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01/04/2020 O manifesto de oposição que pede a renúncia de Bolsonaro | Nexo Jornal

EXPRESSO (/EXPRESSO/)

O manifesto de oposição que pede a renúncia


de Bolsonaro
Guilherme Henrique 30 de mar de 2020 (atualizado 30/03/2020 às 19h15)

Texto assinado por nomes como Ciro Gomes, Fernando Haddad, Flávio Dino e
Guilherme Boulos marca uma rara ação conjunta da esquerda após as eleições de 2018

FOTO: MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL


TEMAS

POLÍTICA
(/TEMA/POLÍTICA)

BRASIL
(/TEMA/BRASIL)

 CIRO GOMES, QUE NÃO APOIOU HADDAD NO 2º TURNO DAS


ELEIÇÕES, ESTÁ ENTRE OS SIGNATÁRIOS DO MANIFESTO

Líderes de partidos de oposição lançaram na segunda-feira (30) um


manifesto
(https://www1.folha.uol.com.br/colunas/monicabergamo/2020/03/ciro-
gomes-haddad-e-boulos-pedem-renuncia-de-bolsonaro-em-
manifesto.shtml) que pede a renúncia imediata de Jair Bolsonaro,
chamado de “um presidente irresponsável”.

A carta é assinada por 14 políticos. Estão na lista os candidatos à


presidência nas eleições de 2018 Fernando Haddad (PT), Guilherme
Boulos (PSOL) e Ciro Gomes (PDT), além das candidatas a vice Manuela
D'Ávila (PCdoB), da chapa de Haddad, e Sônia Guajajara (PSOL), da chapa
de Boulos.

Também são signatários o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB),


o senador e ex-governador do Paraná Roberto Requião (MDB), o ex-
governador do Rio Grande do Sul Tarso Genro (PT) e os presidentes do
PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR), do PSB, Carlos Siqueira, do PDT,
Carlos Lupi, do PCB, Edmilson Costa, Juliano Medeiros, do PSOL, Luciana
Santos, do PCdoB.

Além do pedido de renúncia, algumas propostas foram apresentadas,


como a manutenção do isolamento social, a suspensão da cobrança das
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tarifas de serviços básicos para os mais pobres durante a crise, a proibição
de demissões e a regulamentação imediata de tributos sobre grandes
fortunas, lucros e dividendos.
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O lançamento do manifesto ocorre num momento em que João Doria
(PSDB), governador de São Paulo com pretensões presidenciais em 2022,
está na linha de frente do enfrentamento ao presidente. E num contexto
https://www.nexojornal.com.br/expresso/2020/03/30/O-manifesto-de-oposição-que-pede-a-renúncia-de-Bolsonaro 1/4
01/04/2020 O manifesto de oposição que pede a renúncia de Bolsonaro | Nexo Jornal
em que até bolsonaristas de carteirinha, como o governador de Goiás,
Ronaldo Caiado (DEM), anunciam rompimento com o Palácio do Planalto.

Mudança de atitude da oposição


O texto marca uma mudança na atitude da oposição, que relutava em pedir
publicamente (/expresso/2020/03/23/Por-que-a-oposição-reluta-em-
pedir-o-impeachment-de-Bolsonaro) a saída de Bolsonaro. No dia 16 de
março, a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), líder da minoria na
Câmara, afirmou ao jornal Valor Econômico que o momento para o
impeachment não é propício
(https://valor.globo.com/politica/noticia/2020/03/02/maia-nao-dara-
andamento-a-impeachment-de-bolsonaro-diz-lider-da-minoria.ghtml) , já
que o pedido dificilmente teria andamento com Rodrigo Maia (DEM-RJ)
no comando da Câmara.

Quem também se manifestou de maneira contrária a um possível pedido


de impeachment foi o líder do PT no Senado, Rogério Carvalho (PT-SE).
Ele disse à revista Época que, apesar de Bolsonaro não respeitar a liturgia
do cargo, impedi-lo neste momento seria algo “secundário”
(https://epoca.globo.com/guilherme-amado/impeachment-nao-solucao-
magica-diz-novo-lider-do-pt-no-senado-24278629) .

A situação começou a mudar depois do pronunciamento do presidente em


rede nacional de rádio e TV na terça-feira (24). Bolsonaro pediu que a
população voltasse à normalidade, na contramão das recomendações das
autoridades sanitárias pelo mundo.

No dia seguinte, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que não assina
o manifesto desta segunda-feira (30), defendeu a renúncia ou o
impeachment (https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,ou-
bolsonaro-renuncia-ou-fazem-impeachment-dele-diz-lula,70003248388)
de Bolsonaro.

Queixas contra o presidente

No texto, as lideranças afirmam que Bolsonaro é “o maior obstáculo à


tomada de decisões urgentes para reduzir a evolução do contágio, salvar
vidas e garantir a renda das famílias, o emprego e as empresas”.

Em outro trecho, os políticos dizem que o presidente não tem condições de


seguir governando o país. “Comete crimes, frauda informações, mente e
incentiva o caos, aproveitando-se do desespero da população mais
vulnerável. Precisamos de união e entendimento para enfrentar a
pandemia, não de um presidente que contraria as autoridades de Saúde
Pública e submete a vida de todos aos seus interesses políticos
autoritários”.

Após o discurso do dia 24 de março, quando incentivou a população a sair


do confinamento e voltar ao trabalho
(/expresso/2020/03/24/Pronunciamento-de-Bolsonaro-na-TV-o-
contexto-e-as-contestações) , Bolsonaro dobrou a aposta e, na sexta-feira
(27), divulgou uma campanha feita pelo Planalto, intitulada "O Brasil não
pode parar" (/expresso/2020/03/27/O-impacto-da-campanha-‘Brasil-
não-pode-parar’-de-Bolsonaro) .

O vídeo foi retirado do ar após determinação


(https://g1.globo.com/politica/noticia/2020/03/28/juiza-do-rio-proibe-
governo-federal-de-veicular-campanha-publicitaria-o-brasil-nao-pode-
parar.ghtml) da Justiça Federal do Rio de Janeiro. A Secretaria de
Comunicação Social da Presidência da República negou a existência de
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uma campanha e afirmou que o vídeo foi produzido em "caráter
experimental".
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No. manifesto, Bolsonaro é criticado por atentar contra a saúde pública,
“desconsiderando determinações técnicas e as experiências de outros
países”.

https://www.nexojornal.com.br/expresso/2020/03/30/O-manifesto-de-oposição-que-pede-a-renúncia-de-Bolsonaro 2/4
01/04/2020 O manifesto de oposição que pede a renúncia de Bolsonaro | Nexo Jornal
No domingo (29), contrariando mais uma vez as recomendações do
próprio Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e também da OMS
(Organização Mundial da Saúde), Bolsonaro foi às ruas em Ceilândia e
Taguatinga, ambas no Distrito Federal, para conversar com a população.

Em reação a esse ato de domingo (29), sete partidos de oposição (PT, PDT,
PSB, PCdoB, PSOL, Rede e PCB) decidiram ingressar com uma notícia-
crime (https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,partidos-de-
oposicao-decidemingressar-com-noticia-crime-no-stf-contra-
bolsonaro,70003253674?
utm_source=estadao%3Afacebook&fbclid=IwAR1p-
TC2PUoq2msBH7efrXU09Zei0fwv2L9WI9FpBscGJqvWcHhXTBwHHaU)
no Superior Tribunal Federal contra Bolsonaro, por ter colocado em risco
a saúde da população.

Por que renúncia, não impeachment

Na carta, as lideranças pedem que o presidente renuncie ao cargo. “Basta!


Bolsonaro é mais que um problema político, tornou-se um problema de
saúde pública. Falta a Bolsonaro grandeza. Deveria renunciar, que seria o
gesto menos custoso para permitir uma saída democrática ao país”.

Impeachment é um longo processo político. Maia, responsável por dar


sequência ou não a pedidos de impedimento, já afirmou que os trabalhos
do Legislativo estão focados em medidas econômicas para conter a
pandemia.

A renúncia, ao contrário, é uma decisão que cabe única e exclusivamente


ao presidente da República. Sem os trâmites no Legislativo, a mudança
seria menos “custosa”, como assinala o manifesto.

No Palácio da Alvorada, Bolsonaro fez referência nesta segunda (30) aos


pedidos para que saia do cargo. “Vamos enfrentar o problema? Ou o
problema é o presidente? Tem que trocar de presidente e resolve tudo?”,
disse.

Esquerda comemora ação conjunta


O manifesto contrário a Bolsonaro sela também uma espécie de trégua
entre os partidos de esquerda. Na carta, os políticos conclamam "a
unidade das forças políticas populares e democráticas" para ajudar o Brasil
contra o coronavírus.

“Progressistas unidos pelo Brasil.


Chega de insanidade”

Fernando Haddad
ex-prefeito de São Paulo e candiado do
PT derrotado à Presidência em 2018

“Finalmente, a esquerda unida


contra Bolsonaro!”

Guilherme Boulos
candidato derrotado do PSOL derrotado
à Presidência em 2018

A união não aconteceu nem mesmo durante o segundo turno das eleições
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de 2018, quando Ciro Gomes decidiu não apoiar publicamente Fernando
Haddad (/podcast/2018/10/31/Ciro-Gomes-quer-comandar-a-oposição.-
Mas-longe-do-PT) . A decisão significou um racha entre os partidos, algo
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explicitado com declarações contundentes posteriores.

https://www.nexojornal.com.br/expresso/2020/03/30/O-manifesto-de-oposição-que-pede-a-renúncia-de-Bolsonaro 3/4
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Logo após as eleições, Ciro disse ao jornal Folha de S.Paulo que fora
“miseravelmente traído pelo Lula
(https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/10/fomos-miseravelmente-
traidos-por-lula-nao-farei-mais-campanha-para-o-pt-diz-ciro.shtml) ”, e
que não faria mais campanha com o partido. Em maio de 2019, durante
um evento partidário em Belo Horizonte, Ciro afirmou que Bolsonaro e o
PT eram “faces da mesma moeda
(https://www.otempo.com.br/politica/unidade-e-o-cacete-diz-ciro-a-
maria-do-rosario-durante-evento-em-pe-1.2187842) ”.

Em novembro do mesmo ano, durante entrevista ao blog Nocaute, do


jornalista Fernando Morais, Lula afirmou que Ciro era não era um
“homem do debate político” e criticou a ida do pedetista
(https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,lula-ciro-escolheu-ir-para-
paris-no-segundo-turno,70003096552) a Paris durante o segundo turno
das eleições.

Já em dezembro de 2019, Carlos Siqueira, presidente nacional do PSB,


afirmou ao jornal O Globo que “entre o PT e o Brasil, o PT escolhe a si
mesmo (https://oglobo.globo.com/brasil/entre-pt-o-brasil-pt-escolhe-si-
mesmo-diz-presidente-do-psb-24114367) ”.

VEJA TAMBÉM
EXPRESSO (/EXPRESSO/) Por que a oposição
reluta em pedir o impeachment de Bolsonaro
(/expresso/2020/03/23/Por-que-a-oposição-
reluta-em-pedir-o-impeachment-de-Bolsonaro)

(https://thetrustproject.org/) SAIBA MAIS

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