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Aula 9.

Português p/ Escrivão da Polícia Federal (com videoaulas)


Professores: Décio Terror, Equipe Décio Terror

39407301494 - Vitória Mariah Sophia Castro


Português para Polícia Federal
Teoria e exercícios comentados
Prof. Décio Terror Aula 9.1

Aula 9.1: Emprego das classes de palavras. Emprego de tempos e


modos verbais. Domínio da ortografia oficial. Colocação dos
pronomes átonos.

SUMÁRIO PÁGINA
1. Formas Nominais 2
2. Estrutura verbal 5
3. Modo verbal 7
4. Tempos verbais 7
5. Correlação de modos e tempos verbais 32
6. Lista de questões para revisão 37
7. Gabarito 50

Olá, pessoal!
Como o conteúdo é grande e não podemos deixar de inserir muitas
questões, tomei a liberdade de dividir esta aula em duas partes.
Também extraí dos editais do CESPE aquilo que realmente cai nas provas
em relação às classes de palavras!
Vale lembrar que o tema verbo não tem muita ocorrência nas provas da
banca CESPE, mas eu inseri questões, mesmo antigas, para que você tenha a
noção de como essa banca cobra.
Não deixe de assistir à nossa videoula que trabalha este mesmo tema!
VERBO
É a palavra que se flexiona em número (singular/plural), pessoa
(primeira, segunda e terceira), modo (indicativo, subjuntivo e imperativo),
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tempo (presente, pretérito e futuro), e voz (ativa, passiva e reflexiva). Pode


indicar ação (fazer, copiar), estado (ser, permanecer, ficar), fenômeno natural
(chover, anoitecer), ocorrência (acontecer, suceder), desejo (aspirar, almejar)
e outros processos.
Para entendermos o emprego de tempos e modos verbais, abordaremos
o assunto da seguinte forma:
I- conceitos gerais;
II - estrutura do verbo;
III - reconhecimento dos tempos e modos verbais;
IV - emprego desses tempos e modos verbais;
V- correlação de tempos e modos verbais.

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1 O que são formas nominais?


Muita gente se pergunta por que o infinitivo, o gerúndio e o particípio são
chamados de formas nominais, se eles são verbos. Bom, o motivo disso é
porque muitas vezes se comportam como nomes (substantivo, advérbio e
adjetivo). Veja:
Infinitivo: termina em “r” (cantar, saber, partir). Algumas vezes se comporta
como substantivo em construções do tipo “Amar é viver” (Amor é vida);
“Estudar é bom” (Estudo é bom).
É por isso que, quando as orações subordinadas substantivas não são
desenvolvidas, normalmente são reduzidas de infinitivo.
Gerúndio: geralmente termina em “ndo” (cantando, sabendo, partindo).
Algumas vezes se comporta como advérbio em construções do tipo
“Amanhecendo, vou a sua casa” (valor adverbial de tempo: quando
amanhecer); “Estudando, passarei no concurso” (valor adverbial de condição:
se estudar).
É por isso que, quando as orações subordinadas adverbiais não são
desenvolvidas, normalmente são reduzidas de gerúndio.
Particípio: geralmente termina em “do”: cantado, sabido, partido. Algumas
vezes ocupa valor de adjetivo, em construções do tipo:
“Ele é abençoado”; “Aquela pessoa está morta”.
É por isso que, quando as orações subordinadas adjetivas não são
desenvolvidas, normalmente são reduzidas de particípio.
Observação: Esses vocábulos em negrito são gerados a partir do verbo
“abençoar abençoado”; morrer morrido morto”, mas são, nestes contextos,
adjetivos, pois caracterizam o pronome “Ele” e o substantivo “pessoa”. Veja
que esses adjetivos desempenham a função sintática de predicativo do sujeito.
“Ele é abençoado”; “Aquela pessoa está morta”.
suj + VL + predicativo sujeito + VL + predicativo

Porém, essas mesmas palavras podem, mudando-se o contexto, ser


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verbos, desde que seja expressa uma ação verbal, uma atividade:
“Ele é abençoado por Deus”; “Aquela pessoa foi morta por um bandido”.
suj + locução verbal+ agente passiva sujeito + locução verbal+ agente passiva

Nesses dois casos, veja que os agentes da passiva “por Deus” e “por um
bandido” nos indica que há locução verbal da voz passiva “é abençoado” e “foi
morta”. Por isso, as palavras em negrito não podem ser adjetivos.
Veja a aplicação disso na prova.
Questão 1: TCE PE 2004 Procurador (banca CESPE)
1 A informação está cada vez mais ao nosso alcance. Mas a
sabedoria, que é o tipo mais precioso de conhecimento, essa só pode ser
encontrada nos grandes autores da literatura. Esse é o primeiro motivo
por que devemos ler. O segundo motivo é que todo bom pensamento,

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5 como já diziam os filósofos e os psicólogos, depende da memória. Não é


possível pensar sem lembrar — e são os livros que ainda preservam a
maior parte da nossa herança cultural. Finalmente, e este motivo está
relacionado ao anterior, eu diria que uma democracia depende de
pessoas capazes de pensar por si próprias. E ninguém faz isso sem ler.
Pela construção textual, depreende-se que, apesar de serem formas verbais,
os vocábulos “pensar” e “lembrar”, ambos na linha 6, estão empregados como
substantivos.
Comentário: Sabemos que o verbo no infinitivo pode ser empregado como
substantivo, principalmente quando vier antecedido do artigo, procedimento
que chamamos de substantivação ou derivação imprópria, como nos seguintes
exemplos: “Como filósofos, devemos pensar o viver das pessoas.”
Note que o infinitivo “viver” foi antecipado do artigo simplesmente para
enfatizar seu uso substantivo. Assim, houve simplesmente o nome da ação: “o
viver”. Poderíamos simplesmente ter substituído por substantivo. Veja:
“Como filósofos, devemos pensar a vida das pessoas.”
Agora, veja que a questão pede ao candidato para observar se a
estrutura textual admite ler estes verbos como simples substantivos, isto é,
nomes das ações. Isso não, pois ele nos induz a perceber a ênfase nas ações.
Veja que o texto defende que “devemos ler” (o autor quer uma postura ativa
do leitor), “ninguém faz isso sem ler” (sem realmente agir). Assim, segundo o
texto, não é possível “pensar” (ação, atividade intelectual) sem “lembrar” (sem
resgatar o que havia aprendido com o ato de ler). Esses dois verbos fazem
parte de orações subordinadas reduzidas, pois podemos desenvolvê-las,
preservando o sentido. Veja:
Não é possível que se pense sem que se lembre...
Assim, o texto enfatiza a ação, só por isso não podemos dizer que os
dois infinitivos estejam sendo usados com valor de substantivo.
Gabarito: E

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Questão 2: TRE–AP / 2007 / Analista (banca CESPE)


1 Os montantes investidos passaram de R$ 191 milhões em 2003 para
R$ 871,6 milhões, empenhados em 2006.
Também a partir do assentamento, essa família passa a participar
de uma série de programas que são desenvolvidos pelo governo federal.
5 Além de promover a geração de renda das famílias de trabalhadores
rurais, os assentamentos da reforma agrária também contribuem para
inibir a grilagem de terras públicas, combater a violência no campo e
auxiliar na preservação do meio ambiente e da biodiversidade local,
especialmente na região Norte do país. Na qualificação dos
10 assentamentos, foram investidos R$ 2 bilhões em quatro anos. Os
recursos foram aplicados na construção de estradas, na educação e na
oferta de luz elétrica, entre outros benefícios. O governo também
construiu ou reformou mais de 32 mil quilômetros de estradas e pontes,

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beneficiando diretamente 197 mil assentados. Além disso, o número de


15 famílias assentadas beneficiadas com assistência técnica cresceu
significativamente. Em 2006, esse número foi superior a 555 mil.
Estão empregadas em função adjetiva as seguintes palavras do texto:
“investidos” (linha 1), “aplicados” (linha 11), “beneficiando” (linha 14) e
“assentados” (linha 14).
Comentário: Note que esses vocábulos são gerados dos verbos “investir”,
“aplicar”, “beneficiar” e “assentar”. Com a inserção da desinência de particípio
“-do”, esses vocábulos podem, a depender do contexto, transformar-se em
adjetivo.
Na linha 1, o vocábulo “investidos” é um adjetivo, porque está
caracterizando o substantivo “montantes”. Esse adjetivo foi gerado do verbo
“investir”, que se transformou em particípio “investido” e, neste contexto, é
um adjetivo.
Na linha 11, o vocábulo “aplicados” é um verbo no particípio, pois, na
estrutura oracional, percebemos que há a locução verbal da voz passiva. Veja
que podemos subentender um agente da passiva neste contexto:
Os recursos foram aplicados (por alguém) na construção de estradas, na
educação e na oferta de luz elétrica, entre outros benefícios.
Na linha 14, o vocábulo “beneficiando” é um verbo no gerúndio. Assim,
não pode ser considerado adjetivo.
Também na linha 14, o vocábulo “assentados” remete a um adjetivo
(“pessoas assentadas, famílias assentadas, grupos assentados”), porém, neste
contexto, esse vocábulo está sendo quantificado pelo numeral “197 mil”.
Assim, está sendo empregado como substantivo.
Resumindo, apenas o vocábulo “investidos” é um adjetivo; os vocábulos
“aplicados” e “beneficiando” são verbos e “assentados” é um substantivo.
Dessa forma, a afirmativa está errada.
Gabarito: E

Questão 3: TRE–AP / 2007 / Analista (banca CESPE)


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Fragmento do texto: Somado aos nomeados desde 2003, o número de


novos servidores passou para 1.800, o que representa um aumento de mais
de 40% na força de trabalho do Instituto.
O vocábulo “Somado” é forma nominal no particípio e introduz oração
reduzida com valor condicional.
Comentário: O vocábulo “Somado” possui o sufixo “-do” marcando o
particípio. Isso quer dizer que realmente há uma oração reduzida de
particípio; mas o problema é que não há valor de condição, mas tempo ou até
causa. Veja:
Depois que foi somado aos nomeados desde 2003...
Porque foi somado aos nomeados desde 2003...
Gabarito: E

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Questão 4: Detran - ES / 2011 / nível superior (banca CESPE)


Fragmento de texto: Essa nova forma de ver a mobilidade deve promover o
reordenamento dos espaços e das atividades urbanas, de forma a reduzir as
necessidades de deslocamento motorizado e seus custos e construir espaços e
tempos sociais em que se preserve, defenda e promova a qualidade do
ambiente natural e os patrimônios históricos, culturais e artísticos das cidades
e dos bairros antigos.
A expressão “de forma a reduzir” poderia ser substituída pela forma verbal
reduzindo sem prejuízo para o sentido e a correção gramatical do período
sintático em que ocorre.
Comentário: Não se pode substituir a expressão “de forma a reduzir” por
reduzindo, tendo em vista que esta oração é coordenada à segunda
“construir espaços e tempos sociais”, a qual também, por paralelismo,
encontra-se iniciada por verbo no infinitivo. O uso de gerúndio em “reduzindo”
forçaria o uso de gerúndio também em “construindo”. Veja:
...de forma a reduzir as necessidades de deslocamento motorizado e seus
custos e construir espaços e tempos sociais...
... reduzindo as necessidades de deslocamento motorizado e seus custos e
construindo espaços e tempos sociais...
Gabarito: E

2. É importante sabermos a estrutura do verbo?


Olha, entender a estrutura da palavra nos ajuda a saber seu sentido, sua
flexão etc. No caso dos verbos, ajuda-nos a entender a conjugação, que fará
diferença no sentido do verbo no texto. Então, vamos à estrutura do verbo.
(NÃO DECORE, procure apenas entender)
Estrutura das formas verbais:
Há três tipos de morfemas (partes da palavra) que participam da
estrutura das formas verbais: o radical, a vogal temática e as desinências.
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a. radical – é o morfema que concentra o significado essencial do verbo:


estud-ar vend-er permit-ir
am-ar beb-er part-ir
cant-ar escond-er proib-ir
b. Vogal temática – é o morfema que permite a ligação entre o radical e as
desinências. Há três vogais temáticas:
-a- caracteriza os verbos da primeira conjugação: solt-a-r, cant-a-r
-e- caracteriza os verbos da segunda conjugação: viv-e-r, esquec-e-r
O verbo pôr e seus derivados (supor, depor, repor, compor, etc)
pertencem à segunda conjugação, pois sua vogal temática é –e–, obtida da
forma portuguesa arcaica poer, do latim poere.
-i- caracteriza os verbos da terceira conjugação: assist-i-r, decid-i-r
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O conjunto formado pelo radical e pela vogal temática recebe o nome de


tema. Assim:
tema tema tema

cantar vender partir


1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação

c. Desinências – são morfemas que se acrescentam ao tema para indicar as


flexões do verbo. Há desinências número-pessoais e desinências modo-
temporais:

cant á sse mos Desinência número-pessoal


Indica a pessoa do discurso (1ª, 2ª, 3ª) e
número (singular ou plural)

Radical
É a base de sentido do verbo.
Vogal temática Desinência modo-temporal
Indica a conjugação (1ª, 2ª, 3ª) Indica o modo (indicativo e subjuntivo) e o tempo
verbal (presente, passado, futuro)

Essas desinências serão fundamentais para notarmos em que modos e


tempos os verbos estão e com isso sabermos empregá-los. Mais à frente em
nossa aula, faremos a conjugação do verbo e você terá discriminado cada
morfema para entender melhor o processo de conjugação. Como dissemos,
sem decoreba.
Questão 5: TRE - TO/ 2006 / Técnico (banca CESPE)
1 Distraídos com a discussão sobre os índices de crescimento,
deixamos de perceber que desenvolvimento é o processo contínuo pelo
qual uma sociedade aprende a administrar realidades cada vez mais
complexas.
5 Quando dizemos que os suíços ou suecos são desenvolvidos, o que
temos em mente não é apenas que eles são mais ricos que nós. O que
está subentendido é que também sabem gerir melhor os trens e as escolas
primárias, as florestas e os hospitais, as universidades e as penitenciárias,
os museus e os tribunais. Em outras palavras, ser desenvolvido é uma
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10 totalidade.
No Brasil temos ilhas de excelência: o Departamento do Tesouro, a
EMBRAPA, o Itamaraty, entre outras. Mas estão afogadas em oceano de
incompetência, em certos pontos com profundidades abissais. As
demandas de exigência crescente de uma sociedade dinâmica são
15 atendidas pelas ilhas de eficiência, mas logo se atolam nos gargalos da
inépcia.
Rubens Ricupero. Folha de S.Paulo, 26/11/2006, p. B2 (com adaptações).
O emprego da primeira pessoa do plural em “deixamos” (linha 2), “dizemos”
(linha 5), “nós” (linha 6) e “temos” (linha 11) indica a inclusão do autor e do
leitor na informação.
Comentário: A desinência número-pessoal “-mos” e o pronome “nós”
confirmam que o autor realmente utiliza a primeira pessoa do plural. Nos
textos dissertativos, é normal o autor se valer dessa pessoa do discurso para
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se incluir e incluir também o leitor no grupo sobre o qual fala o texto. Esta é
também uma forma de aproximação entre autor e leitor. Por isso, está correta
a afirmativa.
Gabarito: C

3. Uma das desinências aponta o modo verbal. Mas o que é modo verbal?

Podemos entender os modos verbais como os divisores dos tempos


verbais. Cada modo possui tempos verbais peculiares. Os modos verbais são:
o indicativo, o subjuntivo e o imperativo. Entendê-los é importante para
sabermos seu emprego no texto. Veja:
Indicativo: transmite certeza, convicção:
Eu estudo todos os dias.
Subjuntivo: transmite dúvida, incerteza, possibilidade:
Talvez eu estude ainda hoje.
Imperativo: transmite ordem, pedido, solicitação, conselho:
Estude, pois esta matéria é importante para a prova.
Então vejamos a flexão dos verbos em cada tempo e em seguida o
emprego do tempo verbal.
Para fins didáticos, vamos notar algumas letras com contornos diferentes
para chamar sua atenção quanto à estrutura do verbo. Isso é apenas para
facilitar seu entendimento da conjugação. As letras marcadas em negrito são
vogais temáticas, as sublinhadas são desinências número-pessoais. O morfema
entre a vogal temática e a desinência número-pessoal é a desinência modo-
temporal, marcada com .

estuda s
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radical vogal temática desinência modo-temporal desinência número-pessoal.

4. Os tempos do modo INDICATIVO


Agora, em cada modo verbal, vamos inserir os tempos. O trabalho será o
seguinte: cada tempo será explorado de forma a você simplesmente
reconhecê-lo e em seguida entender seu emprego.
4.a.1 Reconhecimento do tempo presente do indicativo:
eu estudo vendo permito
tu estudas vendes permites
ele estuda vende permite
nós estudamos vendemos permitimos
vós estudais vendeis permitis
eles estudam vendem permitem

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4.a.2 Quando empregamos este tempo verbal?


a. Geralmente se diz que o presente do indicativo é o tempo que indica
processos verbais que se desenvolvem simultaneamente ao momento em que
se fala ou escreve:
Estou em São Paulo. Não confio nele.
b. Na verdade, o presente do indicativo vai muito além. Pode também
expressar processos habituais, regulares, ou aquilo que tem validade
permanente:
Tomo banho todos os dias. Durmo pouco.
Todos os cidadãos são iguais perante a lei.
A Terra gira em torno do Sol.
Algumas vezes a banca CESPE cobra a substituição deste tempo verbal
simples pelas locuções verbais “vir + gerúndio” e “ter + particípio”.
Veja:
Eu estudo todos os dias.
Eu venho estudando todos os dias.
Eu tenho estudado todos os dias.
Esta última forma verbal (tenho estudado) é, na realidade, o tempo
pretérito perfeito composto do indicativo, o qual será visto adiante.
c. Pode também ser empregado para narrar fatos passados, conferindo-lhes
atualidade. É o chamado presente histórico:
No dia 17 de dezembro de 1989, pela primeira vez em quase trinta anos,
o povo brasileiro elege diretamente o presidente da República. Iludida pelos
meios de comunicação, a população não percebe que está diante de um
farsante. Mas a verdade não demora a chegar. O presidente-atleta logo
mostra quem é. Seu braço direito, PC Farias, saqueia o país. Forma-se uma
Comissão Parlamentar de Inquérito, que investiga as atividades ilícitas da
dupla. Em alguns meses, os escândalos apurados são tantos, que só resta ao
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aventureiro renunciar.
d. O presente também pode ser usado para indicar um fato futuro próximo e
de realização tida como certa:
Daqui a pouco, a gente volta. Embarco no próximo sábado.
e. Utilizado com valor imperativo, o presente constitui uma forma delicada e
familiar de pedir ou ordenar alguma coisa:
Artur, agora você se comporta direitinho.
Depois, vocês resolvem esse problema para mim.

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Questão 6: DPU 2016 Nível Superior (banca CESPE)

As formas verbais empregadas na tirinha, embora flexionadas na terceira


pessoa do singular, indicam ações praticadas por Mafalda e por ela relatadas
no momento de sua realização, o que justifica o emprego do presente do
indicativo.
Comentário: A afirmação está errada, basicamente porque se faz entender
que todos os verbos estariam flexionados na terceira pessoa do singular.
Porém, no quinto quadrinho, o verbo “torno” encontra-se na primeira pessoa
do singular.
Quanto ao emprego do tempo verbal, realmente os verbos expressam
ações no momento em que Mafalda pensa (note que ela está pensando, não
está falando, relatando). Na realidade, a narrativa de Mafalda é sua fantasia
sobre alguém narrando seu feito. Por isso os verbos dos quatro primeiros
quadrinhos estão na terceira pessoa do singular.
Gabarito: E

TRT- RJ / 2008 / nível superior (banca CESPE)


A raça humana

A raça humana é
Uma semana
Do trabalho de Deus.
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A raça humana é a ferida acesa


Uma beleza, uma podridão
O fogo eterno e a morte
A morte e a ressurreição.
A raça humana é o cristal de lágrima
Da lavra da solidão
Da mina, cujo mapa
Traz na palma da mão.
A raça humana risca, rabisca, pinta
A tinta, a lápis, carvão ou giz
O rosto da saudade
Que traz do Gênesis
Dessa semana santa
Entre parênteses
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Desse divino oásis


Da grande apoteose
Da perfeição divina
Na grande síntese.
A raça humana é
Uma semana
Do trabalho de Deus.
Gilberto Gil.
Questão 7: Julgue as afirmativas a seguir sobre o uso do tempo verbal no
texto:
O verbo ser encontra-se no presente do indicativo porque o autor pretende
marcar fatos que ocorrerão em um futuro próximo.
Comentário: O presente do indicativo pode marcar fatos que ocorrerão em
um futuro próximo, no intuito de destacá-lo, como: Amanhã vou a sua casa.
Porém, no contexto, o emprego não é este.
Gabarito: E

Questão 8: O verbo ser encontra-se no presente do indicativo para expressar


ações habituais dos seres humanos que ainda não foram concluídas.
Comentário: O presente do indicativo também pode expressar ações
habituais dos seres humanos que ainda não foram concluídas, por exemplo:
“Alfredo come e dorme”.
Porém, não é esse o motivo de seu uso no texto.
Gabarito: E

Questão 9: O verbo ser encontra-se no presente do indicativo para dar vida


a fatos ocorridos no passado, como se fossem atuais.
Comentário: O presente do indicativo pode marcar fatos ocorridos no
passado, como se fossem atuais, no sentido de avivá-los ao leitor, é o
chamado presente histórico. Mas não é esse o emprego no texto.
Gabarito: E

Questão 10: O verbo ser encontra-se no presente do indicativo para


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apresentar uma condição ou situação como permanente.


Comentário: O autor sugere um dado conceitual, isto é, apresenta uma
situação de caráter permanente, como as seguintes passagens do texto: “A
raça humana é uma semana.”; “A raça humana é a ferida acesa”; “A raça
humana é o cristal de lágrima.” Por isso, a afirmativa está correta.
Gabarito: C

Questão 11: O verbo ser encontra-se no presente do indicativo para


enunciar fatos que ocorrem no momento em que o texto é escrito.
Comentário: O presente pode enunciar fatos que ocorrem no momento em
que o texto é escrito, por exemplo: Estou escrevendo enquanto falo com
você. Porém, no contexto, o emprego não é este.
Gabarito: E

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Questão 12: Sec Edu AM / 2011 / nível superior (banca CESPE)


Uma aula é como comida. O professor é o cozinheiro. O aluno é quem
vai comer. Se a criança se recusa a comer, pode haver duas explicações.
Primeira: a criança está doente. A doença lhe tira a fome. Quando se obriga a
criança a comer quando ela está sem fome, há sempre o perigo de que ela
vomite o que comeu e acabe por odiar o ato de comer. É assim que muitas
crianças acabam por odiar as escolas. O vômito está para o ato de comer
como o esquecimento está para o ato de aprender. Esquecimento é uma
recusa inteligente da inteligência. Segunda: a comida não é a comida que a
criança deseja comer: nabo ralado, jiló cozido, salada de espinafre... O corpo
é um sábio: não come tudo o que jogam para ele, mas opera com um delicado
senso de discriminação. Algumas coisas ele deseja. Prova. Se são gostosas,
ele come com prazer e quer repetir. Outras não lhe agradam, e ele recusa. Aí
eu pergunto: “O que se deve fazer para que as crianças tenham vontade de
tomar sorvete?”. Pergunta boba. Nunca vi criança que não estivesse com
vontade de tomar sorvete. Mas eu não conheço nenhuma mágica que seja
capaz de fazer que uma criança seja motivada a comer salada de jiló com
nabo. Nabo e jiló não provocam sua fome.
(...)
As crianças têm, naturalmente, um interesse enorme pelo mundo. Os
olhinhos delas ficam deslumbrados com tudo o que veem. Devoram tudo.
Lembro-me da minha neta de um ano, agachada no gramado encharcado,
encantada com uma minhoca que se mexia. Que coisa fascinante é uma
minhoca aos olhos de uma criança que a vê pela primeira vez! Tudo é motivo
de espanto. Nunca esteve no mundo. Tudo é novidade, surpresa, provocação
à curiosidade. Quando visitei uma reserva florestal no Espírito Santo, a bióloga
encarregada de educação ambiental me contou que era um prazer trabalhar
com as crianças. Não era necessário nenhum artifício de motivação. As
crianças queriam comer tudo o que viam. Tudo provocava a fome dos seus
olhos: insetos, pássaros, ninhos, cogumelos, cascas de árvores, folhas,
bichos, pedras. (...) Os olhos das crianças têm fome de coisas que estão
perto. (...) São brinquedos para elas. Estão naturalmente motivadas por eles.
Querem comê-los. Querem conhecê-los. 39407301494

Rubem Alves. Por uma educação romântica.


Campinas: Papirus, 2002, p. 82-4 (com adaptações).
A predominância, no texto, das formas verbais no presente do indicativo tem
o efeito de dar aos fatos apresentados o caráter de fatos reais, habituais e
naturais, o que reforça os argumentos do autor com relação aos processos de
aprendizagem das crianças.
Comentário: Veja que o texto é construído com base na realidade atual (“É
assim que muitas crianças acabam por odiar as escolas.”), transmitindo
processos conceituais para provar esta realidade. Vários são os exemplos que
denotam fatos, como “Lembro-me da minha neta de um ano, agachada no
gramado encharcado, encantada com uma minhoca que se mexia.”
Também podemos perceber ações habituais e naturais, como “Algumas
coisas ele deseja. Prova. Se são gostosas, ele come com prazer e quer repetir.
Outras não lhe agradam, e ele recusa.”

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Além disso, note principalmente o início do texto com verbos no


presente, que enfatizam o processo de aprendizagem das crianças.
Resumindo, importa saber que o verbo, no presente do indicativo, é
importante na argumentação conceitual, pois mostra a atualidade, dando um
tom de realidade, verdade.
Assim, a questão está correta.
Gabarito: C

Questão 13: INCA / 2010 / nível superior (banca CESPE)


Fragmento do texto: Um dos aspectos mais notáveis da aventura do
homem ao longo da história tem sido seu constante anseio de buscar novas
perspectivas, abrir novos horizontes desconhecidos, investigar possibilidades
ainda inexploradas, enfim, ampliar o conhecimento.
Seriam preservadas a correção gramatical do texto, bem como a coerência de
sua argumentação, se, em lugar de “tem sido”, fosse usada a forma verbal é;
no entanto, a opção empregada no texto ressalta o caráter contínuo e
constante dos aspectos mencionados.
Comentário: Foi visto que o tempo pretérito perfeito composto é empregado
para reforçar o caráter de prolongamento do processo verbal. Esse tempo
pode ser substituído pelo presente do indicativo. Quando se prefere utilizar o
tempo composto, a intenção é valorizar a continuidade, o prolongamento. Por
isso, a afirmativa está correta.
Gabarito: C

Questão 14: EBC - 2011 nível médio (banca CESPE)


Fragmento de texto: Meios de comunicação de massa financiados por
dinheiro público e livres do controle privado comercial têm sido um modelo de
comunicação bastante explorado e consolidado na maioria das democracias
modernas.
Prejudica-se a correção gramatical do período ao se substituir “têm sido” (linha
2) por são.
Comentário: A estrutura verbal “têm sido” é o pretérito perfeito composto do
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indicativo, mencionado anteriormente na teoria. Este tempo composto


transmite uma regularidade, assim como o presente do indicativo “são”.
Assim, pode-se substituir “têm sido” por “são”.
Como a questão afirmou que haveria prejuízo da correção gramatical,
está errada.
Gabarito: E

Questão 15: Polícia Federal / 2004 / nível médio (banca CESPE)


Fragmento do texto: Na verdade, a integração da economia mundial —
apontada pelas nações ricas e seus prepostos como alternativa única — vem
produzindo, de um lado, a globalização da pobreza e, de outro, uma
acumulação de capitais jamais vista na história,
Provoca-se incoerência textual e perde-se a noção de continuidade da ação ao
se substituir a expressão verbal “vem produzindo” por tem produzido.

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Comentário: Não se provoca incoerência gramatical nessa substituição, pois


as duas locuções transmitem ideia de regularidade, continuidade.
Gabarito: E

Questão 16: TRT RJ 2008 nível superior (banca CESPE)


Fragmento do texto: Dados do Cadastro Geral de Empregados e
Desempregados (CAGED) divulgados ontem pelo Ministério do Trabalho e
Emprego (MTE) apontam para a criação de 554 mil postos de trabalho com
carteira assinada no primeiro trimestre deste ano, o que representa recorde
histórico para esse período. A série de dados do CAGED tem início em 1992.
Contra os três primeiros 4 meses de 2007, quando foram criadas 399 mil
vagas (recorde anterior), segundo informações do MTE, o crescimento no
número de empregos formais criados foi de 38,7%.
Na frase que se inicia por “A série”, a substituição da forma verbal no
presente pela forma correspondente no pretérito perfeito alteraria o sentido
do texto.
Comentário: Pode-se, contextualmente, trocar o presente do indicativo pelo
pretérito perfeito do indicativo, pois isso não altera o sentido: “A série de
dados do CAGED tem início em 1992”. O verbo grifado encontra-se no
presente do indicativo com valor de presente histórico. Esse emprego é
comum quando se quer contar um fato ocorrido no passado, mas avivando-o
utilizando o presente, como “Então em 1992, Fernando Collor sucumbe à
multidão.”, “Pedro Álvares Cabral descobre o Brasil em 1500.”. A troca pelo
pretérito perfeito do indicativo é natural e não causa incoerência: Então em
1992, Fernando Collor sucumbiu à multidão.”, “Pedro Álvares Cabral
descobriu o Brasil em 1500.”. O mesmo ocorre com o texto: “A série de
dados do CAGED teve início em 1992.”
Gabarito: E

Questão 17: TRE - TO / 2007 / Analista (banca CESPE)


Fragmento de texto: As penitenciárias têm de ser aprimoradas, a justiça
precisa aplicar melhor as leis, e a legislação não pode deixar de ser revista
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para enfrentar um bandido diferente daquele da época da redação do Código


Penal.
É uma substituição correta para o texto trocar “têm de ser” por devem ser.
Comentário: Veja que trocamos um verbo do presente do indicativo (“têm”)
por outro também no presente (“devem”). A locução verbal “têm de ser”
transmite uma ideia de obrigação. Esse mesmo valor é conservado com a
locução verbal “devem ser”. Por isso, a troca está de acordo com o contexto.
Gabarito: C

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4.b.1. Reconhecimento do tempo pretérito imperfeito do indicativo

eu estuda vend permit


tu estuda s vend s permit s
ele estuda vend permit
nós estudá mos vend mos permit mos
vós estudá is vend is permit is
eles estuda m vend m permit m
Perceba as desinências modo-temporais “-va” (primeira conjugação) e “-ia”
(segunda conjugação).
4.b.2. Quando empregamos este tempo verbal?
a. Esse tempo tem várias aplicações. Pode transmitir uma ideia de
continuidade, de processo que no passado era constante ou frequente:
Estavam todos muito satisfeitos com o desempenho da equipe.
Entre os índios, as mulheres plantavam e colhiam; os homens
caçavam e pescavam.
Naquela época, eu almoçava lá todos os dias.
b. Ao nos transportarmos mentalmente para o passado e procurarmos falar do
que então era presente, também empregamos o pretérito imperfeito do
indicativo:
Eu admirava a paisagem. A vida passava devagar. Quase nada se
movia.
Uma pessoa aparecia aqui, um cão latia ali, mas, no geral, tudo era
muito quieto.
c. É usado para exprimir o processo que estava em desenvolvimento quando
da ocorrência de outro:
O Sol já despontava quando a escola entrou na passarela.
A torcida ainda acreditava no empate quando o time levou o segundo gol.
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Pode substituir o futuro do pretérito, tanto na linguagem coloquial como na


literária:
Se ele pudesse, largava tudo e ficava com ela.
“Se eu fosse você, eu voltava pra mim.”
d. Pode relacionar-se com verbo no pretérito imperfeito do subjuntivo (o qual
será visto adiante) em orações substantivas.
Esperava-se que o artista cantasse e dançasse.
e. Usado no lugar do presente do indicativo, o pretérito imperfeito denota
cortesia:
Queria pedir-lhe uma gentileza.

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Questão 18: CADE 2014 Agente Administrativo (banca CESPE)


Fragmento do texto: Tínhamos, além disso, algumas doenças comuns a
todo o grupo, ou quase todo: a bibliomania mais crônica que se possa
imaginar, uma paixão neurótico-deliquencial por textos antigos, que nos
levava frequentemente a visitas subservientes a párocos, conventos, igrejas e
colégios. Procurávamos criar relacionamentos que facilitassem o acesso a
qualquer velharia escrita. Que poderia estar esperando por nós, por que não?,
desde séculos, ou décadas. Conhecíamos armários, sótãos, porões e cofres de
sacristias, bibliotecas, batistérios ou cenáculos, bem melhor do que seus
proprietários ou curadores. Tínhamos achado preciosidades que muitos
colecionadores cobiçariam.
O emprego de formas verbais no pretérito imperfeito, como, por exemplo,
“Procurávamos” (linha 5) e “Conhecíamos” (linha 7), está associado à ideia de
habitualidade, continuidade ou duração.
Comentário: Os verbos “Procurávamos” e “Conhecíamos” estão conjugados
no pretérito imperfeito do indicativo, o qual transmite uma continuidade de
ação, hábito. Assim, a afirmativa está correta.
Gabarito: C

Questão 19: Delegado da Polícia Federal 2004 (banca CESPE)


1 As conclusões dos estudos científicos não são levadas em conta na
definição de políticas públicas. Como reflexo dessa atitude, o tratamento
da violência evoluiu pouco no decorrer do século XX, ao contrário do que
ocorreu com o tratamento das infecções, do câncer ou da AIDS. Nos
5 últimos anos, entretanto, estão sendo desenvolvidos métodos analíticos
mais precisos para avaliar a influência dos fatores econômicos,
epidemiológicos e sociológicos associados às raízes sociais da violência
urbana: pobreza, impunidade, acesso a armamento, narcotráfico,
intolerância social, ruptura de laços familiares, imigração, corrupção de
autoridades ou descrédito na justiça.
A substituição do termo “estão sendo desenvolvidos” (linha 5) por estavam
se desenvolvendo provoca alterações estruturais
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sem alterar
semanticamente a informação original nem transgredir as normas da escrita
culta.
Comentário: Esta questão cobra o conhecimento da transposição da voz
passiva analítica em voz passiva sintética. Porém, devemos observar que o
verbo “estão” encontra-se no presente do indicativo (o qual transmite
continuidade de ação no momento atual) e “estavam” encontra-se no pretérito
imperfeito do indicativo (o qual transmite continuidade de ação no momento
passado) . Veja como ficaria esta transposição preservando o tempo presente
do indicativo:
....estão sendo desenvolvidos métodos analíticos... (voz passiva analítica)
locução verbal TD + sujeito paciente

....estão se desenvolvendo métodos analíticos... (voz passiva sintética)


locução verbal TD + Pron Ap + sujeito paciente

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Agora, veja com a locução verbal no pretérito imperfeito do indicativo:


....estavam sendo desenvolvidos métodos analíticos... (voz passiva analítica)
locução verbal TD + sujeito paciente

....estavam se desenvolvendo métodos analíticos... (voz passiva sintética)


locução verbal TD + Pron Ap + sujeito paciente

Assim, a substituição provoca alterações estruturais, com mudança


semântica da informação original. Veja que isso não provoca erro gramatical.
Como a questão afirmou que o sentido não mudaria, está errada.
Gabarito: E

Questão 20: IRBR - 2011 Diplomacia (banca CESPE)


1 A montagem do espetáculo Calabar – O Elogio da Traição estava pronta,
quando, em outubro de 1974, foi censurada e a exibição do espetáculo foi
proibida nos palcos brasileiros. A repressão era tamanha que nem a notícia
da proibição pôde ser divulgada. Escrita por Ruy Guerra e Chico Buarque,
5 a peça recupera a saga histórica das invasões holandesas do século XVII.
Domingos Fernandes Calabar (1600-1635), o protagonista, posiciona-se a
favor da Holanda, o país invasor, contra os colonizadores portugueses. Os
autores, no entanto, não têm uma visão negativa do episódio. Ao
contrário, veem em Calabar um libertador da opressão portuguesa. A
10 censura da ditadura militar enxergou na montagem um alto teor
subversivo, por acreditar que o texto atentava contra os bons costumes e,
principalmente, promovia uma inversão dos valores da história do Brasil
ao mostrar um traidor como salvador da pátria.
Caso as formas verbais “recupera” (linha 5), “posiciona-se” (linha 6), “têm”
(linha 8) e “veem” (linha 9) fossem substituídas, respectivamente, pelas
formas recuperava, posicionava-se, tinham e viam, não seriam
necessários ajustes gramaticais no restante do texto.
Comentário: A expressão temporal “em outubro de 1974” e as estruturas
verbais “foi censurada”, “foi proibida”, “era” e “pôde ser divulgada”
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apresentam fatos passados.


Assim, os verbos “recupera”, “posiciona-se”, “têm” e “veem” estão sendo
usados no presente histórico, pois fazem relação a ações passadas, utilizando
o presente como ênfase. Dessa forma, pode o autor optar em transformar o
presente histórico em pretérito imperfeito do indicativo, permanecendo a
coerência e a informação original do texto, sem necessidade de ajustes no
restante do texto.
Note que se optou pelo pretérito imperfeito do indicativo, porque essas
ações transmitem uma ideia de continuidade no passado.
Gabarito: C

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4.c.1. Reconhecimento do tempo pretérito perfeito do indicativo


eu estudei vendi permiti
tu estudaste vendeste permitiste
ele estudou vendeu permitiu
nós estudamos vendemos permitimos
vós estudastes vendestes permitistes
eles estuda m vende m permiti m
4.c.2. Quando empregamos este tempo verbal?
a. O pretérito perfeito simples exprime os processos verbais concluídos e
localizados num momento ou período definido do passado:
Em 1983, o campeão brasileiro da Segunda Divisão foi o Juventus.
Os primeiros imigrantes italianos chegaram ao Brasil no século
antepassado.
b. O pretérito perfeito composto exprime processos que se repetem ou
prolongam até o presente:
Tenho visto coisas em que ninguém acredita.
Os professores não têm conseguido melhores condições de trabalho.
Note que já comentamos que este tempo verbal composto, a depender
do contexto, pode substituir o presente do indicativo.
Questão 21: PGM RR 2010 – nível superior (banca CESPE)
Fragmento de texto: O mundo tem gerado excepcionais avanços
tecnológicos nas últimas décadas e aumentado drasticamente sua capacidade
de produzir bens e serviços.
A expressão “nas últimas décadas” permite a substituição de “tem gerado” por
gerou, sem prejudicar a coerência ou a correção gramatical do texto, apesar
de alterar as relações semânticas entre as ideias.
Comentário: Note que “tem gerado” está no tempo pretérito perfeito
composto, visto acima. Este tempo composto indica uma ação rotineira que se
prolonga do passado ao presente, transmitindo uma regularidade. Por isso
normalmente pode ser substituído pelo presente do indicativo (“gera”)
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mantendo a correção gramatical, a coerência dos argumentos e o sentido.


Veja que a questão afirma que a mudança do pretérito perfeito
composto “tem gerado” (ação regular, continuada) pelo pretérito perfeito
simples “gerou” provoca mudança de sentido (ação pontual no passado), o
que está correto.
Porém, o problema na questão é que há uma estrutura coordenada, com
duas locuções verbais “tem gerado ... e (tem) aumentado...”. Note que a
última locução verbal possui o verbo auxiliar “tem” subentendido, pois este se
encontra explícito na locução anterior. Por isso, a substituição implicaria
prejuízo na coerência do texto e, por consequência, prejuízo gramatical.
A afirmação estaria certa se houvesse a substituição das duas estruturas
verbais:
O mundo gerou excepcionais avanços tecnológicos nas últimas décadas e
aumentou drasticamente sua capacidade de produzir bens e serviços.

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Gabarito: E

Questão 22: TCE ES 2004 Controlador de Rec Pub (banca CESPE)


1 Nossa identidade contemporânea nos remete para os centros do
capitalismo, permeada que está pela globalização liberal — pelo grau
maior ou menor em que conseguimos induzir os sintomas desse
fenômeno, como shopping centers, televisão a cabo, celulares —, mais
5 do que por sua inserção internacional, que nos faz ter um destino
similar ao do resto do continente ao qual estamos geográfica e
historicamente integrados.
(...)
Várias crises financeiras depois, e duas décadas e meia de
10 estagnação, financeirização e precarização das relações de trabalho,
tornaram os países latino-americanos mais semelhantes do que nunca.
Estão igualmente em crise o Brasil e o Paraguai, a Argentina e o Haiti, o
México e a Bolívia, o Peru e o Equador, a Venezuela e a Guatemala, a
Colômbia e a Nicarágua.
15 As décadas posteriores nos colocaram, entre a ALCA e o
MERCOSUL, diante de duas Américas Latinas possíveis e de duas
imagens de nós mesmos, sob o pano de fundo do continente. Em suma,
nossa imagem de nós mesmos, como país, dependeu sempre da forma
como vimos a América Latina e nossa relação com nosso continente de
origem e de inserção histórica comum.
Emir Sader. A América Latina vista do Brasil. In:
Correio Braziliense, 27/6/2004 (com adaptações).
Alteram-se os sentidos do texto, mas preservam-se sua coerência textual e
correção gramatical, com a substituição do pretérito perfeito “vimos” (l.19)
por vemos ou temos visto.
Comentário: O verbo “vimos” encontra-se no pretérito perfeito do indicativo,
mostrando uma ação acabada, mas o texto permite inferir que essa visão da
América perdura ainda nos dias de hoje. Por isso, a mudança para o tempo
presente em “vemos” muda o sentido (de passado para presente), mas
permanece a coerência textual. Além disso, perceba que o tempo pretérito
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perfeito composto “temos visto” prolonga a ação ao longo do tempo passado


até os dias atuais, obtendo uma ideia de regularidade também percebida com
o verbo no presente do indicativo.
Por isso, a afirmativa está correta.
Gabarito: C
4.d.1. Reconhecimento do tempo pretérito mais-que-perfeito do
indicativo
eu estuda vende permiti
tu estuda s vende s permiti s
ele estuda vende permiti
nós estudá mos vendê mos permití mos
vós estudá is vendê is permití is
eles estuda m vende m permiti m

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Perceba a desinência modo-temporal “-ra” átona. Note que essa desinência, na


segunda pessoa do plural, varia para “-re”.
4.d.2. Quando empregamos este tempo verbal?
O pretérito-mais-que-perfeito exprime um processo que ocorreu antes de outro
processo passado:
Era tarde demais quando ela percebeu que ele se envenenara.
O fato de ele ter-se envenenado é anterior ao fato de ela ter percebido.
Envenenara é, por isso, mais-que-perfeito, ou seja, mais velho que o perfeito
(percebeu).
Na linguagem do dia a dia, usa-se muito pouco a forma simples do pretérito
mais-que-perfeito; é comum, entretanto, na linguagem formal, bem como em
algumas expressões cristalizadas (“Quem me dera!”, “Quisera eu...”).
Prefere-se na linguagem cotidiana o pretérito mais-que-perfeito do indicativo
composto. Ele é constituído do verbo “ter” ou “haver” empregados no tempo
pretérito imperfeito do indicativo (tinha ou havia), seguidos do particípio. Veja:
Ele disse que tinha (havia) pegado o dinheiro pela manhã. (= pegara)
Quando usado no lugar do futuro do pretérito do indicativo ou do pretérito
imperfeito do subjuntivo, o mais-que-perfeito simples confere solenidade à
expressão:
“E, se mais mundo houvera, lá chegara.” (Camões)
Compare com:
E, se mais mundo houvesse, lá chegaria.

Questão 23: Câmara Deputados 2014 Consultor Legislativo (banca CESPE)


Fragmento de texto: Pedi ao antropólogo Eduardo Viveiros de Castro que
falasse sobre a ideia que o projetou. A síntese da metafísica dos povos
“exóticos” surgiu em 1996 e ganhou o nome de “perspectivismo ameríndio”.
As formas verbais “surgiu” e “ganhou”, ambas na linha 3, poderiam, sem
prejuízo dos sentidos do texto, ser substituídas por surgira e ganhara,
respectivamente, pois indicam ações anteriores àquelas referidas no primeiro
período do texto.
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Comentário: Veja que o pedido ao antropólogo Eduardo Viveiros de Castro


para que falasse sobre a ideia que o projetou ocorreu bem depois do
surgimento da síntese da metafísica dos povos “exóticos” e da denominação
de “perspectivismo ameríndio”. Assim, os verbos “surgiu” e “ganhou”
transmitem ações anteriores ao verbo “Pedi”. Por isso, cabe a substituição
daqueles verbos pelo pretérito mais-que-perfeito “surgira” e “ganhara”.
Gabarito: C

Questão 24: Tribunal de Contas - TO / 2009 / nível superior (banca CESPE)


Fragmento do texto: Meu pai era um homem bonito com muitas
namoradas, jogava tênis, nadava, nunca pegara uma gripe — até ter um
derrame cerebral. Vivia envolvido com “sirigaitas”, como minha mãe as
chamava, e com fracassos comerciais crônicos.

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O sentido do texto seria mantido caso as formas verbais “jogava” e “nadava”


fossem substituídas por jogara e nadara.
Comentário: Os verbos no pretérito imperfeito do indicativo “jogava” e
“nadava” transmitem valor de regularidade, hábito, no tempo passado. Já o
verbo “pegara”, no pretérito mais-que-perfeito do indicativo, transmite valor
pontual de um passado em relação a outro, que é “ter um derrame cerebral”.
Ao se substituir o pretérito imperfeito pelo mais-que-perfeito jogara e
nadara, esses verbos deixarão de transmitir uma regularidade no passado e
transmitirão um dado pontual no passado, o que acarretaria mudança de
sentido. Por isso, a afirmativa está errada.
Gabarito: E

Questão 25: TRE - TO/ 2006 / Analista (banca CESPE)


Fragmento de texto: A cidade estivera agitada por motivos de ordem
técnica e politécnica. Outrossim, era a véspera da eleição de um senador para
preencher a vaga do finado Aristides Lobo.
A substituição de “estivera” por tinha estado prejudica a correção gramatical
do período.
Comentário: O erro na questão foi o vocábulo “prejudica”, pois o tempo
composto do pretérito mais-que-perfeito do indicativo tem a seguinte
estrutura: verbo auxiliar no pretérito imperfeito do indicativo (tinha/havia)
seguido do verbo principal no particípio. Então a substituição é possível.
Gabarito: E
4.e.1. Reconhecimento do tempo futuro do presente do indicativo
eu estuda i vende i permiti i
tu estuda s vende s permiti s
ele estuda vende permiti
nós estuda mos vende mos permiti mos
vós estuda is vende is permiti is
eles estuda o vende o permiti o
Perceba a desinência modo-temporal “-ra” tônica. Note que essa desinência
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em algumas pessoas do discurso varia para “-re”.


4.e.2. Quando empregamos este tempo verbal?
a. O futuro do presente simples expressa basicamente processos tidos como
certos ou prováveis, mas que ainda não se realizaram no momento em que se
fala ou escreve:
Estarei lá no próximo ano. Jamais a terei a meu lado.
b. Pode-se usar esse tempo com valor imperativo, com tom enfático e
categórico:
“Não furtarás!” Você ficará aqui a noite toda.
c. Em outros casos,essa forma imperativa parece mais branda e sugere a
necessidade de que se adote certa conduta:
Você compreenderá a minha atitude. Pagarás quando puderes.

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d. O futuro do presente simples também pode expressar dúvida ou incerteza


em relação a fatos do presente:
Ela terá atualmente trinta e cinco anos.
Será Cristina quem está lá fora?
e. Quando expressa circunstância de condição, o futuro do presente se
relaciona com o futuro do subjuntivo para indicar processos cuja realização é
tida como possível:
Se tiver dinheiro, pagarei à vista.
Se houver pressão popular, as reformas sociais virão.
f. Quando este tempo for composto, isto é, o verbo auxiliar for “ter” ou “haver”
no tempo futuro, seguido de outro verbo no particípio, por exemplo (terei
estudado), ele expressa um fato ainda não realizado no momento presente,
mas já passado em relação a outro fato futuro. Isso acontece por influência da
forma nominal particípio:
Quando estivermos lá, o dia já terá amanhecido.
Quando eu voltar ao trabalho, você já terá entrado em férias.
g. O futuro do presente simples é muito pouco usado na linguagem cotidiana.
Em seu lugar, é normal o emprego de locuções verbais com o infinitivo,
principalmente as formadas pelo verbo ir:
Vou chegar daqui a pouco.
Estes processos vão ser analisados pelo promotor.
4.f.1. Reconhecimento do tempo futuro do pretérito do indicativo
eu estuda vende permiti
tu estuda s vende s permiti s
ele estuda vende permiti
nós estuda mos vende mos permiti mos
vós estuda is vende is permiti is
eles estuda m vende m permiti m
Perceba a desinência modo-temporal “-ria”. Note que essa desinência, na
segunda pessoa do plural, varia para “-rie”.
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4.f.2. Quando empregamos este tempo verbal?


a. O futuro do pretérito simples expressa processos posteriores ao momento
passado a que nos estamos referindo:
Concluí que não seria feliz ao lado dela.
Muito tempo depois, chegaria a sensação de fracasso.
b. Também se emprega esse tempo para expressar dúvida, incerteza ou
hipótese em relação a um fato passado:
Estariam lá mais de vinte mil pessoas.
Ela teria vinte anos quando gravou o primeiro disco.
Se ela conversasse menos, teria facilidade na matéria.
c. Esse tempo também expressa dúvida sobre fatos passados:
Teria sido ele o mentor da fraude?

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d. Quando expressa circunstância de condição, o futuro do pretérito se


relaciona com o pretérito imperfeito do subjuntivo para indicar processos tidos
como de difícil concretização:
Se ele quisesse, tudo seria diferente.
Viveria em outro lugar se pudesse.
e. O futuro do pretérito composto expressa um processo encerrado
posteriormente a uma época passada que mencionamos no presente:
Partiu-se do pressuposto de que às cinco horas da tarde o comício já
teria sido encerrado.
Anunciou-se que no dia anterior o jogador já teria assinado contrato
com outro clube.
f. Quando expressa circunstância de condição, o futuro do pretérito composto
se relaciona com o pretérito mais-que-perfeito do subjuntivo, exprimindo
processos hipotéticos ou de realização desejada, mas já impossível:
Se ele me tivesse procurado antes, eu o teria ajudado.
O país teria melhorado muito se tivessem sido feitos investimentos na
educação e na saúde.
Questão 26: TJSE 2014 Analista (banca CESPE)
Fragmento do texto: Com todas as letras, as Ordenações Filipinas
asseguravam ao marido o direito de matar a mulher caso a apanhasse em
adultério. Também podia matá-la por meramente suspeitar de traição. Previa-
se um único caso de punição: sendo o marido traído um “peão” e o amante de
sua mulher uma “pessoa de maior qualidade”, o assassino poderia ser
condenado a três anos de desterro na África.
O emprego do futuro do pretérito em “poderia” (linha 5) indica que a situação
apresentada na oração é não factual, ou seja, é hipotética.
Comentário: Há de se observar que o futuro do pretérito do indicativo marca
uma hipótese, e não um fato. Assim, a afirmativa está correta.
Gabarito: C

Questão 27: MPE PI - 2012 Superior (banca CESPE)


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Fragmento de texto: Os filósofos do Iluminismo observavam um preceito


simples, mas obviamente muito poderoso. Quanto mais formos capazes de
compreender racionalmente o mundo, e a nós mesmos, mais poderemos
moldar a história para nossos próprios propósitos. Temos de nos libertar dos
hábitos e preconceitos do passado a fim de controlar o futuro.
Segundo essa concepção, com o maior desenvolvimento da ciência e da
tecnologia, o mundo iria se tornar mais estável e ordenado. O romancista
George Orwell, por exemplo, anteviu uma sociedade com excessiva
estabilidade e previsibilidade — em que nos tornaríamos todos minúsculos
dentes de engrenagem de uma vasta máquina social e econômica.
O emprego do futuro do pretérito em “iria se tornar” (linha 7) e “nos
tornaríamos” (linha 9) justifica-se por terem as previsões dos filósofos
iluministas se concretizado.
Comentário: O tempo verbal que sinaliza uma ação concretizada é o

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pretérito perfeito do indicativo. Ex.: “O mundo tornou-se violento.”


O futuro do pretérito do indicativo em “iria se tornar” e “tornaríamos”
transmite hipótese (conjectura, suposição), a qual não foi concretizada, pois o
mundo ainda não se tornou estável, ordenado, também não podemos afirmar
categoricamente que todos nós sejamos minúsculos dentes de uma
engrenagem.
Gabarito: E

Questão 28: TRE - GO / 2008 / Analista (banca CESPE)


Um fato ou estado considerado em sua realidade está expresso pelo verbo
sublinhado em
A “a verdade estaria inscrita”.
B “o interesse circunscrevia-se”.
C “não haveria mais uma verdade filosófica”.
D “o significado de verdade seria o de expressão”.
Comentário: Esta questão envolvia um texto com apontamentos das linhas
de cada verbo. Isso faria com que o candidato verificasse cada verbo no texto,
para depois interpretar se transmite a ideia de realidade. Mas não precisamos
disso.
Sabemos que o futuro do pretérito do indicativo apresenta desinência
modo-temporal “-ria” e transmite possibilidade, hipótese. Os verbos das
alternativas (A), (C) e (D) apresentam tal desinência, por isso estão neste
tempo verbal.
Assim, a alternativa correta é a (B), pois o verbo “circunscrevia”
apresenta a desinência modo-temporal “-ia”. Então, este verbo está
flexionado no tempo pretérito imperfeito do indicativo e pode ser interpretado
como algo que ocorria em seu sentido real, concreto, no passado.
Gabarito: B

Os tempos do modo subjuntivo


4.g.1. Reconhecimento do tempo presente do subjuntivo
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eu estud vend permit


tu estud s vend s permit s
ele estud vend permit
nós estud mos vend mos permit mos
vós estud is vend is permit is
eles estud m vend m permit m
Dica: insira o advérbio “talvez” antes deste tempo verbal (talvez eu
estude). Isso sempre ajuda.
É importante lembrar que a vogal temática “a” se transforma em
desinência modo-temporal “e” no presente do subjuntivo. Se houver vogal
temática “e” ou “i”, naturalmente teremos desinência modo-temporal “a” no
presente do subjuntivo. Veja:

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Presente do indicativo Presente do subjuntivo


Nós estudamos... Talvez nós estud mos...
Nós vendemos... Talvez nós vend mos...
Nós partimos... Talvez nós part mos...

(vogal temática) (desinência modo-temporal)

Não importa o nome, mas sim a modificação destas vogais!!!!!


4.g.2. Quando empregamos este tempo verbal?
O presente do subjuntivo normalmente expressa processos hipotéticos, que
muitas vezes estão ligados ao desejo, à suposição:
“Quero que tudo vá para o inferno!”
Suponho que ela esteja em Roma.
Caso você vá, não deixem que o explorem.
Talvez ela não o ame mais.

Questão 29: Detran - ES / 2011 / nível médio (banca CESPE)


Fragmento de texto: Como as opções alternativas ao transporte individual
são pouco eficientes, pela falta de conforto, segurança ou rapidez, as pessoas
continuam optando pelos automóveis, motocicletas ou mesmo táxis, ainda que
permaneçam presas no trânsito”, afirma S. G., profissional da área de
desenvolvimento sustentável.
No trecho “ainda que permaneçam”, o emprego da forma verbal no modo
subjuntivo é obrigatório em razão da presença da locução conjuntiva “ainda
que”.
Comentário: Quando o verbo faz parte de uma oração subordinada adverbial
concessiva e essa oração encontra-se desenvolvida, isto é, iniciada por
conjunção (“embora”, “conquanto”) ou locução conjuntiva (“mesmo que”,
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“ainda que”, “ainda quando”, “apesar de que”); o modo verbal empregado


deve ser o subjuntivo. Perceba, então, que a locução conjuntiva “ainda que”
inicia a oração subordinada adverbial concessiva e por isso o verbo
“permaneçam” encontra-se no presente do subjuntivo.
Gabarito: C

Questão 30: FUB / 2010 / Superior (banca CESPE)


Fragmento de texto: Por ser um fenômeno novo — ainda não temos uma
geração que tenha sido completamente formada na era da Internet —,
existem poucos trabalhos que confirmam o impacto no nível das sinapses.
Na oração “que tenha sido completamente formada na era da Internet”, a
forma verbal “tenha” poderia ser substituída por haja, sem alteração do
sentido ou da correção gramatical do texto.

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Comentário: Os tempos compostos normalmente são formados pelos verbos


auxiliares “ter” ou “haver” seguidos do particípio. Nesta questão, observamos
a locução verbal da voz passiva “tenha sido formada”. O verbo “tenha”
encontra-se no presente do subjuntivo e podemos substituí-lo pelo verbo
“haver” em mesmo tempo verbal. Por isso a troca por “haja” está plenamente
de acordo com a gramaticalidade e com o sentido.
Compare:
“...uma geração que tenha sido completamente formada na era da Internet...”
“...uma geração que haja sido completamente formada na era da Internet...”
Gabarito: C

Questão 31: Detran - ES / 2011 / nível superior (banca CESPE)


Fragmento de texto: O atendimento às demandas de mobilidade evidencia a
necessidade de controle do processo de expansão urbana, propugnando pelo
desenvolvimento de cidades mais adensadas, em cujo território haja melhor
distribuição das funções.
No trecho “haja melhor distribuição das funções”, o emprego do modo
subjuntivo na forma verbal indica possibilidade, hipótese, e não a certeza de
ocorrência de melhor distribuição de funções.
Comentário: O verbo no presente do subjuntivo é usado como possibilidade
de execução, hipótese, e nunca como certeza de algo. Para esta se usa o
presente do indicativo (há). Por isso a afirmativa está correta.
Gabarito: C

Questão 32: TSE / 2007 / Técnico (banca CESPE)


Fragmento de texto: Se uma sociedade cessa de ter uma verdadeira
oposição, ela caminha para uma solução autoritária. A governabilidade só
existe verdadeiramente com uma oposição atuante, que sinalize os problemas
existentes e discuta os seus encaminhamentos.
O emprego do subjuntivo em “sinalize” e “discuta” justifica-se por compor um
período de natureza explicativa.
Comentário: A razão do emprego do presente do subjuntivo não tem relação
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com o período ser explicativo ou conclusivo, mas com a ideia de possibilidade


e necessidade de realização das ações posteriores.
Gabarito: E

Questão 33: TCE PE 2004 Analista de Sistema (banca CESPE)


Fragmento do texto: A pobreza é uma metáfora para o sofrimento humano
trazido à arena pública e pode ser definida de maneiras distintas. Muita
energia é despendida na busca de uma definição rigorosa, capaz de distinguir
com clareza o sofrimento suficiente do sofrimento insuficiente para classificar
alguém como pobre. Pesquisas baseadas nesse tipo de definição estimam que
uma fração entre um terço e metade da população brasileira possa ser
considerada pobre.
Perde-se a idéia de hipótese associada à forma verbal “possa” (linha 6) ao se
substituí-la por pode, mas preservam-se a coerência e a correção textuais.
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Comentário: É fácil percebermos que a troca do presente do subjuntivo (que


transmite dúvida, possibilidade, incerteza) pelo presente do indicativo (que
transmite certeza) muda o sentido na frase.
Agora, devemos observar se realmente esta troca mantém coerência
com os argumentos, mesmo com a mudança de sentido. Para isso, troque o
verbo e leia toda a frase de novo...
Pesquisas baseadas nesse tipo de definição estimam que uma fração
entre um terço e metade da população brasileira possa ser considerada
pobre.
Pesquisas baseadas nesse tipo de definição estimam que uma fração
entre um terço e metade da população brasileira pode ser considerada
pobre.
O autor preferiu no texto original manter a ideia de estimativa, como
algo não provado, ainda incerto; porém veja que o texto possui verbos no
presente do indicativo. Isso amplia a noção do verbo. Como há um estudo
voltado para uma característica do brasileiro, pode-se perceber que a troca
dos tempos verbais é possível: é um dado que traz como resultado a real
possibilidade de uma fração da população brasileira ser considerada pobre.
Gabarito: C

Questão 34: TCE PE 2004 Assistente Técnico Infor (banca CESPE)


Fragmento do texto: O que está em jogo é a própria idéia de Constituição,
que é muito maior que seu texto, seus constituintes ou as autoridades que
devem guardá-la. A democracia depende de os direitos serem levados a sério
por todos os cidadãos, sejam eles autoridades ou não.
No último período, o emprego do modo subjuntivo em “sejam” reforça a idéia
de hipótese, ligada ao preenchimento da condição expressa por “depende” na
oração imediatamente anterior.
Comentário: O verbo “depender” mostra uma restrição, uma condição
imposta à democracia: se os direitos serão levados a sério ou não por todos
os cidadãos. Assim, percebemos que isso marca uma hipótese.
Além disso, perceba que essa hipótese é ampliada com o verbo “sejam”,
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no presente do subjuntivo, o qual inicia uma oração subordinada adverbial


concessiva. Esta oração tem um emprego peculiar, ela omitiu a conjunção ou
locução conjuntiva. Note que podemos inserir a locução conjuntiva “mesmo
que”, “ainda que”. Veja:
A democracia depende de os direitos serem levados a sério por todos os
cidadãos, sejam eles autoridades ou não.
A democracia depende de os direitos serem levados a sério por todos os
cidadãos, mesmo que eles sejam autoridades ou não.
A democracia depende de os direitos serem levados a sério por todos os
cidadãos, ainda que eles sejam autoridades ou não.
Assim, realmente o verbo “depender” é empregado para transmitir uma
condição e uma hipótese, e o verbo “sejam”, por estar no presente do

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subjuntivo e fazer parte de uma oração adverbial concessiva, reforça essa


hipótese.
Gabarito: C

4.h.1. Reconhecimento do tempo pretérito imperfeito do subjuntivo

eu estuda vende permiti


tu estuda s vende s permiti s
ele estuda vende permiti
nós estudá mos vendê mos permití mos
vós estudá is vendê is permití is
eles estuda m vende m permiti m

Dica: insira a conjunção “se” antes deste tempo verbal (se eu


estudasse). Isso sempre ajuda. Perceba a desinência modo-temporal “-sse”.
4.h.2. Quando empregamos este tempo verbal?
a. O imperfeito do subjuntivo expressa processo de limites imprecisos,
anteriores ao momento em que se fala ou escreve:
Fizesse sol ou chovesse, não dispensava uma volta no parque.
Os baixos salários que o pai e a mãe ganhavam não permitiam que ele
estudasse.
b. O imperfeito do subjuntivo é o tempo que se associa ao futuro do pretérito
do indicativo quando se expressa circunstância de condição ou concessão:
Se ele fosse politizado, não votaria naquele farsante.
Embora se esforçasse, não conseguiria a simpatia dos colegas.
c. Também se relaciona com os pretéritos perfeito e imperfeito do indicativo:
Sugeri-lhe que não vendesse a casa.
Esperava-se que todos aderissem à causa. 39407301494

d. Também é importante observarmos o verbo auxiliar neste tempo verbal,


juntando-se a um verbo no particípio, formando um tempo composto (pretérito
mais-que-perfeito composto do subjuntivo). Ele expressa um processo anterior
a outro processo passado:
Esperei que tivesse exposto completamente sua tese para contrapor
meus argumentos.
e. Esse tempo pode associar-se ao futuro do pretérito simples ou composto do
indicativo quando são expressos fatos irreais e hipotéticos do passado:
Se me tivesse apresentado na data combinada, já seria funcionário da
empresa.
Mesmo que ela o tivesse procurado, ele não a teria recebido.

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Questão 35: Anatel 2014 Técnico (banca CESPE)

No primeiro quadrinho, o emprego da forma verbal “transportasse”, exigido


pela presença da locução “como se” na estrutura da oração, indica situação
factual.
Comentário: A locução conjuntiva comparativa hipotética “como se”
transmite não transmite um fato, algo comprovado, realmente ocorrido, mas
simplesmente uma hipótese. Assim, tal afirmativa está errada.
Gabarito: E

Questão 36: SEAD Auxiliar Técnico / 2007 / nível médio (banca CESPE)
Fragmento do texto: O Museu do Cairo, onde está a múmia do faraó,
aprovou que o crânio fosse examinado com raio X: encontrou-se um
fragmento de osso, o que fez aumentar as especulações de que sua morte
fora provocada por agressão — os especialistas asseguram que o famoso
golpe recebido na cervical foi aplicado enquanto a vítima dormia ou estava em
posição horizontal.
Mantêm-se a coerência textual e a correção gramatical ao se substituir “fosse”
por fora. 39407301494

Comentário: O verbo “fosse” (pretérito imperfeito do subjuntivo) traduz uma


ideia de possibilidade (O museu aprovou a possibilidade de exame do crânio).
Com a substituição para o pretérito-mais-que-perfeito do indicativo, esse
tempo verbal transmitiria a ideia de que o crânio já havia sido examinado
antes da aprovação pelo museu (passado do passado), o que seria incoerente
no texto.
Gabarito: E

Questão 37: TRE TO 2006 – Analista (banca CESPE)


1 Geralmente, as oposições não gostam dos governos. Partido vencido
contesta a eleição do vencedor, e partido vencedor é simultaneamente
vencido, e vice-versa. Tentam-se acordos, dividindo os deputados; mas
ninguém aceita minorias. No antigo regímen iniciou-se uma representação
5 de minorias, para dar nas câmaras um recanto ao partido que estava de

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baixo. Não pegou bem — ou porque a porcentagem era pequena — ou


porque a planta não tinha força bastante. Continuou praticamente o
sistema da lavra única.
(...) Sócrates aconselhava ao legislador que quando houvesse de
10 legislar tivesse em vista a terra e os homens. Ora, os homens aqui amam
o governo e a tribuna, gostam de propor, votar, discutir, atacar, defender
e os demais verbos, e o partido que não folheia a gramática política acha
naturalmente que já não há sintaxe; ao contrário, o que tem a gramática
na mão julga a linguagem alheia obsoleta e corrupta. O que estamos
15 vendo é a impressão em dous exemplares da mesma gramática.
Machado de Assis. A Semana. Obra completa,
v. III. Rio de Janeiro: Aguilar, 1973, p. 652-3.
O emprego do subjuntivo em “quando houvesse” (linha 9) justifica-se por
compor uma afirmativa sobre uma ação já decorrida.
Comentário: O verbo “houvesse” (pretérito imperfeito do subjuntivo)
transmite ideia de suposição, por isso não se pode entender afirmativa sobre
uma ação já decorrida.
Gabarito: E

4.i.1. Reconhecimento do tempo futuro do subjuntivo


eu estuda vende permiti
tu estuda es vende es permiti es
ele estuda vende permiti
nós estuda mos vende mos permiti mos
vós estuda des vende des permiti des
eles estuda em vende em permiti em
Dica: insira a conjunção “quando” antes deste tempo verbal (quando eu
estudar). Isso sempre ajuda. Perceba a desinência modo-temporal “-r”.
4.i.2. Quando empregamos este tempo verbal?
a. Na forma simples, indica fatos possíveis, mas ainda não concretizados no
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momento em que se fala ou escreve:


Quando comprovar sua situação, será inscrito.
Quem obtiver o primeiro prêmio receberá bolsa integral.
Se ela for a Siena, não quererá mais sair de lá.
b. Esse tempo normalmente se associa ao futuro do presente do indicativo
quando se expressa circunstância de condição:
Se fizer o regime, emagrecerá rapidamente.
c. O futuro do subjuntivo composto expressa um processo futuro que estará
terminado antes de outro, também futuro:
Quando tiverem concluído os estudos, receberão o diploma.
Iremos embora depois que ela tiver adormecido.

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Questão 38: Assembleia Legislativa ES - 2011 nível superior (banca CESPE)


Fragmento de texto: Internacionalmente, ressoou, na Corte Interamericana
dos Direitos Humanos e na ONU, o grito dos excluídos, extremamente
importante para o Espírito Santo, para o Brasil e para o mundo. Enquanto
teimarmos e não reconhecermos que existem problemas, discriminação,
preconceito e violência, não avançaremos. É fundamental que reconheçamos
que eles existem, pois esse é o papel do Conselho Estadual de Direitos
Humanos.
Haveria alguma alteração no sentido, mas seria mantida a correção gramatical
do texto, caso o trecho “Enquanto teimarmos e não reconhecermos” (linhas 3
e 4) fosse reescrito, com modificações no tempo e no modo das formas
verbais, da seguinte forma: teimamos e não reconhecêssemos.
Comentário: Os verbos “teimarmos” e “reconhecermos” estão flexionados no
futuro do subjuntivo. Veja que a conjunção “Enquanto” demonstra que a
oração é desenvolvida, isto é, possui conjunção e verbo flexionado em modo e
tempo verbal. Dessa forma, não podemos confundir essas duas estruturas com
o infinitivo.
Esses dois verbos fazem parte de duas orações subordinadas adverbiais
temporais, uma coordenada à outra. Assim, neste contexto, os dois verbos
devem permanecer no mesmo tempo verbal:
Tendo em vista o contexto, são admitidas duas construções, com
mudança de sentido:
a) a primeira transmite condição no futuro¹, com resultado no futuro²:
Enquanto teimarmos¹ e não reconhecermos¹ que existem problemas,
discriminação, preconceito e violência, não avançaremos².
b) a segunda transmite fatos simultâneos:
Enquanto teimamos e não reconhecemos que existem problemas,
discriminação, preconceito e violência, não avançamos.
Assim, o erro da questão foi o verbo “reconhecêssemos”, no pretérito
imperfeito do subjuntivo, o qual traz incorreção gramatical.
Gabarito: E 39407301494

Questão 39: TRE - TO / 2007 / Analista (banca CESPE)


Fragmento de texto: É certo que muitas leis podem até ser formalmente
bem redigidas, baseadas em conceitos estruturados, mas de nada adianta se
forem mal aplicadas.
É uma substituição correta para o texto trocar “se forem” por caso sejam.
Comentário: A condição expressa na oração “se forem” possui verbo no
futuro do subjuntivo. Note que a oração principal possui verbo no presente do
indicativo “de nada adianta”. Assim, abre-se a possibilidade de também
passarmos a condição no tempo presente do subjuntivo. Por isso, a afirmativa
está correta.
Gabarito: C

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O modo IMPERATIVO

4.j.1. Reconhecimento do modo verbal

b) imperativo afirmativo: a segunda pessoa do singular e a segunda pessoa


do plural são retiradas diretamente do presente do indicativo, suprimindo-se o
–s final: tu estudas – estuda tu; vós estudais – estudai vós. As formas das
demais pessoas são exatamente as mesmas do presente do subjuntivo.
Lembre-se de que não se conjuga a primeira pessoa do singular no modo
imperativo;

c) imperativo negativo: todas as pessoas são idênticas às pessoas


correspondentes do presente do subjuntivo, excluindo-se a primeira pessoa do
singular.

ESQUEMA DE FORMAÇÃO DOS TEMPOS DERIVADOS DO PRESENTE DO


INDICATIVO (EX.: OPTAR)
PRESENTE DO IMPERATIVO IMPERATIVO PRESENTE DO
INDICATIVO AFIRMATIVO NEGATIVO SUBJUNTIVO
opto - - opt
optas opta não opt s opt s
opta opt não opt opt
optamos opt mos não opt mos opt mos
optais optai não opt is opt is
optam opt m não opt m opt m

Obs.: Na linguagem coloquial temos percebido muitas vezes a mistura de


tratamentos (o verbo em uma pessoa verbal e o pronome em outra). Veja o
exemplo da propaganda da Caixa Econômica Federal:
Vem pra Caixa você também, vem!
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O verbo “Vem” está na segunda pessoa do singular do imperativo


afirmativo (eu venho, tu vens. Retirando-se o “s”, formamos a segunda pessoa
do singular do imperativo afirmativo: Vem tu). Porém, a propaganda usa o
pronome “você”.
Essa mistura é aceitável numa propaganda, assim como nas músicas, na
linguagem do cotidiano; isso porque a intenção, nestes casos, é fugir de um
suposto artificialismo da linguagem, com uma aproximação daquilo que é
popular, adequando a sonoridade.
Porém, na norma culta essa mistura deve ser evitada. Corrigindo,
teríamos duas possibilidades: ou transpomos tudo para a segunda pessoa, ou
para a terceira:
Vem para a Caixa tu também, vem!
Venha para a Caixa você também, venha!

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Como você deve conhecer essa música, cante-a, agora, de acordo com a
norma culta. A sonoridade e o ritmo são convidativos? Fica estranho, não é?
Por isso mesmo dizemos que as músicas e poemas têm a licença poética, pois
a associação das palavras pela sonoridade e ritmo são mais importantes do
que o rigor gramatical.
Mas, num texto formal, não existe licença poética e quem dita as regras
é o rigor gramatical.
Questão 40: TCU 2011 – Auditor Federal de Controle Externo (banca CESPE)
Para o filósofo Bentham, a felicidade era uma proposição matemática, e ele
passou anos realizando pequenos ajustes em seu “cálculo da felicidade”, um
termo maravilhosamente atraente. Eu, por exemplo, nunca associei cálculo à
felicidade. No entanto, trata-se de matemática simples. Some os aspectos
prazerosos de sua vida, depois subtraia os desagradáveis. O resultado é a sua
felicidade total. Os mesmos cálculos, acreditava Bentham, podiam ser
aplicados a uma nação inteira. Cada medida tomada por um governo, cada lei
aprovada, deveria ser vista sob o prisma da “maior felicidade possível”.
Bentham ponderou que dar dez dólares a um homem pobre contava mais do
que dar dez dólares a um homem rico, já que o pobre tirava mais prazer
desse dinheiro.
Eric Weiner. Geografia da felicidade. Trad. Andréa Rocha. Rio de
Janeiro: Agir, 2009. p. 247-8 (com adaptações).
O autor constrói seu texto de forma a se aproximar do leitor, o que explica,
por exemplo, o emprego da primeira pessoa do singular no segundo período e
o do imperativo no quarto.
Comentário: Quando o autor se apresenta no texto, naturalmente, transmite
uma interação maior com o leitor, pois o texto passa a ter aspectos
subjetivos. Isso é reforçado pelo uso dos imperativos em “Some os aspectos
prazerosos de sua vida, depois subtraia os desagradáveis.”
Assim, há um aspecto de conversa do autor com o leitor, o que os
aproxima mais.
Portanto, a afirmativa está correta.
Gabarito: C
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5. Correlação

Correlação é a combinação (articulação) entre determinados tempos e


modos verbais. Vimos as correlações básicas ao tratarmos do emprego dos
tempos:

pretérito imperfeito do indicativo, futuro do presente do indicativo,


futuro do pretérito do indicativo, presente do subjuntivo,
pretérito imperfeito do subjuntivo e futuro do subjuntivo.

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Listamos as mais importantes, para que fique tudo bem claro:

Futuro do subjuntivo Futuro do presente


do indicativo

1 Se tiver dinheiro, pagarei à vista.


Se houver pressão popular, as reformas sociais virão.

Para enfatizar a ação como próxima à certeza, pode-se substituir o futuro do


presente do indicativo pelo presente do indicativo:
Se tiver dinheiro, pago à vista.
Se houver pressão popular, as reformas sociais vêm.

A depender do contexto, cabe o imperativo no lugar do futuro do presente e do


presente do indicativo:
Se tiver dinheiro, pague à vista.
Se houver pressão popular, faça as reformas sociais.

Pretérito imperfeito Futuro do pretérito


do subjuntivo do indicativo

2 Se ele quisesse, tudo seria diferente.


Se pudesse, viveria em outro lugar.

Pode-se substituir o futuro do pretérito do indicativo pelo pretérito


imperfeito do indicativo, tanto na linguagem coloquial como na literária:
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Se ele pudesse, largava tudo e ficava com ela.


“Se eu fosse você, eu voltava pra mim.”

Presente do Futuro do presente


subjuntivo do indicativo

3 Caso haja mais determinação, o resultado poderá ser melhor.


Uma vez que se pense assim, a única saída será investir.
Como falado anteriormente, em determinados contextos, pode-se substituir o
futuro do presente do indicativo pelo presente do indicativo:
Caso haja mais determinação, o resultado pode ser melhor.
Uma vez que se pense assim, a única saída é investir.
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O mesmo ocorre com o imperativo:


Caso haja mais problemas, seja cauteloso.
Uma vez que o índice baixe, invista mais.

Pretérito imperfeito Pretérito perfeito do


do indicativo indicativo

4
O Sol já despontava quando a escola entrou na passarela.
A torcida ainda acreditava no empate quando o time levou o segundo gol.

Essas são as correlações básicas e as mais importantes para a prova.


Outras mais são encontradas e o candidato deve sempre observar o
contexto para não haver prejuízo da coerência. Perceba estas outras
correlações.
Percebo que você estuda.
(presente do indicativo)
Percebi que você estudou.
(pretérito perfeito do indicativo)
Sugiro-lhe que leia o manual.
(presente do indicativo + presente do subjuntivo)
Sugeri-lhe que lesse o manual.
(pretérito perfeito do indicativo + pretérito imperfeito do subjuntivo)
Suponho que ela tenha participado da conversa.
(presente do indicativo + verbo auxiliar no presente do subjuntivo)
Supunha que ela tivesse participado da conversa.
(pretérito imperfeito do indicativo + verbo auxiliar no pretérito imperfeito do subjuntivo)

Questão 41: Tribunal de Justiça - BA / 2005 / nível superior (banca CESPE)


Fragmento do texto: Forças que impediram — até agora — que esse
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processo de centralização do poder chegasse até o seu limite imperial, o que


provocaria a dissolução do sistema político e econômico mundial.
O emprego do futuro do pretérito em “provocaria” justifica-se pelo emprego
do subjuntivo em “chegasse” e admite como gramaticalmente correta a
substituição pela forma teria provocado ou por iria provocar.
Comentário: Entendamos a frase:
“Forças que impediram – até agora – que esse processo de centralização do
poder chegasse até o seu limite, o que provocaria a dissolução...”
O verbo “impediram” encontra-se no pretérito perfeito do indicativo e,
naturalmente, leva o verbo “chegasse” ao pretérito imperfeito do subjuntivo.
Este verbo transmite um passado com resultado hipotético, por isso o verbo
provocar fica no futuro do pretérito do indicativo (“provocaria”). O verbo
“provocaria”, futuro do pretérito simples, pode ser substituído tanto pelo

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futuro do pretérito composto – teria provocado – quanto pela locução verbal


“iria provocar”, que também se encontra no futuro do pretérito e mantém a
coesão, coerência e o sentido no texto.
Gabarito: C

Questão 42: TRT - RJ / 2008 / nível superior (banca CESPE)


Fragmento do texto: Além disso, dada a diversidade de situações regionais,
de prosperidade e de pobreza, o simples translado de um trabalhador, que vá
de uma região a outra, pode representar ascensão substancial, se ele
consegue incorporar-se a um núcleo mais próspero.
Em “que vá de uma região a outra”, a forma verbal “vá” poderia ser
substituída, sem prejuízo para o sentido original do texto ou para a sua
correção gramatical, pela forma do pretérito imperfeito do subjuntivo: fosse.
Comentário: O verbo “vá” encontra-se no presente do subjuntivo e transmite
a possibilidade de ação. Perceba que isso é reiterado pela combinação com
outros verbos no presente (do indicativo) “pode”, “consegue”. A substituição
por “fosse” levaria o verbo para o pretérito imperfeito do subjuntivo, o qual
passaria a transmitir uma hipótese. Isso ainda levaria os verbos destacados
no presente em combinação no futuro do pretérito do indicativo e pretérito
imperfeito do subjuntivo, respectivamente.
Veja:
... o simples translado de um trabalhador, que fosse de uma região a outra,
poderia representar ascensão substancial, se ele conseguisse incorporar-se
a um núcleo mais próspero.
Assim, muda-se o sentido original no texto, além de implicar incorreção
gramatical, pois os demais verbos têm de ser ajustados para tal substituição.
Gabarito: E

Questão 43: EBC - 2011 nível superior (banca CESPE)


Fragmento de texto: Movemo-nos como peças de um relógio cansado. As
nossas rodas velhas, de dentes gastos, entrosam-se mal a outras rodas
velhas, de dentes gastos. O que tem valor cá dentro são as coisas vagarosas,
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sonolentas. Se o maquinismo parasse, não daríamos por isto: continuaríamos


com o bico da pena sobre a folha machucada e rota, o cigarro apagado entre
os dedos amarelos.
No trecho “Se o maquinismo parasse, não daríamos por isto: continuaríamos
com o bico da pena sobre a folha machucada e rota, o cigarro apagado entre
os dedos amarelos” (linhas 4 a 6), a correção gramatical seria mantida caso as
formas verbais “parasse”, “daríamos” e “continuaríamos” fossem substituídas
por parar, daremos e continuaremos, respectivamente.
Comentário: No texto original, ocorre a condição no passado (“parasse”) e o
resultado hipotético (“daríamos” e “continuaríamos”). Essa é a correlação n° 2,
vista anteriormente.
Veja que a troca pela correlação n° 1 (futuro do subjuntivo com futuro
do presente do indicativo) faz mudar o sentido, mas mantém a correção
gramatical. Note que a questão afirmou apenas que a substituição dos tempos
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verbais mantém a correção gramatical. Isso realmente está correto. Veja:


“Se o maquinismo parasse, não daríamos por isto: continuaríamos com o
bico da pena sobre a folha machucada e rota, o cigarro apagado entre os
dedos amarelos” (correlação n° 2)
“Se o maquinismo parar, não daremos por isto: continuaremos com o bico
da pena sobre a folha machucada e rota, o cigarro apagado entre os dedos
amarelos” (correlação n° 1)
Gabarito: C

Questão 44: Tribunal de Justiça - BA / 2005 / nível superior (banca CESPE)


Fragmento do texto: Mas, se o mundo chegasse a esse ponto e constituísse
um império global, isso significaria — ao mesmo tempo e por definição — o
fim do sistema político interestatal.
O emprego do futuro do pretérito em “significaria” é decorrente do emprego
de estrutura antecedente que tem valor condicional, formada por verbo no
imperfeito do subjuntivo.
Comentário: A banca quis testar seus conhecimentos de correlação de modo
e tempo verbal. Veja as frases abaixo:
“... se o mundo chegasse a esse ponto e constituísse um império global, isso
significaria (...) o fim do sistema político interestatal.” (correlação n° 2)
... se o mundo chegar a esse ponto e constituir um império global, isso
significará (...) o fim do sistema político interestatal. (correlação n° 1)
Na frase 1, observe que as condições no passado (com os verbos
“chegasse” e “constituísse” no pretérito imperfeito do subjuntivo) resultam em
um verbo no futuro do pretérito do indicativo (no caso, o verbo “significaria”),
conforme o que foi afirmado nesta questão.
Para confirmarmos que um verbo impõe o tempo verbal do outro,
perceba que, se mudarmos os tempos verbais nas condições para o futuro do
subjuntivo (chegar, constituir), o resultado será um verbo no futuro do
presente do indicativo (significará). Isso corrobora a afirmativa da questão.
Gabarito: C
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Questão 45: DPU 2016 Nível Superior (banca CESPE)


Fragmento do texto: Em todos os casos, a Defensoria Pública fez
intervenção judicial para suprir a negativa ou a má prestação do serviço
público de saúde na localidade.
Sem prejuízo para a correção gramatical do texto nem para seu sentido
original, o trecho “a Defensoria Pública fez intervenção judicial” poderia ser
reescrito da seguinte forma: a Defensoria Pública interviu judicialmente.
Comentário: Esta cobrou a flexão verbal de “intervir”, no pretérito perfeito
do indicativo. Tal verbo segue a mesma conjugação do verbo “vir”. Assim, se
na conjugação do verbo “vir”, temos “eu vim, tu vieste, ele veio”, com o verbo
“intervir” teremos “eu intervim”, “tu intervieste”, “ele interveio”.
Portanto a reescrita correta seria:

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...a Defensoria Pública interveio judicialmente.


Gabarito: E

Questões cumulativas de revisão

Questão 46: ANS 2013 Técnico Administrativo (banca CESPE)


Fragmento do texto: O ciclo do Aedes aegypti é composto por quatro fases:
ovo, larva, pupa e adulto. As larvas se desenvolvem em água parada, limpa
ou suja.
A substituição de “é composto” (linha 1) por compõem-se mantém a
correção gramatical do período.
Comentário: Tal substituição está errada por dois motivos:
a) o núcleo do sujeito singular “ciclo” força o verbo ao singular (compõe-se);
b) a nova estrutura rege a preposição “de”, e não “por”: compõe-se de.
Compare:
O ciclo do Aedes aegypti é composto por quatro fases: ovo, larva, pupa e
adulto.
O ciclo do Aedes aegypti compõe-se de quatro fases: ovo, larva, pupa e
adulto.
Gabarito: E

Questão 47: ANS 2013 Técnico Administrativo (banca CESPE)


Fragmento do texto: Durante o período de janeiro a março de 2013, foram
recebidas 13.348 reclamações de beneficiários de planos de saúde referentes
à garantia de atendimento.
A vírgula logo após “2013” (linha 1) foi empregada para isolar adjunto
adverbial anteposto.
Comentário: O termo “Durante o período de janeiro a março de 2013” é um
adjunto adverbial de tempo antecipado, por isso a vírgula foi utilizada.
Gabarito: C
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Questão 1: TCE PE 2004 Procurador (banca CESPE)


1 A informação está cada vez mais ao nosso alcance. Mas a
sabedoria, que é o tipo mais precioso de conhecimento, essa só pode ser
encontrada nos grandes autores da literatura. Esse é o primeiro motivo
por que devemos ler. O segundo motivo é que todo bom pensamento,
5 como já diziam os filósofos e os psicólogos, depende da memória. Não é
possível pensar sem lembrar — e são os livros que ainda preservam a
maior parte da nossa herança cultural. Finalmente, e este motivo está
relacionado ao anterior, eu diria que uma democracia depende de
pessoas capazes de pensar por si próprias. E ninguém faz isso sem ler.

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Pela construção textual, depreende-se que, apesar de serem formas verbais,


os vocábulos “pensar” e “lembrar”, ambos na linha 6, estão empregados como
substantivos.

Questão 2: TRE–AP / 2007 / Analista (banca CESPE)


1 Os montantes investidos passaram de R$ 191 milhões em 2003 para
R$ 871,6 milhões, empenhados em 2006.
Também a partir do assentamento, essa família passa a participar
de uma série de programas que são desenvolvidos pelo governo federal.
5 Além de promover a geração de renda das famílias de trabalhadores
rurais, os assentamentos da reforma agrária também contribuem para
inibir a grilagem de terras públicas, combater a violência no campo e
auxiliar na preservação do meio ambiente e da biodiversidade local,
especialmente na região Norte do país. Na qualificação dos
10 assentamentos, foram investidos R$ 2 bilhões em quatro anos. Os
recursos foram aplicados na construção de estradas, na educação e na
oferta de luz elétrica, entre outros benefícios. O governo também
construiu ou reformou mais de 32 mil quilômetros de estradas e pontes,
beneficiando diretamente 197 mil assentados. Além disso, o número de
15 famílias assentadas beneficiadas com assistência técnica cresceu
significativamente. Em 2006, esse número foi superior a 555 mil.
Estão empregadas em função adjetiva as seguintes palavras do texto:
“investidos” (linha 1), “aplicados” (linha 11), “beneficiando” (linha 14) e
“assentados” (linha 14).

Questão 3: TRE–AP / 2007 / Analista (banca CESPE)


Fragmento do texto: Somado aos nomeados desde 2003, o número de
novos servidores passou para 1.800, o que representa um aumento de mais
de 40% na força de trabalho do Instituto.
O vocábulo “Somado” é forma nominal no particípio e introduz oração
reduzida com valor condicional.

Questão 4: Detran - ES / 2011 / nível superior (banca CESPE)


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Fragmento de texto: Essa nova forma de ver a mobilidade deve promover o


reordenamento dos espaços e das atividades urbanas, de forma a reduzir as
necessidades de deslocamento motorizado e seus custos e construir espaços e
tempos sociais em que se preserve, defenda e promova a qualidade do
ambiente natural e os patrimônios históricos, culturais e artísticos das cidades
e dos bairros antigos.
A expressão “de forma a reduzir” poderia ser substituída pela forma verbal
reduzindo sem prejuízo para o sentido e a correção gramatical do período
sintático em que ocorre.

Questão 5: TRE - TO/ 2006 / Técnico (banca CESPE)


1 Distraídos com a discussão sobre os índices de crescimento,
deixamos de perceber que desenvolvimento é o processo contínuo pelo

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qual uma sociedade aprende a administrar realidades cada vez mais


complexas.
5 Quando dizemos que os suíços ou suecos são desenvolvidos, o que
temos em mente não é apenas que eles são mais ricos que nós. O que
está subentendido é que também sabem gerir melhor os trens e as escolas
primárias, as florestas e os hospitais, as universidades e as penitenciárias,
os museus e os tribunais. Em outras palavras, ser desenvolvido é uma
10 totalidade.
No Brasil temos ilhas de excelência: o Departamento do Tesouro, a
EMBRAPA, o Itamaraty, entre outras. Mas estão afogadas em oceano de
incompetência, em certos pontos com profundidades abissais. As
demandas de exigência crescente de uma sociedade dinâmica são
15 atendidas pelas ilhas de eficiência, mas logo se atolam nos gargalos da
inépcia.
Rubens Ricupero. Folha de S.Paulo, 26/11/2006, p. B2 (com adaptações).
O emprego da primeira pessoa do plural em “deixamos” (linha 2), “dizemos”
(linha 5), “nós” (linha 6) e “temos” (linha 11) indica a inclusão do autor e do
leitor na informação.

Questão 6: DPU 2016 Nível Superior (banca CESPE)

As formas verbais empregadas na tirinha, embora flexionadas na terceira


pessoa do singular, indicam ações praticadas por Mafalda e por ela relatadas
no momento de sua realização, o que justifica o emprego do presente do
indicativo.
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TRT- RJ / 2008 / nível superior (banca CESPE)


A raça humana

A raça humana é
Uma semana
Do trabalho de Deus.
A raça humana é a ferida acesa
Uma beleza, uma podridão
O fogo eterno e a morte
A morte e a ressurreição.
A raça humana é o cristal de lágrima
Da lavra da solidão
Da mina, cujo mapa
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Traz na palma da mão.


A raça humana risca, rabisca, pinta
A tinta, a lápis, carvão ou giz
O rosto da saudade
Que traz do Gênesis
Dessa semana santa
Entre parênteses
Desse divino oásis
Da grande apoteose
Da perfeição divina
Na grande síntese.
A raça humana é
Uma semana
Do trabalho de Deus.
Gilberto Gil.
Questão 7: Julgue as afirmativas a seguir sobre o uso do tempo verbal no
texto:
O verbo ser encontra-se no presente do indicativo porque o autor pretende
marcar fatos que ocorrerão em um futuro próximo.

Questão 8: O verbo ser encontra-se no presente do indicativo para expressar


ações habituais dos seres humanos que ainda não foram concluídas.

Questão 9: O verbo ser encontra-se no presente do indicativo para dar vida


a fatos ocorridos no passado, como se fossem atuais.

Questão 10: O verbo ser encontra-se no presente do indicativo para


apresentar uma condição ou situação como permanente.

Questão 11: O verbo ser encontra-se no presente do indicativo para


enunciar fatos que ocorrem no momento em que o texto é escrito.
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Questão 12: Sec Edu AM / 2011 / nível superior (banca CESPE)


Uma aula é como comida. O professor é o cozinheiro. O aluno é quem
vai comer. Se a criança se recusa a comer, pode haver duas explicações.
Primeira: a criança está doente. A doença lhe tira a fome. Quando se obriga a
criança a comer quando ela está sem fome, há sempre o perigo de que ela
vomite o que comeu e acabe por odiar o ato de comer. É assim que muitas
crianças acabam por odiar as escolas. O vômito está para o ato de comer
como o esquecimento está para o ato de aprender. Esquecimento é uma
recusa inteligente da inteligência. Segunda: a comida não é a comida que a
criança deseja comer: nabo ralado, jiló cozido, salada de espinafre... O corpo
é um sábio: não come tudo o que jogam para ele, mas opera com um delicado
senso de discriminação. Algumas coisas ele deseja. Prova. Se são gostosas,
ele come com prazer e quer repetir. Outras não lhe agradam, e ele recusa. Aí
eu pergunto: “O que se deve fazer para que as crianças tenham vontade de

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tomar sorvete?”. Pergunta boba. Nunca vi criança que não estivesse com
vontade de tomar sorvete. Mas eu não conheço nenhuma mágica que seja
capaz de fazer que uma criança seja motivada a comer salada de jiló com
nabo. Nabo e jiló não provocam sua fome.
(...)
As crianças têm, naturalmente, um interesse enorme pelo mundo. Os
olhinhos delas ficam deslumbrados com tudo o que veem. Devoram tudo.
Lembro-me da minha neta de um ano, agachada no gramado encharcado,
encantada com uma minhoca que se mexia. Que coisa fascinante é uma
minhoca aos olhos de uma criança que a vê pela primeira vez! Tudo é motivo
de espanto. Nunca esteve no mundo. Tudo é novidade, surpresa, provocação
à curiosidade. Quando visitei uma reserva florestal no Espírito Santo, a bióloga
encarregada de educação ambiental me contou que era um prazer trabalhar
com as crianças. Não era necessário nenhum artifício de motivação. As
crianças queriam comer tudo o que viam. Tudo provocava a fome dos seus
olhos: insetos, pássaros, ninhos, cogumelos, cascas de árvores, folhas,
bichos, pedras. (...) Os olhos das crianças têm fome de coisas que estão
perto. (...) São brinquedos para elas. Estão naturalmente motivadas por eles.
Querem comê-los. Querem conhecê-los.
Rubem Alves. Por uma educação romântica.
Campinas: Papirus, 2002, p. 82-4 (com adaptações).
A predominância, no texto, das formas verbais no presente do indicativo tem
o efeito de dar aos fatos apresentados o caráter de fatos reais, habituais e
naturais, o que reforça os argumentos do autor com relação aos processos de
aprendizagem das crianças.

Questão 13: INCA / 2010 / nível superior (banca CESPE)


Fragmento do texto: Um dos aspectos mais notáveis da aventura do
homem ao longo da história tem sido seu constante anseio de buscar novas
perspectivas, abrir novos horizontes desconhecidos, investigar possibilidades
ainda inexploradas, enfim, ampliar o conhecimento.
Seriam preservadas a correção gramatical do texto, bem como a coerência de
sua argumentação, se, em lugar de “tem sido”, fosse usada a forma verbal é;
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no entanto, a opção empregada no texto ressalta o caráter contínuo e


constante dos aspectos mencionados.

Questão 14: EBC - 2011 nível médio (banca CESPE)


Fragmento de texto: Meios de comunicação de massa financiados por
dinheiro público e livres do controle privado comercial têm sido um modelo de
comunicação bastante explorado e consolidado na maioria das democracias
modernas.
Prejudica-se a correção gramatical do período ao se substituir “têm sido” (linha
2) por são.

Questão 15: Polícia Federal / 2004 / nível médio (banca CESPE)


Fragmento do texto: Na verdade, a integração da economia mundial —
apontada pelas nações ricas e seus prepostos como alternativa única — vem
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produzindo, de um lado, a globalização da pobreza e, de outro, uma


acumulação de capitais jamais vista na história,
Provoca-se incoerência textual e perde-se a noção de continuidade da ação ao
se substituir a expressão verbal “vem produzindo” por tem produzido.

Questão 16: TRT RJ 2008 nível superior (banca CESPE)


Fragmento do texto: Dados do Cadastro Geral de Empregados e
Desempregados (CAGED) divulgados ontem pelo Ministério do Trabalho e
Emprego (MTE) apontam para a criação de 554 mil postos de trabalho com
carteira assinada no primeiro trimestre deste ano, o que representa recorde
histórico para esse período. A série de dados do CAGED tem início em 1992.
Contra os três primeiros 4 meses de 2007, quando foram criadas 399 mil
vagas (recorde anterior), segundo informações do MTE, o crescimento no
número de empregos formais criados foi de 38,7%.
Na frase que se inicia por “A série”, a substituição da forma verbal no
presente pela forma correspondente no pretérito perfeito alteraria o sentido
do texto.

Questão 17: TRE - TO / 2007 / Analista (banca CESPE)


Fragmento de texto: As penitenciárias têm de ser aprimoradas, a justiça
precisa aplicar melhor as leis, e a legislação não pode deixar de ser revista
para enfrentar um bandido diferente daquele da época da redação do Código
Penal.
É uma substituição correta para o texto trocar “têm de ser” por devem ser.

Questão 18: CADE 2014 Agente Administrativo (banca CESPE)


Fragmento do texto: Tínhamos, além disso, algumas doenças comuns a
todo o grupo, ou quase todo: a bibliomania mais crônica que se possa
imaginar, uma paixão neurótico-deliquencial por textos antigos, que nos
levava frequentemente a visitas subservientes a párocos, conventos, igrejas e
colégios. Procurávamos criar relacionamentos que facilitassem o acesso a
qualquer velharia escrita. Que poderia estar esperando por nós, por que não?,
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desde séculos, ou décadas. Conhecíamos armários, sótãos, porões e cofres de


sacristias, bibliotecas, batistérios ou cenáculos, bem melhor do que seus
proprietários ou curadores. Tínhamos achado preciosidades que muitos
colecionadores cobiçariam.
O emprego de formas verbais no pretérito imperfeito, como, por exemplo,
“Procurávamos” (linha 5) e “Conhecíamos” (linha 7), está associado à ideia de
habitualidade, continuidade ou duração.

Questão 19: Delegado da Polícia Federal 2004 (banca CESPE)


1 As conclusões dos estudos científicos não são levadas em conta na
definição de políticas públicas. Como reflexo dessa atitude, o tratamento
da violência evoluiu pouco no decorrer do século XX, ao contrário do que
ocorreu com o tratamento das infecções, do câncer ou da AIDS. Nos
5 últimos anos, entretanto, estão sendo desenvolvidos métodos analíticos

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mais precisos para avaliar a influência dos fatores econômicos,


epidemiológicos e sociológicos associados às raízes sociais da violência
urbana: pobreza, impunidade, acesso a armamento, narcotráfico,
intolerância social, ruptura de laços familiares, imigração, corrupção de
autoridades ou descrédito na justiça.
A substituição do termo “estão sendo desenvolvidos” (linha 5) por estavam
se desenvolvendo provoca alterações estruturais sem alterar
semanticamente a informação original nem transgredir as normas da escrita
culta.

Questão 20: IRBR - 2011 Diplomacia (banca CESPE)


1 A montagem do espetáculo Calabar – O Elogio da Traição estava pronta,
quando, em outubro de 1974, foi censurada e a exibição do espetáculo foi
proibida nos palcos brasileiros. A repressão era tamanha que nem a notícia
da proibição pôde ser divulgada. Escrita por Ruy Guerra e Chico Buarque,
5 a peça recupera a saga histórica das invasões holandesas do século XVII.
Domingos Fernandes Calabar (1600-1635), o protagonista, posiciona-se a
favor da Holanda, o país invasor, contra os colonizadores portugueses. Os
autores, no entanto, não têm uma visão negativa do episódio. Ao
contrário, veem em Calabar um libertador da opressão portuguesa. A
10 censura da ditadura militar enxergou na montagem um alto teor
subversivo, por acreditar que o texto atentava contra os bons costumes e,
principalmente, promovia uma inversão dos valores da história do Brasil
ao mostrar um traidor como salvador da pátria.
Caso as formas verbais “recupera” (linha 5), “posiciona-se” (linha 6), “têm”
(linha 8) e “veem” (linha 9) fossem substituídas, respectivamente, pelas
formas recuperava, posicionava-se, tinham e viam, não seriam
necessários ajustes gramaticais no restante do texto.

Questão 21: PGM RR 2010 – nível superior (banca CESPE)


Fragmento de texto: O mundo tem gerado excepcionais avanços
tecnológicos nas últimas décadas e aumentado drasticamente sua capacidade
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de produzir bens e serviços.


A expressão “nas últimas décadas” permite a substituição de “tem gerado” por
gerou, sem prejudicar a coerência ou a correção gramatical do texto, apesar
de alterar as relações semânticas entre as ideias.

Questão 22: TCE ES 2004 Controlador de Rec Pub (banca CESPE)


1 Nossa identidade contemporânea nos remete para os centros do
capitalismo, permeada que está pela globalização liberal — pelo grau
maior ou menor em que conseguimos induzir os sintomas desse
fenômeno, como shopping centers, televisão a cabo, celulares —, mais
5 do que por sua inserção internacional, que nos faz ter um destino
similar ao do resto do continente ao qual estamos geográfica e
historicamente integrados.
(...)

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Várias crises financeiras depois, e duas décadas e meia de


10 estagnação, financeirização e precarização das relações de trabalho,
tornaram os países latino-americanos mais semelhantes do que nunca.
Estão igualmente em crise o Brasil e o Paraguai, a Argentina e o Haiti, o
México e a Bolívia, o Peru e o Equador, a Venezuela e a Guatemala, a
Colômbia e a Nicarágua.
15 As décadas posteriores nos colocaram, entre a ALCA e o
MERCOSUL, diante de duas Américas Latinas possíveis e de duas
imagens de nós mesmos, sob o pano de fundo do continente. Em suma,
nossa imagem de nós mesmos, como país, dependeu sempre da forma
como vimos a América Latina e nossa relação com nosso continente de
origem e de inserção histórica comum.
Emir Sader. A América Latina vista do Brasil. In:
Correio Braziliense, 27/6/2004 (com adaptações).
Alteram-se os sentidos do texto, mas preservam-se sua coerência textual e
correção gramatical, com a substituição do pretérito perfeito “vimos” (l.19)
por vemos ou temos visto.

Questão 23: Câmara Deputados 2014 Consultor Legislativo (banca CESPE)


Fragmento de texto: Pedi ao antropólogo Eduardo Viveiros de Castro que
falasse sobre a ideia que o projetou. A síntese da metafísica dos povos
“exóticos” surgiu em 1996 e ganhou o nome de “perspectivismo ameríndio”.
As formas verbais “surgiu” e “ganhou”, ambas na linha 3, poderiam, sem
prejuízo dos sentidos do texto, ser substituídas por surgira e ganhara,
respectivamente, pois indicam ações anteriores àquelas referidas no primeiro
período do texto.

Questão 24: Tribunal de Contas - TO / 2009 / nível superior (banca CESPE)


Fragmento do texto: Meu pai era um homem bonito com muitas
namoradas, jogava tênis, nadava, nunca pegara uma gripe — até ter um
derrame cerebral. Vivia envolvido com “sirigaitas”, como minha mãe as
chamava, e com fracassos comerciais crônicos.
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O sentido do texto seria mantido caso as formas verbais “jogava” e “nadava”


fossem substituídas por jogara e nadara.

Questão 25: TRE - TO/ 2006 / Analista (banca CESPE)


Fragmento de texto: A cidade estivera agitada por motivos de ordem
técnica e politécnica. Outrossim, era a véspera da eleição de um senador para
preencher a vaga do finado Aristides Lobo.
A substituição de “estivera” por tinha estado prejudica a correção gramatical
do período.

Questão 26: TJSE 2014 Analista (banca CESPE)


Fragmento do texto: Com todas as letras, as Ordenações Filipinas
asseguravam ao marido o direito de matar a mulher caso a apanhasse em

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adultério. Também podia matá-la por meramente suspeitar de traição. Previa-


se um único caso de punição: sendo o marido traído um “peão” e o amante de
sua mulher uma “pessoa de maior qualidade”, o assassino poderia ser
condenado a três anos de desterro na África.
O emprego do futuro do pretérito em “poderia” (linha 5) indica que a situação
apresentada na oração é não factual, ou seja, é hipotética.

Questão 27: MPE PI - 2012 Superior (banca CESPE)


Fragmento de texto: Os filósofos do Iluminismo observavam um preceito
simples, mas obviamente muito poderoso. Quanto mais formos capazes de
compreender racionalmente o mundo, e a nós mesmos, mais poderemos
moldar a história para nossos próprios propósitos. Temos de nos libertar dos
hábitos e preconceitos do passado a fim de controlar o futuro.
Segundo essa concepção, com o maior desenvolvimento da ciência e da
tecnologia, o mundo iria se tornar mais estável e ordenado. O romancista
George Orwell, por exemplo, anteviu uma sociedade com excessiva
estabilidade e previsibilidade — em que nos tornaríamos todos minúsculos
dentes de engrenagem de uma vasta máquina social e econômica.
O emprego do futuro do pretérito em “iria se tornar” (linha 7) e “nos
tornaríamos” (linha 9) justifica-se por terem as previsões dos filósofos
iluministas se concretizado.

Questão 28: TRE - GO / 2008 / Analista (banca CESPE)


Um fato ou estado considerado em sua realidade está expresso pelo verbo
sublinhado em
A “a verdade estaria inscrita”.
B “o interesse circunscrevia-se”.
C “não haveria mais uma verdade filosófica”.
D “o significado de verdade seria o de expressão”.

Questão 29: Detran - ES / 2011 / nível médio (banca CESPE)


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Fragmento de texto: Como as opções alternativas ao transporte individual


são pouco eficientes, pela falta de conforto, segurança ou rapidez, as pessoas
continuam optando pelos automóveis, motocicletas ou mesmo táxis, ainda que
permaneçam presas no trânsito”, afirma S. G., profissional da área de
desenvolvimento sustentável.
No trecho “ainda que permaneçam”, o emprego da forma verbal no modo
subjuntivo é obrigatório em razão da presença da locução conjuntiva “ainda
que”.

Questão 30: FUB / 2010 / Superior (banca CESPE)


Fragmento de texto: Por ser um fenômeno novo — ainda não temos uma
geração que tenha sido completamente formada na era da Internet —,
existem poucos trabalhos que confirmam o impacto no nível das sinapses.
Na oração “que tenha sido completamente formada na era da Internet”, a

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forma verbal “tenha” poderia ser substituída por haja, sem alteração do
sentido ou da correção gramatical do texto.

Questão 31: Detran - ES / 2011 / nível superior (banca CESPE)


Fragmento de texto: O atendimento às demandas de mobilidade evidencia a
necessidade de controle do processo de expansão urbana, propugnando pelo
desenvolvimento de cidades mais adensadas, em cujo território haja melhor
distribuição das funções.
No trecho “haja melhor distribuição das funções”, o emprego do modo
subjuntivo na forma verbal indica possibilidade, hipótese, e não a certeza de
ocorrência de melhor distribuição de funções.

Questão 32: TSE / 2007 / Técnico (banca CESPE)


Fragmento de texto: Se uma sociedade cessa de ter uma verdadeira
oposição, ela caminha para uma solução autoritária. A governabilidade só
existe verdadeiramente com uma oposição atuante, que sinalize os problemas
existentes e discuta os seus encaminhamentos.
O emprego do subjuntivo em “sinalize” e “discuta” justifica-se por compor um
período de natureza explicativa.

Questão 33: TCE PE 2004 Analista de Sistema (banca CESPE)


Fragmento do texto: A pobreza é uma metáfora para o sofrimento humano
trazido à arena pública e pode ser definida de maneiras distintas. Muita
energia é despendida na busca de uma definição rigorosa, capaz de distinguir
com clareza o sofrimento suficiente do sofrimento insuficiente para classificar
alguém como pobre. Pesquisas baseadas nesse tipo de definição estimam que
uma fração entre um terço e metade da população brasileira possa ser
considerada pobre.
Perde-se a idéia de hipótese associada à forma verbal “possa” (linha 6) ao se
substituí-la por pode, mas preservam-se a coerência e a correção textuais.

Questão 34: TCE PE 2004 Assistente Técnico Infor (banca CESPE)


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Fragmento do texto: O que está em jogo é a própria idéia de Constituição,


que é muito maior que seu texto, seus constituintes ou as autoridades que
devem guardá-la. A democracia depende de os direitos serem levados a sério
por todos os cidadãos, sejam eles autoridades ou não.
No último período, o emprego do modo subjuntivo em “sejam” reforça a idéia
de hipótese, ligada ao preenchimento da condição expressa por “depende” na
oração imediatamente anterior.

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Questão 35: Anatel 2014 Técnico (banca CESPE)

No primeiro quadrinho, o emprego da forma verbal “transportasse”, exigido


pela presença da locução “como se” na estrutura da oração, indica situação
factual.

Questão 36: SEAD Auxiliar Técnico / 2007 / nível médio (banca CESPE)
Fragmento do texto: O Museu do Cairo, onde está a múmia do faraó,
aprovou que o crânio fosse examinado com raio X: encontrou-se um
fragmento de osso, o que fez aumentar as especulações de que sua morte
fora provocada por agressão — os especialistas asseguram que o famoso
golpe recebido na cervical foi aplicado enquanto a vítima dormia ou estava em
posição horizontal.
Mantêm-se a coerência textual e a correção gramatical ao se substituir “fosse”
por fora.

Questão 37: TRE TO 2006 – Analista (banca CESPE)


1 Geralmente, as oposições não gostam dos governos. Partido vencido
contesta a eleição do vencedor, e partido vencedor é simultaneamente
vencido, e vice-versa. Tentam-se acordos, dividindo os deputados; mas
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ninguém aceita minorias. No antigo regímen iniciou-se uma representação


5 de minorias, para dar nas câmaras um recanto ao partido que estava de
baixo. Não pegou bem — ou porque a porcentagem era pequena — ou
porque a planta não tinha força bastante. Continuou praticamente o
sistema da lavra única.
(...) Sócrates aconselhava ao legislador que quando houvesse de
10 legislar tivesse em vista a terra e os homens. Ora, os homens aqui amam
o governo e a tribuna, gostam de propor, votar, discutir, atacar, defender
e os demais verbos, e o partido que não folheia a gramática política acha
naturalmente que já não há sintaxe; ao contrário, o que tem a gramática
na mão julga a linguagem alheia obsoleta e corrupta. O que estamos
15 vendo é a impressão em dous exemplares da mesma gramática.
Machado de Assis. A Semana. Obra completa,
v. III. Rio de Janeiro: Aguilar, 1973, p. 652-3.

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O emprego do subjuntivo em “quando houvesse” (linha 9) justifica-se por


compor uma afirmativa sobre uma ação já decorrida.

Questão 38: Assembleia Legislativa ES - 2011 nível superior (banca CESPE)


Fragmento de texto: Internacionalmente, ressoou, na Corte Interamericana
dos Direitos Humanos e na ONU, o grito dos excluídos, extremamente
importante para o Espírito Santo, para o Brasil e para o mundo. Enquanto
teimarmos e não reconhecermos que existem problemas, discriminação,
preconceito e violência, não avançaremos. É fundamental que reconheçamos
que eles existem, pois esse é o papel do Conselho Estadual de Direitos
Humanos.
Haveria alguma alteração no sentido, mas seria mantida a correção gramatical
do texto, caso o trecho “Enquanto teimarmos e não reconhecermos” (linhas 3
e 4) fosse reescrito, com modificações no tempo e no modo das formas
verbais, da seguinte forma: teimamos e não reconhecêssemos.

Questão 39: TRE - TO / 2007 / Analista (banca CESPE)


Fragmento de texto: É certo que muitas leis podem até ser formalmente
bem redigidas, baseadas em conceitos estruturados, mas de nada adianta se
forem mal aplicadas.
É uma substituição correta para o texto trocar “se forem” por caso sejam.

Questão 40: TCU 2011 – Auditor Federal de Controle Externo (banca CESPE)
Para o filósofo Bentham, a felicidade era uma proposição matemática, e ele
passou anos realizando pequenos ajustes em seu “cálculo da felicidade”, um
termo maravilhosamente atraente. Eu, por exemplo, nunca associei cálculo à
felicidade. No entanto, trata-se de matemática simples. Some os aspectos
prazerosos de sua vida, depois subtraia os desagradáveis. O resultado é a sua
felicidade total. Os mesmos cálculos, acreditava Bentham, podiam ser
aplicados a uma nação inteira. Cada medida tomada por um governo, cada lei
aprovada, deveria ser vista sob o prisma da “maior felicidade possível”.
Bentham ponderou que dar dez dólares a um homem pobre contava mais do
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que dar dez dólares a um homem rico, já que o pobre tirava mais prazer
desse dinheiro.
Eric Weiner. Geografia da felicidade. Trad. Andréa Rocha. Rio de
Janeiro: Agir, 2009. p. 247-8 (com adaptações).
O autor constrói seu texto de forma a se aproximar do leitor, o que explica,
por exemplo, o emprego da primeira pessoa do singular no segundo período e
o do imperativo no quarto.

Questão 41: Tribunal de Justiça - BA / 2005 / nível superior (banca CESPE)


Fragmento do texto: Forças que impediram — até agora — que esse
processo de centralização do poder chegasse até o seu limite imperial, o que
provocaria a dissolução do sistema político e econômico mundial.
O emprego do futuro do pretérito em “provocaria” justifica-se pelo emprego
do subjuntivo em “chegasse” e admite como gramaticalmente correta a
substituição pela forma teria provocado ou por iria provocar.
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Questão 42: TRT - RJ / 2008 / nível superior (banca CESPE)


Fragmento do texto: Além disso, dada a diversidade de situações regionais,
de prosperidade e de pobreza, o simples translado de um trabalhador, que vá
de uma região a outra, pode representar ascensão substancial, se ele
consegue incorporar-se a um núcleo mais próspero.
Em “que vá de uma região a outra”, a forma verbal “vá” poderia ser
substituída, sem prejuízo para o sentido original do texto ou para a sua
correção gramatical, pela forma do pretérito imperfeito do subjuntivo: fosse.

Questão 43: EBC - 2011 nível superior (banca CESPE)


Fragmento de texto: Movemo-nos como peças de um relógio cansado. As
nossas rodas velhas, de dentes gastos, entrosam-se mal a outras rodas
velhas, de dentes gastos. O que tem valor cá dentro são as coisas vagarosas,
sonolentas. Se o maquinismo parasse, não daríamos por isto: continuaríamos
com o bico da pena sobre a folha machucada e rota, o cigarro apagado entre
os dedos amarelos.
No trecho “Se o maquinismo parasse, não daríamos por isto: continuaríamos
com o bico da pena sobre a folha machucada e rota, o cigarro apagado entre
os dedos amarelos” (linhas 4 a 6), a correção gramatical seria mantida caso as
formas verbais “parasse”, “daríamos” e “continuaríamos” fossem substituídas
por parar, daremos e continuaremos, respectivamente.

Questão 44: Tribunal de Justiça - BA / 2005 / nível superior (banca CESPE)


Fragmento do texto: Mas, se o mundo chegasse a esse ponto e constituísse
um império global, isso significaria — ao mesmo tempo e por definição — o
fim do sistema político interestatal.
O emprego do futuro do pretérito em “significaria” é decorrente do emprego
de estrutura antecedente que tem valor condicional, formada por verbo no
imperfeito do subjuntivo.

Questão 45: DPU 2016 Nível Superior (banca CESPE)


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Fragmento do texto: Em todos os casos, a Defensoria Pública fez


intervenção judicial para suprir a negativa ou a má prestação do serviço
público de saúde na localidade.
Sem prejuízo para a correção gramatical do texto nem para seu sentido
original, o trecho “a Defensoria Pública fez intervenção judicial” poderia ser
reescrito da seguinte forma: a Defensoria Pública interviu judicialmente.

Questão 46: ANS 2013 Técnico Administrativo (banca CESPE)


Fragmento do texto: O ciclo do Aedes aegypti é composto por quatro fases:
ovo, larva, pupa e adulto. As larvas se desenvolvem em água parada, limpa
ou suja.
A substituição de “é composto” (linha 1) por compõem-se mantém a
correção gramatical do período.

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Questão 47: ANS 2013 Técnico Administrativo (banca CESPE)


Fragmento do texto: Durante o período de janeiro a março de 2013, foram
recebidas 13.348 reclamações de beneficiários de planos de saúde referentes
à garantia de atendimento.
A vírgula logo após “2013” (linha 1) foi empregada para isolar adjunto
adverbial anteposto.

1. E 2. E 3. E 4. E 5. C 6. E 7. E 8. E 9. E 10. C
11. E 12. C 13. C 14. E 15. E 16. E 17. C 18. C 19. E 20. C
21. E 22. C 23. C 24. E 25. E 26. C 27. E 28. B 29. C 30. C
31. C 32. E 33. C 34. C 35. E 36. E 37. E 38. E 39. C 40. C
41. C 42. E 43. C 44. C 45. E 46. E 47. C

Controle de desempenho:
Quantidade de acertos (QA): + _____
Quantidade erros (QE): – _____
Total (To=QA-QE): _______
Porcentagem ( x 100): ______
47 (quantidade de questões da aula)

Só passe para a aula seguinte, se você tiver índice maior que 80%.

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