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CENTRO UNIVESITÁRIO SALESIANO DE SÃO PAULO

UNISAL – CAMPUS SÃO JOAQUIM

Mario Silva Diniz

LUGAR DO CRIME

Lorena

2018
LUGAR DO CRIME

Mario Silva Diniz

Resumo

O Código Penal Brasileiro, em seu art. 6º, adota a teoria mista ou da ubiquidade quanto
ao lugar do crime: “art. 6º Considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu a ação
ou omissão, no todo ou em parte, bem como onde se produziu ou deveria produzir-se o
resultado.’’ (BRASIL. Decreto-Lei nº 2.848, de 07 de dezembro de 1940.)

De acordo com um questionário, pode-se aferir que a maioria das pessoas que o
responderam concordam com a adoção desta teoria para a redação do art. 6º.

Palavras-chave: Lugar do crime. Teorias da atividade, do resultado e mista ou da


ubiquidade. Doutrinadores.

Introdução

O tema foi escolhido devido a afinidade pessoal com o Direito Penal, bem como
sua importância por determinar onde certo ato pode ser considerado típico e punido.

No cenário atual, após o evento da globalização, inúmeros crimes acontecem em um lugar


e seu resultado é em outro ou mesmo acontecem em mais de um local, os denominados
crimes plurilocais, que necessitam estarem especificados em leis para serem punidos de
forma justa.

1. Estudo histórico

O Código Penal atual traz o lugar do crime no art. 6º, que foi introduzido pelo art. 4º –
“Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de convenções, tratados e regras de direito
internacional, ao crime cometido, no todo ou em parte, no território nacional, ou que
nele, embora parcialmente, produziu ou devia produzir seu resultado.’’ (BRASIL.
Decreto-Lei nº 2.848, de 07 de dezembro de 1940.) – do Decreto-lei nº 2.848, de 7 de
dezembro de 1940 e sua redação foi dada pelo art. 6º da Lei nº 7.209, de 11 de julho de
1984.
Até então, nos códigos penais anteriores não havia redação que legislasse sobre o lugar
do crime, que tarda a ter legislação que o definisse, sendo o Código Penal de 1940
inovador ao trazer o tema em sua redação no art. 4º. Principalmente, por conta da
globalização é indispensável para o Direito Penal e para o Direito Processual Penal nos
dias atuais, bem como a solução de problemas de Direito Penal Internacional.

Apesar da redação divergente entre o art. 4º do Decreto-lei nº 2.842/40 e o art. 6º da Lei


7.209/84, quanto ao lugar do crime, os artigos utilizam a mesma teoria, a mista ou da
ubiquidade.

Há três principais teorias a respeito do lugar do crime: a da atividade: o lugar do crime


seria o da ação ou omissão; a do resultado: o lugar do crime seria aquele em que ocorrer
o resultado; a mista ou da ubiquidade: que adota ambas as posições anteriores,
considerando lugar do crime tanto o local da conduta quanto o local em que se produz o
resultado.

2. Estudo comparativo

De um ponto de vista geral, há conceitos clássicos, no Direito, como a soberania, o


Estado, o princípio da territorialidade, que necessitam ser flexibilizados para continuar
amparando o exercício da jurisdição, nos tempos atuais, independente da nacionalidade
dos envolvidos e do lugar do crime.

O presente trabalho comparará o tema lugar do crime entre os doutrinadores Damásio de


Jesus, Fernando Capez e Rogério Greco.

2.1.Damásio de Jesus

De acordo com Damásio de Jesus, a determinação do lugar em que o crime se considera


praticado é de suma importância quanto à competência penal internacional. Quando os
lugares diferentes estão no mesmo país, a questão sobre a competência é solucionada pelo
art. 70 do CPP:

CPP - Decreto Lei nº 3.689 de 03 de Outubro de 1941


Art. 70. A competência será, de regra, determinada pelo lugar
em que se consumar a infração, ou, no caso de tentativa, pelo
lugar em que for praticado o último ato de execução.
§ 1º Se, iniciada a execução no território nacional, a infração se
consumar fora dele, a competência será determinada pelo lugar
em que tiver sido praticado, no Brasil, o último ato de execução.
§ 2º Quando o último ato de execução for praticado fora do
território nacional, será competente o juiz do lugar em que o
crime, embora parcialmente, tenha produzido ou devia produzir
seu resultado.
§ 3º Quando incerto o limite territorial entre duas ou mais
jurisdições, ou quando incerta a jurisdição por ter sido a infração
consumada ou tentada nas divisas de duas ou mais jurisdições, a
competência firmar-se-á pela prevenção. (BRASIL. Decreto-lei
nº 3.869, de 03 de outubro de 1941.)

Porém, quando a questão é em termos internacionais, a solução torna-se mais difícil, por
nem sempre as legislações penais internas de cada país coincidam a respeito do tema.
Vejamos o seguinte exemplo: “Na fronteira Brasil-Bolívia um cidadão brasileiro, que se
encontra em território nacional, atira em outro, em solo boliviano, vindo este a falecer;’’
(JESUS, Damásio de. 1998, p. 168).
Para a solução do problema citado no exemplo têm sido utilizadas três teorias principais:
teoria da atividade, teoria do resultado e teoria da ubiquidade.
De acordo com a teoria da atividade ou da ação, é considerado lugar do crime aquele em
que o agente desenvolveu a atividade criminosa e ou, onde praticou os atos executórios.
Assim, se a vítima é ferida num determinado país e vem a morrer em outro, aquele é o
competente para conhecer o fato.
Segundo a teoria do resultado, também conhecida por teoria do efeito ou do evento, locus
delicti (lugar do crime) é o lugar da produção do resultado. No exemplo citado,
competente para conhecer o homicídio seria o país em que se produziu o resultado morte,
qual seja, a Bolívia.

Já a teoria da ubiquidade ou mista, lugar do crime é aquele em que se realizou qualquer


dos momentos do iter, seja da prática dos atos executórios, seja da consumação. No
exemplo, competentes seriam os dois países. É a teoria dominante da doutrina e das
legislações penais. O nosso Código adotou a teoria da ubiquidade, como se nota no art.
6.º: “Considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu a ação ou omissão, no todo
ou em parte, bem como onde se produziu ou devia produzir-se o resultado’’ (BRASIL.
Decreto-Lei nº 2.848, de 07 de dezembro de 1940.)

Assim, quando o crime tem início em território estrangeiro e se consuma no Brasil, é


considerado praticado no Brasil. Desse modo, aplica-se a lei penal brasileira ao fato de
alguém, em território boliviano, atirar na vítima que se encontra em nosso território, vindo
esta a falecer. Do mesmo modo, tem eficácia a lei penal nacional quando os atos
executórios do crime são praticados em nosso território e o resultado se produz em
território estrangeiro.

De acordo com o doutrinador:

Basta que uma porção da conduta criminosa tenha ocorrido em


nosso território para ser aplicada nossa lei. Daí as palavras de
grande significação técnica de Nélson Hungria, com que expunha
um critério de solução da questão: imprescindível é que o crime
haja tocado o território nacional. (JESUS, Damásio de. 1998, p.
169)

O art. 6º CP também tem previsto em sua redação o caso de tentativa, na qual a figura
típica não é somente o lugar em que o agente desenvolveu os atos executórios, mas
também onde deveria produzir-se o resultado.

2.2. Fernando Capez

De acordo com Fernando Capez, após ter sido definido qual o território em que pode ser
aplicada a lei penal brasileira, deve-se investigar quando nele se deve considerar que foi
cometido o fato típico.

Em conformidade com a teoria adotada pelo Código Penal, ou seja, a mista ou da


ubiquidade, Capez explica e exemplifica os diferentes casos possíveis:

2.2.1. Nos crimes a distância, por exemplo, no caso de um crime ser cometido em
território nacional e este ter seu resultado produzido em local que não é considerado
território nacional brasileiro para fins penais:

[...] aplica-se a teoria da ubiquidade, prevista no art. 6º do Código


Penal, isto é, o foro competente será tanto o do lugar da ação ou
omissão quanto o do local em que se produziu ou deveria
produzir-se o resultado. Assim, o foro competente será o do lugar
em que foi praticado o último ato de execução no Brasil (CPP,
art. 70, § 1º) ou o local brasileiro onde se produziu o resultado.
Exemplo: de São Paulo, o agente envia uma carta com Antrax
para a vítima em Washington. O foro competente será tanto o de
São Paulo quanto o da capital norte-americana. Observe-se que a
expressão “deveria produzir-se o resultado” refere-se às
hipóteses de tentativa. Aplica-se a lei brasileira ao crime tentado
cuja conduta tenha sido praticada fora dos limites territoriais (ou
do território por extensão), desde que o impedimento da
consumação se tenha dado no País. Não importa tão só a intenção
do agente em consumar o delito em território nacional. Assim,
não haverá interesse do Estado em punir o agente se a interrupção
da execução e a antecipação involuntária da consumação tenham
ocorrido fora do Brasil, ainda que o agente tivesse a intenção de
obter o resultado em território nacional, porque, segundo Costa e
Silva, onde “nenhuma fase do delito — a atividade ou o resultado
(lesão ou simples periclitação) — se verifica, não tem o Estado
interesse de punir. Nada importa a intenção do agente. Ele por si
só não viola nem põe em perigo a ordem jurídica do Estado”

O art. 6º omitiu a possibilidade da ocorrência parcial do resultado


em território nacional, porque o dispositivo legal faz referência
tão somente à “parte” da ação ou omissão, mas não à “parte” do
resultado. Não obstante isso, pode-se entender que a ocorrência
de parte do resultado também é considerada resultado, devendo
ser aplicada a lei brasileira no caso de resultado parcial no Brasil

Resultado, para fins de aplicação da lei penal brasileira, é aquilo


que forma a figura delitiva e que lhe é elemento constitutivo, não
se incluindo, portanto, nesse conceito os efeitos secundários do
crime que se produzam em território nacional. O único efeito do
delito que importa é o resultado típico, como, por exemplo, a
morte no delito de homicídio. Desse modo, não se aplica a regra
da territorialidade se a conduta e o resultado ocorreram no
exterior, porém os efeitos secundários do crime sucederam no
Brasil. Exemplo: os efeitos patrimoniais que surgem no Brasil
em decorrência da morte do sujeito, vítima de um homicídio
praticado na Argentina.

Aplicação da teoria da ubiquidade nas várias hipóteses:

Nos crimes conexos: não se aplica a teoria da ubiquidade,


devendo cada crime ser julgado pelo país onde foi cometido, uma
vez que não constituem propriamente uma unidade jurídica.
Exemplo: furto cometido na Argentina e receptação praticada no
Brasil. Aqui somente será julgada a
receptação. No crime complexo: tomado o
delito como um todo, aplica-se a regra do art. 6º, sem cindir-se a
figura típica, mesmo que o resultado juridicamente relevante se
verifique aliunde e o delito-meio no território
nacional. Na
coautoria, participação ou ajuste: o crime dá-se tanto no lugar
da instigação ou auxílio como no do resultado. No delito
permanente e no crime continuado: nas ações consideradas
juridicamente como unidade, o crime tem-se por praticado no
lugar em que se verifica um dos elementos do fato
unitário. Nos delitos habituais: o locus delicti é o de
qualquer dos fatos (singulares, análogos ou repetidos) que
pertencem à figura delitiva, pois o “tipo” serve de elo entre os
diversos atos. (CAPEZ, Fernando. 2011, p. 123, 124)

2.2.2 No caso dos crimes plurilocais, por exemplo, no caso de a conduta e o


resultado serem no território nacional, mas em locais diversos:

[...] aplica-se a teoria do resultado, prevista no art. 70 do Código


de Processo Penal: a competência será determinada pelo lugar em
que se consumar a infração ou, no caso de tentativa, pelo local
em que for praticado o último ato de execução. Exemplo: vítima
é ludibriada, mediante emprego de ardil, em Descalvado e, após
ter sido induzida em erro, acaba por entregar o dinheiro ao
golpista, na cidade vizinha de São Carlos. Esta última será
competente para julgar o estelionato, pois nela é que se produziu
o resultado ´´vantagem ilícita``, com o qual se operou a
consumação. Na hipótese dos crimes dolosos contra a vida, deve-
se entender que o juízo competente será o do local da ação e não
o do resultado, tendo em vista a conveniência na instrução dos
fatos. Tomando-se como exemplo uma briga de bar em Jundiaí,
durante a qual são desferidos golpes de faca contra a vítima, com
nítida intenção homicida, sendo esta levada ao Hospital das
Clínicas em São Paulo, onde vem a falecer em razão das lesões,
não há como negar que todas as testemunhas presenciais se
encontram em Jundiaí (em São Paulo, só estão o médico e os
enfermeiros que atenderam o moribundo). Por força do princípio
da verdade real, supera-se a regra do art. 70 do CPP e considera-
se como lugar do crime o local da conduta, onde a prova poderá
ser produzida com muito mais facilidade e eficiência. Nesse
sentido: ´´Conflito de Competência — homicídio — vítima
alvejada a tiros numa comarca, vindo a falecer em outra —
competência do Juízo onde ocorreu a agressão. Se o interesse do
processo é a busca da verdade real, tem-se que a ação penal deve
desenvolver-se no local que facilite a melhor instrução``
(CAPEZ, Fernando. 2011, p. 124, 125)

2.2.3 No caso dos crimes de menor potencial ofensivo, os quais são sujeitos ao
procedimento da Lei nº 9.099/95: [...] foi adotada a teoria da atividade. Esta é a redação
do art. 63 da lei: “A competência do Juizado será determinada pelo lugar em que foi
praticada a infração.”(BRASIL. Lei nº 9.099, de 26 de setembro de 1995.)

2.2.4 Além das regras especiais, as quais tem redação de artigos do Código de
Processo Penal, súmulas do STF, STJ, Tribunais de Justiça estaduais, etc.

2.3. Rogério Greco

De acordo com Rogério Greco, para a análise do princípio da territorialidade, antes é


preciso identificar o lugar do crime a partir da observação das três principais teorias a
respeito do tema: a da atividade; a do resultado; a mista ou da ubiquidade.

Com a adoção da teoria mista ou da ubiquidade pelo Código Penal Brasileiro em seu art.
6º,
[...] resolvem-se os problemas já há muito apontados pela
doutrina, como aqueles relacionados aos crimes a distância. Na
situação clássica, suponhamos que alguém, residente na
Argentina, enviasse uma carta-bomba tendo como destinatário
uma vítima que residisse no Brasil. A carta-bomba chega ao seu
destino e, ao abri-la, a vítima detona o seu mecanismo de
funcionamento, fazendo-a explodir, causando-lhe a morte. Se
adotada no Brasil a teoria da atividade e na Argentina a teoria do
resultado, o agente, autor do homicídio ficaria impune. A adoção
da teoria da ubiquidade resolve problemas de Direito Penal
Internacional. Ela não se destina à definição de competência
interna, mas, sim, à determinação da competência da Justiça
brasileira. Embora competente a Justiça brasileira, pode
acontecer que, em virtude de convenções, tratados e regras de
Direito Internacional, o Brasil deixe de aplicar a sua lei penal aos
crimes cometidos no território nacional, como veremos a seguir.
(GRECO, Rogério. 2012, p. 211, 212)

3. Análise

Foi utilizada a ferramenta de questionários online SurveyMonkey para aferir as 4


seguintes perguntas, que foram respondidas por 50 pessoas:

1- Você estuda, estudou ou tem algum conhecimento na área do direito?

R: 33 pessoas ou 66% responderam “sim’’ e 17 pessoas ou 34% responderam “não’’.

2- Com base em seus conhecimentos, no suposto caso de alguém, residente na


Argentina, envia uma carta-bomba tendo como destinatário uma vítima que
residisse no Brasil. A carta-bomba chega ao seu destino e, ao abri-la, a vítima
detona o seu mecanismo de funcionamento, fazendo-a explodir, causando-lhe a
morte. Onde você acha que será considerado o lugar do crime para efeitos penais?

R: 5 pessoas ou 10% responderam “Na Argentina’’, 12 pessoas ou 24% responderam “No


Brasil’’ e 33 pessoas ou 66% responderam “Na Argentina e no Brasil’’.

3- Há três teorias sobre o lugar do crime, a teoria da atividade: considera-se


praticado o crime no local da conduta (ação ou omissão); a teoria do resultado:
considera-se praticado o crime onde se produziu ou deveria produzir-se o
resultado; e a teoria mista ou da ubiquidade: considera-se praticado o crime tanto
no local da conduta (ação ou omissão) quanto naquele em que se produziu ou
deveria produzir-se o resultado. Qual das teorias você acha que é adotada pelo
Código Penal Brasileiro?

R: 5 pessoas ou 10% responderam “Teoria da atividade’’, 12 pessoas ou 24%


responderam “Teoria do resultado’’ e 33 pessoas ou 66% responderam “Teoria mista ou
ubiquidade’’.

4- O Código Penal Brasileiro, quanto ao lugar do crime, adotou a teoria mista


ou da ubiquidade em seu art.6º ‘‘considera-se praticado o crime tanto no local da
conduta (ação ou omissão) quanto naquele em que se produziu ou deveria
produzir-se o resultado’’. Você concorda com a adoção dessa teoria para a redação
do art.6º, que define o lugar onde considera-se praticado o crime?

R: 45 pessoas ou 90% responderam “Sim, eu concordo’’, 3 pessoas ou 6% responderam


“Não, deveria ter sido adotada a teoria da atividade’’ e 2 pessoas ou 4% responderam
“Não, deveria ter sido adotada a teoria do resultado’’.

Como pode-se constatar, todas as 33 pessoas que responderam que tinham conhecimento
jurídico responderam de forma adequada que no caso proposto tanto na Argentina quanto
no Brasil seria considerado o lugar do crime, podendo ser aplicada as leis penais de ambos
os países, consequentemente, estes responderam que o Código Penal Brasileiro adota a
teoria mista ou da ubiquidade quanto ao lugar do crime. Já mais da metade das pessoas
que responderam não ter conhecimento na área jurídica, cerca de 70,6% destes, acharam
que no caso proposto apenas o Brasil seria considerado o lugar do crime,
consequentemente acharam que o Código Penal Brasileiro adota a teoria do resultado
quanto ao lugar do crime.

Na pergunta “4’’, onde é explicado que o Código Penal Brasileiro utilizou a teoria mista
ou da ubiquidade quanto ao lugar do crime para sua redação, a grande maioria, 90% dos
participantes do questionário, responderam concordar com a adoção desta teoria, apenas
10% não concordam , sendo que 6% acham que deveria ter sido adotada a teoria da
atividade e 4% acham que deveria ter sido adotada a teoria do resultado.

As respostas deste questionário mostram que a maior parte dos participantes acham que
a melhor das três teorias para o lugar do crime é a mista ou da ubiquidade, já que
concordam com esta ter sido adotada pela legislação brasileira. Outro dado que chama a
atenção, é apenas as pessoas que tem um conhecimento mais aprofundado em direito
responderem de forma correta a solução de onde seria considerado o lugar do crime no
caso proposto e a teoria adotada pelo Código Penal Brasileiro.

4. Considerações finais

O Direito Penal e o Direito Processual Penal, a nível nacional e internacional, se


beneficiam muito com a adoção da teoria mista ou da ubiquidade quanto ao lugar do
crime, visto que evita e soluciona eventuais problemas para definir onde seria considerado
o locus delicti, o que pode levar a impunidade e problemas na aplicação das leis se houver
conflito entre as teorias adotadas por diferentes países.

Com o resultado do questionário feito, é evidente que as pessoas sem conhecimento mais
aprofundado na área jurídica, não sabem onde é considerado o lugar do crime, algo que
deveria ser diferente e que o poder público deveria tomar medidas e se esforçar para
mudar, uma vez que é dever de todos os cidadãos brasileiros conhecerem a legislação da
República Federativa do Brasil e é inescusável que não a conheçam.

Referências bibliográficas

CAPEZ, Fernando. Curso de Direito Penal Parte Geral. Vol.1.São Paulo. Saraiva, 2011

GRECO, Rogério. Curso de direito penal. Vol. 1. 14. Ed. 2012. Rio de Janeiro: Impetus,
2012.

JESUS, Damásio E. de. Direito Penal. Parte Geral. 21.ed., São Paulo: Saraiva, 1998.

BRASIL. Decreto-Lei nº 2.848, de 07 de dezembro de 1940. Código Penal. Diário Oficial


da União, Rio de Janeiro. 1940.

BRASIL. Decreto-Lei nº3.689, de 03 de outubro de 1941. Código de Processo Penal.


Diário Oficial da União, Rio de Janeiro. 1941.