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3 À procura de novas terras


Existiu uma vez na Terra – e talvez ainda exista – um poderoso Imperador que queria a todo o custo 1
descobrir novas terras.
Que espécie de Imperador serei eu – bradava ele –, se os meus navios não descobrirem um novo
continente, onde abundem o ouro, a prata e as pastagens, e para onde eu possa levar a nossa civilização?
Os seus Ministros responderam-lhe: – Mas, Majestade, já não existe nada para descobrir aqui na Terra.
Veja o globo!
E aquela ilha pequenina, ali? – perguntava ansiosamente o Imperador.
Bem, se a puseram no globo, é porque já foi descoberta há muito tempo – retorquiram os Ministros. –
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Talvez até já lá tenham construído um complexo turístico. E, além disso, os navegadores hoje já não viajam
pelos mares à procura de novos continentes e ilhas! Hoje visitam-se galáxias em astronaves!
Nesse caso – insistiu teimosamente o Imperador –, enviem um explorador galáctico que me descubra
pelo menos um pequeno planeta habitado!
E assim o Explorador Galáctico (EG para os amigos) vagueou durante muito tempo pelo espaço imenso
em busca de um planeta que pudesse ser civilizado.
Mas só encontrava planetas rochosos, planetas de poeiras, planetas cheios de vulcões que cuspiam fogo
para o céu, mas nem vestígios de planetas aprazíveis e habitados.
Até que um dia, nos confins da Galáxia, para onde tinha apontado o seu megatelescópio megagaláctico,
o EG viu uma coisa maravilhosa…
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Umberto ECO (1992). Os gnomos de Gnu (trad. Gisela Moniz). Lisboa: Editorial Presença

1. Regista o principal objetivo do Imperador.

2. Enumera o que pretendia o Imperador explorar nas novas terras que descobrisse.

3. Indica o que faria o Imperador com esse novo território.

4. Explica a razão pela qual os Ministros dizem ao Imperador que a ilha que ele aponta no globo já
foi descoberta.
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5. Preenche o esquema, registando as expressões nos espaços adequados.
– Procurar um planeta habitado
– Descobrir um novo continente ou uma nova ilha
– «Hoje visitam-se galáxias em astronaves!»

Desejo do Imperador

Aviso dos Ministros

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6. Identifica quem ficaria responsável por cumprir o desejo do Imperador.

7. Explicita que tipo de planetas foi encontrando o Explorador Intergaláctico.

8. Na tua opinião, o que poderá ter encontrado o Explorador Intergaláctico nos confins da galáxia?

9. A obra de Umberto Eco Os gnomos de Gnu foi apresentada como conto musical por Sérgio
Azevedo, em 2010. O espetáculo contou com um elenco de cinco crianças como Gnomos,
contracenando com José Lourenço (ator e narrador). Lê a entrevista a José Lourenço.

Entrevista a José Lourenço, ator/narrador, direção cénica


para a Escola Profissional de Música de Viana do Castelo, por
Andrea Fernandes e Amália Castro, em 2010

José Lourenço estudou no Conservatório de Música de Genève, Estúdio de 1


Ópera do Porto, «Hong Kong Academy for Performing Arts», «Royal College
of Music» (pós-graduação em ópera) e Fundação Calouste Gulbenkian (curso
de encenação de ópera).
Na qualidade de encenador, apresentou espetáculos no CCB (recital encenado «Ida e Volta»), Fundação 5
Calouste Gulbenkian (ópera «La Voix Humaine»), Casa da Música (proto-opereta «La Leçon de chant
eléctromagnétique»), Teatro Municipal Sá de Miranda (estreia absoluta do conto musical «Como se faz cor
de laranja»), Teatro de Vila Real (suite «Marie Galante»), Centro Cultural Vila Flor (conto musical «A
Menina do Mar»), Teatro das Figuras (pasticcio «A Lição de Offenbach»), Teatro Lethes (ópera cómica
«The Boatswain’s Mate») e Auditório Lopes-Graça (óperas para marionetas «El Retablo de Maese Pedro» e 10
«Geneviève de Brabant»).
Paralelamente, desenvolve atividade como cantor em óperas, oratória e recitais. Nutre especial interesse
por contos musicais, sendo de registar atuações, na qualidade de ator, no Teatro Nacional São João «As
Aventuras de Pinóquio no País das Brincadeiras», Casa da Música «Momo» e Cinemateca Portuguesa «À
Luz de Java». 15

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1. O conto «Gnomos de Gnu» de Umberto Eco faz-nos refletir sobre várias temáticas, tais como a
poluição, a destruição de florestas, a ambição e poder político, a saúde pública, o respeito por outras
culturas, entre outras. Que desafios encontrou ao trazer estas temáticas para o palco?
Trata-se de temáticas muito cruas, objetivas ou, mesmo, hiper-reais... ora, as artes performativas (teatro,
música, dança, ...), assim como as artes literárias e plásticas (desenho, pintura, escultura, ...) procuram 25

abordar a realidade sob o ponto de vista da estética, da poesia e do humor. Por outras palavras, a arte
procura fazer-nos viajar para lá do nosso universo tangível com o objetivo de nos proporcionar novos
ângulos de visão sobre ele próprio, tanto do ponto de vista objetivo como subjetivo. Este processo tem uma
componente de fruição pura (divertimento) e outra de alargamento dos horizontes intelectuais de cada um.
Voltando à pergunta, o principal desafio com que me deparei na companhia da Paula Conceição (assistente 30

de encenação) foi encontrar e sublinhar as vertentes poética e/ou humorística de temáticas aparentemente
desprovidas de tais aspetos. O rico imaginário de Umberto Eco e a excelente música de Sérgio Azevedo
ajudaram. A importância de que assuntos como os abordados no espetáculo se revestem para o futuro de
todos nós foi outro aspeto que me inspirou; não desperdiçar a oportunidade de os abordar junto de um
público jovem foi motivante para todos. 35

2. O seu contributo para este espetáculo foi muito grande, pois desempenhou funções de ator,
encenador e narrador. Ficou satisfeito com o resultado final? Deu muito de si neste espetáculo?
Sou um eterno insatisfeito... acho sempre que há espaço de progressão. Por outro lado, num espetáculo
ao vivo com múltiplas componentes – música, jogo cénico, desenho de luz, maquinaria, som – nem tudo
corre sempre como planeado. Felizmente que o público, desconhecendo o planeado, não associa certos 40

imprevistos a imprecisões ou enganos! ... Quanto a desempenhar funções de encenador e ator é algo a que
estou habituado, envolvendo alguns litros de suor... sob o calor dos projetores. Aproveito para lembrar que
trabalhei com o apoio de uma excelente equipa de criativos: Liliana Barbosa criou os figurinos dos
Gnomos, Paula Conceição foi minha assistente de encenação e fez a direção de cena, Nuno Almeida criou o
desenho de luz. Sem eles o espetáculo não teria sido o mesmo. 45

3. Certamente «os gnominhos» aprenderam imenso consigo ao longo deste trabalho. Aprendeu algo
com eles?
Os «gnominhos» reforçaram a minha convicção de que para desenvolver bem o seu trabalho, um ator
necessita de conservar alguma ligação com a infância. Representar equivale a brincar como uma criança,
plenamente imersa nos seus jogos de faz de conta. Recordarei sempre os nossos «gnominhos» como um 50

exemplo a seguir.
4. Sabemos que, desde cedo, nutre um grande gosto pela encenação e que já fez várias produções
nesse sentido. É mais fácil trabalhar com crianças ou com adultos?
Em geral é mais fácil trabalhar com profissionais experientes mas, muitas vezes, os adultos não
demonstram o mesmo entusiasmo, energia e dedicação que os cinco «gnomos» com quem trabalhei neste 55

projeto. Se na história de Umberto Eco é o Explorador Galáctico quem viaja no espaço, no decorrer deste
projeto foram os «gnomos» que nos caíram do céu. Sendo assim, foi fácil trabalhar com crianças!
5. Qual é a sensação de estar em cima de um palco a transmitir algo para o público?
Era muito jovem quando pela primeira vez pisei um palco. Passadas mais de três décadas, continua a
tocar-me com a mesma frescura, continua a ser uma experiência empolgante e gratificante. Trata-se, antes 60

de mais, da atividade profissional que consigo fazer melhor e, organicamente, me dá mais prazer (adoro,
por exemplo, confundir temporariamente a minha vida, com a vida dos personagens que me cabe
interpretar).
Outro prazer que retiro ao «transmitir algo para o público» deriva da sensação de contribuir para o
desenvolvimento pessoal e felicidade daqueles a quem, porventura, consiga despertar um sorriso, 65

emocionar, levar uma mensagem ou, tão somente, fazer sonhar.

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6. Os gnomos de Gnu são seres muito sábios, pois demonstram plena consciência das consequências
da poluição. Será que em cada cidadão existe um gnomo de Gnu por despertar?
Exatamente! Em todos nós existe, em maior ou menor grau, um gnomo de Gnu que deveria entrar em
ação o mais rapidamente possível. Urge que cada um de nós detete e reformule comportamentos que em
nada contribuem para o bem-estar do planeta. Se cada um de nós tiver este cuidado, sem dúvida, consegui 65
remos atingir o objetivo que todos perseguem – viver de maneira sustentável num mundo melhor.
Folha da Música blogspot (consultado a 13 de outubro de 2016)

9.1 Refere a informação sobre o conto musical que mais gostaste de conhecer e porquê.

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