimento não tem pois, expressão direta na causa de pedir.

 Na verdade caberá ao executado invocar o facto oposto do incumprimento


como facto extintivo da obrigação do exequente 729º g) e 713º.

 Por conseguinte o artigo 817º CC estabelece que a obrigação seja materialmente


exigível – estando o incumprimento implícito demonstrada a exigibilidade.

 À execução basta a demonstração do vencimento da obrigação e não o


incumprimento.

 Em suma:

o A lei exige que o credor demonstre por meio do titulo a existência da


obrigação – reconhecida ou constituída pelo titulo 703º
Pág. 19
o E que a obrigação é exigível 713º

o Mesmo que não seja em face do titulo.

 Logo a causa de pedir comporta:

o Factos principais – aquisição do direito;

o Factos complementares: exigibilidade;

o Podendo ser definida como os factos de aquisição de um direito ou


poder a uma prestação exigível.

Tramitação da Ação Executiva

1. Fase introdutória:
a. em que há o requerimento executivo, citação, possibilidade de defesa;
oposição à ação -decorre paralelamente;
2. Penhora:
a. apreensão do património. Qualquer oposição à penhora decorre à
parte. Os embargos de terceiro decorrem à parte.
i. Posteriormente, pode ser necessário citar terceiros (cônjuge -
artigo 786º)
ii. a. Ainda, outros credores (aqueles que tenham uma garantia
real -artigo 786.º) -fase que decorre paralelamente e que é
designada de fase de concurso de credores ou de reclamação
de créditos.O juiz proferirá uma decisão acerca da graduação
de créditos.
iii. Venda
iv. Pagamento

 O incidentes, por defeito, não suspendem a marcha da ação executivo. Esta


apenas se suspensa através da prestação de caução.
 A ação executiva inicia-se com o requerimento executivo -a forma como este
deve ser enviado (artigo 144.º) o requerimento, depende da constituição de
mandatário judicial ser obrigatória ou não.
 A data relevante(artigo 721.º/2 e 724.º/6 + Portaria 282/2013) é a data do
pagamento dos honorários especiais do agente de execução (sendo, por
isso, necessário anexar o comprovativo de pagamento).
 A ação executiva tem de ter um pedido e a uma causa de pedir.

Pág. 20
 Nesta, o autor tem um comprovativo em como o direito existe, o título
executivo -traduz a seguinte afirmação "sou titular do direito".
o Rui Pinto designa este como condição formal de execução. Para
o MTS, designa-se exequibilidade extrínseca
 Para além disto, é necessário que a obrigação seja exigível e determinada
(condição material)
o MTS entende que não há interesse processual;
o já Rui Pinto entende que não há causa de pedir.
 Assim, considera que a causa de pedir é a existência de título
executivo e a circunstância de o direito à prestação ser um
direito atual.

 O processo ordinário de execução para pagamento de quantia certa vem


regulado nos arts. 724.º a 854.º e o processo sumário nos arts. 855.º a 858.º.

 O processo comum para a entrega de coisa certa é regulado nos arts. 859.º a
867.º.

 O processo comum que visa a prestação de facto está previsto nos arts. 868.º a
877.º.

 Supletivamente, aplicam-se:

o Ao processo de execução é aplicável subsidiariamente as disposições


reguladoras do processo de declaração (art. 551.º, n.º 1);

o Ao processo sumário de execução para pagamento de quantia certa,


as disposições do processo ordinário (art. 551.º, n.º 3);

o À execução para a entrega de coisa certa e para prestação de facto,


as disposições aplicáveis da execução para pagamento de quantia
certa (art. 551.º, n.º 2);

o Aos processos especiais, as disposições reguladores do processo


comum ordinário (art. 551.º, n.º 4).

 Início: art. 259.º, n.º 1.

o De modo a assegurar os honorários do agente de execução, a


instância só se inicia no momento do pagamento da quantia devida
ao mesmo (art. 724.º, n.º 6).

 Suspensão da instância: art. 269.º.

o Execução provisória: existe uma decisão não definitiva da Relação


contrária à decisão da 1ª Instância. Ainda falta o recurso para o
Supremo, pelo que a execução fica suspensa até à decisão final;
Pág. 21
o Dedução de embargos de executado: art. 733.º, n.º 1;

 Extinção: art. 849.º.

o Não pagamento das quantias devidas ao agente de execução (n.º 3);

o Revogação da decisão que serviu de título executivo;

o Acordo quanto ao pagamento em prestações.

 Renovação da execução: art. 850.º.

o Título executivo com trato sucessivo: respeitante a prestações


vencidas e vincendas;

o Quando for penhorado um bem sobre o qual um credor tem garantia


real, esse credor pode reclamar o seu crédito na execução. Pode
suceder que esse bem não venha a ser vendido porque o exequente
obteve a satisfação do seu crédito por outra via (n.º 2);

o Se se vierem a encontrar bens penhoráveis depois da extinção da


execução (n.º 5).

 À exceção da execução específica de uma coisa, haverá necessariamente que


liquidar uma certa quantia.

 Tramitação eletrónica: art. 712.º, n.º 1 e Portaria 282/2013, de 29 de Agosto.

Execução para pagamento

 Existem duas formas de processo comum de execução para pagamento: a


ordinária e a sumária (art. 550.º). São determinadas em função da espécie de
título executivo, conjugada, em certos casos, com o valor da ação, o objeto da
penhora e a necessidade de liquidar a obrigação exequenda e de discutir o
fundo da causa.

 A forma sumária caracteriza-se por:

o Dispensa de despacho liminar;

o Efetivação do penhor antes da citação do executado.

 Emprega-se, em regra, nas execuções baseadas em:

Pág. 22
o Decisão arbitral ou judicial, esta nos casos em que não deva ser
executada nos autos do processo declarativo;

o Requerimento de injunção ao qual tenha sido aposta a fórmula


executória;

o Título extrajudicial de obrigação pecuniária vencida, garantida por


hipoteca ou penhor;

o Título extrajudicial de obrigação pecuniária vencida, cujo valor não


exceda o dobro da alçada do tribunal de 1.ª instância.

 Existem dúvidas de constitucionalidade sobre a aplicação da forma sumária a


certos casos. Idem quanto à injunção: problemas nas notificações e no facto de
que a notificação não vem acompanhada de documentos, pelo que nem parece
um documento do tribunal.

 A forma ordinária emprega-se em todos os outros casos e ainda quando, apesar


de se verificar uma das situações que normalmente dão lugar ao processo
sumário, ocorra alguma das exceções seguintes:

o A obrigação não é certa e a determinação da prestação não cabe ao


credor;

o Há que fazer prova complementar do título executivo;

o A obrigação carece de ser liquidada na execução e a liquidação não


depende de simples cálculo aritmético;

o O exequente alega no requerimento executivo a comunicabilidade da


dívida constante do título, diverso da sentença, que apenas obrigue
um dos cônjuges;

o A execução é movida apenas contra devedor subsidiário que não haja


renunciado ao benefício da excussão prévia.

 São as situações em que ainda existe algo a discutir sobre a questão de fundo.

 O processo ordinário de execução para pagamento de quantia certa vem


regulado nos arts. 724.º a 854.º e o processo sumário nos arts. 855.º a 858.º.

 Fases da execução para pagamento de quantia certa:

o Entrega do requerimento;

o Fase da penhora;

o Venda judicial;

Pág. 23
o Pagamento.

Tramitação da execução para pagamento de quantia certa

Tramitação da execução para pagamento de quantia certa (forma ordinária)

 Entrega na secretaria do requerimento executivo:

o Formulário eletrónico;

o Elementos essenciais: art. 724.º, n.º 1. Atenção ao n.º 4;

o Data da entrada: n.º 6 do art. 724.º. MTS: era preferível estabelecer


que a execução se encontrava pendente desde a entrega do

requerimento executivo na secretaria;

o Causas de recusa pela secretaria: art. 725.º;

o Reclamação da recusa: art. 725.º, n.º 2;

o Tem de estar acompanhada pelo título executivo (art. 724.º, n.º 5);

 Submissão ao juiz para despacho liminar (art. 726.º, n.º 1):

o Despacho de indeferimento: art. 726.º, n.º 2;

o Despacho de indeferimento parcial: art. 726.º, n.º 3;

o Despacho de remessa para tribunal competente: art. 104.º e 105.º;

o Despacho de aperfeiçoamento: art. 726.º, n.º 4;

o Despacho de citação do executado: art. 726.º, n.º 6;

Pág. 24
o Exceção 1: a citação do exequente pode dar-se anteriormente, no
momento preliminar da ação executiva, pois pode suceder que seja
necessário tornar a obrigação do exequente exigível e líquida;

o Exceção 2: mesmo no processo ordinário, é possível que o exequente


peça a dispensa da citação prévia do executado: art. 727.º. Em
princípio, a prescrição interrompe-se com a citação (art. 322.º, n.º 2,
CC).

 Problema:

 neste caso, o executado tem de escolher entre o risco


da prescrição (se entretanto antes da citação do
executado o crédito exequendo prescrever)

o ou salvaguardar a sua posição através de uma


execução surpresa.

 MTS defende que o art. 723.º, n.º 1, CC deve ser


interpretado no sentido que basta um ato que exprime
a intenção de exercer o direito de crédito para
interromper a prestação.

 Citação (art. 726.º):

o Compete ao agente de execução;

 Possibilidade de oposição à execução (embargos de executado - art. 728.º, n.º


1):

o Mesmo que não tenha havido embargo de executado, o juiz pode


conhecer questões de conhecimento oficioso até à transmissão do
bem vendido (art. 734.º);

o Fundamentos quando o título é sentença: art. 729.º;

o Outros títulos: art. 731.º - princípio da tutela jurisdicional efetiva;

o A oposição à execução não tem efeito suspensivo. As diligências de


penhora vão continuar;

 Penhora (art. 735.º, n.º 1):

o Definição: ato judicial de apreensão de bens;

Pág. 25
o Podem penhorar-se quaisquer bens do executado que possam
responder pela dívida (art. 601.º ?);

o Início: art. 748.º, n.º 1;

 O próprio exequente indica bens suscetíveis de serem


penhorados: art. 724.º, n.º 1, al. i). Exceção: são indicados bens
impenhoráveis ou se excede manifestamente aquilo que é
necessário para pagar ao exequente, ou for de difícil penhora
face a outros bens;

o O agente de execução deve consultar o Registo Informático de


Execuções: art. 748.º e art. 717.ª;

 Se não houver outras execuções pendentes ou passadas: o


agente de execução deve inscrever a execução no RIE e
procura encontrar bens penhoráveis do executado (art. 749.º):

 Consulta direta: bases de dados;

 Consulta indireta: p.e., consulta bancária junto ao Banco de


Portugal;

 Se não encontrar nenhuns bens penhoráveis: o exequente


deve ser notificado para indicar bens que podem ser
penhorados (art. 750.º, n.º 1). Se esses bens não forem
indicados, a execução extingue-se;

 Se existirem outras execuções pendentes: art. 749.º;

 Se se descobrir que se extinguiu sem integral pagamento outra


execução: o exequente é notificado dessa situação; procuram-
se bens para penhorar (art. 744.º) e se não forem encontrados,
a execução extingue-se (art. 748.º, n.º 3).

o Citações que podem existir:

 Penhora de bem comum do cônjuge do executado - citação


do cônjuge;

 Penhora de bens sobre os quais recai uma garantia - citação


do credor garantido.;

o Basta ler arts. 748.º e ss.;

 Venda judicial (art. 812.º, n.º 1):

Pág. 26
o Dá-se por meio de leilão eletrónico.
 Pagamento ao exequente e aos credores reclamantes (art. 796.º, n.º 2):

o Se houver um credor reclamante que tem prioridade, em teoria, o


exequente pode acabar por não ver ressarcido o seu crédito. Não se
distribui o dinheiro em proporção dos créditos, como na insolvência.

 Recursos de apelação e revista.

Tramitação da execução para pagamento de quantia certa (forma sumária)

 Entrada do requerimento executivo (art. 855.º, n.º 1);

 Envio do requerimento executivo para o agente de execução (art. 855.º, n.º 2):

o Não há lugar a despacho de citação judicial antes da penhora;

o O agente de execução pode recusar por motivos formais ou, se não


se encontra conforme, suscitar a intervenção do juiz;

 Fase da penhora (art. 855.º, n.º 3):

o Fazem-se as consultas;

 Citação do executado: art. 856.º, n.º 1;

 Oposição à penhora:

o Prazo de 20 dias.

 A execução é baseada em sentença (art. 626.º) e dá-se nos próprios autos. O


executado será apenas notificado.

 No art. 855.º, n.º 5, estabelece-se que se o título executivo for extrajudicial (art.
850.º, nº 2, al. d)), nessa situação, há determinados bens que só podem ser
penhorados depois da citação do executado.

Pág. 27
Execução para entrega de coisa certa

 Consta do art. 861.º e ss (?).

 O art. 862.º refere-se ao despejo. Contudo, de momento, existe um processo especial


no Novo Regime do Arrendamento Urbano que limita muito o âmbito do CPC.

 Subsidiariamente, aplica-se a execução para pagamento de quantia certa.

 Este tipo de execução é uma execução específica: o credor obtém na execução


exatamente aquilo que obteria se tivesse havido um cumprimento voluntário pelo
devedor.

 Entrega do requerimento executivo (art. 859.º e 860.º, n.º 1):

 Oposição por benfeitorias: art. 860.º. Se não forem pedidas no processo declarativo,
não podem constituir fundamento de oposição à execução;

 Não havendo a entrega voluntária, dá-se a citação do executado.

 Diligências preliminares (art. 861.º, n.º 1):

 São levadas a cabo pelo agente de execução;

 Se a coisa não pode ser alienada sem o consentimento do cônjuge, isso implica que na
ação executiva, temos que aplicar por analogia o disposto no art. 786.º, n.º 1, al. a), que
dita a citação do cônjuge;

Pág. 28
 Se o bem está na posse de um terceiro, a entrega do bem ao exequente pode ficar
dependente da comparação entre o direito do exequente e o direito do terceiro. Os
direitos reais prevalecem sobre os direitos obrigacionais, pelo que, em princípio, um
direito real do exequente prevalecerá sobre um direito obrigacional do terceiro;

 Às coisas móveis aplica-se o regime do art. 861.º, que remete para o art. 755.º.

 Suspensão da entrega da coisa:

 Se a coisa a executar estiver a ser arrendada pelo executado - proteção do arrendatário


(art. 863.º, n.º 1 e 864.º, n.º 2);

 O imóvel constitui a habitação principal do executado - proteção do proprietário;

 Se o imóvel pertencer ao executado mas estiver arrendado a um terceiro - proteção do


arrendatário (863.º, n.º 2).

 Se for impossível localizar a coisa certa, dá-se a conversão da execução (art. 867.º);

 Há uma fase de liquidação do valor da coisa e do prejuízo causado;

 Ainda que o exequente já saiba que a coisa não existe, tem que assumir a forma de
execução para entrega de coisa certa;

 Segue-se a penhora, nos termos da execução ordinária para pagamento de quantia


certa.

Execução para prestação de facto

 Esta execução tem a particularidade de que ninguém pode ser obrigado a realizar uma
prestação que não quer realizar.

 O facto pode ser um facto positivo (obrigação de facere) ou um facto negativo


(obrigação de non facere). Pode, ainda, ser uma prestação fungível ou infungível. As
prestações negativas são necessariamente infungíveis. Na hipótese da prestação ser
infungível, admite-se a condenação no pagamento de sanção pecuniária compulsória
(art. 829.º).

 Segue sempre uma forma única, aplicando-se subsidiariamente a execução para a


entrega de quantia certa (?).

 O art. 628.º refere-se à execução baseada em sentença. No art. 626.º, n.º ?, é dito que o
executado é citado para a execução para prestação de facto já depois da penhora dos
bens que foram simultaneamente penhorados.

 Na prestação de facto fungível, é possível pedir que o facto seja praticado por outrem à
custa do devedor. Há duas situações a considerar, constantes do art. 868.º, n.º 1.

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 Na hipótese em que não foi constituído prazo para a execução da prestação, aplica-se
o regime do art. 874.º. O executado será citado para se pronunciar sobre isso. O n.º 2
do art. 875.º também é relevante quanto a este aspeto: estabelece que o executado só
pode deduzir oposição à execução com fundamento na ilegalidade (...), mas este "só"
deve ser visto em conjunto com o art. 874.º, n.º 2. Ele teve, num primeiro momento,
possibilidade para se opor por quaisquer motivos. Assim, além das situações previstas
no art. 874.º, n.º 2, ainda pode opor-se com base nos fundamentos do art. 875.º, n.º 2.

Prestação de facto fungível - Tramitação

 Entrega do requerimento do exequente (art. 868.º, n.º 1).

 Citação do executado

 Oposição

 Avaliação do custo da realização de facto por um perito (art. 869.º, 867.º, n.º 1, 870.º);

 Penhora (art. 870.º., n.º 2).

 Aplicação do regime da execução para pagamento de quantia certa.

 Segundo o art. 871.º, o próprio exequente pode sempre oferecer-se para realizar o
facto, às custas do executado.

Prestação de facto infungível - Tramitação

 Não é possível pedir a realização da prestação por outrem. Só é possível pedir a


indemnização pelo dano do não cumprimento da obrigação e, eventualmente, a
condenação do executado numa sanção pecuniária compulsória.

 Se for necessário fixar o prazo: 874.º.

 Se não for necessário: art. 868.º, n.ºs 1 e 2.

 Esta execução será convertida em execução para pagamento de quantia certa.

Prestação de facto negativo - Tramitação

 Visa remover aquilo que tiver sido realizado indevidamente (p.e., demolição de uma
obra).

 Se ainda for possível a reconstituição natural, a condenação corresponderá à mesma


(art. 876.º, al. a), b) e c)).

 Se já não for possível, visa-se a indemnização (art. 876.º, als. b) e c)).

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 Do artigo 876.º também resulta que compete ao exequente provar o facto realizado em
dever de omissão que incumbia ao devedor.

Procedimento extrajudicial pré-executivo

 Este procedimento é regulado pela Lei 32/2014, de 30 de maio. Também é designado


como PEPEX.

 MTS considera que é um regime excessivamente complexo, mas visa uma finalidade
relevante: através de custos reduzidos, permitir que o agente de execução apure se o
devedor tem meios suscetíveis de serem penhorados numa possível execução.

 Só deveria ser possível iniciar o processo executivo se a conclusão é que há bens


penhoráveis. Mas há um artigo que deixa dúvidas de interpretação: há um formulário
que admite que em quaisquer dos casos se passe para a fase do processo executivo.

III. CONDIÇÕES DA EXECUÇÃO

§ 8.º Exequibilidade intrínseca

§ 9.º Exequibilidade extrínseca

§ 10.º Reg. 805/2004 [omissis]

§ 11.º Pressupostos processuais

O que titulo executivo?

 Encontra-se mencionado no artigo 10º nº4;


 Segundo o artigo 10º nº5 é a base de uma ação executiva.
 Este determina os fins e os limites da ação executiva.
 Determina os fins porque determina qual é a espécie de ação;
 O título executivo, assim:
o é o documento pelo qual o requerente da realização coativa da
prestação demonstra a aquisição de um direito a uma prestação.
o O título integra e revela a obrigação exequenda.
o Para sabermos se existe título executivo partimos do artigo 10.º CPC
para o artigo 703.º CPC.
o Existe título executivo sempre que ele se encontrar no artigo 703.º
CPC, porque, entre nós, vigora o princípio da tipicidade dos títulos
executivos.
o Por outro lado, no sentido inverso, ainda que as partes queiram retirar
a exequibilidade a um documento não o podem fazer, é nula
Pág. 31
qualquer convenção nos termos da qual se diga que um documento
não constitui título executivo.
o O título é, assim, condição necessária da Ação Executiva porque não
há execução sem ele, o qual tem obrigatoriamente de acompanhar o
requerimento inicial.
o Funções do título:
 i. Certificação:
 certifica a aquisição do direito à prestação pelo
exequente.
 Contudo, não tem uma função probatória em sentido
próprio pois na Ação Executiva nada há a apreciar no
plano dos factos por parte do tribunal ou do agente de
execução.
o 1. Miguel Teixeira de Sousa:
 com a apresentação do documento que
consubstancia o título executivo, a
obrigação exequenda considera-se
provada.
 O valor do título enquanto meio de
prova determina que seja o executado a
ter de provar a falsidade ou a veracidade
da respetiva letra ou assinatura.
 O título demonstra a causa de pedir pois
uma vez demonstrada pode ser
deduzido o pedido de realização coativa
da prestação autorizado pelo artigo 817.º
CC.
 Delimitação:
 dada a instrumentalidade da execução perante o
direito subjetivo, a execução fica determinada tanto na
sua causa de pedir como no seu pedido pelo conteúdo
do título.
 Determina no plano objetivo o objeto da prestação e
determina o quantum da mesma e a medida da
penhora ou da apreensão.
 No plano subjetivo determina a legitimidade, dizendo
quem pode ou não ser parte na execução e quem são
os terceiros (artigo 53.º e 54.º, n.º1 CPC)

 Constituição: (Miguel Teixeira de Sousa)

Pág. 32
 o título cumpre uma função constitutiva pois atribui a
exequibilidade a uma pretensão, possibilitando que a
correspondente prestação seja realizada através de
medidas coativas impostas ao executado pelo tribunal.
 Ao demonstrar a aquisição de um direito a uma
prestação constitui o direito à execução.

 Assim, no artigo 703.º, n.º1, alíneas b), c) e d) CPC estão documentos escritos,
pelo que são um objeto representativo duma declaração e, como tal,
constitui meio de prova legal plena nos termos dos artigos 362.º, 371.º, n.º1 e
376.º, n.º2 CC, não obstante não suscitarem problemas probatórios.
 Os títulos extrajudiciais são documentos que constituem prova legal para fins
executivos, e a declaração nele representada tem por objeto o fato
constitutivo do direito de crédito.
 não há propriamente ação judicial destinada á apreensão de um bem
quantia.

IV. OPOSIÇÃO À EXECUÇÃO

§ 12.º Enquadramento e fundamentos § 13.º Dedução e efeitos

V. CONSTITUIÇÃO DA GARANTIA PATRIMONIAL

§ 14.º Penhora de bens e direitos § 15.º Funções da penhora § 16.º Limites da


penhora § 17.º Constituição da penhora § 18.º Reg. 655/2014 [omissis]

VI. IMPUGNAÇÃO DA PENHORA

§ 19.º Violação de limites objectivos § 20.º Violação de limites subjectivos

VII. EXECUÇÃO DA GARANTIA PATRIMONIAL

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§ 21.º Participação de interessados § 22.º Satisfação dos créditos § 23.º Regime da
venda e adjudicação § 24.º Extinção dos créditos e da execução

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