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NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA & LEGISLAÇÃO BÁSICA

1º PONTO : PRINCÍPIOS BÁSICOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

PRINCÍPIOS EXPRESSOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA


(Constituição Federativa da República do Brasil, art. 37º, caput)

PRINCÍPIOS PREVISTOS NA LEI DO PROCESSO ADMINISTRATIVO


(Lei nº 9.784, de 29.01.1999, art. 2º)

PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS QUE REGULAM AS ATIVIDADE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA


(Decreto-lei 200/1967, art. 6º)

PRINCÍPIOS BÁSICOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

Constam do art. 37, caput, da Constituição da República, vejamos :

A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e
dos Municípios obedecerá aos princípios da:

• LEGALIDADE
• IMPESSOALIDADE
• MORALIDADE dica : LIMPE
• PUBLICIDADE
• EFICIÊNCIA

PRINCÍPIO DA LEGALIDADE: Atuar em conformidade com os princípios constitucionais e de acordo com a lei e
o direito. Definido no inciso II do art. 5 da CF: "ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em
virtude de lei".

Determina a completa submissão da Administração Pública a lei e ao Direito. Desde o Presidente da


República, Governador, Prefeito ao mais humilde dos servidores ao agirem devem observar atenção especial a este
princípio.

Na célebre frase de Hely Lopes Meirelles encontra-se toda a sua essência : “Na Administração Pública só é
permitido fazer o que a lei autoriza, enquanto na Administração Privada é possível fazer o que a lei não proíbe.”

O princípio da legalidade, no âmbito exclusivo da Administração Público, significa que a Administração Pública
só poderá agir segundo as determinações legais, ou seja, ela está submetida à lei. Mas nem tudo que é legal é
honesto. Daí a necessidade do princípio da moralidade.

PRINCÍPIO DA MORALIDADE: Atuar com ética, com honestidade, com integridade de caráter.

Está intimamente ligado aos conceito de probidade, de honestidade, do que for melhor e mais útil para o
interesse público. Agir com moralidade significa agir dentro de princípios éticos, e aqui entra agir com lealdade e boa-
fé em relação aos cidadãos e ao patrimônio público que está confiado as mãos do administrador público. Não se diga
que se trata de princípio indeterminado perante o qual não se poderá invalidar um ato administrativo. A própria CF/88,
no artigo 5º, inciso LXXII, dispõe que : "qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise anular ato
lesivo à moralidade administrativa..."
PRINCÍPIO DA IMPESSOALIDADE: A finalidade é o interesse público, ou seja, o administrador deve ser impessoal. e
o agente público deve tratar a todos de forma igual, define o Princípio da Isonomia ou Igualdade.

“O princípio da impessoalidade, nada mais é que o clássico princípio da finalidade, o qual impõe ao
administrador público que só pratique o ato administrativo para o seu fim legal. E o fim legal é aquele que a norma de
direito expressa como objetivo do ato, de forma impessoal, ou seja, para o interesse público. Por impessoalidade
devemos entender que é proibido a prática do ato administrativo para satisfazer interesse privado, favorecer pessoa ou
determinada situação. O desvio de finalidade pelo Agente Público, constitui Abuso de poder”

PRINCÍPIO DA PUBLICIDADE: É a divulgação dos atos administrativos que só pode ser restringida em alguns
casos extremos (segurança nacional, investigações sigilosas).

A administração pública encontra-se obrigada a publicar seus atos para que o público deles tenham
conhecimento, e, consequentemente, contestá-los. Por exemplo: o ato de nomeação de um candidato aprovado em
concurso público, deverá ser publicado não somente para que o nomeado possa tomar conhecimento, mas para que
os demais candidatos possam contestar (questionar administrativamente ou judicialmente, no caso da nomeação não
obedecer rigorosamente a ordem de classificação).

O princípio da publicidade está intimamente associado ao da impessoalidade, como demonstra o § 1º do


mesmo artigo 37 da Carta Magna (Constituição): “A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos
órgãos públicos deverá ter caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo constar nomes,
símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos”.

No art. 5º, inciso LX – "a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando a defesa da
intimidade ou o interesse social o exigirem". No mesmo artigo 5º, mas no inciso X – "são invioláveis a intimidade, a vida
privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente
de sua violação". Se para a Administração Pública a regra é a publicidade, para o particular a regra é diametralmente
oposta.

PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA: Atuar com presteza, racionalidade e com perfeição, evitando desperdícios.

É o mais novo dos princípios. Passou a fazer parte da Constituição a partir da Emenda Constitucional nº 19/98.
Exige que o exercício da atividade administrativa (atuação dos servidores, prestação dos serviços) atenda requisitos
de presteza, adequabilidade, perfeição técnica, produtividade e qualidade.

PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA X PRINCÍPIO DO BOM ADMINISTRADOR

O princípio da eficiência (incluído pela Emenda Constitucional Num 19 de 98), é claro que hoje ele faz parte do
Princípio do bom administrador, assim, enquanto este é gênero, aquele é espécie. Poderíamos definir o bom
administrador como aquele seguidor da moral administrativa, eficiência, justiça e racionalidade, ou seja, englobaria
outros princípios.

Questão num21.
(UFRGS/2008) Dentre os princípios básicos da Administração Pública que estão consubstanciado em 5 regras de
observância permanente e obrigatória para o bom administrador encontram-se: a legalidade, a moralidade, a
impessoalidade, a publicidade e a eficiência. A Constituição Federal não se referiu expressamente ao PRINCÍPIO DA
FINALIDADE, mas o admitiu sob a denominação do PRINCÍPIO DA IMPESSOALIDADE no artigo 37 DA
CONSTITUIÇÃO FEDERAL.

Resumo.
(UFRGS/2008) O princípio da eficiência que é também o dever que se impõe a todo Agente Público de realizar suas
atribuições com presteza, perfeição, de forma parcial, participativa, eficaz evitando desperdícios e garantindo
rentabilidade social. A Administração Pública não se contenta em ser desempenhada apenas com legalidade, exige
resultados positivos para o Serviço Público e satisfatório atendimento das necessidades da comunidade.

Questão num28.
(UFRGS/2008) “A acentuada oposição entre o PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA pregado pela ciência da administração e o
PRINCÍPIO DA LEGALIDADE, imposto pela constituição como inerente ao administrador, deve observar antes de tudo
o PRINCÍPIO DA LEGALIDADE.”
PRINCÍPIOS PREVISTOS NA LEI DO PROCESSO ADMINISTRATIVO

A Lei nº 9.784, de 29.01.1999, art. 2º, prevê que A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios
da:

• SUPREMACIA DO INTERESSE PÚBLICO SOBRE O INTERESSE PARTICULAR


• INDISPONIBILIDADE
• FINALIDADE,
• MOTIVAÇÃO,
• RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE,
• AMPLA DEFESA E CONTRADITÓRIO,
• SEGURANÇA JURÍDICA,
• AUTOTUTELA (Art. 53 - A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de
legalidade, e pode revogá-los por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos
adquiridos.)

PRINCÍPIO DA SUPREMACIA DO INTERESSE PÚBLICO:

Decorre deste princípio posição de supremacia jurídica da Administração em face da supremacia do interesse
público sobre o interesse particular. A aplicação desse princípio não significa o total desrespeito ao interesse particular,
já que a Administração deve obediência ao direito adquirido e ao ato jurídico perfeito, nos termos do art. 5º, inciso
XXXVI, da CF/88.

PRINCÍPIO DA INDISPONIBILIDADE:

Os bens, direitos, interesses e serviços públicos não se acham à livre disposição dos órgãos públicos, ou do
agente público, mero gestor da coisa publica, a quem apenas cabe curá-los e aprimorá-los para a finalidade pública a
que estão vinculados. O detentor desta disponibilidade é o Estado. Por essa razão há necessidade de lei para alienar
bens, outorgar a concessão de serviços públicos. "Serão observados critérios de atendimento a fins de interesse geral,
vedada a renúncia total ou parcial de poderes ou competências, salvo autorização em lei" (Lei 9.784/99, parágrafo
único, II).

PRINCÍPIO DA FINALIDADE:

Impõe que o alvo a ser alcançado pela Administração é o atendimento ao interesse público, e não se alcança o
interesse público se for perseguido o interesse particular. Assim, o administrador ao manejar as competências postas a
seu encargo, deve atuar com rigorosa obediência à finalidade de cada qual.

PRINCÍPIO DA AUTOTUTELA:

"A Administração Pública deve anular seus próprios atos , quando eivados de vício de legalidade, e pode
revogá-los por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos" (Lei 9.784/99, art. 53).

Assim a Administração:

• revoga os atos inconvenientes e inoportunos, por razões de mérito;


• anula os atos ilegais.

PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO:

Impõe à Administração Pública o dever de indicar os pressupostos de fato e de direito que determinarem
uma decisão tomada.

PRINCÍPIO DA AMPLA DEFESA E DO CONTRADITÓRIO:

Trata-se de exigência constitucional, prevista no art. 5º, inciso LV, : "aos litigantes, em processo judicial ou
administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e
recursos a ela inerentes".

• Contraditório – é a garantia que cada parte tem de se manifestar sobre todas as provas e alegações
produzidas pela parte contrária.
• Ampla defesa – é a garantia que a parte tem de usar todos os meios legais para provar a sua inocência ou
para defender as suas alegações.
PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE:

Por este princípio se determina a adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações,
restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público.

PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS QUE REGULAM AS ATIVIDADE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

Segundo o Decreto-lei 200/67, Art. 6º : “As atividades da Administração Federal obedecerão aos seguintes
princípios fundamentais:

I. Planejamento.
II. Coordenação.
III. Descentralização.
IV. Delegação de Competência.
V. Controle.

PLANEJAMENTO:

O governo só agirá de acordo com um planejamento preestabelecido com a finalidade de promover o


desenvolvimento econômico e social e visando também a segurança nacional. O planejamento se faz por meio de: um
plano geral de governo; de programas gerais, setoriais e regionais, de duração plurianual; do orçamento-
programa anual; e da programação financeira de desembolso.

COORDENAÇÃO:

Procura-se uma ação integrada para evitar duplicidade de atuação e consequente desperdício de recursos. A
coordenação é feita em todos os níveis da administração pública: chefias, reuniões de ministros, presidente da
república.

DESCENTRALIZAÇÃO:

O Estado passa a terceiros atividades públicas ou de utilidade pública, mas sem deixar de fiscalizá-las com isso
o Estado passa a atuar indiretamente. A descentralização pode ser feita: dentro dos quadros da Administração Federal,
distinguindo-se claramente o nível de direção do de execução (chamada de desconcentração); da Administração
Federal para a das unidades federadas, quando estejam devidamente aparelhadas e mediante convênio; da
Administração Federal para a órbita privada, mediante contratos ou concessões.

DELEGAÇÃO DE COMPETÊNCIA:

Transferência de competência a subordinados indicando a autoridade delegante, a autoridade delegada e as


atribuições objeto de delegação. É uma maneira de descentralização. É facultativo e transitório e obedece a
oportunidade e conveniência.

CONTROLE:

Feito pela chefia (entre os subordinados), feita por auditorias (dentro do próprio órgão) e pelo Sistema de
Controle Interno (para controlar dinheiro e bens públicos).