FAKULDADE KURIOS ± FAK ESPECILAIZAÇÃO EM DOCÊNCIA DO ENSINO SUPERIOR

RESUMO

Este TCC teve como objetivos uma reflexão sobre as dificuldades da aprendizagem na leitura e escrita nos primeiros anos do ensino fundamental nas escolas Jonathan da Rocha Alcoforado e Alba Gadelha. Favorecendo uma ação pedagógica que represente o desenvolvimento e ritmos de aprendizagem ao educando das séries iniciais. A metodologia usada foi realizada através de uma pesquisa bibliográfica baseada na atual LDB e de alguns autores importantes na área da escrita e da leitura, e empírica através dos dados adquiridos por meio de entrevistas e de questionários. Através desta metodologia queremos iniciar um trabalho voltado na construção de condições de aperfeiçoamento ao trabalho docente do professor do ensino fundamental I como referencial para alcançar metas de qualidade tanto na escrita como na leitura, tendo como uma das metas desenvolver integralmente a identidade da criança fazendo com que ela seja capaz de crescer como cidadão, cujo direito à infância será reconhecido. A aprendizagem que leva a uma consciência crítica, valorizando a educação, a cultura, como uma forma de crescimento, e não como uma imposição da própria sociedade. A responsabilidade do professor é muito importante nesse contexto, sem ele é quase impossível. Mas é preciso investir na sua preparação profissional e mantê-lo sempre atualizado para que as crianças possam desenvolver o hábito de uma boa leitura e conseqüentemente de uma melhor escrita.

SUMÁRIO INTRODUÇÃO CAPÍTULO I ± A importância do hábito da leitura e da escrita para o desenvolvimento do ensino-aprendizagem da criança 1.1 1.2 1.3 ± O direito à qualidade da educação escolar ± Aspectos inerentes para o desenvolvimento da leitura ± O valor e a função da escrita no processo evolutivo da alfabetização

CAPÍTULO II ± Dislexia: distúrbio que dificulta o desenvolvimento do ensino-aprendizagem da criança 2.1 ± O que é Dislexia; 2.2 ± Tipos de dislexia; 2.3 ± Como identificar; 2.4 ± Os sintomas mais comuns da dislexia; 2.5 ± Fatores relacionados à dislexia; 2.6 ±O professor e o disléxico; 2.7 ± Das atitudes e intervenções pedagógicas; 2.8 ± Procedimentos que podem ser adotados por professores e pais de crianças disléxicas 2.9 ± Como a leitura é avaliada no Disléxico 2.10 ± Dificuldades provocadas 2.11 ± Dificuldades ao aprender a ler 2.12 ± O déficit na dificuldade específica de leitura CAPÍTULO III ± Preceitos educacionais para a melhoria do ensino-aprendizagem dos alunos das escolas: Jonathan da Rocha Alcoforado e Alba Gadelha 3.1 ± Desafios e metas para melhoria da leitura e da escrita 3.2 ± A fala: ponto de partida do ensino da língua 3.3 ± O desenvolvimento da escrita e da fala para uma boa alfabetização

CONCLUSÃO BIBLIOGRAFIA ANEXO

sabendo que os mesmos são interligados e independentes por ter suas peculiaridades e complementaridade. não poderíamos investigar o fenômeno da qualidade na educação da leitura e da escrita e de suas anuências no percurso dos objetivos almejados. portanto as teorias que envolvem a temática contribuíram para a análise dialética dos diversos fatores que envolvem os fenômenos em todas as vertentes. optamos pelas entrevistas e questionários.INTRODUÇÃO Tendo em vista a importância da escrita e da leitura no ensino-aprendizagem. TEBEROSK (19866). o corpo docente juntamente coma a família dos educandos. A partir desse pressuposto foi delimitado como objetivo: investigar a importância da formação do educador na educação da leitura e da escrita. este TCC fará uma análise da problemática chamada dislexia que é um ³tormento´ para os educadores que se empenham na melhoria da qualidade do ensino fundamental I. ou seja. . Não podemos perder de vista as obrigações dos professores para manutenção da qualidade das suas aulas. VYGOTSKI (1989). mas não podemos esquecer da necessidade do apoio das autoridades governamentais da área em valorizar e incentivar o aperfeiçoamento desses profissionais da educação ± e deve-se incluir aqui também a juvenil e adulta ± estabelecendo um acompanhamento técnico-pedagógico adequado à qualificação continuada visando alcançar o objetivo maior: a educação de qualidade para todos. como instrumento da coleta de dados. mas também ficou evidente que há muito o que fazer. MARQUES (1990). SEBER (1997). principalmente a comunidade escolar. Ficou evidente na pesquisa que o trabalho que está sendo direcionado para a melhoria da qualidade da leitura e da escrita está sendo de forma árdua e comprometida para atingir os objetivos almejados. aos quais escolhemos como metodologia uma pesquisa de campo. Delimitados os teóricos que fundamentariam a pesquisa. Ela foi desenvolvida numa perspectiva quantitativa e qualitativa. A escolha por esse tema surgiu pela necessidade em compreender a dinâmica de um trabalho voltado ao aumento da qualidade da leitura e da escrita. dentre eles: FREIRE (1983).

quanto às opções políticas. a convenção sobre os Direitos da Criança passa a se construir no instrumento dos direitos humanos mais universalmente ratificado em passa a se construir no instrumento dos direitos humanos mais universalmente ratificado em toda a história. o Estatuto da Criança e do Adolescente que. econômicas e financeiras. ladeada por critérios de conveniências e de oportunidades. a ³criança é o futuro do homem´. sem dúvida. ainda que afirmada como direito de todos. no campo da discricionariedade do administrador público. Em 1989. A Educação. sob enfoque jurídico e em qualquer de seus aspectos. Parafraseando o poeta.No que diz respeito à educação começa a ser assegurado em 1950. no seu capítulo IV. além do direito ao acesso. fazendo da escola um espaço que lhes cabe no sistema educativo e na sociedade. também o direito a uma educação de qualidade. na nação. não possuía. contempla. em síntese. para cada vez mais ser tido em conta. qualquer instrumento de exigibilidade. Um dos meios para esta educação de qualidade é a melhoria da qualidade na leitura e na escrita dos alunos. A oferta de ensino e a qualidade dessa oferta situavam-se. na comunidade de base. mas também na família. fenômeno de afirmação de determinado valor como direito suscetível de gerar efeitos práticos e concretos no contexto pessoal dos destinatários da norma. Este dever elementar deve ser constantemente recordado. Nos seus artigos 28 e 29. no Brasil. esta convenção trata do direito à educação e. . com a Declaração UNIVERSAL dos Direitos do Homem. mais oferece um conjunto de orientações sobre a qualidade dessa educação. executada a obrigatoriedade da matrícula. No ano seguinte é promulgado.

apresentei uma pequena parte dos estudos de alguns autores e pesquisadores que muito se dedicaram a esse assunto.1 ± O direito à qualidade da Educação Escolar Desde os primórdios da existência humana. 2. nossos alunos chegam à escola com uma bagagem de conhecimento bem ampla. Foram as seguintes etapas evolutivas da história da escrita: 1. pela tecnologia que com certeza colabora e facilita na aquisição da leitura e escrita. ± Inexistência da escrita ± Precursores da escrita: frase semasiográfica ± Recursos de identificação ± Sistema pictográfico 3. favorecidos que são. focalizando principalmente as modificações internas nos sistemas mais do que as formas internas. Durante muito tempo a escola.CAPÍTULO 1 A IMPORTÂNCIA DO HÁBITO DA LEITURA E DA ESCRITA PARA O DESENVOLVIMENTO DO ENSINO-APRENDIZAGEM DA CRIANÇA 1. a escrita tem sido objeto de preocupação e de pesquisa de aprofundamento relacionados a origem e todo seu processo e crescimento até os dias atuais. Gilb faz um estudo minucioso e profundo do desenvolvimento da escrita através da história. Neste trabalho. podemos afirmar que tal concepção está mudando. ± Escrita plena: fase fonológica ± Lexical silábica ± Silábica ± Alfabética . desempenhou o papel quase que exclusivamente da tarefa de ensinar a ler e escrever. principalmente. Hoje. graças a estudos realizados por dedicados pesquisadores. Atualmente.

desenhos. acrescentam características concretas das coisas ditas.C. com sistema pictográfico cujas formas um processo de estilização. A criança descobriu. Em alguns sistemas. b) Escritas silábicas: com correspondência quantitativa. A escrita cursiva aparece bem depois e concorre para a estilização. algumas palavras grifadas). portanto. como aquisição da língua escrita é para Vygostsk a aquisição de um sistema simbólico de representação de realidade. A princípio. dos desenhos e brinquedos simbólicos.A etapa lexical silábica inicia-se por volta de 3100 a. É importante mencionar ainda que. tem também sua representação fonética. principalmente pó sua tendência de simplificar os traços. utiliza-se de signos para representar significados. Para Gilb (op. também contribuem para este processo o desenvolvimento dos gestos. independente do tipo de estimulo. da quantidade ou da posição das grafias. como o próprio nome indica. começa a utilizar representações pictográficas. a natureza instrumental da escrita depois disso. respondendo a diferenciação é realizada através da variação do repertório. Essa variação pode ser influenciada pela lembrança de algum modelo de escrita (nome próprio. para facilitar o traçado e cujo uso é gradativamente convencionado. Cit). modo que no início. já tem estatuto lingüístico de palavras. . isto é. segundo uma análise sonora da linguagem que leva a criança a descobrir a silaba correspondente de uma grafia. a estilização consistiu em retificar as linhas arredondadas dos pictogramas. O logograma. pois essas são também atividades de caráter representativo. os ideogramas eram ³letras de fôrma´. Escritas diferenciadas: a escrita apresenta uma série diferenciada de grafias. portanto. para fazer ambigüidades de logogramas mais complexas. O sistema ao mesmo tempo deixa de ser icônico para ser simbólico. a escrita passa por três etapas que são: a) y y Escrita pré-silábica Escrita indiferenciada: série igual de grafias. a foneticização começa com o logograma. Segundo Ferreiro (1985). isto é. A correspondência qualitativa se adquire a partir da aprendizagem dos valores sonoros convencionais.

no cenário escolar. Afirmando-nos. assim. resultados de suas interações sociais. tanto a escrita quanto o discurso planejado procuram obedecer as exigências da norma padrão. apresentando diferenças dialetais e variações estilísticas que afetam a pronúncia. conhecimentos prévios. mas a nossa ortografia não pode ter uma natureza estritamente fonética. No entanto. desenvolvida de 1974 e 1976 se constituem hoje. principalmente porque não há uma relação biunívoca entre letra e som para que o aluno perceba as variações existentes entre eles. Vários autores têm demonstrado que ensinar é um processo bastante complexo.c) Escrita alfabética: com correspondência sonora do tipo fonético e com valor sonoro convencional. que nos anos 30. Os resultados da pesquisa de Emília Ferreiro e Ana Teberosky. conseguiram categorizar e descrever estratégias das quais as crianças lançavam mão de maneira sistemática. foi somente na década de 70 e a partir dela que as pesquisas sobre desenvolvimento da escrita nas crianças pequenas tomaram um grande impulso e se realizaram de forma profunda e consciente. em atos de leitura e escrita. um marco referencial para nortear os procedimentos didáticos e pedagógicos no período inicial da alfabetização porque apresentam cientificamente. Ela nos afirma que o que determina as diferenças entre fala e a escrita são diferentes condições de produção e o uso da linguagem. contribuições substanciosas que causaram forte impacto nas propostas de alfabetização dominantes até então. o valor e a função da . pois a fala devidamente planejada fica mais próxima da escrita do que da fala improvisada e espontânea. Portanto. os caminhos que as pessoas percorrem para compreender as características. trazendo aos educadores. pelo fato de que toda língua se modifica. Para Kato (1998). demonstrando. ainda. não envolvidas em respostas de ensinos. a escrita é a representação da fala. No ano de 1898 que um professor da Pensilvânia produziu um artigo relatando suas observações sobre crianças pequenas envolvidas. As etapas descritas mostram a aquisição de um conhecimento social: a escrita como instrumento para representar a linguagem escrita. espontaneamente.

Na busca das condições que um escrito exige para ser uma boa representação e possa servir para dizer algo. as linhas são organizadas seguindo os contornos do objeto. as crianças passam então a analisar e hipotetizar sobre como as letras se organizam para representar corretamente os nomes. o Assim. elas nos mostram que existe uma fase em que as crianças buscam critérios que lhes permitem estabelecer as diferenças entre o desenho e a escrita e também descobrir como ambos se relacionam. Descobrindo a relação entre imagem e texto escrito num livro de histórias e. Ferreiro e Teberosky em 1997 no processo evolutivo da alfabetização. Como primeiro nível. as relações de semelhanças nos escritos de meio social com suas próprias produções gráficas constituem-se um problema para a criança continuar aprendendo as leis que regem um sistema de escrita e este conflito é resolvido com a adoção da seguinte hipótese: As letras sãs utilizadas apenas para representar uma propriedade dos objetos que o desenho não consegue reproduzir. As formas das letras nada têm a ver com a forma do objeto do qual as letras se referem em sua organização nada tem a ver com a organização das partes d objeto. curvas ou pontos. arbitrariedade e linearidade são características que aparecem muito cedo nas produções escritas espontâneas das crianças pequenas.escrita assim sendo. Portanto. estabelecidas estas diferenças. o . que é chamado pré-silábico. As explorações ativas das crianças com os materiais escritos possibilitam-lhes que cheguem a conclusões bastante significativas. No aspecto quantitativo. podemos distinguir três níveis bem distintos. A diferença está na organização das linhas: nos desenhos. também. Resolvido este problema. as crianças compreendem duas principais características de qualquer sistema de escrita: O conjunto de formas é arbitrário e organizado de maneira linear. As letras servem para representar os nomes. Não é do tipo de linha que faz a diferença entre o desenho são reproduzidos com linhas retas. duas graves questões se apresentam: a questão quantitativa e a qualitativa. relacionados a aquisição da escrita na alfabetização.

não é um processo de codificação. podendo utilizar qualquer letra ou outra forma que não seja letra. para um animal de grande porte. às vezes. não pode ser considerado legível. como terceiro nível. Mais letras para pessoas velhas. A consciência da relação sonora com a forma escrita é motivada por uma série de informações que o meio social proporciona à criança é uma importante referência para a motivação das descobertas da relação entre fala e sua representação na escrita e a criança passa a procurar nacionalidade. As crianças rejeitam uma letra por considerar ser insuficiente para se ter uma palavra escrita. e finalmente. a invenção da escrita foi um processo histórico de construção de sistema de representação. Tentando a busca da correspondência sonora. Se um escrito apresentar a mesma letra o tempo todo. as crianças adotam seguinte critério: se o objeto for grande. letras no mínimo. poder-se-ia pensar que o sistema de representação é aprendido pelos novos . por certo se escreverá seu nome com muitas letras e se for pequeno terá menos letras ainda. as crianças avançam nas suas conceptualizações e buscam o critério de variações qualitativas: as letras devem ser diferentes. segundo Ferreiro e Teberosky. para qualquer sílaba. quantas a. ela nos informa que se trata do nível marcado pela fonetização da representação escrita. Ainda. ao interagir com as escritas do seu contexto social percebem. ainda. ficam na dúvida quanto a duas letras. Menos para uma criança e para um animalzinho. Uma vez construído. outras vezes. Algumas crianças alcançam a hipótese silábica com algum conhecimento sobre certas letras que podem ser usadas para representar essa mesma sílaba. que.primeiro problema a ser resolvido é chamado o princípio da quantidade mínim isto é. as pessoas escrevem com poucas letras. E. Como segundo nível (pré-silábico). a criança experimenta escrever colocando o número de letras para o mesmo número de sílabas. com muitas e para resolver este problema. um escrito devem ter para ser legível. Considerando. decidem que três letras é a quantidade mínima admitida para considerar um escrito legível. que não é apenas o número de letras que define a legibilidade de um escrito. ela nos mostra que a criança.

a criança reinventa esses sistemas. escutar alguém lendo em voz alta e ver adultos escrevendo. cabe ao educador valorizar e acompanhar com carinho e dedicação todos os passos que levam a criança à aquisição de algo que nos é valioso: a escrita. brincar com a linguagem para descobrir semelhanças e diferenças sonoras. apresento em meu projeto os itens que julguei primordiais a uma fundamentação teórica relacionada à aquisição da criança. em ambos os casos. Assim. num ambiente rico em escritos diversos. se torna difícil reconhecer que o desenvolvimento da leitura e da escrita comece antes da escolarização. todavia. não pode ser diretamente observado de fora. exatamente por que envolve a construção de novo objeto de conhecimento que. Frequentemente se aceita que o desenvolvimento da lecto-escritura comece antes da escola. como tal. Visto que a inversão da escrita foi. o marco decisivo ao desenvolvimento da humanidade. E quanto ao processo de aquisição da escrita no contexto escolar. ou seja. È muito mais do que isto. .usuários como um sistema de codificação. tentar ler utilizando dados contextuais. ou seja. pode-se dizer que. sem dúvida. quando o relativizamos. não é assim. que logo serão reunidas por algum tipo de mecanismo não especificado. tentar escrever (sem estar necessariamente copiando um modelo). Entretanto. inclusive quando se define culturalmente o termo ³apropriado´. considera-se apenas como aprendizagem de diferentes informações não relacionadas entre si. A pré-escola deveria permitir a todas as crianças a liberdade de experimentar os sinais escritos. por isso. aprendizagem da leitura e da escrita é muito mais que aprender a conduzir-se de modo apropriado com este tipo de objeto cultural. No caso dos dois sistemas envolvidos no início da escolarização (o sistema de representação de números e da linguagem) as dificuldades que as crianças enfrentam são dificuldades conceituais semelhantes as da construção do sistema e. assim como reconhecendo semelhanças e diferenças nas séries de letras. Porém. já estamos tão acostumados a considerá-lo como um processo de aprendizagem escolar propriamente dito.

Não entender o que se está fazendo e o porquê. ao número de sons que compõem a palavra.. mesmo assim. Neste trabalho quero compartilhar com vocês algumas idéias de fundo sobre certos fatores que podem ocasionar dificuldades na aprendizagem da leitura e escrita. Algumas crianças chegam à escola com a compreensão do princípio alfabético. a transposição didática deve implicar . Saber como funciona a linguagem escrita. enquanto outras. sabem que são lidas coisas escritas e não desenhos. que lendo pode-se saber o que está dito em texto. muitas vezes ocasionadas pelo processo de ensino. Ao mesmo tempo em que se preserva o sentido do objeto do conhecimento é indispensável que se proteja o sentido deste saber do ponto de vista do sujeito que trata de reconstruir esse objeto. isto é: a criança. O primeiro fator de dificuldade é o de não saber para que serve a língua escrita e como ela funciona. grosso modo.1. Entender o princípio alfabético não é o mesmo que conhecer os sons das letras.2 ± Aspectos inerentes para o desenvolvimento da leitura A aprendizagem da leitura e escrita não se realiza da mesma forma para todos os alunos. e que ao símbolo L corresponde o som [l]. Para que serve ler e o que se pode ler? Muitas crianças chegam á escola com idéias bastante claras a esse respeito. ela pode não ter compreendido o mecanismo que permite formar uma palavra escrita. Que um livro tem um título. sequer entenderam que as letras escritas tem relação aos seus contextos de origem. mas. Nosso sistema de escrita funciona segundo um princípio alfabético: a quantidade de letras de uma palavra corresponde.. Uma criança pode saber que ao símbolo escrito E corresponde ao som [e]. é muito importante evitar que nesta transformação percam seu significado. Outras pensam que o número de letras de uma palavra é igual ao número de sílaba de uma palavra. seu sentido original. Por essa razão. Como professores têm certeza de que já tiveram este tipo de experiência. porém.

assim como em outros âmbitos. em que suas idéias nem sempre coincidem com as dos adultos.em fidelidade ao saber de origem assim como fidelidade ás possibilidades do sujeito de atribuir um sentido ao dito saber. instauramos uma ruptura entre o modo de ensinar e o modo de aprender. o faz. no âmbito da língua escrita. Deste modo ante um conhecimento complexo tendemos a delimitá-lo em conhecimentos parciais porque partimos da suposição que a fragmentação facilita a compreensão.3 ± O valor e a função da escrita no processo evolutivo da alfabetização Como bem o demonstram as investigações de Ferreiro e Teberosky. analisando os aspectos que seus esquemas cognoscitivos lhe permitem observar. De acordo com Teberosky umas investigações recentes demonstram que a aprendizagem da escrita não é uma tarefa simples para a criança. O ensino da lecto-escrita tem se baseado em certas pressuposições que à luz das investigações mencionadas para questionadas. 1. criando teorias e hipóteses. comparando-as entre si e modificando-as. pois que o sujeito que aprende não se depara com a realidade analisando um pedaço de cada vez. tratando de encontrar e dar um sentido ao que está fazendo. porque na realidade os fragmentos que separamos fazem parte de complexos processos de inter-relações e assim estamos desconectando a rede de problemáticas que lhes dão sentido completo. ao delimitá-lo em fragmentos autônomos. Mas. já que requer um processo complexo de construção. Assim. tratando de entender como funciona. e sim. a criança é um sujeito ativo que se depara com a realidade. Uma delas é a de que o nosso sistema alfabético de escrita é natural e que a única dificuldade consiste em aprender as regras de . provocamos sua descontextualização. construindo conhecimentos.

são aquilo que são. Para a criança desta faixa etária as ³letras´ ou os ³números´ não subsistem nada. Como os objetos têm nome. para aprender a ler e a escrever é necessário ressaltar fundamentalmente o aspecto sonoro. Com poucas letras (menos de três) se vai de encontro à outra hipótese da criança que consiste em exigir uma quantidade . ³a. ³números´. Desta forma um mesmo conjunto de letras significa vaca perto da imagem de uma vaca. A primeira hipótese que aparece é que as letras representam sílabas. um objeto a mais que como outros no mundo possuem um nome. a relação se estabelece quando para certo conjunto de letras se atribui o nome do objeto ou imagem que o acompanha.i. Chega o momento no processo evolutivo que as crianças estabelecem alguma hipótese entre os sons e as letras. Até os quatro anos. As investigações de Ferreiro demonstram que as idéias das crianças não coincidem com essa pressuposição. O primeiro tipo de relação consiste em buscar alguma correspondência entre os sinais gráficos e os objetos do mundo. a atribuição depende muito mais das correspondências que existem na relação com o objeto do que das propriedades daquilo que está escrito. etc.correspondência entre fonema e grafema. passam a ser ³objetos substitutos´. no caso de nomes monossílabos ou dissílabos. Essa maneira de pensar muda mais tarde. A hipótese silábica consiste em atribuir uma sílaba a uma letra. Para um nome trissílabo fazem falta três letras. segundo Ferreiro. As grafias. que têm um significado. pois para as crianças as grafias não representam sons. elas tentam compreender que tipo de objeto são as letras e os números de nosso sistema de representação convencional.e. duas e uma letra são ³poucas´. As grafias servem para substituir outra coisa. a qualquer delas e a correspondência é mais quantitativa que qualitativa. são consideradas somente como ³letras´. Mas. e partindo dessa suposição. ainda que diferentes do nosso ponto de vista de adultos alfabetizadas.o. sem que se exclua que pode significar também outra coisa se estiver relacionado a outras imagens.u´. Porém o nome ainda não é a representação de uma pauta sonora e sim uma propriedade dos objetos que podem ser representadas através da escrita.

isto é. Nas aprendizagens envolvidas no processo de alfabetização é necessário distinguir. 2. 3. A aprendizagem da forma de representação da linguagem que define o sistema alfabético. tipo de letra. Aceitar como escrita o que é escrito de formas não convencionais ao sistema. tem significado. Passa de uma correspondência lógica (uma letra para cada sílaba) para uma correspondência mais estável (não mais qualquer letra para qualquer sílaba). mas chega a ela´. exteriores ao sistema de escrita. A aprendizagem de certas convenções fixas. Conhecer o conjunto de ³idéias prévias´. está bastante distante da redução à uma simples associação entre fonemas e sons e não depende unicamente de uma representação dos fonemas. DISTÚRBIO QUE DIFICULTA O DESENVOLVIMENTO DO ENSINOAPRENDIZAGEM DA CRIANÇA . a idéia de que a escrita é um objeto substitutivo. A criança não parte dela. A criança tem muitas idéias sobre a escrita sem que encontremos a tal naturalidade e simplicidade do sistema alfabético. 5. como faz Emília Ferreiro: 1. ³A relação entre escrita e linguagem não é um dado inicial. Fazer uso de uma metodologia que permita às crianças de suas teorias infantis e progressivamente construir as convenções sociais que estão imbricadas nas atividades de leitura e escrita.mínima para que uma coisa sirva para ³ler´. CAPÍTULO 2 DISLEXIA. 4. ³esquemas de conhecimentos´ a partir dos quais intervir no processo de aprendizagem. Portanto. como por exemplo: orientação.

reproduzir. p. tio ou primo que também é disléxico e a incidência difere de acordo com o sexo: para cada três homens disléxicos há apenas uma mulher. Embora etimologicamente dislexia seja traduzida do latim e do grego como distúrbio de linguagem. por isso se torna tão importante um diagnóstico preciso e multidisciplinar. por exemplo. Segundo Drouet (2003.2. é uma dificuldade específica nos processamentos da linguagem para reconhecer. associar e ordenar os sons e as formas das letras. permitindo que o ser humano aprenda a ler e escrever. As causas da dislexia são neurobiológicas e genéticas. Isso não implica que. Dis = distúrbio.1 O que é Dislexia: Aos desmembrarmos a palavra. esse termo foi adotado para denominar um distúrbio específico na aquisição da leitura e escrita. está mais diretamente relacionada à linguagem. Dislexia = distúrbio da linguagem. dificuldade. nela foram identificadas três subáreas distintas: uma delas processa fonemas. para melhor entender a causa da dislexia. portanto. de forma geral. Segundo Selikowitz (2001). de imediato temos a primeira noção básica do que vem a ser dislexia. como funciona o cérebro. trata-se de um problema de base cognitiva que afeta as habilidades lingüísticas associadas à leitura e à escrita. A área esquerda do cérebro. A dislexia é herdada. uma criança disléxica tem um pai. Todo desenvolvimento da criança é normal. ao menor sinal de dificuldade nessa área. São várias as causas que podem intervir no processo da aquisição da linguagem. identificar. possamos identificar um indivíduo como disléxico. outra analisa palavras e a última reconhece palavras. Essas três subdivisões trabalham em conjunto. Diferentes partes do cérebro exercem funções específicas.137): Dislexia é uma alteração nos neurotransmissores cerebrais que impede uma criança de ler e compreender com a mesma facilidade com que as crianças da mesma faixa etária. Uma criança . A dislexia vai emergir nos momentos iniciais da aprendizagem da leitura e da escrita. lexia = leitura (do latim) ou linguagem (do grego). é necessário conhecer.

A conseqüência disso é que eles têm dificuldade em diferenciar fonemas de sílabas. pois essas crianças sofrem de falta de autoconfiança e baixa auto-estima. Ela passa. sua função é a de construir uma memória permanente que imediatamente reconheça palavras que lhe são familiares. No disléxico a idade de leitura pode ser até dois anos inferior à idade cronológica e esse déficit se traduz em dificuldades e demora para ler. À medida que a criança adquire a habilidade de ler com mais facilidade. Esses tratamentos ajudam os disléxicos a reconhecer sons. 2001). não funciona desta forma. pois se sentem menos inteligentes que seus amigos (MARTINS. palavras e. A maioria dos tratamentos enfatiza a assimilação de fonemas. A leitura se torna um grande esforço para ela. esta parte do cérebro passa a dominar o processo e. por fim. . então. a criança disléxica não consegue reconhecer palavras que já tenha lido ou estudado. O cérebro de disléxicos. pois sua região cerebral responsável pela análise de palavras permanece inativa. No processo de leitura. devido às falhas nas conexões cerebrais. o desenvolvimento do vocabulário. geralmente observa-se também grafia ruim e erros ortográficos ao escrever. dividindo-as em sílabas e fonemas e relacionando as letras a seus respectivos sons. Com o avanço desse aprendizado da leitura. A dislexia não tem cura. memorizando as letras e seus sons. sílabas. portanto. a analisar as palavras. conseqüentemente. frases. mas existem tratamentos que permitem que as pessoas aprendam estratégias para ler e entender. pois toda palavra que ela lê aparenta ser nova e desconhecida (SELIKOWITZ. Suas ligações cerebrais não incluem a área responsável pela identificação de palavras e. a melhoria da compreensão e fluência na leitura.aprende a ler ao reconhecer e processar fonemas. outra parte de seu cérebro passa a se desenvolver. Ajudar disléxicos a melhorar sua leitura é muito trabalhoso e exige muita atenção. mas toda criança disléxica necessita de apoio e paciência. assim como omissão de letras e espelhamento. os disléxicos recorrem somente à área cerebral que processa fonemas. 2004). a leitura passa a exigir menos esforço.

2 Tipos de dislexia: Segundo Condemarin & Blomquist (1986). Nas dislexias do desenvolvimento. O acesso ao significado é alcançado posteriormente. quando a pronúncia da palavra ativa o sistema semântico. não há uma lesão cerebral evidente. ou seja. a pronúncia da palavra é construída por meio da aplicação de regras de correspondência grafo-fonêmica. ao contrário. Na rota fonológica. e o acesso ao significado.2. e a dificuldade já surge durante a aquisição da leitura pela criança. A rota lexical faz uso de um processo visual direto para a leitura. De acordo com o modelo. Nas dislexias adquiridas. as dislexias podem ser divididas em dislexias adquiridas e dislexias do desenvolvimento. é alcançado mais tarde pela mediação da forma auditiva da palavra. À medida que o leitor se torna mais competente. foram delimitados os tipos de dislexia. Os erros de leitura mostram uma semelhança visual entre a escrita da palavra pronunciada e da palavra-alvo. ou seja. mas somente pode ser empregada quando o item a ser lido tem sua representação ortográfica pré-armazenada no léxico mental ortográfico. Os principais quadros são: y Dislexia visual: há distúrbios na análise visual das palavras. entre letras e sons. e o leitor tem acesso ao significado daquilo que está sendo lido antes de emitir a pronúncia propriamente dita. há basicamente duas rotas para a leitura ± a fonológica e a lexical. A leitura é feita corretamente somente após a soletração (em . Na rota fonológica a pronúncia é construída por meio da convenção de segmentos ortográficos em fonológicos. y Dislexia de negligência: os distúrbios também estão no sistema de análise visual e o leitor consistentemente ignora partes das palavras. caso ocorra. no processamento paralelo das letras. Nesta rota a pronúncia é obtida a partir do reconhecimento visual do item escrito. a perda da habilidade de leitura é devida a uma lesão cerebral específica e ocorre após o domínio da leitura pelo indivíduo. y Leitura letra a letra: há distúrbios no reconhecimento global de palavras. Com base nas etapas do processamento da informação escrita ao longo das rotas de leitura. geralmente deixando de ler a parte inicial. o processo de conversão de segmentos ortográficos em fonológicos torna-se progressivamente mais automático e usa maiores seqüências de letras como unidades de processamento.

Há dificuldade com letras cursivas. de uma palavra a outra durante a leitura de frases. (IANHEZ & NICO. conforme afirmado anteriormente. Assim. a partir dos oito anos de idade. ortografia. Para Selikowitz (2001. mas a identificação paralela das letras está preservada. Logo. y Dislexia fonológica: há dificuldades na leitura pela rota fonológica. (2001). na maioria das vezes. p. mas a leitura de palavras familiares é adequada.voz alta ou não) de cada letra. sendo mais fácil ler palavras escritas em letra de forma. a dislexia. 2002). Logo. sendo a leitura feita principalmente pela rota fonológica.3 Como identificar: A dificuldade específica de leitura ou dislexia é a mais conhecida e mais estudada forma de dificuldade específica de aprendizagem. que faz uso do processamento fonológico. Porém. normalmente.4): . y Dislexia atencional: há dificuldades na codificação das posições das letras nas palavras. Para o autor. y Dislexia morfêmica ou semântica: há dificuldades na leitura pela rota lexical. escrita. Representa cerca de 10% dos quadros disléxicos. pois a separação das letras é menos evidente. que estejam fora da média. As áreas de aprendizagem envolvidas nas dificuldades reúnem habilidades acadêmicas básicas: leitura. Representa cerca de 67% dos quadros disléxicos. matemática e linguagem (compreensão e expressão). com regularizações. é diagnosticada quando a criança está na escola. para que o termo dislexia tenha algum significado. ele deve ser utilizado somente para crianças que tenham consideráveis dificuldades para aprender a ler. há dificuldades na leitura de palavras irregulares e longas. pode haver migrações de letras dentro de uma mesma palavra ou. há dificuldade na leitura de pseudopalavras e palavras desconhecidas. Segundo Selikowitz. Essas são habilidades fáceis de avaliar e são de importância fundamental para o sucesso escolar. principalmente. ela não se torna evidente até que aumentem as exigências do trabalho acadêmico. a leitura visual direta pela rota lexical está preservada. 2.

trabalhando em estreita cooperação. ela pode ter uma dificuldade específica de aprendizagem. Se a criança continua a encontrar dificuldades em leitura depois deste período. enfermeiras. Os papéis destes profissionais se complementam para estabelecer a natureza e a causa da dificuldade da criança. seu sintoma mais notório é a acumulação e a persistência de seus erros ao ler e escrever. terapeutas e professores. . ela deve atingir um nível básico de competência. além disso. Embora pais e professores sejam os primeiros a suspeitar que uma criança tenha dislexia. Deve ser observado que o diagnóstico da dificuldade específica de leitura é baseado no grau de atraso da leitura e não em tipos específicos de erros que a criança comete. Segundo Selikowitz (2001). às vezes. De acordo com referido autor. ortografia e aritmética no primeiro ou segundo ano escolar. Podemos ainda suspeitar de um quadro de dislexia quando a pessoa apresentar alguns dos seguintes problemas: y Confusão entre letras. uma avaliação global deve ser providenciada. assistentes sociais e. 2.É muito normal que uma criança enfrente problemas em habilidades como leitura. avaliação global é um processo em que a natureza exata da dificuldade de aprendizagem da criança é estabelecida. mas. uma avaliação global requer a experiência tanto de um psicólogo educacional como de um pediatra. psicólogos. escrita. após esse período. sílabas ou palavras com diferenças sutis de grafia. métodos apropriados de tratamento são planejados por uma equipe composta por pediatras.4 Os sintomas mais comuns da dislexia: A característica mais importante do disléxico. Nesta avaliação. as potencialidades e dificuldades são avaliadas especificamente. Deve-se suspeitar caso a criança pareça estar aquém de suas potencialidades e não esteja demonstrando sinais de tornar-se competente nas habilidades acadêmicas básicas.

como. Segundo PAIN (1985. associar os rótulos aos seus produtos. Dificuldade com rimas (sons iguais no final das palavras) e aliteração (sons iguais no início das palavras). por exemplo. y y y Problemas de compreensão. y y y y y Contaminações de sons. mais poderemos entender suas causas e isso. embora conte com ajuda profissional.y Substituição de palavras por outras de estruturas mais ou menos similares ou criação de palavras. Adições ou omissões de sons. Persistência no mesmo erro.32). Dificuldade em memorizar números de telefone. ou então lê a palavra sílaba por sílaba. sílabas ou palavras. por sua vez. p. porém com diferente significado. Dificuldade com cálculos mentais. retroceder para a linha anterior e perder a linha ao ler. poderá contribuir para o refinamento do diagnóstico e também para o tratamento eficaz. Soletração defeituosa: reconhece letras isoladamente. uma vez que estas podem nos ajudar a perceber aspectos da dislexia que. mas não nas orais. Temos de entender também as outras formas de distúrbio de aprendizagem. fazer anotações. Repetições de sílabas. ou efetuar alguma tarefa que sobrecarregue a memória imediata. porém sem poder organizar a palavra como um todo. y y Dificuldade em associações. Lentidão nas tarefas de leitura e escrita. nos poderiam ter escapado. ou ainda lê o texto palavra por palavra. palavras ou frases. de outra forma. Pular uma linha." . y y y Dificuldade em organizar tarefas. mensagens. Quanto mais amplo o contexto em que observamos a dislexia. observa-se que: O que provavelmente pode ser dito é que os conhecimentos de vários aspectos da dislexia podem ser enriquecidos se forem vistos por um enfoque biológico e sociológico. Temos de entender sua relação com o talento muito desenvolvido e também com as condições sociais que fazem dele um distúrbio.

do pai. os fatores genéticos explicariam a incidência maior de dificuldades específicas de aprendizagem em tais crianças. Nenhum modelo consistente de hereditariedade foi descrito: às vezes. provavelmente. por outro lado. Os meninos têm apenas um cromossomo X herdado da mãe e um cromossomo Y herdado do pai. um de cada progenitor. e outras vezes. Uma criança que lia bem antes da doença pode . Vários estudos têm demonstrado que é comum que a criança disléxica tenha um parente próximo com o mesmo problema. seria protegida por ter o segundo cromossomo X normal. Os resultados destes testes foram inconsistentes: alguns revelam certa relação. contribuem para a causa. acontecem com maior freqüência em crianças com dificuldades específicas de aprendizagem. outros genes conduzidos por outros cromossomos. Fatores ambientais ± conforme Selikowitz (2001). Se um menino herda um cromossomo X com pequeno defeito que possa causar dificuldade específica de aprendizagem. Nestes casos.2. bem como nascimento prematuro. enquanto outros não. Uma criança que tenha um grave episódio de encefalite virótica pode apresentar dificuldades semelhantes àquelas com dislexia. numa proporção de três para um. as meninas têm dois cromossomos X. parece ser herdado da mãe. ele não terá outro cromossomo X para neutralizar o seu efeito. em todos os tipos de dificuldade de aprendizagem. Uma menina. foram realizados vários estudos para determinar se problemas durante a gestação e no parto. Existe uma outra razão para se suspeitar de que fatores genéticos têm participação: é que as dificuldades específicas de aprendizagem são mais comuns em crianças com certas síndromes genéticas. Esta vulnerabilidade dos meninos sugere que genes transportados pelo cromossomo X podem inferir em muitos casos. De acordo com Selikowitz (2001). Embora os genes do cromossomo X sejam importantes.5 Fatores relacionados à dislexia: Fatores genéticos ± há forte evidência que um fator genético tenha participação na causa da dislexia. a incidência em meninos supera numericamente a incidência em meninas. Alguns estudos demonstraram que um conjunto de problemas está associado com mais freqüência à dificuldade de aprendizagem específica do que problemas isolados.

Evite confusões. a possibilidade do trabalho em grupo. . . variedade e flexibilidade no estilo de ensino. ou os testes foram inconclusivos. Com a devida orientação.Detalhe. retro projetores. o melhor é não tentar adivinhar ou diagnosticar. no início do curso.Introduza o vocabulário novo ou técnico. apesar de permanecer inalterada em qualquer outro aspecto.Quanto a tarefas de leitura: y Anuncie o trabalho com bastante antecedência. . o aluno deverá ser encaminhado para os testes necessários. 2. etc.. é importante obter uma cópia dos resultados para uma melhor observação. A compreensão e a assimilação da matéria são mais prováveis se houver clareza. o aluno conseguirá sem bem sucedido em classe. repetição. filmes educativos. se necessário. Veja como é possível ajudar: . demonstrações práticas e outros recursos multimídia.Avise no primeiro dia de aula sobre o desejo de conversar individualmente com os alunos que têm dificuldades de aprendizagem.ficar incapaz de ler depois de curada. . de forma contextualizada. Se o distúrbio não foi diagnosticado. também. Caso esse aluno já tenha passado por avaliações anteriores. y Considere. a fim de o disléxico poder.Use vários materiais de apoio para apresentar a lição à classe como: lousa. métodos de avaliação. seria muito importante que todos os professores soubessem o que é dislexia. datas de prova. projetores de slide. mas entrar em contato com a orientação pedagógica da escola para mais informações sobre o aluno. . Havendo suspeita de que um aluno esteja apresentando algum distúrbio de aprendizagem. isto é. arranjar outras formas de realizá-las. . todas as exigências.6 O professor e o disléxico: De acordo com Giroto (1999). inclusive a matéria a ser dada. dando instruções orais e escritas ao mesmo tempo.

.Autorize o uso de tabuadas. inclusive avaliações orais. provas gravadas. proporcione alternativa fora da sala de aula para tarefas de leitura. . avalie o conhecimento dos estudantes com deficiência de aprendizagem usando métodos alternativos.Quando necessário. . Um dos pontos mais difíceis para um professor aceitar é a inconstância do trabalho do disléxico.Realize aulas de revisão que permitam o tempo adequado para perguntas e respostas.Tenha centros de orientação pedagógica especializada nas escolas. É indispensável que todos os professores entendam as necessidades dos alunos disléxicos dentro e fora da sala de aula. A nota da criança disléxica deveria ser dada de acordo com o seu conhecimento. . de tal maneira que eles não sejam superestimados nem subestimados nas suas habilidades. É vital que os professores leiam as pastas desses alunos. Nem sempre é compreendido que a criança disléxica se esforça demasiadamente na realização de um trabalho. sem prejuízo do seu rendimento e evitarão prejudicar seu desenvolvimento emocional. rascunhos e dicionários durante as provas. e não de acordo com as suas dificuldades e seus erros de ortografia. calculadoras simples. . .Aumente o limite de tempo para provas escritas. O reconhecimento das dificuldades da criança e um acompanhamento adequado permitirão que a criança acompanhe a classe. trabalhos feitos em casa e apresentações individuais. como dramatização. . Cada professor deveria entender que as repostas orais dos alunos disléxicos são indicações melhores de suas habilidades do que seus trabalhos escritos. entrevistas e trabalho de campo.Leia a prova em voz alta e antes de iniciá-la verifique se todos entenderam e compreenderam o que foi pedido.y Quando apropriado. mas o resultado não reflete necessariamente seu esforço.

Muitas vezes. No caso da dislexia. devem ser levadas em consideração as particularidades de cada um. Segundo ele. Desta forma Scoz. A fluência de leitura é especialmente imprecisa para pessoas com dislexia severa. porém. por envolver áreas básicas da linguagem. sendo ainda cada caso um caso específico. essa parceria é vital no processo de aprender da criança. A dislexia é um distúrbio de aprendizagem que. com acompanhamento adequado. a criança pode redescobrir suas capacidades e o prazer de aprender. No atendimento a qualquer criança com dificuldade de aprendizagem se faz necessário uma parceria envolvendo o psicopedagogo. o aprendizado deve ser feito de forma sistemática e cumulativa. são necessários esclarecimentos sobre a dislexia. combinando sempre a visão. pode tornar árduo esse processo. Estudantes com dislexia severa muito provavelmente se beneficiariam de instrução especializada e prática de fluência através de seus cuidadores escolares. e estratégias favoráveis ao desempenho acadêmico.2. . na escola.7 Das atitudes e intervenções pedagógicas Há muitos componentes para uma instrução de linguagem de leitura e escrita bem designada e executada para indivíduos com dislexia. atentar aos movimentos da mão quando escreve e prestar atenção aos movimentos da boca quando fala. (1994) confirma que "a criança disléxica associará a forma escrita de uma letra tanto com seu som quanto com os movimentos das mãos para escrevê-la". O disléxico precisa olhar e ouvir atentamente. Treino diário de prática de influência com leitura oral repetida e guiada em conjunção com instrução dada por profissional é produtiva no desenvolvimento deste aspecto essencial da leitura. O sucesso na reeducação de um disléxico está baseado numa terapia multissensorial (aprender pelo uso de todos os sentidos). a audição e o tato para ajudá-lo a ler e soletrar corretamente as palavras. pais e a escola.

2. y Cada ponto de ensino deve ser revisto várias vezes. e deve ser introduzido logo no início da alfabetização. Não esperar que ela use corretamente um dicionário para verificar como é a escrita correta das palavras. y Professores e pais devem evitar sugerir que a criança é lenta. Dar listas de palavras com uma mesma regra para a criança aprender.). mostrando suas habilidades em outras áreas (música. Dois métodos de alfabetização são especialmente indicados para os disléxicos: o método multissensorial e o método fônico. y Evitar dar várias regras de escrita numa mesma semana. y y y Não solicitar para que ela leia em voz alta na frente da classe. Sua habilidade e conhecimentos devem ser julgados mais pelas respostas orais que escritas. o que a professora pediu para ela fazer. . bem como evitar comparar o seu trabalho escrito ao de seus colegas. com suas próprias palavras. maior uso de diagramas e menos uso de palavras escritas. tecnologia. Mesmo que a criança esteja atenta à explicação. arte. y A apresentação do material escrito deve ser cuidadosa. pois auxilia velocidade e a memorização da forma ortográfica da palavra. pois isso ajuda a memorização. com cabeçalhos destacados.8 Procedimentos que podem ser adotados por professores e pais de crianças disléxicas y A criança disléxica deve sentar-se próxima à professora. o método fônico é indicado para crianças mais jovens. preguiçosa ou pouco inteligente. letras claras. y Sempre que possível a criança deve repetir. Por exemplo: os vários sons do C ou do G. etc. esporte. Tais habilidades de uso de dicionário devem ser cuidadosamente ensinadas. y Esforços devem ser feitos para auxiliar a autoconfiança da criança. de modo que a mesma possa observála e encorajá-la a solicitar ajuda. Enquanto o método multissensorial é mais indicado para crianças mais velhas que já possuem histórico de fracasso escolar. A escrita cursiva é mais fácil do que a forma. y y O ambiente de trabalho deve ser quieto e sem distratores. isso não garante que ela lembrará o que foi dito no dia seguinte.

A principal técnica do método multissensorial é o soletrar oral simultâneo. diversos estudos foram conduzidos introduzindo procedimentos fônicos e metafonológicos em contexto clínico com crianças que apresentavam problemas de leitura e escrita (CAPOVILLA & CAPOVILLA. Ela defendia a participação ativa da criança durante a aprendizagem e o movimento era visto como um dos aspectos mais importantes da alfabetização. este método facilita a leitura e a escrita ao estabelecer a conexão entre aspectos visuais. . expostas ao currículo escolar regular que focalizava atividades globais baseadas em textos. e escreve a palavra dizendo o nome de cada letra. Esta dificuldade. traçar a letra enquanto o professor dizia o som correspondente. repete a pronúncia da palavra fornecida pelo adulto. em que a criança inicialmente vê a palavra escrita. conhecimento de letras e consciência fonológica. por exemplo. visual. Este método baseia-se na constatação experimental de que as crianças disléxicas têm dificuldade em discriminar. Além de ser um procedimento bastante eficaz para a alfabetização de crianças disléxicas.O método multissensorial busca combinar diferentes sensoriais no ensino da linguagem escrita às crianças. Em ambos os casos. porém. sinestésica e tátil. escrita. Ao final. 2002). A criança devia. Ao unir as modalidades auditiva. A vantagem desta técnica é fortalecer a conexão entre a leitura e a escrita. O método fônico tem dois objetivos principais: desenvolver as habilidades metafonológicas e ensinar as correspondências grafo-fonêmicas. durante ou mesmo antes da alfabetização. pode ser diminuída significativamente com a introdução de atividades explícitas e sistemáticas de consciência fonológica. os sons da fala. e em contexto educacional regular com classes de alfabetização (CAPOVILLA & CAPOVILLA. 2000). Maria Montessori foi uma das precursoras do método multissensorial. auditivos e sinestésicos. de forma consciente. 1967) No Brasil. quando comparadas às crianças-controle. a criança lê novamente a palavra que escreveu. o método fônico também tem se mostrado o mais adequado ao ensino regular de crianças sem distúrbios de leitura e escrita (MONTESSORI. segmentar e manipular. as crianças que participaram da intervenção apresentaram ganhos significativos em leitura.

É essencial que os profissionais da área de reabilitação de leitura e escrita conheçam e usem este procedimento. Segundo Selikowitz (2001). o ideal é que crianças com dificuldade de leitura fizessem uma avaliação de linguagem por um fonoaudiólogo. Após ter lido cada parte do texto. Os testes normalmente determinam a velocidade de leitura da criança comparada a outras crianças de sua idade. o avaliador pode fazer uma série de perguntas-padrão à criança sobre o que ela acabou de ler para determinar a compreensão de leitura da criança. Ele pode também aplicar alguns testes específicos para tentar estabelecer a natureza exata do problema de leitura.Tais estudos trazem fortes evidências sobre a importância dos procedimentos fônicos e metafonológicos para a remediação de problemas de leitura e escrita em crianças. Pode comparar a capacidade da criança de ler palavras reais e palavras sem sentido para avaliar suas habilidades fonológicas (Selikowitz. é solicitado que a criança leia em voz alta partes do texto graduadas de acordo com a dificuldade. também comparada a padrões de idade. embora elas possam ser sutis e difíceis de detectar. comumente com ilustrações. Os textos mais fáceis apresentam poucas palavras simples em letras grandes. Por exemplo. A terapia fonoaudiológica pode beneficiar alguns casos. O avaliador observa os tipos específicos de erros que a criança comete. Dificuldades na linguagem estão freqüentemente presentes em crianças com dificuldade específica de leitura (dislexia). pode testar a percepção visual da criança: a capacidade do cérebro de formar um sentido das coisas que os olhos vêem. . isto ainda pode ser comparado a padrões de idade. 2. A criança progredirá para níveis cada vez mais difíceis até que fique claro para o avaliador que ele alcançou seu limite máximo.9 Como a leitura é avaliada no Disléxico Há uma série de testes de leitura disponíveis para psicólogos e professores. Por esta razão. O número de erros que a criança comete é também observado para que se estabeleça a precisão de leitura. normalmente. 2001). e que os responsáveis governamentais incentivem seu uso pelos educadores. Linguagem e leitura são funções intimamente relacionadas.

p. com erros elementares. Uma outra indicação de que a criança pode ter uma dificuldade específica de aprendizagem é a lentidão da fala. Outro sinal é quando ela consegue escrever claramente apenas se o fizer extremamente devagar. É a dificuldade da criança entender a linguagem que é primeiramente percebida. ler em voz alta e memorizar palavras. Entretanto. elas não conseguem ler palavras curtas e simples. como adição. subtração e multiplicação. . Sua letra pode permanecer muito imatura ou ilegível. inclusive não disléxicas.10 Dificuldades provocadas São muitos os sinais que identificam a dislexia. Na primeira série. crianças disléxicas têm dificuldades em soletrar. Essas são apenas algumas das dificuldades provocadas em uma criança que sofre de dislexia. Crianças disléxicas tendem a confundir letras com grande freqüência. elas também freqüentemente confundem palavras. Conforme Selikowitz (2001. A criança tem grandes dificuldades para entender o significado das operações aritméticas.14): A leitura do disléxico pode ser lenta e hesitante. crianças disléxicas demonstram dificuldades ao tentar rimar palavras e reconhecer fonemas. Ao ler. ele pode formar a história baseado nas ilustrações para dissimular dificuldades ou pode tentar adivinhar as palavras de forma desordenada. esse indicativo não é totalmente confiável.2. Ela pode encontrar dificuldade para se expressar ou sua fala pode ser imatura e confusa. freqüentemente confundem letras do alfabeto e as escrevem espelhadas. ela parece confusa quando lhe pedem para fazer cálculos que se espera de uma criança de seu nível de escolaridade. Da segunda à quinta série. ela pode ficar confusa diante de uma situação complexa e não entender histórias adequadas à sua idade. têm dificuldade em identificar fonemas e reclamam que ler é muito difícil. Na Educação Infantil. apesar de tentar arduamente. apesar de grande esforço. Suas habilidades aritméticas são afetadas. pois muitas crianças. Pode ser incapaz de soletrar as palavras em sua ortografia.

agressiva ou hostil. discalculia. impulsiva e incapaz de se concentrar em uma tarefa por um determinado período de tempo. y A hipoatividade se caracteriza por um nível baixo de atividade psicomotora. Estes comportamentos podem indicar auto-estima baixa como resultado das dificuldades com as tarefas escolares. especialmente em escrita cursiva. já que o problema pode ser atribuído à indisciplina e.A criança pode ser inquieta. trata-se daquela criança chamada "boazinha". Segundo Martins (2004): y A disgrafia é uma inabilidade ou atraso no desenvolvimento da linguagem escrita. . A criança pode recusar-se a fazer as tarefas escolares ou ludibriar ao fazê-las. é aquela criança que fala sem parar e nunca espera por nada. com reação lenta a qualquer estímulo. como é o caso da disgrafia. não consegue esperar por sua vez. hiperatividade e hipoatividade. não surgir a suspeita de uma dificuldade de aprendizagem. pouca interação social e quase não se envolve com seus colegas. o hipoativo tem memória pobre e comportamento vago. Comumente. pode tornar-se arredia. A dislexia está muitas vezes associada a outros termos e perturbações. porque a criança encontra dificuldades de compreender o enunciado das questões. ela pode ser rejeitada pelas outras crianças e tornar-se socialmente isolada. y Discalculia é a dificuldade de calcular. Uma dificuldade específica de aprendizagem apresenta-se inicialmente como um problema de comportamento ou como uma dificuldade de relacionamento com os colegas. y Hiperatividade ± o jovem ou criança hiperativa tem um comportamento impulsivo. que parece estar sempre "sonhando acordada". pode ter grande dificuldade para colocar as coisas na ordem correta ou para aprender a diferenciar as noções de direita e esquerda. Aprender a dar laço no sapato ou dizer as horas. interrompendo e atropelando tudo e todos. 2001). não consegue focar a atenção em um único tópico. conseqüentemente. Dificuldade de concentração que resulta em inquietação e impulsividade pode também se interpretada erroneamente como indisciplina (SELIKOWITZ. isto pode ser uma armadilha para os menos atentos. pode estar além de suas capacidades. mesmo com idade em que outras crianças dominam estas habilidades facilmente.

este armazena os significados de todas as palavras que conhece e permite que todas as palavras conhecidas sejam enquadradas em seus respectivos significados (Selikowitz. 2001). e uma criança disléxica terá dificuldade de alcançar mesmo depois desta idade. a leitura é um processo complexo. o próximo estágio é o fonológico (ou alfabético) e é muito importante. O léxico é conectado a uma espécie de dicionário no cérebro. Quando um indivíduo tem um léxico bem equipado e pode usá-lo para o reconhecimento de palavras. é chamado de sistema fonológico porque as palavras são quebradas (segmentadas) em sons competentes. as crianças precisam passar por estágios preparatórios antes que possam alcançar o estágio automático de leitura. que é essencial. a criança tem um depósito de palavras armazenadas em seu cérebro. De acordo com Selikowitz (2001). Em vez disso. . ele está no estágio automático (ou ortográfico) da leitura. A criança deve ver claramente as formas das letras para que elas possam ser transmitidas para o cérebro. quando elas tiverem que equipar seu léxico para que possam progredir para o estágio automático. o processo que desenvolve em seu cérebro quando lê é automático. Crianças normais entram neste estágio aos 6/7 anos de idade. que reconhece palavras familiares. Conforme Selikowitz (2001). as crianças trazem um sistema especial para leitura.11 Dificuldades ao aprender a ler De acordo com Selikowitz (2001). Neste estágio. Outro aspecto importante da leitura: a compreensão. As formas das letras devem ser transmitidas em seqüência para o cérebro. A leitura competente se sustenta em um léxico registrado interno que pode reconhecer palavras familiares.2. e sua posição exata no espaço deve ser mantida. O primeiro estágio é o da memória visual ou logográfico. área conhecida como léxico. A maioria das crianças normais não alcança este estágio até os 8/10 anos de idade. O sistema utilizado é um caminho alternativo para o sistema léxico. o disléxico tem dificuldades para alcançar estes estágios. as palavras são conhecidas como se fossem pessoas ou objetos familiares (Selikowitz. conhecido como sistema semântico. Este não envolve um sistema léxico (o léxico está vazio). Em um leitor competente. 2001).

mas estas não são geralmente suficientes para uma leitura eficiente. pois as palavras não conseguem ser identificadas pelo léxico (Selikowitz.12 O déficit na dificuldade específica de leitura As crianças precisam de habilidades fonológicas para equipar seu léxico durante o segundo estágio de aprendizagem de leitura. isso não acontece com um disléxico. 2. nem todas as crianças com esta condição têm este problema específico. a área mais comum de dificuldade é a segmentação de fonemas. Segundo Selikowitz (2001). isto pode aumentar mais o seu problema. é o que acontece com os disléxicos. É difícil para as crianças disléxicas progredirem através do estágio fonológico de leitura e eventualmente tornarem-se leitoras automáticas. Freqüentemente. a leitura automática não pode ser desenvolvida. uma dificuldade de lembrar palavras que acabam de ler. isto pode acontecer porque as crianças com dificuldade específica de leitura confundem letras com "b" e "d". elas podem começar a superar o sistema fonológico e ter acesso ao léxico sempre que elas lêem uma palavra familiar. Quando isso acontece. o processo pelo qual uma palavra não familiar é quebrada pelo cérebro em seus sons competentes. Algumas crianças têm dificuldade na maneira como o cérebro percebe as formas das letras. Embora a maioria dos estudos recentes mostre que o déficit do processamento fonológico é a causa mais comum de dificuldades específicas de leitura. eles não têm habilidades fonológicas que equipam o seu léxico. 2001). Crianças disléxicas têm problemas ao desvendar os códigos. para converter os grafemas nos fonemas correspondentes no cérebro. Os cérebros destas crianças "não são bons" em reconhecer ou interpretar as formas das letras. Elas podem compensar sua dificuldade fonológica tentando desenvolver técnicas de reconhecimento visual. Se elas não tiverem estas habilidades. elas começam a preencher o léxico do seu cérebro com palavras. um déficit de percepção visual. tais crianças têm também um déficit na memória verbal.Conforme as crianças adquirem maior capacidade de traduzir os grafemas. Crianças com déficits fonológicos têm maiores probabilidades a erros fonéticos na ortografia. . Algumas crianças agregaram a dificuldade fonológica à dificuldade da percepção visual.

"sol-los" bem como a adição ou omissão de sons como "casa-casaco". verificando-se irregularidade do desenho das letras. 2001). "n-u" e "a-e". parecendo que está sonhando acordada. Ainda pode-se caracterizar a criança disléxica da seguinte forma: inventa palavras ao ler o texto. salto de linhas e soletração defeituosa de palavras. por exemplo. As crianças disléxicas apresentam confusão com letras com grafia similar. As crianças disléxicas apresentam uma caligrafia muito defeituosa. sílabas ou palavras com diferenças sutis de grafia. Segundo Martins (2004). no plano da linguagem. De acordo com Martins (2004). "crianças com expressivas dificuldades de leitura não são necessariamente disléxicas. "d-b". repetição de sílabas. não se interessa por livros e apresentam dificuldade de copiar textos da lousa ou de livros. denotando. "d-q". tem melhores resultados nas avaliações orais do que nas escritas. . como: "b-d". por exemplo. "b-q". como "a±o". utiliza estratégias e truques para não ler. A dificuldade pode ser ainda para letras que possuem um ponto de articulação comum e cujos sons são acusticamente próximos: "d-t" e "c-q".enquanto crianças com problemas de percepção visual são mais prováveis de cometerem erros visuais (Selikowitz. os disléxicos fazem confusão entre letras. "d-p". e esses são considerados erros normais dentro do processo de aprendizagem. distrai-se com bastante facilidade perante qualquer estímulo. "e-d". assim. mas com diferentes orientações no espaço. algumas crianças podem apresentar estas características. "h-n" e "ed". mas todas as crianças disléxicas têm um sério distúrbio de leitura". Pais e educadores precisam ficar atentos para inversões de sílabas e palavras como "som-mos". Numa primeira etapa da aprendizagem. "d-p". perda de concentração e de fluidez de raciocínio.

ler. então. é uma habilidade das mais complexas no âmbito da linguagem. é o entendimento lingüístico. estabelecimentos de ensino e docentes. A escola Jonathan da Rocha Alcoforado tem em seus parâmetros que ler é. no entanto. é o de levar o aluno ao aprendizado da leitura. no caso da leitura. ao primeiro momento. esperamos dos especialistas métodos compensatórios para sanar a dificuldade. escrita e cálculo. não é tão simples como julgam alguns leigos. O fracasso do ensino escolar.Desafios e metas para a melhoria da leitura e da escrita O principal desafio dos governos. Qual. quando nos deparamos com as dificuldades de leitura ou de acesso ao código escrito. enfim. de decodificar fonemas representados nas letras. não é obra exclusiva da metodologia. O que deveria ser básico no processo ensino-aprendizagem se tomou um desafio aparentemente complexo para os educadores do século XXI: assegurar ao educando a aprendizagem escolar. Muitos são os fatores que favorecem o fracasso escolar. Nenhuma dificuldade se vence com método mirabolante é o que pensam a comunidade escolar das escolas Jonathan da Rocha Alcoforado e Alba Gadelha. Por que o domínio básico de lecto-escrita se tomou tão desafiador para o sistema de ensino escolar? Por que ensinar a ler não é tão simples? Como desvelar o enigma do acesso ao código escrito? Em geral. do fenômeno lingüístico que subjaz ao ato de ler. 3. atribuir-lhes significados ou sentidos. Ler uma habilidade lingüística e traz. por parte dos docentes e discentes. reconhecer as palavras. E para a escola Alba Gadelha ler.1 . O melhor caminho. um ato de soletrar. por isso. no meio escolar. o papel do professor na formação de bons leitores? Que . todas as vicissitudes da linguagem verbal. realmente.CAPITULO 3 PRECEITOS EDUCACIONAIS PARA MELHORIA DO ENSINO-APRENDIZAGEM DOS ALUNOS DO ENSINO FUNDAMENTAL I.

os docentes não partem. ou melhor. Em geral. Assim. estou me afirmando. Um professor da escola Alba Gadelha indagou uma questão que referia que a alma e o papel. revelar-lhe como a língua se organiza no âmbito da fala ou da escrita. dos fonemas da língua: consoantes. advindos da classe docente e do núcleo gestor. o docente deve atuar eficientemente diante das dificuldades do acesso ao código escrito. qual o melhor método de leitura? O fônico ou o global? Como transformar a leitura em uma habilidade estratégica para o desenvolvimento da capacidade de aprender e de aprendizagem do aluno? Questionamentos estes. as chamadas dificuldades leitoras ou dislexias pedagógicas.passos devem levar a efeito no exercício da leitura. do estudo dos sons da fala. As dificuldades de leitura. em seguida. tanto da escola Jonathan da Rocha Alcoforado como da escola Alba Gadelha. em sala de aula.vogais e semivogais. de alguma modo. que é imprescindível tomá-Ia como ponto de partida para o estudo dos sons da fala. Como lingüística. a fala e a memória. desde o primeiro instante de processo de alfabetização escolar da fala. em geral. Quando me refiro à fala. todos esses componentes têm um papel extraordinário na formação para o leitor proficiente. Quero dizer o seguinte: é papel do professor ensinar o aluno a aprender mais sobre os sons da língua. têm sua problemática agravada por conta da má sistematização. tremendo da escola e é fácil compreender o porquê: a escrita é marcador de ascensão social ou . Em outras palavras. o pensamento e a linguagem. acredito que a perspectiva psicolingüística responde a série de questionamentos sobre o fracasso da leitura na educação básica. nessa direção. é de o professor ensinar o aluno a aprender a ler antes para. A fala recebe um desprezo . mal orientado por pedagogia ou metodologia de plantão: afinal. praticar estratégias de leitura. Para as escolas que participaram deste trabalho vêem que o primeiro passo. um ponto inicial a considerar é a perspectiva que temos de leitura no âmbito escolar. em particular.

Ensinar a perceber o mundo. não percebeu a validade dessa informação didática. A escola precisa. importantes e interdependentes. Claro. é mais importante do que memorizar formas lingüísticas. infelizmente. As relações entre linguagem oral e escrita são. fundamental para o ensino da leitura. escrita e cálculo). pode se pôr à prova por meio de uma simples observação direta das crianças. que quem sabe falar. Por ela desenvolve-se . mas não sabe escrever. concreto. A verdadeira teoria da linguagem vem do olhar. o primeiro passo para o trabalho eficaz. 3. na variação culta ou padrão de sua língua. no ambiente escolar. forma de fazer leitura do seu cotidiano. suas partes na direção de um aprendizado eficaz da lectoescrita (leitura. não tem lugar ao sol. revelar suas metodologias.de emergência de classe social. visível de expressão . a título de aquisição e desenvolvimento da leitura. é uma forma de apreendê-lo de forma sistemática e inspiradora. na criança a percepção auditiva. sem maiores rigores abstratos: realmente partir da fala faz com que a criança perceba que traz consigo um rico manancial de informações preciosas sobre a linguagem verbal escrita. a escrita não é superior à fala nem a fala superior à escrita. da observação. objetivo. real. urgente. É mais fácil uma criança guardar na memória aquilo que apreende com a percepção do que aquilo que aprende com imposições de deveres. A escrita é ideologicamente apontada como sendo superior à fala. não tem reconhecimento de suas potencialidades lingüísticas. Qualquer dúvida sobre essa hipótese. Ambas. A fala na educação infantil é rico laboratório para os docentes.A fala: ponto de partida do ensino da língua As escolas desconhecem essa informação que qualquer manual de psicologia da criança ensina: a fala é ponto de partida do ensino da língua. das regras do bem dizer. O que é a escrita senão o espaço material. regras ou tarefas escolares. Olhar para o mundo.2 . A escola. . A tal ponto podemos considerar essa visão reducionista da linguagem. na verdade. suas circunstâncias.

na faixa de 3 a 6 anos de idade. à consciência fonológica e às habilidades fonológicas. no interior da escola. saber quantas letras e fonemas possui uma palavra. por meio de sua percepção visual. discriminá-las uma a uma. a consciência dos . A consciência fonológica vem com ensino formal e sistemático da correspondência entre letras e fonemas não ser unívoca. O segundo ponto que considero importante é a formação para consciência fonológica e o domínio das habilidades metafonológicas para o desenvolvimento da leitura fluente. Quando as crianças. A alfabetização não vem apenas do olhar. Quem adquire. transformar-se em alfabetização ortográfica. no ensino fundamental. de cartilhas de ABC. uma alfabetização fonológica. a rigor. aprendem os fonemas da língua são levadas. pois. da sua expressão oral. A escrita é o esforço cultural e civilizatório do homem de representar. A fala precede a escrita na vida e na escola. na verdade tem uma resposta contumaz: a escrita busca no reino da fala a sua expressão material. Por exemplo. ou fazer sua divisão silábica revela muito da capacidade fonológica da criança. É um fato lingüístico. mas da escuta ativa dos sons da fala.O desenvolvimento da escrita e da fala para uma boa alfabetização As crianças. devem perceber que há uma relação muito estreita entre fala e escrita.e representação da fala. mas nem por indução. já entre 7 a 14 anos de idade. é lógica para escola e para muitos educadores. A boa alfabetização não viria. da expressão oral: isto é. defendo aqui que a alfabetização escolar se dê inicialmente com os sons da fala. quer queiramos ou não. 3. desde cedo. mas equívoca. da linguagem oral? Minha pergunta. os sons da fala. nem se justificaria mesmo. mas com a valorização. para em seguida. em sala de aula. na idade própria.3 . com o uso.

. Fica superada a visão da alfabetização como domínio de uma técnica. As produções espontâneas da criança revelam como ela está utilizando a escrita. vislumbrando o caminho que pode trazer soluções novas para este velho problema. Algumas considerações podem ser estabelecidas a partir dessas investigações. passa a ser visto como uma aprendizagem conceitual. procurando conhecer melhor a Processo . e esta precisa optar pelo modelo construtivista no ensino aprendizagem da leitura e da escrita. O que é a ortografia senão uma representação. Observando que a tarefa da criança no ensino fundamental I ocorre através do processo de construção de superação. ler ajuda na consciência ortográfica. no sentido de melhorar a leitura e escrita de nossos alunos do ensino fundamental I em nossas escolas. em enigma. de dificuldades para chegar a compreender com a linguagem está representada na escrita. A possibilidade de assimilação da informação depende do nível de conceituação da criança.sons da fala pode relacionar esta habilidade lingüística com a aprendizagem da leitura nos anos subseqüentes. na escrita. o sujeito que aprende. na escrita ortográfica? O trabalho com consciência fonológica favorece ao ensino da ortografia. Determinar-se um uso social e não escolar da escrita. Em concomitância o professor alfabetizador deve se propor a: Colocar em primeiro plano. Objetivo do processo é proporcionar oportunidades de uso da escrita. Grafar bem as palavras ajuda no ato de ler com proficiência. O que é ler um texto senão decantar os sons da fala ali. dos sons da fala? Portanto. A sala de aula deve transformar-se num ambiente alfabetizador. a fim de levar a criança a compreender a estrutura da língua. Domínio ortográfico é adiado para uma fase posterior ao domínio alfabético. inaugurando o espaço do compreender.

mediante.criança com o qual se trabalha suas capacidade e condições de ser ativo que é para poder estimular o seu desenvolvimento. Compreender que os professores precisam saber que. . deve munir o meio ambiente dos materiais variados e adequados. dando a criança oportunidade para construir estruturas cognitivas. uma interação afetiva. em vez de ensinar tudo.

para grande parte dos educadores. já que há muitos anos se observam algumas dificuldades de aprendizagem e altos índices de reprovação e evasão escolar. uma escola transformadora é a que está consciente de seu papel político na luta contras as desigualdades sociais e assume a responsabilidade de um ensino eficiente para capacitar seus alunos na conquista da participação cultural e na reivindicação social.(Vygotski. o sentido da palavra instaura-se no contexto. embora tenha que. 1989:07) . Dentre as questões mais focalizadas.CONCLUSÃO A alfabetização. porque não detém recursos financeiros suficientes para adquirir o que é instrumento para seu trabalho. destaca-se o ensino da língua materna. representá-Ia em sala de aula. A dificuldade. ouvida no coro daqueles que denunciam a situação. Portanto. de o aluno escrever um texto coeso e coerente culminando na insegurança lingüística demonstra o fracasso das práticas lingüísticas das aulas. os mecanismos de apropriação de conhecimentos. seja como escritor. Assim como a de possibilitar que os alunos atuem. Não é de surpreender. porque não é um representante social da elite formadora de opiniões. após anos de escola. A transmissão racional e intencional de experiência e pensamento a outros requer um sistema mediador. oriunda da necessidade de intercâmbio durante o trabalho. A linguagem tem como objetivo principal a comunicação sendo socialmente construí da e transmitida culturalmente. A função primordial da escola seria. a leitura e a produção textual têm sido alvo de grandes discussões por parte dos estudiosos da Educação. criticamente em seu espaço social. pois. aparece no diálogo e altera-se historicamente produzindo formas lingüísticas e atos sociais. seja. A voz do professor raras vezes é. Essa também é a nossa perspectiva de trabalho. propiciar aos alunos caminhos para que eles aprendam. cujo protótipo é a fala humana. pois faz parte do processo de diminuição do professor deixá-lo sem acesso à palavra escrita. de forma consciente e consistente. como leitor.

aprenda e desenvolva as atividades de leitura e de produção da escrita. seja pelas condições de trabalho dos professores.Mas. pelos objetivos que se atribuem à escola e à escolarização. formariam os textos. freqüentemente o aprendizado fora dos limites da instituição escolar é muito mais motivador. que seria acrescido linearmente do reconhecimento das sílabas. A leitura. Muitas das abordagens escolares derivam de concepções de ensino e aprendizagem da palavra escrita que reduzem o processo da alfabetização e de leitura a simples decodificação dos símbolos lingüísticos. que. Dessa maneira percebemos a escola que exclui. Mas a escrita ultrapassa sua estruturação e a relação entre o que se escreve e como se escreve demonstra a perspectiva de onde se enuncia e a intencionalidade das formas escolhidas. após o conhecimento dessas unidades. obrigatoriamente. e. que incluiriam basicamente algumas das noções sobre a relação entre escrita e oralidade. Essa seria uma concepção de leitura e de escrita como decifração de signos lingüísticos transparentes. concepções passam. seja pelos altos índices de repetência e evasão escolar ou pela inadaptabilidade dos alunos. reduz. e de ensino e aprendizagem como um processo cumulativo. em conjunto. Os que se baseiam em uma visão tradicional da leitura e da escrita continuam a ver o aprendizado dessas práticas como o acesso às primeiras letras. por sua vez. . limita e expulsa sua clientela: seja pelo aspecto físico. a norma culta padrão é a única variante aceita.aluno estaria apto a ler e a escrever. A escola transmite uma concepção de que a escrita é a transcrição da oralidade. e os mecanismos de naturalização dessa ordem da linguagem são apagados. sua organização em unidades e seus princípios fundamentais. Parte-se do princípio de que o aprendiz deve unicamente conhecer a estrutura da escrita. pois. para q possua os ue pré-requisitos. A análise das questões sobre a leitura e a escrita está fundamentalmente ligada à concepção que se tem sobre o que é a linguagem e o que é ensinar e aprender E essas . ultrapassa a mera decodificação porque é um processo de retribuição de sentidos. palavras e frases. o. pois a linguagem da escola nem sempre é a do aluno.

pela escrita ou pela leitura. a própria estrutura do significado e a sua natureza psicológica mudam de acordo com o contexto vivido. 1984:30). Não é simplesmente o conteúdo de uma palavra que se altera. mas o modo pelo qual a realidade é generalizada em uma palavra. está diretamente relacionada às atividades discursivas e às práticas sociais as quais os sujeitos têm acesso ao longo de seu processo histórico de socialização. 1989: 156) . Nessa perspectiva. (Vigotski. a evolução histórica da linguagem. O trabalho com a leitura e a escrita adquire o caráter sócio histórico do diálogo e a linguagem preenche a representação social: A palavra está sempre carregada de um conteúdo ou de um sentido ideológico ou vivencial. estamos propondo que enfatizemos as práticas discursivas de leitura e escrita como fenômenos sociais que ultrapassam os limites da escola. Adotar esse ponto de vista requer mudança de postura pois a diferença lingüística não é mais vista como deficiência. Pressupomos. (Vigotski. A construção das atividades discursivas dá-se no espaço das práticas discursivas. também que a leitura e a escrita são atividades dialógicas que ocorrem no meio social através do processo histórico da humanização. O significado dicionarizado de uma palavra nada mais é do que uma pedra no edifício do sentido. ao contrário. A partir das generalizações primitivas.Já na visão contemporânea a construção dos sentidos. seja pela fala. Partimos do princípio de que o trabalho realizado por meio da leitura e da produção de textos é muito mais decodificação de signos lingüísticos. As atividades discursivas podem ser compreendidas como as ações de enunciado que representam o assunto que é objeto da interlocução e orientam a interação. não passa de uma potencialidade que re realiza de formas diversas na fala. é um processo de construção de significado e atribuição de sentidos. o pensamento verbal eleva-se ao nível dos conceitos mais abstratos. Como dito anteriormente.

R. São y y y y . São Paulo: Cortez.Dilemas da prática. 2003. São Paulo: Ática. y CURY. Porto Alegre: Artmed. C. BLOMQUIST. 2. CAPOVILLA. A. FREIRE. A Psicogênese da língua escrita. G. y y y y DUARTE. FREIRE. Ana. Trad. y y y FERREIRO. escrita e Matemática. N. 1986. GROSSI. Conscientização: teoria e prática da libertação. São Paulo. KRAMER.Rio de Janeiro: Francisco Alves. y FERREIRO. DROUET. Manual de dificuldade de aprendizagem: linguagem. W. Marlys. S. Dislexia manual de leitura corretiva. Educação e desenvolvimento social no Brasil.R. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nO 9394/96. 1975. Socialização do saber escolar. 1998. Reflexões sobre alfabetização. prevenir e remediar numa abordagem fônica. C. Rio de Janeiro: Casa Editorial Pargos. Dois Pontos. C.J. Porto Alegre. ed. Artes Médicas. Ester. Rodrigues. 1987. 1997. leitura. CONDEMARIM.). Emilia e TEBEROSK.Rio de Janeiro. São Paulo: Moraes. (Org. A importância do ato de ler. São Paulo. 1998. 3. 1985. 1983. Porto Alegre: Artes Médicas. Ruth Caribe da Rocha. Perspectivas atuais da fonoaudiologia na escola. São Paulo: Autores Associados. Ed. 1986. Distúrbios da aprendizagem. 1985.ed. Alfabetização .M. 4ed. Emília. & CAPOVILLA. São Paulo: Memnon. Ana Maria Netto Machado. Trad. GARCIA. FTD. GIROTO. 1980. Mabel. Jussara H. Angiolina e CARP ANEDA. 2000. Problemas de leitura e escrita: como identificar. Isabella. Paulo. Sônia.BIBLIOGRAFIA y BRAGANÇA. F. Cortez. J. Paulo. Vida nova: contextualizando a Escrita.

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1) Quais são as grandes prioridades da escola? 2) Qual a importância da escrita para a escola e para os alunos e/ou alunas? 3) Qual a importância da leitura para a escola e para os alunos e/ou alunas? 4)Quais projetos são desenvolvidos pela escola. para melhorar o desempenho do alunado na escrita e na leitura? 5) A escola consegui inserir a família nestes projetos? Como? 6)Quais os resultados atingidos através dos projetos desenvolvidos na escola e pela escola? 7) O que a escola tem feito para estimular a leitura? 8) Para você a leitura e a escrita tem importância? 9) O que a escola tem feita para estimular a leitura? 10) Você acredita que o hábito de ler e escrever deve ser introduzido pela família? .

cite alguns trabalhos desenvolvidos e que estão dando certo? 5) A comunidade participa dos projetos de leitura e de escrita desenvolvido na escola? ( ) sim () não 6)Justifique a resposta. colocando algumas experiências: 7) Você lê livros: ( ) da biblioteca ( ) comprado ( ) emprestado ( ) nenhum 8) Você acredita que. com a leitura há um(a): ( ) crescimento intelectual ( ) visão melhor de mundo ( ) privilégio de classe dominante .QUESTIONÁRIO 1) A dislexia é um problema encontrado na escola? ( ) sim () não 2)Os alunos (as) são instruídos sobre as formas correta de escrita e as formas legais de leitura? ( ) sim ( ) não 3)A escola possui algum trabalho diferenciado para os alunos que possuem alguma dificuldade na escrita e na leitura? ( ) sim ( ) não 4)Se a resposta for sim.

ANEXO .

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