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Ciência e Tecnologia dos

Materiais

Unidade III – Estrutura


Dos Materiais
Fonte: Sidnei Paciornik
Estrutura dos sólidos
cristalinos
Fonte: Sidnei Paciornik

(c) 2003 Brooks/Cole Publishing / Thomson Learning™


Fonte: Marcelo F. Moreira
Fonte: Marcelo F. Moreira
Propriedades Estrutura (microestrutura)
Amostras Al2O3, técnicas de processamento distinta
Propriedades ópticas – transmitância da luz
2
1
3

1. Transparente: toda a luz passa através dele, monocristal (estrutura altamente perfeita)

2. Translúcido: parte da luz é transmitida através do disco. A estrutura é composta por


um grande número de monocristais muito pequenos conectados entre si. Os contornos
entre os cristais que espalham uma fração da luz refletida.
3. Opaco: nenhuma luz é transmitida através do disco. A estrutura é composta por
um grande número de monocristais muito pequenos conectados entre si e também um
grande número de poros. Os contornos e os poros espalham a luz refletida.
Fonte: Sidnei Paciornik
Fonte: Sidnei Paciornik
Fonte: Sidnei Paciornik
Fonte: Sidnei Paciornik
Fonte: Sidnei Paciornik
Fonte: Sidnei Paciornik
Fonte: Sidnei Paciornik
CCC= átomos tocam diagonal do cubo (D)

• dface2 = ao2 + ao2

• dcubo2 = ao2 + dface2


• (4r)2 = 3ao2
ao = 4r
31/2
Fonte: Sidnei Paciornik

4
CFC= átomos tocam diagonal do cubo (d)

• dface2 = ao2 + ao2


• (4r)2 = 2ao2
ao = 4r
21/2
ao = 2r.21/2
Fonte: Fábio Martins
Fonte: Sidnei Paciornik
REDE HEXAGONAL COMPACTA (HC)
• A rede hexagonal compacta pode ser representada por
um prisma com base hexagonal com átomos na base e
no topo e um plano de átomos no meio da altura.
Fonte: Iran Aragão
Fonte: Fábio Martins
REDE HEXAGONAL COMPACTA (HC)
Fonte: Iran Aragão
Fonte: Sidnei Paciornik
REDE HEXAGONAL COMPACTA (HC)

cada átomo tangencia 12


átomos (NC=12): 3 na
camada acima, 3 na camada
abaixo e 6 no seu plano.
TABELA RESUMO PARA O SISTEMA CÚBICO

Átomos Número de Parâmetro Fator de


por célula coordenação de rede empacotamento

CCC 2 8 4R/(3)1/2 0,68


Fonte: Iran Aragão

CFC 4 12 4R/(2)1/2 0,74


Fonte: Sidnei Paciornik
Alotropia ou Polimorfismo
Quando um metal apresenta mais de um sistema cristalino em
função da temperatura e/ou pressão. 40% dos átomos
apresentam alotropia
ALOTROPIA DO FERRO PURO
A temperaturas acima de 912° o Fe apresenta-se na
forma alotrópica (CCC); Acima de 912° até
1394° (CFC); Acima de 1394° até 1538° (CCC).

A alotropia do Fe é importante porque a forma


alotrópica pode dissolver o Carbono (C) até 2,11% a
Fonte: Iran Aragão

1148o, o que tem grande significado no tratamento


térmico dos aços.
Fonte: Henrique Cezar Pavanati

Polimorfismo do Ferro
Ferro alfa/delta (Fe- e Fe- ) – Cúbico de CORPO
centrado (CCC) - Ferrita
Fonte: Henrique Cezar Pavanati

Célula unitária
1 átomo inteiro
1/8 de átomo
Numa célula unitária temos: 1 atomo + 8(1/8) = 2 átomos
Ferro gama (Fe- ) – Cúbico de FACE centrada (CFC) - Austenita
Fonte: Henrique Cezar Pavanati

1/2 átomo Célula unitária


1/8 de átomo
Numa célula unitária temos: 6(1/2) átomo + 8(1/8) = 4 átomos
 Cálculos da densidade da metais
Fonte: Eleani Maria da Costa
• Estrutura Cristalina de Cerâmicas

 Para materiais cerâmicos com ligação predominante iônica a estrutura é


composta por íons eletricamente carregados.

Pode ser definida pela:


 magnitude da carga elétrica de cada íon;
 os tamanhos relativos dos cátions e ânions;
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 Cerâmicas estáveis : todos os ânions estão em contato com os cátions.

Instável
Estáveis
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Nº de anions que rodeiam um cátion = Nº coordenação (NC)


NC mais comuns para cerâmicos: 4, 6 e 8
 Estrutura cristalina do tipo AX : Sal-gema
 A=cátion, X=anion números iguais A e X
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rc = rNa = 0,102 nm rc/ra = 0,56


ra = rCl = 0,181 nm NC = 6

CFC dos ânions com cátion no centro do cubo e no centro de cada uma das 12
arestas ou CFC dos cations. Duas redes CFC que se interpenetram.
Ex: MgO, MnS, LiF e FeO
 Estrutura cristalina do tipo AX : Cloreto de Césio

rc = rCs = 0,170 nm rc/ra = 0,94


ra = rCl = 0,181 nm NC = 8
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Cúbica simples de anion. Um átomo Cs e 8.1/8 Cl para resultar neutralidade.


 Estrutura cristalina do tipo AX : Blenda de Zinco
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rc = rZn = 0,074 nm rc/ra = 0,40


ra = rS = 0,184 nm NC = 4

Vértices e faces ocupados por S enquanto Zn ocupa


posições tetraédricas no interior do cubo.
Rede tetraédrica: cada atómo Zn se liga a 4 átomos de S.
Ex: ZnS, ZnTe, SiC
 Estrutura cristalina do tipo AmXp.
 Números diferentes A e X, ex: AX2 = CaF2
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Uma célula unitária com 8 cubos. Nos vértices 8x1/8 F = 1 átomo x 8 cubos= 8
átomos F para 4 átomos de Ca no centro dos cubos.

Ex: ZrO2, UO2, PuO2 e ThO2


Estruturas cristalinas ternárias: Tipo AmBn Xp
A- cátion B- cátion X- ânion (perovskita)

• Estruturas
cerâmicas podem
ter mais de um tipo
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de cátion, como o
titanato de Bário
(BaTiO3)
Estruturas cristalinas binárias: Tipo A2X3
A- cátion X- ânion
• Estrutura tipo óxido de
alumínio: Al2O3
• RAl/RO = NC=6
• Os ânions estão
arranjados segundo uma
estrutura HC e os
cátions ocupam 4
interstícios octaédricos
da estrutura hexagonal
de forma a se ter em
cada célula unitária 6
ânions e 4 cátions
respeitando a fórmula
química e o balanço de
cargas
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Fonte: bizuando.com/material-apoio/icmat/
Exemplo:Fator de Empacotamento
atômico
• Calcule o fator de empacotamento atômico
para o NaCl RNa= 0,98 A RCl= 1,81 A
• A célula unitária possui 4 átomos de sódio e
4 átomos de cloro.
• FEA= Vol. Dos átomos/Vol. Da cél unit.
• 4(4/3π RNa3) + 4(4/3π RCl3) / (2RNa +
2RCl)3
• FEA = 0,67, ou 67% da célula unitária está
preenchida.
• Em geral o FEA nos compostos é pior que
nos metais onde todos os átomos são iguais
Fonte: slideplayer.com.br
 Cálculos da densidade da cerâmica

n´ = Número de unidades de fórmula contidas na célula unitária


(número igual de cátions e ânions);
∑AC = Soma dos pesos atômicos de todos os cátions na unidade de
fórmula;
∑AA = Soma dos pesos atômicos de todos os ânions na unidade de
fórmula;
Vc = Volume da célula unitária;
NA = Número de Avogadro: 6,023x1023 unidades de fórmula/mol

Fonte: www.feng.pucrs.br/
Cálculo da densidade cristalográfica do cloreto de
sódio

• Na célula unitária tem 4 sódios e 4 cloros

Fonte: www.feng.pucrs.br/
 Cerâmicas à base de silicato (solos, rochas, argilas e
areia)
 Composta principalmente de Si e O;
 Estrutura básica: SiO4 - tetraedro;
 A ligação Si-O é bastante covalente, mas a estrutura básica dos silicatos
tem carga -4: SiO4-4;
 Várias estruturas de silicatos – diferentes maneiras dos blocos de SiO4-4
Fonte: slideplayer.com.br

se combinarem;
 A ligação atômica em cerâmicas é do tipo mista: covalente + iônica.

Tetraedro SiO44-. Um átomo Si (+4) 4 átomos O2- (-8) sobra (carga -4).
 Sílica – formas cristalinas
 Cada átomo de oxigênio é compartilhado por um tetraedro adjacente;
 Pode ser cristalina ou amorfa, como na forma de vidros.
[Van Vlack, 1964:40]

• Silício
 Oxigênio

(a) Cristobalita (CFC) (b) Tridimita


48
48
Sílica: cristalina e amorfa

Silício
[Callister, 1997:57]

Oxigênio

Sílica cristalina Sílica amorfa

49
 Vidros à base de sílica

 A maioria desses vidros é produzida pela


adição de óxidos (CaO e Na2O) à estrutura
básica SiO4-4 – chamados modificadores da rede;
Fonte: slideplayer.com.br

 Estes óxidos quebram a cadeia de tetraedros e


o resultado são vidros com ponto de fusão
menor, mais fáceis de dar forma;
 Alguns outros óxidos (TiO2 e Al2O3) substituem
os silício e se tornam parte da rede – chamados
óxidos intermediários.
 Carbono
 O Carbono não é uma cerâmica;
 A grafita, uma de suas formas polimórficas pode ser classificada como
cerâmica.
 A estrutura cristalina é composta por camadas de átomos de C com
arranjo hexagonal. Cada C se liga a outros três C por ligações covalentes.
O quarto elétron participa da ligação de Van der Waals entre as camadas.
A clivagem interplanar é fácil o que resulta nas propriedades
lubrificantes.
A estrutura cristalina do diamante, outra forma polimórfica do C, é
semelhante à da blenda de zinco. Cada C se liga a outros quatro átomos
por ligações covalentes.
 E o material mais duro conhecido.
 Usado para polir ou cortar materiais mais moles.
 Fulerenos, outra forma polimórfica do C.
 É um aglomerado esférico e oco de 60 átomos de C. Forma
configurações hexagonais (6 C) e pentagonais (5C).
 Outra forma molecular do C é o nanotubo de C. Consiste em uma
lâmina de grafita enrolada na forma de um tubo e com as extremidades
tapadas com fulerenos. São extremamente resistentes e rígidos.
Fonte: Sidnei Paciornik
Fonte: Sidnei Paciornik
Fonte: Sidnei Paciornik
Fonte: Sidnei Paciornik
Fonte: Sidnei Paciornik
Fonte: Sidnei Paciornik
FAMÍLIA DE PLANOS {110}
É paralelo à um eixo

Fonte: Eleani Maria da Costa


FAMÍLIA DE PLANOS {111}
Intercepta os 3 eixos

Fonte: Eleani Maria da Costa


Fonte: Sidnei Paciornik
Direção hexagonal acha indices miller [a1a2z=u’v’w'] converte em [uvtw]

u = 1/3 (2 u’ – v’)
v = 1/3 (2 v’ – u’)
t = - (u + v)
w = w'

Plano hexagonal acha indices miller (a1a2a3z =hkil) onde: i = -(h + k)


Fonte: Sidnei Paciornik
Fonte: Sidnei Paciornik

8x1/4 de átomo = 2 átomos

1/1/4 de átomo
Fonte: Sidnei Paciornik
Fonte: Sidnei Paciornik
• A família de planos {110}
no sistema ccc é o de
maior densidade
atômica

• A família de planos {111}


no sistema cfc é o de
maior densidade
atômica

Fonte: Eleani Maria da Costa


Fonte: Sidnei Paciornik
Fonte: Sidnei Paciornik
METAIS: a ligação metálica não direcional não há grandes restrições quanto ao
número e posição dos átomos vizinhos, podendo apresentar NC alto e
empilhamento compacto. A maior parte se estrutura nas redes CFC, HC (NC=12,
FEA 74%) e CCC (NC=8, 68%). Os átomos são neutros e iguais.

CERÂMICAS: cristais são mais complexos porque são compostos por átomos
diferentes ligados por ligações iônicas e/ou covalentes. Cristais ligados
covalentemente NC=8-número de elétrons de valência. Se a ligação é iônica a
estrutura é composta por íons devendo atingir o máximo empacotamento de íons de
cargas opostas em torno de um íon de referência e preservar a neutralidade elétrica.
Assim, a estrutura cristalina depende do tamanho relativo e da carga dos íons. São
em geral descritas como um arranjo ordenado de ânions com cátions ocupando
posições intersticiais. NC comuns para cerâmicas são 4, 6 e 8.
Polímeros: Estrutura muito mais complexa do que metais. As macromoléculas
formam cadeias lineares (ramificadas ou não) e cadeias ligadas por ligações
cruzadas covalentes (polímeros de rede). Nos polímeros lineares as cadeias podem
estar arranjadas de forma aleatória (amorfo) ou se dobrar regularmente umas sobre
as outras formando um arranjo simétrico (cristalino). Cristalizam mais facilmente
lineares de cadeia mais curta do que longas ou ramificadas ou em rede (amorfos).

Fonte: Sidnei Paciornik


Devido a complexidade das moléculas, raramente o material será totalmente
cristalino. Regiões cristalinas estarão dispersas dentro da parte amorfa.
Muitos polímeros cristalizados a partir de uma massa fundida são
semicristalinos e formam a estrutura esferulita.
Fonte: Marcelo F. Moreira
Relação Propriedades Mecânicas x Estrutura
Quando um material é submetido a uma determinada força, ele se deforma de maneira
compatível com o tipo e a magnitude da força aplicada. A força aplicada pode ser de tração,
compressão, cisalhamento ou qualquer combinação destas.

TESTE DE TRAÇÃO: material é tracionado e se deforma até fraturar. Mede-se o valor da força
e do elongamento a cada instante e gera-se uma curva tensão-deformação. A aplicação de
uma tensão uniaxial de tração ao longo do eixo do corpo de prova dá origem a uma tensão de
cisalhamento em um plano qualquer cuja normal forma um ângulo θ com a direção de tração.

Fonte: Sidnei Paciornik


Fonte: Sidnei Paciornik Região elástica
tensão proporcional deformação;
a deformação é reversível;
ligações atômicas são alongadas mas não se rompem.

Região plástica
não há proporcionalidade;
a deformação é quase toda não reversível;
ligações atômicas são alongadas e se rompem.

Módulo de elasticidade ou Young (E): derivada da curva na região elástica (linear).


Limite de escoamento: define a transição entre as regiões elástica e plástica. Como não
existe um limite claro, é definida como a tensão que após liberada gera uma deformação
residual de 0,2%.
Limite de resistência: máxima tensão à qual o material pode ser submetido antes de
romper.
Ductilidade: quantidade de deformação plástica a que o material pode ser submetido
antes de romper.
Tenacidade: medida da capacidade de absorver energia mecânica até a fratura. Área sob
a curva até a fratura. Reflete a resistência do material à propagação de trincas.
Em muitos materiais a deformação não
permanece uniforme, tendo uma região que
se deforma mais que as outras (estricção)
ocorrendo diminuição na área de seção
transversal e por isso a força para deformar o
material diminui. Neste caso, o limite de
resistência corresponde à tensão na qual a
estricção se inicia.

Cerâmicos: maioria comporta-se elasticamente,


sem apresentar deformação plástica antes da
fratura. Material frágil com maior limite de
escoamento e limite resistência e com menor
tenacidade devido a falta de ductilidade.
Módulo de elasticidade ligeiramente superior
metais.

Metais: deformam grande quantidade antes da


fratura, dúcteis.

Fonte: Sidnei Paciornik


Cerâmicos: o processo de fratura frágil consiste na formação e na propagação de trincas
ao longo da seção transversal de um material, em uma direção perpendicular à da carga
aplicada. A magnitude de tensão de tração aplicada ao material é amplificada pela
presença de defeitos (diminutas trincas superficiais ou internas, poros internos). Para
tensões de compressão não existe qualquer amplificação de tensões e por essa razão as
cerâmicas frágeis exibem resistências muito maiores em compressão do que em tração.
A tensão de compressão tende a fechar em vez de abrir uma trinca.
Cerâmicos: o ensaio de tração é difícil de realizar devido à presença de defeitos na
superfície do corpo de prova tornando os resultados pouco reprodutíveis e ainda a
preparação do corpo de prova pode ser dispendiosa e difícil. O ensaio de flexão é mais
adequado. Neste ensaio um corpo de prova é flexionado até a fratura, utilizando uma
técnica de carregamento em três ou em quatro pontos. A magnitude da resistência à
flexão para um material cerâmico é maior que seu limite de resistência medido pelo
ensaio de tração. Isso porque neste ensaio apenas uma fração do volume da amostra de
flexão está submetida a tensões de tração (menor probabilidade de existir defeito capaz
de produzir trinca).

Tensão no momento da fratura:


Resistência à flexão
Módulo de ruptura
Resistência à fratura
Resistência ao dobramento
Fonte: Sidnei Paciornik
Tipicamente são encontrados três tipos diferentes de comportamento tensão tensão-deformação
para materiais poliméricos. Neste caso o limite de resistência à tração corresponde à tensão
onde ocorre a fratura (resistência do polímero) e são da ordem de 100MPa enquanto para
algumas ligas metálicas atinge 4100MPa. Metais raramente se alongam plasticamente além de
100% enquanto para polímeros muito elásticos pode superar 1000%.
A. Polímero frágil: cadeias têm pouca mobilidade, são difíceis de serem estiradas (E elevado) e
de se deslocarem na tentativa de desemaranhar (há rompimento das cadeias) – fratura sem
deformação plástica. Ex: polímeros amorfos, semicristalinos abaixo de suas Tg (temperatura
na qual o polímero apresenta a transição do estado no qual apresenta características de uma
borracha para estado rígido).
B. Polímero dúctil ou tenaz: cadeias
apresentam maior mobilidade e facilidade de
estiramento e desemaranhamento. Ex:
polímeros semicristalinos testados acima de
suas Tg. Estágios na deformação plástica:
inclinação das lamelas com cadeiais dobradas,
separação de segmentos de blocos cristalinos
e orientação dos segmentos de blocos e das
cadeias de ligação com o eixo de tração no
estágio final.

C. Elastômero: borracha natural com ligações


cruzadas. Não há deformação plástica.
Fonte: Sidnei Paciornik
MECANISMO DE DEFORMAÇÃO PLÁSTICA
Tanto nos metais como nas cerâmicas cristalinas, a deformação plástica ocorre pelo
movimento de discordâncias. Os componentes de cisalhamento da tensão aplicada
são a origem das forças responsáveis por esse movimento.
Uma discordância é um defeito linear entorno do qual alguns dos átomos estão
desalinhados. Distorção na rede causada por um plano extra de átomos (aresta) ou
por cisalhamento (espiral). Espiral

Aresta

Fonte: Sidnei Paciornik

A magnitude e a direção da distorção da rede associadas a uma discordância


são expressas em termos de um vetor.
Uma discordância aresta se move em resposta a aplicação de uma tensão de
cisalhamento em uma direção paralela à tensão. Enquanto uma discordância espiral se
move em uma direção perpendicular à direção da tensão.
A deformação plástica resultante para o movimento de ambos os tipos é a mesma:

O movimento das discordâncias


permite o deslizamento de grandes
blocos de átomos sobre outros
blocos, através do movimento de
uma linha de átomos de cada vez,
produzindo com relativa facilidade,
as mudanças de forma e dimensão
observadas durante a deformação
plástica.
Fonte: Sidnei Paciornik
O processo segundo o qual uma deformação plástica é produzida pelo movimento de
uma discordância é denominado escorregamento. O escorregamento ocorre em um
plano preferencial (plano de escorregamento) e em direções específicas (direção de
escorregamento). A combinação deles é denominada sistema de escorregamento.

Para uma estrutura cristalina específica, o plano de escorregamento é o plano que


possui o empacotamento atômico mais denso (maior densidade planar). A direção do
escorregamento corresponde à direção, nesse plano, que é a mais densamente
compactada com átomos (maior densidade linear). Isso ocorre porque nesses casos a
distância que a rede precisa se deslocar é mínima (pequena energia, mais provável).

Fonte: Sidnei Paciornik


Cerâmicos cristalinos: nesses materiais para os quais a ligação é predominantemente
iônica, existem muito poucos sistemas de escorregamento ao longo dos quais as
discordâncias podem se mover. Isso é consequência da natureza eletricamente
carregada dos íons. Para o escorregamento em algumas direções, íons com mesma
carga são colocados próximos e devido a repulsão essa modalidade de escorregamento
é muito restringida.
Cerâmicos com ligação altamente covalente, o escorregamento também é difícil e elas
são frágeis devido as ligações serem relativamente fortes, existir também um número
limitado de sistemas de escorregamento e as estruturas das discordâncias serem
complexas.

Difícil movimento das discordâncias Frágil

Metais: todos os átomos são eletricamente neutros e assim uma quantidade


consideravelmente maior de sistemas de escorregamento está operacional e
consequentemente, o movimento das discordâncias é muito mais fácil. Metais também
apresentam uma densidade de discordância (comprimento total de discordâncias por
unidade de volume) superior aos cerâmicos.
Nos metais também ocorre intensificação de tensões mas ocorre deformação plástica na
ponta da trinca (menos aguda e maior raio de curvatura) o que diminui o efeito de
intensificação e impede a propagação.

Fácil movimento das discordâncias Dúctil