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Guia prático do candidato

eleições 2020
Guia prático
do candidato
eleições
2020
Carlos Sergio de Carvalho Barros
Sócrates José Niclevisk
Natalia Guida de Oliveira
Taiandre Paixão Costa
Benno Cesar Nogueira de Caldas
Nubia Antonieta Almeida Carneiro
Beatriz Nunes de Sousa Bandeira Lima

Colaboradores
Alessandra Pessoa Barros
Glinoel Oliveira Garreto

conteúdo atualizado até 20 de agosto de 2020

Halley S/A - Gráfica e Editora


Copyright© 2020

Coordenação geral e revisão jurídica:


Carlos Sergio de Carvalho Barros e Benno Cesar Nogueira de Caldas

Equipe de elaboração:
Carlos Sergio de Carvalho Barros
Sócrates José Niclevisk
Natalia Guida de Oliveira
Taiandre Paixão Costa
Benno Cesar Nogueira de Caldas
Nubia Antonieta Almeida Carneiro
Beatriz Nunes de Sousa Bandeira Lima

Os autores integram a equipe do


Escritório Carlos Sergio de Carvalho Barros Advogados Associados.
A obra contou com a colaboração técnica em Contabilidade de:

Alessandra Pessoa Barros


Glinoel Oliveira Garreto

Planejamento Gráfico e Revisão: Luis Mello Neves


Projeto Gráfico: Júlio Júnior
Tiragem: 2.000 exemplares

Este livro foi impresso em Teresina, Piauí, em agosto de 2020, pela Gráfica Halley S/A,
para o escritório Carlos Sergio de Carvalho Barros Advogados Associados. A fonte usada
no miolo é Elante, corpo 11/15. O papel do miolo é pólen soft 80g/m2, e o da capa é
cartão supremo LD 250g/m2.

São Luís, Maranhão 2020


ESCRITÓRIO
CARLOS SERGIO DE CARVALHO BARROS
ADVOGADOS ASSOCIADOS

ADVOGADOS
Carlos Sergio de Carvalho Barros
Sócrates José Niclevisk
Eveline Silva Nunes
Marcus Vinícius da Silva Santos
Raul Guilherme Silva Costa
Taiandre Paixão Costa
Benno Cesar Nogueira de Caldas
Natalia Guida de Oliveira
Nubia Antonieta A�lmeida Carneiro
Jurandir Ribeiro Silva
Clara Fernandes de Queiroz Varão
João Gabriel Maya Rosa Guará

ESTAGIÁRIOS
Beatriz Nunes de Sousa Bandeira Lima
Aldelane Steffanny Bahury Costa
Paula Magali LimaRabelo
Gabriel Henry Pinto de Sousa
Tracyanne Portela Teles Mendes

EQUIPE ADMINISTRATIVA
Dayane Soares Costa
Eidina Conceição Barros
Givaldo Moraes Santana
Jairo Sousa Vieira
Júlio César Pereira da Silva
Luiza Maria Teixeira Passos
Carlos Sergio de Carvalho Barros é formado em Direito pela
Universidade de Fortaleza – UNIFOR, e especializou-se em Di-
reito Eleitoral pelo UNICEUB/OAB/TSE, em Brasília-DF. Há
mais de vinte anos advoga nas áreas eleitoral e municipalista,
tendo coordenado a defesa jurídica de centenas de candidatos.
Em 2018 coordenou a defesa do governador Flavio Dino, em sua
reeleição. Foi conselheiro seccional da OAB/MA, presidente da
Comissão de Prerrogativas e da Comissão de Direito Municipal.

Sócrates José Niclevisk é bacharel em Direito pela Ponti-


fícia Universidade Católica do Paraná – PUCPR. Possui es-
pecialização em Compliance e Direito Anticorrupção pela
Faculdade CERS, e é pós-graduando em Direito Eleitoral
pela Universidade Federal do Maranhão – UFMA.

Eveline Silva Nunes é graduada em Direito pelo


Centro Universitário do Maranhão –UNICEUMA
e pós-graduada em Direito Penal e Processual Penal
pela Universidade Estácio de Sá. Advogada inscrita
na OAB/MA sob o nº 5.332.

Marcus Vinícius da Silva Santos. Graduado em Direito


pela Universidade CEUMA é pós- graduado em Direito
Eleitoral pela Escola Judiciária Eleitoral do TSE, OAB-
-DF e UNICEUB. Foi Procurador Geral do Município de
Dom Pedro (MA), de 2009 a 2012.

Raul Guilherme Silva Costa. Graduado em Direito pela Fa-


culdade Santa Terezinha – CEST. Pós-graduado em Advocacia
Pública pelo Instituto para o Desenvolvimento Democrático
de Minas Gerais – IDDE. Pós-graduando em Direito Eleitoral
pela Universidade Federal do Maranhão – UFMA.

Taiandre Paixão Costa é bacharel em Direito pela Universi-


dade Federal do Maranhão – UFMA, e possui Pós-graduação
em Direito Processual pela Pontifícia Universidade Católica
de Minas Gerais (PUC–MG). Advogado inscrito na OAB/
MA sob o nº 15.133.
Benno Cesar Nogueira de Caldas é bacharel em Di-
reito e graduando em Letras pela Universidade Fede-
ral do Maranhão – UFMA. Foi Chefe de Gabinete da
Procuradoria Geral de Justiça do Estado do Maranhão.
Advogado inscrito na OAB/MA sob o nº 15.183.

Natália Guida de Oliveira. Graduada em Direito pelo


Centro Universitário do Maranhão – UNICEUMA, é
pós-graduada em Direito Civil e Processo Civil, pelo
Instituto Praetorium conveniado com UNICOC, e em
Direito Processual Civil pela Universidade Federal do
Maranhão – UFMA.

Núbia Antonieta Almeida Carneiro. Graduada


em Direito na Unidade de Ensino Superior Dom
Bosco – UNDB. Pós-graduanda em Direito Pro-
cessual pela Pontifícia Universidade Católica de
Minas Gerais (PUC–MG). Advogada inscrita na
OAB/MA sob o nº 19.584.

Jurandir Ribeiro Silva é graduado em Direito pela


Universidade Estadual da Paraíba – UEPB e possui
especialização em Direito Eleitoral pela Escola Ju-
diciária Eleitoral do Tribunal Regional Eleitoral do
Maranhão - EJE. Desempenhou várias funções no
Poder Judiciário do Estado do Maranhão.

Clara Fernandes de Queiroz Varão. Graduada


em Direito pela Unidade de Ensino Superior Dom
Bosco - UNDB. Pós-graduada em Direito Processual
Civil pela Universidade Anhanguera - UNIDERP.
Advogada inscrita na OAB/MA sob o n º 10.157.

João Gabriel Maya Rosa Guará é graduado em Direito pela


Universidade CEUMA e pós-graduado pela Universidade
Anhanguera Uniderp (LFG), com especialização em Direito
Processual Civil Lato Sensu
S U M Á R I O
APRESENTAÇÃO.....................................................11

CONDIÇÕES DE ELEGIBILIDADE.................... 15

INELEGIBILIDADES.............................................. 25

CONVENÇÕES PARTIDÁRIAS.............................61

REGISTRO DE CANDIDATURA.......................... 67

CONDUTAS VEDADAS AOS


AGENTES PÚBLICOS.............................................81

PROPAGANDA ELEITORAL................................. 95

FINANCIAMENTO
DAS CAMPANHAS ELEITORAIS........................115

DA PRESTAÇÃO DE CONTAS............................ 133


Carlos Sérgio de Carvalho Barros advogados associados

APRESENTAÇÃO
*Rodrigo Lago

C
om a experiência jurídica de centenas de cam-
panhas eleitorais ao longo de duas décadas —
inclusive na vitoriosa campanha de reeleição do
governador Flávio Dino, em 2018 —, atuando desde a or-
ganização das pré-candidaturas, das convenções, passan-
do pelos registros de candidatos e coligações, pela propa-
ganda eleitoral, pela prestação de contas e, finalmente,
pelo chamado terceiro turno, como se chamam as ações
que pedem a cassação de registros, diplomas e mandatos
eleitorais, o advogado Carlos Sérgio de Carvalho Barros
liderou equipe de competentes juristas, entre alguns jo-
vens brilhantes e outros mais experientes, de não menor
destaque e capacidade, para oferecer aos candidatos este
excelente “Guia Prático do Candidato – Eleições 2020”.
Longe de ser um manual de direito eleitoral, destina-
do apenas a outros colegas advogados e aplicadores do
direito, o “Guia Prático do Candidato” também não é um
texto superficial. O Guia não é um fim em si mesmo e
não dispensa a assessoria permanente de um advogado
eleitoralista durante todas as fases do processo eleitoral,
desde a pretensão de se lançar candidato, até o desfe-
cho de todos os processos que podem levar a cassação de
mandatos.

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guia prático do candidato Eleições 2020

O Guia deve servir como livro de cabeceira do can-


didato, bem como de sua equipe mais próxima, poden-
do acompanhá-lo no bolso, especialmente em sua ver-
são eletrônica, facilmente arquivada e acessível em um
“smartphone”. Sabe-se que o candidato não tem tempo
para estudar Direito Eleitoral, e nem isso dele se exige,
sob pena de perder oportunidades de apresentar ao elei-
tor a sua plataforma política, seus projetos e, no caso de
candidatos a prefeito, seu programa de governo. A tarefa
de estudar o Direito Eleitoral é dos advogados e aplica-
dores do direito. Mas o candidato não pode ignorar di-
versas regras eleitorais que dele se exige o cumprimento,
como a obediência aos prazos de desincompatibilização,
as condutas que lhe são vedadas, os métodos corretos de
propaganda eleitoral, bem assim os proibidos, a necessi-
dade ou dispensa de contabilização dos gastos eleitorais,
dentre outros.
Através do Guia, por exemplo, o candidato pode saber
se o seu adversário respeitou as normas, se há ou não
indícios de sua inelegibilidade. Um exame rápido no tex-
to do Guia permitirá que ele descubra eventual impedi-
mento da candidatura do adversário e, assim, procure um
advogado especialista em Direito Eleitoral para, eventu-
almente, acionar a Justiça. Em geral, os advogados não
conhecem todas as peculiaridades locais e, se não forem
informados de fatos relevantes acerca das candidaturas
opostas, não poderão ajuizar as ações ou requerer as
providências necessárias por parte do juiz eleitoral. Não
raro, há situações que, desconhecidas de muitos, pode-
riam levar a outro resultado eleitoral. Por isso mesmo é
que a permanente consulta ao “Guia prático do candida-
to” acaba sendo uma ferramenta muito útil.

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Carlos Sérgio de Carvalho Barros advogados associados

Por outro lado, o candidato é constantemente instiga-


do a praticar certos atos de campanha em busca de ga-
rantir o mandato eletivo, ou mesmo a participar de even-
tos organizados por terceiros, mas que igualmente lhe
servirão para alcançar a eleição. O que pode e o que não
fazer nesses eventos? O Guia se apresenta um bom rol
de permissões e vedações, de forma que muitas irregula-
ridades poderão ser evitadas pelo candidato, preservando
o mandato que pretende conquistar ou evitando multas
elevadas, se for consultado o seu conteúdo antes de par-
ticipar desses atos. Os advogados eleitoralistas podem
muito na defesa de seus constituintes, mas nem sempre
podem tudo quando um erro grave já foi cometido e o ad-
versário e o Ministério Público levam à Justiça Eleitoral
as provas da irregularidade.
O melhor remédio para qualquer doença deve ser
sempre a prevenção. Conheça as principais regras elei-
torais, consulte o Guia sempre que possível, e evite ver
depois cassado o tão sonhado mandato eletivo pelo mero
desconhecimento de uma obrigação ou proibição legal.
Sem mais me delongar na apresentação, deixo o con-
vite, quase que uma convocação, para que todos aqueles
que pretendem ter sucesso nas urnas em 2020 tenham
sempre em mãos este “Guia prática do candidato”.

*Rodrigo Pires Ferreira Lago é advogado licenciado, especialista em Direi-


to Eleitoral e atualmente ocupa o cargo de Secretário de Estado da Comunica-
ção Social e Assuntos Políticos do governo Flávio Dino.

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Carlos Sérgio de Carvalho Barros advogados associados

CONDIÇÕES DE ELEGIBILIDADE

As chamadas condições de elegibilidade são os pressu-


postos estabelecidos pela Constituição Federal (art. 14, §3º)
para que os cidadãos possam concorrer a cargo eletivo.
Tais requisitos devem estar presentes no momento do
pedido de registro de candidatura, são eles: nacionalidade
brasileira, estar no pleno exercício dos direitos políticos,
alistamento eleitoral (com prazo de 6 meses), domicílio
eleitoral na circunscrição (com prazo de 6 meses), filiação
partidária (com prazo de 6 meses) e idade mínima para o
cargo pretendido (18 anos para vereador e 21 anos para
prefeito e vice-prefeito).
Se o pedido de registro de candidatura vier desacom-
panhado de documento necessário para fazer prova de
condição de elegibilidade, o juiz poderá constatar o pro-
blema mesmo sem impugnação de adversários ou do Mi-
nistério Púbico, concedendo ao interessado prazo de 72h
(setenta e duas horas) para suprir a falta.

NACIONALIDADE BRASILEIRA

A nacionalidade é o vínculo que liga o indivíduo a


determinado Estado. No Brasil, somente os brasileiros,
natos ou naturalizados, poderão concorrer ao cargo de
prefeito, vice-prefeito ou vereador.

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guia prático do candidato Eleições 2020

São brasileiros natos (art. 12, I, CF):

• os nascidos na República Federativa do Brasil,


ainda que pai ou mãe estrangeiros, desde que
estes não estejam a serviço de seu país;
• os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou
mãe brasileira, desde que qualquer deles esteja
a serviço da República Federativa do Brasil;
• os nascidos no estrangeiro de pai brasileiro ou
de mãe brasileira, desde que sejam registrados
em repartição brasileira competente ou venham
a residir na República Federativa do Brasil e
optem, a qualquer tempo, depois de atingida a
maioridade, pela nacionalidade brasileira.

Por sua vez, os brasileiros naturalizados são (art. 12, II,


da CF):

• os que, na forma da lei, adquiriram a nacionali-


dade brasileira. Aos originários de países de lín-
gua portuguesa são exigidas apenas residência
por um ano ininterrupto e idoneidade moral;
• os estrangeiros de qualquer nacionalidade, re-
sidentes na República Federativa do Brasil há
mais de quinze anos ininterruptos e sem con-
denação penal, desde que requeiram a naciona-
lidade brasileira.

EXCEÇÃO: os portugueses com residência perma-


nente no Brasil, embora estrangeiros, podem concorrer
a cargo eletivo, como se naturalizados fossem, desde que
em Portugal haja reciprocidade em favor dos brasileiros

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Carlos Sérgio de Carvalho Barros advogados associados

(ar. 12, §1º, CF), com as ressalvas previstas na Constitui-


ção Federal.
A comprovação da nacionalidade é verificada durante
o alistamento eleitoral, não sendo exigida por ocasião do
registro de candidatura.

PLENO EXERCÍCIO DOS


DIREITOS POLÍTICOS

Com o alistamento eleitoral o indivíduo que preen-


che as condições de elegibilidade e não incide em causa
de inelegibilidade passa a ter a capacidade de votar e ser
votado, isto é, exercer plenamente seus direitos políticos.
Todavia, o artigo 15 da Constituição Federal prevê hi-
póteses de perda ou suspensão desses direitos, que, por
sua vez impedem o interessado de participar das eleições,
quais sejam:

• incapacidade civil absoluta;


• cancelamento da naturalização por sentença
transitada em julgado;
• condenação criminal transitada em julgado, en-
quanto durarem seus efeitos;
• recusa de cumprir obrigação a todos imposta
(ex. serviço militar obrigatório) ou prestação al-
ternativa, nos termos do art. 5º, VIII, CF;
• improbidade administrativa (quando aplicada
pena de suspensão dos direitos políticos), nos
termos do art. 37, § 4º;

As duas primeiras hipóteses tratam de perda dos direi-


tos políticos, e as demais de suspensão (temporária).

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guia prático do candidato Eleições 2020

A incapacidade civil absoluta alcança os menores de


16 (dezesseis) anos e as pessoas com determinados ti-
pos de deficiência, que as tornem inaptas para formar
e expressar sua vontade. Uma vez obtidas a aptidão e a
capacidade de expressão da vontade os direitos políticos
deverão ser garantidos às pessoas com deficiência (art.
81, CE).
Já o cancelamento da naturalização consiste no rom-
pimento do vínculo jurídico entre o indivíduo e o Estado,
acontecendo, por exemplo, quando o naturalizado de-
sempenha atividade nociva ao interesse nacional, cujos
efeitos na esfera eleitoral somente começarão a fluir após
o trânsito em julgado da decisão que o decreta.
No que se refere à suspensão dos direitos políticos, a
condenação criminal é uma de suas causas, abrangendo
não apenas os crimes dolosos e culposos, mas também
contravenções e sentenças absolutórias impróprias (isto é,
quando a pena é substituída por medidas de segurança).

Segundo a Súmula nº 09 do TSE, “a suspensão de direi-


tos políticos decorrente de condenação criminal transitada
em julgado cessa com o cumprimento ou extinção da pena,
independendo de reabilitação ou de prova de reparação de
danos”.

Em relação ao indivíduo que se recusa a cumprir obri-


gação a todos imposta, o que também causa a suspensão
dos direitos políticos, a lei não fixa o período de suspen-
são, atraindo a aplicação do disposto no artigo 1º do De-
creto-Lei nº 20.919/32 (05 anos).
Quanto à suspensão dos direitos políticos em virtude
de condenação por ato de improbidade administrativa,

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Carlos Sérgio de Carvalho Barros advogados associados

sua incidência deve ser declarada expressamente na deci-


são e se verifica a partir do trânsito em julgado da conde-
nação, podendo ter duração de até 10 (dez) anos.

A perda e a suspensão dos direitos políticos acarreta-


rão as seguintes consequências jurídicas:

• cancelamento do alistamento e exclusão do cor-


po de eleitores (art. 71, II, CE);
• cancelamento ou suspensão da filiação partidá-
ria (art. 22, II, LPP);
• impedimento de o candidato ser diplomado
(AgR-REspe nº 358-30, rel. Min. Arnaldo Versia-
ni, DJE de 5.8.2010);
• perda de mandato eletivo (art. 55, IV, §3º, CF);
• perda de cargo ou função pública;
• impossibilidade de se ajuizar ação popular;
• impedimento para exercer a iniciativa popular;

ALISTAMENTO ELEITORAL

O alistamento eleitoral é o reconhecimento do indiví-


duo como eleitor nos assentamentos eleitorais do país e
sua comprovação no pedido de registro de candidatura se
dá por meio do título de eleitor.
Os brasileiros de ambos os sexos, maiores de 18 (de-
zoito) anos e menores de 70 (setenta), são obrigados a
se alistar, conforme determinação prevista no artigo 14,
§1º, inciso I, da Constituição Federal, e no artigo 6º do
Código Eleitoral.
Já os analfabetos, os maiores de 70 (setenta) anos, os
maiores de 16 (dezesseis) e menores de 18 (dezoito) anos,

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guia prático do candidato Eleições 2020

bem como os inválidos e aqueles que se encontram fora


do país, são dispensados do alistamento, sendo este fa-
cultativo.
Com a Lei nº 12.891/2013, tornou-se dispensável a
apresentação do título no momento do pedido de regis-
tro, já que as informações são armazenadas pela própria
Justiça Eleitoral.
No entanto, a dispensabilidade de apresentar o título de
eleitor não exclui o necessário cumprimento desta condi-
ção de elegibilidade, de modo que a Justiça Eleitoral pode
exigir sua apresentação, em caso de divergência de dados.

VALE DESTACAR que, em anos eleitorais, o alistamen-


to só poderá ser realizado até 150 dias antes do pleito ou após
a apuração (art. 91, caput, Lei nº 9.504/97). Nestas eleições
de 2020, o prazo para alistamento foi até o dia 06 de maio,
pois, mesmo com a mudança na data das eleições, os prazos
já encerrados quando da promulgação da Emenda Constitu-
cional nº 107/2020 (02/07/2020) não foram reabertos.

Os conscritos, durante o período do serviço militar


obrigatório, e os estrangeiros não poderão alistar-se como
eleitores.

DOMICÍLIO ELEITORAL
NA CIRCUNSCRIÇÃO DO PLEITO

Aquele que pretende candidatar-se ao cargo de prefei-


to, vice-prefeito ou vereador precisa fazer prova de que
tem domicílio eleitoral na respectiva circunscrição há
pelo menos 06 (seis) meses antes do pleito (art. 9º, Lei
nº 9.504/97).

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Carlos Sérgio de Carvalho Barros advogados associados

Desse modo, caso exista a pretensão de se candidatar


a cargo eletivo em outra circunscrição em 2020, o candi-
dato deve ter promovido a transferência de seu domicílio
eleitoral até o dia 04 de abril, pois neste caso o prazo não
foi reaberto pela Emenda Constitucional nº 107/2020.
Importante frisar que embora algumas vezes haja cer-
ta confusão, o domicílio eleitoral não equivale necessa-
riamente ao civil, caracterizando-se também quando o
cidadão possui vínculos familiares, econômicos, sociais
ou políticos com o município no qual deseja realizar sua
inscrição.

FILIAÇÃO PARTIDÁRIA

A filiação nada mais é do que o vínculo jurídico esta-


belecido entre um cidadão e um partido político, poden-
do se concretizar junto aos órgãos partidários no âmbito
nacional, estadual ou regional, e municipal ou zonal.
No Brasil, para concorrer a cargo eletivo, o cidadão
precisa obrigatoriamente estar filiado a partido político,
não sendo permitida candidatura avulsa.
Na segunda semana dos meses de abril e outubro de
cada ano os partidos devem enviar à Justiça Eleitoral,
através do sistema “FILIA”, a relação atualizada dos seus
filiados na respectiva zona eleitoral, da qual constará,
também, o número dos títulos eleitorais e das seções em
que estão inscritos e a data do deferimento das respecti-
vas filiações.

ADVIRTA-SE que a filiação deve ser realizada pelo me-


nos 06 (seis) meses antes da data fixada para as elei-
ções (Lei nº 9.096, de 19.9.1995, art. 18; Lei nº 9.504, de

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guia prático do candidato Eleições 2020

30.9.1997, art. 9º) ou em prazo superior fixado no estatuto


partidário (Lei nº 9.096, de 19.9.1995, art. 20), que não po-
derá ser alterado no ano de realização do pleito.

Nesse sentido, os candidatos às eleições de 2020 deverão


estar com a filiação deferida no âmbito partidário até o dia
4 DE ABRIL DE 2020, desde que o estatuto da agremia-
ção não estabeleça prazo superior (Lei nº 9.504/1997, art.
9º, caput, e Lei nº 9.096/1995, art. 20, caput), pois, mesmo
com a mudança na data das eleições, os prazos que já esta-
vam encerrados quando da promulgação da Emenda Cons-
titucional nº 107/2020 (02/07/2020) não foram reabertos.

Nesse caso, se o eleitor tiver solicitado a filiação, mas


por desídia ou má-fé dos dirigentes partidários seu nome
não constar na lista oficial dos filiados enviada à Justiça
Eleitoral, poderá requerer diretamente ao juiz da zona a
intimação do partido para que inclua seu nome em lista-
gem especial.
No caso dos militares existe regulamentação especial,
pois são proibidos de se filiar. Diante disso, para concor-
rer às eleições de 2020, o militar deverá apresentar apenas
pedido de registro de candidatura, após prévia escolha
em convenção partidária. Já os militares da reserva remu-
nerada interessados em participar da disputa deverão se
filiar normalmente, observando o prazo legal de filiação.
Quanto aos servidores da Justiça Eleitoral, o TSE fir-
mou entendimento de que para estes a filiação partidária
é incompatível com o cargo exercido, de sorte que, pre-
tendendo filiar-se, deve o servidor requerer exoneração.
Não se pode esquecer que há situações que levam ao
cancelamento imediato da filiação partidária, a exemplo

22
Carlos Sérgio de Carvalho Barros advogados associados

da morte do filiado, da expulsão, da perda dos direitos po-


líticos e outras previstas nos estatutos das agremiações.
A Lei nº 13.165/2015 trata especificamente da perda
do mandato de detentor de cargo eletivo em decorrência
de desfiliação sem justa causa (infidelidade partidária),
prevendo em seu artigo 22-A que:

Art. 22-A. Perderá o mandato o detentor de cargo eletivo


que se desfiliar, sem justa causa, do partido pelo qual foi
eleito.
Parágrafo único. Consideram-se justa causa para a desfi-
liação partidária somente as seguintes hipóteses:
I - mudança substancial ou desvio reiterado do programa
partidário;
II - grave discriminação política pessoal; e
III - mudança de partido efetuada durante o período de
trinta dias que antecede o prazo de filiação exigido em lei
para concorrer à eleição, majoritária ou proporcional, ao
término do mandato vigente.

No inciso III, temos a denominada “Janela de Opor-


tunidade” ou “Janela Partidária”, que consiste na autori-
zação legal para que o titular de mandato eletivo deixe o
partido atual e se filie a outro sem perder o mandato, bas-
tando que a modificação seja realizada no período de 30
(trinta) dias antes do término do prazo final para filiação.
Havendo coexistência de filiações partidárias, preva-
lecerá a mais recente, devendo as demais ser canceladas
automaticamente pela Justiça Eleitoral.
Verificados indícios de falsidade, abuso, fraude ou
simulação na inclusão do registro de filiação ou na sua
retificação, o juiz eleitoral dará ciência ao Ministério Pú-
blico para a apuração de eventual responsabilidade pela
prática de crimes eleitorais.

23
guia prático do candidato Eleições 2020

IDADE MÍNIMA

Para concorrer às eleições de 2020, por uma presun-


ção sobre o grau de consciência política, experiência e
maturidade, o candidato deve observar a idade mínima
exigida pela Constituição Federal para o cargo almejado
(art. 14, inciso VI, alíneas a, b, c e d):

a) 35 (trinta e cinco) anos para Presidente e Vice-


-Presidente da República e Senador;
b) 30 (trinta) anos para Governador e Vice-Gover-
nador de Estado e do Distrito Federal;
c) 21 (vinte e um) anos para Deputado Federal,
Deputado Estadual ou Distrital, Prefeito e Vi-
ce-Prefeito;
d) 18 (dezoito) anos para Vereador.

Segundo o artigo 11, § 2º, da Lei nº 9.504/97, “a idade


mínima constitucionalmente estabelecida como condição
de elegibilidade é verificada tendo por referência a data da
posse, salvo quando fixada em dezoito anos, hipótese em
que será aferida na data-limite para o pedido de registro”.

Portanto, atenção candidatos a vereador: a idade será


averiguada na data-limite para o pedido de registro, per-
manecendo a data da posse para os demais casos.

Vale lembrar que não existe idade máxima para se


candidatar, pois o limite de idade para permanecer no
funcionalismo público, que atualmente é de 75 (setenta
e cinco) anos, não se aplica aos mandatos eletivos.

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Carlos Sérgio de Carvalho Barros advogados associados

INELEGIBILIDADES

Nas palavras de José Jairo Gomes (2020, pp. 147-148)


“denomina-se inelegibilidade ou ilegibilidade o impedi-
mento ao exercício da cidadania passiva, de maneira que
o cidadão fica impossibilitado de ser escolhido para ocupar
cargo político eletivo”.
Trata-se de fator cuja presença obstrui a capacidade
eleitoral passiva, impedindo o cidadão de ser candidato
a cargo eletivo.
As causas de inelegibilidades devem ser aferidas no
momento da formalização do pedido de registro e estão
previstas na Constituição Federal (constitucionais) e em
lei complementar (legais), podendo ser absolutas (impe-
dimento para o exercício de qualquer cargo eletivo) ou
relativas (impedimento para algum cargo).

• INELEGIBILIDADES CONSTITUCIONAIS

As inelegibilidades constitucionais não precluem, de


sorte que podem ser arguidas na fase de registro de can-
didatura ou posteriormente, antes ou depois das eleições,
enquanto as inelegibilidades legais sujeitam-se à preclu-
são, razão pela qual, se não arguidas na fase de registro de
candidatura, só poderão ser levantadas caso originadas
de fatos supervenientes ao registro.

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guia prático do candidato Eleições 2020

Eis os casos de inelegibilidades constitucionais:

I) INALISTÁVEIS E ANALFABETOS

São absolutamente inelegíveis, ou seja, não podem


exercer qualquer cargo eletivo, os inalistáveis (aqueles
que não podem alistar-se eleitores) e os analfabetos.

Quem são os inalistáveis?

“Os inalistáveis são os que não podem inscrever-se como


eleitores, segundo o disposto no § 2º do art. 14 CF: meno-
res de 16 anos, estrangeiros, conscritos e os que estiverem
privados, temporária ou definitivamente, de seus direitos
políticos. A elegibilidade tem como pressuposto a alistabi-
lidade (capacidade eleitoral ativa), assim, todos aqueles que
não podem ser eleitores, não poderão ser candidatos.” (VA-
RELLA, 2012, p. 315).

E os analfabetos?

Na seara eleitoral, considera-se analfabeto o candidato


que não possui capacidade mínima de escrita e leitura.
Se tiver aptidão para ler pequenos textos e escrita rudi-
mentar, não será considerado analfabeto para fins de ine-
legibilidade (Ac de 18.9.2018 no RO 060247518, rel. Min.
Luís Roberto Barroso).
Aliás, o Supremo Tribunal Federal, ao decidir ques-
tões envolvendo o então deputado federal Francisco
Everaldo Oliveira Silva (“Tiririca”) esclareceu, em voto
conduzido pelo ministro Gilmar Mendes, que “a Justiça
Eleitoral tem adotado interpretação no sentido de conside-

26
Carlos Sérgio de Carvalho Barros advogados associados

rar que os conhecimentos da leitura e da escrita, ainda que


rudimentares, afastam a hipótese de analfabetismo para
fins de registro de candidatura” (Ação Penal nº 567/SP).
Nesse cenário, além do tradicional “comprovante de
escolaridade”, que deve acompanhar o pedido de regis-
tro, outros meios de prova poderão ser utilizados para
comprovar a alfabetização do candidato, tais como his-
tórico escolar, carteira nacional de habilitação (CNH),
declaração de próprio punho na presença de servidor do
Cartório ou da Secretaria Eleitoral, etc.
É importante observar que o exercício de mandato
eletivo anterior não é capaz, por si só, de comprovar a
condição de alfabetizado. Ou seja, não há presunção de
escolaridade para aqueles que já exerceram mandatos
eletivos.

Nas hipóteses de dúvida fundada, a aferição da alfabe-


tização se fará individualmente, sem constrangimentos; o
exame ou teste não pode ser realizado em audiência pública
por afrontar a dignidade humana. Ac.-TSE n º 24.343/2004:
ilegitimidade do teste de alfabetização quando, apesar de
não ser coletivo, traz constrangimento ao candidato [Ac.
TSE nºs 318/2004, 21.707/2004 e 21.920/2004].

II) DOS CHEFES DO EXECUTIVO, SEUS VI-


CES OU SUBSTITUTOS

Alguns cidadãos podem estar inelegíveis por motivo


funcional, isto é, em razão de alguma função pública que
já exerçam. Exemplo: chefes do Executivo e seus vices e
substitutos não poderão pleitear um terceiro mandato
sucessivo para o mesmo cargo (art. 14, §5º, CF).

27
guia prático do candidato Eleições 2020

Porém, a depender do cargo almejado, o impedimen-


to funcional poderá ser afastado por meio da desincom-
patibilização.
De acordo com o artigo 14, § 6º, da Constituição Fe-
deral, para disputarem outros cargos, o Presidente da Re-
pública, os governadores de Estado e do Distrito Federal
e os prefeitos deverão renunciar aos respectivos manda-
tos até 06 (seis) meses antes das eleições.
Se candidatos à reeleição, os titulares não precisarão
se afastar dos seus respectivos cargos.
Já os vices encontram-se em situação peculiar, pois
não precisam renunciar para disputar as eleições, desde
que não tenham sucedido ou substituído o titular nos 06
(seis) meses anteriores ao pleito.
Sobre o tema e tratando de situações específicas, é re-
levante transcrever o resumo elaborado pela então juíza
eleitoral Renata Oliveira Soares, no “1º Seminário de Di-
reito Eleitoral: Temas Relevantes para as Eleições”, bem
como ementa do acordão proferido pelo TRE/MA no
julgamento do registro de candidatura de Carlos Orleans
Brandão Junior para o cargo de vice-governador do Esta-
do do Maranhão (Eleições de 2018):

“A CRFB prevê a possibilidade de reeleição


dos chefes do Poder Executivo e seus sucesso-
res (investidura no cargo do titular de forma
permanente) e substitutos (investidura no car-
go do titular de forma temporária), para um
único mandato subsequente. Situações:

1 – Vice-prefeito que substitui o titular


seis meses antes do pleito: vindo a ser eleito

28
Carlos Sérgio de Carvalho Barros advogados associados

como Prefeito, não poderá se candidatar à ree-


leição;
2 – Vice-prefeito que sucedeu o chefe do
Executivo no primeiro e no segundo manda-
tos não pode candidatar-se para novo mandato,
sob pena de exercício do terceiro mandato;
3 – Prefeito que em mandato anterior era
Vice-Prefeito, pode se candidatar à reeleição
como Prefeito, desde que no mandato anterior
como vice-prefeito não tenha substituído o ti-
tular nos seis meses antes das eleições em que
concorreu como prefeito;
4 - A chapa vitoriosa é sempre formada
por um titular e um vice. Assim, a eleição e a
reeleição de uma chapa tornam seus integran-
tes inelegíveis para um terceiro mandato para
os mesmos cargos. Quem ocupar o cargo de ti-
tular fica impedido a candidatar-se como vice,
já que poderia tornar-se titular pela terceira vez
em caso de substituição ou sucessão. O con-
trário é possível, ou seja, o vice de uma chapa
vitoriosa por duas vezes pode disputar uma ter-
ceira eleição como titular, desde que não tenha
substituído o titular nos seis meses anteriores
às eleições.”

“ELEIÇÕES 2018. AGRAVO REGI-


MENTAL. RECURSO ORDINÁRIO. RE-
GISTRO DE CANDIDATURA. CARGO
DE VICE-GOVERNADOR. OBJURGA-
ÇÃO. SUBSTITUIÇÃO. TITULAR. SEIS
MESES ANTES DO PLEITO. ART. 14, §

29
guia prático do candidato Eleições 2020

5º, DA CF. INELEGIBILIDADE. NÃO


CARACTERIZAÇÃO. CONSULTA TSE
N. 1.193. DECISÃO AGRAVADA. IM-
PUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA.
SÚMULA N. 26/TSE. DESPROVIMEN-
TO.
1. Na espécie, foi negado seguimento ao
recurso ordinário ante o entendimento deste
Tribunal Superior na linha de que o “vice-go-
vernador que substitui o titular antes do pleito
poderá concorrer à reeleição ao cargo de vice-go-
vernador” (Cta n. 1.193/DF, DJ de 7.4.2006).
2. Com o mesmo norte, tem-se delibera-
do que “a inelegibilidade do art. 14, § 5º, da
CF/88 há de ser interpretada de forma siste-
mática e teleológica com o § 6º, tendo como
fim hermenêutico a garantia de preservação do
ius honorum” (AgR-REspe n. 78-66/MA, Rel.
Min. Herman Benjamin, DJe de 31.10.2017).
3. É inadmissível o agravo interno que dei-
xa de impugnar especificamente os fundamen-
tos da decisão agravada. Incidência da Súmula
n. 26/TSE.
4. Agravo regimental ao qual se nega provi-
mento.”1

1
TRE-MA - RCAND: 060032511 SÃO LUÍS - MA, Relator: TYRONE JOSÉ SILVA,
Data de Julgamento: 04/09/2018, Data de Publicação: PSESS - Publicado em Sessão,
Data 04/09/2018

30
Carlos Sérgio de Carvalho Barros advogados associados

III) POR MOTIVO DE PARENTESCO

São inelegíveis, no território de jurisdição do titular,


o cônjuge ou companheiro e os parentes consanguíneos
ou afins, até o segundo grau ou por adoção, do presidente
da República, de governador de Estado, de prefeito, ou
de quem os haja substituído dentro dos 06 (seis) meses
anteriores ao pleito, salvo se já titular de mandato eletivo
e candidato à reeleição. São eles:

• Cônjuge ou companheiro(a);
• Avós, pais, filhos (adotivos ou não) e netos;
• Irmãos (adotivos ou não);
• Avós e netos do cônjuge;
• Padrasto, madrasta e sogros;
• Genro, nora e enteados;
• Cunhados.

Conforme entendimento do Supremo Tribunal Fede-


ral, os parentes e o cônjuge ou companheiro do chefe do
Poder Executivo, quando este é reelegível e renuncia 06
(seis) meses antes do pleito, poderão disputar o mesmo
cargo do titular (Informativo 283/STF).
Se houver desincompatibilização no prazo legal do já
reeleito, os parentes até o segundo grau poderão concor-
rer a cargo diverso para o período seguinte.
Importante lembrar que a inelegibilidade em ques-
tão não alcança os parentes dos respectivos vices, exceto
se estes sucederem seus titulares ou os substituírem 06
(seis) meses antes do pleito.
As hipóteses de parentesco por afinidade (sogro, so-
gra, nora, genro e cunhados) deverão ser comprovadas

31
guia prático do candidato Eleições 2020

com provas efetivas da existência do vínculo familiar, sob


pena de ineficácia para efeitos de inelegibilidade2.
Nos casos de concubinato, que consiste nas “relações
não eventuais entre o homem e a mulher, impedidos de
casar” (art. 1.727, CC), por sua similitude com outros re-
gimes, a jurisprudência tem entendido pela existência de
inelegibilidade reflexa.
IMPORTANTE: A dissolução da sociedade ou do
vínculo conjugal, no curso do mandato, não afasta a ine-
legibilidade prevista no artigo 14, §7°, da Constituição
Federal (Súmula Vinculante nº 18 do STF).
Por outro lado, a viuvez não gera inelegibilidade refle-
xa, mesmo que o falecimento ocorra no curso do man-
dato eletivo (RE 758.461, rel. min. Teori Zavascki, P, j.
22-5-2014, DJE 213 de 30-10-2014).
A separação de fato também afasta a inelegibilidade
se estiver consolidada, com real e efetivo rompimen-
to da sociedade conjugal por vários anos (TSE, Res
21775, DJ 21/06/2004).
Por fim, saliente-se que a expressão “no território de
jurisdição do titular” implica em inelegibilidade relativa,
ou seja, só incide nos cargos da circunscrição do titular.
No caso das Eleições de 2020, os parentes do prefeito são
inelegíveis no mesmo município, mas poderão concorrer
em outras cidades.

2
TRE-BA - RE: 10771 BA, Relator: CYNTHIA MARIA PINA RESENDE, Data de
Julgamento: 11/02/2009, Data de Publicação: DPJ-BA - Diário do Poder Judiciário, Data
17/02/2009, Página 95

32
Carlos Sérgio de Carvalho Barros advogados associados

INELEGIBILIDADES PREVISTAS EM LEI/


LEI DA FICHA LIMPA

As causas de inelegibilidades infraconstitucionais en-


contram-se elencadas no artigo 1º da Lei Complementar
nº 64/1990, alterada pela Lei Complementar nº 135/2010
(mais conhecida como Lei da Ficha Limpa).

Inelegibilidade absoluta - são inelegíveis para qual-


quer cargo (art. 1º, inciso I):

I) os inalistáveis e os analfabetos (alínea a)

Essa hipótese de inelegibilidade já foi abordada no tó-


pico “inelegibilidades constitucionais”.

II) os parlamentares que hajam perdido os res-


pectivos mandatos por atos incompatíveis
com o mandato e quebra de decoro (CF, art.
55, I, II), para as eleições que se realizarem
durante o período remanescente do mandato
para o qual foram eleitos e nos oito anos sub-
sequentes ao término da legislatura (alínea b)

Essa hipótese de inelegibilidade se dá com a publica-


ção da decisão de perda do mandato em decorrência do
cometimento de infração político-administrativa e atinge
aqueles que foram cassados por falta de decoro.
O artigo 55, incisos I e II, da Constituição Federal
prevê as situações ensejadoras da cassação ou extinção
do mandato eletivo, em razão de deliberações internas
das Casas Legislativas. E, em regra, as Constituições Es-

33
guia prático do candidato Eleições 2020

taduais e as Leis Orgânicas dos Municípios reproduzem


integralmente tais disposições.

III) o Governador e o Vice-Governador de Es-


tado e do Distrito Federal e o Prefeito e o
Vice-Prefeito que forem cassados em pro-
cesso de impeachment, para as eleições que
se realizarem durante o período remanes-
cente e nos 8 (oito) anos subsequentes ao
término do mandato para o qual tenham
sido eleitos (alínea c)

Tal inelegibilidade atinge os chefes do Poder Executi-


vo e seus respectivos vices, em processo conhecido como
impeachment. Nos casos de governadores e vice-governa-
dores, estes se sujeitam ao julgamento pela Assembleia
ou Câmara Legislativa.
Já para os prefeitos e vice-prefeitos, o processo de im-
peachment se dá perante a Câmara Municipal.

IV) os que forem condenados pela Justiça Elei-


toral, em decisão transitada em julgado ou
proferida por órgão colegiado, por abuso
do poder econômico ou político, para a
eleição na qual concorrem ou tenham sido
diplomados, bem como para as que se reali-
zarem nos 8 (oito) anos seguintes (alínea d)

No caso de decisão colegiada, a inelegibilidade em


questão incide após a publicação do acórdão.
Por fim, quanto ao prazo de incidência da referida ine-
legibilidade, o Tribunal Superior Eleitoral entende que o

34
Carlos Sérgio de Carvalho Barros advogados associados

termo inicial é a data da eleição da qual resultou a con-


denação e expira no dia de igual número do oitavo ano
subsequente (Cta nº 43344, de 29.5.2014).

V) os que forem condenados, em decisão tran-


sitada em julgado ou proferida por órgão
judicial colegiado, desde a condenação até o
transcurso do prazo de 8 (oito) anos após o
cumprimento da pena, pelos crimes previstos
na Lei Complementar nº 64/90 (alínea e)

O artigo 1º, inciso I, alínea “e” da LC nº 64/90, se re-


fere aos seguintes delitos:

a) crimes contra a economia popular (Lei nº 1.521/51),


a fé pública (Código Penal, arts. 289 a 311), a adminis-
tração pública e o patrimônio público (Código Penal,
arts. 312 a 337);

O TSE, no REspe nº 12922, entendeu que os crimes


contra a administração e o patrimônio públicos abrangem
também os previstos na Lei de Licitações.

b) crimes contra o patrimônio privado (arts. 155 a 186,


Código Penal), o sistema financeiro (Lei nº 7.492/86),
o mercado de capitais (Lei nº 6.385/76) e os previstos
na lei de falências (Lei nº 11.101/05);

Não se inclui nesse rol, consoante decisão do TSE no


RO nº 98150, a condenação por crime de violação de di-
reito autoral, por não se enquadrar na classificação legal de
crime contra o patrimônio privado.

35
guia prático do candidato Eleições 2020

c) crimes contra o meio ambiente (Lei nº 9.605/98) e a


saúde pública (arts. 267 a 285, Código Penal);
d) crimes eleitorais, para os quais a lei comine pena priva-
tiva de liberdade (Código Eleitoral, arts. 289 a 291, 293
a 302, 305, 307 a 312, 314 a 319, 321 a 337, 339 a 344,
346 a 354);
e) crime de abuso de autoridade, nos casos em que hou-
ver condenação à perda do cargo ou inabilitação para o
exercício de função pública (Lei nº 4.898/65);
f) lavagem de capitais (Lei nº 9.613/98);
g) tráfico de drogas (Lei nº 11.343/06), racismo (Lei nº
7.716/89), tortura (Lei nº 9.455/97), terrorismo (Lei nº
7.170/83) e hediondos (Lei nº 8.072/90);
h) crime de redução à condição análoga à de escravo (Có-
digo Penal, art. 149);
i) crimes contra a vida e a dignidade sexual (arts. 213 a
234-c, Código Penal);

No RO nº 263449 e no REspe nº 61103, o TSE consa-


grou que a inelegibilidade prevista neste item também se
aplica às hipóteses de condenação criminal emanadas do
Tribunal do Júri, porque é órgão colegiado que compõe o
Poder Judiciário.

j) crimes praticados por organização criminosa (Lei nº


12.850/13). 

No caso dos crimes relacionados acima, extinta ou


cumprida a pena, o condenado recupera sua capacidade
eleitoral ativa, ou seja, pode votar, mas não a passiva, a
qual só é reconquistada após o cumprimento do prazo
de 08 (oito) anos de inelegibilidade.

36
Carlos Sérgio de Carvalho Barros advogados associados

A natureza da pena (privativa de liberdade, restritiva


de direitos ou pecuniária) na hipótese em discussão é
irrelevante, mas não incide a inelegibilidade nos crimes
considerados culposos, de menor potencial ofensivo ou
de ação penal privada.

FIQUE ATENTO: A condenação criminal transita-


da em julgado, mesmo pela prática de delitos não enu-
merados no artigo 1º, inciso I, alínea e, da LC nº 64/90,
suspende os direitos políticos, sendo estes recuperados
somente com o cumprimento ou extinção da pena, vol-
tando, assim, a elegibilidade.

VI) os que forem declarados indignos do oficia-


lato, ou com ele incompatíveis, pelo prazo
de 8 (oito) anos (alínea f)

O oficialato é composto por militares integrantes das


seguintes patentes: tenente, capitão, major, etc.
Conforme a alínea “f”, ficam inelegíveis pelo prazo de
08 (oito) anos os referidos oficiais condenados por cri-
mes para os quais o Código Penal Militar comina a indig-
nidade ou incompatibilidade.

VII) os que tiverem suas contas relativas ao exer-


cício de cargos ou funções públicas rejeita-
das por irregularidade insanável que confi-
gure ato doloso de improbidade administra-
tiva, e por decisão irrecorrível do órgão com-
petente, salvo se esta houver sido suspensa
ou anulada pelo Poder Judiciário, para as
eleições que se realizarem nos 8 (oito) anos

37
guia prático do candidato Eleições 2020

seguintes, contados a partir da data da de-


cisão, aplicando-se o disposto no inciso II
do art. 71 da Constituição Federal, a todos
os ordenadores de despesa, sem exclusão de
mandatários que houverem agido nessa con-
dição (alínea g)

Segundo a referida alínea, para que se configure a ine-


legibilidade são necessários 5 (cinco) requisitos, quais se-
jam: 1) Decisão do órgão competente; 2) Decisão irrecor-
rível no âmbito administrativo; 3) Desaprovação devido à
irregularidade insanável; 4) Irregularidade que configure
ato doloso de improbidade administrativa; e 5) Decisão
não suspensa ou anulada pelo Poder Judiciário.
Para incidir na causa de inelegibilidade em apreço não
se exige que haja prévia condenação por improbidade ad-
ministrativa, bastando à Justiça Eleitoral reconhecer que
o ato tem natureza ímproba e que as irregularidades são
insanáveis.
Quanto ao órgão competente para analisar as contas,
cuidando-se de convênio ou outro ato ou negócio jurídi-
co firmado entre o município e outro ente da federação,
e contas de presidentes de Câmaras Municipais, o órgão
competente para julgar será o Tribunal de Contas.
Nos demais casos, compete ao Poder Legislativo o jul-
gamento das contas do Chefe do Poder Executivo (seja
de governo, seja de gestão), conferindo-se aos Tribunais
de Contas apenas a emissão de parecer prévio sobre as
contas (arts. 31, § 2º, e 71, I, CF).
No sítio eletrônico do TSE, é possível encontrar
exemplos de situações que caracterizam irregularidade
insanável enquadrada como ato doloso de improbida-

38
Carlos Sérgio de Carvalho Barros advogados associados

de administrativa, a saber: aplicação de verbas federais


repassadas ao município em desacordo com convênio
(Ac.-TSE, de 1º.10.2014, no AgR-RO nº 34478); imputa-
ção de débito ao administrador pelo TCU (Ac.-TSE, de
3.9.2013, no REspe nº 49345); contratação de pessoal
sem a realização de concurso público e não recolhimento
ou repasse a menor de verbas previdenciárias (Ac.-TSE,
de 2.4.2013, no AgR-REspe nº 25454); falta de repasse
integral de valores relativos ao ISS e ao IRPF (Ac.-TSE,
de 21.2.2013, no AgR-REspe nº 8975); violação ao art. 37,
XIII, da CF/88 (Ac.-TSE, de 14.2.2013, no AgR-REspe nº
45520); não aplicação de percentual mínimo de receita
resultante de impostos nas ações e nos serviços públicos
de saúde (Ac.-TSE, de 5.2.2013, no AgR-REspe nº 44144);
descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal ou
da Constituição Federal quanto à aplicação do piso fi-
xado para o ensino (Ac.-TSE, de 22.10.2013, no REspe
nº 19662; de 14.2.2013, no AgR-REspe nº 17652 e, de
17.12.2012, no REspe nº 32574); pagamento a maior de
subsídio a vereadores, em descumprimento ao art. 29, VI,
da CF/88 (Ac.-TSE, de 18.12.2012, no Respe nº 9307);
pagamento indevido de diárias (Ac.-TSE, de 18.12.2012,
no AgR-REspe nº 23722); descumprimento da Lei de
Licitações (Ac.-TSE, de 23.10.2012, no AgR-REspe nº
5527); e, violação ao art. 29-A, I, da CF/88 (Ac.-TSE, de
9.10.2012, no REspe nº 11543).
Quanto à contagem do prazo de 8 (oito) anos, esta ini-
ciará da data da publicação da decisão até o dia exato do
término do referido lapso temporal.

VIII) os detentores de cargo na administração


pública direta, indireta ou fundacional, que

39
guia prático do candidato Eleições 2020

beneficiarem a si ou a terceiros, pelo abuso


do poder econômico ou político, que forem
condenados em decisão transitada em jul-
gado ou proferida por órgão judicial cole-
giado, para a eleição na qual concorrem ou
tenham sido diplomados, bem como para as
que se realizarem nos 8 (oito) anos seguintes
(alínea h)

Para a jurisprudência, a incidência dessa alínea inde-


pende se a condenação ocorreu na Justiça Comum ou na
Justiça Eleitoral.
O prazo da inelegibilidade prevista no artigo 1º, inciso
I, alínea “h”, da LC nº 64/90 não se conta da decisão
colegiada ou do trânsito em julgado da condenação por
abuso do poder econômico ou político, mas, sim, da data
da eleição (Consulta nº 13115, Acórdão de 24/06/2014),
sendo que o termo final recai sobre o dia de igual número
no oitavo ano seguinte.

IX) os que, em estabelecimento de crédito, fi-


nanciamento ou seguro, que tenham sido
ou estejam sendo objeto de processo de
liquidação judicial ou extrajudicial, hajam
exercido, nos 12 (doze) meses anteriores à
respectiva decretação, cargo ou função de
direção, administração ou representação,
enquanto não forem exonerados de qual-
quer responsabilidade (alínea i)

Tem assento na preocupação legislativa em punir pes-


soas presumivelmente responsáveis por causar danos a

40
Carlos Sérgio de Carvalho Barros advogados associados

uma quantidade significativa de pessoas e risco à estabi-


lidade do sistema financeiro nacional.
O prazo da supracitada inelegibilidade pode levar
meses ou até anos de espera, já que está condicionada à
exoneração de qualquer responsabilidade do interessado.
Noutras palavras, é causa de inelegibilidade sem prazo
certo para findar, que pode se prolongar no tempo.

X) os que forem condenados, em decisão tran-


sitada em julgado ou proferida por órgão
colegiado da Justiça Eleitoral, por corrup-
ção eleitoral, por compra de votos, por doa-
ção, captação ou gastos ilícitos de recursos
de campanha ou por conduta vedada aos
agentes públicos em campanhas eleitorais
que impliquem cassação do registro ou do
diploma, pelo prazo de 8 (oito) anos a con-
tar da eleição (alínea j)

Importante observar que a decisão condenatória, nes-


se caso, não precisa conter expressamente a pena de ine-
legibilidade, eis que tal efeito é implícito e decorrente da
condenação.
O prazo de inelegibilidade é contado do dia do primei-
ro turno, se o pleito ocorrer em dois turnos.

XI) o Presidente da República, Governador,


Prefeito e parlamentares que renunciarem
a seus mandatos desde o oferecimento de
representação ou petição capaz de autori-
zar a abertura de processo de impeachment,
para as eleições que se realizarem durante

41
guia prático do candidato Eleições 2020

o período remanescente do mandato para o


qual foram eleitos e nos 8 (oito) anos subse-
quentes ao término da legislatura (alínea k)

Sobre o tema, é importante pontuar que o motivo da


renúncia deve estar relacionado à representação e esta
deve ser apta à instauração de processo, sob pena de não
incidir a citada inelegibilidade.
Aliás, se o ex-mandatário for inocentado após a instau-
ração, a pena de inelegibilidade torna-se desarrazoada e
não mais incidirá em seu desfavor.

FIQUE ATENTO: A renúncia, por si só, não é causa


de inelegibilidade e não fará despontar tal punição se for
levada a efeito para atender à desincompatibilização com
vistas a candidatura a cargo eletivo.

XII) os que forem condenados à suspensão dos


direitos políticos, em decisão transitada em
julgado ou proferida por órgão judicial co-
legiado, por ato doloso de improbidade ad-
ministrativa que importe lesão ao patrimô-
nio público e enriquecimento ilícito, desde
a condenação ou o trânsito em julgado até
o transcurso do prazo de 8 (oito) anos após
o cumprimento da pena (alínea l)

Os atos que caracterizam improbidade administrativa


estão elencados nos artigos 9º, 10, 10-A e 11, da Lei nº
8.429/92.
Para que surja a mencionada inelegibilidade, além da
prática de ato de improbidade, é imprescindível a pre-

42
Carlos Sérgio de Carvalho Barros advogados associados

sença concomitante do dano ao patrimônio público e


do enriquecimento ilícito, sendo que tais requisitos se-
rão avaliados pela Justiça Eleitoral, não sendo necessária
menção expressa na decisão a esse respeito.
Já a suspensão dos direitos políticos deverá vir expres-
sa na sentença condenatória.
Na hipótese de decisão colegiada, o órgão julgador de-
verá adentrar no mérito da demanda, caso contrário o
comando judicial não será admitido como causa geradora
de inelegibilidade.
Oportuno lembrar que as condenações fundadas ape-
nas no artigo 11 da Lei nº 8.429/92 - violação aos princí-
pios que regem a Administração Pública - não são aptas
à caracterização da causa de inelegibilidade prevista no
artigo 1º, inciso I, alínea “l”, da Lei Complementar nº
64/90.
A inelegibilidade em apreço incide desde o trânsito
em julgado da decisão condenatória ou da publicação da
decisão colegiada até os 08 (oito) anos seguintes após o
cumprimento das sanções impostas. Dessa forma, con-
siderando que a pena de suspensão dos direitos políticos
em sede de improbidade administrativa varia de 5 (cinco)
a 10 (dez) anos, a inelegibilidade poderá perdurar por até
18 (dezoito) anos.

XIII) os que forem excluídos do exercício da pro-


fissão, por decisão sancionatória do órgão
profissional competente, em decorrência
de infração ético-profissional, pelo prazo
de 8 (oito) anos, salvo se o ato houver sido
anulado ou suspenso pelo Poder Judiciário
(alínea m)

43
guia prático do candidato Eleições 2020

A definição de infração ético-profissional varia de


acordo com a categoria laboral, uma vez que cada estatu-
to estabelece as condutas infratoras da respectiva classe.

XIV) os que forem condenados, em decisão tran-


sitada em julgado ou proferida por órgão
judicial colegiado, em razão de terem des-
feito ou simulado desfazer vínculo conju-
gal ou de união estável para evitar caracte-
rização de inelegibilidade, pelo prazo de 8
(oito) anos após a decisão que reconhecer a
fraude (alínea n)

Este é o caso daquele que, pretendendo afastar a ine-


legibilidade por motivo de parentesco, simula o fim do
vínculo conjugal ou da união estável.
A simulação pressupõe ação judicial que reconheça a
fraude. (TSE, REspe nº 39723).
A Justiça Eleitoral pode reconhecer a fraude em
sede de ação de impugnação de registro de candidatura
(AIRC), desde que assegure a ampla defesa ao pretenso
candidato (RAMAYANA, 2015, p. 472).
O prazo de 08 (oito) anos da inelegibilidade em refe-
rência começa a incidir com o trânsito em julgado da
decisão ou com a publicação do acórdão colegiado que
reconhece a simulação.

XV) os que forem demitidos do serviço público em


decorrência de processo administrativo ou ju-
dicial, pelo prazo de 8 (oito) anos, contado da
decisão, salvo se o ato houver sido suspenso
ou anulado pelo Poder Judiciário (alínea o)

44
Carlos Sérgio de Carvalho Barros advogados associados

A demissão é sanção aplicada ao servidor público (in-


clusive aqueles que ocupam cargos em comissão) que
pratica infração administrativa grave, devendo ser apu-
rada em regular processo administrativo, no qual serão
observados o contraditório e a ampla defesa.

XVI) a pessoa física e os dirigentes de pessoas


jurídicas (atualmente fonte vedada) res-
ponsáveis por doações eleitorais tidas por
ilegais por decisão transitada em julgado
ou proferida por órgão colegiado da Justiça
Eleitoral, pelo prazo de 08 (oito) anos após a
decisão, observando-se o procedimento pre-
visto no art. 22 da LC nº 64/90 (alínea p)

Nessa hipótese, os dirigentes da pessoa jurídica con-


denada sequer precisam integrar a relação processual da
qual se originou a decisão que reconheceu a ilegalidade
da doação (TSE, AgR-REspe nº 40669).

A inelegibilidade decorrente de doação ilegal de pessoa


física ou de pessoa jurídica não é automática, questão que
deve ser avaliada no momento do registro de candidatura
sob os prismas da normalidade e da legitimidade do pleito,
eis que apenas montantes considerados expressivos e que
possam comprometer o resultado do escrutínio serão aptos
a atrair a incidência da inelegibilidade prevista na alínea
“p” (TSE, RO nº 53430).

XVII) os magistrados e os membros do Minis-


tério Público que forem aposentados com-
pulsoriamente por decisão sancionatória,

45
guia prático do candidato Eleições 2020

que tenham perdido o cargo por sentença


ou que tenham pedido exoneração ou apo-
sentadoria voluntária na pendência de pro-
cesso administrativo disciplinar, pelo prazo
de 08 (oito) anos (alínea q)

São inelegibilidades relativas (art. 1º, incisos II a


VII, da LC 64/90):

As inelegibilidades relativas são causas de impedimen-


to restritas a certos cargos, sendo necessário, em alguns
casos, a desincompatibilização, que varia de 03 (três) a 06
(seis) meses.
Importante destacar que, mesmo com a mudança na
data do primeiro turno das eleições para 15/11/2020, os
prazos que já estavam encerrados quando da promulga-
ção da Emenda Constitucional nº 107/2020 (02/07/2020)
não foram reabertos, sendo considerados com base na
data anterior das eleições (04/10/2020).

I) Para Presidente e Vice-Presidente da Repú-


blica (inciso II):

a) até 06 (seis) meses depois de afastados definitiva-


mente de seus cargos e funções:

1 – os Ministros de Estado;
2 – os Chefes dos órgãos de assessoramento direto, civil e
militar, da Presidência da República;
3 – o Chefe do órgão de assessoramento de informações da
Presidência da República;

46
Carlos Sérgio de Carvalho Barros advogados associados

4 – o Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas;


5 – o Advogado-Geral da União e o Consultor-Geral da Re-
pública;
6 – os Chefes do Estado-Maior da Marinha, do Exército e
da Aeronáutica;
7 – os Comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica;
8 – os Magistrados;
9 – os Presidentes, Diretores e Superintendentes de au-
tarquias, empresas públicas, sociedades de economia
mista, e fundações públicas e as mantidas pelo Poder
Público;
10 – os Governadores de Estado, do Distrito Federal e de
Territórios;
11 – os Interventores Federais;
12 – os Secretários de Estado;
13 – os Prefeitos Municipais;
14 – os membros do Tribunal de Contas da União, dos Es-
tados e do Distrito Federal;
15 – o Diretor-Geral do Departamento de Polícia Federal;
16 – os Secretários-Gerais, os Secretários Executivos, os Se-
cretários Nacionais, os Secretários Federais dos Minis-
térios e as pessoas que ocupem cargos equivalentes;

b) os que tenham exercido, nos 06 (seis) meses anterio-


res à eleição, nos Estados, no Distrito Federal, Terri-
tórios e em qualquer dos Poderes da União, cargo ou
função, de nomeação pelo Presidente da República,
sujeito à aprovação prévia do Senado Federal;

d) os que, até 06 (seis) meses antes da eleição tiverem


competência ou interesse, direta, indireta ou even-
tual, no lançamento, arrecadação ou fiscalização de

47
guia prático do candidato Eleições 2020

impostos, taxas e contribuições de caráter obrigató-


rio, inclusive parafiscais, ou para aplicar multas rela-
cionadas com essas atividades;

e) os que, até 06 (seis) meses antes da eleição tenham


exercido cargo ou função de direção, administração
ou representação nas empresas de que tratam os arts.
3º e 5º da Lei nº 4.137, de 10 de setembro de 1962,
quando, pelo âmbito e natureza de suas atividades,
possam tais empresas influir na economia nacional;

A lei citada foi revogada pelo artigo 92 da Lei nº


8.884/1994, que foi revogado pelo artigo 127 da Lei nº
12.529/2011.

f) os que, detendo o controle de empresas ou grupo de


empresas que atuem no Brasil, nas condições mo-
nopolísticas previstas no artigo 5º, parágrafo único,
da citada lei na alínea anterior, não apresentarem à
Justiça Eleitoral, até 06 (seis) meses antes do pleito,
a prova de que fizeram cessar o abuso apurado, do
poder econômico, ou de que transferiram, por força
regular, o controle das referidas empresas ou grupo
de empresas;

g) os que tenham, dentro dos 04 (quatro) meses ante-


riores ao pleito, ocupado cargo ou função de direção,
administração ou representação em entidades repre-
sentativas de classe, mantidas, total ou parcialmente,
por contribuições impostas pelo poder público ou
com recursos arrecadados e repassados pela Previ-
dência Social;

48
Carlos Sérgio de Carvalho Barros advogados associados

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) enquadra-se


no rol das entidades representativas de classe a que se refere
esta alínea (TSE, Cta nº 11187, de 20.5.2014).

h) os que, até 06 (seis) meses depois de afastados das


funções, tenham exercido cargo de Presidente, Dire-
tor ou Superintendente de sociedades com objetivos
exclusivos de operações financeiras e façam publica-
mente apelo à poupança e ao crédito, inclusive atra-
vés de cooperativas e da empresa ou estabelecimen-
tos que gozem, sob qualquer forma, de vantagens
asseguradas pelo Poder Público, salvo se decorrentes
de contratos que obedeçam a cláusulas uniformes;

i) os que, dentro de 06 (seis) meses anteriores ao plei-


to, hajam exercido cargo ou função de direção, ad-
ministração ou representação em pessoa jurídica ou
em empresa que mantenha contrato de execução de
obras, de prestação de serviços ou de fornecimento
de bens com órgão do Poder Público ou sob seu con-
trole, salvo no caso de contrato que obedeça a cláu-
sulas uniformes;

j) os que, membros do Ministério Público, não se te-


nham afastado das suas funções até 06 (seis) meses
anteriores ao pleito;

l) os que, servidores públicos, estatutários ou não, dos


órgãos ou entidades da administração direta ou indi-
reta da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos
Municípios e dos Territórios, inclusive das fundações
mantidas pelo Poder Público, não se afastarem até

49
guia prático do candidato Eleições 2020

3 (três) meses antes do pleito, garantido o direito à


percepção dos seus vencimentos integrais;

II) para Governador e Vice-Governador de Es-


tado e do Distrito Federal (inciso III):

a) os inelegíveis para os cargos de Presidente e Vice-


-Presidente da República especificados na alínea a
do inciso II deste artigo e, no tocante às demais alíne-
as, quando se tratar de repartição pública, associação
ou empresas que operem no território do Estado ou
do Distrito Federal, observados os mesmos prazos;

b) até 06 (seis) meses depois de afastados definitiva-


mente de seus cargos ou funções:

1 – os Chefes dos Gabinetes Civil e Militar do Governador


do Estado ou do Distrito Federal;
2 – os Comandantes do Distrito Naval, Região Militar e
Zona Aérea;
3 – os Diretores de órgãos estaduais ou sociedades de assis-
tência aos Municípios;
4 – os Secretários da administração municipal ou membros
de órgãos congêneres;

III) para Prefeito e Vice-Prefeito (inciso IV):

a) no que lhes for aplicável, por identidade de situações,


os inelegíveis para os cargos de Presidente e Vice-Pre-
sidente da República, Governador e Vice-Governador
de Estado e do Distrito Federal, observado o prazo de
04 (quatro) meses para a desincompatibilização;

50
Carlos Sérgio de Carvalho Barros advogados associados

b) os membros do Ministério Público e Defensoria Pú-


blica em exercício na Comarca, nos 04 (quatro) me-
ses anteriores ao pleito, sem prejuízo dos vencimen-
tos integrais;

c) as autoridades policiais, civis ou militares, com exer-


cício no Município, nos 04 (quatro) meses anteriores
ao pleito;

IV) para o Senado Federal (inciso V):

a) os inelegíveis para os cargos de Presidente e Vice-Pre-


sidente da República especificados na alínea a do in-
ciso II e, no tocante às demais alíneas, quando se tra-
tar de repartição pública, associação ou empresa que
opere no território do Estado, observados os mesmos
prazos;

b) em cada Estado e no Distrito Federal, os inelegíveis


para os cargos de Governador e Vice-Governador,
nas mesmas condições estabelecidas, observados os
mesmos prazos;

V) para a Câmara dos Deputados, Assembleia


Legislativa e Câmara Legislativa (inciso
VI):

O que lhes for aplicável, por identidade de situações,


aos inelegíveis para o Senado Federal, nas mesmas condi-
ções estabelecidas, observados os mesmos prazos;

VI) para a Câmara Municipal (inciso VII):

51
guia prático do candidato Eleições 2020

a) no que lhes for aplicável, por identidade de situações,


os inelegíveis para o Senado Federal e para a Câmara
dos Deputados, observado o prazo de 06 (seis) meses
para a desincompatibilização;

b) em cada Município, os inelegíveis para os cargos de


Prefeito e Vice-Prefeito, observado o prazo de 06
(seis) meses para a desincompatibilização.

INELEGIBILIDADE E
DESINCOMPATIBILIZAÇÃO

A desincompatibilização corresponde ao afastamento


temporário ou definitivo de certos cargos, empregos ou
funções por aqueles que pretendem concorrer a manda-
to eletivo, desvencilhando-se, pois, de situação que lhe
impediria de exercer plenamente os direitos políticos.
A temporária se dá mediante a licença especial reque-
rida por servidor público. A definitiva, por sua vez, ocor-
re por renúncia (mandato eletivo), pedido de exoneração
ou aposentadoria.
Na falta de desincompatibilização o candidato será
considerado inelegível e, por conseguinte, o registro po-
derá ser impugnado pelo Ministério Público, por coliga-
ção, por partido político ou por candidato.
Não é necessária a desincompatibilização quando o
exercício do cargo ou função pública ocorrer em circuns-
crição diversa daquela onde ocorre a disputa.
De acordo com cada hipótese, devem ser observados
prazos específicos para desincompatibilização. Como
já frisado, mesmo com a mudança na data do primeiro
turno das eleições para 15/11/2020, os prazos que já

52
Carlos Sérgio de Carvalho Barros advogados associados

estavam encerrados quando da promulgação da Emen-


da Constitucional nº 107/2020 (02/07/2020) — como
é o caso dos prazos de desincompatibilização de 6 e
4 meses — não foram reabertos, sendo considerados
com base na data anterior das eleições (04/10/2020).
Assim, para as eleições municipais de 2020, cuja reali-
zação ocorrerá em 15 de novembro, devem ser observa-
dos os prazos abaixo:

DATA MÁXIMA
PRAZO DE AFASTAMENTO
PARA AFASTAMENTO
03 meses 14/08/2020
04 meses 03/06/2020
06 meses 03/04/2020

Vale pontuar que o TSE encampa orientação, se-


gundo a qual, para o deferimento do registro de can-
didatura, não basta a desincompatibilização de direito,
sendo necessário o afastamento de fato (Precedente:
AgR-REspe nº 82074, Rel. Min. Henrique Neves, DJe
de 2.5.2013).
Eis alguns casos específicos e mais relevantes acerca
da temática:

I) Ocupantes de cargos nomeados pelo Pre-


sidente da República sujeitos à aprovação
prévia do Senado

Os ocupantes de cargos nomeados pelo Presidente da


República sujeitos à aprovação prévia do Senado devem
se desincompatibilizar 06 (seis) meses antes das eleições
para candidatarem-se ao cargo de vereador e 04 (quatro)

53
guia prático do candidato Eleições 2020

meses antes das eleições, caso o cargo almejado seja o de


prefeito e vice-prefeito. O afastamento, nesses casos, é
definitivo.

II) Ocupantes de cargos com competência fiscal

Os fiscais tributários, tais como os que exercem car-


gos ou funções de fiscalização, arrecadação ou lança-
mento de tributos, devem se desincompatibilizar 06
(seis) meses antes das eleições para candidatarem-se,
independentemente do cargo almejado. O afastamento
é temporário.

III) Representante de pessoa contratada pelo


Poder Público

Aqueles que exercem “cargo ou função de direção, ad-


ministração ou representação em pessoa jurídica ou em
empresa que mantenha contrato de execução de obras, de
prestação de serviços ou de fornecimento de bens com ór-
gão do Poder Público ou sob seu controle, salvo no caso
de contrato que obedeça a cláusulas uniformes” devem se
afastar definitivamente em até 06 (seis) meses antes das
eleições, caso candidatos a vereador, ou em até 04 (qua-
tro) meses antes das eleições, se candidatos a prefeito
ou vice-prefeito.
A jurisprudência do TSE tem flexibilizado a neces-
sidade de desincompatibilização do administrador/
representante da empresa quando a contratação com
o Poder Público seja precedida de licitação, por consi-
derar que nesses casos o contrato obedece a cláusulas
uniformes.

54
Carlos Sérgio de Carvalho Barros advogados associados

IV) Presidente, diretor ou superintendente de


sociedade financeira ou empresa que goze
de vantagem assegurada pelo Poder Público

Devem se desincompatibilizar os ocupantes de cargo


de presidente, diretor ou superintendente de sociedades
que tenham por finalidade operações financeiras ou de
empresa ou estabelecimentos que gozem, sob qualquer
forma, de vantagens asseguradas pelo Poder Público,
ressalvados se decorrentes de contratos que obedeçam a
cláusulas uniformes.
Os dirigentes dos referidos estabelecimentos deverão
se afastar definitivamente do cargo em até 06 (seis) meses
antes das eleições, se candidatos à vereança, e em até 04
(quatro) meses, se candidatos a prefeito ou vice-prefeito.

V) Diretores, administradores ou representan-


tes de classe

Caso a entidade representativa de classe seja mantida


total ou parcialmente pelo Poder Público ou perceba con-
tribuição parafiscal, os ocupantes de cargos ou funções
administradoras, representativas ou diretoras deverão se
desincompatibilizar no prazo de 04 (quatro) meses.
São exemplos de entidades de classe que se amoldam a
esse dispositivo, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

VI) Servidores públicos

Os servidores públicos titulares de cargos, empregos e


funções públicas, seja de natureza efetiva ou em comis-
são que não se enquadrem nas hipóteses acima, também

55
guia prático do candidato Eleições 2020

devem se afastar para concorrer aos cargos de prefeito,


vice-prefeito e vereador, caso exerçam suas funções no
território do município no qual pretendam disputar o
mandato eletivo. O prazo para afastamento, nesse caso,
é de 03 (três) meses antes das eleições.
No caso de servidores públicos efetivos, estatutários
ou não, o afastamento é temporário; enquanto para os
servidores comissionados, assim como os contratados
temporariamente), impõe-se que o afastamento seja de-
finitivo.

— Servidor efetivo que, apesar de afastado, continua


exercendo as funções, atende a exigência de desincompa-
tibilização?
— Não, pois o afastamento tem que ser concreto e no pra-
zo legal. Não basta o afastamento apenas no plano jurídico.

No que se refere ao servidor público que deseja se


candidatar à vereança, o TSE consolidou o entendi-
mento de que o prazo para desincompatibilização é de
03 (três) meses.

VII) Prefeito e vice-prefeito

O chefe do Poder Executivo que se candidata à ree-


leição não é obrigado a afastar-se do cargo. No entanto,
se for o caso de candidatura para cargo diverso, o prefei-
to deve renunciar em até 06 (seis) meses antes do pleito
(arts. 14, § 6º, da Constituição; 1º, § 1º, da Lei Comple-
mentar nº 64/90).
Ressalta-se que, se o prefeito ocupa o mandato pela
segunda vez consecutiva, não poderá se candidatar para

56
Carlos Sérgio de Carvalho Barros advogados associados

o cargo de vice-prefeito, não obstante tenha renunciado


no prazo de 06 (seis) meses antes das eleições.
Igualmente, se o cargo era de vice-prefeito, não há ne-
cessidade de desincompatibilização para o mesmo cargo,
desde que para um único período subsequente.
Oportuno observar, por fim, que é impossível a reelei-
ção de prefeito para um terceiro mandato, ainda que em
município diferente daquele que exerceu os dois man-
datos anteriores. Essa é a afamada figura do “prefeito
itinerante”, que, contudo, não atinge os familiares, por
inexistir inelegibilidade reflexa (RAMAYANA, 2015, pp.
370-371). Ou seja, o familiar de prefeito reeleito pode se
candidatar a cargo em município diverso.

VIII) Conselhos e Comitês

Em geral, a desincompatibilização de participantes de


Conselhos ou Comitês se faz necessária somente quando
a entidade é dotada de algum tipo de poder político-esta-
tal ou gerencia recursos públicos.
Nesse contexto, a desincompatibilização de membros
do Conselho Municipal de Saúde e do Conselho Tutelar
é aconselhável, com fundamento no artigo 1º, inciso II,
alínea “l”, da LC nº 64/90.

IX) Entidades privadas de assistência social ou


de defesa de interesse público ou coletivo

Se mantidas total ou parcialmente pelo Poder Público


(ONG’s, OCIP’s, etc), os dirigentes deverão se desincom-
patibilizar no prazo de 06 (seis) meses (art. 1º, II, alínea
“a”, item 9, LC nº 64/90 e Res.-TSE nº 22.191/06).

57
guia prático do candidato Eleições 2020

O TSE já entendeu, a propósito, que para a desincom-


patibilização ser exigida é necessário que mais da metade
das receitas da entidade seja oriunda de recursos advin-
dos do Poder Público (TSE – Respe nº 30.539/SC).

X) Entidades privadas de assistência social ou


de defesa de interesse público ou coletivo

Os dirigentes de instituições religiosas não são obriga-


dos a se desincompatibilizar, mesmo que tenham recebi-
do benesses do Poder Público (TSE – Respe nº 385-75/
MS-PSS).

XI) Entidade que mantém contrato com o Po-


der Público

Devem se desincompatibilizar os dirigentes de pessoa


jurídica que mantenha contrato com o Poder Público,
salvo no caso de contrato que obedeça a cláusulas uni-
formes.

XII) Médico

No caso de médico de entidade privada conveniada ao


SUS (Sistema Único de Saúde) entende-se que não lhe
poderá ser exigida desincompatibilização, pois o médico
nesse cenário não se equipara a servidor público.
No mesmo sentido, médico credenciado pelo SUS e
que faz atendimentos eventuais, de acordo com o TSE,
não se encontra em situação que o obriga a afastar-se do
trabalho para disputar mandato eletivo (TSE – AREspe
nº 23.670/MG – PSS 19-10-2004).

58
Carlos Sérgio de Carvalho Barros advogados associados

XIII) Radialista, apresentador, comunicador, co-


mentador, locutor, repórter

Não há previsão legal para que esses profissionais se


desincompatibilizem para concorrer à disputa eleitoral.

Todavia, é importante lembrar que a partir de 11 de


agosto de 2020 (data específica para esse ano em virtude
dos efeitos da pandemia), é vedado à emissoras de rádio
e televisão transmitir programa apresentado ou comen-
tado por pré-candidato (art. 45, §1º, da Lei nº 9.504/97).

XIV) Secretário Municipal

Em sendo Secretário Municipal, o pretenso candidato


a vereador deverá observar o prazo de desincompatibiliza-
ção de 06 (seis) meses antes do pleito (TSE – EREspe nº
24.071/PA). E no caso de candidatura ao cargo de prefei-
to, o prazo muda para 04 (quatro) meses, sendo que tais
prazos se encerraram, respectivamente, em 03/04/2020
e 03/06/2020.

XV) Serventias extrajudiciais (registradores, no-


tários ou tabeliães)

O titular de serventia, notários e registradores terão


que se desincompatibilizar para tornarem-se aptos à dis-
puta eleitoral, com antecedência de 03 (três) meses da
data do pleito (TSE – AREspe nº 23.696/MG).
Por sua vez, os funcionários de cartório contratados
sob o regime da CLT não possuem essa obrigação (Sú-
mula nº 05 do TSE).

59
Carlos Sérgio de Carvalho Barros advogados associados

CONVENÇÕES PARTIDÁRIAS

No sistema político brasileiro, as candidaturas a cargos


eletivos são pleiteadas por meio de partidos políticos.
Nesse cenário, as convenções partidárias funcionam
como espécie de assembleia do partido destinada à deli-
beração sobre alianças, coligações e escolha dos candida-
tos que disputarão as eleições, participando ativamente
das decisões aqueles a quem os estatutos partidários con-
ferem direito a voto.
Somente os partidos com situação jurídica regular na
circunscrição da eleição poderão participar do pleito, isso
significa: a) estar constituído e com o seu estatuto regis-
trado no TSE até 06 (seis) meses antes das eleições; b) até
a data da convenção ter órgão partidário – permanente
ou provisório – devidamente constituído e registrado pe-
rante o Tribunal Regional Eleitoral competente.
A convenção nacional tem primazia em relação às
convenções estaduais e municipais, de forma que es-
tas devem respeitar as diretrizes fixadas naquela. Caso
contrário, o órgão de direção nacional do partido poderá
intervir nos demais, invalidando eventuais deliberações.
Sobre o tema, expõe José Jairo Gomes:

Em síntese, tem-se que, com o objetivo de assegurar o


caráter e a eficácia nacional de suas deliberações, ao dire-
tório nacional é dado dissolver o regional. Este a seu tur-

61
guia prático do candidato Eleições 2020

no, poderá intervir no municipal, desde que o faça para


assegurar o cumprimento das diretrizes nacionalmente
traçadas (GOMES, 2011, p. 227, grifos não originais).

As anulações de deliberações dos atos decorrentes de


convenção, na condição acima citada, deverão ser co-
municadas à Justiça Eleitoral no prazo de 30 (trinta) dias
após o prazo final para o registro de candidatos. E, na hi-
pótese da intervenção originar a necessidade de escolha
de novos candidatos, o pedido deverá ser apresentado à
Justiça Eleitoral nos 10 (dez) dias seguintes à deliberação.

PRAZOS, DOCUMENTOS
E IRREGULARIDADES

As convenções no interesse do processo eleitoral pos-


suem data determinada para acontecer, qual seja, de 20
de julho a 5 de agosto do ano em que se realizarem as
eleições, e, no caso específico das eleições de 2020, em
função da pandemia da COVID-19, de 31 de agosto a
16 de setembro.
Normalmente, a convocação se dá mediante edital pu-
blicado na imprensa local ou afixação no cartório eleitoral,
devendo conter o endereço, o dia, o horário e a matéria ob-
jeto da deliberação, em conformidade com o prazo estipu-
lado no estatuto do partido. E não há obrigatoriedade para
que a convenção se dê em único dia, podendo se desdobrar
em mais de uma etapa (BRAGA; FRAZÃO, 2016, p. 52).
Entre a data da convocação dos filiados e o dia da con-
venção deve-se observar intervalo de tempo razoável, sob
pena de impedir ou dificultar a participação dos interes-
sados e, por consequência, acarretar a nulidade dos atos
praticados.

62
Carlos Sérgio de Carvalho Barros advogados associados

Instalada a convenção, o quórum de deliberação fica


a cargo de cada estatuto, sendo, geralmente, a maioria
absoluta dos convencionais, ou seja, número imediata-
mente superior à metade.
Em convenção, a presença física do candidato esco-
lhido não é obrigatória, bastando que concorde com a in-
dicação de maneira expressa e por meio válido, tal como
por procurador constituído.
Com o intuito de conferir maior credibilidade e se-
gurança às deliberações e discussões ocorridas nas con-
venções, a Lei nº 9.504/97 determina que os atos serão
lavrados em ata, com livro aberto e rubricado pela Justiça
Eleitoral (art. 8º, caput, LE), devendo a referida ata ser
publicada em 24h (vinte e quatro horas) por qualquer
meio de comunicação, tais como rádio, jornal, internet,
entre outros à disposição das agremiações.
Nas eleições de 2020, em virtude do cenário pandê-
mico provocado pela COVID-19, o Tribunal Superior
Eleitoral editou resolução dispondo sobre regras excep-
cionais a respeito do controle de autenticidade das atas
das convenções virtuais, novidade este ano.
Uma das regras prevê a desnecessidade do uso do li-
vro rubricado pela Justiça Eleitoral, na medida em que
Módulo Externo do Sistema de Candidaturas (CANDex)
funcionará como livro-ata da convenção virtual, regis-
trando-se diretamente no sistema as informações relati-
vas à ata e à lista dos presentes.
Assim, a funcionalidade do Sistema CANDex suprirá
a rubrica do livro-ata pela Justiça Eleitoral, mas se o parti-
do político já dispuser de livro aberto e rubricado poderá
registrar a ata da convenção virtual e a lista de presença
também da forma tradicional.

63
guia prático do candidato Eleições 2020

A ata deverá espelhar a verdade das escolhas feitas


pela assembleia, caso contrário poderá ser anulada.
Porém, sendo os vícios meramente formais, a ata não
será invalidada, principalmente se possível sanar ou su-
prir a irregularidade. Nesse sentido, “o Tribunal Superior
Eleitoral já entendeu como irregularidade sanável: (a) a au-
sência de rubrica (Ac. nº 15.441, de 4-9-1998); (b) o manifes-
to equívoco de lavratura, de plano evidenciado, por omissão
de determinado nome (Ac. nº 13.282, de 19-9-1996)” (GO-
MES, 2011, p. 228).
A arguição de irregularidade ocorrida na convenção
perante a Justiça Eleitoral deve ser realizada somente por
integrantes do partido ou da coligação que a promoveu,
pois terceiros alheios ao partido não possuem legitimida-
de para fazê-lo, salvo se a matéria ultrapassar as questões
internas do partido ou da coligação.
Em caso de renúncia, falecimento, indeferimento de
registro, declaração de inelegibilidade ou outro impedi-
mento legal, será possível a substituição do candidato
escolhido em convenção, dispensando-se a realização de
nova assembleia para tal finalidade.
A propósito, durante a convenção é possível que os
presentes decidam delegar poderes para a comissão exe-
cutiva promover, se necessário, o preenchimento de va-
gas remanescentes e substituição de candidatos.

LOCAIS DAS CONVENÇÕES

Os partidos políticos poderão utilizar gratuitamente


prédios públicos para a realização das convenções, res-
ponsabilizando-se por danos causados com a realização
do evento (LE, art. 8º, § 2º). Entretanto, deve ser respeita-

64
Carlos Sérgio de Carvalho Barros advogados associados

do o curso das atividades próprias da repartição pública,


que não pode ficar comprometido em decorrência do ato
político-partidário.
A agremiação interessada em fazer uso de prédio públi-
co deverá comunicar o agente responsável pelo órgão, ten-
do em vista que, no caso de duplicidade de requerimentos
por mais de um partido, se utilizará a precedência tempo-
ral como critério para deferir o pedido, ou seja, dar-se-á
preferência ao partido que primeiro realizou a solicitação.
Os partidos políticos deverão comunicar por escrito
ao responsável pelo local com antecedência mínima de
uma semana (art. 6º, §2º, I, Resolução-TSE nº 23.609/19).

CONVENÇÕES VIRTUAIS

Nas eleições de 2020, devido às restrições de convi-


vência social por razões sanitárias decorrentes da pande-
mia do novo coronavírus, o TSE dispôs regras para a au-
tenticidade das atas das convenções partidárias, que po-
derão ser realizadas de forma convencional, isto é, com a
presença dos convencionais no mesmo ambiente, ou em
formato virtual, independente de previsão estatutária ou
de diretrizes do Diretório Nacional.
Nesse cenário, as convenções partidárias poderão ser
virtuais, presenciais ou mistas.
A convenção mista é aquela realizada de forma pre-
sencial, mas que um ou mais convencionais, por questão
de segurança, participa à distância.
Em qualquer dos casos, o registro da ata e a respectiva
lista de presença, mesmo que lavradas em livro próprio,
será registrada através do Modulo Externo do Sistema
CANDex.

65
guia prático do candidato Eleições 2020

Aos partidos é assegurada autonomia para a escolha e


utilização das ferramentas tecnológicas que entenderem
mais adequadas para o registro das convenções, contanto
que permita a efetiva identificação dos convencionais e
sua concordância com o conteúdo da ata.
Nesse contexto, será possível realizar a convenção por
qualquer ferramenta adequada de registro da participa-
ção dos convencionais, inclusive em formato de live, sen-
do recomendado arquivar o inteiro teor do ato, da aber-
tura até o encerramento.
No mais, a lista de presença poderá ser registrada por
assinatura eletrônica, nas modalidades simples, avançada
ou qualificada (art. 2º da Medida Provisória 983/16.06.20);
por registro de áudio e vídeo, em ferramenta de livre es-
colha do partido; ou por outro mecanismo que possa
identificar os presentes e registrar sua anuência com o
conteúdo da ata.
Vale lembrar que as regras e procedimentos previstos
nos estatutos dos partidos para as convenções presen-
ciais, sempre que possível, também deverão ser cumpri-
das no campo virtual.

66
Carlos Sérgio de Carvalho Barros advogados associados

REGISTRO DE CANDIDATURA

Para ser votado, o cidadão, como visto, deverá satisfa-


zer todas as condições de elegibilidade previstas em lei,
não incidir em qualquer causa de inelegibilidade, bem
como cumprir determinadas formalidades, ocasião em
que o partido ou coligação registrará sua candidatura
junto ao órgão eleitoral competente.
O momento no qual a Justiça Eleitoral verificará o
atendimento às condições de elegibilidade e eventuais
causas de inelegibilidade será por ocasião do pedido de re-
gistro, mas alterações supervenientes poderão ser levadas
em consideração para afastar eventual inelegibilidade ou
ausência de condição de elegibilidade (Súmula º 43 TSE).
De acordo com o TSE, também é possível reconhecer
inelegibilidade superveniente, ou seja, que não existia no
momento do pedido de registro, se o processo ainda es-
tiver tramitando junto às instâncias ordinárias da Justiça
Eleitoral (em regra, os TRE’s).
Vale mencionar que, nesses processos, o juiz eleitoral
poderá, de ofício, reconhecer eventual carência de elegi-
bilidade ou incidência de causa de inelegibilidade, desde
que resguarde ao pretenso candidato o contraditório e a
ampla defesa, devendo comunicá-lo (assim como ao par-
tido ou coligação responsável pelo registro) para se ma-
nifestar previamente (art. 11, LE e Súmula nº 45 TSE).

67
guia prático do candidato Eleições 2020

Os processos de registro de candidatura, atualmen-


te, tramitam no Sistema Processo Judicial Eletrônio
(PJe), com acesso pela internet, podendo ser consulta-
do por qualquer interessado através do link: https://
pje.tre-ma.jus.br:8443/pje-web/ConsultaPublica/list-
View.seam.
A Justiça Eleitoral prevê o dia 26 de setembro de 2020,
até às 19h, como prazo final para o encaminhamento do
pedido de registro de candidatura dos aspirantes a con-
correr ao pleito deste ano.
Nas eleições municipais, para disputa dos cargos de
prefeito, vice-prefeito e vereador, o requerimento de re-
gistro será dirigido ao juízo da zona eleitoral correspon-
dente ao município na qual se situa.
Ao concorrente com registro de candidatura protoco-
lado serão garantidos de antemão vários direitos, dentre
os quais: participar da campanha, arrecadar recursos, re-
alizar propaganda e utilizar o horário eleitoral gratuito.
Na chapa composta pelos candidatos a prefeito e vice,
se o pedido de registro de um dos integrantes for indefe-
rido antes do pleito, o candidato impedido de concorrer
poderá ser substituído em até 20 (vinte) dias antes da vo-
tação (salvo se o motivo for falecimento, que permite a
substituição após esse prazo).
Não havendo substituição e mantendo-se o indeferi-
mento, por ser indivisível, a chapa de prefeito e vice será
integralmente indeferida.

QUANTIDADE E VAGAS REMANESCENTES

Nas eleições majoritárias, cada partido ou coligação


poderá requerer o registro de apenas um candidato a pre-

68
Carlos Sérgio de Carvalho Barros advogados associados

feito e vice em cada município, conforme determina o


artigo 88 do Código Eleitoral.
Quando se trata de eleições proporcionais, a regra
muda. De acordo com o artigo 10, caput, da Lei das Elei-
ções, cada partido poderá registrar até 150% (cento e
cinquenta por cento) do número de vagas a serem pre-
enchidas para a Casa Legislativa. A previsão legal sobre
o percentual de 200% para coligações perdeu vigência
com o fim das coligações em eleições proporcionais.
No referido cálculo as frações serão desprezadas se in-
feriores a meio; se superiores, serão igualadas a um (art.
10, § 4º, LE). Todavia, no cálculo para a definição de can-
didaturas mínimas por gênero (30%), qualquer percentu-
al deve ser igualado a um.
Os partidos também podem escolher um número me-
nor de candidatos, sendo denominada de vaga remanes-
cente a diferença numérica entre a quantidade de can-
didatos escolhidos e a quantidade de candidatos que a
agremiação poderia registrar.
O preenchimento das vagas remanescentes e as subs-
tituições poderão ocorrer posteriormente, inclusive con-
templando aqueles que, escolhidos em convenção, não
tiveram seus registros protocolados oportunamente, sem
a necessidade de nova convenção e desde que solicitado
até 30 (trinta) dias antes do pleito.

RESERVA DE QUOTA PARA CADA GÊNERO

Do número de vagas a que possui direito o partido,


deverão ser preenchidos o mínimo de 30% (trinta por
cento) e o máximo de 70% (setenta por cento) para
candidaturas de cada gênero.

69
guia prático do candidato Eleições 2020

Nesse caso, as vagas devem ser efetivamente preen-


chidas (não bastando mais a simples reserva de vagas), e
qualquer fração resultante será igualada a um no cálculo
do percentual mínimo estabelecido para um dos gêneros
e desprezada no cálculo das vagas restantes para o outro
gênero.
Caso o partido não alcance o percentual mínimo de
30% para candidaturas de cada gênero serão indeferi-
dos todos os registros de candidatura por ele apresen-
tados, com o indeferimento do Demonstrativo de Re-
gularidade de Atos Partidários - DRAP. Ou seja, “caem”
todos os candidatos do partido, por isso o tema exige
muita atenção.

O deferimento dos registros de todos os partidos ficará


condicionado à observância dos referidos percentuais.

Em caso de inobservância dessa regra percentual, o


juiz converterá o julgamento em diligência para que o
vício seja sanado no prazo de 03 (três) dias, conforme o
artigo 11, § 3º, da Lei das Eleições.
Os percentuais de gênero previstos no artigo 10, § 3º,
da Lei nº 9.504/97 deverão ser observados tanto no mo-
mento do registro da candidatura, quanto em eventual
preenchimento de vagas remanescentes ou na substitui-
ção de candidatos.
Entretanto, o indeferimento posterior de candidatu-
ras não prejudica a observância do sistema de cotas, pois
o partido não pode ser penalizado (assim como os demais
candidatos) quando não existe possibilidade jurídica de
serem apresentados substitutos, de modo a readequar os
percentuais legais de gênero.

70
Carlos Sérgio de Carvalho Barros advogados associados

Também deve ser observado o percentual mínimo


de 30% (trinta por cento) destinado ao financiamento
e promoção de candidaturas femininas em relação aos
recursos do Fundo Partidário, Fundo Especial de Finan-
ciamento de Campanha (FEFC) e tempo de propaganda
gratuita no rádio e na TV, tanto nas eleições majoritárias,
quanto nas proporcionais.

IMPORTANTE: A Justiça Eleitoral vem combaten-


do sistematicamente fraudes no sistema de contas de gê-
nero feminino. Os indícios do ilícito ficam mais tangíveis
após o pleito, quando se observa, por exemplo, ausência
de votos às supostas candidatas, inexistência de gastos
eleitorais, não realização de qualquer ato de campanha,
carência na arrecadação de recursos, prestação de contas
zerada ou balancetes contábeis com inúmeras semelhan-
ças, etc. O reconhecimento da fraude acarreta o indeferi-
mento de todos os candidatos vinculados ao partido res-
ponsável, inclusive com a anulação do diploma daqueles
eventualmente eleitos.

PROCEDIMENTO DE
REGISTRO DE CANDIDATURA

O pedido de registro de candidatura deve ser apre-


sentado obrigatoriamente em meio gerado pelo Sistema
de Candidaturas – Módulo Externo (CANDex), acom-
panhado das vias impressas dos formulários DRAP (De-
monstrativo de Regularidade dos Atos Partidários) e RRC
ou RRCI (Requerimento de Registro de Candidatura).
Ou seja, o procedimento se desdobra em dois requeri-
mentos distintos: o pedido do partido ou coligação (atra-

71
guia prático do candidato Eleições 2020

vés do DRAP) e o pedido de cada candidato (individual,


por meio do RRC).
O partido ou coligação pede o registro através do
DRAP, que deve conter os seguintes dados:

• nome e sigla do partido político;


• na hipótese de coligação, o nome desta e as siglas
dos partidos políticos que a compõem;
• data da(s) convenção(ões);
• no caso de coligação, nome de seu representante e
de seus delegados (Lei nº 9.504/1997, art. 6º, § 3º,
inciso IV, alínea a);
• endereço completo, endereço eletrônico, tele-
fones e telefone de fac-símile (art. 96-A, Lei nº
9.504/1997);
• lista dos nomes, números e cargos pleiteados pelos
candidatos.

A via impressa do formulário DRAP deve ser assinada


e entregue à Justiça Eleitoral com a cópia da ata da con-
venção, digitada, assinada e acompanhada da lista de pre-
sença dos convencionais com as respectivas assinaturas
(art. 8º, caput, e art. 11, § 1°, inciso I, Lei nº 9.504/1997).
É no DRAP, conhecido como processo “raiz”, que será
propiciada a análise de dados da sigla, a validade de seus
atos na convenção e sua regularidade jurídica na circuns-
crição do pleito.
Indeferido o DRAP, todos os processos de registro
(RRC) a ele vinculados terão o mesmo destino. O contrá-
rio, porém, não ocorre, já que cada RRC se desenvolve
autonomamente, após o deferimento do processo prin-
cipal (DRAP).

72
Carlos Sérgio de Carvalho Barros advogados associados

Cada pedido de registro de candidatura dos escolhi-


dos em convenção será apresentado mediante o preen-
chimento do RRC, que conterá as seguintes informações
e documentos:

• dados pessoais: inscrição eleitoral, nome completo
ou, se houver, nome social declarado no Cadastro
Eleitoral, data de nascimento, unidade da Fede-
ração e município de nascimento, nacionalidade,
gênero, cor ou raça, se pessoa com deficiência e
qual o tipo, estado civil, ocupação, grau de instru-
ção, indicação de ocupação de cargo em comissão
ou função comissionada na Administração Públi-
ca, número da carteira de identidade com o órgão
expedidor e a unidade da Federação, número de
registro no Cadastro de Pessoa Física (CPF);
• dados para contato: telefone móvel que disponha
de aplicativo de mensagens instantâneas, endereço
eletrônico e endereço completo para recebimento
de citações, intimações, notificações e comunica-
ções da Justiça Eleitoral, telefone fixo, endereço do
comitê central de campanha e endereço fiscal para
atribuição de CNPJ;
• dados do candidato: partido político, cargo pleite-
ado, número do candidato, nome para constar da
urna eletrônica, informação se é candidato à reelei-
ção, qual cargo eletivo que ocupa e a quais eleições
já concorreu;
• declaração de ciência do candidato de que deverá
prestar contas à Justiça Eleitoral, ainda que haja
renúncia, desistência, substituição, indeferimento,
cassação ou cancelamento do registro;

73
guia prático do candidato Eleições 2020

• declaração de ciência de que os dados e documen-


tos relativos a seu registro serão divulgados no sítio
do Tribunal Superior Eleitoral e tribunais regionais
eleitorais;
• autorização do candidato ao partido ou coligação
para concorrer;
• declaração de ciência do candidato de que lhe in-
cumbe acessar o mural eletrônico e os meios infor-
mados no inciso II para verificar o recebimento de
citações, intimações, notificações e comunicações
da Justiça Eleitoral, responsabilizando-se, ainda,
por manter atualizadas as informações relativas
àqueles meios;
• endereço eletrônico do sítio do candidato, ou de
blogs, redes sociais, sítios de mensagens instantâ-
neas e aplicações de internet assemelhadas, caso
já existentes.
• relação atual de bens, preenchida no Sistema
CANDex;
• fotografia recente do candidato, inclusive dos can-
didatos a vice e suplentes, observado o seguinte: a)
dimensões: 161 x 225 pixels (L x A), sem moldura;
b) profundidade de cor: 24bpp; c) preferencialmen-
te colorida, com cor de fundo uniforme; d) caracte-
rísticas: frontal (busto), com trajes adequados para
fotografia oficial, assegurada a utilização de indu-
mentária e pintura corporal étnicas ou religiosas,
bem como de acessórios necessários à pessoa com
deficiência; vedada a utilização de elementos cê-
nicos e de outros adornos, especialmente os que
tenham conotação de propaganda eleitoral ou que

74
Carlos Sérgio de Carvalho Barros advogados associados

induzam ou dificultem o reconhecimento do can-


didato pelo eleitor;
• certidões criminais para fins eleitorais fornecidas:
a) pela Justiça Federal de 1º e 2º graus da circuns-
crição na qual o candidato tenha o seu domicílio
eleitoral; b) pela Justiça Estadual de 1º e 2º graus
da circunscrição na qual o candidato tenha o seu
domicílio eleitoral; c) pelos tribunais competentes,
quando os candidatos gozarem de foro por prerro-
gativa de função;
• prova de alfabetização;
• prova de desincompatibilização, quando for o caso;
• cópia de documento oficial de identificação;
• propostas defendidas por candidato a presidente, a
governador e a prefeito.

As certidões de antecedentes criminais poderão ser ob-


tidas através dos respectivos sítios eletrônicos em alguns
Tribunais. Todavia, em algumas situações – como, por
exemplo, quando há apontamento de processos existentes
– a certidão deve ser obtida diretamente no setor de distri-
buição.

IMPORTANTE: Quando as certidões criminais fo-


rem positivas, o RRC também deverá ser instruído com
as respectivas certidões “de objeto e pé” atualizadas de
cada um dos processos indicados. E, no caso de serem
positivas em decorrência de homonímia, o postulante
poderá apresentar declaração a fim de afastar as ocorrên-
cias verificadas.

75
guia prático do candidato Eleições 2020

A ausência do comprovante de escolaridade poderá ser


suprida por declaração de próprio punho, podendo a exi-
gência de alfabetização do candidato ser comprovada por
outros meios, reservada e individualmente.

Os requisitos legais referentes à filiação partidária, do-


micílio e quitação eleitoral serão aferidos com base nas
informações constantes dos bancos de dados da Justiça
Eleitoral, sendo dispensada a apresentação de documen-
tos comprobatórios dos mesmos.
O RRC e a declaração de bens, se o candidato não
puder assiná-los, poderão ser subscritos por procurador
constituído mediante instrumento particular com pode-
res específicos para cada ato.
Destaque-se que a quitação eleitoral abrange a pleni-
tude do gozo dos direitos políticos, o regular exercício do
voto, o atendimento a convocações da Justiça Eleitoral
para auxiliar os trabalhos relativos ao pleito, a inexistên-
cia de multas aplicadas em caráter definitivo pela Justiça
Eleitoral e a apresentação de contas de campanha eleito-
ral (art. 11, §7º, Lei nº 9.504/1997).
Quanto aos condenados ao pagamento de multa elei-
toral, serão considerados quites, até a data de formaliza-
ção do seu pedido de registro de candidatura, aqueles
que comprovarem o pagamento ou cumprimento do par-
celamento da dívida.
O cartório eleitoral publicará edital contendo o pedi-
do de registro para ciência dos interessados, preferencial-
mente no Diário da Justiça Eletrônico, ou no Cartório
Eleitoral, oportunidade em que os candidatos escolhidos
em convenção terão 48h (quarenta e oito horas) para re-
quererem individualmente o registro, caso a coligação ou
o partido não o tenham feito.

76
Carlos Sérgio de Carvalho Barros advogados associados

Publicado o edital, também correrá o prazo comum de


05 (cinco) dias para que candidato, partido, coligação ou
o Ministério Público apresentem impugnação. Com ou
sem impugnação, o magistrado poderá abrir o prazo de
72h (setenta e duas horas) para realização das diligências
que julgar necessárias, ocasião em que deverão ser sana-
das falhas, dúvidas ou omissões no pedido de registro.
Lembrando que qualquer cidadão no gozo de seus di-
reitos políticos poderá dar notícia de inelegibilidade ao
juízo eleitoral, no prazo de 05 (cinco) dias contados da
publicação do edital relativo ao pedido de registro, me-
diante petição fundamentada.
Após decidir sobre os pedidos de registro e determinar
o fechamento do sistema de candidaturas, o juízo elei-
toral fará publicar no Diário da Justiça Eletrônico, pre-
ferencialmente, ou no Cartório Eleitoral, a relação dos
nomes dos candidatos e os respectivos números com os
quais concorrerão nas eleições, inclusive daqueles cujos
pedidos indeferidos se encontrarem em grau de recurso.
Tais pedidos, incluindo os impugnados e os respec-
tivos recursos, deverão ter suas decisões publicadas nas
instâncias ordinárias (segundo grau nas eleições munici-
pais) até 20 (vinte) dias antes do pleito.

SUBSTITUIÇÃO E CANCELAMENTO
DO REGISTRO DE CANDIDATO

É facultado ao partido ou à coligação substituir candi-


dato considerado inelegível ou que renunciar ou falecer,
ou aqueles que tiverem o registro indeferido, cassado ou
cancelado. O próprio candidato também poderá reque-
rer o cancelamento do seu registro.

77
guia prático do candidato Eleições 2020

As substituições serão formalizadas conforme previs-


to na convenção, e não pelo próprio candidato, observan-
do sempre a reserva de vagas destinada a cada gênero e as
normas dispostas no estatuto.
Para as eleições de 2020, limitou-se o prazo para subs-
tituição de candidatos até o dia 26 de outubro, exceto
em caso de falecimento, quando a substituição poderá
ser efetivada após essa data, atentando-se também para o
prazo de até 10 (dez) dias contados do fato ou da decisão
judicial que deu origem à substituição.
Se ocorrer substituição após a geração das tabelas
para elaboração da lista de candidatos e preparação das
urnas, o substituto concorrerá com o nome, o número e,
na urna eletrônica, com a fotografia do substituído, com-
putando-se àquele os votos a este atribuídos.
O partido político ou a coligação do substituto deve
dar ampla divulgação à substituição, visando o esclareci-
mento do eleitorado, sem prejuízo da divulgação também
por outros candidatos, partidos políticos ou coligações e,
ainda, pela Justiça Eleitoral.
Até a data da eleição, o partido político poderá reque-
rer o cancelamento do registro do candidato que dele for
expulso, em processo no qual seja assegurada ampla de-
fesa, com observância das normas estatutárias, conforme
disposto no artigo 14 da Lei das Eleições.

NOME DOS CANDIDATOS


E HOMONÍMIA

Cada candidato será identificado pelo nome escolhido


e pelo número indicado no pedido de registro, os quais
serão usados na urna eletrônica.

78
Carlos Sérgio de Carvalho Barros advogados associados

Se o candidato, mesmo depois de intimado, não indi-


car o nome que deverá constar na urna, concorrerá com
seu nome próprio, o qual, no caso de homonímia ou de
excesso de caracteres, será adaptado pelo juízo eleitoral
no julgamento do pedido de registro.
No mais, a Justiça Eleitoral poderá exigir do candidato
prova de que é conhecido por determinado nome por ele
indicado, quando seu uso puder confundir o eleitor.

IDENTIFICAÇÃO NUMÉRICA

Além dos nomes, os candidatos serão identificados


por números. Os candidatos ao cargo de prefeito con-
correrão com o número identificador do partido político
ao qual estiverem filiados. E os candidatos ao cargo de
vereador disputarão com o número da agremiação a qual
estiverem filiados, acrescido de três algarismos à direita.
Na numeração, há critério de preferência, de sorte
que, aos partidos políticos fica assegurado o direito de
manter os números atribuídos à sua legenda na eleição
anterior, e aos candidatos, nessa hipótese, o direito de
manter os números que lhes foram atribuídos na eleição
anterior, para o mesmo cargo.

CANDIDATO COM REGISTRO


“SUB JUDICE”

O artigo 16-A da Lei das Eleições dispõe que os can-


didatos com registro sub judice poderão praticar todos
os atos relativos à campanha eleitoral, inclusive utilizar
o horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão, e ter
seu nome mantido na urna eletrônica enquanto estive-

79
guia prático do candidato Eleições 2020

rem sob essa condição, ficando a validade dos votos a ele


atribuídos condicionada ao deferimento de seu registro
por instância superior.
O cômputo, para o respectivo partido, dos votos atri-
buídos ao candidato a vereador cujo registro esteja sub
judice (indeferido com recurso) no dia da eleição fica con-
dicionado ao provimento do recurso e deferimento do
registro.
Se a situação jurídica do candidato não for revertida
os votos serão anulados, ou seja, não serão contados para
o partido, sendo excluídos do quociente partidário.

80
Carlos Sérgio de Carvalho Barros advogados associados

CONDUTAS VEDADAS AOS


AGENTES PÚBLICOS

CONCEITO E SANÇÕES

Dentre as inúmeras ações que podem caracterizar


abuso de poder político ou de autoridade, algumas delas
foram expressamente elencadas pelo legislador na Lei nº
9.504/97, diante da gravidade e da repercussão no pro-
cesso eleitoral.
Os artigos 73 e seguintes da referida lei tratam espe-
cificamente das denominadas “condutas vedadas” aos
agentes públicos em período eleitoral, cujos compor-
tamentos acarretarão aos responsáveis pagamento de
multa, suspensão imediata dos atos e, em alguns casos,
cassação do registro ou diploma do candidato benefi-
ciado.
Uma vez reconhecida a conduta vedada há presunção
objetiva de desigualdade, ocorrendo a responsabilização
tanto do agente que pratica a ação ilícita, quanto do be-
neficiário.
Apenas excepcionalmente a jurisprudência eleitoral
admite afastar a cassação de registro, diploma ou man-
datos quando comprovada a prática de conduta vedada,
tendo em vista a gravidade do fato e a proporcionalidade
da sanção.

81
guia prático do candidato Eleições 2020

SUJEITO ATIVO DA CONDUTA

Por sujeito ativo entende-se o agente público para o


qual se destinam as normas relativas às condutas vedadas,
isto é, aquele que exerce, ainda que transitoriamente ou
sem remuneração, por eleição, nomeação, designação,
contratação ou qualquer outra forma de investidura ou
vínculo, mandato, cargo, emprego ou função nos órgãos
ou entidades da administração pública direta, indireta ou
fundacional.

CONDUTAS VEDADAS EM ESPÉCIE

a) Cessão ou uso de bem público (art. 73, I, LE)

O artigo 73, inciso I, da Lei das Eleições dispõe que:

Art. 73. São proibidas aos agentes públicos, servidores ou


não, as seguintes condutas tendentes a afetar a igualdade
de oportunidades entre candidatos nos pleitos eleitorais:
I - ceder ou usar, em benefício de candidato, partido po-
lítico ou coligação, bens móveis ou imóveis pertencentes
à administração direta ou indireta da União, dos Estados,
do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios, res-
salvada a realização de convenção partidária;

“A cessão ou o uso de bens públicos moveis ou imóveis


em beneficio de candidato ou partido deve ocorrer de forma
evidente e intencional, sob pena de não incidir o inciso I,
do artigo 73 da Lei”.

Convém ressaltar que essa vedação não se aplica aos


bens de uso comum do povo, que são aqueles que podem

82
Carlos Sérgio de Carvalho Barros advogados associados

ser usados livremente por qualquer pessoa, tais como


rios, mares, praias, espaços aéreos, parques, praças, ruas,
avenidas, aeroportos etc.

— É possível a realização de convenção partidária em


imóvel público, dentro do período vedado?
— O artigo 8º, §2º, da Lei das Eleições e o artigo 51 da
Lei dos Partidos Políticos autorizam a utilização gratuita
de prédios públicos para a realização de reuniões ou conven-
ções, sendo que os partidos são responsáveis por eventuais
danos causados com a realização do evento.

É importante dizer que a vedação legal em comento


não se aplica ao uso de residências oficiais pelos candida-
tos à reeleição aos cargos de prefeito e de vice-prefeito,
com os serviços inerentes à sua utilização normal, para
realização de contatos, encontros e reuniões pertinentes
à própria campanha, desde que não tenham caráter de
ato público (art. 73, § 2º, Lei nº 9.504/1997).

b) Uso de materiais ou serviços pagos pelo Poder Pú-


blico (art. 73, II)

É proibido aos agentes públicos fazerem uso de ma-


teriais ou serviços custeados pelo Poder Público que
excedam as prerrogativas consignadas nos regimentos e
normas dos órgãos que integram (desvio de finalidade).
Logo, existirá infração legal se os materiais e serviços
forem utilizados com propósito eleitoral.

c) Cessão ou uso dos serviços de empregados ou ser-


vidores públicos para comitês (art. 73, III)

83
guia prático do candidato Eleições 2020

É proibido ceder servidor público ou empregado da


Administração Pública, ou usar de seus serviços, para
comitês de campanha eleitoral de candidato, partido ou
coligação, durante o período normal de expediente, o
que poderá levar à cassação do registro ou diploma, salvo
se o servidor ou empregado estiver licenciado ou no gozo
de férias.
Essa cessão não se restringe somente aos servidores
do Poder Executivo, mas também aos servidores do Po-
der Legislativo, Judiciário, efetivos ou comissionados.
O artigo 73, inciso III, da Lei n. 9.504/97 não proíbe o
servidor público de se engajar em campanha eletiva. No
entanto, lhe é defeso atuar em prol de candidatura na
repartição onde exerce suas funções e no seu horário
de trabalho.
Além disso, para que a conduta em comento esteja ca-
racterizada, é imprescindível a existência de provas acer-
ca da responsabilidade do agente público, não se admi-
tindo presumi-la (Ac.-TSE, de 1º.8.2014, na Rp nº 59080).

d) Distribuição gratuita de bens e serviços de caráter


social (art. 73, IV, c/c art. 73 §§ 10, 11)

É vedado, durante todo o ano eleitoral, fazer ou per-


mitir uso promocional em favor de candidato, partido
político ou coligação, de distribuição gratuita de bens
e serviços de natureza social custeados pelo Poder Pú-
blico, o que poderá levar à cassação do registro ou di-
ploma.
Um exemplo de tal ato é o “uso de programa habitacio-
nal do poder público, por agente público, em período eleito-
ral, com distribuição gratuita de lotes com claro intuito de

84
Carlos Sérgio de Carvalho Barros advogados associados

beneficiar candidato que está apoiando” (REsp. n° 25.890,


de 29.06.2006, rel. Min. José Delgado).

O que se proíbe é o desvio de finalidade de programas


governamentais, como bolsa escola, entrega de ambulân-
cias, gabinetes dentários, verba para associações comuni-
tárias, entre outros, fazendo-os com fins promocionais.

“Não se exige que durante o período eleitoral o programa


social antes implantado seja abolido, ou tenha interrompi-
da ou suspensa sua execução. Relevante para a caracteriza-
ção da figura em exame é o desvirtuamento da distribuição,
em si mesma, a sua colocação a serviço de candidatura, en-
fim, o seu uso político-promocional”
(GOMES, 2015, p. 609).

Não se pode deixar de mencionar que o TSE firmou


entendimento de que a mera participação do chefe do
Poder Executivo Municipal em campanha de utilidade
pública, como a de vacinação, não configura conduta
vedada.
Por outro lado, o artigo 73, §10, da LE determina que
em ano eleitoral fica proibida a distribuição gratuita de
bens, valores ou benefícios por parte da Administração
Pública, exceto nos casos de calamidade pública, de esta-
do de emergência ou de programas sociais autorizados em
lei e já em execução orçamentária no exercício anterior.
Mesmo nas exceções relativas à calamidade pública,
estado de emergência ou de programas sociais restará
configurado o ilícito se demonstrado que o agente públi-
co utilizou as ações para fins de promoção pessoal (art.
73, IV, LE).

85
guia prático do candidato Eleições 2020

Considerando a pandemia em curso e as ações ne-


cessárias do Poder Público para minimizar seus efeitos
– sobretudo na esfera municipal –, é importante evitar
eventuais desvios de finalidade e promoção pessoal, por
exemplo, na distribuição de cestas básicas.

e) Nomeação, contratação, admissão ou demissão


sem justa causa de servidor público (art. 73, V)

Na circunscrição do pleito, nos três meses que o an-


tecedem (a partir de 15 de agosto para as eleições de
2020) até a posse dos eleitos, fica proibido nomear,
contratar ou de qualquer forma admitir, demitir sem
justa causa, suprimir ou readaptar vantagens ou por
outros meios dificultar ou impedir o exercício funcio-
nal e, ainda, ex officio, remover, transferir ou exonerar
servidor público.
A vedação em referência tem a finalidade de evitar
manipulações e perseguições aos eleitores, principal-
mente aos contratados e servidores públicos, afastando
assim qualquer tipo de pressão que possa influir na sua
liberdade de voto.

Para a regra acima, existem as seguintes exceções: 

• nomeação ou exoneração de cargos em comissão e


designação ou dispensa de funções de confiança;
• nomeação para cargos do Poder Judiciário, do Mi-
nistério Público, dos Tribunais ou Conselhos de
Contas e dos órgãos da Presidência da República;
• nomeação dos aprovados em concursos públicos
homologados até o dia 15 de agosto de 2020;

86
Carlos Sérgio de Carvalho Barros advogados associados

• nomeação ou contratação necessária à instalação


ou ao funcionamento inadiável de serviços públi-
cos essenciais, com prévia e expressa autorização
do Chefe do Poder Executivo; e,
• transferência ou remoção ex officio de militares,
policiais civis e de agentes penitenciários.

f) Transferências de recursos (Art. 73, VI, alínea “a”)

Nos três meses que antecedem o pleito (a partir de 15


de agosto de 2020) é vedado aos agentes públicos reali-
zar transferências voluntárias de recursos da União aos
Estados e Municípios e dos Estados aos Municípios, sob
pena de nulidade de pleno direito e aplicação das san-
ções eleitorais cabíveis.
A lei busca combater o desvirtuamento das transfe-
rências de verbas públicas, evitando que sejam utilizadas
por grupos políticos como alavancas eleitorais. No entan-
to, a mencionada vedação possui as seguintes ressalvas: a)
recursos destinados a cumprir obrigação formal preexis-
tente para a execução de obra ou serviço já em andamen-
to e com cronograma prefixado; b) recursos destinados a
atender situações de emergência e de calamidade.
Obviamente, a vedação em comento não abrange os
repasses constitucionais regulares, como aqueles relati-
vos ao Fundo de Participação do Estado (FPE), Fundo de
Participação do Município (FPM), aos Sistema Único de
Saúde (SUS), ou ao Fundo da Educação Básica (Fundeb).
No mais, atente-se que a proibição se aplica apenas
aos entes federados assinalados no artigo 73, inciso VI,
alínea “a”, da Lei das Eleições, não havendo, portanto,
óbice ao repasse de verbas públicas a entidades privadas,
como, por exemplo, associações.

87
guia prático do candidato Eleições 2020

g) Publicidade Institucional (Art. 73, VI, alínea “b”)

Nos três meses que antecedem o pleito (15 de agosto


para as eleições de 2020) também é vedado aos agentes
públicos autorizar publicidade institucional dos atos,
programas, obras e serviços da Administração Pública,
ficando o candidato beneficiado, agente público ou não,
sujeito a cassação do registro ou diploma.
Tal publicidade, em âmbito municipal, é normal-
mente realizada por meio do site oficial das prefeituras
e câmaras municipais, perfis dos órgãos em redes so-
ciais, placas de obras e serviços, automóveis, fachadas
de prédios públicos, rádio, TV, blogs, etc. É recomen-
dável não apenas suspender a publicidade oficial nes-
se período, mas também suprimir a publicidade que,
tendo sido veiculada anteriormente, permanecer aces-
sível.
Destaca-se que existem duas exceções à referida nor-
ma: a) propaganda de produtos e serviços que tenham
concorrência no mercado b) grave e urgente necessida-
de pública, assim reconhecida e autorizada pela Justiça
Eleitoral.
Considerando o momento atual de pandemia, a
Emenda Constitucional nº 107/2020 editada no segundo
semestre deste ano permitiu, a publicidade institucional
de atos e campanhas dos órgãos públicos municipais des-
tinados ao enfrentamento da COVID-19 e à orientação
da população quanto aos serviços públicos e outros te-
mas relacionados, resguardada a possibilidade de apura-
ção de eventual abuso de poder político.

88
Carlos Sérgio de Carvalho Barros advogados associados

ATENÇÃO: A proibição se aplica somente aos agentes


públicos cujos cargos estejam em disputa eleitoral. Assim,
nada impede que o prefeito autorize a realização de propa-
ganda institucional nos três meses que antecedem pleito
presidencial.

Vale lembrar que, mesmo fora do período eleitoral, a


publicidade institucional deve divulgar de forma impes-
soal e verídica obras, serviços e campanhas da Adminis-
tração Pública, de maneira educativa, informativa e de
orientação social, não podendo servir como mecanismo
de promoção pessoal de quem quer que seja.

h) Pronunciamento em rádio ou televisão (Art. 73,


VI, “c”)

Também é proibido, nos 03 (três) meses que antece-


dem as eleições (desde 15 de agosto para as eleições de
2020), na circunscrição do pleito, fazer pronunciamento
em cadeia de rádio ou televisão, fora do horário eleitoral
gratuito, salvo quando, a critério da Justiça Eleitoral, tra-
tar-se de matéria urgente, relevante e característica das
funções de governo.
Oportuno dizer que a vedação legal é aplicável ape-
nas aos agentes públicos das esferas administrativas cujos
cargos estejam em disputa na eleição. Dessa forma, não
há impedimento para que o presidente da República faça
pronunciamento em cadeia de rádio ou televisão no tri-
mestre que antecede as eleições municipais.

i) Gastos com publicidade oficial acima da média


(Art. 73, VII)

89
guia prático do candidato Eleições 2020

Conforme dispõe o artigo 73, inciso VII, da Lei nº


9.504/99, no primeiro semestre do ano da eleição é ve-
dado realizar despesas com publicidade oficial que exce-
dam a média dos gastos no primeiro semestre dos três
últimos anos que antecedem o pleito.
Para se obter a média semestral, citada pela norma
como parâmetro de gastos com publicidade, basta dividir
por três o montante dos gastos havidos nos três primeiros
semestres dos anos anteriores.
Porém, em função da prorrogação da data das eleições
deste ano, os gastos com publicidade institucional reali-
zados até 15/08/2020 devem respeitar a média dos dois
primeiros quadrimestres dos três anos anteriores, salvo
em caso de grave e urgente necessidade pública, assim
reconhecida pela Justiça Eleitoral (art. 1º, § 3º, VII, EC
nº 107/2020).
Para atestar a responsabilidade do agente, não é neces-
sário aferir se o infrator tem ou não o papel de ordenador
de despesa, pois o benefício decorrente da irregularidade
é presumido.
A penalidade para o descumprimento dessa norma é
a suspensão da conduta, aplicação de multa e, em alguns
casos, a cassação do registro ou diploma.

j) Revisão geral de remuneração de servidores públi-


cos (Art. 73, VIII)

É proibido fazer revisão geral da remuneração dos ser-


vidores públicos, na circunscrição do pleito, que exceda a
recomposição da perda do seu poder aquisitivo durante o
ano da eleição, a partir de 15 de maio de 2020 até a posse
dos eleitos.

90
Carlos Sérgio de Carvalho Barros advogados associados

A referida vedação só vigora na circunscrição do plei-


to, ou seja, em ano de eleições para presidente, o prefeito
poderá conceder aumento real da remuneração dos ser-
vidores públicos municipais.
Noutro giro, o TSE firmou entendimento de que a
vedação em pauta não incide sobre a reestruturação de
carreiras, desde que não seja acompanhada de aumento
remuneratório das categorias envolvidas (TSE. RES. n.
2054, de 02.04.2002).

Com o advento da Lei nº 12.034/09, a realização dessa


conduta poderá levar à cassação do registro ou diploma.

ATENÇÃO: “A concessão de benefícios a servidores


públicos estaduais nas proximidades das eleições munici-
pais pode caracterizar abuso do poder político, desde que
evidenciada a possibilidade de haver reflexos na circunscri-
ção do pleito municipal, diante da coincidência de eleito-
res” (Ac. TSE, de 08.08.2006, no Respe n. 26054).

k) Contratação de shows para inaugurações (art. 75)

Preconiza o artigo 75 da Lei nº 9.504/97 que, nos 03


(três) meses que antecederem as eleições, é vedada a con-
tratação de shows artísticos pagos com recursos públicos.
No caso de descumprimento, sem prejuízo da suspen-
são imediata da conduta, o candidato beneficiado, agen-
te público ou não, ficará sujeito à cassação do registro ou
diploma (art. 75, parágrafo único, Lei nº 9.504/1997).
O intuito da norma é proibir que a inauguração de
obra pública seja disfarçada de comício de campanha
eleitoral.

91
guia prático do candidato Eleições 2020

l) Participação em inauguração de obras (art. 77)

É proibido a qualquer candidato comparecer, nos 03


(três) meses que precedem o pleito, a inaugurações de
obras públicas, sujeitando o infrator à cassação do regis-
tro ou diploma, nos termos do artigo 77, parágrafo único,
da Lei das Eleições.
Esclareça-se que obra pública, para efeitos do artigo
em questão, deve ser entendida como toda “construção,
reforma, fabricação, recuperação ou ampliação” (art. 6º da
Lei 8.666/93).
A lei objetiva impedir que a máquina estatal seja utili-
zada em benefício de candidatos, prestigiando a impesso-
alidade e a moralidade da Administração Pública.
Além das penalidades já previstas no artigo 77 da LE,
a inobservância da citada regra pode gerar inelegibilida-
de do candidato por 08 (oito) anos, a contar da data das
eleições; e, sua punição por improbidade administrativa.

Sobre o tema, colacionam-se os seguintes julgados:

[...]. Eleições 2012. Prefeito. Representação. Conduta


vedada aos agentes públicos em campanha. Compareci-
mento a inauguração de obra pública. Princípio da pro-
porcionalidade. [...] 1. É incontroverso que o agravante
José Bento Leite do Nascimento compareceu a inaugu-
ração de obra pública no Município de Soledade/PB fal-
tando menos de quinze dias para o pleito, em violação
ao art. 77 da Lei 9.504/97. 2. Todavia, deve ser aplicado
no caso dos autos o princípio da proporcionalidade, no-
tadamente diante da ausência de participação ativa do
agravante no referido evento, não tendo havido, assim,
quebra da igualdade entre os candidatos (Ac. de 3.9.2014
no AgR-REspe nº 47371, rel. Min. Laurita Vaz, red. de-
signado Min. João Otávio de Noronha).

92
Carlos Sérgio de Carvalho Barros advogados associados

[...]. A mera presença do candidato na inauguração de


obra pública, como qualquer pessoa do povo, sem des-
taque e sem fazer uso da palavra ou dela ser destinatá-
rio, não configura o ilícito previsto no art. 77 da Lei nº
9.504/97 (Agravo Regimental em Agravo de Instrumen-
to nº 178190, de 05/11/2013, rel. min. Henrique Neves
da Silva).

[...] Solenidade de sorteio de casas populares não se en-


quadra no conceito de inauguração de obra pública. Inter-
pretação restritiva do art. 77 da Lei no 9.504/97. [...] (TSE.
Ac. no 24.790, de 2.12.2004, rel. Min. Gilmar Mendes).

m) Infringir o artigo 37, §1º, CF (art. 74, LE)

Configura abuso o desvirtuamento da propaganda


institucional que, segundo o artigo 37, §1º, da Constitui-
ção Federal, deverá ter caráter educativo, informativo ou
de orientação social, dela não podendo constar nomes,
símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal
de autoridades ou servidores públicos.
Nesse cenário, o responsável pelo desvirtuamento
para fins de promoção pessoal fica sujeito ao cancela-
mento do registro ou do diploma, a teor do disposto no
artigo 74 da Lei das Eleições.
Se ocorrer no período da campanha, será de compe-
tência da Justiça Eleitoral apreciar a conduta de promo-
ção pessoal do governante em publicidade institucional
(TSE – Ag. nº 4.246/MS – 16/09/2005).

93
Carlos Sérgio de Carvalho Barros advogados associados

PROPAGANDA ELEITORAL

A propaganda é o meio utilizado para anunciar de-


terminado serviço, produto ou, no caso, uma campanha
eleitoral. Denomina-se propaganda eleitoral a elaborada
por partidos políticos e candidatos com a finalidade de
captar votos para investidura em cargo eletivo.
A propaganda poderá ser: a) Expressa: percebida e
compreendida de antemão, racionalmente, o teor da
mensagem é claro e induvidoso; b) Subliminar: mensa-
gem dirigida ao inconsciente do destinatário. Geralmen-
te são comunicações politico-eleitorais disfarçadas, am-
bíguas, que se encontram no subjacente ao discurso; c)
Positiva: exalta o autor da propaganda; d) Negativa: des-
qualifica os candidatos concorrentes. Lembrando que a
crítica dura, mordaz, espinhosa, ácida, é peça essencial
ao debate democrático; e) Tempestiva: quando divulgada
do dia 27/09/2020 até o dia 13/11/2020; f) Extemporâ-
nea: quando propagada em período vedado.
Desde que exercida nos termos da legislação, a pro-
paganda eleitoral não poderá ser objeto de multa, nem
cerceada sob alegação do exercício do poder de polícia ou
de violação de postura municipal.
A propaganda que violar norma eleitoral será de res-
ponsabilidade do candidato beneficiado, do partido, da
coligação e daqueles que realizaram diretamente a con-

95
guia prático do candidato Eleições 2020

duta ilícita. A responsabilidade do candidato ficará de-


monstrada se este, intimado da existência da propaganda
irregular, não providenciar, no prazo de 48h (quarenta e
oito horas), sua retirada ou regularização.
Também será responsável o candidato se as circuns-
tâncias e as peculiaridades do caso específico revelarem
a impossibilidade de o beneficiário não ter tido conheci-
mento da propaganda.
Além da multa por propaganda irregular, o candidato
que desrespeitar a legislação eleitoral poderá ter o seu
registro ou diploma cassado e poderá responder pela prá-
tica de crimes eleitorais.

PRÉ-CAMPANHA E
PROPAGANDA ANTECIPADA

A figura do pré-candidato (art. 36-A, Lei nº 9.504/97)


possibilitou aos pretensos concorrentes atuarem junto ao
eleitorado antes mesmo do pedido de registro, por meio de
menções à futura candidatura, exaltação das qualidades
pessoais, participação em entrevistas, encontros e debates,
em rádio, televisão e internet, inclusive com a exposição
de plataformas e projetos políticos, e participação em pré-
vias partidárias com distribuição de material informativo.
Durante essa fase, denominada “pré-campanha”, tam-
bém é permitida a divulgação de atos parlamentares e de-
bates legislativos, desde que não envolva pedido expresso
de votos, assim como a realização de encontros, seminá-
rios, congressos, em ambientes fechados, reuniões de
iniciativa da sociedade civil, de veículo ou meio de co-
municação ou do próprio partido, desde que respeitada a
pertinência temática.

96
Carlos Sérgio de Carvalho Barros advogados associados

Os custos de tais eventos devem ser arcados pelo par-


tido político e limitados à divulgação de ideias, objetivos
e propostas partidárias, não podendo haver, como ressal-
tado, pedido expresso de votos.
Inclusive, na quinzena anterior à escolha pelo partido,
é permitida a realização pelo postulante a candidatura de
propaganda intrapartidária com vista à indicação de seu
nome nas convenções, vedado o uso de rádio, televisão e
outdoor.
No referido evento poderá haver cobertura dos meios
de comunicação social, mas a convenção não poderá ser
transmitida ao vivo por emissoras de rádio ou de televi-
são.
Havendo burla à legislação eleitoral no decorrer da
pré-campanha, o pré-candidato ficará sujeito à apreensão
do material propagandístico e multa pela prática de pro-
paganda antecipada no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil
reais) a R$ 25.000,00 (vinte e cinco mil reais), ou o equi-
valente ao custo da propaganda, se for maior (art. 36, §3º,
Lei nº 9.504/97 e art. 2º, §4º, Res. TSE nº 23.610/19).
Como salientado, a propaganda eleitoral só será per-
mitida a partir de 27 de setembro, razão pela qual se rea-
lizada antes desse período será qualificada como propa-
ganda extemporânea ou antecipada, ficando o responsá-
vel sujeito às penalidades legais.
Todavia, o artigo 36-A da Lei das Eleições estabeleceu
situações não sujeitas a penalidade, isto é, não considera-
das propagandas antecipadas:

Art. 36-A. Não configuram propaganda elei-


toral antecipada, desde que não envolvam
pedido explícito de voto, a menção à preten-

97
guia prático do candidato Eleições 2020

sa candidatura, a exaltação das qualidades


pessoais dos pré-candidatos e os seguintes
atos, que poderão ter cobertura dos meios de
comunicação social, inclusive via internet:
I - a participação de filiados a partidos polí-
ticos ou de pré-candidatos em entrevistas,
programas, encontros ou debates no rádio,
na televisão e na internet, inclusive com a
exposição de plataformas e projetos políti-
cos, observado pelas emissoras de rádio e de
televisão o dever de conferir tratamento iso-
nômico;
II - a realização de encontros, seminários ou
congressos, em ambiente fechado e a expen-
sas dos partidos políticos, para tratar da or-
ganização dos processos eleitorais, discussão
de políticas públicas, planos de governo ou
alianças partidárias visando às eleições, po-
dendo tais atividades ser divulgadas pelos
instrumentos de comunicação intrapartidá-
ria;
III - a realização de prévias partidárias e a res-
pectiva distribuição de material informativo,
a divulgação dos nomes dos filiados que par-
ticiparão da disputa e a realização de debates
entre os pré-candidatos;
IV - a divulgação de atos de parlamentares
e debates legislativos, desde que não se faça
pedido de votos;
V - a divulgação de posicionamento pessoal
sobre questões políticas, inclusive nas redes
sociais;

98
Carlos Sérgio de Carvalho Barros advogados associados

VI - a realização, a expensas de partido polí-


tico, de reuniões de iniciativa da sociedade
civil, de veículo ou meio de comunicação ou
do próprio partido, em qualquer localidade,
para divulgar ideias, objetivos e propostas
partidárias.
VII - campanha de arrecadação prévia de re-
cursos na modalidade prevista no inciso IV
do § 4o do art. 23 desta Lei.

Mesmo permitindo vários atos, tal norma proíbe o pe-


dido explícito de voto, aquele compreendido não apenas
como o pedido expresso, mas evidenciado pela forma,
características ou técnicas empregadas na comunicação,
bastando que o propósito de pedir votos ressaia claramen-
te do conjunto da peça considerada e das circunstâncias
em que o evento ocorre.
No mais, é importante destacar que na divulgação
antecipada de eventual e futura candidatura, é vedado
empregar recursos cuja utilização seja proibida durante o
período regular de propaganda eleitoral ou ocasione de-
sequilíbrio na disputa entre os demais concorrentes.

INÍCIO OFICIAL DA
PROPAGANDA ELEITORAL

Superada essa fase, inicia-se a campanha propriamen-


te dita (27/09/2020), na qual se pode falar em propagan-
da eleitoral, sendo que não será permitido qualquer tipo
de propaganda política paga no rádio e na televisão.

99
guia prático do candidato Eleições 2020

REGRAS BÁSICAS DA
PROPAGANDA ELEITORAL

Toda propaganda deve mencionar o partido (art. 242,


Lei n.º 4.737/65), sob pena de apreensão do material ir-
regular. Além disso, deve constar os dados da empresa
produtora do material, bem como do contratante.
Na propaganda para eleição de prefeito e vice-prefeito, a
coligação usará ao final da sua denominação as legendas dos
partidos que a compõem. Nessa propaganda, deve constar
de forma legível o nome do candidato a vice em tamanho
não inferior a 30% (trinta por cento) do nome do titular.
Na propaganda para vereador é exigido apenas a le-
genda do partido que estiver filiado.
A propaganda eleitoral poderá ser realizada por vários
meios, tais como distribuição de material gráfico, cami-
nhada, carreata, passeata com carro de som, desde que
respeitadas as limitações da lei, entre elas, a de que pode-
rá ser realizada até às 22h (vinte e duas horas) do dia 14
de novembro de 2020, no 1º turno, e do dia 28 de novem-
bro deste ano, no 2º turno, se houver.

VOTO CONSCIENTE X DENUNCIAÇÃO


CALUNIOSA

A legislação eleitoral fomenta o voto consciente, pro-


tegendo o eleitor contra artifícios publicitários que fal-
seiem a verdade e manobrem sua escolha.
Nesse contexto, o que vemos atualmente é um com-
bate veemente às chamadas “fake news”, notícias falsas
propagadas em massa que manipulam o eleitorado e cor-
rompem o processo eleitoral.

100
Carlos Sérgio de Carvalho Barros advogados associados

A Lei nº 13.834/19, que tipifica o crime de denun-


ciação caluniosa com finalidade eleitoral, também dis-
põe expressamente sobre a hipótese de responsabiliza-
ção daquele que divulga ou propala, por qualquer meio
ou forma, ato ou fato falsamente atribuído a alguém,
mesmo ciente da inocência do mesmo, incorrendo em
pena de reclusão de 02 (dois) a 08 (oito) anos e multa,
sendo esse regramento válido para as eleições munici-
pais de 2020.
De igual modo, a Justiça Eleitoral implementou o cha-
mado “Programa de Enfrentamento à Desinformação”,
com foco nas eleições de 2020, visando o aperfeiçoamen-
to de medidas concretas voltadas a desestimular práticas
que envolvam o fenômeno da desinformação no proces-
so eleitoral, na salvaguarda da democracia.

PROPAGANDA EM REUNIÕES E COMÍCIOS

Qualquer evento de propaganda eleitoral está resguar-


dado pelo direito de reunião (art. 5º, XVI, CF), indepen-
dentemente de autorização, havendo apenas a necessi-
dade de comunicação formal à autoridade policial com
antecedência de, no mínimo, 24 (vinte e quatro) horas,
para que o uso do local seja garantido contra quem tam-
bém o queira utilizar no mesmo momento, dando-se pre-
ferência ao primeiro que comunicar.
A propósito, mesmo não sendo obrigatória, também
se mostra prudente a comunicação ao Juiz Eleitoral acer-
ca da realização do ato.
O TSE define os comícios como reuniões políticas,
quase sempre festivas, “a que comparecem correligio-
nários, cabos eleitorais e eleitores para ouvir discursos de

101
guia prático do candidato Eleições 2020

candidatos às eleições majoritárias ou proporcionais. Tais


eventos têm finalidade de conquistar a simpatia e, por con-
sequência, o voto do eleitor, para a vitória no pleito”. É uma
espécie de propaganda eleitoral.
Antes da Lei nº 11.300/06, era comum que, antes
dos discursos dos candidatos, houvesse a apresentação
de shows artísticos com vista a atrair o maior número
possível de pessoas à reunião, mas a legislação proibiu a
realização de showmício e de evento assemelhado para
promoção de candidatos, bem como a apresentação, re-
munerada ou não, de artistas com a finalidade de animar
comício e reunião eleitoral.
Lembrando que o comício pressupõe a fala do candi-
dato, razão pela qual não se admite a utilização de trio
elétrico ou sonorização fixa sob o pretexto de comício
sem a presença e fala do próprio candidato.

IMPORTANTE: É vedada, desde 48h (quarenta e


oito) horas antes até 24 (vinte e quatro) horas depois da
eleição, a veiculação de qualquer propaganda política na
rádio ou na televisão - incluídos, entre outros, as rádios
comunitárias e os canais de televisão que operam em
UHF, VHF e por assinatura - e ainda a realização de co-
mícios ou reuniões públicas.

A realização de comícios e a utilização de aparelha-


gens de sonorização fixas são permitidas no horário com-
preendido entre as 8 (oito) e as 24h (vinte e quatro horas),
com exceção do comício de encerramento da campanha,
que poderá ser prorrogado por mais 2 (duas) horas.

102
Carlos Sérgio de Carvalho Barros advogados associados

CANDIDATOS ARTISTAS,
COMUNICADORES E PROPAGANDA

Como dito acima, após o advento da Lei nº 11.300/06,


os showmícios estão proibidos durante a campanha elei-
toral, inclusive os de própria autoria de eventuais candi-
datos profissionais da classe artística.
Já para os profissionais de comunicação social no exer-
cício da profissão, é vedado o pedido de apoio político e a
divulgação da pré-candidatura, das ações políticas desen-
volvidas e das que se pretende desenvolver, manifesta-
ções que somente poderão ocorrer durante a campanha
eleitoral.
Ademais, a começar de 11 de agosto de 2020 as emis-
soras de rádio e televisão não poderão transmitir progra-
ma apresentado ou comentado por pré-candidato (art.
45, §1º, Lei 9.504/97).
Encerrado o prazo para a realização das convenções
no ano das eleições, as emissoras de rádio e televisão es-
tarão proibidas de divulgar nome de programa que se re-
fira a candidato escolhido em convenção (art. 45, VI, Lei
9.504/97).

REGRAS PARA FACHADAS


DE DIRETÓRIOS E COMITÊS

No Comitê Central poderá haver designação do parti-


do ou coligação, bem como o nome e o número do candi-
dato em dimensões que não excedam a 4m² (art. 14, §1º,
da Resolução TSE nº 23.610/19).
A divulgação dos dados da candidatura nos demais
comitês deverá ser feita apenas em adesivo, sendo que o

103
guia prático do candidato Eleições 2020

limite máximo da propaganda exposta no comitê deverá


ser de 0,5m² (art. 37, § 2°, Lei 9.504/97).

VEÍCULOS DE SOM E AMPLIFICADORES

Apenas em carreatas, caminhadas e passeatas os car-


ros de som utilizados para propaganda eleitoral poderão
divulgar as mensagens ou jingles dos candidatos, deven-
do observar volume adequado, nos termos do artigo 39,
§11, da Lei n.º 9.504/97.
Em todos os casos, os candidatos deverão observar o
limite de 80 (oitenta) decibéis medidos a 07 (sete) metros
de distância do veículo, sendo que os trios elétricos so-
mente poderão ser utilizados para sonorização de comí-
cio (art. 39, §10, Lei nº 9.504/97).
Os motoristas que circularem pela cidade precisarão
respeitar, ainda, a distância de 200m (duzentos metros)
de escolas, hospitais, igrejas, teatros e prédios públicos
em geral e o horário de 8h às 22h.
Até as 22h (vinte e duas horas) do dia que antecede o
da eleição, serão permitidos distribuição de material grá-
fico, caminhada, carreata ou passeata, acompanhadas ou
não por carro de som ou minitrio.
Nos comícios, a permissão é até às 24h, e no comício
de encerramento, até às 2h.

PROPAGANDA EM BENS PARTICULARES


E BENS PÚBLICOS OU DE USO COMUM

Em propriedades privadas que não sejam de uso comum,


a propaganda eleitoral poderá ser afixada, de forma espon-
tânea e gratuita, por meio de adesivos, proibidas inscrições a
tinta, não podendo exceder 0,5 m² (meio metro quadrado).

104
Carlos Sérgio de Carvalho Barros advogados associados

Por outro lado, não pode haver propaganda em locais


de uso comum ou de bens cujo uso dependa de cessão ou
permissão do poder público, tais como cinemas, clubes,
shopping centers, templos, ginásios, estádios, postes de
iluminação pública, sinalização de tráfego, viadutos, pas-
sarelas, pontes, paradas de ônibus e outros equipamentos
urbanos, proibição que se estende às pichações, inscrições
a tinta e exposições de placas, estandartes, faixas, cavale-
tes, bonecos e assemelhados (art. 37, Lei n.º 9.504/97).
Em qualquer hipótese, é vedada também a utilização
de outdoors (tradicionais ou eletrônicos).
Adesivos ou papéis expostos um ao lado do outro que,
somados, ultrapassem o limite de 0,5m², mesmo que de
candidatos diferentes, são igualmente proibidos em razão
do efeito visual único, ainda que a publicidade, individu-
almente, tenha respeitado esse limite (“efeito outdoor”).
É permitida a colocação de mesas para distribuição
de material de campanha e a utilização de bandeiras ao
longo das vias públicas, desde que móveis e que não di-
ficultem o bom andamento do trânsito (art. 37, §6º, Lei
n.º 9.504/97).
A mobilidade citada acima também estará caracteriza-
da com a colocação e a retirada dos meios de propaganda
das 6h às 22h.

PROPAGANDA IMPRESSA

A propaganda eleitoral é livre para ser realizada atra-


vés da distribuição de folhetos, volantes e outros impres-
sos, editados sob a responsabilidade dos partidos, coliga-
ções ou candidatos, não podendo ultrapassar 0,5 m² ou
gerar “efeito outdoor”.

105
guia prático do candidato Eleições 2020

Os impressos devem conter o CNPJ ou o CPF do respon-


sável pela confecção e do contratante, assim como a tiragem.
Em veículos, é permitido afixar adesivo microperfura-
do até a extensão total do para-brisa traseiro e, em outras
posições, adesivos até a dimensão máxima de 50x40 cm
(art. 37, §2º, inciso II, Lei 9.504/97).

PROPAGANDA NA INTERNET

A partir de 27 de setembro de 2020 a propaganda elei-


toral na internet será autorizada e veiculada gratuitamen-
te em site do candidato, do partido ou coligação, blogs,
redes sociais, sítios de mensagens instantâneas e aplica-
ções de internet assemelhadas.
Na internet, a propaganda poderá ser feita também
por qualquer pessoa natural, desde que não contrate im-
pulsionamento de conteúdos e não haja qualquer tipo de
pagamento.
É permitida a propaganda eleitoral na internet paga
se contratada exclusivamente por partidos, coligações e
candidatos e seus representantes, através de impulsiona-
mento de conteúdo, devendo ser identificada como tal.
Lembrando que o site do candidato, do partido ou da
coligação deve ter seu endereço eletrônico comunicado à
Justiça Eleitoral e estar hospedado em provedor de serviço
de internet estabelecido no país (art. 57-B, Lei n.º 9.504/97).
O candidato jamais poderá divulgar sua campanha
em sites de órgão de qualquer poder e esfera federativa,
nem em sites de empresas com ou sem fins lucrativos,
e o impulsionamento de conteúdos somente poderá ser
contratado por provedor com sede no país (art. 57-C, §3º,
da Lei 9.504/97).

106
Carlos Sérgio de Carvalho Barros advogados associados

Na internet, o candidato tem assegurada a liberdade


de manifestação de pensamento (sendo vedado o anoni-
mato) e garantido o direito de resposta na hipótese de
eventual ofensa sofrida.
A propaganda eleitoral na internet também pode ser
feita por meio de mensagem eletrônica (SMS, WhatsA-
pp, Telegram) para endereços cadastrados gratuitamente
pelo candidato, partido ou coligação, contanto que dis-
ponha de mecanismo que permita o descadastramento
pelo destinatário em até 48h (quarenta e oito horas).
Nesse sentido, é proibida a compra de cadastro de
endereços eletrônicos, assim como é vedado aos órgãos
públicos, concessionárias de serviço público, sindicatos,
entre outros, utilizar, doar ou ceder cadastro eletrônico
em favor de candidatos, partidos ou coligações (art. 57-E,
§1º, Lei nº 9.504/97).
No mais, em qualquer horário é vedada a realização
de propaganda via telemarketing (art. 34, Res. TSE nº
23.610/19).

PROPAGANDA ELEITORAL NAS REDES


SOCIAIS E NOS APLICATIVOS DE
MENSAGEM INSTANTÂNEA

Entende-se como rede social “a estrutura social com-


posta por pessoas ou organizações, conectadas por um ou
vários tipos de relações, que compartilham valores e objeti-
vos comuns” (art. 36, XV, Resolução TSE nº 23.610/19),
ou seja, as redes sociais são portais de conexão virtual
entre pessoas, grupos ou organizações que compartilham
interesses semelhantes para interação.

107
guia prático do candidato Eleições 2020

Já aplicativos de mensagens instantâneas são “mul-


tiplataformas de mensagens instantâneas e chamadas de
voz”, isto é, ferramentas que permitem o envio e rece-
bimento de mensagens, sejam elas de texto ou de voz,
em tempo real. O WhatsApp é o de maior destaque no
país, tendo ainda o Facebook Messenger e o Telegram
em grande ascensão.
Tanto as redes sociais, quanto os aplicativos de mensa-
gens instantâneas poderão ser utilizados para propaganda
eleitoral, se o conteúdo produzido e divulgado for gerado
e editado por candidatos, partidos políticos ou coligações,
desde que não contratem disparo em massa de conteúdo;
ou qualquer pessoa natural, proibida a contratação de im-
pulsionamento e disparo em massa de conteúdo.
Sendo assim, é permitida a contratação de impulsio-
namento por candidatos e vedada às pessoas naturais,
cujo serviço pressupõe a contratação de provedores de
aplicação de internet que aumentem o alcance e a divul-
gação da informação para atingir usuários que, normal-
mente, não teriam acesso ao seu conteúdo.
Ademais, o disparo em massa de conteúdo é proibido
em qualquer caso, conceituado como o envio automati-
zado ou manual de um mesmo conteúdo para um grande
volume de usuários, simultaneamente ou com intervalos
de tempo, por meio de qualquer serviço de mensagem
ou provedor de aplicação na internet.
O que se vê atualmente é o impulsionamento e dis-
paro em massa de mensagens de conteúdo inverídico,
gerando as chamadas “fake news”. Nesse cenário, serão
punidos aqueles que divulgarem notícias falsas, pois é
obrigação do candidato ou partido político confirmarem
as informações transmitidas antes de divulgá-las.

108
Carlos Sérgio de Carvalho Barros advogados associados

Qualquer violação ao que está disposto acima ense-


ja multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a R$ 30.000,00
(trinta mil reais), ou valor equivalente ao dobro da quan-
tia despendida, se esse cálculo superar o limite máximo
da multa.

PROPAGANDA NA IMPRENSA

É permitida a propaganda paga, na imprensa escrita,


devendo constar o valor dos serviços, com limite de 10
(dez) anúncios por cada veículo de comunicação, em da-
tas diversas, para cada candidato, no espaço máximo de
1/8 de página de jornal padrão ou de 1/4 de uma pági-
na de revista ou tabloide (art. 43, caput e § 1º, Lei n.º
9.504/97).
Pode haver reprodução das páginas do impresso no
site do próprio jornal, com respeito aos limites acima (art.
42, § 5º, Res. TSE n.º 23.610/19).

PROPAGANDA NO RÁDIO E NA TELEVISÃO

A propaganda eleitoral no rádio e na televisão se res-


tringirá ao horário gratuito, vedada a veiculação de pro-
paganda paga, respondendo o candidato, o partido políti-
co e a coligação pelo seu conteúdo.
O responsável pela divulgação da propaganda paga
e o beneficiário, quando comprovado o seu prévio co-
nhecimento, estarão sujeitados à multa no valor de R$
5.000,00 (cinco mil reais) a R$ 25.000,00 (vinte e cinco
mil reais) ou o equivalente ao custo da propaganda, se
este for maior.

109
guia prático do candidato Eleições 2020

Em eleições municipais, a transmissão da propaganda


no horário eleitoral gratuito será assegurada nos municí-
pios em que haja emissora de rádio e de televisão e, quan-
do não houver, a Justiça Eleitoral garantirá aos partidos
políticos a veiculação de propaganda eleitoral nas loca-
lidades aptas à realização de segundo turno e nas quais
seja operacionalmente viável realizar a retransmissão.
Nos 35 (trinta e cinco) dias anteriores à antevéspera
do primeiro turno, as emissoras de rádio e de televisão
deverão veicular a propaganda eleitoral gratuita, em rede,
observado o horário de Brasília. Nas eleições para prefei-
to, ocorrerão de segunda a sábado das 7h (sete horas) às
7h10 (sete horas e dez minutos) e das 12h (doze horas)
às 12h10 (doze horas e dez minutos), no rádio; e das 13h
(treze horas) às 13h10 (treze horas e dez minutos) e das
20h30 (vinte horas e trinta minutos) às 20h40 (vinte horas
e quarenta minutos), na televisão.
No mesmo período reservado à propaganda eleitoral
em rede, as emissoras de rádio e de televisão reservarão,
ainda, de segunda-feira a domingo, 70 (setenta) minutos
diários para a propaganda eleitoral gratuita em inserções
de 30 (trinta) e 60 (sessenta) segundos, a critério do res-
pectivo partido político ou coligação, assinadas obriga-
toriamente pelo partido político ou coligação, e distri-
buídas, ao longo da programação veiculada entre as 5h
(cinco horas) e as 24h (vinte e quatro horas).
Também são de responsabilidade dos partidos políti-
cos e das coligações:
a) Apresentação dos mapas de mídia diários ou periódi-
cos às emissoras, através de pessoas autorizadas;
b) Comunicação às emissoras das pessoas que serão au-
torizadas à apresentar as referidas mídias;

110
Carlos Sérgio de Carvalho Barros advogados associados

c) Gravação das mídias de forma compatível com as


condições técnicas das emissoras;
d) Entrega das gravações com antecedência;
e) Inclusão da claquete nas mídias;
f) Distribuição entre os candidatos registrados dos horá-
rios que lhes forem destinados pela Justiça Eleitoral;

Nesse contexto, será elaborado um plano de mídia


pela Justiça Eleitoral, em conjunto com os representan-
tes das emissoras e os representantes dos partidos.
A ordem de veiculação da propaganda no primeiro dia
de transmissão será feita por sorteio, sendo que a posição
da apresentação de cada partido ou coligação no horário
eleitoral gratuito se altera a cada dia, respeitando-se, en-
tretanto, a ordem estabelecida no sorteio inicial e avan-
çando-se uma posição, até que o partido ou coligação
que primeiro se apresentou chegue à última posição e
reinicie-se o ciclo. Contudo, cabe a cada partido ou co-
ligação estipular a sequência interna de apresentação de
seus candidatos.

IMPORTANTE: A propaganda eleitoral gratuita não


deve servir para a degradação ou ridicularização de can-
didato, partido ou coligação (art. 45, Lei n.º 9.504/97).

Os candidatos poderão participar de debates com os


seus concorrentes, transmitidos por emissora de rádio ou
televisão, desde que o respectivo partido tenha, no mí-
nimo, 05 (cinco) parlamentares no Congresso Nacional,
nos termos do artigo 46 da Lei n.º 9.504/97.
Os debates transmitidos na televisão deverão utilizar,
entre outros recursos, subtitulação por meio de legen-

111
guia prático do candidato Eleições 2020

da oculta, janela com intérprete da Língua Brasileira de


Sinais e audiodescrição, sendo o candidato, o partido e
a coligação responsáveis pelo conteúdo da propaganda
(art. 44, Lei n.º 9.504/97).

DIREITO DE RESPOSTA

O direito de resposta é garantia prevista na Constitui-


ção Federal, que assegura seu exercício de forma propor-
cional à ofensa, sem prejuízo de indenizações na esfera
cível e responsabilização criminal.
O artigo 58 da Lei das Eleições dispõe que “a partir da
escolha de candidatos em convenção, é assegurado o direito
de resposta a candidato, partido ou coligação atingidos, ainda
que de forma indireta, por conceito, imagem ou afirmação
caluniosa, difamatória, injuriosa ou sabidamente inverídica,
difundidos por qualquer veículo de comunicação social”.
Quanto aos prazos e ao processamento do direito de
resposta, o ofendido, ou seu representante legal, poderá
pedi-lo à Justiça Eleitoral nos seguintes prazos, contados
a partir da veiculação da ofensa:

a) 24h (vinte e quatro horas), quando se tratar do horá-


rio eleitoral gratuito;
b) 48h (quarenta e oito horas), quando se tratar da pro-
gramação normal das emissoras de rádio e televisão;
c) 72h (setenta e duas horas), quando se tratar de órgão
da imprensa escrita;
d) a qualquer tempo, quando se tratar de conteúdo que
esteja sendo divulgado na internet, ou em 72h (se-
tenta e duas) horas, após a sua retirada. 

112
Carlos Sérgio de Carvalho Barros advogados associados

Recebido o pedido, a Justiça Eleitoral notificará ime-


diatamente o ofensor para que se defenda em 24h (vinte
e quatro horas), devendo a decisão ser prolatada no prazo
máximo de setenta e duas horas da data da formulação
do requerimento.
Aceito o pedido, a divulgação da resposta ocorrerá no
mesmo veículo, espaço, local, página, tamanho, caracte-
res e outros elementos de realce usados na ofensa, em até
48h (quarenta e oito horas) após a decisão ou, tratando-se
de veículo com periodicidade de circulação maior que
quarenta e oito horas, na primeira vez em que circular.

PROPAGANDA NO DIA DA ELEIÇÃO

Apenas o eleitor pode, de forma individual e silenciosa,


exclusivamente por meio de bandeiras, broches, etiquetas
e adesivos, manifestar-se sobre sua preferência por partido
político, coligação ou candidato no dia da eleição.
Não pode haver manifestação coletiva, ou seja, aglo-
meração de pessoas com vestuário padronizado ou com
qualquer instrumento de propaganda (art. 39-A, caput, e
§ 1º, Lei nº 9.504/97).
Os fiscais de partido devem usar crachás nos quais
constem apenas o nome e a sigla do partido ou coliga-
ção, sem padronização de vestuário (art. 39-A, §3º, Lei
n.º 9.504/97), e o impresso não pode ser maior que 10
x 12 cm, nem conter qualquer referência que possa ser
interpretada como propaganda eleitoral.
Vale lembrar que o derrame ou a anuência com o
derrame de material de propaganda no local de votação
ou nas vias próximas, ainda que realizado na véspera da

113
guia prático do candidato Eleições 2020

eleição, configura propaganda irregular, sem prejuízo da


apuração do crime previsto no artigo 39, §5º, inciso III,
da Lei nº 9.504/97.
Quanto à propaganda eleitoral no dia da eleição, a re-
gra geral é bem clara e merece ser repetida: nada é permi-
tido, exceto manifestação silenciosa e individual através
de bandeiras, broches, etiquetas e adesivos.

114
Carlos Sérgio de Carvalho Barros advogados associados

FINANCIAMENTO
DAS CAMPANHAS ELEITORAIS

Em 2015, o Supremo Tribunal Federal decidiu proibir


o financiamento empresarial de campanhas eleitorais,
sendo permitido atualmente apenas doações de pessoas
físicas, limitadas a 10% de sua renda no ano anterior.
Além disso, foi aprovada em 2017 a criação do Fundo
Especial de Financiamento de Campanha – FEFC, que
junto com o Fundo Especial de Assistência Financeira
aos Partidos Políticos (Fundo Partidário) representam as
fontes de financiamento público aos partidos políticos e
candidatos.
Ambos os fundos são distribuídos de forma proporcio-
nal ao tamanho das legendas partidárias. Seus valores são
decididos pelo Congresso Nacional.
Cada diretório nacional de partido político é livre para
definir os critérios que serão empregados para distribuir
os recursos do FEFC entre seus diretórios estaduais e os
respectivos candidatos, mas essa liberdade não é absolu-
ta. Os valores representam 2% (dois por cento) do FEFC
para todos os partidos, e o restante de acordo com a re-
presentatividade das legendas, em valores absolutos ou
percentuais.
Em consonância com a jurisprudência do TSE e do
STF, os critérios a serem fixados pela direção executiva

115
guia prático do candidato Eleições 2020

nacional do partido devem prever a obrigação de aplica-


ção do total recebido do FEFC de modo proporcional ao
número de candidatas da legenda ou da coligação, obser-
vado, em todo caso, o mínimo de 30% (trinta por cento).
Os partidos têm até o dia 01 de junho para a renun-
cia ao FEFC. Importante ressaltar que as agremiações
não são obrigadas a repassar o FEFC aos candidatos se
não atender aos critérios de distribuição estabelecidos
internamente. No entanto, os partidos poderão pagar as
despesas de seus candidatos e estes registrarão como do-
ações estimáveis em suas prestações de contas.
O candidato deverá formalizar requerimento ende-
reçado ao partido solicitando o FEFC para viabilizar o
referido financiamento.
Em relação ao financiamento privado, impera o prin-
cípio da transparência, já que é imprescindível que os
eleitores saibam, ou tenham condições de saber, a ori-
gem dos recursos usados nas campanhas.
Nesse contexto, a arrecadação de recursos é submeti-
da a um complexo regramento legal, com controle estrito
quanto a origem, montante doado, gestão e destinação,
devendo os beneficiários prestarem contas minuciosas à
Justiça Eleitoral, com o intuito de evitar o abuso de po-
der econômico nas eleições.

RESPONSABILIDADE DA CAMPANHA

As despesas da campanha eleitoral serão realizadas


sob a responsabilidade dos partidos, ou de seus candida-
tos (art. 17, LE). Portanto, trata-se de responsabilidade
autônoma, e não solidária, isto é, o partido e o candidato
respondem individualmente por suas condutas.

116
Carlos Sérgio de Carvalho Barros advogados associados

Os §§ 3º e 4º do artigo 29 da Lei das Eleições, introdu-


zidos pela Lei nº 12034/09, ao possibilitarem que partido
político, mediante seu órgão nacional, assuma dívidas de
campanha não quitadas por seus candidatos, representa
única exceção à regra da autonomia, passando a agre-
miação a responder solidariamente pelo débito, (ZILIO,
2016, p. 436).
Nesse cenário, o candidato será responsabilizado soli-
dariamente pela administração financeira da campanha
e pela veracidade das informações prestadas, ainda que a
tenha delegado para um terceiro:
Art. 20. O candidato a cargo eletivo fará, diretamente
ou por intermédio de pessoa por ele designada, a admi-
nistração financeira de sua campanha usando recursos
repassados pelo partido, inclusive os relativos à cota do
Fundo Partidário, recursos próprios ou doações de pesso-
as físicas, na forma estabelecida nesta Lei.
Art. 21. O candidato é solidariamente responsável
com a pessoa indicada na forma do art. 20 desta Lei pela
veracidade das informações financeiras e contábeis de
sua campanha, devendo ambos assinar a respectiva pres-
tação de contas.

CONTA BANCÁRIA

De acordo com a legislação eleitoral, há obrigatorieda-


de de abertura das seguintes contas bancárias:

a) conta bancária específica, por candidatos e partidos


políticos;
b) conta bancária para o recebimento e uso de recursos
do Fundo Partidário, caso haja repasse dessa espécie,

117
guia prático do candidato Eleições 2020

o que deve ser feito, igualmente, por candidatos e


partidos.
c) conta bancária para o recebimento e uso de recursos
do Fundo de Campanha, exclusivamente aberta pe-
los diretórios nacionais dos partidos políticos.

A conta bancária deve ser aberta em agências bancá-


rias ou postos de atendimento bancário pelo candidato,
no prazo de 10 (dez) dias contados da concessão do CNPJ
pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.
Segundo jurisprudência do TSE, “a extemporaneidade
na abertura da conta bancária específica para campanha
não configura, por si só, o ilícito do art. 30-A da Lei nº
9.504/97, especialmente quando os recursos arrecadados
no período que precedeu a sua abertura são estimáveis em
dinheiro e os serviços são doados” (Ac. de 24.4.2014 no RO
nº 262332, rel. Min. Luciana Lóssio).
Para a abertura da conta bancária pelos candidatos
será necessária a apresentação dos seguintes docu-
mentos:

a) requerimento de abertura de conta bancária, dispo-


nível na página dos Tribunais Eleitorais na internet;
b) comprovante de inscrição no CNPJ para as eleições,
disponível na página da Secretaria da Receita Fede-
ral do Brasil na internet; e
c) nome dos responsáveis pela movimentação da conta
bancária e os respectivos endereços atualizados.

Para a abertura da conta bancária pelos partidos po-


líticos, deve ser apresentada a seguinte documentação:

118
Carlos Sérgio de Carvalho Barros advogados associados

a) requerimento de abertura de conta bancária, dispo-


nível na página do Tribunal Superior Eleitoral na internet;
b) comprovante de inscrição no CNPJ, disponível na
página da Secretaria da Receita Federal do Brasil na in-
ternet;
c) certidão de composição partidária, disponível na pá-
gina do Tribunal Superior Eleitoral na internet; e
d) nome dos responsáveis pela movimentação da con-
ta bancária com os respectivos endereços atualizados.

As contas bancárias específicas de campanha eleitoral


devem ser identificadas pelos partidos políticos e pelos
candidatos de acordo com o nome constante no CNPJ
fornecido pela Receita Federal do Brasil.
Os bancos são obrigados a atender, no prazo de até 03
(três) dias:

a) o pedido de abertura de conta de qualquer candidato


escolhido em convenção;
b) identificar nos extratos bancários desta conta o CPF
ou CNPJ do doador;
c) encerrar a conta bancária no final do ano da eleição,
transferindo a totalidade do saldo existente para a
conta bancária do órgão de direção indicado pelo
partido, informando, por conseguinte, o fato à Justi-
ça Eleitoral;
d) encerrar as contas bancárias do candidato e do par-
tido político destinadas à movimentação de recursos
do Fundo Especial de Financiamento de Campanha
(FEFC) no fim do ano da eleição, transferindo a to-
talidade do saldo existente para o Tesouro Nacional,
devendo informar o fato à Justiça Eleitoral.

119
guia prático do candidato Eleições 2020

Sendo a abertura da conta obrigatória e não condicio-


nada a depósito mínimo, os bancos podem cobrar tarifas
para sua manutenção?
NÃO. Os bancos não podem condicionar a abertura da
conta a depósito mínimo, nem cobrar taxas e/ou outras
despesas de manutenção. No entanto, esta vedação não
alcança as demais taxas e despesas normalmente cobradas
por serviços bancários avulsos, na forma autorizada e disci-
plinada pelo Banco Central do Brasil.

O uso de recursos financeiros que não provenham da


conta bancária especialmente aberta para a campanha
implicará desaprovação das contas do partido político ou
candidato. No caso, comprovado abuso do poder econô-
mico, será cancelado o registro da candidatura ou cassa-
do o diploma, se já houver sido outorgado.

RECIBOS ELEITORAIS

Os recibos eleitorais são documentos oficiais que via-


bilizam e tornam legítima a arrecadação de recursos para
a campanha. São imprescindíveis, seja qual for a natu-
reza do recurso, ainda que do próprio candidato ou os
arrecadados por meio da internet.
Assim, a arrecadação de recursos sem a emissão de
recibo eleitoral constitui irregularidade insanável e acar-
reta a desaprovação das contas prestadas pelo mesmo ou
por comitê, observados, em cada caso, os princípios da
proporcionalidade e da razoabilidade.
Tais recibos deverão ser impressos diretamente no Sis-
tema de Prestação de Contas Eleitorais (SPCE), e emiti-
dos em ordem cronológica, concomitantemente ao rece-
bimento da doação e informados à Justiça Eleitoral.

120
Carlos Sérgio de Carvalho Barros advogados associados

No entanto, não se submetem à emissão de recibo


eleitoral:

a) cessão de bens móveis limitada ao valor de R$


4.000,00 (quatro mil reais) por cedente;
b) doações estimáveis em dinheiro entre candidatos e
partidos decorrentes do uso comum tanto de sedes
quanto de materiais de propaganda eleitoral, cujo
gasto deverá ser registrado na prestação de contas do
responsável pelo pagamento da despesa;
c) cessão de automóvel de propriedade do candidato,
do cônjuge e de seus parentes até o terceiro grau
para uso pessoal durante a campanha.

Os recibos eleitorais conterão referência aos limites


de doação, com a advertência de que a doação destinada
às campanhas eleitorais poderá gerar aplicação de multa
de 100% (cem por cento) do valor em excesso.

ARRECADAÇÃO DE RECURSOS

A Resolução nº 23.607/19-TSE dispõe sobre a arre-


cadação de recursos e gastos eleitorais por partidos po-
líticos e candidatos e sobre a prestação de contas para o
pleito de 2020, prevendo que a arrecadação de qualquer
natureza deverá observar os seguintes pré-requisitos:

a) requerimento do registro de candidatura;


b) inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ);
c) abertura de conta bancária específica destinada a re-
gistrar a movimentação financeira de campanha; e
d) emissão de recibos eleitorais.

121
guia prático do candidato Eleições 2020

Os recursos destinados às campanhas eleitorais, res-


peitados os limites previstos em lei, são admitidos somen-
te quando provenientes de:

a) recursos próprios dos candidatos;


b) doações financeiras ou estimáveis em dinheiro de
pessoas físicas;
c) doações de outros partidos políticos e de outros can-
didatos;
d) comercialização de bens ou serviços ou promoção de
eventos e arrecadação realizados diretamente pelo
candidato ou pelo partido político;
e) recursos próprios dos partidos, desde que identifi-
cada sua origem e sejam provenientes das hipóteses
autorizadas em lei; e
f) receitas decorrentes da aplicação financeira dos re-
cursos de campanha.

Vale frisar que a minirreforma eleitoral, na linha dos


precedentes do STF, vetou a possibilidade de doação por
pessoa jurídica para campanha eleitoral.
Nesse contexto, o recurso recebido por candidato ou
partido oriundo de fonte vedada deve ser imediatamente
devolvido ao doador e o comprovante da devolução po-
derá ser apresentado em qualquer fase da prestação de
contas ou até 05 (cinco) dias após o trânsito em julgado
da decisão que julgar as contas.
Não obstante, a devolução ou a determinação de
devolução de recursos recebidos de fonte vedada não
impede, se for o caso, a reprovação das contas, quando
constatado que o candidato se beneficiou, ainda que
temporariamente, dos recursos ilícitos, assim como a

122
Carlos Sérgio de Carvalho Barros advogados associados

apuração do fato na forma do artigo 30-A da Lei nº


9.504/1997, do artigo 22 da Lei Complementar nº
64/1990 e do artigo 14, § 10, da Constituição da Re-
pública.
A utilização de recursos próprios que tenham sido
obtidos mediante empréstimo somente é admitida quan-
do a contratação ocorrer em instituições financeiras ou
equiparadas autorizadas a funcionar pelo Banco Central
do Brasil e, no caso de candidatos, quando cumpridos os
seguintes requisitos cumulativos:

a) devem estar caucionados por bem integrante do seu


patrimônio no momento do registro de candidatura;
b) não devem ultrapassar a capacidade de pagamento de-
corrente dos rendimentos de sua atividade econômica.

Para que doações recebidas pelos partidos políticos


de anos anteriores ao da eleição possam ser aplicadas
nas campanhas eleitorais de 2020, quando creditadas
na conta bancária destinada à movimentação financeira
“Outros Recursos”, deverão ser observados os seguintes
requisitos cumulativamente:

a) identificação da sua origem e escrituração individua-


lizada na prestação de contas anual, assim como seu
registro financeiro na prestação de contas do partido;
b) observância das normas estatutárias e dos critérios
definidos pelos respectivos órgãos de direção na-
cional;
c) transferência para a conta bancária “Doações para
campanha”, antes de sua destinação ou utilização,
respeitados os limites legais impostos a tais doações,

123
guia prático do candidato Eleições 2020

calculados com base nos rendimentos auferidos no


ano anterior ao da eleição em que a doação for apli-
cada, ressalvados os recursos do Fundo Partidário; e
d) identificação, na prestação de contas eleitoral do
partido e nas respectivas contas anuais, do nome ou
razão social e do número do CPF da pessoa física ou
do CNPJ do candidato ou partido doador, bem como
a identificação do número do recibo eleitoral ou do
recibo de doação original.

Os partidos políticos podem aplicar nas campanhas


eleitorais os recursos do Fundo Partidário, inclusive os
recebidos em exercício anteriores, desde que atendidos
os requisitos legais (art. 19, §1º, da Resolução nº23.607/
2019-TSE).
Durante a campanha, as doações poderão ser feitas
por pessoas físicas aos candidatos, inclusive pela inter-
net, por meio de transação bancária na qual o CPF do
doador seja obrigatoriamente identificado; e, por doação
ou cessão temporária de bens e/ou serviços estimáveis
em dinheiro, com a demonstração de que o doador é pro-
prietário do bem ou é o responsável direto pela prestação
dos serviços.
Doações financeiras de valor igual ou superior a
R$1.064,10 (mil e sessenta e quatro reais e dez centavos)
só poderão ser realizadas mediante transferência eletrô-
nica entre as contas bancárias do doador e do beneficiá-
rio da doação, e, no caso de doações em desacordo com
este parâmetro legal, estas não poderão ser utilizadas
e devem ser restituídas ao doador quando possível sua
identificação, caso contrário deverão ser recolhidas ao
Tesouro Nacional.

124
Carlos Sérgio de Carvalho Barros advogados associados

Os bens e/ou serviços estimáveis em dinheiro doados


por pessoas físicas devem constituir produto de seu pró-
prio serviço, de suas atividades econômicas e, no caso
dos bens, devem integrar seu patrimônio.
Os bens próprios do candidato somente poderão ser
utilizados na campanha eleitoral quando demonstrado
que já integravam seu patrimônio em período anterior
ao pedido de registro de candidatura.
Partidos políticos e candidatos poderão doar entre si
bens próprios ou serviços estimáveis em dinheiro, ou ce-
der seu uso, ainda que não constituam produto de seu
próprio serviço ou de suas atividades, exceto nos casos
de aquisição de bens ou serviços que sejam destinados
à manutenção da estrutura do partido durante a campa-
nha eleitoral, hipótese em que deverão ser devidamente
contratados pela agremiação e registrados na sua presta-
ção de contas de campanha.
O limite para partidos políticos e candidatos arreca-
darem recursos e contraírem obrigações será até o dia da
eleição, sendo permitida a arrecadação, após esse prazo,
exclusivamente para a quitação de despesas já contraídas
e não pagas até a data do pleito.
Para comercialização de bens e/ou serviços e/ou pro-
moção de eventos com o objetivo de arrecadar recursos
para a campanha eleitoral, o partido político ou o can-
didato deverá comunicar sua realização, formalmente e
com antecedência mínima de 05 (cinco) dias úteis à Jus-
tiça Eleitoral, mantendo à disposição a documentação
necessária à comprovação de sua realização e de seus
custos, despesas e receita obtida.

125
guia prático do candidato Eleições 2020

DO FUNDO ESPECIAL DE
FINANCIAMENTO DE CAMPANHA

O Fundo Especial de Financiamento de Campanha


(FEFC) será disponibilizado pelo Tesouro Nacional e dis-
tribuído aos diretórios nacionais dos partidos políticos na
forma disciplinada pelo Tribunal Superior Eleitoral.
Os recursos que não forem utilizados nas campanhas
eleitorais deverão ser devolvidos ao Tesouro Nacional,
integralmente, por meio de Guia de Recolhimento da
União (GRU), no momento da apresentação da respecti-
va prestação de contas.
Os partidos políticos deverão destinar no mínimo
30% (trinta por cento) do montante deste Fundo para
aplicação nas campanhas de suas candidatas.
O emprego ilícito de recursos do FEFC sujeitará os
responsáveis e beneficiários às sanções do artigo 30-A da
Lei n° 9.504/97, sem prejuízo das demais cominações le-
gais cabíveis, devendo ser recolhido ao Tesouro Nacional
o valor repassado irregularmente pelo órgão ou candida-
to que realizou o repasse, respondendo solidariamente
pela devolução o recebedor, na medida dos recursos que
houver utilizado.

ARRECADAÇÃO DE RECURSOS
PELA INTERNET

Para arrecadar recursos pela internet, o partido e o


candidato deverão tornar disponível mecanismo em pá-
gina eletrônica, mediante identificação do doador pelo
nome e pelo CPF, emissão de recibo eleitoral para cada
doação realizada e utilização de terminal de captura de

126
Carlos Sérgio de Carvalho Barros advogados associados

transações para as doações por meio de cartão de crédito


e débito.
As doações por meio de cartão de crédito ou de débito
somente serão admitidas quando realizadas pelo titular do
cartão, de modo que, eventuais estornos, desistências ou
não confirmação da despesa do cartão serão informados
pela administradora ao beneficiário e à Justiça Eleitoral.

RECURSOS DE ORIGEM
NÃO IDENTIFICADA

Caracteriza-se como de origem não identificada o re-


curso que apresentar:

a) falta ou identificação incorreta do doador;


b) falta de identificação do doador originário nas doa-
ções financeiras;
c) informação de número de inscrição inválida no CPF
do doado pessoa física ou no CPNJ quando o doador
for candidato ou partido político.

Os recursos de origem não identificada não podem


ser utilizados por candidatos ou partidos políticos, deven-
do ser transferidos ao Tesouro Nacional mediante Guia
de Recolhimento da União.

GASTOS ELEITORAIS

Os gastos eleitorais efetivam-se no dia de sua contra-


tação, independentemente da realização de seu paga-
mento, devendo ser registrados na prestação de contas
na mesma data.

127
guia prático do candidato Eleições 2020

Conforme o artigo 35 da Resolução nº 23.607/2020,


consideram-se gastos eleitorais, sujeitos ao registro e aos
limites fixados na Lei das Eleições:

a) confecção de material impresso de qualquer nature-


za e tamanho;
b) propaganda e publicidade direta ou indireta, por
qualquer meio de divulgação;
c) aluguel de locais para a promoção de atos de campa-
nha eleitoral;
d) despesas com transporte ou deslocamento de candi-
dato e de pessoal a serviço de candidaturas;
e) correspondências e despesas postais;
f) despesas de instalação, organização e funcionamen-
to de comitês e serviços necessários às eleições;
g) remuneração ou gratificação de qualquer espécie
paga a quem preste serviço a candidatos e a partidos
políticos;
h) montagem e operação de carros de som, de propa-
ganda e de assemelhados;
i) realização de comícios ou eventos destinados à pro-
moção de candidatura;
j) produção de programas de rádio, televisão ou vídeo,
inclusive os destinados à propaganda gratuita;
k) realização de pesquisas ou testes pré-eleitorais;
l) custos com a criação e inclusão de páginas na inter-
net e com o impulsionamento de conteúdos contra-
tados diretamente de provedor da aplicação de inter-
net com sede e foro no país ;
m) multas aplicadas, até as eleições, aos partidos ou aos
candidatos por infração do disposto na legislação
eleitoral3;
3
Apenas as multas efetivamente pagas devem ser incluídas, ficando de fora aquelas
objeto de recurso, ainda não julgadas definitivamente.

128
Carlos Sérgio de Carvalho Barros advogados associados

n) doações para outros candidatos ou comitês financeiros;


o) produção de jingles, vinhetas e slogans para propa-
ganda eleitoral.

A contratação de pessoal para prestação de serviços de


campanha se afigura como gasto eleitoral, de sorte que
todas as pessoas contratadas devem ser discriminadas no-
minalmente na prestação de contas, com apontamento
do respectivo CPF.
As despesas com consultoria, assessoria e pagamen-
to de honorários realizadas em decorrência da prestação
de serviços advocatícios e de contabilidade no curso das
campanhas eleitorais serão consideradas gastos eleitorais,
mas ficarão excluídas do limite de gastos de campanha.
Para pagamento dessas despesas poderão ser utiliza-
dos recursos da campanha, do candidato, do Fundo Par-
tidário ou do FEFC.
As seguintes despesas de natureza pessoal do candida-
to não serão consideradas gastos eleitorais, não se sujei-
tando à prestação de contas e não podendo ser pagos com
recursos da campanha: a) combustível e manutenção de
veículo automotor usado pelo candidato na campanha;
b) remuneração, alimentação e hospedagem do condu-
tor do veículo; c) alimentação e hospedagem própria;
d) uso de linhas telefônicas registradas em seu nome
como pessoa física, até o limite de três linhas.
No material de campanha eleitoral impresso deverá
conter o número de inscrição no CNPJ ou o número de
inscrição no CPF de quem a contratou e do responsável
pela confecção.
É importante frisar que o pagamento dos gastos elei-
torais contraídos pelos candidatos será de sua responsabi-

129
guia prático do candidato Eleições 2020

lidade, cabendo aos partidos políticos responderem ape-


nas por gastos que realizarem, e pelos que, após o dia da
eleição, forem assumidos na forma da Lei.
Os recursos provenientes do Fundo Partidário e
do Fundo Especial de Financiamento de Campanhas
(FEFC) não poderão ser utilizados para pagamento de
encargos decorrentes de inadimplência de pagamentos,
tais como multa de mora, atualização monetária ou juros,
ou para pagamento de multas relativas a atos infracio-
nais, ilícitos penais, administrativos ou eleitorais.
As multas aplicadas por propaganda antecipada deve-
rão ser arcadas pelos responsáveis e não serão computa-
das como despesas de campanha, ainda que aplicadas a
quem venha a se tornar candidato.

LIMITE DE GASTOS

O limite de gastos nas campanhas dos candidatos a


prefeito e vereador será equivalente ao limite para os res-
pectivos cargos nas eleições de 2016, atualizado pelo Ín-
dice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA),
aferido pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE), ou por índice que o substituir (Lei no
9.504/1 997, art. 18-C).
O limite de gastos para os municípios criados após
a eleição de 2016 será calculado conforme o limite de
gastos previsto para o município-mãe, procedendo-se ao
rateio de tal valor entre o município-mãe e o novo muni-
cípio de acordo com o número de eleitores transferidos,
observando, quando for o caso, o menor valor previsto
para o município no Estado.

130
Carlos Sérgio de Carvalho Barros advogados associados

ATENÇÃO: O limite de gastos para o cargo de prefeito


inclui também os realizados pelo vice-prefeito.

Os limites de gastos para cada eleição abrangem os


gastos realizados pelo candidato e os efetuados por par-
tido político que possam ser individualizados, as trans-
ferências financeiras efetuadas para outros partidos ou
outros candidatos, e as doações estimáveis em dinheiro.
Nos casos em que houver gasto de recursos além dos
limites estabelecidos, os responsáveis ficarão sujeitos ao
pagamento de multa no valor equivalente a 100% (cem
por cento) da quantia que exceder o limite, a ser reco-
lhido em 05 (cinco) dias úteis, contados da intimação da
decisão judicial, além de possível responsabilização por
abuso de poder econômico e outras sanções cabíveis.

131
Carlos Sérgio de Carvalho Barros advogados associados

DA PRESTAÇÃO DE CONTAS

A prestação de contas é um procedimento de nature-


za jurisdicional, através do qual são apresentados, à Justi-
ça Eleitoral, os valores arrecadados na campanha, com as
respectivas fontes e destinação dos recursos.

Por ser um procedimento de natureza jurisdicional, é


obrigatória a constituição de advogado.

O candidato que renunciar ou desistir de candidatar-se


terá obrigação de prestar contas?
Sim. O candidato que renunciar ou desistir de se can-
didatar, for substituído ou tiver o registro indeferido pela
Justiça Eleitoral, deverá prestar contas em relação ao perío-
do em que participou do processo eleitoral, mesmo que não
tenha realizado campanha.

Se o candidato falecer, a obrigação de prestar contas, re-


ferente ao período em que realizou a campanha, será de
responsabilidade de seu administrador financeiro ou, na
sua ausência, no que for possível, da respectiva direção par-
tidária.

• Todos os candidatos têm o dever de prestar contas,


mesmo que tenham sido substituídos, tiverem o

133
guia prático do candidato Eleições 2020

registro julgado indeferido ou mesmo que não rea-


lizem campanha.
• Também têm o dever de prestar contas os órgãos
partidários, nacionais, estaduais, distritais e mu-
nicipais, ainda que constituídos em caráter pro-
visório.
• Os órgãos partidários deverão encaminhar a presta-
ção de contas dos recursos arrecadados e aplicados
exclusivamente em campanhas da seguinte forma:

DESTINO DA PRESTAÇÃO
ÓRGÃO PARTIDÁRIO
DE CONTAS

Municipal Respectiva Zona Eleitoral.

Respetivo Tribunal Regional


Estadual ou Distrital
Eleitoral

Nacional Tribunal Superior Eleitoral

CONTAS BANCÁRIAS DE CAMPANHA

• São obrigatórias para candidatos e partidos políti-


cos, mesmo que não ocorra movimentação ou arre-
cadação de recursos;
• São facultativas ao candidato a vice, que, se abri-
rem contas, devem juntar os seus extratos às contas
dos titulares;
• Devem registrar toda a movimentação financeira
de campanha e ter saldo inicial e final zerados;
• Não podem ser abertas em correspondentes ban-
cários;

134
Carlos Sérgio de Carvalho Barros advogados associados

CONTA BANCÁRIA ESPECÍFICA

• Em até 10 dias, após a obtenção do seu CNPJ pela


Secretaria da Receita Federal, o candidato deve
abrir conta de campanha específica;
• Os bancos devem providenciar a abertura das con-
tas em 03 (três) dias;
• Todos os depósitos devem ser identificados com o
CPF ou CNPJ (no caso de partido ou outro candi-
dato) dos doadores e fornecedores;

Quais as contas que devem/podem ser abertas?

Pelos candidatos • Doações para a campanha(obrigató-


ria);
• Fundo Especial de Financiamento de
Campanha (Somente se for receber);
• Fundo Partidário (Somente se for re-
ceber);

Pelos partidos • Doações para a campanha (obrigató-


ria);
• Outros recursos (Importante para re-
cepcionar as sobras de campanha);
• Fundo Especial de Financiamento de
Campanha (Somente se for receber);
• Fundo Partidário (Importante abrir);
• Recursos destinados aos programas de
participação feminina (Somente se re-
ceber Fundo Partidário);

OBS: As regras para abertura de contas bancárias es-


tão previstas no comunicado BACEN nº 35.979, de 28 de
julho de 2020.

135
guia prático do candidato Eleições 2020

ORIGEM DOS RECURSOS DE CAMPANHA

• O financiamento de campanhas eleitorais brasilei-


ro pode ser considerado como misto, pois nele há a
presença de recursos públicos e privados. A arreca-
dação é basicamente composta por:

4Recursos próprios dos candidatos

OBS: O candidato poderá usar recursos próprios em sua


campanha até o total de 10% (dez por cento) dos limites
previstos para gastos de campanha no cargo em que con-
correr.

4Recursos advindos dos partidos;


4Doações em dinheiro ou estimáveis de pes-
soas físicas;

OBS: As doações realizadas por pessoas físicas são li-


mitadas a 10% (dez por cento) dos rendimentos brutos au-
feridos pelo doador no ano-calendário anterior à eleição,
mas esse limite não se aplica na hipótese de doação de bens
móveis e imóveis ou serviços prestados que não ultrapassem
o valor de R$ 40.000,00 (quarenta mil reais), desde que in-
tegre o patrimônio do doador e que o serviço decorra de sua
atividade laboral.

OBS 2: Doador pessoa física deverá estar com o CPF


regular perante a Receita Federal, bem como observar o
cruzamento de dados realizado pela inteligência da Justiça
Eleitoral, uma vez que, nos seguintes casos, doações po-
derão ser questionadas: a) doador inscrito em programas

136
Carlos Sérgio de Carvalho Barros advogados associados

sociais; b) doador com renda incompatível com o valor do-


ado; c) doador sem vínculo empregatício nos sessenta dias
anteriores à doação; d) doador com registro de óbito; e)
doação empresarial indireta, quando realizada por dois ou
mais pessoas físicas vinculadas a um mesmo empregador;
f) doador sócio ou diretor de empresa que tenha recebido
recursos públicos; g) veículo emprestado que não está no
nome do doador; e h) doação feita por pessoa física que
exerça atividade comercial decorrente de permissão públi-
ca, exceto se o permissionário for candidato, caso em que
poderá doar para a própria campanha.

• Repasses do Fundo Partidário e do Fundo Especial


de Financiamento de Campanha (FEFC);
• Crowdfunding (financiamento coletivo ou “vaqui-
nha virtual”);
• Promoção de eventos realizados pelo candidato ou
pelo partido político, com comercialização de bens
e/ou serviços.

FONTES VEDADAS: Os candidatos NÃO poderão re-


ceber doações de pessoas jurídicas de direito privado ou direi-
to público (empresas, fundações, municípios, estados, etc).

RECIBOS ELEITORAIS

• Os recibos eleitorais são documentos oficiais que


tornam legítima a arrecadação de campanha. Os
candidatos emitem recibos pelo SPCE e os parti-
dos pelo SPCA.
• Os referidos recibos devem ser emitidos nos se-
guintes casos:

137
guia prático do candidato Eleições 2020

4Doações arrecadas pela internet (exceto no


crowdfunding, no qual a empresa contratada se
encarregará de fazê-lo);
4Doações entre candidatos, entre partidos e
entre partidos e candidatos;
4Doações estimáveis (mesmo que do próprio
candidato, mas há exceções).

Os recibos devem ser informados à Justiça Eleitoral,


através do SPCE, em até 72h após o crédito na conta ban-
cária, bem como serem emitidos no ato da doação e na or-
dem cronológica do desenvolvimento da campanha.

• É facultada a emissão de recibos nos seguintes casos:


4Cessão temporária de bens móveis, no limite
de R$ 4.000,00 (quatro mil reais) por cedente;
4Doações estimáveis entre candidatos e parti-
dos, nos casos de uso comum de sedes e mate-
rial conjunto de propaganda;
4Cessão de automóvel de propriedade de can-
didato, do seu cônjuge ou parentes até o 3º grau,
para o seu uso próprio em campanha.

Exceto doações estimáveis em dinheiro e doações pela


internet, recursos financeiros arrecadados não exigem a
emissão de recibos eleitorais, pois devem tramitar em conta
bancária e sua comprovação será realizada através da verifi-
cação do CPF ou CNPJ do doador, nos extratos (art. 57, da
Res. 23.607/2019, do TSE).

138
Carlos Sérgio de Carvalho Barros advogados associados

1.3 GASTOS DE CAMPANHA

1.3.1 LIMITE DE GASTOS DE CAMPANHA

Será equivalente ao limite de gastos das Eleições de


2016, para cada cargo do respectivo município, e corrigi-
do pelo IPCA.
No segundo turno das eleições, onde houver, o limite
de gastos de cada candidato será de 40% do inicial (art.
4§, § 4º, da Res. 23.607/2019).
Caso o limite de gastos seja ultrapassado, o candidato
pagará multa de 100% da quantia gasta em excesso, bem
como poderá responder por abuso de poder econômico.

1.3.2 FORMAS PARA SE EFETUAR


OS GASTOS

• Os gastos podem ser realizados através dos seguin-


tes meios:
4Transferência bancária;
4Cartão de crédito;
4Boleto;
4Fundo de Caixa, para pagamentos de peque-
no valor, até meio salário mínimo.

OBS: Não pode haver pagamento com moedas virtuais,


tampouco o fracionamento de despesas como tentativa de
burlar os meios de pagamento. Também é vedado o paga-
mento em espécie de qualquer boleto (art. 38, § 1º, da Re-
solução 23.607/2019).

139
guia prático do candidato Eleições 2020

1.3.3 GASTOS ESPECÍFICOS DE CAMPANHA

• Os gastos eleitorais sujeitos ao registro na presta-


ção de contas estão previstos no artigo 35 da Reso-
lução-TSE n.º 23.607/2019. Dentre eles estão:

4Material impresso – Deve conter CPF/CNPJ


de quem o fabricou, além do CPF/CNPJ de
quem contratou ou pagou, bem como a tiragem.
As notas fiscais devem conter a informação das
dimensões dos produtos.
4 Impulsionamento – Deve conter CPF/CNPJ
de quem contratou. Só pode ser contratado pe-
los candidatos, seus representantes ou partidos
políticos. É vedada sua contratação por eleitores
e/ou apoiadores.

OBS: Os gastos com impulsionamento contratados e


não utilizados, até o fim da campanha, deverão ser consi-
derados como sobras de campanha, que precisão ser trans-
feridas de acordo com a origem do recurso.

4Combustível – Gasto destinado a (I) veículos


em carreata, limitado a 10 litros para cada um,
desde que feita a indicação da quantidade e de
combustível utilizado por evento, na prestação
de contas; (II) veículos utilizados na campanha,
desde que declarados originalmente na presta-
ção e seja apresentado relatório que comprove o
volume e o custo do combustível adquirido para
este fim; (III) e ao abastecimento de geradores,
com a devida discriminação da quantidade e va-
lor do combustível adquirido.

140
Carlos Sérgio de Carvalho Barros advogados associados

OBS: Na prestação de contas, o limite fixado de gastos


com aluguel de veículos automotores é de 20% (vinte por
cento) de todo o contratado (art. 42, inciso II, Resolução
23.607, do TSE).

4Gastos com pessoal – Deve ser realizado para


a militância ou mobilização de rua, cujo limite de
pessoas para a contratação é, (a) para os municí-
pios com até 30 mil eleitores, até 1% do eleitora-
do; (b) para os demais municípios, corresponderá
ao máximo da primeira hipótese, somado de 1
(uma) contratação para cada mil eleitores que ex-
cederam os 30 mil (art. 100-A, da Lei das Eleições).

OBS: Ao limite de pessoas a serem contratadas, não se


incluem os fiscais e delegados credenciados para as eleições,
a militância não remunerada, o pessoal do apoio adminis-
trativo e operacional, nem os advogados dos candidatos par-
tidos ou coligações.
OBS²: O limite de gastos com a alimentação do pessoal
que presta serviço às candidaturas ou aos comitês é de 10%
(dez por cento), dos gastos totais contratados (art. 42, inciso
I, Resolução 23.607, do TSE).

1.3.4 GASTOS COM CONTRATAÇÃO


DE ADVOGADOS E CONTADORES

De acordo com a Resolução-TSE nº 23.607/19, os


pagamentos dos advogados e contadores não serão com-
putados no cálculo dos limites de gastos dos candidatos,
devendo tais despesas figurarem de forma separada no
Sistema de Prestação de Contas Eleitorais – SPCE.

141
guia prático do candidato Eleições 2020

Se as despesas com advogados e contadores forem


pagas com recursos depositados na conta bancária “Do-
ações de Campanha”, os doadores deverão respeitar o
limite de 10% (dez por cento) dos rendimentos brutos
auferidos no exercício anterior.

1.4 PRESTAÇÃO DE CONTAS PARCIAL

A prestação de contas parcial de campanha deve ser


encaminhada por meio do Sistema de Prestação de Con-
tas Eleitorais (SPCE), pela internet, até o dia 27 de ou-
tubro de 2020, devendo as coligações e os candidatos,
obrigatoriamente, divulgar o relatório que discrimina as
transferências do Fundo Partidário e do Fundo Especial
de Financiamento de Campanha, os recursos em dinhei-
ro e os estimáveis em dinheiro recebidos, bem como os
gastos realizados.

Existe alguma penalidade diante da impossibilidade


de apresentação de contas parcial no prazo estabelecido
pela lei?
A não apresentação tempestiva da prestação de contas
parcial ou a sua entrega de forma que não corresponda à
efetiva movimentação de recursos pode caracterizar infra-
ção grave, a ser apurada na oportunidade do julgamento da
prestação de contas final.

OBS: É importante que os candidatos façam a prestação


de contas parcial, mesmo que não tenham arrecadado ou
realizados gastos de campanha.

142
Carlos Sérgio de Carvalho Barros advogados associados

1.5 PRESTAÇÃO DE CONTAS FINAL

• A prestação de contas final de todos os candida-


tos, referentes ao primeiro e segundo turno, onde
houver, e de partidos políticos, em todas as esferas,
deverão ser prestadas à Justiça Eleitoral até o dia
15 de dezembro de 2020.
• O envio deverá ser realizado através da versão atua-
lizada do Sistema de Prestação de Contas Eleitorais
(SPCE) e os arquivos devem ser salvos em uma mí-
dia (pen drive), a ser validada pela Justiça Eleitoral.

OBS: O SPCE emitirá um número de controle e so-


mente após essa emissão será gerado o recibo de entrega.
O SPCE gera um processo automático no sistema PJe, no
qual advogados e prestadores poderão acompanhar o desen-
rolar do procedimento.

1.5 DA PRESTAÇÃO DECONTAS SIMPLIFICADA

• Esse sistema de prestação de contas se caracteriza


pela análise informatizada e simplificada, que será
elaborada exclusivamente pelo SPCE, sendo, por-
tanto, mais rápida.
• A prestação de contas simplificada pode ser rea-
lizada, (I) no caso de candidatos que apresentem
movimentação financeira máxima de R$20.000,00
(vinte mil reais), fixado pela Lei nº 13.165/2015,
atualizado monetariamente, a cada eleição, pelo
INPC, (II) e também nas eleições para prefeito e
vereador em municípios com menos de cinquenta
mil eleitores (art. 62, da Resolução 23.607/2019).

143
guia prático do candidato Eleições 2020

OBS: Candidatos não eleitos também poderão ser sub-


metidas ao exame simplificado (art. 63, parágrafo único,
da Res. 23.607, do TSE), desde que não tenham utilizado
recursos do Fundo Partidário e FEFC.

• A prestação de contas simplificada será composta


exclusivamente pelas informações prestadas direta-
mente no SPCE e pelos documentos descritos no
artigo 53, inciso II, alíneas “a”, “b”, “d” e “f”, da Re-
solução-TSE nº 23.607/2019, que seguem abaixo:

4Extratos das contas bancárias abertas em


nome do candidato e do partido político, in-
clusive da conta aberta para movimentação de
recursos do Fundo Partidário e daquela aber-
ta para movimentação de recursos do Fundo
Especial de Financiamento de Campanha
(FEFC), quando for o caso, nos termos exigidos
pelo artigo 3º, inciso III, da citada Resolução,
demonstrando a movimentação financeira ou
sua ausência, em sua forma definitiva, contem-
plando todo o período de campanha, vedada a
apresentação de extratos sem validade legal,
adulterados, parciais ou que omitam qualquer
movimentação financeira;
4Comprovantes de recolhimento (depósitos/
transferências) à respectiva direção partidária
das sobras financeiras de campanha;
4Declaração firmada pela direção partidária
comprovando o recebimento das sobras de cam-
panha constituídas por bens e/ou materiais per-
manentes, quando houver;

144
Carlos Sérgio de Carvalho Barros advogados associados

4Instrumento de mandato para constituição


de advogado para a prestação de contas, caso
não tenha sido apresentado na prestação de
contas parcial;

• Como o próprio nome sugere, os candidatos po-


derão fazer uso do sistema simplificado, observan-
do sempre os seus requisitos mínimos que devem
constar na prestação de contas (art. 28, § 10, da Lei
das Eleições):

4identificação das doações recebidas, com os


nomes, o CPF ou CNPJ dos doadores e os res-
pectivos valores recebidos;
4identificação das despesas realizadas, com os
nomes e o CPF ou CNPJ dos fornecedores de ma-
terial e dos prestadores dos serviços realizados;
4registro das eventuais sobras ou dívidas de
campanha.

1.6 DA ANÁLISE E DO
JULGAMENTO DAS CONTAS

• No julgamento da prestação de contas, a Justiça


Eleitoral faz o exame de mérito, não se restringin-
do à mera apuração formal das movimentações
apresentadas.
• Desse modo, podem ser requisitados técnicos do
Tribunal de Contas da União, dos Estados e dos
Tribunais e Conselhos de Contas dos Municípios,
pelo tempo que for necessário, bem como servido-
res ou empregados públicos do município, ou nele

145
guia prático do candidato Eleições 2020

lotados, ou ainda pessoas idôneas da comunidade,


devendo a escolha recair preferencialmente naque-
les que detenham formação técnica compatível,
dando ampla e imediata publicidade para cada re-
quisição (art. 30, § 3º, da Lei nº 9.504/1997).
• Havendo indício de irregularidade na prestação de
contas, a Justiça eleitoral poderá requisitar, direta-
mente ou por delegação, informações adicionais,
bem como determinar diligências específicas para
a complementação dos dados ou para o saneamen-
to das falhas, com a identificação dos documentos
ou elementos que devem ser apresentados.
• Findo o prazo para apresentação das contas finais,
não é admitida a retificação das contas parciais e
qualquer alteração deverá ser realizada por meio de
retificação das contas finais, com a apresentação
de nota explicativa.
• A Justiça Eleitoral verificará a regularidade das
contas de campanha, decidindo:

4Pela aprovação, quando estiverem regulares;


4Pela aprovação com ressalvas, quando verifi-
cadas falhas que não lhes comprometam a re-
gularidade;
4Pela desaprovação, quando constatadas fa-
lhas que comprometam sua regularidade;
4Pela não prestação, quando não apresentadas
as contas após a notificação emitida pela Justiça
Eleitoral;

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Carlos Sérgio de Carvalho Barros advogados associados

OBS: Contas julgada como NÃO prestadas ensejam o


impedimento da quitação eleitoral até o final da legislatura
para o qual o(a) candidato(a) concorreu.

4A aprovação com ressalvas das contas de cam-


panha não obsta que seja determinada a devolu-
ção dos recursos recebidos de fonte vedada ou a
sua transferência para a conta única do Tesouro
Nacional, assim como dos recursos de origem
não identificada.
4Todo o procedimento de prestação de contas
deve ser acompanhado pela assessoria jurídica e
contábil do candidato, evitando assim eventuais
prejuízos.

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