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ISSN: 1981-8963 https://doi.org/10.

5205/1981-8963-v12i3a22870p729-737-2018

Baggio É, Nascimento VF do, Terças ACP et al. O cuidar da saúde para a mulher indígena...

ARTIGO ORIGINAL
O CUIDAR DA SAÚDE PARA A MULHER INDÍGENA HALITI-PARESÍ
CARE FOR THE HEALTH OF HALITI-PARESÍ INDIGENOUS WOMEN
CUIDAR DE LA SALUD PARA LA MUJER INDÍGENA HALITI-PARESÍ
Érica Baggio1, Vagner Ferreira do Nascimento2, Ana Cláudia Pereira Terças3, Thalise Yuri Hattori4, Marina
Atanaka5, Elba Regina Sampaio de Lemos6.
RESUMO
Objetivo: verificar como as mulheres indígenas definem e promovem saúde. Método: estudo qualitativo,
descritivo-exploratório, com 12 mulheres indígenas Haliti-Paresí. Os dados foram produzidos a partir de
entrevistas semiestruturadas. Para análise dos dados, utilizou-se a técnica de Análise de Conteúdo na
modalidade Análise Temática, fundamentada na Teoria da Diversidade e Universalidade do Cuidado Cultural.
Resultados: identificou-se que as indígenas definem saúde como algo primordial que dá sentido ao viver e
que vai além da dimensão biológica. Além disso, há uma articulação entre os saberes populares e biomédicos,
com preferência aos saberes indígenas aplicados no interior da comunidade. Elas reconhecem que hábitos não
saudáveis estão presentes no cotidiano indígena e demonstram preocupação buscando meios para promover a
saúde da família. Conclusão: os valores culturais necessitam ser integrados à assistência para melhoria da
saúde indígena, em uma perspectiva de construção de um novo paradigma para abordagem do processo saúde-
doença. Descritores: Saúde da Mulher; Saúde de Populações Indígenas; Processo Saúde-Doença; Enfermagem
Transcultural.
ABSTRACT
Objective: to verify how indigenous women define and promote health. Method: qualitative, descriptive-
exploratory study with 12 Haliti-Paresí indigenous women. Data were produced through semi-structured
interviews. The thematic Content Analysis technique was used to analyze the data, based on the Theory of
Diversity and Universality of Cultural Care. Results: it was found that the natives define health as something
primordial that gives meaning to life and goes beyond the biological dimension. In addition, there is a link
between popular and biomedical knowledge, with a preference for indigenous knowledge applied within the
community. They recognize that unhealthy habits are present in their daily life and show concern and seek
ways to promote family health. Conclusion: cultural values need to be integrated into the assistance to
improve indigenous health, from the perspective of building a new paradigm to approach the health-disease
process. Descriptors: Women's Health; Health of Indigenous Populations; Health-Disease Process; Cross-
Cultural Nursing.
RESUMEN
Objetivo: verificar como las mujeres indígenas definen y promueven la salud. Método: estudio cualitativo,
descriptivo-exploratorio, con 12 mujeres indígenas Haliti-Paresí. Los datos fueron producidos a partir de
entrevistas semi-estructuradas. Para análisis de los datos, se utilizó la técnica de Análisis de Contenido en la
modalidad Análisis Temático, fundamentada en la Teoría de la Diversidad y Universalidad del Cuidado
Cultural. Resultados: se identificó que las indígenas definen la salud como algo primordial que da sentido al
vivir y que va más allá de la dimensión biológica. Además, hay una articulación entre los saberes populares y
biomédicos, con preferencia a los saberes indígenas aplicados en el interior de la comunidad. Ellas reconocen
que hábitos no saudables están presentes en el cotidiano indígena y demuestran preocupación buscando
medios para promover la salud de la familia. Conclusión: los valores culturales necesitan ser integrados a la
asistencia para mejorar la salud indígena, en una perspectiva de construcción de un nuevo paradigma para
enfoque del proceso salud-enfermedad. Descriptores: Salud de la Mujer; Salud de las Poblaciones Indígenas;
Proceso Salud-Enfermedad; Enfermería Transcultural.
1
Enfermeira, Universidade do Estado de Mato Grosso/UNEMAT. Arenápolis (MT), Brasil. E-mail: baggio.1994@hotmail.com
https://orcid.org/0000-002-7895-5435; 2Enfermeiro, Professor Mestre, Universidade do Estado de Mato Grosso/UNEMAT, Tangará da Serra
(MT), Brasil. E-mail: vagnerschon@hotmail.com https://orcid.org/0000-0001-8761-3325; 3Enfermeira, Professora Doutora, Universidade
do Estado de Mato Grosso/UNEMAT. Tangará da Serra (MT), Brasil. E-mail: ana.claudia@unemat.br https://orcid.org/0000-0001-8761-
3325; 4Enfermeira, Professora Mestre, Universidade do Estado de Mato Grosso/UNEMAT. Cuiabá (MT), Brasil. E-mail:
thalisehattori@gmail.com https://orcid.org/0000-0003-4491-0375; 5Enfermeira, Professora Doutora, Universidade Federal de Mato
Grosso/UFMT. Cuiabá (MT), Brasil. E-mail: E-mail: marina.atanaka@gmail.com https://orcid.org/0000-0003-3543-3837; 6Médica,
Professora Doutora, Instituto Oswaldo Cruz/IOC. Rio de Janeiro (RJ), Brasil. E-mail: elemos@ioc.fiocruz.com https://orcid.org/0000-
0003-3761-0200

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situação afeta a saúde e a qualidade de vida


INTRODUÇÃO
de diferentes grupos sociais, em especial da
O Brasil é considerado um país de ampla mulher indígena, que constitui um segmento
diversidade cultural que enfrenta atualmente da população com um crescimento notório.
questões interculturais bastante desafiadoras, A Organização Mundial da Saúde (OMS)
especialmente quando o assunto envolve a define saúde como o completo bem-estar
saúde dos povos indígenas. Segundo o Instituto físico, mental e social, e não meramente a
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ausência de doenças, devendo ser um direito
896.917 mil pessoas se declararam ou se assegurado pelo Estado. Porém, os
consideraram indígenas, sendo que 572.083 comportamentos de uma população diante de
mil viviam na área rural e 324.834 mil seus problemas de saúde, incluindo a
moravam em cidades. A partir desses utilização de recursos terapêuticos, são
resultados, observa-se um significativo construídos no íntimo do seu cotidiano,
crescimento demográfico, que merece resultado do contato com o seu povo, o qual
atenção por parte dos órgãos administrativos se ergue a partir de seu contexto
e gestores que cuidam desse segmento sociocultural.5
populacional brasileiro.1 Vários estudiosos, como Leininger,6
Ao realizar uma retrospectiva histórica da destacam e enfatizam a importância de
saúde indígena, somente na década de 1990, associar a antropologia cultural à área da
ela passa a ser responsabilidade do Ministério saúde por considerarem essa ligação
da Saúde (MS), que por meio da Fundação fundamental para o entendimento do processo
Nacional de Saúde (Funasa) cria os Distritos saúde-doença que, no caso dos povos
Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs) para indígenas, possui seus conceitos e percepções
melhorar o atendimento sanitário, garantindo- particulares sobre a saúde e o adoecimento.
lhes uma atenção holística, com respeito às Em virtude disso, o conhecimento prévio
suas diferenças étnicas e culturais, estando das significações de saúde dessa comunidade,
suas ações obrigatoriamente integradas ao que determina o pensar e o agir da população
Sistema Único de Saúde (SUS).2 perante o processo saúde-doença, é
Em 2010, através da Secretaria Especial de fundamental para a eficiência e a qualidade
Saúde Indígena (SESAI), o MS assume a das ações de assistência dos profissionais de
execução e a coordenação do Subsistema de saúde que irão assisti-la.
Atenção à Saúde Indígena em todo território
nacional, com a responsabilidade de OBJETIVO
desenvolver e priorizar ações de promoção da
● Verificar como as mulheres indígenas
saúde e prevenção e recuperação de doenças,
definem e promovem a saúde.
em consonância com as políticas públicas e
programas afirmados pelo SUS. Decorrente MÉTODO
disso, foram criadas políticas específicas como
a Política Nacional de Atenção à Saúde dos Estudo qualitativo, descritivo e
Povos Indígenas (PNASPI) de 2002, que vem exploratório, realizado na aldeia indígena
7

para assegurar uma melhor qualidade do Wazare, localizada no chamado Chapadão do


atendimento prestado e garantir a Parecis, no munícipio de Campo Novo do
integralidade e a equidade dos serviços de Parecis/MT, Brasil. A escolha do local ocorreu
saúde, principalmente a partir da articulação devido à sua área geográfica ser situada na
das práticas terapêuticas nativas e da terra indígena Utiariti, de grande povoação
medicina ocidental que repercutem em um indígena mato-grossense. Os sujeitos da
novo modelo de atenção à saúde.2,3 pesquisa foram 12 mulheres indígenas que
Entretanto, na prática, existem várias atenderam aos critérios de inclusão e
falhas administrativas e assistenciais no exclusão. Como critérios de inclusão: maiores
modelo de saúde proposto despertando uma de 18 anos, pertencentes à etnia Haliti-Paresí
preocupação com a saúde da mulher e que compreendiam e falavam idioma
indígena.3,4 As transformações da figura português (Brasil). Como critério de exclusão:
feminina na sociedade contemporânea, o mulheres que não estavam presentes no
reconhecimento e as conquistas de seus primeiro momento da coleta de dados. A
espaços vêm fortalecendo algumas determinação do tamanho amostral do estudo
características que podem torná-las mais ocorreu pelo método de saturação de dados.
vulneráveis, com consequente abandono e/ou A coleta de dados foi realizada em
perda da identidade cultural com a dezembro de 2015, em dois momentos
necessidade também de um enfrentamento no estabelecidos convenientemente pela própria
gerenciamento de um novo perfil social. Tal pesquisadora. O primeiro foi destinado à
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apresentação da pesquisa às mulheres da


RESULTADOS E DISCUSSÃO
aldeia e o segundo, a realização da entrevista
semiestruturada gravada, norteada a partir Participaram do estudo 12 indígenas, com
de um roteiro elaborado pela pesquisadora, idade entre 20 e 59 anos, que tinham de 2 a 7
composto por perguntas fechadas (aspectos filhos, predominando mulheres com ensino
sociodemográficos) e abertas (percepção fundamental completo, em união estável,
sobre saúde, promoção da saúde e prevenção residentes em casa do tipo tradicional
de doenças e práticas terapêuticas utilizadas indígena. Das mulheres entrevistadas, a
para restabelecer a saúde). O questionário foi maioria destinava seu tempo ao cuidado da
aplicado individualmente em ambiente família, dos filhos e dos afazeres domésticos,
reservado, de escolha da participante do além do artesanato.
estudo, com auxílio de um gravador digital,  Percepção das mulheres indígenas
utilizando-o somente após autorização da quanto à saúde
indígena durante o período médio de 35 Percepções sobre o processo saúde-doença
minutos. da mulher indígena merecem atenção especial
Para análise dos dados, foi utilizada a devido à transformação nos papeis assumidos
técnica de análise de conteúdo, na pela mulher na sociedade, que como
modalidade Análise Temática,7 consequência reflete especialmente em seu
fundamentada na Teoria da Diversidade e ambiente interno, junto ao seu povo.8
Universalidade do Cuidado Cultural (TDUCC) No estudo, a referência de que saúde dá
de Madeleine Leininger (1925-2012). Esta sentido à vida revela que elas entendem
reconhece que os fatores culturais saúde como uma questão social que vai além
influenciam o processo saúde-doença e, como da dimensão biológica, ou seja, a saúde está
ferramenta, tornam o conhecimento e a intrinsicamente relacionada ao bem-estar
prática profissionais culturalmente pessoal e familiar, sendo reportada como algo
embasados, conceituados, planejados e primordial que dá sentido ao viver.
operacionalizados no contexto complexo do Ter disponibilidade de realizar as tarefas,
indígena com o não indígena. Para isso, esta de fazer de tudo. É a gente viver bem (M1).
teoria se utiliza de um conjunto inter- Saúde é me sentir bem, mais leve, mais feliz
relacionado de conceitos e hipóteses de (M4).
enfermagem fundamentado nas necessidades [...] É tá alegre com a vida, tá de bem
individuais e sociais, incluindo manifestações comigo mesmo (M7).
de comportamentos relativos ao cuidado, às Conforme demonstrado nos discursos, as
crenças e aos valores, com a finalidade de mulheres atribuem ao termo saúde
realizar um cuidado efetivo e satisfatório. significações que estão por sua vez associados
Assim, após conclusão das interações a um conjunto de ações de promoção da
sociais, o material empírico foi lido e saúde de dimensão psicológica e social. Desse
transcrito em sua íntegra. Para organização e modo, essas expressões constituem uma forma
preservação do anonimato, utilizou-se de de representação social do modo de
codificação do tipo alfanumérica, de modo compreender o processo saúde-doença.
que a letra M indica mulher e o elemento As representações de saúde e doença não
numérico que acompanha o conjunto apenas são apenas práticas culturais que permitem a
indica a ordem do discurso no formulação do saber, mas também a
desenvolvimento da análise. Dessa análise, interpretação da sociedade que as produz.
originaram-se três categorias: 1) Percepção Portanto, ao conhecer o pensamento de um
das mulheres indígenas quanto à saúde; 2) grupo étnico, advêm as explicações de suas
Cuidados para promover a saúde e prevenir atitudes, bem como possibilidades de
doenças; e 3) Comportamento adotado repensar ações de saúde mais efetivas e
perante o agravo da saúde. estratégicas, distintas muitas vezes daquelas
Este estudo faz parte de pesquisa matricial oferecidas pelos profissionais de saúde no
intitulada “Situação de Saúde dos Paresí” com contexto indígena.9
aprovação do Conselho Nacional de Ética em Nessa percepção, fica claro que a
Pesquisa (CONEP) sob n° 819.939/2014 e compreensão de saúde se apresenta permeada
Certificado de Apresentação para Apreciação por conceitos legitimados e divulgados pela
Ética (CAAE): 04647412.0.1001.5541. Todos os ciência, bem como aqueles legitimados pela
envolvidos aceitaram participar tradição do povo.
voluntariamente da pesquisa após a leitura e Dessa maneira, cada pessoa ou grupo social
assinatura do Termo de Consentimento Livre e culturalmente estabelecido não apenas
Esclarecido (TCLE). poderá saber e definir as formas nas quais
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experimenta e percebe seu mundo, mas serviços deveriam ser organizados a fim de
também relacionar essas experiências e garantir essa diferenciação.2
percepções com as suas crenças e práticas de Nos documentos da Funasa, especialmente
saúde, o que pode, consequentemente, na PNASPI (2002), a atenção diferenciada é
fortalecer a previsão de ações e o definida a partir da consideração das
planejamento do cuidado de enfermagem.5 especificidades culturais, epidemiológicas e
Neste estudo, ainda que a percepção de operacionais dessa população, considerando
saúde tenha sido vinculada para tanto as práticas terapêuticas
predominantemente como algo essencial para tradicionais e a articulação destas com a
viver bem, alguns discursos sustentaram o prática biomédica ocidental.10
conceito limitado de saúde. Como forma de fortalecer os aspectos
Saúde é estar sem dor de cabeça, dor no culturais, essa política traz em uma de suas
corpo, sem dores musculares (M3). diretrizes a preparação de recursos humanos
Ter uma saúde é não ficar doente (M9). para atuação no contexto intercultural,
Saúde é a pessoa ser sadia (M10). destacando-se para tal a formação dos
Esse pensamento de saúde como ausência Agentes Indígenas de Saúde (AISs) como
de doença, muito disseminado entre a cultura estratégia para melhorar a atenção à saúde. A
ocidental, pode ser verificado em outras finalidade não seria substituir as práticas
etnias, principalmente nas que se localizam indígenas pelos ocidentais, mas aumentar o
próximas a áreas urbanas. Tais considerações acervo indígena de terapias e cuidados com a
podem continuar sendo alimentadas em uma saúde, com articulação entre os diferentes
comunidade indígena que esteja sendo saberes, objetivando, assim, a melhoria da
assistida por profissionais com poucas qualidade de vida.4,10
habilidades técnicas e limitado olhar quanto à Entretanto, a publicação de um relatório
antropologia social e de saúde. Assim, diante de avaliação da política de saúde para as
de um cenário no qual o profissional não tem populações indígenas no Brasil também aponta
competência para lidar com as que mesmo com o processo de distritalização,
vulnerabilidades próprias desse grupo, as oriundo da criação dos DSEIs, o modelo
consequências podem ser desastrosas, assistencial implantado nos distritos segue a
podendo influenciar no surgimento ou mesmo lógica da produção de serviços. Ainda
na falta de percepção de novos agravos.4 prevalece a concepção topográfico-
Um dos principais obstáculos enfrentados burocrática do distrito sanitário como espaço
na atenção à saúde a essa população é a geográfico, populacional e administrativo
cultura assistencialista do não indígena onde são coordenadas as unidades e serviços
reproduzida por muitos profissionais e em detrimento da lógica das demandas e
gestores,4 que não reconhecem a problemas de saúde e a necessidade de
integralidade do indígena dentro de seu reorganização das práticas e processos de
território de valores, ficando alheios ou em trabalho, ou seja, é concebido mais como um
conflito diante dessa pluralidade. Já para modelo organizacional do que como um
Cardoso,3 os problemas da saúde indígena modelo assistencial.3,11
estão relacionados à baixa resolutividade das Em alguns discursos, também ficou
ações em saúde nos distritos locais, alta evidente a vinculação de saúde ao cuidado
rotatividade dos profissionais, falta de com a higiene, filhos, alimentação e lar.
recursos de infraestrutura e equipamentos [...] Ter higiene na casa, principalmente na
para determinados procedimentos e ações hora de comer. Principalmente a gente que
ofertadas pelos DSEIs, assim como a relativa mora na aldeia, cuidar do lixo ao redor da
falta de integração e de um sistema de casa, no pátio da aldeia, tomar cuidado
comunicação eficaz com as demais redes de principalmente com os lixos de dentro de
atenção do SUS. casa. Ai quando a minha casa tá limpa, eu tô
com a casa limpa, a vasilha limpa (M3).
Embora não tenham sido suficientes para
[Saúde] É ter uma alimentação saudável né,
impedir a recorrência dos diversos problemas
depois a higiene pessoal, do ambiente onde
enfrentados pela população indígena no se mora né, é a prevenção (M5).
Brasil, a restruturação das políticas de saúde
Cuidar bem da casa, dos filhos, ter uma
indígenas ao longo dos últimos 20 anos e a alimentação boa (M8).
consequente criação dos DSEIs, a partir de
A preocupação com saneamento básico, ao
1999, trouxeram não somente a proposta de
longo da história, esteve quase sempre
atenção diferenciada como um dos pilares
relacionada à transmissão de doenças, o que
básicos na formulação dos modelos de atenção
justifica os discursos com ênfase no
à saúde dos povos indígenas, mas também o
saneamento para obter saúde.3 É inegável a
estabelecimento da forma pela qual os
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importância dos serviços de saneamento muito tempo ou que ele pegue friagem,
básico na prevenção de doenças, ainda mais tomos as precauções necessárias mesmo, pra
se considerar o cenário atual marcado por eles não ficarem doentes (M1).
graves disparidades entre as crianças [...] Deixo a casa limpa, faço comida né,
indígenas e as demais crianças brasileiras, quero que eles [filhos] fiquem bem
alimentados, pra eles não ficar doente né,
como alta taxa de mortalidade infantil entre
mais saudável (M9).
esse público, caracterizada pela elevada
prevalência de doenças infectocontagiosas, A preocupação em cuidar dos filhos pode
deficit nutricionais, deficiência de acesso e estar relacionada à própria sensibilidade e
cuidados com a saúde.12 proteção materna, como observada em alguns
povos indígenas que acreditam que os pais são
Apesar de ser fundamental, não é o único
os responsáveis pelo processo de enfermidade
fator para a melhoria das condições de vida da
da criança, sendo o adoecimento uma forma
população, devendo ser incorporado a um
de punição diante de possíveis falhas dos
modelo de desenvolvimento que contemple
genitores.16
também as questões sociais. A forma de
vivência e convivência dessa população Também se observou que as medidas de
contribui para a mudança desse cenário, higiene e limpeza foram mencionadas como
porém atitudes como o incentivo ao forma de promover a saúde e prevenir
aleitamento materno exclusivo e prolongado, doenças. Assim, esses achados atrelados ao
além do consumo de alimentos tradicionais fato de a maioria das participantes do estudo
indígenas e preservação do meio ambiente, ser mães que destinam seu tempo ao cuidado
são muitas vezes ignoradas na atenção à da família e lar remetem ao modelo de família
saúde.13 tradicional, no qual a mulher possui seus
papéis claramente definidos e, para tanto,
Portanto, no cuidado a essa população deve
assume o lugar de boa mãe, sempre disposta,
haver cautela quanto às ações frequentes
dedicada e responsável pelo espaço familiar.4
oriundas da cultura ocidental, na tentativa de
evitar a exclusão dos modos como esses Além disso, as participantes reconhecem
sujeitos cuidam e conservam sua saúde dentro que hábitos de vida não indígena estão
da comunidade e que são determinantes para presentes no cotidiano da comunidade e
o seu processo saúde-doença. Assim, uma muitos desses contribuem negativamente na
assistência de enfermagem em conformidade saúde do seu povo.
com a cultura indígena minimiza violências e Pra minha filha eu sempre falo né, tem que
comer pouco, porque é bom pra saúde,
violações perante a herança e patrimônio
apesar que tudo que é ruim a gente gosta,
desses povos.9
igual ela gosta muito de refrigerante. [...]
Para a efetivação de uma abordagem Evito muito refrigerante para as crianças,
transcultural, o aprendizado precisa ser para a minha filha, e assim mesmo não
mútuo, em que todos aprendem, transformam adianta né, gosta de skinny, só que eu tento
e se renovam quanto ao respeito ao outro e à moderar até pra gente inclusive lá de casa
valorização do ser humano em suas mesmo (M4).
peculiaridades. Para isso, são primordiais a O que pesa mais aqui é o refrigerante né,
formação e o aperfeiçoamento do profissional daí eu já falei, vamos tomar só final de
de saúde para uma atuação que articule nas semana (M11).
ações gerenciais e assistenciais, o diálogo Em alguns estudos é possível observar que a
aberto e a participativo voltado ao cuidado da ocidentalização da cultura indígena tem
comunidade.4,14 causado grande impacto no perfil desses povos
e contribuído para o quadro epidêmico de
 Autocuidado para promover a saúde e
obesidade, anemia e hipovitaminoses.17,18
prevenir doenças
Apesar disso, neste estudo foi possível
O autocuidado desenvolvido pela população verificar que as indígenas têm conhecimento e
indígena pode ser compreendido através das reconhecem essas transformações como um
representações sociais que, para Durkheim,15 problema e demonstram preocupação pela
traduz o modo como o próprio grupo pensa em busca de meios para promover saúde à sua
suas relações com os objetos que o afetam. família.
No estudo, embora essas representações Resultados de estudo revelaram indicativos
tenham demonstrado o cuidar em extensões de carências nutricionais entre crianças
diversas, seus sentidos apresentaram indígenas brasileiras nos últimos anos,
similaridade e se aproximaram ao colocar em especialmente pela incorporação de hábitos
evidência a saúde dos filhos. de vida inadequados. Tais achados se
Eu tomo cuidados com as crianças mesmo confirmam no presente estudo, uma vez que
[...] eu evito que ele [filho] fique no rio as mulheres consideraram a alimentação como
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um cuidado fundamental para manutenção da  Comportamento adotado perante o


saúde e admitiram a incorporação e agravo à saúde
preocupação com o consumo de alimentos
Os povos indígenas possuem intrínseco à
pouco nutritivos. Vale ressaltar que hábitos sua cultura percepções peculiares sobre
alimentares são aprendidos no início da vida e
saúde, adoecimento e tratamento. Seus
que o tipo de alimento consumido é problemas de saúde rotineiramente são
fortemente influenciado por variáveis tratados com pessoas experientes da sua
16
culturais.
própria comunidade, que detêm
A mudança do consumo alimentar entre os conhecimentos da história do grupo e possuem
indígenas, a partir de uma dieta com alto teor a capacidade de lidar com as forças
de açúcar e sal, pode ser justificada, na sobrenaturais, poder de cura e prevenção,
maioria das vezes, pela proximidade das denominado por muitos indígenas como Xamã
comunidades com a área urbana, evento que ou Pajé.10 Assim, muitas vezes, seus males
facilita o acesso aos produtos industrializados, ficam sob cuidado desse representante social.
bem como a restrição territorial que esses O pajé sempre tem os remédios deles né, a
povos vivem. Todos esses fatores contribuíram reza, que eles reza de noite, tem uma folha
para a substituição do seu modo de que eles passa, indica as ervas certa pra
subsistência que era realizado com a caça, o gente [...] (M9).
plantio e a pesca, conforme apontado pelo I [...] Quando precisa gente dá medicamento
Inquérito Nacional de Saúde e Nutrição dos senão sempre trata com remédio daqui
Povos Indígenas, realizado em 2008/2009.19 mesmo. Chá, a gente banha com algumas
Além do mais, é possível verificar também que erva do mato que o pajé fala pra gente
esse novo estilo de vida em algumas etnias (M11).
pode trazer riscos para as futuras gerações, Como observado nos discursos, essas
como a dissolução ou esquecimento de mulheres permanecem utilizando práticas
aspectos culturais que mantêm as raízes e tradicionais, muitas delas transmitidas de
equilíbrio com a natureza.17-8 geração para geração, reconhecidas pela
Logo, os profissionais de enfermagem comunidade para restabelecer a saúde física e
assumem papel fundamental, pois estão mais espiritual, a partir da utilização de chás, ervas
presentes e próximos nesses territórios e e rezas.
possuem inúmeras potencialidades para a Optam, muitas vezes, em se tratar
operacionalização desse cuidado. Nesse primeiramente no interior da comunidade e
sentido, estudos realizados pela enfermeira e caso o problema não seja solucionado
antropóloga norte-americana Madeleine procuram um representante do grupo para
Leininger são de suma importância para o encaminhar ao serviço de saúde referência
fortalecimento do profissional da enfermagem para receber atendimento com médicos e/ou
enquanto ciência e arte do cuidar, na enfermeiros.
valorização das crenças, valores e práticas dos Ah, muitas vezes a gente, antes de ir para o
mais diversos grupos sociais durante sua médico, tenta dar o remédio caseiro mesmo,
assistência profissional, na medida em que que a gente faz, e depois se não tiver jeito
mesmo tem que levar no médico (M5).
oferece um cuidado respeitoso e significativo
aos indivíduos dentro das suas diversidades.20 Olha, aqui a gente usa uns remédios
tradicionais que a gente, que a mãe da
A Enfermagem Transcultural fornece uma gente ou até mesmo a gente conhece né, e
estrutura holística e compreensiva aos quando precisa bastante a gente chama os
cuidados coerentes às diversas culturas. profissionais de saúde, o polo base de saúde
Acredita-se que um grupo social é capaz de (M3).
orientar os profissionais para receber o tipo [...] Tenta resolver aqui mesmo na aldeia,
de cuidado que desejam e necessitam, fato se não conseguir comunica o polo e depois
que requer, portanto, um conhecimento de vai pra cidade (M8).
base cultural, além de suficiente capacitação A partir desses discursos, pode-se observar
para sua eficaz aplicação.21,9 o modelo distinto de organização e assistência
Assim, é possível promover a saúde dos serviços indígenas propostos pela PNASPI
adotando práticas congruentes às crenças e que fortalece a preservação étnico-cultural
aos comportamentos adotados pela dessa população. Esse novo modelo
comunidade indígena, na direção de um assistencial, que pode ser denominado como
cuidado terapêutico baseado na harmonia do “atenção diferenciada”, considera as
popular e do técnico-científico, configurando, especificidades culturais, epidemiológicas e
assim, em um cuidado transcultural.20 cotidianas, em respeito ao sistema de
representações sociais, valores e práticas
relativas ao adoecer.3
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Neste sentido, o conceito de humano em todo seu contexto histórico e


intermedicalidade foi observado, sendo cultural.20, 25
considerado fundamental para a consolidação
CONCLUSÃO
dos princípios que regem a criação do
subsistema de atenção à saúde indígena: o Este estudo permitiu conhecer as
reconhecimento das práticas terapêuticas percepções de mulheres Haliti-Paresí sobre
indígenas, promovendo, inclusive, a saúde, evidenciada pela prática de saberes
articulação dessas práticas com aquelas da tradicionais indígenas e biomédicos no
medicina ocidental. cotidiano, os quais comumente ocorrem de
[...] Aqui na aldeia mais é gripe né, por forma conjunta, com maior valorização pelo
causa dessa seca, aí a gente toma o chá saber popular aplicado dentro da própria
caseiro, aí junto com o remédio,
comunidade.
paracetamol, essas coisinhas básicas (M4).
A abordagem transcultural dos profissionais
Ah muitas vezes a gente, antes de ir para o
médico, a gente é, tenta dar o remédio
com essa população permite, sem
caseiro mesmo, que a gente faz, e depois se desconsiderar os avanços da ciência para
não tiver jeito mesmo tem que levar no melhoria da condição da saúde, preservar as
médico (M5). tradições indígenas valorizando a diversidade
Quando precisa a gente dá medicamento da de crenças e culturas no processo de cuidado.
cidade né, quando não precisa a gente Dessa maneira, os profissionais dos diferentes
sempre trata com remédio daqui mesmo, serviços devem estar preparados para atender
chá, a gente banha com algumas erva do essa população que se apresenta vulnerável
mato (M7). diante do contato a formas e vivências dos
Apesar de ser comum a interação e o uso não índios.
tanto da medicina tradicional indígena como Assim, preservar e respeitar as práticas
do conhecimento biomédico ocidental, ainda tradicionais desses povos ainda é um desafio
existe a ocorrência de menosprezo às práticas para as entidades e serviços de saúde, o que
dos saberes tradicionais indígenas. Exemplo requer maiores discussões. Por isso, é
disso é o estudo realizado por Rissardo et essencial conhecer o contexto cultural, social
al.,23 no qual as práticas de cuidado ao recém- e a realidade de vida do indígena e de sua
nascido a partir da percepção de mulheres família, na perspectiva da construção de um
indígenas da etnia Kaingang foram analisadas novo paradigma para abordagem do processo
e o autor pode identificar, de forma saúde-doença. Cabe ressaltar que a formação
contundente, uma desvalorização das práticas no ensino superior dos profissionais de saúde
culturais nativas, apesar dos saberes da quanto às disciplinas antropológicas,
medicina não substituírem o cuidado filosóficas e sociais ainda é trabalhada de
tradicional indígena. forma tímida e sem muita importância, fato
Lima et al.24 também encontrou resultado que traz, como resultados para a prática, a
semelhante ao analisar a atuação de dessensibilização e um olhar restrito da
enfermeiros, da Estratégia Saúde da Família assistência meramente biomédica.
(ESF) do nordeste da Paraíba, em relação às Por fim, embora algumas limitações
práticas de autocuidado de origem indígena. tenham sido observadas neste estudo, entre
Segundo esse autor, os enfermeiros elas o tamanho da amostra e a discussão de
desconhecem o contexto histórico e uma única etnia, os autores apontam a
tradicional dos grupos étnicos assistidos e necessidade de novas investigações sobre a
desvalorizam suas práticas, ditando temática para identificar similaridades e
verticalmente outras condutas em saúde da diferenças sobre o cuidar e os
cultura não indígena. comportamentos relativos à saúde a fim de
Embora não se possa negar a evolução da fornecer novas informações que orientem os
ciência, nem de sua importância no gestores e profissionais de saúde durante o
desenvolvimento humano, não é possível planejamento de ações direcionadas aos
deixar de considerar que esta não constitui a indígenas.
única verdade a pautar a vida humana na
sociedade que equivocadamente, com FINANCIAMENTO
frequência, se baseia, durante o processo de Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado
adoecimento, na estratégia exclusiva nos de Mato Grosso.
processos terapêuticos. Assim, é preciso
Bolsa PROBIC, Universidade do Estado de
considerar que a saúde não se reduz ao campo
Mato Grosso.
de saberes médicos científicos e que sua
prospecção precisa levar em conta o ser AGRADECIMENTOS

Português/Inglês
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ISSN: 1981-8963 https://doi.org/10.5205/1981-8963-v12i3a22870p729-737-2018

Baggio É, Nascimento VF do, Terças ACP et al. O cuidar da saúde para a mulher indígena...

Os autores agradecem a todos os membros 9. Langdon EJ, Wiik FB. Anthropology,


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Baggio É, Nascimento VF do, Terças ACP et al. O cuidar da saúde para a mulher indígena...

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Aceito: 23/11/2017
0i4.18305 Publicado: 01/03/2017
24. Lima MRA, Nunes MLA, Klüppel BLP,
Correspondência
Medeiros SM, Sá LD. Nurses’ performance on
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practices. Rev Bras Enferm. 2016 Av. Papa Paulo VI, 85
Bairro Bela Vista
Sept/Oct;69(5):840-6. Doi:
CEP: 78420-000  Arenápolis (MT), Brasil
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ORIGINAL ARTICLE
CARE FOR THE HEALTH OF HALITI-PARESÍ INDIGENOUS WOMEN
O CUIDAR DA SAÚDE PARA A MULHER INDÍGENA HALITI-PARESÍ
CUIDAR DE LA SALUD PARA LA MUJER INDÍGENA HALITI-PARESÍ
Érica Baggio1, Vagner Ferreira do Nascimento2, Ana Cláudia Pereira Terças3, Thalise Yuri Hattori4, Marina
Atanaka5, Elba Regina Sampaio de Lemos6.
ABSTRACT
Objective: to verify how indigenous women define and promote health. Method: qualitative, descriptive-
exploratory study with 12 Haliti-Paresí indigenous women. Data were produced through semi-structured
interviews. The thematic Content Analysis technique was used to analyze the data, based on the Theory of
Diversity and Universality of Cultural Care. Results: it was found that the natives define health as something
primordial that gives meaning to life and goes beyond the biological dimension. In addition, there is a link
between popular and biomedical knowledge, with a preference for indigenous knowledge applied within the
community. They recognize that unhealthy habits are present in their daily life and show concern and seek
ways to promote family health. Conclusion: cultural values need to be integrated into the assistance to
improve indigenous health, from the perspective of building a new paradigm to approach the health-disease
process. Descriptors: Women's Health; Health of Indigenous Populations; Health-Disease Process; Cross-
Cultural Nursing.
RESUMO
Objetivo: verificar como as mulheres indígenas definem e promovem saúde. Método: estudo qualitativo,
descritivo-exploratório, com 12 mulheres indígenas Haliti-Paresí. Os dados foram produzidos a partir de
entrevistas semiestruturadas. Para análise dos dados, utilizou-se a técnica de Análise de Conteúdo na
modalidade Análise Temática, fundamentada na Teoria da Diversidade e Universalidade do Cuidado Cultural.
Resultados: identificou-se que as indígenas definem saúde como algo primordial que dá sentido ao viver e
que vai além da dimensão biológica. Além disso, há uma articulação entre os saberes populares e biomédicos,
com preferência aos saberes indígenas aplicados no interior da comunidade. Elas reconhecem que hábitos não
saudáveis estão presentes no cotidiano indígena e demonstram preocupação buscando meios para promover a
saúde da família. Conclusão: os valores culturais necessitam ser integrados à assistência para melhoria da
saúde indígena, em uma perspectiva de construção de um novo paradigma para abordagem do processo saúde-
doença. Descritores: Saúde da Mulher; Saúde de Populações Indígenas; Processo Saúde-Doença; Enfermagem
Transcultural.
RESUMEN
Objetivo: verificar como las mujeres indígenas definen y promueven la salud. Método: estudio cualitativo,
descriptivo-exploratorio, con 12 mujeres indígenas Haliti-Paresí. Los datos fueron producidos a partir de
entrevistas semi-estructuradas. Para análisis de los datos, se utilizó la técnica de Análisis de Contenido en la
modalidad Análisis Temático, fundamentada en la Teoría de la Diversidad y Universalidad del Cuidado
Cultural. Resultados: se identificó que las indígenas definen la salud como algo primordial que da sentido al
vivir y que va más allá de la dimensión biológica. Además, hay una articulación entre los saberes populares y
biomédicos, con preferencia a los saberes indígenas aplicados en el interior de la comunidad. Ellas reconocen
que hábitos no saudables están presentes en el cotidiano indígena y demuestran preocupación buscando
medios para promover la salud de la familia. Conclusión: los valores culturales necesitan ser integrados a la
asistencia para mejorar la salud indígena, en una perspectiva de construcción de un nuevo paradigma para
enfoque del proceso salud-enfermedad. Descriptores: Salud de la Mujer; Salud de las Poblaciones Indígenas;
Proceso Salud-Enfermedad; Enfermería Transcultural.
1
Nurse, University of the State of Mato Grosso/UNEMAT. Arenápolis (MT), Brazil. E-mail: baggio.1994@hotmail.com
https://orcid.org/0000-002-7895-5435; 2Nurse, MsC Professor, University of the State of Mato Grosso/UNEMAT, Tangará da Serra (MT),
Brazil. E-mail: vagnerschon@hotmail.com https://orcid.org/0000-0001-8761-3325; 3Nurse, PhD Professor, University of the State of Mato
Grosso/UNEMAT. Tangará da Serra (MT), Brazil. E-mail: ana.claudia@unemat.br https://orcid.org/0000-0001-8761-3325; 4Nurse, MsC
Professor, State University of Mato Grosso/UNEMAT. Cuiabá (MT), Brazil. E-mail: thalisehattori@gmail.com https://orcid.org/0000-0003-
4491-0375; 5Nurse, Professor, Federal University of Mato Grosso/UFMT. Cuiabá (MT), Brazil. E-mail: marina.atanaka@gmail.com
https://orcid.org/0000-0003-3543-3837; 6 Physician, PhD Professor, Oswaldo Cruz Institute/IOC. Rio de Janeiro (RJ), Brazil. E-mail:
elemos@ioc.fiocruz.com https://orcid.org/0000-0003-3761-0200

English/Portuguese
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indigenous women, who represent a segment


INTRODUCTION
of the population that has had a notable
Brazil is considered a country with a wide growth.
cultural diversity that currently faces very The World Health Organization (WHO)
challenging intercultural issues, especially defines health as complete physical, mental
concerning the health of indigenous peoples. and social well-being and not merely as the
According to the Brazilian Institute of absence of diseases, and also established that
Geography and Statistics (IBGE), 896,917 health should be a right guaranteed by the
thousand people declared or considered State. However, the behaviors of a population
themselves indigenous, 572,083 thousand in face of their health problems, including the
were living in rural areas and 324,834 use of therapeutic resources, are built in the
thousand were living in cities. Based on these intimacy of their daily life, as result of the
results, there has been a significant contact with their people, rising from their
demographic growth that deserves attention socio-cultural context.5
from the administrative and management Several scholars, such as Leininger,6 have
bodies that care for this Brazilian population highlighted and emphasized the importance of
segment.1 associating cultural anthropology with the
A historical retrospective of indigenous health area, because they consider this link to
health shows that only in the 1990s this be fundamental to the understanding of the
became the responsibility of the Ministry of health-disease process. For example,
Health (MOH). Through the National Health indigenous peoples have their own concepts
Foundation (Funasa), the MOH created the and perceptions of health and illness.
Special Indigenous Sanitary Districts (SISDs) to Therefore, prior knowledge of the
improve health care, assuring them a holistic signification of health in this community that
attention with respect to their ethnic and determines the thinking and attitudes of the
cultural differences, with actions necessarily population towards the health-disease process
integrated into the Unified Health System is fundamental for the efficiency and quality
(SUS).2 of the health care actions of health
In 2010, through the Special Secretariat of professionals that assist these people.
Indigenous Health (SESAI), the MOH assumed
the execution and coordination of the OBJECTIVE
Subsystem of Indigenous Health Care
● To verify how indigenous women define
throughout the national territory, with the
and promote health.
responsibility of developing and prioritizing
actions for health promotion and prevention METHOD
and recovery of diseases, in line with public
policies and programs established by the SUS. Qualitative, descriptive and exploratory
As a result, specific policies were created, study,7 held in the Wazare indigenous village,
such as the 2002 National Indigenous Peoples located in the so-called Chapadão do Parecis,
Health Care Policy (PNASPI), which came to in the municipality of Campo Novo do
ensure a better quality of care provided, and Parecis/MT, Brazil. The choice of the place
to ensure the integrity and equity of health was based on its geographical location in the
services, especially the articulation of native indigenous land of Utiariti, a large indigenous
therapeutic practices and Western medicine settlement in Mato Grosso. The subjects of
that have repercussions on a new model of the research were 12 women who met the
health care.2,3 inclusion and exclusion criteria. The inclusion
criteria were: being over 18 years of age,
However, in the practice, the proposed
belonging to the Haliti-Paresí ethnic group,
health model has several administrative and
and understanding and speeking Portuguese
assistance failures, raising a concern for the
(Brazil). The exclusion criteria were: women
health of indigenous women.3,4 The
who were not present at the first moment of
transformations of the female figure in
data collection. The determination of the
contemporary society, the recognition and
sample size was based on the data saturation
conquest of their spaces have strengthened
method.
some characteristics that may make them
more vulnerable, with consequent Data collection took place in December
abandonment and/or loss of cultural identity 2015, in two moments conveniently
with the need also for a confrontation in the established by the researcher herself. The
management of a new social profile. This first moment was intended for the
situation affects the health and quality of life presentation of the research to the women of
of different social groups, especially the village and the second, for the realization

English/Portuguese
J Nurs UFPE on line., Recife, 12(3):729-37, Mar., 2018 730
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of the semi-structured interviews guided by a caring for their families, their children and
script prepared by the researcher including household chores, as well as handicrafts.
closed questions (sociodemographic aspects)  Perception of health of indigenous
and open questions (perception about health, women
health promotion and disease prevention and The perceptions about the health-disease
therapeutic practices used to restore health). process of indigenous women deserve special
The interviews were recorded with aid of a attention because of the transformation in the
digital device only after authorization of the roles assumed by women in society, which has
indigenous participant during the average a consequent reflection especially in their
period of 35 minutes. The questionnaire was internal environment, with their people.8
applied individually in a reserved environment
In the study, the mention that health gives
chosen by the participants.
meaning to life reveals that they understand
The technique of content analysis in the health as a social issue that goes beyond the
Thematic modality was used to analyze the biological dimension. Health is intrinsically
data,7 based on the Theory of Diversity and related to personal and family well-being, and
Universality of Cultural Care (TDUCC) by reported as a primordial thing that gives
Madeleine Leininger (1925-2012). This theory meaning to life.
recognizes that cultural factors influence the
Having the energy to do the tasks, to do
health-disease process and, as a tool, it makes everything. It is to live well (W1).
professional knowledge and practice to Health is to feel good, lighter, happier
become culturally grounded, conceptualized, (W4).
planned and operationalized in the complex [...] It is to be happy with life, to be good
context of indigenous and non-indigenous with myself (W7).
peoples. For this, this theory uses an As the discourses show, the women
interrelated set of nursing concepts and attribute to the term health meanings that
hypotheses based on individual and social are associated with a set of health promotion
needs, including manifestations of behaviors actions of psychological and social dimensions.
related to care, beliefs and values, with the Thus, these expressions constitute a form of
purpose of performing effective and social representation of the way of
satisfactory care. understanding the health-disease process.
Thus, upon completion of social The representations of health and disease
interactions, the empirical material was read are not only cultural practices that allow the
and transcribed verbatim. An alphanumeric creation of knowledge, but also the
coding was used for organizing the results and interpretation of the society that produces
preserving the anonymity of participants. The them. Therefore, knowing the thoughts of an
letter W indicates woman and the numerical ethnic group make it possible to explain their
element only indicates the order of the attitudes, as well as raise possibilities to
discourse in the development of the analysis. rethink more effective and strategic health
Three categories stemmed from this analysis: actions, which are often different from those
1) Perception of health of indigenous women; offered by health professionals in the
2) Self-care to promote health and prevent indigenous context.9
diseases; and 3) Behavior adopted before
In this perception, it is clear that the
health problems.
understanding of health is permeated by
This study is part of a matrix study entitled concepts legitimized and disseminated by
"Health Situation of the Paresí" which is science, as well as those legitimized by the
approved by the National Ethics Research tradition of the people.
Council (CONEP) under n° 819.939/2014 and
In this way, each culturally established
Presentation Certificate for Ethical
person or social group can not only know and
Assessment (CAAE): 04647412.0.1001.5541. All
define the ways in which they experience and
those involved agreed to voluntarily
perceive their world, but also relate those
participate in the research and read and
experiences and perceptions to their beliefs
signed Informed Consent Terms (ICT).
and health practices, which can consequently
RESULTS AND DISCUSSION strengthen the prediction and planning of
nursing care.5
Twelve indigenous women aged between 20 In this study, although health perception
and 59 years, with 2 to 7 children, was predominantly seen as essential to living
participated in the study. Most of them had well, some discourses supported the limited
complete elementary school, were common- concept of health.
law married, and lived in a traditional Indian
home. Most interviewees spent their time
English/Portuguese
J Nurs UFPE on line., Recife, 12(3):729-37, Mar., 2018 731
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Health is to be without headache, pain in on the training of Indigenous Health Agents


the body, without muscular pain (W3). (IHAs) as a strategy to improve the health care
To have health is not to get sick (W9). for this population. The purpose would not be
Health means the person to be healthy to replace indigenous practices by
(W10). Westerners, but to increase the indigenous
This thought of health as an absence of collection of therapies and health care with
disease, widely disseminated among the articulation between different sets of
Western culture, can be observed in other knowledge and aiming, therefore, to improve
ethnic groups, especially those located near the quality of life.4,10
urban areas. These ideas can continue to be However, an evaluative report published on
fed in an indigenous community that is the health policy for indigenous populations in
assisted by professionals with few technical Brazil also indicates that despite the process
skills and limited perspectives of social of districting resulting from the creation of
anthropology and health. Thus, in a scenario SISDs, the care model implemented in the
in which the professionals do not have the districts follows the logic of service
competence to deal with the vulnerabilities of production. The topographic-bureaucratic
this group, the consequences can be concept of health districts as geographic,
disastrous, and may influence the emergence populational and administrative spaces where
or even the lack of perception of new the units and services are coordinated still
problems.4 prevails to the detriment of the logic of
One of the main obstacles faced in the health demands and problems and the need to
health care for this population is the non- reorganize work practices and processes. That
indigenous assistive culture reproduced by is, the model is conceived more as an
many professionals and managers,4 who do not organizational model than as a care model.3.11
recognize the integrality of the indigenous In some speeches, also became apparent
people within their territory of values, health binding care with hygiene, children,
remaining unrelated or in conflict with this food and home.
plurality. For Cardoso,3 the problems of [...] Having hygiene in the house, especially
indigenous health are related to the low when it comes to eating. Mainly in the case
resolution of health actions in the local of people who live in the village, taking
districts, high turnover of professionals, lack care of the garbage around the house, in
of infrastructure, resources and equipment for the village courtyard, taking care especially
certain procedures and actions offered by with the garbage inside the house. Then
SISDs, as well as the relative lack of when my house is clean, I have the house
clean, the canister clean (W3).
integration and of an effective communication
[Health] is to have a healthy diet, then
system with the other SUS care networks.
personal hygiene, of the environment where
Although not enough to prevent recurrence one lives, is prevention (W5).
of the various problems faced by the
Taking good care of the house, of the
indigenous population in Brazil, the children, having a good diet (W8).
restructuring of indigenous health policies
The concern with basic sanitation,
over the last 20 years and the consequent
throughout history, has almost always been
creation of SISDs since 1999 have not only
related to the transmission of diseases,
brought the proposal of differentiated
justifying the discourses that emphasized
attention as one of the basic pillars in the
sanitation to obtain health.3 The importance
formulation of health care models for
of basic sanitation services in disease
indigenous peoples, but also the
prevention is undeniable, especially
establishment of how services should be
considering the current scenario marked by
organized in order to ensure such
serious disparities between indigenous
differentiation.2
children and other Brazilian children, with a
In the Funasa documents, especially in high mortality rate among the first linked to a
PNASPI (2002), differentiated attention is high prevalence of infectious diseases,
defined based on the cultural, epidemiological nutritional deficits, and poor access to health
and operational specificities of this care services.12
population, considering both traditional
However, although sanitation services are
therapeutic practices and their articulation
fundamental, this is not the only factor to
with the western biomedical practice.10
improve the living conditions of the
As a way of strengthening cultural aspects, population. Sanitation should be incorporated
this policy has as one of its guidelines the into a development model that also addresses
preparation of human resources to act in the social issues. The way of living and interacting
intercultural context, with a special emphasis in this population contributes to the change of
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this scenario, but attitudes such as the family and the house, refer to the traditional
incentive to exclusive and prolonged family model in which the woman has clearly
breastfeeding, besides the consumption of defined roles. They, therefore, take on the
indigenous traditional foods and preservation role of good mothers, always willing,
of the environment are often ignored in dedicated and responsible for the family
health care.13 space.4
Therefore, in the care for this population, Furthermore, the participants recognized
the providers should be caution about the that non-indigenous living habits are present
frequent actions rooted in the western culture in the daily lives of the community, and many
and avoid to exclude the ways in which these of these contribute negatively to the health of
subjects care and preserve their health within their people.
the community and that are determinant for For my daughter I always say, you have to
their health-disease process. Thus, a nursing eat little, because it is good for health,
care aligned with the indigenous culture although everything that is bad we like, just
minimizes violence and violations against the like she likes a lot of soda. [...] I avoid too
inheritance and patrimony of these peoples.9 much soda for the kids, for my daughter,
and that's no use, she likes skinny, but I try
Therefore, a cross-cultural approach
to control it, even for us, there at home
requires mutual learning in which all learn, (W4).
transform and renew themselves in respect What is the main thing here is soda, right?
for each other and in the appreciation of that's what I said, let's drink it only on
human beings in their peculiarities. For this, it weekends (W11).
is essential the training and improvement of In some studies it is possible to notice that
health professionals aiming at actions that the westernization of the indigenous culture
articulate the open and participative dialogue has caused great impact on the profile of
focused on the care of the community into the these peoples and has contributed to the
managerial and assistance actions.4,14 epidemic picture of obesity, anemia and
 Self-care to promote health and hypovitaminoses.17,18 Nevertheless, in this
prevent diseases study it was possible to verify that the
The self-care developed by indigenous indigenous people are aware and recognize
populations can be understood through social these transformations as a problem and show
representations that, in the view of concern for the search of means to promote
Durkheim,15 reflect how the group itself thinks health in their families.
about its relations with the objects that affect Baggio et al.16 found in their research
them. indicatives of nutritional deficiencies among
In this study, although these Brazilian indigenous children in the last years,
representations demonstrated care in diverse especially as a result of the incorporation of
extensions, their meanings presented some inappropriate life habits. These findings were
similarity and got closer when they put in confirmed in the present study. Women
evidence the health of the children. considered feeding as a fundamental care for
I take care of the children really [...] I avoid health maintenance, and admitted the
that he [son] stays in the river for too long incorporation of low-nutrient foods and
time or that he gets a cold, take the concern with their consumption. It is worth
necessary precautions even, so they do not emphasizing that eating habits are learned
get sick (W1). early in life and that the type of food
[...] I keep the house clean, I make food, I consumed is strongly influenced by cultural
want them [children] to be well fed, so they variables.
do not get sick, well, healthier (W9). The change in food consumption among
Concern about caring for children may be indigenous people towards a sugar-rich and
related to maternal sensitivity and protection, salty diet can be explained, for the most part,
as observed in some indigenous peoples who by the proximity of the communities to the
believe that parents are responsible for the urban area. This aspect facilitates the access
disease process of their children, and that to industrialized products as well as the
illness is a form of punishment in the face of territorial restriction of these peoples. All
possible failings of the parents.16 these factors have contributed to the
It was also observed that hygiene and substitution of their way of subsistence that
cleanliness were mentioned as measures to included hunting, planting and fishing, as
promote health and prevent disease. Thus, pointed out by the I National Survey of Health
these findings, coupled with the fact that and Nutrition of Indigenous Peoples conducted
most of the study participants are mothers in 2008/2009.19 It is also possible to see that
who dedicate their time to caring for the this new way of life in some ethnicities bring
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risks to future generations, such as dissolution community as having the power to restore
or abandonment of cultural aspects that physical and spiritual health through the use
maintains the roots and balance with of herbal teas and prayers.
nature.17,18 They often choose to be treated first
Therefore, nursing professionals play a within the community and if the problem is
fundamental role, since they are more present not solved they seek a representative from
and closer to these territories and have the group to go the referral health service to
innumerable potentialities for the receive care from doctors and/or nurses.
operationalization of care. In this sense, Oh, a lot of times, before going to the
studies by the American nurse and doctor, we try to give a natural remedy,
anthropologist Madeleine Leininger are of that we do ourselves, and then if that
paramount importance for the strengthening doesn't solve the problem, we have to take
of nursing, as science and art, appreciating him to the doctor (W5).
the beliefs, values and practices of the most Look, here we use some traditional
medicines that we, the mother of the
diverse social groups during their professional
people or even we know, and when we need
assistance, insofar as it offers respectful and
it, we call health professionals, the health
meaningful care to individuals within their
base (W3).
diversity.20
[...] We try to solve here in the village; if
Transcultural Nursing provides a holistic we can not cure the person, we
and comprehensive framework for the communicate the pole and then go to town
coherent care of diverse cultures. A social (W8).
group is believed to be able to guide the These discourses reveal the distinct model
professionals to provide the type of care that of organization and assistance of the
they want and need, a fact that requires, indigenous services proposed by the PNASPI
therefore, knowledge of the cultural that strengthens the ethnic-cultural
background, besides sufficient training for its preservation of this population. This new care
effective application.21,9 model, which can be called "differentiated
Thus, it is possible to promote health by attention", takes into account cultural,
adopting practices that are consistent with epidemiological and daily specificities, with
the beliefs and behaviors of the indigenous respect to the system of social
community, aiming at a therapeutic care representations, values and practices related
based on the harmony of the popular and the to becoming ill.3
technical-scientific spheres, thus forming a In this sense, the concept of inter-
transcultural care.20 medicalization was observed. This is
 Behavior adopted before health considered fundamental for the consolidation
problems of the principles that govern the creation of
Indigenous peoples have peculiar the sub-system of attention to indigenous
health: the recognition of indigenous
perceptions about health, illness and
therapeutic practices, including promoting the
treatment that are intrinsic to their culture.
Their health problems are routinely treated articulation of these practices with those of
Western medicine.
with experienced people from their own
community who hold knowledge of the history [...] Here in the village is more the flu,
right? Because of this drought, then we have
of the group and have the ability to deal with
homemade tea, along with the medicine,
supernatural forces, the power of healing and
paracetamol, these basic things (M4).
prevention, called by many Indians as Shaman
Oh, a lot of times, before going to the
or Pajé.10 Thus, often their ills are taken to doctor, we try to give a natural remedy,
the care of this social representative. that we do ourselves, and then if that
The shaman always has their medicines, the doesn't solve the problem, we have to take
pray, they pray at night, there is a leaf that him to the doctor (W5).
they pass, it indicates the herbs that are When there is a need, we give medicine
right for people [...] (W9). from the city, when that is not needed, we
[...] When we need we give medicine, always get medicine from here, tea, we
otherwise we will always treat it with bathe with some weed (W7).
medicine from here. Tea, we bathe with Although the interaction and use of both
some grasses of the bush that the pajé tells
traditional indigenous medicine and western
us (W11).
biomedical knowledge is common, there is
As noted in the speeches, these women
still a lack of appreciation of indigenous
continue to use traditional practices, many of
traditional knowledge in the practices. An
which are handed down from generation to
example of this is the study by Rissardo et
generation. They are recognized by the
al.23 in which the practices of care for
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newborns, from the point of view of Kaingang disciplines is still done in a timid manner, and
indigenous women, were analyzed and the not as something very important. In turn, in
author was able to conclusively demonstrate a the practice, this brings as a result the
devaluation of native cultural practices, even desensitization and restricted view of a
though the medical knowledge did not replace merely biomedical assistance.
traditional indigenous care. Finally, some limitations were observed in
24
Lima et al. also found a similar result this study, among them the sample size and
when analyzing the performance of Family the discussion of a single ethnicity. The
Health Strategy (FHS) nurses in the northeast authors highlight the need for further
of Paraíba regarding self-care practices of investigations on the theme to identify the
indigenous origin. According to this author, similarities and differences on the care and
nurses were unaware of the historical and relative behaviors to provide new information
traditional context of the ethnic groups they to guide health managers and practitioners in
assisted and underestimated their practices, the planning of actions directed at indigenous
vertically dictating other health behaviors people.
from the non-indigenous culture.
FINANCIAL SUPPORT
Although the evolution of science and its
importance in human development can not be Foundation for Research Support of the
denied, one can not fail to see that this is not State of Mato Grosso.
the only truth to guide human life in society PROBIC scholarship, State University of
which, before the process of disease, is often Mato Grosso.
mistakenly based in the exclusive strategy of
therapeutic processes. Thus, it is necessary to ACKNOWLEDGMENTS
consider that health is not reduced to the
The authors thank all members of the team
field of scientific medical knowledge and that
from the State University of Mato Grosso,
its prospection must take into account the
Federal University of Mato Grosso, Health
human being in all its historical and cultural
Departament of the State of Mato Grosso, the
context.20, 25
SISD-Cuiabá and the Oswaldo Cruz Foundation.
CONCLUSION They thank in special the Municipal Council of
Campo Novo do Parecis-MT for facilitating
This study allowed us to know the access to the community and to all Haliti-
perceptions of Haliti-Paresí women on health, Paresí women for their participation and for
evidenced by the adoption of traditional welcoming us in their territory.
indigenous and biomedical knowledge in the
everyday life, which commonly occurs REFERENCES
together with a greater appreciation of the
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Gestão, Instituto Brasileiro de Pesquisa e
community itself.
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Submission: 2017/06/16
Accepted: 2017/11/23
Publishing: 2018/03/01
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Érica Baggio
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Bairro Bela Vista
CEP? 78420-000  Arenápolis (MT), Brazil
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