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Tema da Aula – Educação Integral e as possibilidades da Pedagogia Social: currículo e

território

Gostemos ou não, estamos vivendo um momento histórico, marcado por mudanças


rápidas que tem influenciado profundamente o processo de aprender e ensinar. Há algumas
décadas nenhum educador hesitaria ao responder que sua obrigação era a de ensinar a ler,
escrever, contar, ou seja, instruir, polir e disciplinar, em essência empregava-se um currículo e
um método de ensino mais voltado para a decoração das matérias, para preparar os jovens
para atender a demandas do mercado.
Hoje já compreendemos que o conhecimento é construído por caminhos muito mais
amplos e diversos. Aprendemos com o tempo que a aprendizagem se constitui como um
processo de assimilação estímulos ao seu redor. Segundo Vygotsky (1991) o conhecimento
surge a partir da internalização individual de estímulos, vivências e experiências promovidas
pela interação entre a pessoa e o meio físico, social e cultural.
Logo as possibilidades oferecidas pelo ambiente aos indivíduos são fundamentais para
que este se constitua como sujeito consciente e realmente capaz de incorporar elementos do
mundo no qual vive, passando a aprender a produzir significados.
Assim, na perspectiva propõe-se a Educação Integral, com o objetivo de desenvolver
as competências, habilidade e atitudes que favoreçam a construção do conhecimento.
Entende-se portanto, que apenas ampliar o tempo na escola não é suficiente para melhorar a
qualidade do ensino, uma vez que a implementação de uma educação integral busca
desenvolver todas as potencialidades do aluno, o que exige um processo educativo que dê
oportunidade à todas as crianças de se conhecer, relacionar, brincar, descobrir e aprender em
um ambiente rico em estímulos, onde as relações que o aluno estabelece com o outro e como
o meio são reconhecidamente fundamentais para o seu processo de desenvolvimento
individual, educacional e social (BARBOSA, 2009).
A Pedagogia Social vem de encontro a essa necessidade, pois na atualidade é
indispensável desenvolver habilidades de socialização, cidadania, senso crítico e sentido de
ética. Desde modo o currículo deve partir da premissa de “qual sociedade pretendemos
construir”.
Para isso os ambientes escolares dever ser expandidos e ressignificados, repensando
não apenas no que o aluno deve aprender, mas também em todas as formas de desenvolver as
competências (intelectual, física, emocional, cultural e social) necessárias para que essa

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criança/jovem participe de forma significativa em uma sociedades que se transforma
rapidamente.
Dito isso, entende-se que no presente contexto não é mais possível que a escola se
mantenha isolada dos outros elementos que envolvem a vida do aluno, devendo trazer toda a
comunidade para dentro da escola, ao mesmo tempo em que expande as suas ações para além
de seus limites físicos, abraçando as características e peculiaridades históricas, socias e
culturais do bairro e de seus moradores, para que de forma democrática possam construir um
currículo que verdadeiramente contemple as necessidades das crianças e adolescentes.
Souza e Ortega (2016), afirmam que é preciso lutar por um currículo que se aproprie e
produza significados, que não se limite a sala de aula e que valorize a multiplicidade de
experiencias educacionais, respeitando as características da crianças, da família e da
comunidade, na qual se permita que a criança: brinque e movimente-se em espaços amplos e
ao ar livre; expresse sentimentos e pensamentos; desenvolva a imaginação, a curiosidade e a
capacidade de expressão; amplie permanentemente conhecimentos a respeito do mundo da
natureza e da cultura apoiadas por estratégias pedagógicas apropriadas; entre em contato com
diferentes atividades, escolhas e companheiros de interação.

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REFERÊNCIAS

BARBOSA, Maria Carmen Silveira. Práticas cotidianas na educação infantil: bases para a
reflexão sobre as orientações curriculares. / Mistério da Educação (MEC). Secretaria de
Educação Básica. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Brasília: Portal MEC, 2009.
Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/relat_seb
_praticas_cotidianas.pdf>.

SOUZA, Lilian Aparecida; ORTEGA, Lenise Maria Ribeiro. O Lugar das interações sociais
na educação infantil: contribuições da sociologia da infância e da psicologia histórico-
cultural as pesquisas nesse campo. Pedagogia em Ação (Periódicos PUC as): Belo
Horizonte, 2016. Disponível em: <http://periodicos.pucas.br
/index.php/pedagogiacao/article/viewFile/12332/9620>. Acesso em: 14 de maio de 2018.

VYGOTSKY, Lev S. A formação social da mente. / [Org.: Cole, M.; Steiner, V. J.;
Scribner, S; Souberman, E.]. [Tradução: Neto, J.C.; Barreto, L.S.M.; Afeche, S. C. 4 ed. São
Paulo: L. Martins Fontes, 1991. Disponível em: < http://egov.ufsc.br/portal/
sites/default/files/vygotsky-a-formac3a7c3a3o-social-da-mente.pdf>.

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