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A Cidade e as Serras: Resumo Por Capítulo

Paráfrase da obra “A Cidade e as Serras” de Eça de Queirós, por Bruno Alves

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ÍNDICE
PARA ENTENDER A OBRA 2
CAPÍTULO 1 2
CAPÍTULO 2 3
CAPÍTULO 3 4
CAPÍTULO 4 4
CAPÍTULO 5 6
CAPÍTULO 6 6
CAPÍTULO 7 7
CAPÍTULO 8 8
CAPÍTULO 9 8
CAPÍTULO 10 9
CAPÍTULO 11 10
CAPÍTULO 12 10
CAPÍTULO 13 10
CAPÍTULO 14 11
CAPÍTULO 15 11
CAPÍTULO 16 11
QUESTÕES DE VESTIBULAR 13
A CIDADE E AS SERRAS: RESUMO POR CAPÍTULO

PARA ENTENDER A OBRA


Lançado em 1901, A Cidade e as Serras é um romance bem objetivo, linear: como está
explícito no titulo, ele compara a vida na cidade grande à vida do campo. Para isto,
relata as experiências de Jacinto, um português que vive em Paris, capital intelectual e
tecnológica da época, e que passa por transformações que o levarão à Tormes, pacata
cidade serrana de Portugal.

José Fernandes, amigo de Jacinto, é quem narra sua história, desde o início deixando
claro seu olhar crítico sobre os avanços da civilização, chegando a utilizar-se de ironia
em alguns pontos do livro.

Este resumo destina-se a contar o livro em uma linguagem mais acessível e concisa,
sem deixar de lado os episódios que sustentam a obra como um todo e explicando
alguns pontos que podem não ficar claros apenas com a leitura do texto original. Em
alguns casos, para explanações mais completas sobre fatos históricos e expressões da
época, há links que podem ser acessados diretamente no texto.

Caso restem dúvidas quanto à obra ou ao próprio resumo, entre em contato pelo site
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CAPÍTULO 1
O narrador apresenta seu amigo Jacinto, cuja família tem origem portuguesa e em
Portugal mantém propriedades agrícolas que proporcionam uma renda estável. No
entanto Jacinto vive desde sempre em Paris.

A transferência dos “Jacintos” para França é narrada como consequência do desfecho da


Guerra Civil Portuguesa (primeira metade do séc. XIX): o avô de Jacinto, fidalgo
Jacinto Galião, era leal (sem nenhuma séria motivação) a d. Miguel e, quando este foi
exilado, aquele o seguiu.

Essa mudança para Paris já acompanhou seu filho Cintinho, garoto doentio que passou
pela vida, “como uma sombra”. Ao morrer tuberculoso nasceu o Jacinto amigo do
narrador - parece que será importante perceber a ausência da figura do pai para este
personagem...

Voltando à descrição do personagem central do capítulo, Jacinto, é ressaltada sua boa-


sorte em todos os sentidos: destaque no colégio, cercado de amizades “puras e certas”,
praticou o amor de forma livre - “só experimentou o mel”, dedicava-se à filosofia... E
sempre o mundo parecia estar ao seu favor! Era alguém invejável. “O Príncipe da Grã-
Ventura”.

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A CIDADE E AS SERRAS: RESUMO POR CAPÍTULO

Neste ponto o narrador rapidamente se identifica como José Fernandes, português


erradicado na França para concluir seus estudos, após ter sido expulso de sua
Universidade por motivos grotescos.

Em seguida volta a tratar de Jacinto e sua filosofia de vida, seus conceitos: ele
acreditava que somente as ideias, as técnicas, a supremacia do homem sobre a natureza
e, sobretudo, a cidade - “não há senão a cidade!” - poderiam propiciar a verdadeira
felicidade. Observando a vida no campo como uma entrega irracional e infeliz aos
instintos primitivos - nutrição e procriação. O narrador confidencia uma visão crítica à
esses ideais de Jacinto, no entanto afirma nunca a revelou a ele pois “nunca desalojaria
um espírito do conceito onde ele encontra segurança, disciplina e motivo de energia”.

Ainda explorando o modo “Jacíntico” de vida, o narrador relata um breve passeio a uma
floresta em que Jacinto se sentiu obviamente desconfortável.

O grande contraponto do capítulo é quando o narrador recebe uma carta de seu tio
Afonso Fernandes para que volte à sua terra natal para cuidar de suas propriedades, já
que não tinha mais forças para fazê-lo. Por sete anos José Fernandes, atraído
inicialmente pela sopa dourada da tia Vicência, se entrega à vida no campo, tão maldita
por Jacinto, que viu a partida de seu amigo como um atestado de óbito. Após esse
tempo, em que viveu muito atarefado e nem deu atenção aos livros de direito que levou
consigo pensando em manter algum estudo, Zé Fernandes vê a morte de seu tio Afonso,
o casamento de sua afilhada Joaninha e retorna a Paris.

CAPÍTULO 2
De volta a Paris o narrador encontra Jacinto mantendo os mesmos padrões de elegância,
mas sempre ressalta algo de desgastado na vivacidade do amigo - “levemente curvado”,
“riso descorado”, “corcovava”, “cansado”, “olhar desconsolado”.

Chegando à residência de Jacinto, Campos Elísios, 202, encontra tudo em seu lugar de
sete anos antes, com exceção a algumas inovações tecnológicas: um elevador, a
eletricidade, o ar aquecido, o telégrafo, o conferençofone... Tais inovações o espantam.
Quando comenta com Jacinto sobre a volta à “civilização”, não é possível ter certeza de
um tom de admiração ou sarcástico, de quem vê pouca utilidade em tantos trecos. É
evidente no próprio Jacinto certo sentimento da irrelevância daquilo tudo.

Ainda na descrição dos itens da casa é recorrente o uso de figuras típicas do campo para
designar cores, formas ou do destaque à matéria prima utilizada na produção dos
aparelhos - “estantes monumentais, todas de ébano”, “um verde profundo de folha de
louro”, “cordões túmidos... à maneira de cobras assustadas” - enfocando o fato de que
tudo que ali estava era originário da natureza controlada pelo homem - “a natureza
convergia disciplinada ao meu amigo”.

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A CIDADE E AS SERRAS: RESUMO POR CAPÍTULO

Em seguida José Fernandes é convidado para permanecer e jantar com demais


convidados - um psicólogo feminista e um pintor mítico. De início recusa-se, mas aceita
ao menos conhecer a sala de jantar. Lá tem contato com os diversos pratos, formas de
servir e demais aparatos que se contrapõem totalmente ao que viveu em seus últimos
sete anos. Destaque especial para as diversas águas - carbonatadas, fosfatadas,
esterelizadas... - que, no entanto, não agradam nenhuma a Jacinto, que ainda reclama
sofrer de sede.

O narrador vai embora, então, ressaltando as “maravilhas” vividas por Jacinto, o


considerando realizado pela “felicidade perfeita”. Esta constatação do autor, no entanto,
não converge com a narração por ele mesmo feita do comportamento de seu amigo...
Pura ironia.

CAPÍTULO 3
José Fernandes, que aceita o convite para morar junto a Jacinto, continua a descrever a
rotina de seu amigo, sempre destacando as tecnologias inovadoras que ele utiliza e a
incongruente apatia que este sente em relação a elas - tudo é “uma seca”, “uma
maçada”. Jacinto inclusive assume, em alguns momentos, seu claro descontentamento
com a própria cidade, que antes tanto admirava - “É feio, muito feio!”.

Um tubo do sofisticado lavatório do 202 se rompe jorrando água fervente por toda casa,
que expele vapor e logo é cercada por polícia e curiosos. O incidente se torna a notícia
do dia, o que pode ser visto como uma crítica à futilidade da imprensa da época. Da
imprensa e da “sociedade” também, representada por uma senhora que visita a casa à
procura de vestígios da desgraça - “Estou morrendo por admirar as ruínas!”. Nada muito
diferente do que hoje se tem: o gosto pela desgraça alheia, pela tragédia.

Ainda neste capítulo o narrador questiona a vida amorosa de Jacinto, que revela manter
cortesãs na cidade, mas não se envolver muito com elas. Tal trecho suscita dúvidas
quanto ao comportamento sexual de Jacinto. É necessário acompanhar os próximos
capítulos: será que ele é? Ah, vale também notar que por diversas vezes o narrador trata
Jacinto como “meu Príncipe”... Teoricamente em alusão ao título de “Príncipe da Grã-
Ventura”, mas não cola!

Por fim, Jacinto decide o passeio que farão no domingo: vão ao Jardim das Plantas para
verem a girafa! Um passeio “simples e natural”.

CAPÍTULO 4
A narração dos acontecimentos em uma festa no 202 se foca em caracterizar a sociedade
parisiense, seus assuntos, seus personagens, suas futilidades. Tal festa era realizada a
pedido do grão-duque, que pescara um peixe raro o qual desejava cear.

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A organização da festa já se inicia com um novo boicote da tecnologia sobre Jacinto:


falta energia elétrica a toda residência. No entanto o episódio foi logo resolvido com a
garantia de estabilidade por um engenheiro da Companhia Elétrica.

Adentrando à festa, José Fernandes relata a admiração dos convidados sobre as


tecnologias mantidas na residência de Jacinto. Ao mesmo tempo demonstrava o
desgosto do anfitrião ao desenrolar explicações as quais as pessoas sequer se
esforçavam a entender: a admiração era, na verdade, vazia.

Em seguida participa de uma discussão sobre o livro recém-lançado pelo psicólogo


presente à festa. Ao se gabar de sua obra, ele afirmava que “nunca penetrara tão
fundamente na velha alma humana”. No entanto seu discurso é quebrado por uma
observação de outro convidado, Marizac, que estranha a cor preta do colete usado por
uma de suas personagem, considerando que é uma cor incomum, inapropriada a uma
“uma duquesa, e do gosto mais puro”. O psicólogo “assume” seu erro, mas não
consegue evitar o pensamento que percorre a todos: de que ele nunca esteve em
intimidade com uma duquesa. Mais uma vez põe-se a ciência versus natureza, a teoria
versus prática.

O narrador encontra-se novamente com Jacinto que discute o investimento na


exploração de uma mina de esmeraldas na Birmânia com um banqueiro judeu.
Questionando a existência real de esmeraldas com estudos científicos, o anfitrião recebe
a resposta que resume toda conversa: “Há sempre esmeraldas desde que haja
acionistas!”.

Ainda há a passagem por uma conversa sobre a queda de uma senhora de um


velocípede, outra sobre as nádegas de outra senhora, temas muito interessantes! Até que
chega o grão-duque, muito esperado por todos. Este logo se encanta pelo teatrofone (um
mecanismo que trazia por fones apresentações teatrais) e coloca todos a ouvir um
musical. José Fernandes, que ficou sem um fone para si, em tom de ironia demonstra
desprezo a mais uma cena que só podia ser propiciada pela tecnologia: várias pessoas
em silêncio numa sala com seus ouvidos atentos ao som que saía de diversos fios...

Chegada a hora da ceia, vem outro golpe das modernidades do 202: o elevador que
transportava o peixe do grão-duque emperrou. Após muita discussão, dentre as quais foi
levantada uma questão bem objetiva - “por que o não trouxeram à mão?” -, decidiu-se
que o peixe precisava ser pescado do fosso! E o grão-duque entusiasmou-se com a
oportunidade de demonstrar sua habilidade na pesca em plena festa. No entanto o
esforço foi inútil e todos comeram cordeiro. Apesar da confusão o grão-duque
demonstrou gosto pelo divertido episódio.

Três dias após a festa Jacinto recebe de Portugal a notícia de que uma de suas terras
sofreu um deslizamento que cobrira uma igrejinha que guardava os restos mortais de

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seus avós. Ele decide, então, que deve ser gasto todo dinheiro necessário para recuperar
tudo que foi danificado.

CAPÍTULO 5
Mesmo após a sequência de contratempos causados pelas falhas das modernidades do
202, do encanamento estourado, da falta de energia, do elevador emperrado, Jacinto
ainda insistiu em adquirir mais equipamentos que teoricamente facilitariam sua vida,
mas acabavam por criar mais problemas.

Ao mesmo tempo em que acumulava mecanismos, adquiria muitos novos livros, tais
que se infiltravam por toda a residência atrapalhando qualquer caminhada pelos seus
corredores. É interessante o episódio em que José Fernandes, o narrador, se desentende
com diversos exemplares espalhados por sua cama e acaba adormecendo e sonhando
com um mundo feito somente de livros e impressos.

Neste momento o narrador, pela segunda vez, deixa de focar Jacinto para apresentar
uma experiência pessoal. Se na primeira vez este esteve atraído pela vida no campo
agora ele esteve preso à paixão: conheceu Madame Colombe com quem conviveu por
sete semanas - sete anos no campo, sete semanas de paixão... Interessante! A mulher era
“estúpida e triste”, mas se encaixava no que ele procurava - “apagava minha alegria na
cinza da sua tristeza, e afundava a minha razão na densidade da sua estupidez”. Nesse
tempo, em que constantemente visitava a mulher em seu quarto, Zé Fernandes se desfez
de seus bens todos em favor dela, até que não a encontrou mais. Caiu em desgraça, se
embebedou, delirou, vomitou sua paixão, morreu e renasceu.

Ao se libertar da paixão volta a dispensar atenção a Jacinto, que permanecia na mesma:


desgostoso com o cotidiano, com a sociedade parisiense... Tanto que nem dera muita
atenção à aventura vivida por seu amigo. Apesar de tudo isso, ao receber de José
Fernandes a sugestão de mudar de ares, para o campo, por um tempo, recusa
imediatamente. O narrador questiona Grilo, empregado da casa, sobre o que estaria
acontecendo com seu patrão. Este afirma que ele estaria "sofrendo de fartura".

CAPÍTULO 6
Rapidamente, no início desse capítulo, é citada uma relação entre Jacinto e Madame de
Oriol que parece abalada com a notícia de que esta estaria a jantar com outros
cavalheiros.

Jacinto aceitou, então, ainda que a contragosto, a sugestão do narrador de irem a uma
basílica, no alto de um morro (Montmartre). Lá chegando, ao avistar do alto a cidade,
José Fernandes teceu algumas críticas à “maravilhosa civilização” que ali se resumia a
uma mancha cinza e Jacinto se rendeu, enfim, considerando que todas aquelas
tecnologias não passavam de uma ilusão. Isso foi a gota d’água para que o narrador
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deixasse de usar ironias sutis e passasse a expor claramente sua posição em relação às
modernidades, suas futilezas, sua superficialidade, sua extravagância, suas
desigualdades, sua burrice. Todas as teorias de Jacinto são contrapostas. E ele concorda.

Ainda lá encontram Mauricio de Mayolle, colega de Jacinto envolvido em filosofias,


metafísicas, energias... Depois de muito blábláblá, após a saída de Mauricio, Jacinto
novamente tece sua opinião: tudo não passa de uma maçada!

Ao final Jacinto revela um desejo: construir uma casa naquele lugar para observar a
cidade ao longe... “dominar a cidade”.

CAPÍTULO 7
Jacinto continua com suas visitas à Madame de Oriol, as quais faz acompanhado de Zé
Fernandes - estranho, não? O narrador aproveita para descrever a rotina da moça,
inundada de aparências, revistas, tradicionalismo, falsa caridade. Até que um dia
encontra na residência dela seu marido, transtornado por saber que ela o estaria traindo
com criados. Apesar de casados, moravam em casas separadas.

José Fernandes foi viajar pela Europa. Conta (em números) quantas cidades, hotéis e
igrejas visitou, quantas vezes fez e desfez malas. E acaba por revelar que o melhor dia
de viagem foi quando, em Veneza, encontrou um inglês que conhecia Portugal e com
ele relembrou sua terra. Mas uma vez o narrador, de forma irônica, despreza o que a
“civilização” proporciona - turismo à vontade - e valoriza sua origem, sua casa, sua
terra.

Voltando a Paris encontra Jacinto ainda mais aborrecido e envelhecido. O narrador


sugere que isso pudesse ser motivado pela plenitude da vida de Jacinto, que tinha todas
as tecnologias facilitadoras da vida à mão. Mas Jacinto crê que o tédio de viver é
resultado da própria vida, somente, não se restringindo a ele. Entregou-se ao
pessimismo, leu “de Eclesiastes a Schopenhauer”, tentou se empenhar em festas,
religiões e no humanitarismo, mas tudo o entediava.

Em seu aniversário de 34 anos desprezava todos os cartões e presentes que recebia. Os


que tentou usar o decepcionaram: um precioso chá tinha gosto horrível, uma engenhosa
mesa com regulagem de altura não se ajustava à altura correta, o arroz doce
encomendado por Zé Fernandes, que pensou em reviver costumes portugueses, veio
cheio de ingredientes “especiais” que, no entanto, tiravam qualquer traço de sua
modesta tradição.

Ainda lembrando-se de sua terra de origem, José Fernandes questiona que fim levou a
reconstrução da igrejinha que fora soterrada, mas Jacinto nem sabe.

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O narrador aproveita para novamente discutir a questão social: compara a situação dos
pobres da cidade que não contam com nenhum apoio, em comparação aos de sua terra
que aos menos podiam contar com a bondade da vizinhança.

O capítulo é fechado com um momento “poético”, cheio de simbolismos, com Jacinto


andando pela casa, encarando todos os equipamentos, estante, livros, teorias,
conhecimentos... E indo, melancolicamente, dormir.

CAPÍTULO 8
É início de primavera. Jacinto informa a Zé Fernandes que partirão para Tormes, onde
ficam suas terras em Portugal. Recebera a notícia que a igrejinha fora reconstruída e
decidiu que acompanharia o traslado dos restos mortais de seus antepassados para lá.

A viagem para as serras, no entanto, teria de levar um pouco de Paris segundo os planos
de Jacinto. Um pouco não, quase tudo. E iniciou-se um intenso trabalho de contratar
transportadoras que levariam diversos mobiliários e equipamentos para o casarão em
Tormes, que estava sendo reformado a mando de Jacinto para que quando lá chegasse
encontrasse o próprio 202. Nesse período houve um súbito reavivamento de seu gosto
pela cidade: encantou-se com toda mobilidade que Paris proporcionava. Mas esse
encantamento acabou assim que foi enviada a última caixa para Tormes.

Logo embarcariam na viagem, cercada de confortos e belas paisagens, mas recheada de


preocupações que se concretizariam em fatos: num dos transbordos para um trem o
criado Grilo, que guardava a bagagem pessoal dos dois amigos, se perdeu e com sorte
chegaria em um dia ou uma semana. Tal ausência só foi notada quando chegaram à
Tormes. Lá, além de estarem sem qualquer bagagem, descobriram que Silvério,
procurador de Jacinto, imaginava que eles só chegariam meses depois - houve algum
desencontro nas correspondências. Todas as caixas de mobiliários enviadas com
antecedência de Paris não haviam chegado.

Foram recebidos, então, por Melchior, um serviçal que não pode ajudar muito, senão
com um prato de comida - galinha ensopada que muito agradou o paladar do faminto
Jacinto - e humildes enxergas (colchões de palha). A falta de conforto incomodava
Jacinto, que decidiu partir para Lisboa assim que possível, mas ao mesmo tempo as
belezas do campo e a clara visão do céu noturno o agradavam. José Fernandes, que
partiria para Guiães na manhã seguinte encontrar com sua tia Vicência, prometeu enviar
algumas roupas e utensílios básicos que salvariam Jacinto até sua ida a Lisboa.

CAPÍTULO 9
Em Guiães Zé Fernandes recebeu suas malas que estavam perdidas. Tentou contatar
Jacinto em Lisboa, mas ele nunca respondia. Até que encontrou com um familiar de
Melchior que passara por Tormes e lá vira Jacinto.
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A CIDADE E AS SERRAS: RESUMO POR CAPÍTULO

Surpreso com a permanência de Jacinto nas serras por mais de cinco semanas, o
narrador vai ao encontro de seu príncipe. Chegando a Tormes se depara com o casarão
bem arrumado, mas de forma simples, sem todos os mecanismos que foram
encaixotados no 202. Jacinto também está renovado, se mostra disposto, tão animado
com a nova vida que nem se preocupa com tais caixotes, que foram enviados, por
engano, para outra Tormes, na Espanha.

Zé Fernandes cada vez mais se surpreende e admira as novas filosofias de Jacinto, que
supervaloriza a natureza e suas criações, jogando por terra todo pessimismo que outrora
elogiava em Shopenhauer. Agora ele encontrava inspiração nas plantas e nas águas, se
comunicava alegremente com a gente humilde do interior. Assumiu, inclusive, que
guardava milhares de livros no 202 que nunca tinha lido e agora apreciava mais do que
nunca a leitura de livros como Dom Quixote e a Odisséia. Era outro homem.

O enterro dos ossos dos Jacintos antepassados, que era o motivo inicial da visita, se
tornou uma cerimônia muito simples, uma vez que nem se sabia quem eram os tais
antepassados. Foram sete ossadas e meia - uma era de criança - levadas para a nova
igrejinha. E até nesse singelo momento Jacinto encontrou beleza.

O narrador observou que o interesse de Jacinto em contemplar a natureza evoluiu para


um desejo de agir sobre a natureza: queria plantar árvores, criar animais... Tomou
algumas metas, como construir um curral, uma queijaria, um pombal... Nesse ponto Zé
Fernandes faz uma observação de cunho social: todo esse gosto pela natureza e todos
planos de trabalhá-la só eram possíveis para alguém como Jacinto, que tem “a vida
ganha”, mas não seria para meros assalariados. Esta observação é uma prévia do que
virá no capítulo seguinte. Enfim, nenhuma dos planos mirabolantes de Jacinto se
concretizou, pois Melchior e Silvério tinham certa resistência a tais inovações.

CAPÍTULO 10
Um dia antes de Zé Fernandes voltar a Guiães ele acompanha Jacinto para uma visita a
Silvério em que trataria de assuntos de suas terras.

O tempo que até então estava aberto começou a mudar e uma tempestade interrompeu o
trajeto. O narrador viu esse momento como um desafio, uma prova, para saber até onde
iria o romance de seu príncipe pelas serras, pois poderia se resumir a uma paixão ao
calor do sol de verão ou ter se tornado um amor que resistiria às tempestades e ao
inverno. O próprio Jacinto parece aceitar o desafio, consciente de que precisa conhecer
o campo em bons e maus dias.

Aguardando num alpendre a passagem da chuva, os dois amigos e Silvério são


surpreendidos por uma pobre criança, com aparência doentia. Jacinto se espanta com a
situação do menino e vai até a casa de sua família, cuja mãe está doente.

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A CIDADE E AS SERRAS: RESUMO POR CAPÍTULO

Ao ver a triste situação daqueles que também são seus empregados, Jacinto se choca por
nunca ter imaginado que em um lugar tão belo como aquele poderia haver tanta miséria.
Decide, então, empenhar esforços e dinheiro para mudar aquela realidade: construir
novas casas, contratar médicos, aumentar salários... Silvério desacredita tudo que ouve,
contesta a falta de bom senso nessas medidas, mas acata, afinal, Jacinto também é seu
patrão.

CAPÍTULO 11
O tempo passa entre idas e vindas de Zé Fernandes, de Guiães a Tormes, de Tormes a
Guiães.

Há um breve comentário sobre a falta de uma mulher para se relacionar com Jacinto.
Este se esquiva, comparando as mulheres da região a legumes, muito nutritivos, mas
distantes da beleza poética das flores que só habitavam as cidades.

Nesse período o narrador vê Jacinto recuperar o gosto pelas coisas da “civilização”:


além de todas as mudanças sociais propostas agora pretendia construir uma escola, uma
farmácia, uma biblioteca e até uma sala de projeções em suas terras, para trazer cultura
para aquele lugar. E todas as obras da construção de seu “reinado” mexem com a
economia local, tanto que Jacinto começa a ser visto como um benfeitor, quase um
santo, pelos moradores da região. Alguns até o imaginam ocupando facilmente um
cargo político.

CAPÍTULO 12
No aniversário de 34 anos de José Fernandes, Jacinto participou de um almoço em
Guiães, no qual conquistou a simpatia de tia Vicência pelo gosto pela comida, pelos
seus planos para Tormes e com uma caldeirinha de água benta como presente. O
narrador apresentou-lhe suas terras, sua biblioteca. Este capítulo, muito breve, termina
com a chegada de outro convidado, dom Teotônio, para a festa de Zé Fernandes.

CAPÍTULO 13
A festa não saiu como Zé Fernandes planejara. Todos convidados se demonstraram
incomodados com a presença de Jacinto, que se trajou muito elegantemente com suas
roupas vindas de Paris.

A cada nova tentativa de integrar os presentes contando histórias engraçadas de sua


estadia no 202, o aniversariante não era correspondido e o que se via eram sorrisos
condescendentes, cochichos e nada mais.

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A CIDADE E AS SERRAS: RESUMO POR CAPÍTULO

Entre os homens soube-se que havia desconfiança de que Jacinto seria um miguelista
(partidário da volta do conservadorismo e de d. Miguel ao poder), o que os deixava
insatisfeitos. Imaginavam até que o próprio d. Miguel estava com ele em Tormes!

Após a refeição principal todos jogaram cartas e, ao sinal de uma tempestade, partiram.
Tia Vicência riu com Zé Fernandes e Jacinto contando da desconfiança dos senhores da
região.

CAPÍTULO 14
Noutro dia Zé Fernandes e Jacinto partiram para Flor de Malva, residência do tio
Adrião, que não pôde estar na festa de José por conta de um furúnculo, e da prima
Joaninha.

No caminho pararam numa taberna para apreciar um vinho e encontraram o tio João
Torrado, um velho conhecido na região como profeta e que logo identificou Jacinto
como o “pai dos pobres”, chegando ao ponto de suspeitar que nele pudesse estar dom
Sebastião reencarnado - crença baseada no Sebastianismo, um movimento que
acreditava na volta do rei d. Sebastião como um messias.

Chegando à Flor de Malva Jacinto se encanta pela beleza das terras, das plantações, das
construções... E também de Joaninha, com quem se casaria em breve.

CAPÍTULO 15
Cinco anos depois Jacinto já somava dois filhos - um casal - e se tornara um pai
responsável, cuidando com zelo de suas propriedades que um dia serviriam a seus
descendentes.

Ainda que tenha cedido novamente a algumas modernidades, como a instalação de


telefones em Tormes (sua residência), em Flor de Malva (casa do sogro), em Valverde
(residência do médico) e em Guiães (casa de Zé Fernandes), Jacinto encontrou um
equilíbrio, sendo prova disso que alguns dos aparatos que, finalmente, chegaram nos
caixotes perdidos foram levados direto ao sótão da casa. Talvez isso tenha se dado por
pressão de Joaninha, que valorizava a rudez da serra.

Até Grilo, criado de Jacinto, se adaptou à nova rotina e concordou com o narrador,
afirmando que seu patrão “brotou” para uma nova vida.

CAPÍTULO 16
Nos anos que se seguiram Jacinto pensou em retornar por alguns dias ao 202, levar seus
filhos para conhecer a “civilização”. Mas Joaninha, espertamente, reclamava um
cansaço ou outro e convencia seu marido a permanecer nas serras.

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A CIDADE E AS SERRAS: RESUMO POR CAPÍTULO

José Fernandes pensava o mesmo, mas, sem uma mulher que o segurasse, o realizou: foi
à Paris e lá encontrou as mesmas pessoas no mesmo movimento incessante, na mesma
superficialidade. Invenções, jornais, crimes, maquiagens, pratos, transportes,
propagandas, tumultos... Nada era novidade, tudo desapontava o narrador. Todos os
aparatos da cidade se resumiam duas funções únicas: “o lucro e o gozo”.

Em uma visita ao 202 reviu as estantes, os livros, os carpetes e os móveis cobertos por
lonas empoeiradas e pensou que tudo aquilo, em algum momento, seria tido como
velharia para os que lá fossem habitar. Tudo que era tanta modernidade seria história,
passado.

Voltando a Tormes tornou a estar feliz quando encontrou Jacinto, Joaninha e seus
filhos, Teresa e Jacintinho. Este último carregava nas mãos uma pequena bandeira que
chamava de “bandeira do castelo”, que o narrador logo associou à ideia de um castelo
montado por Jacinto, seu “príncipe da Grã-Ventura”, na “natureza campestre e mansa”,
“tão longe de amarguradas desilusões e de falsas delícias”.

FIM

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A CIDADE E AS SERRAS: RESUMO POR CAPÍTULO

QUESTÕES DE VESTIBULAR

1. (UNICENTRO) A única passagem que NÃO encontra apoio em A Cidade e as


Serras, de Eça de Queirós, é:

(A) Em A Cidade e as Serras, José Fernandes, de rica família proveniente de Guiães,


região serrana de Portugal, narra a história de Jacinto de Tormes, seu amigo também
fidalgo, embora nascido e criado em Paris.

(B) A Cidade e as Serras explora uma grave tese sociológica: ser-nos preferível viver e
roliferar pacificamente nas aldeias a naufragar no estéril tumulto das cidades.

(C) Para Jacinto, Portugal estava associado à infelicidade, enquanto Paris


associava-se à felicidade; ao longo do romance, contudo, essa opinião se modifica.

(D) No romance dois ambientes distintos são enfocados ao longo das duas partes em
que o livro pode ser dividido: a civilização e a natureza.

(E) Já avançado em idade, Jacinto se aborrece com as serras e tenciona reviver as


orgias parisienses, mas faltam-lhe, agora, saúde e riqueza.

2. (FOVEST) O romance A Cidade e as Serras, de Eça de Queirós, publicado em 1901,


é desenvolvimento de um conto chamado “Civilização”. Do romance como um todo
pode afirmar-se que:

(A) apresenta um narrador que se recorda de uma viagem que fizera havia algum
tempo ao Oriente Médio, à Terra Santa, de onde deveria trazer uma relíquia para uma
tia velha, beata e rica.

(B) caracteriza uma narrativa em que se analisam os mecanismos do casamento e o


comportamento da pequena burguesia da cidade de Lisboa.

(C) apresenta uma personagem que detesta inicialmente a vida do campo,


aderindo ao desenvolvimento tecnológico da cidade, mas que ao final regressa à
vida campesina e a transforma com a aplicação de seus conhecimentos técnicos e
científicos.

(D) revela narrativa cujo enredo envolve a vida devota da província e o celibato
clerical e caracteriza a situação de decadência e alienação de Leiria, tomando-a como
espelho da marginalização de todo o país com relação ao contexto europeu.

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(E) se desenvolve em duas linhas de ação: uma marcada por amores incestuosos; outra
voltada para análise da vida da alta burguesia lisboeta.

3. (FUVEST) “Já a tarde caía quando recolhemos muito lentamente. E toda essa
adorável paz do céu, realmente celestial, e dos campos, onde cada folhinha conservava
uma quietação contemplativa, na luz docemente desmaiada, pousando sobre as coisas
com um liso e leve afago, penetrava tão profundamente Jacinto, que eu o senti, no
silêncio em que caíramos, suspirar de puro alívio. Depois, muito gravemente: Tu dizes
que na Natureza não há pensamento... Outra vez! Olha que maçada! Eu... Mas é por
estar nela suprimido o pensamento que lhe está poupado o sofrimento! Nós,
desgraçados, não podemos suprimir o pensamento, mas certamente o podemos
disciplinar e impedir que ele se estonteie e se esfalfe, como na fornalha das cidades,
ideando gozos que nunca se realizam, aspirando a certezas que nunca se atingem!... E é
o que aconselham estas colinas e estas árvores à nossa alma, que vela e se agita
que viva na paz de um sonho vago e nada apeteça, nada tema, contra nada se insurja,
e deixe o mundo rolar, não esperando dele senão um rumor de harmonia, que a embale e
lhe favoreça o dormir dentro da mão de Deus. Hem, não te parece, Zé Fernandes?
Talvez. Mas é necessário então viver num mosteiro, com o temperamento de S. Bruno,
ou ter cento e quarenta contos de renda e o desplante de certos Jacintos...”

Eça de Queirós, A cidade e as serras.

Considerado no contexto de A cidade e as serras, o diálogo presente no excerto revela


que, nesse romance de Eça de Queirós, o elogio da natureza e da vida rural:

(A) indica que o escritor, em sua última fase, abandonara o Realismo em favor do
Naturalismo, privilegiando, de certo modo, a observação da natureza em detrimento da
crítica social.

(B) demonstra que a consciência ecológica do escritor já era desenvolvida o bastante


para fazê-lo rejeitar, ao longo de toda a narrativa, as intervenções humanas no meio
natural.

(C) guarda aspectos conservadores, predominantemente voltados para a


estabilidade social, embora o escritor mantenha, em certa medida, a prática da
ironia que o caracteriza.

(D) serve de pretexto para que o escritor critique, sob certos aspectos, os efeitos da
revolução industrial e da urbanização acelerada que se haviam processado em Portugal
nos primeiros anos do Século XIX.

(E) veicula uma sátira radical da religião, embora o escritor simule conservar, até certo
ponto, a veneração pela Igreja Católica quemanifestara em seus primeiros romances.

ResumoPorCapítulo.com.br 14
A CIDADE E AS SERRAS: RESUMO POR CAPÍTULO

4. FUVEST 2009 - Leia o trecho de A cidade e as serras, de Eça de Queirós, e responda


ao que se pede.

“Então, de trás da umbreira da taverna, uma grande voz bradou, cavamente,


solenemente:

—Bendito seja o Pai dos Pobres! E um estranho velho, de longos cabelos brancos,
barbas brancas, que lhe comiam a face cor de tijolo, assomou no vão da porta, apoiado
a um bordão, com uma caixa a tiracolo, e cravou em Jacinto dois olhinhos de um brilho
negro, que faiscavam. Era o tio João Torrado, o profeta da serra... Logo lhe estendi a
mão, que ele apertou, sem despegar de Jacinto os olhos, que se dilatavam mais negros.
E mandei vir outro copo, apresentei Jacinto, que corara, embaraçado.

—Pois aqui o tem, o senhor de Tormes, que fez por aí todo esse bem à
pobreza. O velho atirou para ele bruscamente o braço, que saía, cabeludo e quase
negro, de uma manga muito curta.

—A mão! E quando Jacinto lha deu, depois de arrancar vivamente a luva, João
Torrado longamente lha reteve com um sacudir lento e pensativo, murmurando:

—Mão real, mão de dar, mão que vem de cima, mão já rara! [...] Eu então debrucei a
face para ele, mais em confidência:

—Mas, ó tio João, ouça cá! Sempre é certo você dizer por aí, pelos sítios, que el-rei D.
Sebastião voltara?”

(Eça de Queirós. A cidade e as serras).

a) No trecho, Jacinto é chamado, pelo velho, de “Pai dos Pobres”. Essa qualificação
indica que Jacinto mantinha com os pobres da serra uma relação democrática e
igualitária? Justifique sua resposta.

Não, sua relação era paternalista assistencialista, mantendo-se distinção de classe e


de privilégio entre ele e os camponeses. Por mais que ele dê esmolas e tente
melhorar a vida dos camponeses, a estrutura socioeconômica, da qual ele é
beneficiário, continua.

b) Tendo em vista o contexto da obra, explique sucintamente por que o narrador, no


final do trecho, se refere a “el-rei D. Sebastião”.

Nesse momento, o narrador retoma o principal mito português: a volta de


D. Sebastião, assim associa o paternalismo rural de Jacinto, que retorna da
França para Portugal, ao messianismo sebastianista.

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A CIDADE E AS SERRAS: RESUMO POR CAPÍTULO

5. FUVEST 1995 – Os romances de Eça de Queirós costumam apresentar críticas a


aspectos importantes da sociedade portuguesa, frequentemente acompanhadas de
propostas (explícitas ou implícitas) de reforma social. Em A Cidade e as Serras:

a) qual o aspecto que se critica nas elites portuguesas?

O conservadorismo e a futilidade.

b) qual é a relação, segundo preconiza o romance, que essas elites deveriam estabelecer
com as classes subalternas?

Relação assistencialista.

6. UNESP 1991 – Leia o trecho abaixo e responda:

“Brancas rochas, pelas encostas, alastravam a sólida nudez do seu ventre polido
pelo vento e pelo sol; outras, vestidas de líquen e de silvados floridos,
avançavam como proas de galeras enfeitadas; e, de entre as que se apinhavam
nos cimos, algum casebre que para lá galgara, todo amachucado e torto,
espreitava pelos postigos negros, sobre as desgrenhadas farripas de verdura, que o
vento lhe semeara nas telhas. Por toda a parte a água sussurrante, a água fecundante...
Espertos regatinhos fugiam, rindo com os seixos, de entre as patas da égua e do
burro; grossos ribeiros açodados saltavam com fragor de pedra em pedra; fios direitos
e luzidios como cordas de prata vibravam e faiscavam das alturas aos barrancos; e
muita fonte, posta à beira de veredas, jorrava por uma bica, beneficamente, à
espera dos homens e dos gados... “

Ao longo deste trecho de A cidade e as serras, Eça de Queirós se serve repetidamente


da prosopopeia ou personificação, figura que consiste em atribuir a seres inanimados
qualidades próprias de seres animados (particularmente qualidades humanas).

Releia o trecho e explique o efeito expressivo das prosopopeias ou personificações na


descrição das serras e de seus acidentes.

As prosopopeias fazem uma aproximação entre os elementos paisagem e homem,


aumentando a identificação do leitor com a natureza descrita.

7. UFRS 2001 - Considere o enunciado abaixo e as três possibilidades para completá-


lo. Em “A Cidade e as Serras,” de Eça de Queirós, através das personagens Zé

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A CIDADE E AS SERRAS: RESUMO POR CAPÍTULO

Fernandes e Jacinto de Tormes, que vivem uma vida sofisticada na Paris finissecular,
percebe-se:

I – uma visão irônica da modernidade e do progresso através de descrições de inventos


reais e fictícios.

II – uma consciência dos conflitos que a vida moderna traz ao indivíduo que vive nas
grandes cidades.

III – uma mudança progressiva quanto ao modo de valorizar a vida junto à natureza e
os benefícios dela decorrentes.

Quais estão corretas?

(A) Apenas I.

(B) Apenas II.

(C) Apenas III.

(D) Apenas I e II.

(E) I, II e III.

8. FUVEST 2014 - Com base na leitura da obra A cidade e as serras, de Eça de Queirós,
publicada originalmente em 1901, é correto concluir que, nela, encontra-se:

(A) o prenúncio de uma consciência ecológica que iria eclodir com força somente em
finais do século XX, mas que, nessa obra, já mostrava um sentido visinário, inspirado
pela invenção dos motores a vapor.

(B) uma concepção de hierarquia civilizacional entre as regiões do mundo, na qual, a


Europa representaria a modernidade e um modelo a seguir, e a América, o atraso e um
modelo a ser evitado.

(C) a construção de uma associação entre indivíduo e divindade, já que, no livro, a


natureza é, fundamentamente, símbolo de uma condição interior a ser alcançada por
meio da resignação e penitência.

(D) a manifestação de um clima de forte otimismo, decorrente do fim do ciclo bélico


mundial do século XIX, que trouxe à tona um anseio de modernização de sociedades em
vários continentes.

ResumoPorCapítulo.com.br 17
A CIDADE E AS SERRAS: RESUMO POR CAPÍTULO

(E) uma valorização do meio rural e de modos de vida a ele associados, nostalgia
típica de um momento da história marcado pela consolidação da industrialização e
da concentração da maior parte da população em áreas urbanas.

9. PUC 2007 - Eça de Queirós escreveu em 1901 o romance “A Cidade e as Serras”. A


primeira parte da narrativa acontece em Paris; a segunda, em Tormes, Portugal. Nessa
obra, Eça se afasta do romance experimental naturalista; abandona, então, no dizer de
Antônio Cândido, a crítica ao clero, à burguesia e à nobreza e dá apoio às novas
camadas suscitadas pela indústria e vida moderna. Está mais próximo das estruturas
portuguesas que tanto criticara. Assim, desse romance como um todo, não é correto
afirmar que:

(A) desde o início, o narrador apresenta um ponto de vista firme, depreciando a


civilização da cidade.

(B) o personagem José Fernandes (Zé) relata a história do protagonista Jacinto de


Tormes, valendo-se de sua própria experiência para indicar-lhe um caminho.

(C) Jacinto sofre uma regeneração em contato estreito com a natureza, numa atitude de
encantamento e lirismo e integra-se, por fim, na vida produtiva do campo.

(D) o personagem protagonista se transforma, mas sente-se incompleto porque não


consegue o amor de uma mulher e nem tem a possibilidade da constituição de um
lar.

(E) o protagonista, supercivilizado, detestava a vida do campo e amontoara em seu


palácio, em Paris, os aparelhos tecnicamente mais sofisticados da época.

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