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UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO

CENTRO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS E ECONÔMICAS


DEPARTAMENTO DE ECONOMIA

LEONARDO FERREIRA GUIMARÃES

DA ATIVIDADE HUMANA GERAL À LEI DO VALOR:


UMA TENTATIVA DE EXPOSIÇÃO DIDÁTICA DOS ARGUMENTOS DE MARX

VITÓRIA
2010
LEONARDO FERREIRA GUIMARÃES

DA ATIVIDADE HUMANA GERAL À LEI DO VALOR:


UMA TENTATIVA DE EXPOSIÇÃO DIDÁTICA DOS ARGUMENTOS DE MARX

Projeto de monografia apresentado à


disciplina Monografia I, do curso de
Ciências Econômicas da Universidade
Federal do Espírito Santo, elaborado sob
a orientação do Prof. Dr. Reinaldo
Carcanholo

VITÓRIA
2010
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SUMÁRIO

1. .JUSTIFICATIVA...............................................................................................................3

2. .OBJETIVOS...................................................................................................................10
2.1. OBJETIVO GERAL........................................................................................................10
2.2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS..........................................................................................10

1. .METODOLOGIA............................................................................................................11

3. .ESTRUTURA................................................................................................................12

4. .CRONOGRAMA............................................................................................................12

5. .REFERÊNCIAS..............................................................................................................13

1. JUSTIFICATIVA

Em nosso momento atual, as análises ditas “pós-marxistas”, as declaradamente pós-


estruturalistas ou mesmo algumas das atuais correntes da economia
institucionalista, buscam uma compreensão de trabalho que subtrai da análise o
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trabalho abstrato, e a extração de mais valia como forma necessária de


compreender o capitalismo contemporâneo1. O trabalho humano e o próprio
proletariado foram substituídos por uma noção de capital-humano.

Dessa forma, parece não haver espaço para compreensões tidas como
“ultrapassadas”, que se envolvem com a reprodução em escala ampliada do valor
como a forma da reprodução social. Torna-se necessário, em caráter de urgência,
resgatar as compreensões teóricas mais profundas, realizadas por Marx, do lato
papel do trabalho como estrutura central da existência social-histórica da
humanidade. E, decorrente das formas imanentes que revestem o trabalho de
historicidade, resgatar a centralidade da relação-valor como forma privilegiada de
explicar os andamentos do capitalismo contemporâneo. repetindoDessa forma
busco busca-se justificar a necessidade de trabalhar essa questão, nos termos que
serão explicitados adiante.

Para proceder com essa análise é necessário levar em consideração que


Não há, no conjunto da obra do autor em questão [Marx], nenhum
tratamento autônomo da atividade humana, mas um conjunto de
considerações importantes espalhadas por vários de seus textos. Mais do
que isto, o autor em questão, para dar conta da riqueza de determinações
que envolve a “atividade humana”, recorre a um complexo categorial2, no
interior do qual encontramos categorias tais como: atividade sensível ou
objetiva, atividade imediata ou individual, atividade essencial ou vital,
atividade produtiva ou formativa, atividade social ou atividade genérica real,
atividade material ou corporal, atividade espiritual ou auto-atividade,
atividade histórico-mundial ou total, além de práxis ou trabalho.
(Dissertação Eliane, p.8)

1
“nesse momento em que o trabalho abstrato parece não ser mais base da determinação do valor na
produção capitalista [e que o próprio valor aparenta não ser mais base da produção, posto que sua
magnitude é constituída de tempo de trabalho abstrato /LG] – as inflexões sobre a
contemporaneidade pendem: ora para a afirmação plena da complexidade do trabalho humano, em
especial, através de suas dimensões de criatividade e conhecimento como base atual para a
produção do valor, ora a substituição do “trabalho” pelo “lazer ou ócio” [o dito ócio criativo /LG],
enquanto categoria central na compreensão da sociabilidade atual.” (Dissertação Eliane, p.38)
2
Um complexo categorial é aqui um dado conjunto de categorias utilizado como reflexo
de um existente. O que deve ser bem marcado como traço inerente à dialética
materialista no que tange a compreensão de um complexo categorial é a necessidade de
que: 1) não haja somente uma única categoria para lidar com uma unidade de
fenômenos, posto que, por mais que exista uma totalidade capaz de “unificar” os
múltiplos momentos individuais, existem ainda as formas particulares nas quais esta
totalidade se expressa no individual concreto. Para as distintas formas particulares de um
dado universal abstrato existem os distintos componentes que integram o complexo; 2)
Cada categoria singular do complexo se relaciona intrinsecamente com todas as outras
em relações de auto-determinação. Daí é possível entender a afirmação marxista: O todo
social é um complexo de complexos.
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Essa “atividade humana” é o ponto tratado por Lukács como a ontologia do ser
social em Marx. Ou seja, aquilo que distingue o gênero humano das outras formas
de ser3, que constui, assim, sua ontologia4,

A análise do complexo de categorias que envolvem o trabalho é bastante explorado


nas ditas “obras de juventude” de Marx5. Essas obras constituem o eixo central da
análise de filósofos muito acostumados com a distinção entre um “jovem Marx”
filósofo e um “velho Marx” economista. Contudo, parte-se aqui do pressuposto que
essa distinção, da forma como é comumente feita, carrega um viés mistificador que
por vezes impede uma leitura atenta da grande obra de síntese de Karl Marx: O
Capital. Nessa obra Marx coroa seus esforços de compreensão da sociedade
capitalista como um todo estruturado pela reprodução material da vida humana.

Dessa forma, busco justificar um segundo momento do processo de pesquisa:


compreender a relação entre esse “complexo categorial da atividade humana” das
obras de juventude e o entendimento do valor como lei geral da reprodução
capitalista, que se dá, sobretudo, n’O Capital (MARX, 1996) e nos Grundrisse
(MARX, . Para ser mais preciso, Lukács (1981) aponta que o trabalho, enquanto a
ontologia do ser social, somente pode ser eficazmente compreendido se igualmente
compreendido é o complexo social no qual ele existe e se movimenta, mantendo sua
existência, ou seja, como ele se reproduz. Se o trabalho é a forma de produzir e
reproduzir a vida humana, para entende-lo é preciso entender como que a sua
estrutura particular na sociedade capitalista se reproduz. Ou seja, é preciso
compreender os movimentos da auto-reprodução ampliada do valor, do capital.

Dentro do complexo categorial da atividade humana o conceito atividade objetiva, ou


sensível presta um papel fundamental. Nele é enfatizado aquilo que permeia toda

3
Nomeadamente, distingue o ser social do ser orgânico (a vida de uma forma geral, animais e
plantas) e do ser inorgânico.
4
Aqui a palavra ontologia poderia ser decomposta como o logos de um ser (ontos), ou seja o
discurso ou lógica que reflete, no âmbito do pensamento, algo que se reproduz na realidade efetiva
dos fatos cotidianos. Dessa forma, dizer que o trabalho é a ontologia do ser social é o mesmo que
dizer que ele é a forma de refletir no plano das categorias aquilo que define o homem enquanto tal na
sua existência de fato.
5
A nomenclatura “Jovem Marx” é aqui utilizada compreendendo as obras que vão de
1841 até 1850 – da “Crítica à filosofia do Direito de Hegel” até “As Lutas de Classe na
França”.
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forma de trabalho, a criação de coisas objetivas, de coisas que podem ser


percebidas com os sentidos e, portanto, sensíveis.6 A perspectiva da objetividade é
muito cara ao raciocínio dialético, tanto de Marx quanto de Hegel, é na objetivação,
ou exteriorização de si que o ser em si se torna um ser para si e pode, portanto,
pertencer ao ser social.7 A partir desse conceito podemos perceber que há na
exteriorização, ou objetivação, do trabalho um elemento fundamental para seu
entendimento no interior da existência do ser social e, mais do que isso, na sua
auto-reprodução. Essa objetivação são os bens, ou, na sociedade capitalista: as
mercadorias, as quais Marx define, com base nesses traços fundamentais da
dialética materialista, como o ponto de partida para sua exposição de O Capital:
A riqueza das sociedades em que domina o modo de produção capitalista
aparece como uma “imensa coleção de mercadorias”76 e a mercadoria
individual como sua forma elementar. Nossa investigação começa,
portanto, com a análise da mercadoria. (MARX, 1996, p.165)

Justificada a necessidade de trabalhar o transito entre trabalho e mercadoria,


buscarei esclarecer sobre a necessidade de proceder desta para a análise do valor
como objeto de centralidade nas relações capitalistas. Observemos o raciocínio de
Marx:
Tomemos ainda duas mercadorias, por exemplo, trigo e ferro. Qualquer que
seja sua relação de troca, poder-se-á, sempre, representá-la por uma
equação em que dada quantidade de trigo é igualada a alguma quantidade
de ferro, por exemplo, 1 quarter de trigo = a quintais de ferro. Que diz essa
equação? Que algo em comum da mesma grandeza existe em duas coisas
diferentes, em 1 quarter de trigo e igualmente em a quintais de ferro. Ambas
são, portanto, iguais a uma terceira, que em si e para si não é nem uma
nem outra. Cada uma das duas, enquanto valor de troca, deve, portanto, ser
redutível a essa terceira. (Op. Cit., p.167)

Aqui, através do exemplo mais simples possível, uma troca simples, ou escambo,
pode-se perceber que deve existir algo que torne possibilite pensar em relações
quantitativas entre mercadorias, algo que as unifique, que faça com possam ser
trocadas como coisas iguais, mesmo que tenham diferentes utilidades, formas ou

6
Cabe lembrar que dizer que a criação de coisas objetivas ou sensíveis não exclui qualquer forma de
“imaterialidade” de coisas como softwares ou literatura, ambos podem ser percebidos pelos sentidos
e existem objetivamente.
7
O ser em si é todo aquele ser que existe; ser social, ser orgânico e ser inorgânico são formas de ser
em si. O ser para si é a forma de ser que adquire uma consciência de si própria, da sua existência no
mundo e essa consciência só pode existir a partir do momento em que esse ser se exterioriza em
uma ação e se vê nessa ação exteriorizada. Daí o sentido de podermos dizer que o trabalho e a
atividade objetiva transformam o homem em ser para si, posto que ele ganha existência num objeto
exterior no qual ele pode se perceber.
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qualidades sensoriais8. Essa matéria é o valor. Dessa forma, para compreendermos


as relações de troca, o valor e, assim, as mercadorias e o capitalismo, que as possui
como elementos primordiais devemos proceder

Deixando de lado então o valor de uso dos corpos das mercadorias, resta a
elas apenas uma propriedade, que é a de serem produtos do trabalho.
Entretanto, o produto do trabalho também já se transformou em nossas
mãos. Se abstraímos o seu valor de uso, abstraímos também os
componentes e formas corpóreas que fazem dele valor de uso. Deixa já de
ser mesa ou casa ou fio ou qualquer outra coisa útil. Todas as suas
qualidades sensoriais se apagaram. Também já não é o produto do trabalho
do marceneiro ou do pedreiro ou do fiandeiro ou de qualquer outro trabalho
produtivo determinado. Ao desaparecer o caráter útil dos produtos do
trabalho, desaparece o caráter útil dos trabalhos neles representados, e
desaparecem também, portanto, as diferentes formas concretas desses
trabalhos, que deixam de diferenciar-se um do outro para reduzir-se em sua
totalidade a igual trabalho humano, a trabalho humano abstrato. (Op. Cit.,
pp.167-168)

[...]É, portanto, apenas o quantum de trabalho socialmente necessário


ou o tempo de trabalho socialmente necessário para produção de um
valor de uso o que determina a grandeza de seu valor (Op. Cit., pp.167-169)

Como o método de Marx não pode ser percebido como algo pronto e acabado, mas,
pelo contrário, é algo que somente se mostra em contato com seu objeto de
análise9, pode-se extrair do procedimento anterior uma boa carga de método
dialético-materialista, relevante para análise a ser feita aqui. Partindo da aparência,
dos fenômenos de uma relação de troca simples, surge uma compreensão das
relações causais, e, a partir delas, de um elemento unificador, uma categoria da
totalidade: o valor. Resumindo essa constatação: em uma relação de troca se
percebe a obliteração dos valores de uso concretos e a predominância de uma
relação quantitativa, o valor de troca, mas, esse valor de troca que iguala as
mercadorias deve ser algo que existe em uma substância comum, algo não
intrínseco a cada mercadoria como característica física sua, esse elemento é o
valor.

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Mais à frente, ainda no primeiro capítulo, Marx demonstrará que para haver troca é necessária a
diferença existente nos valores de uso das mercadorias. Simplificadamente, para haver troca deve
haver igualdade quantitativa no valor de troca e diferença qualitativa no valor de uso. (Op. Cit., p.171)
9
Para compreender a imanência do método de Marx, ou seja, como ele é um método
que existe a partir de seu objeto social e histórico, recomendo consultar o minicurso
apresentado por José Paulo Neto “O Método de Marx”. Ele mostra – de forma bastante
clara e em contraposição à autores que buscam um método marxista que seja aplicável
em todos os objetos – que o método marxiano é o próprio método de análise científica do
capital. Este trabalho pode ser encontrado em: http://www.cristinapaniago.com/jos
%C3%A9_p_netto_-_curso_o_m%C3%A9todo_em_marx_-
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Do valor como abstração central incorporada às mercadorias retorna-se para seu


principal determinante social: o trabalho. Aqui o trabalho não é mais aquele que se
mostra diretamente na realidade efetiva: o trabalho específico, concreto e
diferenciado por suas habilidades, processualidades e utilidades específicas. O
trabalho do marceneiro, do pedreiro ou do agricultor não mais nos interessa
enquanto tais. Aqui, a análise é feita com base em um trabalho abstrato,
diferenciável somente por sua quantidade, medida em unidades de tempo. É esse
trabalho abstrato que compõe os determinantes interiores do valor.

Aqui se mostram as modificações nas determinações históricas sobre o trabalho, o


trabalho que gera valor nas mercadorias existe em condições sociais muito
específicas à sociedade capitalista. Ele é fundamentalmente estranhado, ou
alienado. O elemento que possibilita com que o homem se reconheça no seu objeto
exteriorizado é tomado pela propriedade privada alheia, tanto dos meios de
produção, que possibilitam a execução do processo de trabalho, quanto do objeto
trabalhado em si: a mercadoria.

Cabe notar a distinção que Marx faz entre o processo de trabalho concreto, produtor
de valores de uso e inerente a todas as formas de existência social, e o processo de
valorização, existente no capitalismo, no qual o trabalho abstrato é o simples
consumo produtivo da força de trabalho com fins à gerar mercadorias banhadas de
mais valia:

O processo de trabalho, como o apresentamos em seus elementos simples


e abstratos, é atividade orientada a um fim para produzir valores de uso,
apropriação do natural para satisfazer as necessidades humanas, condição
universal do metabolismo entre o homem e a Natureza, condição natural
eterna da vida humana e, portanto, independente de qualquer forma dessa
vida, sendo antes igualmente comum a todas as suas formas sociais. (Op.
Cit., p. 303)

O processo de trabalho, em seu decurso enquanto processo de consumo


da força de trabalho pelo capitalista, mostra dois fenômenos peculiares.
O trabalhador trabalha sob o controle do capitalista a quem pertence seu
trabalho. O capitalista cuida de que o trabalho se realize em ordem
[...]Segundo, porém: o produto é propriedade do capitalista, e não do
produtor direto, do trabalhador. O capitalista paga, por exemplo, o valor de
um dia da força de trabalho. A sua utilização, como a de qualquer outra
mercadoria, por exemplo, a de um cavalo que alugou por um dia, pertence-
lhe, portanto, durante o dia. [...]Do seu ponto de vista, o processo de
trabalho é apenas o consumo da mercadoria, força de trabalho por ele
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comprada, que só pode, no entanto, consumir ao acrescentar-lhe meios de


produção. O processo de trabalho é um processo entre coisas que o
capitalista comprou, entre coisas que lhe pertencem. O produto desse
processo lhe pertence de modo inteiramente igual ao produto do processo
de fermentação em sua adega. (Op. Cit., p. 303)

Agora temos de observar esse trabalho sob um aspecto totalmente diverso


daquele sob o qual o consideramos durante o processo de trabalho. Lá,
tratava-se da atividade orientada ao fim de transformar algodão em fio.
Quanto mais adequado o trabalho a esse, tanto melhor o fio, supondo-se
inalteradas todas as demais circunstâncias. O trabalho do fiandeiro era
especificamente diferente de outros trabalhos produtivos [...] Na medida em
que o trabalho do fiandeiro é, pelo contrário, formador de valor, isto é, fonte
de valor, não se distingue em nada do trabalho do perfurador de canhões
[...]É apenas por causa dessa identidade que plantar algodão, fazer fusos e
fiar podem formar partes apenas quantitativamente diferentes do mesmo
valor total, do valor do fio. Aqui já não se trata da qualidade, da natureza e
do conteúdo do trabalho, mas apenas de sua quantidade. (Op. Cit., p. 307)

O mesmo processo de trabalho apresenta-se no processo de formação de


valor somente em seu aspecto quantitativo. (Op. Cit., p.313)

Neste caso fica claro que Marx nunca deixou de considerar o papel central dos
valores de uso e, por causa disso, nunca se esqueceu do papel necessário para a
existência social o trabalho concreto, eles estão diretamente relacionados e são
inseparáveis. O interessante é que essa discussão sobre como o trabalho concreto e
abstrato, valor de uso e valor, existem em uma unidade dialética surgiu em resposta
aos economistas vulgares, em parte advogados da teoria do valor utilidade. Com
essa discussão Marx demonstra que valor de uso é essencial à vida, mas o valor é,
sempre será, essencial ao capital, enquanto ele existir. Dessa forma, o pós-
marxismo que advoga, a partir de Marx, que hoje o capitalismo sobrevive sem a
exploração do trabalho abstrato, deve ter se esquecido de ler algumas seções d’O
Capital, como essa exposta anteriormente.

Ainda pode haver dúvida, como houve na época de Marx, se o valor é realmente
necessário para a reprodução do capital ou se é, tão somente, um recurso lógico, ou
uma excentricidade metafísica. Principalmente se é observado que os capitalistas
individuais estão em busca de lucro, não de mais valia. Ou que a taxa média de
lucro se relaciona mais com os preços de produção do que com alguma entidade
metafísica como o valor. Quanto a isso Engels responde, após a morte de Marx e o
lançamento do livro III de O Capital:
Tanto Sombart como Schmidt [...] não consideram suficientemente a
circunstância de se tratar aí [nessa polêmica sobre o espaço na economia
real da lei do valor /LG] não só de um processo puramente lógico, mas
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também de um processo histórico e seu reflexo explicativo no pensamento,


a persecução lógica de sua coesão interna. (K-V. P 305)

Com isso espero ter justificado adequadamente a necessidade de trabalhar mais


profundamente a relação entre o trabalho como tal, na obra da juventude de Marx, e
o valor. Ambos carregados pelo peso de serem os determinantes da estrutura
material de reprodução da vida humana, o primeiro no caso geral e o segundo no
caso do capitalismo.

2. OBJETIVOS

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2.1. OBJETIVO GERAL

Explicitar, de forma o mais clara possível, com finalidade didática, a necessária


relação entre atividade humana em geral e trabalho abstrato na obra de Marx. A
partir disso, lembrar – conforme nos demonstra Marx e enfatiza Lukács – que o
trabalho é a forma base das relações humanas e que funciona como um modelo,
uma estrutura para as outras formas de se relacionar da humanidade. Sendo que o
processo de trabalho é a forma geral, é possível – e é objetivo deste trabalho –
esclarecer que o processo de valorização é sua forma particular no capitalismo e,
portanto, carrega nesse sistema de relações produtivas o mesmo papel de
centralidade que o trabalho carrega na vida humana.

2.2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS

• Sintetizar os elementos constituintes do complexo categorial da atividade


humana em Marx.
• Explicitar, através do caráter duplo da mercadoria, o caráter duplo do valor e,
portanto, do trabalho como trabalho concreto e trabalho abstrato.
• Trazer à tona as conclusões marxianas sobre a centralidade do valor na
sociedade capitalista.
• Deixar claro da forma mais didática possível, tanto as categoriais econômicas
que tangenciarem o processo de análise, quanto as filosóficas.

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3. METODOLOGIA

A monografia será executada a partir de uma investigação sobre os escritos originais


de Karl Marx no que tange a questão do trabalho, da mercadoria e do valor.

Em todo o texto da monografia haverá recurso às leituras mais recentes sobre a


obra de Marx, ou de seus mais importantes interpretes. Sobretudo, György Lukács,
Roman Rosdolsky e Isaak Rubin. Para não ficar muito distante do atual debate
acadêmico, também serão consultados artigos, dissertações e teses. Contudo, ficar-
se-á restrito à utilização de material cujo teor da leitura da obra marxiana não destoe
muito daquelas feitas pelos autores reconhecidos e apontados acima.

Segue abaixo o levantamento bibliográfico preliminar:

4. ESTRUTURA

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Além da introdução e considerações finais da pesquisa realizada, a monografia


contará com dois capítulos cuja estrutura preliminar prevê:

Capítulo 1: Síntese didática das análises sobre o complexo categorial da atividade


humana em Marx.

Capítulo 2: Explicitação do papel da mercadoria, sua dupla composição em termos


de valor. Primeira exposição sobre o caráter abstrato do trabalho produtor de
mercadorias

Capítulo 3: Aprofundar o processo de valorização como forma específica do


processo de trabalho no capitalismo. A partir daí, fixar a centralidade da auto-
reprodução ampliada do valor como a totalidade que estrutura as relações humanas
na sociedade capitalista.

Capítulo 4: Pontuar, de forma curta ilustrativa, o debate no século XIX sobre o


possível caráter metafísico ou meramente lógico da lei do valor. De posse disso
expor, também de forma curta e ilustrativa as tentativas atuais de decretar o fim do
trabalho como forma de reprodução da vida humana.

5. CRONOGRAMA

ATIVIDADES FEV MAR ABR MAI JUN


Levantamento bibliográfico XXX
Leitura e análise XXX XX
Redação preliminar XX
Discussões preliminares XX
Revisão com o orientador XX XX
Redação final XX XX
Preparação da apresentação XX
Apresentação da monografia X
X = semana de atividade.

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6. REFERÊNCIAS

LUKÁCS, Gyögy. Ontologia do Ser Social: os princípios ontológicos fundamentais


de Marx. São Paulo: Editora Ciências Humanas, 1979.

_______. Per una Ontologia dell´Essere Sociale. Roma: Ed. Riuniti, 1981, v. 1 e 2.

Karl Marx. Elementos fundamentales para la crítica de la economía política


(Grundrisse) 1857-
1858. México D.F., Siglo XXI Editores. 1971. p. 449.

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