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RECURSO EM SENTIDO ESTRITO (art. 581/592, CPP).

1. Conceito: É o recurso mediante o qual se procede ao reexame de uma


decisão nas matérias especificadas em lei, possibilitando ao próprio juiz
recorrido uma nova apreciação da questão, antes da remessa dos autos à
segunda instância.

2. Competência para o julgamento: O recurso deve ser endereçado ao Tribunal


competente para apreciá-lo, mas a interposição far-se-á perante o juiz
recorrido, para que este possa rever sua decisão (juízo de retratação).

3. Prazos: O prazo será de cinco dias, a partir da intimação da decisão (art. 586,
CPP). No caso do inciso XIV, será de vinte dias, a contar da publicação da lista
geral de jurados (CPP, art. 586, caput e seu § único).

4. Hipóteses de Cabimento: O recurso em sentido estrito cabe nas hipóteses


previstas no art. 581, do Código de Processo Penal. Assim, caberá recurso em
sentido estrito da decisão, despacho ou sentença:

I) que rejeitar a denúncia ou queixa. Cuida-se da hipótese de recurso contra


decisão interlocutória mista terminativa ou, simplesmente, sentença
terminativa. Na situação inversa, ou seja, de recebimento da denúncia ou
queixa, é incabível esse recurso, podendo o acusado valer-se do habeas corpus.

Exceções: Em se tratando de decisão que rejeita denúncia ou queixa que


capitula infração de competência do Juizado Especial Criminal, será também
cabível apelação para a Turma Recursal (art. 82, caput, da Lei nº 9.099/95).
II) que concluir pela incompetência do juízo. Trata-se da decisão pela qual o
julgador reconhece espontaneamente (ex officio) sua incompetência para julgar
o feito, sem que tenha havido oposição de exceção pelas partes (procedimento
incidental), pois, nesta última hipótese, o recurso terá fundamento no inciso III.

Obs: Havendo desclassificação na fase da pronúncia (art. 419) em crimes de


competência do júri, cabível a interposição do recurso com fulcro neste inciso.

III) que julgar procedente exceção, salvo a de suspeição. O art. 95, do CPP,
enumera as cinco exceções oponíveis, a saber: suspeição, incompetência do
juízo, litispendência, ilegitimidade de parte e coisa julgada.

IV) que pronunciar o réu. No primeiro caso, temos uma decisão interlocutória
mista não terminativa, que encerra uma fase do procedimento, sem julgar o
mérito, isto é, sem declarar o réu culpado.

V) que conceder, negar, arbitrar, cassar ou julgar inidônea a fiança, indeferir


requerimento de prisão preventiva ou revogá-la, conceder liberdade
provisória ou relaxar a prisão em flagrante. A concessão da fiança, medida de
contra-cautela, é regulada pelos arts. 322 e seguintes, do CPP.A decisão pela
qual o juiz confirma a fiança arbitrada pela autoridade policial equivale à de
arbitramento pelo magistrado, sendo cabível o recurso em sentido estrito. As
partes podem insurgir-se contra a decisão ainda que para discutir somente o
valor da fiança exigida, quando o reputem insuficiente ou exagerado.

O recurso pode ser tirado, também, da decisão que conceder a liberdade


provisória ou relaxar prisão em flagrante.
Obs : a decisão que decreta a prisão preventiva, ou aquela que indefere pedido
de relaxamento do flagrante, bem assim a decisão que não concede a liberdade
provisória, são irrecorríveis, podendo ser objeto de impugnação por via de
habeas corpus.

VII) que julgar quebrada a fiança ou perdido se valor. Considera-se quebrada a


fiança nas seguintes hipóteses dos arts. 327, 328, 341, 344 do CPP. Decretada a
quebra da fiança ou o perdimento de seu valor, caberá recurso em sentido
estrito.

VIII) que decretar a prescrição ou julgar por outro modo, extinta a


punibilidade. Reconhecida a existência de qualquer causa extintiva da
punibilidade, é cabível o recurso em sentido estrito. Ver art. 397, IV, CPP

Obs: As decisões proferidas em sede de execução, no entanto, são impugnáveis


por via de agravo (art. 197, da LEP).

IX) que indeferir o pedido de reconhecimento da prescrição ou de outra causa


extintiva da punibilidade. Passível de impugnação por via do recurso em
sentido estrito a decisão que desacolhe requerimento de reconhecimento de
causa extintiva da punibilidade.

X) que conceder ou negar a ordem de habeas corpus. Proferida a sentença em


habeas corpus pelo juiz de primeiro grau, poderá ser interposto recurso em
sentido estrito.

Obs: A decisão concessiva da ordem, além de impugnável pelo recurso


voluntário, está sujeita ao duplo grau de jurisdição obrigatório (recurso de
ofício), nos termos do disposto no art. 574, inciso I, do CPP.
XI) que conceder, negar ou revogar a suspensão da pena (art. 77, CP)

XIII) que anular o processo da instrução criminal, no todo ou em parte. A


decisão pela qual o juiz declara nulo o processo, no todo ou em parte, é
enfrentada pelo recurso em sentido estrito (art. 564 e segs. CPP).

XIV) que incluir jurado na lista geral ou desta o excluir. Anualmente, é


organizada a lista geral de jurados, que se publicará em novembro e poderá ser
alterada de ofício ou por reclamação de qualquer do povo, até a publicação da
lista definitiva, que ocorre no dia 10 de novembro de cada ano (art. 426, § 1º,
CPP). A lista definitiva pode, então, ser impugnada por via de recurso em
sentido estrito, no prazo de 20 dias, dirigido ao presidente do Tribunal de
Justiça.

Obs: Podem recorrer o Ministério Público e qualquer do povo que tenha


interesse, em geral o jurado excluído ou incluído na lista (art. 426, CPP).

XV) que denegar a apelação ou a julgar deserta. Cabível o recurso em sentido


estrito da decisão que, por qualquer motivo, nega seguimento à apelação.
Trata-se de decisão por meio da qual o magistrado realiza juízo de
admissibilidade do recurso.

Obs: Cuida-se de exceção à regra segundo a qual é cabível a carta


testemunhável como meio de impugnar decisão que nega seguimento a
recurso. Assim, se o juiz não recebe o recurso em sentido estrito interposto
contra a decisão que negou seguimento à apelação, poderá a parte valer-se da
carta testemunhável.
XVI) que ordenar a suspensão do processo, em virtude de questão prejudicial.
Questões prejudiciais são as matérias que devem ser apreciadas pelo juiz antes
de julgar a lide principal, relativas a um elemento constitutivo do crime e que
subordinam, necessariamente, a decisão da causa. Em tais casos, há relação de
dependência lógica entre a questão prejudicial e a questão principal (ou
prejudicada).

XVIII) que decidir o incidente de falsidade (art. 145, CPP). O dispositivo refere-
se à decisão proferida no processo incidente instaurado a pedido de alguma das
partes para constatar a autenticidade de documento que se suspeita falso.

Obs: Os incisos XII, XVII, XIX, XX, XXI, XXII, XXIII foram “derrogados” pela Lei de
Execução Penal (Lei nº 7.210/84)

5. Efeitos: O recurso em sentido estrito provoca, em regra, provoca o efeito


devolutivo, isto é, a devolução do julgamento da matéria ao segundo grau de
jurisdição, e o efeito regressivo (iterativo ou diferido), que consiste na
possibilidade de o próprio juiz reapreciar a decisão recorrida (juízo de
retratação).

Obs: A regra é a da não-produção do efeito suspensivo, sendo cabível apenas


nas hipóteses elencadas no art. 584, CPP.

Obs: O recurso da decisão de pronúncia suspenderá o julgamento pelo Tribunal


do Júri(§ 2°, art. 584 do CPP) . Caso exista posterior interposição de recursos
especial(STJ) e extraordinário(STF), atentar para o fato de que tais instrumentos
não possuem efeito suspensivo automático, sendo necessária medida cautelar
para este fim.
3. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO (art. 619/620, CPP)

1. Conceito: é o recurso dirigido ao órgão prolator da decisão, quando nela


houver ambigüidade, obscuridade, contradição ou omissão; cabível tanto da
decisão de 1° grau (embarguinhos – art. 382, CPP), hipótese em que serão
dirigidos ao juiz, como de decisões de órgãos colegiados (2° grau- art. 619, CPP),
caso em que serão dirigidos ao relator do acórdão.

2. Natureza jurídica: parte da doutrina afirma, acertadamente, que têm


natureza recursal, já que nada mais são do que meio voluntário de pedir a
reparação de um gravame decorrente de obscuridade, ambiguidade, omissão
ou contradição do julgado;

Por outro lado, argumenta-se que não possuem caráter infringente (não
ensejam a modificação substancial da decisão), pois se destinam a
esclarecimentos ou pequenas correções, daí não constituírem recurso, porém
meio de integração da sentença ou acórdão.

3. Hipóteses de cabimento: se a decisão for obscura (quando não clara, não


compreensível), ambígua (se uma parte da sentença permitir duas ou mais
interpretações, de forma a não se entender qual a intenção do magistrado),
omissa (quando o julgador silencia sobre matéria que deveria apreciar) ou
contraditória (se alguma das proposições nela insertas não se harmoniza com
outra).
Obs: No caso da Lei nº 9.099/95, os pressupostos são os seguintes: obscuridade,
omissão, contradição e dúvida (ao invés de ambiguidade).

4 . Legitimidade: o acusado, o MP ou querelante e o assistente de acusação.

5. Prazo para oposição: 2 dias, contados da intimação, perante o próprio juiz


prolator da sentença (art. 382), ou no caso dos Tribunais (art. 619); 05 dias
(Juizado Especial Criminal - art. 83, § 1º, da Lei nº 9.099/95) (STF e STJ
Regimentos Internos).

6. Efeitos: opostos os embargos, os prazos restam interrompidos(art. 538 CPC


aplicação analógica);

4. EMBARGOS INFRINGENTES (matéria de mérito) E DE NULIDADE


(matéria processual) - Art. 609, Parágrafo Único, do CPP

1. Conceito: são recursos exclusivos da defesa e oponíveis contra a decisão (em


apelação e RESE) não unânime de órgão de 2ª instância que causar algum
gravame ao acusado (desfavorável ao réu).

2. Prazo: 10 dias, da publicação .

3. Hipóteses de Cabimento
a) somente contra decisão de 2ª Instância;
b) Decisão proferida em Apelação, Recurso em Sentido Estrito ou Agravo em
Execução. Não cabe embargos em decisão que julga revisão criminal;
c) Decisão não unânime;
d)Desfavorável ao réu;
e) Um voto vencido em favor do réu.
4. Extensão dos Embargos: Os embargos não podem extrapolar os limites do
voto vencido. Se o voto vencido é parcial, a pretensão deduzida nos embargos
estará limitada aos termos do voto vencido.

5. Características: é um recurso exclusivo do réu. Tanto o réu quanto o seu


defensor podem interpô-lo;
1. o recurso deve vir acompanhado das razões;
2. permite a retratação;
3. havendo empate, prevalece a decisão mais favorável ao réu;
4. tem efeito suspensivo;

7. CARTA TESTEMUNHÁVEL (art. 639, CPP)

1. Conceito: é instrumento que visa promover o andamento de outro recurso


que não foi recebido ou que foi paralisado. Ex. Recurso em sentido, agravo em
execução. É um recurso subsidiário. Visa dar andamento a um outro recurso.

2. Natureza jurídica: apesar do CPP haver tratado da carta testemunhável no


título destinado aos recursos, prevalece o entendimento segundo o qual é mero
remédio ou instrumento para conhecimento de outro recurso.

3. Hipóteses de cabimento (art. 639, CPP):


I - da decisão que não receber o recurso na fase do juízo de admissibilidade;
II - da decisão que admitido o recurso, obstar à sua expedição e seguimento ao
juízo “ad quem”.
4. Aspectos Procedimentais:
É um recurso dirigido ao escrivão ou diretor do cartório. Prazo - 48 horas (conta-
se minuto a minuto). Na prática, conta-se 2 dias. Não tem efeito suspensivo (art.
646, CPP). O escrivão elabora um instrumento. Em seguida vem as razões e as
contra-razões. Ato seguinte, os autos vão ao juiz, que pode retratar-se. Se não
se retratar, o recurso sobe ao Tribunal. Se a carta estiver bem instruída, o
Tribunal pode julgar a Carta Testemunhável e o Recurso que estava paralisado
(art. 644, CPP).

5. Exceções: das decisões que denegam seguimento aos seguintes recursos


caberá:
a) Denegação da apelação: cabe recurso em sentido estrito (art. 581, XV, CPP)
b) “do Rec. Especial e Extraordinário: cabe agravo de instrumento (art. 28, Lei n.
8038/90)

6. Prazo: 48 horas.

5. HABEAS CORPUS ( art. 5°, inc. LXVIII da CF/ art. 647 e segs. CPP).

1. Conceito: É o instrumento que tem por finalidade evitar ou fazer cessar a


violência ou a coação à liberdade de locomoção decorrente de ilegalidade ou
abuso de poder (liberdade de ir e vir).

2. Natureza jurídica: Trata-se de uma ação penal popular (embora esteja


previsto como recurso no CPP) com assento constitucional, voltada à tutela da
liberdade de locomoção, sempre que ocorrer qualquer dos casos elencados no
art. 648, do CPP.
3. Espécies: O HC apresenta-se em duas modalidades distintas: liberatório e
preventivo.

a) Liberatório, corretivo ou repressivo: é aquele que destina-se a afastar


constrangimento ilegal à liberdade de locomoção já efetivado, ou seja, o
paciente encontra-se segregado, preso, recolhido à prisão.

b) Preventivo: destina-se a afastar uma ameaça à liberdade de locomoção, ou


seja, o paciente encontra-se livre, porém, na iminência de ter a sua liberdade
segregada. Nesta hipótese, no caso de concessão da ordem deve ser expedido
salvo-conduto.

4. Paciente: é a pessoa natural que está sofrendo ou na iminência de sofrer


restrição a sua liberdade de locomoção em face da coação ilegal. Essa pessoa
denomina-se paciente.

Obs: em se tratando de crimes contra o meio ambiente (Lei nº 9605/98), caso


em que a pessoa jurídica poderá figurar no polo passivo da ação penal, poderá
ser impetrado HC para fins de trancamento da ação penal, sendo, portanto,
correto o pedido . (HC 92921 BA – Min. Rel. Ricardo Lewandowski)

5. Legitimidade ativa (Impetrante): Pode ser impetrado por qualquer pessoa,


independentemente de habilitação legal ou representação de advogado. A
parte que interpõe o pedido denomina-se impetrante. Não há necessidade de
procuração.
6. Legitimidade passiva (autoridade coatora): é aquela que determinou o ato
caracterizador do abuso ou da ilegalidade. Ou seja, autoridade coatora é aquele
de quem emanou a ordem (ex. juiz que decretou a prisão preventiva)

7. Hipóteses de Cabimento: As hipóteses de cabimento do HC encontram-se


enumeradas no art. 648, do CPP, senão vejamos:

a) Quando não houver justa causa (inciso I): A hipótese trata da falta de justa
causa para a prisão, para o inquérito e para o processo. Só há justa causa para a
prisão no caso de flagrante delito ou de ordem escrita e fundamentada da
autoridade judiciária competente.

b) Quando alguém estiver preso por mais tempo do que a lei determina (inciso
II): a hipótese cuida do excesso nas prisões provisórias, e/ou referentes ao prazo
para o encerramento da instrução criminal que, em regra, é de 105 dias no
procedimento comum ordinário.

Obs: Tratando-se de crime da competência do Júri, pronunciado o réu, fica


superada a alegação de constrangimento ilegal da prisão por excesso de prazo
na instrução (Súmula 21 do STJ).

Obs: Finalmente, não constitui constrangimento ilegal o excesso de prazo na


instrução provocado pela defesa (Súmula 64 do STJ).

c) Quando quem ordenar a coação não tiver competência para fazê-lo (inciso III):
só pode determinar a prisão, a autoridade judiciária dotada de competência
material e territorial, salvo caso de prisão em flagrante. Ex. prisão alimentícia
decretada por Juiz criminal, ou vice-versa.
d) Quando houver cessado o motivo que autorizou a coação (inciso IV): por
exemplo, sentenciado que já cumpriu sua pena, mas continua preso.

e) Quando não se admitir a fiança, nos casos em que a lei a prevê (inciso V): as
hipóteses em que a lei prevê a fiança (arts. 323, 324 e 335, do CPP).

f) Quando o processo for manifestamente nulo (inciso VI): a nulidade pode


decorrer de qualquer causa, como falta de condição de procedibilidade
(representação nos crimes de ação penal pública condicionada), ilegitimidade
ad causam (ofendido propõe a ação penal pública ou vice-versa) ou processual
(menor de 18 anos propõe ação penal privada), incompetência do juízo,
ausência de citação ou de concessão de prazo para a defesa prévia, alegações
finais etc.

g) Quando já estiver extinta a punibilidade do agente (inciso VII): as causas


extintivas da punibilidade estão enumeradas no art. 107, do CP. Se anterior à
ação penal, a denúncia ou queixa não pode se recebida (CPP, art. 43, II).

8. Inadmissibilidade: É inadmissível a impetração de HC nos seguintes casos:


a) No caso de transgressão disciplinar militar (CF, art. 142, § 2º).
b) Visando exame aprofundado e valoração de provas.
Ex. requerer a absolvição de um crime após sentença penal condenatória;
c) para discutir pena de multa
d) durante o estado de sítio (CF, arts. 138, caput, e 139, I e II).

9. Legitimidade Passiva e Competência: Trata-se do coator. Normalmente é


uma autoridade. Mas também é cabível contra particular. Ex: quando um
hospital prende o paciente por não pagar a dívida pela internação.
a) habeas corpus contra autoridade policial - é julgado por juiz;
b) habeas corpus contra particular - é julgado por juiz;
c) habeas corpus contra Juiz - é julgado pelo Tribunal de Justiça;
d) habeas corpus contra Promotor - é julgado pelo Tribunal de Justiça;
e) habeas corpus contra ato isolado de Desembargador - é julgado pelo STJ;
f) habeas corpus contra ato do Ministro do STJ – é julgado pelo Ministro do STF

11. Efeitos:
a) a concessão de HC liberatório implica seja o paciente posto em liberdade,
salvo se outro motivo deva ser mantido na prisão (art. 600, § 1º);
b) se a ordem de HC for concedida para evitar ameaça de violência ou coação
ilegal, será expedida ordem de salvo-conduto (licença escrita para transitar
livremente) em favor do paciente;
c) se a ordem for concedida para anular o processo, este será renovado a partir
do momento e que se verificou a eiva (CPP, art. 652);
d) quando a ordem for concedida para trancar inquérito policial ou ação penal,
esta impedirá seu curso normal;
e) a decisão favorável do HC pode ser estendida (efeito extensivo) a outros
interessados que se encontrem na situação idêntica à do paciente beneficiado
(art. 580, do CPP, aplicável por analogia).

12. Recursos
a) cabe recurso em sentido estrito da decisão do juiz que conceder ou negar a
ordem de habeas corpus (CPP, art. 581, X);
b) cabe recurso oficial da concessão — reexame obrigatório (CPP, art. 574, I).
8. REVISÃO CRIMINAL (art. 621, CPP)

1. Conceito: é instrumento processual exclusivo da defesa que visa rescindir


uma sentença penal condenatória transitada em julgado.

2. Natureza jurídica: Trata-se de ação de impugnação, prevalecendo o


entendimento segundo o qual tem ela a natureza de ação penal de
conhecimento de caráter desconstitutivo; ela é ação contra sentença, pois
desencadeia nova relação jurídica processual. Assim, seja ela ação penal
constitutiva ou recurso especial-misto, o importante é a análise da questão de
fundo, a razão e a sua verdadeira natureza, visando o asseguramento amplo do
exercício de acesso à justiça, como um remédio heróico para sanar prejuízos e
reaver injustiças, como o habeas corpus, sua finalidade é corrigir a prestação
jurisdicional, erros, decisões ou prisões ilegais, sujeitando o Estado à
responsabilidade objetiva.

3. Finalidade: corrigir uma injustiça e restabelecer o status libertatis e o status


dignitatis.

4. Pressupostos:
1. existência de sentença condenatória. A sentença absolutória imprópria
também admite, pois fixa medida de segurança. Não importa a infração
cometida e nem o procedimento. Não cabe revisão criminal contra sentença
absolutória própria e nem contra decisão do juiz das execuções. Também não
cabe contra decisão que concede perdão judicial e decisão de pronúncia.
2. trânsito em julgado. Se ocorrer a prescrição da pretensão punitiva não é mais
possível entrar com revisão criminal, porque não existe sentença condenatória.

5. Prazo: não há prazo.

6. Legitimidade: O próprio réu ou por procurador legalmente habilitado, bem


como, no caso de falecimento do acusado, por cônjuge, ascendente,
descendente ou irmão. A vítima não participa do processo de revisão criminal.
Na hipótese de falecer a pessoa cuja condenação tiver de ser revista (art. 631
CPP), para efeitos morais e pecuniários indenizatórios cabe aos herdeiros ou
sucessores legais pleiteá-la.

7. Pressupostos e oportunidade: deverá obedecer às condições de exercício das


ações em geral (legitimidade, interesse de agir e possibilidade jurídica do
pedido); pressupõe a existência de sentença condenatória ou absolutória
imprópria transitada em julgado.

8. Hipóteses de cabimento (art. 621, CPP):


a) Sentença contrária ao texto da lei, refere-se a má interpretação da normas
com aos princípios reitores, a nível constitucional como infra-constitucional (a
sentença deve conter a exposições de fato e de direito – provas – e os
dispositivos legais em que se fundamenta - “ex vi” do art. 381, incs. III e IV CPP).

b) Sentença contrária as evidências dos autos é aquela condenação feita em


base a indícios, conjecturas, distorcida da verdade, divorciada dos elementos
probatórios em afronta aos ditames do direito e dos fatos “sub judice”.
Referimo-nos ao juízo monocrático – singular – como ao jurado popular
(Tribunal do Júri – art. 593, inc. III CPP).
c) A prova nova deve estar amparada por seu ineditismo, desconhecimento e
insuficiência de dúvida em relação a sua prestabilidade e capacidade de
modificar a coisa julgada, indicando especialmente que o condenado deveria ter
sido absolvido ou a pena ter sido aplicada de maneira mais branda.

d) Lei nova mais benigna (cominação menor de pena) permite a postulação do


recurso de Revisão Criminal, isto é “novatio legis in mellius”, o que difere de
“abolitio criminis” onde automaticamente extingue e tranca a ação penal em
todos os seus efeitos legais, prevalece no direito democrático o princípio da
aplicação da lei penal mais benigna.
I – quando a sentença condenatória for contrária ao texto expresso da lei penal
ou à evidência dos autos;
II – quando a sentença condenatória fundar-se em depoimentos, exames ou
documentos comprovadamente falsos;
III – quando, após a sentença, se descobrirem novas provas de inocência do
condenado ou de circunstâncias que determine ou autorize diminuição da pena.

9. Competência:
1. STF e STJ - são competentes para julgar a revisão de suas próprias
condenações;
2. TRF - é competente para julgar a revisão de suas próprias condenações e das
condenações dos juízes federais;
3. TJ - é competente para julgar a revisão de suas próprias condenações e das
condenações dos juízes de 1º grau, que são da sua competência recursal;

10. Aspectos procedimentais:


- Réu solto não precisa recolher-se à prisão (Súmula 393 do STF).
- Cabe ao réu provar o trânsito em julgado da sentença.
- Ao autor da ação cabe provar o que alegou.
- A revisão não tem efeito suspensivo.
- O pedido pode ser indeferido liminarmente, seja pelo Presidente, seja pelo
Relator. Desta decisão cabe Agravo Inominado (Art. 625 do CPP). O Tribunal
querendo poderá converter o julgamento em diligências.

11. Efeitos das decisões: se julgada procedente, a decisão poderá acarretar


alteração da classificação da infração, a absolvição do réu, a modificação da
pena (redução) ou a anulação do processo; se julgada improcedente, só poderá
ser repetida se fundada em novos motivos. desclassificar a infração e impor
pena menor;

Obs: Se o réu for absolvido na revisão criminal, todos os seus direitos são
restabelecidos automaticamente.

12. Recursos Cabíveis:


1. Embargos de Declaração;
2.Recurso Extraordinário e Recurso Especial;
3. jamais são cabíveis embargos divergentes ou de nulidade.

13. Indenização Civil: Quando o réu é condenado por erro judiciário, ele tem
direito a uma indenização civil.
Cabe ao réu entrar com uma ação autônoma de indenização ou pedir a
indenização no próprio pedido de revisão (art. 630, CPP). Neste último caso, se
o Tribunal reconhecer o direito a indenização, ele não fixa o quantum. Cabe ao
réu, antes de executar a decisão, liquidá-la.
A responsabilidade objetiva de pagar a indenização é do Estado. Se a
condenação foi pela Justiça Federal, quem paga é a União. Já, se a condenação
foi pela Justiça Estadual, quem paga a indenização é o Estado-Membro.
14. Teoria da Afirmação: O autor da ação de revisão deve afirmar na inicial uma
das hipóteses legais de cabimento da revisão, sob pena de carência de ação.

15. Não cabe revisão criminal: para reexame de provas; para alterar o
fundamento da condenação.

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