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TRABALHO SOBRE ANÁLISE INTEGRAL

1. INTRODUÇÃO

A análise integral nos permite acompanhar e prever o comportamento de um


campo de escoamento de forma detalhada, de ponto a ponto, e determinar as
quantidades integrais procuradas, através da determinação detalhada das distribuições
que entram nos integrandos das leis fundamentais na forma integral.
Aplicando em volumes de controle, podemos utilizar as equações de
continuidade, quantidade de movimento, conservação de massa, equilíbrio de forças,
energia, entre outras, a fim de caracterizar o escoamento do sistema em estudo.
Para que a análise seja aplicável e funcional, é necessário assumir algumas
hipóteses relacionadas ao comportamento do fluido, como sua continuidade, na qual
consideramos que este possui distribuição contínua de matéria, e analisamos o
comportamento do sistema levando em consideração o conceito de campo vetorial,
onde as variáveis dependentes são função de mais de uma variável independente, como
por exemplo, a velocidade de um corpo pode depender da vazão, área de contato e
tempo.
A análise integral se mostra eficiente quando o objetivo é conhecer os efeitos
de um escomento em um dispositivo, neste trabalho, será aplicada esta análise no
estudo e caracterização de um sistema.
2. OBJETIVO

Dimensionar, caracterizar e atribuir valores ao sistema composto por dois


carrinhos com pás que são atingidas por um fluido, conectadas a um “carrinho amostra”,
através de um cabo.
As velocidades dos carrinhos com pás dependem da quantidade de fluido
que os atingem, e do carrinho amostra, depende do equilíbrio dessas velocidades, que
não devem variar de forma brusca.
Deve-se atribuir valores as variáveis necessárias, determinar o fluido,
estimar a sensibilidade do sistema e analisar seus possíveis problemas.

Figura 1 – Ilustração do problema.


3. DESENVOLVIMENTO

O primeiro passo para a resolução do problema é análise individual realizada


para cada carrinho, comecemos pelo da esquerda:

Utilizando a equação da quantidade de movimento e considerando:

𝜕
𝐹⃗𝑠 + 𝐹⃗𝐵 − ∫ 𝑎𝑟𝑓 . 𝜌. 𝑑∀ = ∫ 𝑉 ⃗⃗ . 𝜌. 𝑑∀ + ∫ 𝑉 ⃗⃗𝑥𝑦𝑧 . 𝜌 . 𝑉
⃗⃗𝑥𝑦𝑧 . 𝑑𝐴
𝜕𝑡 𝑣𝑐 𝑥𝑦𝑧 𝑠𝑐

• Escoamento permanente
• Propriedades uniformes
• Escoamento incompressível
• Desprezando as forças de superfície

Em x:

−𝑻𝟏 + 𝑾𝟏 𝒔𝒆𝒏 𝜷𝟏 − ∫ 𝒂𝒓𝒇 . 𝝆. 𝒅∀ = 𝒖𝟏 . (−𝝆𝑽𝒆𝒏𝒕 . 𝑨𝒆𝒏𝒕 ) + 𝒖𝟐 . (𝝆. 𝑽𝒔𝒂𝒊 𝑨𝒔𝒂𝒊 )


𝑇 = 𝑡𝑟𝑎çã𝑜
𝑊 = 𝑝𝑒𝑠𝑜
𝑚𝑐1 = 𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎 𝑑𝑜 𝑐𝑎𝑟𝑟𝑖𝑛ℎ𝑜 1

𝑉𝑒𝑛𝑡𝑟𝑎𝑑𝑎 ; 𝐴𝑒𝑛𝑡𝑟𝑎𝑑𝑎 = 𝑉𝑠𝑎í𝑑𝑎 ; 𝐴𝑠𝑎í𝑑𝑎 = 𝑉1 ; 𝐴

𝑉 = (𝑉1 − 𝑈)
𝑢1 = (𝑉1 − 𝑈)
𝑢2 = ( 𝑉1 − 𝑈). 𝑠𝑒𝑛𝛼1 . cos 𝛽1
𝜌. ∀= 𝑚𝑐1

Reescrevendo a equação acima:

−𝑇1 + 𝑊1 𝑠𝑒𝑛 𝛽1 − 𝑎. 𝑚𝑐1 = (𝑉1 − 𝑈). (−𝜌. (𝑉1 − 𝑈). 𝐴) + ( 𝑉1 − 𝑈). 𝑠𝑒𝑛𝛼1 . cos 𝛽1 . (𝜌. (𝑉1 − 𝑈). 𝐴)

Isolando T1, temos:

𝑻𝟏 = 𝑾𝟏 𝒔𝒆𝒏 𝜷𝟏 − 𝒂. 𝒎𝒄𝟏 + (𝑽𝟏 − 𝑼)𝟐 . (𝝆 − 𝑨). (𝟏 − 𝒔𝒆𝒏𝜶𝟏 . 𝐜𝐨𝐬 𝜷𝟏 ) (𝟏)

Analogamente para o carrinho da direita teremos,


𝑻𝟐 − 𝑾𝟐 𝒔𝒆𝒏 𝜷𝟐 − ∫ 𝒂𝒓𝒇 . 𝝆. 𝒅∀ = 𝒖𝟑 . (𝝆𝑽𝒆𝒏𝒕 . 𝑨𝒆𝒏𝒕 ) + 𝒖𝟒 . (−𝝆. 𝑽𝒔𝒂𝒊 𝑨𝒔𝒂𝒊 )
𝑇2 − 𝑊2 𝑠𝑒𝑛 𝛽2 − 𝑎. 𝑚𝑐2 = (𝑉2 − 𝑈). (𝜌. (𝑉2 − 𝑈). 𝐴) + ( 𝑉2 − 𝑈). 𝑠𝑒𝑛𝛼2 . cos 𝛽2 . (−𝜌. (𝑉2 − 𝑈). 𝐴)

𝑻𝟐 = 𝑾𝟐 𝒔𝒆𝒏 𝜷𝟐 + 𝒂. 𝒎𝒄𝟐 + (𝑽𝟐 − 𝑼)𝟐 . (𝝆 − 𝑨). (𝟏 − 𝒔𝒆𝒏𝜶𝟐 . 𝐜𝐨𝐬 𝜷𝟐 ) (𝟐)

Por fim, realizaremos a análise nas forças que atuam na amostra, para
facilitar a observação, desenharemos o diagrama de forças da seguinte maneira:

Pela segunda lei de Newton, temos:


𝐹𝑟 = 𝑀. 𝑎
𝑇2 − 𝑇1 = (𝑚𝑎 + 𝑚𝑐1 + 𝑚𝑐2 ). 𝑎
𝑚𝑎 = 𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎 𝑑𝑎 𝑎𝑚𝑜𝑠𝑡𝑟𝑎

Para simplificar os cálculos adotaremos:

𝑚𝑐1 = 𝑚𝑐2 = 𝑚𝑐 ; 𝛼1 = 𝛼2 = 𝛼 ; 𝛽1 = 𝛽2 = 𝛽

Subtraindo as trações (1) e (2):

(𝑇2 − 𝑇1 ) = 2𝑎. 𝑚 𝑐 − (𝜌. 𝐴). (1 − 𝑠𝑒𝑛 𝛼 . cos 𝛽). [(𝑉2 − 𝑈 )2 − (𝑉1 − 𝑈 )2 ]

Portanto:

𝐹𝑟 = 2𝑎. 𝑚 𝑐 + (𝜌. 𝐴). (1 − 𝑠𝑒𝑛 𝛼 . cos 𝛽). [(𝑉2 − 𝑈 )2 − (𝑉1 − 𝑈 )2 ] = 2𝑚𝑐 . 𝑎 + 𝑚𝑎 . 𝑎

Isolando a aceleração:
𝑑𝑈
𝑎=
𝑑𝑡

𝒅𝑼 (𝝆. 𝑨). (𝟏 − 𝒔𝒆𝒏 𝜶 . 𝐜𝐨𝐬 𝜷). [(𝑽𝟐 − 𝑼)𝟐 − (𝑽𝟏 − 𝑼)𝟐 ]


= (𝟑)
𝒅𝒕 𝒎𝒂
Como deseja-se que a amostra desenvolva um movimento suave, sem
variações bruscas, concluiu-se que a uma função hiberbólica atenderia aos requisitos
de funcionamento do mecanismo, pois o vetor gradiente da função em um ponto
próximo a 0 é baixo. Sendo assim,definiu-se arbitrariamente que as velocidades do
jato se comportariam de acordo com uma tangente hiberbólica variando conforme o
tempo, da forma:
𝑉(𝑡) = 𝑡𝑎𝑛𝑔ℎ(𝑡 − 𝑘)
A equação (3) pode ser escrita como uma equação diferencial ordinária,
onde a velocidade da amostra varia conforme o tempo:
𝑈 ′ = 𝑓(𝑈)
Utilizando integração simbólica, e adotando os valores de contorno, extrai-
se os seguintes resultados:

Considere que:
ℎ (𝑥) = 𝑆 = 𝑑𝑒𝑠𝑙𝑜𝑐𝑎𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜
ℎ’(𝑥) = 𝑈 = 𝑣𝑒𝑙𝑜𝑐𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒
ℎ’’(𝑥) = 𝑎 = 𝑎𝑐𝑒𝑙𝑒𝑟𝑎çã𝑜
4. RESULTADOS

4.1. Estime a sensibilidade do dispositivo que voces projetaram

A respeito da sensibilidade do sistema, podemos analisar a influência da


vazão, pois uma vazão muito grande pode gerar uma movimentação muito brusca. É
importante cuidar da sincronia das bocais, para que não haja variações muito distoantes
em um curto espaço de tempo, pois deve-se manter o carrinho amostra sempre em
equilíbrio, e essa vazão é responsável pela tração na corda, pelas velocidades e
deslocamento do carrinho. Sendo a área do bocal constante, a vazão e velocidade do
fluido ditam todo o movimento do sistema, dessa formam, ditam o grau da sensibilidade
do dispositivo.

4.2. Justifique a escolha do fluido de trabalho

TRIMETIL PENTANO

Fórmula molecular C8H18


Densidade 0,698 g/ml, líquido
Ponto de fusão -107,38 °C (165,77 k)
Ponto de ebulição 99,3 °C (372,4 K)
Solubilidade Insolúvel

O fator mais determinante na escolha desse fluido é a sua baixa densidade,


afinal a densidade do fluido de trabalho irá influir diretamente, como calculado, na
sensibilidade do dispositivo, visto que ela depende da vazão dos bocais, que por sua
vez, matematicamente é divida pela densidade. Assim podemos aplicar valores de
vazão mais elevados para realizar o movimento da amostra, permitindo que seja
possível o controle preciso por meio das válvulas de controle.
Outro fator importante é a faixa de trabalho que o fluido opera, sua
temperatura de ebulição permite que ele trabalhe como líquido em temperaturas
ambientes.

4.3. Justifique a escolha dos α’s e β’s

Os ângulos α1, α2, β1 e β2 foram tomados arbitrariamente, de forma


experimental e baseando-se nos ângulos aparentes da ilustração do sistema, uma vez
que não tem grande influência no comportamento geral do sistema.
4.4. Listar os possíveis problemas que podem ocorrer

O objetivo do mecanismo é estabelecer o controle de algo mais preciso,


como o movimento da amostra, através de algo menos preciso, que é a vazão. Nesse
contexto, os principais problemas que podem ocorrer, estão relacionado a sensibilidade
do mecanismo, dessa forma, como citado acima a escolha de um fluído de trabalho
adequado se torna fundamental para o funcionamento desejado do sistema, visto que a
densidade do fluido influencia diretamente na variação da quantidade de momento
linear, que é igual a força nos carrinhos o que pode fazer com que a saída da amostra
seja brusca, efeito não desejado no dispositivo.

4.5. Explique os detalhes das pás dos carrinhos que utilizou

Os carrinhos utilizados no dispositivo, que recebem o jato de água, possuem


pás curvas, nas quais o fluido atinge com determinada velocidade, causando assim o
movimento e em seguida desliza sobre sua superfície para fora do mesmo, a fim de
manter a massa do sistema constante.
É importate que a superfície destas pás seja lisa, livre de obstruções que
possam armazenar água, permitindo que fluido escoe livremente de forma que não
interfira no sistema, isso se considerarmos uma situação ideal de uso.

4.6. Discussão do comportamento das curvas do gráfico

Analisando o comportamento do gráfico da velocidade da amostra, vemos


que o resultado obtido é muito próximo do esperado na realidade: O carrinho começa
com uma velocidade zero, e seguindo um comportamento sigmoidal tende à uma
velocidade máxima positiva em x, quando o carrinho retorna no trilho, esse
comportamento é o mesmo, porém com valores negativos, devido ao referencial
adotado.
Podemos identificar essa compatibilidade também com o gráfico obtido para
o deslocamento espacial da amostra, seguindo um comportamento sigmoidal.
Garantimos que a amostra não se moverá de forma brusca, e, conforme o gráfico, irá
até um ‘x’ máximo, o que é o esperado no dispositivo.
Podemos assumir que a análise matemática obtida descreve o
comportamento da amostra no dispositivo, apesar da complexidade das equações
encontradas.
5. CONCLUSÃO

Neste trabalho pode-se analisar a influência de diversos fatores na


sensibilidade de um sistema e a aplicação da análise integral no estudo do mesmo,
ajudando a encontrar parâmetros dependentes como velocidade e aceleração e
caracterizar o sistema, podendo prever seu comportamento.

Foi possível aplicar os conhecimentos adquiridos em Mecânicas dos


Fluidos, em um mecanismo onde pode-se abstrair aplicações práticas vindas do mesmo.
Além de aplicar o conceito de quantidade movimento, foi necessário a utilização de
outros conhecimentos, como calcúlo numérico, fundamental para a manipulação
matemática do problema apresentado, além disso, através de uma análise matemática
acurada é possível entender o comportamento do sistema, analisando apenas as
equações e gráficos encontrados. Tal interdisciplinidade é fundamental para a formação
de um bom engenheiro.

REFERÊNCIAS

FOX, Robert W.; PRITCHARD, Philip J.; MCDONALD, Alan T. Introdução a Mecânica
dos Fluidos. 7ª. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2011. 710 p.
PASSIFICO, Antonio Luiz. Analise Diferencial dos Escoamentos. Disponível em:
<https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/2047139/mod_resource/content/4/T7-
analise_diferencial_dos_escoamentos.pdf>. Acesso em: 31 maio 2018.
UFSCAR. Análise Diferencial dos Movimentos dos Fluidos. Disponível em:
<http://www2.eesc.usp.br/netef/Oscar/Aula20>. Acesso em: 31 maio 2018.