Você está na página 1de 2

estudo é

[...] parte da técnica aplicada, partindo desse ponto de vista onde estes combinam vários elementos da técnica geral.
Usualmente são curtas, composições independentes. No entanto, eles geralmente não têm o valor musical de
composições, que deve a sua criação unicamente à inspiração musical. Eles não se prestam à apresentação pública, e
sua finalidade é principalmente ampliar as habilidades técnicas do estudante. 20 (FLESCH, 2000, P. 91, tradução
nossa). apud NASCIMENTO p. 23

Já o Harvard Dictionary of Music, usa a definição: “uma peça concebida para ajudar o aluno de um
instrumento no desenvolvimento de sua capacidade mecânica e técnica. Normalmente um estudo é
dedicado inteiramente a um dos problemas especiais da técnica instrumental, como escalas, arpejos,
oitavas, cordas duplas, trinados, etc. ” 21 (APEL, 1950, p.249, tradução nossa).

Diante destes problemas linguísticos, qual a solução? Barret em The Viola (A Viola) (1978, preface,
tradução nossa) usa o termo book of studies (livro de estudos), p. 23

Após esta exposição e reflexão sobre várias definições do termo, podemos entender estudo, como
uma composição musical criada para abordar uma ou mais dificuldades técnicas, mas dentro de um
contexto musical, simulando o que poderá ser encontrado no repertório artístico, fazendo uma ponte
entre a mecânica e a inspiração artística, pois a técnica sem um sentido musical não tem razão de ser,
e a expressão artística não pode ser plenamente realizada com limitações da técnica (FLESCH, 2000,
p. 92-94).p. 24

A melhor caracterização deste tipo de obra vem após a fundação do Conservatório de Paris em 1795.
Nessa instituição os primeiros professores foram incumbidos de escrever todo o conhecimento que os
alunos deviam aprender durante o curso escolhido, passo a passo, e aplicável a todos, o Método. p.25

Para Lainé (2010, p. 98, tradução nossa): “O princípio do método é frequentemente testemunhar as
últimas realizações da técnica instrumental e propor uma série de maneiras de adquiri-las”. 27 Já para
Santos (2011, p. 4):
São os documentos musicais redigidos com o propósito de mostrar todos os estágios da formação musical específica,
de uma maneira progressiva, abrangente e clara. p.26

Este tipo de obra sofreu modificações durante o tempo, mas o que a difere de outros gêneros
didáticos é a sua função e amplitude. É um modelo de ensino criado por um pedagogo para seu uso
ou para guiar outros professores, no caminho de como levar o aluno de um determinado ponto a
outro, podendo ser replicado com todos alunos de uma classe ou instituição. Para tanto, podemos
encontrar nos métodos, diversas ferramentas de ensino como: exercícios, estudos, caprichos, escalas,
teoria musical, rudimentos e filosofia do instrumento, duetos, excertos orquestrais e camerísticos,
peças musicais. Geralmente o método é escrito em ordem progressiva e em várias partes, seções de
ferramentas didáticas28 ou até volumes. p. 26
Ferramentas Didáticas: gêneros didáticos como; exercícios, estudos, peças musicais, etc. usados como ferramenta
para atingir o objetivo do método. p.26

“ Desde que consigo me lembrar, dedilhar a viola como se fosse análoga ao violino tem sido a queda
da maioria dos violistas, e o erro ainda persiste. ”

Por outro lado, o violista ainda não está bem definido e levará ainda bastante tempo até se
estabelecer. Trataremos desse assunto em maior detalhe no próximo capítulo, mas é interessante
observar a visão sobre a viola e os violistas em um dos mais importantes tratados dessa época: em
seu Versuch einer Anweisung, die Flute zu Spielen, de 1752, no capitulo XVII, seção III, intitulado
“of the Violist in Particular”, o compositor Johann Joachim Quantz (1697-1773) afirma (apud.
RILEY, 1980, p. 123-124, tradução nossa):
A viola é comumente considerada como de pequena importância no universo musical. A razão pode bem ser que
essa muitas vezes é tocada por pessoas que ainda são iniciantes no grupo ou não têm dons especiais para se
distinguir no violino, ou que o instrumento produz tão poucas vantagens para os seus executantes, de modo que
pessoas hábeis não sejam facilmente persuadidas a ir além. No entanto, mantenho que, se todo o acompanhamento é
para ser sem defeito, o violista deve ser tão bom quanto o segundo violinista. p. 54

Também precisamos mencionar, que durante todo o século XIX foram criados novos materiais
didáticos, fomentados para cobrir todas as exigências do repertório acima mencionado. Ritter e Sitt
foram pioneiros na preocupação com o ensino de excertos orquestrais, visando a futura ocupação de
seus alunos e cobrindo assim mais aspectos da formação de um violista profissional. p. 62