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, PSICOLOGIA EDUCACIONAL E ESCOLAR I

Orientação vocacional: confronto entre dois diagnósticos *

MARLENE APARECIDA G. C. ARNOLDI**

1. IntroduçlIo; 2. Métodos; 3. Resultados;


4. DiscusslIo e conclusões.

o objetivo do presente trabalho foi estudar a concordância entre diagnósticos de orientação


vocacional obtidos por intermédio de dois conjuntos de medidas: um de natureza psicológica e
outro de natureza pedagógica. Os diagnósticos foram feitos no sentido de prognosticar as áreas
de estudo "Ciências Físicas e Biológicas", ou "Ciências Humanas" ou "Letras". Os sujeitos
foram alunos da segunda série do Segundo Grau das escolas da rede de ensino estadual de
Araraquara. Antes de nos lançarmos a campo para a coleta de dados, fizemos estudos prepara-
tórios. Cada sujeito foi classificado em uma das áreas por intermédio do conjunto de me!lidas
psicológicas e por intermédio do conjunto de medidas pedagógicas. Testamos a significância do
número de concordâncias e discordâncias resultantes dos diagnósticos fornecidos pelos dois
conjuntos de medidas. Concluímos que o número de concordância entre os diagnósticos forne-
cidos pelos dois conjuntos de medidas foi significantemente maior do que o número de discor-
dâncias quando: a) os escores dos sujeitos tanto nas medidas de interesse como de aptidão
foram superiores à média de seu grupo e, em pelo menos uma dessas medidas, iguais a 75% dos
sujeitos de seu grupo; b) as notas escolares foram incluídas no diagnóstico pedagógico. E isto se
aplica quando os diagnósticos foram feitos para uma das duas áreas CFB ou CH e L.

1. Introduçlo

Com O desenvolvimento da psicologia diferencial mostrou-se a necessidade de se considerarem


as características pessoais do sujeito antes de encaminhá-lo para um ou outro campo profissio-
nal.
Entre os princípios que norteiam o encaminhamento de um indivíduo para uma dada
carreira e nlIo para outra, pode-se destacar os segufutes: "os indivíduos diferem nas suas apti-
dões, interesses e traços de personalidade; cada indivíduo pode realizar-se em um certo número
de profissões que requerem exigências específicas; a satisfaçlo profissional depende do fato de o
indivíduo descobrir um quadro adequado à expanslIo de suas aptidões, interesses, sistema de
valores e personalidade" (Novaes, 1975, p. 108). Os dois primeiros princípios 810 também duas
das 10 proposições que compõem a Teoria Vocacional de Super (Kline, 1975).

* Tese de mestrado apresentada ao Instituto de Psicologia da USP. Teve como orientador o Prof. Dr. Romeu
de Morais Almeida, a quem a autora externa seus agradecimentos. (Entre~e à redação em 23.6.80)
** Professora assistente do Departamento de Psicologia da Educação do Instituto de Letras, Ciências Sociais e
Educação, Campus de Araraquara, UNESP. (Endereço da autora: Av. Prof. Augusto Cesar, 1077 - 14.880 -
Araraquara - SP.)
Arq. bras. Psic., Rio de Janeiro, 33 (3): 102-110, jul./set. 1981
Dentro deste contexto, surge o problema da escolha vocacional. Vários autores como
Roe, Super,. Ginsberg e Holland propõem explicações para o problema da escolha vocacional
(Roe, 1956; Martins, 1972; Kline, 1975 e Super & Bohn, 1975). Um estudo transversal feito
por Madaus & O'Hara (1967) demonstrou que a escolha de uma carreira se Cristaliza durante a
high school. Para Peterson (1967) as escolhas vocacionais devem ser feitas em termos de ampllJS·
áreas de interesse ou competência, ou em termos de grandes áreas de atividades, isto é, em
termos de famílias ocupacionais ou categorias, como as propostas por Roe (1956).
Considerando-se esses aspectos, podemos dizer que nossos alunos, ao cursarem a escola de
Segundo Grau devem, inicialmente, fazer escolhas em termos de grandes áreas, e com todo o
cuidado se deve acompanhar o sujeito, pois é nessa época que provavelmente se dará a estrutu-
raçllo de uma carreira.
É do conhecimento de todos que se interessam por orientaçllo vocacional que a escolha de
uma profissllo, além de ser um processo evolutivo, sofre a influência de vários fatores. Na
literatura, encontram-se vários autores que abordam o problema dos determinantes da escolha
profissional. De uma maneira geral o mesmo grupo de fatores é citado, o que os diferencia é o
tratamento mais ou menos profundo e extenso que conforme os autores é dado a uns ou a
outros (Valentine, 1953; Super, 1967; Agatti, 1972; Super & Bohn, 1975).
Warters (1964) coloca que a escolha vocacional, sucesso no treinamento e na profisslo
devem ser preditos a partir de dados sobre os interesses e as aptidões do indivíduo. Ressalta
ainda que o interesse nllo substitui a aptidllo e que aptidllo sem interesse pode limitar a
satisfaçllo profissional. Muitos autores estudaram os interesses e/ou as aptidões como preditores
da escolha profissional. Entre eles, podem ser citados Strong (1954), Angelini (1957), Horst
(1957), Fishrnan & Pasanella (1960), Cooley (1967), Lavin (1967), Super (1967), Cole (1973),
Super & Bohn (1975). O presente trabalho pretendeu estudar algumas medidas de avallaçllo
destes determinantes da escolha vocacional. O objetivo deste estudo foi estudar a concordância
entre diagnósticos de orientaçllo vocacional obtidos por intermédio de dois conjuntos distintos
de medidas: um de natureza psicológica e outro de natureza pedagógica. Os diagnósticos foram
feitos no sentido de prognosticar a área de estudo (''Ciências Físicas e Biológicas" ou ''Ciências
Humanas" ou "Letras") que, se for escolhida pelo sujeito, garantirá, provavelmellte, uma
melhor adaptaçllo ao curso de formaçllo profissional e, em conseqüência, à própria profissllo.

2. Métodos

2.1 Sujeitos

Cento e sessenta e nove adolescentes, 95 do sexo feminino e 74 do sexo masculino, cuja média
das idades era de 17,2 anos, foram selecionados como sujeitos da presente pesquisa. Todos
cursavam a segunda série do 2.0 grau das escolas da rede de ensino estadual de Araraquara,
sendo que 116 cursavam no período diurno e 53, no período noturno.

2.2 Material

O material usado na presente pesquisa para formar o diagnóstico psicol6gico consistiu no DAT,
CIA, e do Kuder Inventário de Interesses, Forma CH-vocacional. O diagnóstico pedag6gico foi
obtido a partir dos resultados alcançados pelos sujeitos nas seguintes provas: redaçllo, ~stio-

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nário e prova-padra'o de conhecimentos acadêmicos. Além dos resultados obtidos através desta
prova, o diagnóstico pedagógico foi também elaborado com base nas notas escolares dos alunos.

2.3 Procedimento

Antes de nos lançarmos a campo para a coleta de dados, fizemos estudos preparatórios para:
a) testar a viabilidade de utilizaça'o de um questionário por nós construído para avaliar os
interesses profissionais; b) testar também a viabilidade do uso de uma prova de redaça'o sobre a
área de estudos indicada como preferida, para avaliar os interesses expressos; c) mentar uma
prova de conhecimentos relativos às diversas disciplinas que compõem o currículo das primeiras
e segundas séries do ensino de 2. 0 grau.
Além dos instrumentos já referidos, foram aplicados em cada sujeito a bateria DAT, o
CIA e o Kuder Inventário de Interesses.
Cada instrumento foi aplicado por uma técnica e uma auxiliar previamente treinadas. As
aplicações foram feitas nas próprias salas de aula dos sujeitos e dentro do período regular das
aulas. As provas foram realizadas em cinco sessões distintas, sendo uma sessão por dia e em dias
sucessivos. A ordem das sessões foi casualmente determinada: 1. Kuder e prova de conheci-
mento (matemática, português e física). 2. CIA e redação. 3. DAT - Uso da linguagem, relações
espaciais e raciocínio verbal. 4. Questionário pedagógico e prova de conhecimento (química,
educação moral e cívica, inglês e estudos sociais). 5. DAT - Raciocínio mecânico, rapidez e
exatidão, raciocínio abstrato e habilidade numérica.
O juigamento foi feito para determinar quais seriam os subtestes do CIA e do DAT, bem
como das-áreas do Kuder, a serem utilizados para prognosticar o desempenho do sujeito em
cada uma das áreas por nós estudadas. Estabelecemos também procedimentos objetivos para a
classillcação de cada sujeito em cada área.
Firmamos, ainda, procedimentos objetivos para a avaliaça'o do questionário e da redaça'o.
O escore na prova-padrão de conhecimento foi o resultado da soma das questões respondidas de
modo correto pelos sujeitos, independentemente da correça'o do acerto casual.
Com exceça'o da prova de redaça'o, os escores brutos de cada medida foram expressos em
termos de nota Z. Os escores brutos, assim transformados, foram utilizados nas análises efetua-
das e relatadas posteriormente no item resultados.
Em seguida, o primeiro passo consistiu em estabelecer critérios para a elaboraça'o dos
diagnósticos psicológico e pedagógico para cada um dos sujeitos estudados.
Para chegar ao diagnóstico psicológico de cada sujeito foram calculadas: 1. As médias das
notas Z nas áreas do Kuder representativas de cada área de especialização (interesses). 2. As
médias das notas Z nos subtestes do DAT e CIA para cada área de especializaça'o (aptidões). A
tabela 1, a seguir, apresenta os subtestes usados como representativos de cada área.
Para a obtença'o do diagnóstico pedagógico calculou-se: 1. A média das notas Z no con-
junto de disciplinas selecionadas para cada área (da prova de conhecimentos ou das notas
escolares). 2. A nota Z dos pontos obtidos no questionário em cada área de especializaça'o. A
classillcaça'o obtida pelo sujeito na redaça'o foi utilizada como recurso para classificá-lo em uma
ou outra área quando o resultado do questionário e de conhecimentos acadêmicos permitiram
sua inclusão em duas ou mais delas.
As disciplinas escolares escolhidas para representar a área CFB foram matemática, física e
química; para representar a área CH foram estudos sociais e educação moral e cívica; e para a
área L foram português e inglês.

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Tabela 1
Subtestes do CIA, DAT e Kuder indicados por pelo menos dois juízes,·
como representativos de cada uma das áreas

;:~ CFB CH L

Mecânica Serviço so cia"! Literária


KUDER Científica Persuasiva
Cálculo

Rac. mecânico Rac. verbal Rac. verbal


DAT ReL espaciais Uso da linguagem Usoda~agem
Rac. abstrato Rac. abstrato Rac. abstrato
Habilidade numérica

Mosaico Informações Informações


CIA Rac. aritmético Compreensão Compreensão
Informações Semelhança Semelhança
Completamento de figuras Estorietas

Com esses dados, foram elaborados respectivamente um diagnóstico psicológico e um


diagnóstico pedagógico para cada um dos sujeitos. Esses diagnósticos eram possíveis nas três
áreas para cada sujeito, podendo aparecer um nítido ou leve predomínio de uma área sobre as
outras duas, e podendo ocorrer uma absoluta igualdade entre duas ou três áreas. Foram, tam-
bém, elaborados procedimentos para a orientaça:o diferencial do sujeito para uma ou outra área,
tanto para o diagnóstico psicológico como para o diagnóstico pedagógico.

3. Resultados

Considerou-se como concordância entre os diagnósticos psicológico e pedagógico aqueles casos


em que o mesmo sujeito foi diagnosticado para uma das áreas (ou como indeterminado) por um
dos conjuntos de medidas e foi diagnosticado para a mesma área pelo outro conjunto de
medidas (diagnósticos psicológicos ou pedagógicos).
Analisou-se a concordância entre os diagnósticos psicológico e pedagógico (com as notas
escolares). Para verificar a significância estatística das freqüências de concordâncias e discor-
dâncias, aplicou-se o teste X2 • Considerando-se o nível de significância de 0,05 e um grau de
liberdade, rejeitou-se Ho, pois o X2 encontrado foi de 10,94. Esse valor de X2 indica que ocorre-
ram mais discordâncias do que concordâncias.
O número significantemente maior de discordâncias pode ter resultado do fato de que a
maioria dos subtestes do DAT e do CIA utilizados para diagnosticar os sujeitos na área CH
te{em sido os mesmos usados para a área L (veja tabela 1).
A influência dessa circunstância sobre os resultados pode ser inferida a partir da tabela 2.
Nessa tabela verifica-se que: a) 17 discordâncias são representadas pelos sujeitos que fo-
ram diagnosticados para a área L, pelas medidas psicológicas, e na área CH, pelas medidas
pedagógicas; b) 11 discordâncias representam os sujeitos que foram diagnosticados na área CH

Orientação vocacional 105


Tabela 2
Número de sujeitos classificados nas áreas CFB ou CH ou L, por todos os
procedimentos, aplicados ao diagnóstico psicológico e suas correspondentes
classificações de acordo com o diagnóstico pedagógico

D.Pcl 1
CFB CH L Indet. 3 Total
D. Psi. 2

CFB 28 5 5 7 45
CH 8 17 11 9 45
L 14 17 12 4 47
Indet. 10 6 10 6 32
Total 60 45 38 26 169
1 Diagnóstico pedagógico
2 Diagnóstico psicológico
3 Indeterminado.

pelas medidas psicológicas e na área L pelas medidas pedagógicas. Assim, 28 casOS de discor-
dâncias (cerca de 26% do total de discordâncias) são entre os sujeitos que receberam o diagnós-
tico psicológico para a área CH e o diagnóstico pedagógico na área L, ou vice-versa.
Resolveu-se, então, analisar os dados considerando-se os diagnósticos relativos a apenas
duas áreas: de um lado, CFB e, de outro, CH e L. Ocorreram agora 91 concordâncias e 78
concordâncias. O X2 agora observado foi de 1,00; assim, considerando-se o nível de significância
de 0,05 e um grau de liberdade, aceita-se Ho'
Esse novo resultado, embora venha mostrar que os dois critérios não levam a resultados
mais discordantes do que concordantes, mas tão-somente que agora tendem a ser estatisticamen-
te iguais o número de acordos e desacordos entre as classificações proporcionadas em cada crité-
rio, é ainda absolutamente insuficiente para se poder afirmar que os critérios são intercambiáveis.
Empreendemos, ainda, outras análises dos dados. Usamos procedimentos de classificação
mais rigorosos aplicados às medidas psicológicas. Isto é, foram tomados os sujeitos que tinham
uma definição mais acentuada por uma das áreas.
Passamos então a comparar as classificações obtidas através da aplicação de procedimen-
tos mais rigorosos (os seis primeiros dos nove elaborados) às medidas psicológicas com as
decorrentes da aplicação de qualquer um dos procedimentos às medidas pedagógicas. Foram
feitas seis análises diferentes e uma visão de conjunto dessas análises pode ser obtida através da
tabela 3.
Os dados constantes na tabela anterior referem-se à concordância e discordância entre
áreas diagnosticadas pelas medidas psicológicas e pedagógicas, incluindo-se nestas últimas as
notas escolares. Quando no diagnóstico pedagógico as notas escolares foram substituídas pelos
escores nas provas de conhecimento, os resultados são os que constam da tabela 4, apresentada
a seguir.
Comparando-se os resultados da tabela 3 com os da tabela 4, verifica-se que há certas
tendências comuns a ambas.
Resumindo podemos dizer que: a) independentemente do maior rigor dos procedimentos
aplicados às medidas psicológicas para se obter um diagnóstico para as três áreas distintamente,
não se encontrou maior freqüência de concordância do que de discordância entre os diagnós-
ticos assim obtidos e os obtidos através da utilizaçã'o de qualquer dos procedimentos aplicados

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às medidas pedagógicas. Isto ocorreu independentemente de se incluírem no diagnóstico peda-
gógico as notas escolares ou as notas na prova-padrfo de conhecimento; b) usando-se as notas
escolares entre as medidas pedagógicas e fazendo-se o diagnóstico com base nestas para as duas
áreas CFB ou CH e L, observou-se um número significantemente maior de concordâncias do
que discordâncias apenas quando às medidas psicológicas foram aplicados procedimentos de
classificaçfo mais rigorosos; c) quando a prova-padrfo de conhecimento foi incluída entre as
medidas pedagógicas e com base nela fez-se o diagnóstico para uma das duas áreas CFB ou CH e
L as concordâncias superaram significante mente as discordâncias apenas quando as classifi-
caçOes foram feitas com base nas aplicaçl5es de um critério, considerado rigoroso, às medidas
psicológicas (análise 4), porém na'o o mais rigoroso que pudemos elaborar (análise 2).

Tàbela 3
2
Valores de X encontrados nas análises das concordâncias e discordâncias quanto às
áreas diagnosticadas com base em diferentes procedimentos de classificaçã'o
aplicados apenas às medidas psicológicas

Procedimentos Procedimentos Áreas Valores de


Análise psicológicos pedagógicos diagnosticadas x2
lou2ou30u4
1 lou2ou30u4 ou 5 ou 6 ou 7 CFB ouCHou L 25 32 0,86
ou8ou9

lou2ou30u4
2 lou2ou30u4 ousou6ou7 CFB ouCH eL 38 19 6,34*
ou 8 ou 9

1 ou 2 ou 3 ou 4 1 ou 2 ou 3 ou 4
3 ousou6 ous ou 6 ou 7 CFB ouCHou L 40 56 2,66
ou 8 ou 9

1 ou2 ou 3 ou 4 1 ou 2 ou 3 ou 4
4 ousou6 ous ou 6 ou 7 CFB ou CHeL 60 36 6,00*
ou8ou9

1 ou 2 ou 3 ou4 1 ou 2 ou 3 ou 4
5 ousou6ou7 ouS ou6 ou 7 CFB ou CH ou L 63 106 10,94**
ou8 ou 9 ou8ou9

1 ou 2 ou 3 ou" 1 ou 2 ou 3 ou 4
6 ou 5 ou 6 ou 7 ous ou 6 ou 7 CFBouCHeL 91 78 1,00
ou8ou9 ou8ou9
I Concordâncias.
2 Discordâncias.
* Significante ao nível de 0,05.
** Significante ao nível de 0,01.

Orientação vocacional 107


Tabela 4
2
Valores de X encontrados nas análises das concordâncias e discordâncias quanto às
áreas diagnosticadas por diferentes procedimentos de classificação
aplicados apenas às medidas psicológicas

Procedimentos Procedimentos Áreas Valores de


Análise psicológicos pedagógicos diagnosticadas x'
I ou 2 ou 3 ou 4
1 lou2ou30u4 ou 5 ou 6 ou 7 CFB ou CHou L 27 30 0,16
ou8ou9

1 ou 2 ou 3 ou 4
2 lou2ou30u4 ou50u6ou7 CFBouCHeL 35 22 2,96
ou8ou9

lou2ou30u4 lou2ou30u4
3 ou50u6 ou 5 ou 6 ou 7 CFB ou CH ou L 41 55 2,04
ou 8 ou 9

lou2ou30u4 1 ou 2 ou 3 ou 4
4 ou 5 ou 6 ou 5 ou 6 ou 7 CFB ou CH e L 60 36 6,00·
ou 8 ou 9

1 ou 2 ou 3 ou 4 1 ou 2 ou 3 ou 4
5 ou 5 ou 6 ou 7 ou50u6ou7 CFB ou CH ou L 65 104 9,00"
ou8ou9 ou8ou9

1 ou 2 ou 3 ou 4 1 ou 2 ou 3 ou 4
6 ou50u6ou7 ou 5 ou 6 ou 7 CFB ouCH e L 92 77 1,33
ou8ou9 ou8ou9

I Concordâncias.
2 Discordâncias.
. * Significante ao nível de 0,05 .
.. Significante ao nível de 0,01.

4. Discussão e conclusões

A orientação vocacional está baseada em duas áreas de estudo- a avaliação das pessoas e a
avaliação das funções. O presente trabalho enquadra-se dentro da primeira perspectiva, isto é,
procurou-se estudar alguns determinantes pessoais da escolha vocacional..
Com o conjunto de medidas psicológicas e o correspondente conjunto de medidas pedagó-
gicas usados neste trabalho, não é possível falar-se em equivalência dos diagnósticos fornecidos
por esses conjuntos de medidas quando se tem em vista cada uma das três áreas CFB ou CH ou
L.
Uma verdadeira equivalência não pode ser verificada, pois para isso as concordâncias
deveriam repousar em diagnósticos fornecidos por procedimentos de classificação mais rigorosos

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aplicados em ambos os conjwltos de medidas para o mesmo sujeito. Isso nã'o foi possível ser
feito com os dados disponíveis.
Entretanto, análises, que sabemos serem grosseiras, desses dados mostraram que: a) os
diagnósticos efetuados pelo conjwtto de medidas psicológicas e pelo conjunto de medidas
pedagógicas do concordantes quando os sujeitos foram diagnosticados para uma das duas áreas
CFB ou CH e L. Ainda, para que a concordância dos diagnósticos seja estatisticamente signifi-
cante, é necessário que os sujeitos sejam diagnosticados através de procedimentos de classifi-
caçã'o, aplicados às medidas psicológicas ou pedagógicas, mais rigorosos que os propostos inicial-
mente, e que as notas escolares sejam incluídas no diagnóstico pedagógico; b) os nossos resul-
tados indicaram também uma impossibilidade de diferenciar os sujeitos quanto às áreas CH e L
utilizando-se, simultaneamente, escores obtidos em testes de interesses e de aptidã'o, pelo me-
nos, através dos respectivos instrumentos de medida utilizados neste trabalho; outra informaçã'o
dada por este estudo é a de que, apesar das fontes de erros inerentes às notas escolares fome-
cidas pelo professor, estas do mais adequadas para pesquisa desta natureza do que provas
objetivas de conhecimento como as que foram construídas e usadas para a realizaçã'o deste
trabalho.
Uma pequena proporçã'o dos sujeitos estudados pode ~r classificada bem defmidamente
em uma ou em outra área. Podemos inferir que, se o número de áreas estudadas fosse maior,
menor ainda seria o número de alunos com classificações precisas. Daí reconhecermos ser
necessária a existência de profissionais especializados para dar assistência vocacional aos nossos
escolares no momento da escolha de cursos já no nível de Segundo Grau. A importância da
orientaçã'o vocacional na escola foi reconhecida pelo Conselho Federal de Educaçã'o, entretanto
a operacionalizaçã'o do que diz o art. 10 da Lei n. O 5.692/71 é imprescindível para a adaptaçã'o
dos nossos escolares nos cursos correspondentes às várias áreas oferecidas já no nível de ensino
de Segundo Grau .
.Finalizando, nossa conclusro é que na prática ou em futuras pesquisas desta mesma
natureza, quanào esses conjuntos de medidas forem utilizados, recomenda-se o uso de procedi-
mentos de classificaçã'o que exijam do sujeito resultados acima da média de seu grupo tanto em
interesses como em aptidões. E, em pelo menos uma dessas variáveis, o sujeito deverá obter
resultado maior ou igual ao de 75% dos sujeitos de seu grupo (procedimentos de classificação 1,
2,3 e 4).

Summary

The objective of this present work was to study the concordance between the two diagnoses of
Vocational Orientation obtained by means of two sets of measures: one of psychological and
the other of pedagogical nature. The diagnoses were made with the purpose of prognosticating
the area of studies "Physical and Biological Sciences", or "Human Sciences" or "Arts". The
subjects were sophomores belonging to the State High Schools of Araraquara. Before we set off
into the gathering of data, we made preparatory studies. After the classification of the subjects
into one area, we have checked the significance of number of concordances and discordances
originating from the diagnoses given by the two sets of measures. The conclusion was that the
number of concordances between the diagnoses given by the two sets of measures was signifi-
catly greater than the number of discordances when: a) the subjects scores in the measures of
interests as well as of aptitude were higher than their group medium and, in at least one of
these measures, similar to 75% of the subjects in their groups; b) the school marks were

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included in the pedagogical diagnoses. And this also happened when more strictclassification
procedures than the ones formerly made were applied to the psychological or pedagogical
measures to classify the subjects into one of the two areas PBS ou HS and A.

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