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EXMO. SR. DR.

JUÍZO DO TRABALHO DA 1ª VARA DO TRABALHO DE


BELO HORIZONTE - MG.

Juliana Pereira, brasileira, auxiliar de serviços gerais, divorciada, inscrita no


CPF sob o nº. 123.123.123-00, RG nº. 8-555.236, residente e domiciliada na
Rua Cirandinha, nº100, bairro Jardim Guanabara, em Belo Horizonte, CEP
30.000- 000, vem por intermédio de seu advogado infra assinado, com
escritório situado nesta cidade, à Av.____________________,nº.
______,CEP_______-_______, com endereço eletrônico
_________@________, onde recebe intimações e aviso, vem,
respeitosamente, à presença de V. Exa. propor a presente

RECLAMATÓRIA TRABALHISTA contra

Metcm Metalurgia Ltda., pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ


sob o nº, 80200.400/0001-20, empresa está estabelecida à Av. Atlântica, nº
1000, bairro Laranjeiras, CEP. 30-000-50 Belo Horizonte – MG, pelas razões
de fato e de direito que passa a expor:

1. A reclamante foi contratada a serviços da reclamada em 12/12/2017 para


exercer a função de auxiliar de serviços gerais. Percebendo remuneração
mensal no valor de R$1.200,00. No dia a dia Juliana realizava a limpeza dos
banheiros, vestiários e salas da empresa, fazendo a coleta de lixo encontrado.

2. Executava suas atividades durante 08 (oito) horas por dia, de segunda à


sexta-feira, e por 4 (quatro) horas nos sábados.

3. O serviço era bastante penoso, tendo apenas 25 (vinte e cinco) minutos de


intervalo para refeição e descanso.

4. A requerente realizava limpeza dos banheiros contrariada pois eram muito


sujos devido ao enorme números de trabalhadores que por lá passavam
diariamente.

5. A reclamante não fornecia equipamentos adequados como luvas para a


realização de tarefas, o lixo a ser coletado era muito grande.

6. Além de que ainda teria que adentrar diariamente no almoxarifado da


empresa, tarefa esta que era necessária para poder buscar os produtos de
limpeza imprescindíveis para a realização de suas atividades.

7. Ela ficava lá dentro por cerca de 10 (dez) minutos por dia e no local Também
estavam armazenados tintas inflamáveis e óleo diesel para o Abastecimento
das empilhadeiras que circulavam pelo estabelecimento comercial.

8. Não havia, portanto, a quitação de qualquer adicional na realização deste


serviço.

9. A reclamante exerce a mesma função que uma colega sua Sra. Beatriz
Ferraz, admitida na mesma época em dezembro/2017 na mesma
empregadora, mas que, no entanto apesar de terem sido contratadas na
mesma época Beatriz recebe a quantia mensal de R$1.400,00 (mil e
quatrocentos reais). Ambas realizam as atividades idênticas, com a mesma
produtividade e perfeição técnica.

10. Nesse sentido é farta a jurisprudência:

DOS FATOS

1. INTERVALO INTRAJORNADA – HORAS EXTRAS (ART.71 CAPUT E


§ 4º CLT).

Enuncia o art.71, caput, da CLT que em qualquer trabalho continuo, cuja


duração exceda de 6 (seis) horas, é obrigatório a concessão de um intervalo
para repouso ou alimentação, o qual será no mínimo de 1 (uma) hora e, salvo
acordo escrito ou contrato coletivo em contrário, não poderá exercer de 2
(duas) horas. Conforme mencionado acima a Sra. Juliana na fazia jus a esta
norma tipificada na CLT sendo que a mesma laborava de segunda a sexta-feira
por 8 horas e deveria ter intervalo para refeição e descanso de 1hora não
somente 25 minutos a este título, sobre pujando assim seus direitos legais sem
o pagamento, igualmente das extraordinárias laborais.

2. ADICIONAL DE INSALUBRIDADE – SÚMULA 448 DO TST, NOS


TERMOS DO INCISO II.

Ao qual está consagrada na Constituição Federal de 1988, em seu art. 7º,


inciso XXIII, em que sua definição é dada pelo art.189 da CLT. Em que
relatamos na presente ação à limpeza dos banheiros, a r equerida tem o total
direito ao pagamento de insalubridade, pois as atividades eram de higienização
de instalações sanitárias de grande circulação e sem os devidos equipamentos
de proteção individual (EPI’s). Dando ênfase ao que tipifica também o art.190
da CLT ao Ministério do Trabalho quanto às atividades e operações
insalubres,assim como os critérios de caracterização da insalubridade, os
limites de tolerância aos agentes agressivos, meios de proteção e o tempo
máximo de exposição do empregado a esses agentes.

3. ADICIONAL DE PERICULOSIDADE – SÚMULAS Nº. 191 E 364,


CONSERVANTES AOS ART.193 DA CLT E 195 CLT (PERÍCIA) a respeito
do pagamento de direito do adicional de periculosidade haja Vista que a
reclamante ficava exposta diariamente por 10 minutos a Tintas e óleo diesel,
que são produtos inflamáveis. Ao qual cita a sumula 364 que diz: Tem direito
ao adicional de periculosidade o empregado Exposto permanentemente ou
que, de forma intermitente, sujeita – se a Condições de risco. Indevido, apenas,
quando o contato dá – se de forma eventual, assim considerado o fortuito, ou o
que, sendo habitual, dá – se por tempo extremamente reduzido. Por fim a
súmula191, I, diz respeito ao cálculo a que deveras ser feito para a requerida.
O adicional de periculosidade incide apenas sobre o salário básico e não sobre
este acrescido de outros adicionais.
Art. 193 diz que as atividades ou operações consideradas perigosas são
aquelas regulamentadas e aprovadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego
que impliquem risco acentuado em virtude de exposições permanente do
trabalhador. E o art.195 da CLT aduz a necessidade de perícia para a
configuração e caracterização da insalubridade ou periculosidade.

4. CUMULAÇÃO DOS ADICIONAIS DE INSALUBRIDADE E DE


PERICULOSIDADE.

Solicito o deferimento de ambos os adicionais eis que o fato gerador de cada


um deles é diferente, o que autoriza a cumulação.
Art. 7º XXVIII, que diz respeito do seguro contra acidentes de trabalho, a cargo
do empregador, sem excluir a indenização a que este está obrigado, quando
incorrer em dolo ou culpa
.

Art. 193 §2º CLT – NÂO APLICA – conforme entendimento da RR - 7092-


95.2011.5.12.0030 do TST quanto ao não reconhecimento do acumulo dos
adicionais foi decido que deve ser reconhecido quando o fato gerador for
diverso. Restam expressamente delineadas premissas fáticas a demonstrar
que cada um dos adicionais em questão teve, comprovadamente, como fato
gerador, situações distintas.

Neste cenário, em atendimento à jurisprudência do TST, uma vez comprovados


nos autos os distintos fatos geradores dos adicionais de periculosidade e
insalubridade, deve ser reconhecido o direito à sua cumulação, mediante a
interpretação do artigo 193, §2º, da CLT conforme o artigo 7º, XVIII da CF.
Assim tem direito a Reclamante da cumulação dos adicionais.

5. EQUIPARAÇÃO SALARIAL ART, 461 CLT – 7º, XXX DA CF.

Atendendo ao princípio da igualdade e fundamentado e insculpido no art.7º,


incisos XXX, XXXI e XXXII, da CF, sobre os direitos dos trabalhadores urbanos
e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social. Além de
compreendida enquanto norma jurídica, também é entendida pelo próprio
senso de justiça das pessoas, mesmo porque, a obrigação de pagar salários
iguais a trabalhadores que desenvolvem atividades em iguais circunstâncias,
certamente, evidencia uma questão de lógica.
Por toda essa questão protetiva, a CLT, em seu art.461 estipula que sendo
idêntica a função, a todo trabalhador de igual valor, prestado ao mesmo
empregador, na mesma localidade, corresponderá igual salário, sem distinção
de sexo, nacionalidade ou idade.

6º. Pedido DE CONCESSÃO DA JUSTIÇA GRATUITA - §3º DO ART. 790 DO


CPC.

A reclamante não possui recursos suficientes para arcar com o pagamento das
custas processuais estimadas para este processo. A presente declaração,
além de ser realizada por este procurador, devidamente habilitado para tanto
(Procuração, doc. I), também é acompanhada do instrumento forma em anexo
(Declaração de Hipossuficiência, doc.I) assinado pelo Reclamante sob as
penas da lei.
7º. DOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS – ART. 791 – A DA CLT.

Requer – se a condenação da Reclamada ao pagamento dos honorários


advocatícios sucumbenciais, bem como a declaração incidental da
inconstitucionalidade quanto a eventuais honorários recíprocos conforme
fundamentado acima.

8º. DO DIREITO

A) INTERVALO INTRAJORNADA – HORAS EXTRAS – ART, 71 CAPUT


E §4º CLT.

Quem labora mais de 06 (seis) horas por dia tem direito a intervalo intrajornada
de 01 (uma) hora, o que não foi observado no caso em comento.

B) ADICIONAL DE INSALUBRIDADE ART. 189 CLT – SUMULA 44 II DO


TST – ART. 195 CLT (PERÍCIA).

Reclamante revelou suas ponderações de que os fatos levados a efeito


revelavam que durante todo o período contratual a Reclamante laborou em
condições insalubres. Todavia, nada foi pago nesse sentido. A atividade
desenvolvida pela Reclamante voltou-se, exclusivamente, à limpeza e coleta
dos banheiros da segunda Reclamada. Inquestionavelmente o espaço
destinado à Faculdade, maiormente em seu grande número de pessoas, atrai,
por si só, ao desempenho idêntico aos de condições de limpeza de sanitários
disponibilizados para uso do público em geral.

Esse grande fluxo de pessoas, portanto com intensa movimentação de


pessoas, deve ser enquadrado como lixo urbano, e não como lixo doméstico.
Nesse azo, a Reclamante estava freqüentemente exposta a agentes nocivos à
sua saúde. Apesar disso, não foram concedidos à Reclamante quaisquer EPI’s
específicos para tal desiderato.

C) ADICIONAL DE PERICULOSIDADE – ART.193 DA CLT- ART. 195 CLT


(PERÍCIA) SUMULA Nº 364, DO TST E SÚMULA Nº 191 DO TST.

A Reclamante durante todo o período laboral, não recebeu o adicional de


periculosidade, pois diariamente por 10 minutos a obreira ficava exposta a
tintas e óleo diesel, que são produtos inflamáveis, conforme preceitua os
artigos acima citados em consonância as súmulas que assim se ressaltam em
suas análises.

D) CUMULAÇÃO DOS ADICIONAIS DE INSALUBRIDADE E DE


PERICULOSIDADE CONFORME ART. 7º XXVIII CF; ART. 193 §2º CLT E RR
- 7092-95-2011.5.12.00.30 DO TST.

Importante ressaltar que tais adicionais têm previsão anterior a Constituição,


mas foram recepcionados expressamente por ela, como direito básico do
trabalhador, especificamente no artigo 7º inciso XXIII da Constituição Federal
de 1988. Sendo assim cabe o deferimento de ambos os adicionais, tendo em
vista que cada um deles gera um fato diferente, da mesma forma, o pagamento
pelo dano à saúde, por exemplo, perda auditiva, nada tem a ver com o dano
provocado, por exemplo, pela radiação. Em suma, para cada elemento
insalubre é devido um adicional, que, por óbvio, acumula-se como adicional de
periculosidade, eventualmente devido.

E) EQUIPARAÇÃO SALARIAL – ART 461 DA CLT.

Verificando-se que a Sra. Juliana e sua colega Beatriz, trabalhavam no mesmo


local, para a mesma empresa pertencente ao mesmo grupo econômico, é
possível a equiparação salarial devido aos requisitos do art. 461 da CLT, pois
se presume que seja o mesmo empregador, situação semelhante ao mesmo
contrato de trabalho. Tendo a Reclamada provada o trabalho prestado em
idêntica função, na mesma localidade e ao mesmo empregador, sem que a ré
tenha demonstrado haver discrepância com relação à produtividade e perfeição
técnica, e, ainda, inexistindo diferença de tempo de serviço superior a dois
anos, são devidas as diferenças salariais decorrentes da equiparação salarial
pretendida.

F) HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS – ART. 791 - A, DA CLT.

A reclamada deverá ser condenada ao pagamento dos honorários


advocatícios, conforme atilamento do art. 791 - A, da CLT.

Diante do exposto, a reclamante requer:

DO PEDIDO

a) A citação da reclamada para, querendo, comparecer à audiência e


responder a presente, sob pena do decreto de sua revelia e conseqüente
aplicação dos efeitos da confissão, presumida, quanto à matéria fática (CLT,
art. 844, caput);

b) Requer assim a condenação da Reclamada ao pagamento das seguintes


parcelas:

b1) 35 (trinta e cinco) minutos extras, com adicional de 50%, por dia de
trabalho, de segunda à sexta - feira, durante todo o pacto laboral, com reflexos
em aviso prévio, férias + 1/3, décimo terceiro salário e FGTS +
40%................................................................................................ R$ 955,28.

b2) Cumulativamente

b2.1) Adicional de insalubridade em grau máximo (40%), com reflexos em aviso


prévio, férias + 1/3, décimo terceiro salário e FGTS +
40%...............................................................................................R$ 3.472,56.

b2.2) Adicional de periculosidade.....................................................R$2.520,00.


b3) Diferenças salariais de R$200,00 (duzentos reais) mensais, por todo o
pacto laboral, com reflexos em aviso prévio, décimo terceiro salário, férias + 1/3
e FGTS + 40%..................................................................................R$1.820,00.

b4) Honorários advocatícios previstos no art.791 - A, da CLT.

REQUERIMENTOS

O reclamante protesta pela produção de todas as provas admitidas em direito,


especialmente para designação para apuração de trabalho em condições
insalubres e periculosas. Requer, ainda, que todos os valores por ventura
apurados sejam atualizados monetariamente e que incidam juros desde a
citação.

Dá-se apresente reclamação trabalhista, somente para fins de definição de


alçada, o valor de xxx (oito mil setecentos e sessenta e sete reais e oitenta e
quatro centavos).

Nestes termos,

Pede o deferimento.

Belo Horizonte, 15 de Agosto de 2018

Advogado____________________

OAB/MG_____________________