Você está na página 1de 6

INSTRUÇÕES PARA RESOLUÇÃO DA ATIVIDADE PRÁTICA

1. Para a resolução desta Atividade Prática você deve ler o caso a seguir. Leia também as
questões. Para resolvê-las você deve se basear no caso, e no livro da disciplina – Supply
Chain – mas também pode usar de outras fontes de referência.

2. No caso do uso de outras fontes, você deve referenciá-las de acordo com as normas da
ABNT, ao final de seu documento. Cópia sem a devida citação de fonte é considerada plágio,
levando à NÃO atribuição de nota na questão em que for constatada a cópia.

3. Cópia indevida de respostas de colegas serão consideradas igualmente plágio e a questão


copiada NÃO terá atribuição de nota.

4. A cada questão poderá ser atribuída nota completa, parcial ou nula. Respostas corretas
sem justificativa serão consideradas parciais.

5. As questões devem ser entregues em documento do word ou PDF, com fonte Arial ou
Times New Roman 12, e espaçamento de 1,5 entre linhas. Devem estar numeradas. Não há
necessidade de copiar o enunciado das questões.

6. Depois do arquivo enviado não haverá possibilidade de um segundo envio. Portanto, só


conclua seu trabalho quando tiver certeza de suas respostas. Não haverá prorrogação do
prazo para envio.

7. Qualquer outra situação não elencada nestas instruções será resolvida única e
exclusivamente pela professora tutora da disciplina.

MCDONALD’S SAI EM BUSCADO BIG MAC VERDE

Dois anos depois de anunciar mudanças na fórmula dos seus hambúrgueres, após denúncia
feita pelo chef de cozinha britânico Jamie Oliver sobre uso de hidróxido de amônio nos
produtos, o McDonald’s prometeu novas modificações. Em especial a empresa quer
comprar carne bovina sustentável. No site de lançamento da campanha, a empresa explica
que a investida vem ao encontro dos apelos ambientais crescentes e da preocupação dos
consumidores com a origem dos alimentos. Não será uma promessa fácil de cumprir. No topo
da lista de desafios, aparece uma pergunta simples — o que é carne sustentável? O
McDonald’s diz que não tem a resposta pronta e afirma que este é um conceito em construção.
Em entrevista ao site GreenBiz, Bob Langert, vice-presidente de sustentabilidade global da
gigante do fast-food, diz que a definição da terminologia será tarefa dos outros. “Carne
sustentável não vai ser definida pelo McDonald’s. A chave aqui é fazer com o conceito seja
definido por um grupo de partes interessadas e de ampla coalizão. Precisamos de uma maior
massa crítica”. É aí que entra a Conferência Global sobre Carne Sustentável, um grupo
composto por grandes players corporativos, como Walmart e Cargill e também ONGs como a
World Wildlife Fund (WWF). No ano passado, o grupo emitiu uma versão preliminar de um
documento intitulado “Princípios e Critérios para a Carne Sustentável”. Os princípios
abrangem pessoas (direitos humanos, meio ambiente de trabalho seguro e saudável),
comunidade (cultura, o patrimônio, o emprego, os direitos à terra, saúde animal e bem-estar,
segurança e qualidade alimentar, recursos naturais (de saúde do ecossistema) e de eficiência
e de inovação (reduzindo o desperdício, otimizando a produção, a vitalidade econômica). Os
mais radicais podem argumentar que se trata de contradição em termos, afinal a criação de
gado é uma das principais fontes emissoras de gases efeito estufa, vilões do aquecimento
global. Sem falar da contaminação da água, do ar e de outros recursos naturais incorporados
em fertilizantes, pesticidas e herbicidas usados pela indústria de ração de gado. A par das
críticas, a rede de fast-food afirma que está comprometida em reduzir o impacto ambiental de
seus produtos. O raciocínio, conforme Langert, é de que se o negócio se sustenta na carne,
então que seja carne mais ecológica — atualmente, 28% da pegada de carbono da empresa
vem da proteína animal.
Outro desafio que a empresa terá que superar para colocar o hambúrguer ecológico no menu
passa pelo convencimento de uma gigantesca e complexa cadeia de suprimento mundial.
Cada parte da indústria de carne bovina é de propriedade de uma entidade diferente e opera
de forma independente, com práticas únicas que variam de acordo com papel na cadeia de
abastecimento. A carne que abastece os mais de 30 mil restaurantes da rede no mundo não
vem diretamente de fazendeiros ou matadouros. O McDonald’s compra o produto congelado
a partir de cerca de 20 empresas de processamento de alimentos em todo o mundo. No Brasil,
o bolo é dividido entre a JBS e a BRF.
Você está se perguntando de onde vem seu Big Mac? Existem mais de 400.000
possibilidades. É o número aproximado de fazendas de gado que fornecem a carne que
eventualmente recheia um hambúrguer da rede. Esses produtores estão no início de uma
cadeia de valor que inclui ranchos, fazendas leiteiras, gado de confinamento e processadoras
de carne bovina. Com uma cadeia de natureza tão complexa fica claro que adequar todos a
um padrão de carne sustentável – ainda a ser definido – é tarefa árdua. Não à toa, a rede se
eximiu de fixar uma data para ter 100% de seus hambúrgueres com certificação ambiental. A
empresa, que responde por 1,5% a 2% de todo o consumo de carne nos países em que opera,
também não está certa de quanta carne bovina sustentável vai comprar em 2016.
Esta não é a primeira investida verde da marca. No passado, o McDonald’s concordou em
proibir a compra de carne originária do bioma amazônico e adotou padrões de bem -estar
animal, desenvolvendo projetos com a colaboração de produtores para melhorar as práticas
de manejo. No entanto, por meio de um programa pioneiro no Brasil que busca tornar a
pecuária na Amazônia mais produtiva, menos emissora de gases de efeito estufa, menos
desmatadora – e, por causa disso tudo, mais sustentável – recebeu um apoio de mercado
que pode ajudar a ampliar esse tipo de iniciativa na região. Pois a rede McDonalds, que
tradicionalmente não comprava carne proveniente do bioma em uma política de não apoiar
produtos que pudessem ter sido obtidos a partir do desmatamento da floresta, anunciou um
acordo de compra de 250 toneladas por ano de carne fornecida pela fazenda Bevilaqua, de
Alta Floresta (MT), que faz parte do programa Novo Campo.
É ainda uma fração pequena perto das 30 mil toneladas que o McDonalds demanda por ano,
mas, segundo Leonardo Lima, diretor de Sustentabilidade da Arcos Dourados (empresa que
administra o grupo na América Latina), o compromisso é aumentar essa compra ano a ano e
construir passo a passo a nova cadeia. Pelo menos outras duas fazendas do Novo Campo
também já foram auditadas pelo grupo e são consideradas aptas a fornecer carne para a rede
de fast food. "Nosso compromisso no Brasil e no mundo já vem de longa data de não comprar
nada de que possa vir de áreas naturais afetadas. Mas percebemos que virar as costas para
áreas degradadas e tirar do nosso mapa não é mais a melhor opção. O compromisso com o
desmatamento zero segue, mas também temos de incentivar a recuperação de áreas para
que seja possível aumentar a produção com menos área", disse Lima.
"Acreditamos que o apoio vai possibilitar que esse tipo de projeto receba mais atenção e
possa ajudar a mudar a cultura do pecuarista. Normalmente ele ainda considera que quando
tem pasto o gado come, quando tem água o gado bebe, a produção é baixa e ele sempre
precisa abrir mais áreas para colocar pasto depois que o anterior se degradou. Esse projeto
que estamos apoiando é o contrário disso, é produzir mais com menos área. O pecuarista vira
um agricultor, cria as oportunidades para seu gado, com alimentação e água constantes".
O Novo Campo foi lançado em 2012 como uma iniciativa da ONG Instituto Centro de Vida
(ICV) para ajudar a controlar o desmatamento em Alta Floresta, maior polo de pecuária no
norte de Mato Grosso que tinha, alguns anos antes, engrossado a lista de municípios líderes
de desmatamento no Estado, chegando a ser embargado pelo governo federal. O
entendimento era de que o boicote à carne proveniente de desmatamento – como ocorre
desde 2009 quando os três principais frigoríficos do país (JBS, Marfrig e Minerva) assumiram
o compromisso de não comprar de fornecedores que desmatassem - é importante, mas não
suficiente, visto que há vazamentos. Produtores ilegais ainda conseguem vender para outros
frigoríficos menores que não respeitam esse acordo. Era preciso tentar algo diferente, fazer o
pecuarista também ganhar algo a mais com a legalidade.
O projeto piloto, com 14 proprietários de terra, começou ajudando a recuperar pastagens
degradadas e áreas de proteção permanente (APPs) que tinham sido desmatadas. Depois,
em uma parcela da propriedade de 30 hectares, foi implementado um pacote tecnológico da
Embrapa de boas práticas pecuárias. O interesse para o proprietário era não só a
possibilidade de se regularizar perante à lei, mas também aumentar sua produtividade.
Tradicionalmente baixa em toda a Amazônia, chegando a menos de 1 animal por hectare no
Estado do Mato Grosso, a média de ocupação do pasto em Alta Florestal é um pouco maior,
1,22 unidade animal (uma UA equivale a 450 kg de peso vivo) por hectare, mas o valor ainda
é considerado baixo. Nas áreas intensificadas de cada fazenda, a lotação, depois de 1,5 ano
de programa, chegou a 2,71 em média. O trabalho levou a uma redução no tempo de abate,
saindo de uma média de 44 meses para 30 em machos, e de 34 para 24 em fêmeas. A
produtividade passou de 4,7 arrobas por hectare por ano (média do Estado) para 20,8 nas
áreas intensificadas. Com tudo isso, a rentabilidade aumentou na comparação com o sistema
tradicional, passando de uma renda média bruta de R$ 100/ha para R$ 975 nas áreas
intensificadas.
"Mostramos na prática que a pecuária podia ser diferente, que a intensificação na Amazônia
era viável. O desafio seguinte era ver se tinha capacidade de expansão", explicou Francisco
Beduschi, coordenador da iniciativa no ICV. Desde 2014, o programa já envolveu 40 fazendas,
em diferentes estágios de intensificação. O que era um piloto ganhou um salto com a entrada,
em meados do ano passado, da empresa Pecsa (Pecuária Sustentável da Amazônia), que,
captando dinheiro no exterior, ampliou a escala do trabalho. Em vez de recuperar apenas em
uma parcela da propriedade, eles expandiram a tarefa para a fazenda inteira. A primeira foi a
Bevilaqua, que já estava no projeto desde o começo e ganhou uma reforma integral em seus
600 hectares. Laurent Micol, diretor de governança e investimentos da Pecsa, explica que ao
entrar em uma fazenda, a empresa assume temporariamente a gestão da propriedade. No
ano passado eles fizeram a reforma de 1.800 ha, e neste ano já vão saltar para 8.500. A
expectativa é, nessas áreas, abater entre 35 mil e 40 mil animais por ano. "Mas ainda estamos
falando de pouco mais de 10 mil hectares em uma região que tem 4 milhões de hectares de
pastagens degradadas. Queremos chegar em 100 mil ha em menos de 6 anos. Ainda assim
é pequeno, mas tem efeito multiplicador", disse. Os ganhos são ainda mais expressivos.
Segundo ele, a média de produtividade da Bevilaqua saltou para 35 arrobas/ha/ano. Foi,
então, fechado um acordo com a JBS para a venda da carne produzida no modelo da Pecsa.
É o frigorífico que vai fornecer para o McDonalds.
Além do interesse econômico, a iniciativa já demonstrou ter um impacto sensível para o clima.
Hoje a pecuária é a segunda maior fonte de emissões de gases de efeito estufa do país – por
causa do metano que sai na fermentação entérica do gado, pouco atrás do desmatamento.
Colocar mais bois num mesmo espaço, com boas práticas que reduzem o tempo para o abate,
diminui essa contribuição. Uma análise do Imaflora sobre o projeto piloto calculou que as
emissões caíram 20% por hectare de pastagem das propriedades. A redução é ainda mais
significativa se for considerada a emissão por quilo de carne produzida - que é o grande
objetivo: produzir mais emitindo menos. Nesse caso, como a eficiência produtiva cresceu
cerca de 2,5 vezes, houve uma redução de 60% das emissões por quilo de carne. "Nas áreas
em que administramos a reforma integral, houve redução de emissão de 40% por hectare e
de 90% no quilo de carne produzida. É por isso que acreditamos que tem de ganhar escala.
Poucos setores têm potencial tão grande de reduzir emissões", afirmou Mico.

Fontes:
http://exame.abril.com.br/negocios/mcdonald-s-procura-um-big-mac-sustentavel/
http://g1.globo.com/economia/agronegocios/noticia/2016/08/mcdonalds-anuncia-compra-de-
carne-sustentavel-da-amazonia.html

Com base no caso responda às seguintes questões, justificando suas respostas:


1. Mapear a cadeia de suprimentos da empresa focal (o McDonald’s) é fundamental para
uma boa gestão da cadeia. Para tanto, há necessidade de começar este mapeamento
pela identificação de todas as empresas que fazem parte da cadeia de suprimentos.
Comente o nome do fornecedor (se possível); o que fornece e qual seu nível de relação
com o McDonald’s. Veja a ilustração a seguir:

2. Além dos fornecedores, a cadeia de suprimentos de qualquer empresa é composta


por outros elos como o cliente, o planejamento, as compras, o inventário, a produção,
o transporte. Comente brevemente sobre cada um destes elos em relação ao
McDonald’s e em como cada um deles impacta na decisão de ter uma carne bovina
mais sustentável:
3. Sabendo que o ambiente concorrencial é composto, entre outros elementos, pelas
empresas concorrentes do McDonald’s, comente sobre o ambiente concorrencial
desta cadeia de suprimentos, descrevendo como o McDonald’s pode ter uma
vantagem competitiva ao buscar uma carne bovina sustentável:
4. Onde você entende que possa acontecer um gargalo nesta cadeia de suprimentos do
McDonlad’s?
5. Como as várias Áreas Funcionais do McDonald’s devem apoiar a gestão desta cadeia
de suprimento?
6. Após sua análise de toda a cadeia logística, você pode afirmar que o McDonald’s atua
em Global Sourcing, ou seja, procura comprar de fornecedores e parceiros
independentemente da sua localização geográfica?