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Ano de 2234, já se passaram 27 anos desde que o caos se estabeleceu ao mundo, desde o

dia da apresentação divina de um ser que até o momento era desconhecido. Com isso as
destruições dos padrões da sociedade se foram por completo e tudo aquilo que o povo
acreditava se provou contrário. A desgraça com o tempo foi tomando conta do mundo por
completo, assim desestabilizando quaisquer tipos de fortalezas econômicas e destruindo
grandes cidades e fortes aéreos.
O tempo é cruel, tanto que mesmo com milhares de anos se formando uma sociedade
estável e, dita por algumas pessoas, unida, o cruel fator pode acabar destruindo tudo o
que passas por perto.
Hoje, vivo sozinho em grandes viagens pelo o que restou do mundo, hoje, e eu ouço dizer,
vivo em paz. Graças há destruição, vivo em prosperidade comigo mesmo.
Hoje, mesmo depois de o tempo me destroçar por completo, de eliminar parte de minha
visão, de surrar meu corpo para que a fraqueza chegue a mim, de embranquecer meus
cabelos e deixar por cair alguns dentes, mesmo depois disto, hoje vivo em paz e feliz. Mas
nem sempre vivi assim, digo que foi na época que o caos chegou e quando começou toda
a infelicidades em minha vida, aquela época, aquele período de 7 exatos anos, em 7 exatos
meses, 7 exatos dias e 7 exatas horas, aquilo me pareceu que nunca iria se esgotar, aquilo
me pareceu o inferno chegado na terra, me pareceu que Deus, além de nos dar uma
esperança, como ele mesmo tinha dito no início de tudo, ele nos abriu a porta do inferno,
e as chamas de lá escaparam e por assim eu digo, destruiu o mundo como naquela época
era conhecido.
Mas foi justo no inicio daqueles dias que tudo começou.
Foi ali, no forte aéreo onde nasci que tudo se desabou para mim.
Como descrevê-lo? Faz tantos anos que ele deixou de existir, que me sinto meio estranho
em lembrar como era o mesmo... Mas, era bem simples, você sabe como são os fortes
aéreos, grandes pedras flutuantes que fixados por uma tecnologia desenvolvida onde a
alteração da gravidade era possível em alguns pontos decididos e marcados, assim, a
rocha flutuava... ou talvez eu não devesse descrevê-la como uma rocha, e sim como uma
ilha flutuante. Sim, mas não era das maiores, era uma simples área que por ali ficava e
pouco mais de 3.000 pessoas a habitavam. Desértica não? Mas era minha casa.
Na época, tinha 37 anos. Vivia com minha família e particularmente era bem feliz, tinha
duas garotas, Helena e Anna, uma com 5 e outra com 7 anos. E minha esposa, Isabella,
com 33 anos sempre estava do meu lado. Éramos felizes, acredite, sempre plantávamos o
que precisávamos e tínhamos o necessário para viver. Éramos longe de sermos ricos, mas
tínhamos uma grana suficiente para manter a casa e comprar de bens matérias descente.
Eu estava sobrevoando o local e voltando para casa depois de um dia de comercio na
grande cidade, e sim, eu plantava e vendia o que colhia todos os sábados e domingos na
grande feira da cidade de Elston. Era um dinheiro extra e muito bem aproveitado, mas nos
dias de semana, trabalhava na fabrica de produtoras tecnológicas e afins na mesma
cidade, o meu trabalho provinha de supervisionar as maquinas e os robôs e avaliá-los ao
fim do dia, para dar o veredicto de suas sanidades. Até porque, depois do caso em 2189,
onde houve uma revolta das maquinas perante o mandato humano, todos as fabricas
tiveram de adotar este novo método de medição de sanidade, onde julgamos se os robôs
estão ou não apropriados para continuar na empresa, ou se próprios robôs estão ou não
sobre posse de algum vírus. Até porque, em 2189, o caso foi esclarecido como um grupo
enorme de robôs com seus chips modificados por um grupo até então desconhecido de
hackers, com o objetivo de emplacar uma nova revolução e impor medo na sociedade em
si. E bem, digamos que a parte do medo funcionou até o ponto de todas as empresas
terem de contratar novos serviços mais seguros.
Quando pousei no jardim de casa, com minha moto voadora... Bem, todos insistem em
chamar de ‘’Tux’’ mas mesmo na época este tipo de tecnologia era inovador, então nunca
consegui me acostumar a chamar essas motos que voam de ‘’Tux’’. Enfim, eu pousava em
casa, enquanto minhas filhas corriam para me abraçar, lembro de seus cabelos voando
sobre a ventania que o pouso da moto fazia, de minha mulher observando a uma distância
considerável e sorrindo, e acima de tudo, lembro do carinho que fui recebido naquele dia.
Era Março do ano de 2207, e eu era feliz.
- Bem vindo querido – me recebia Isabella com carinho – Como foi de vendas?
- Melhor impossível! Parece que finalmente vamos poder fazer a casa na... Bem,
conversamos sobre isso depois.
- Casa? A casa na arvore papai? – Perguntava minha filha Anna com ansiedade – Você vai
finalmente fazer um para mim?
- Para nos! – Falava Helena com raiva da irmã mais velha – Eu também vou usá-la!
- Mas fui eu que pedi primeiro! Eu que vou!
- Meninas, minha idéia era construir uma para cada um, mas se continuarem a brigar
desse jeito, acho que vou ter que desistir da idéia.
- Não. – Falava Anna.
- Não. – Falava Helena.
- Ótimo queridas. Agora, quem quer saber o que teremos para o jantar?
- Eu! – Gritava Anna com animação.
- Eu! – Gritava Helena com animação.
A noite teve Strogonoff, e os risos invadiram a mesa de jantar. O céu brilhava, e nas
alturas do forte aéreo, cujo eu não me recordo do nome, ele parecia próximo e gigantesco.
Mas como eu já lhe disse, o caos chegou naquele dia, e foi justo naquela noite, onde o
Deus se apresentou.
Minhas filhas dormiam em um mesmo quarto, com uma cama ao lado da outra somente
separada por um criado mudo, e lá estava eu com minha mulher, desejando uma boa
noite para as duas naquela noite de sábado.
Talvez por mero esmero, acabei andando para a janela naquela hora, enquanto Isabella,
minha mulher, contava uma história para as duas dormirem. Observei o céu estrelado e a
grande lua que pairava ao céu.
Observava a cena enquanto ouviu em silêncio a história, quando do nada, escuridão.
O silêncio chegou, e de nada eu podia fazer. Não me mexia, não respirava, só estava ali,
na imensa escuridão o a isenção da sonoridade.
Então uma voz ecoou sobre o novo cenário. Era uma voz impactante, era linda e
majestosa, e ali se pronunciava – Meus caros pedaços de inferioridades, como passam com
suas singelas vidas? Bem, claramente não me importo tanto com isto, mas cá estou
minhas criações, para pronunciar a entrada de uma nova era, a entrada de novos
acontecimentos neste mundo que a muito se esteve em paz, somente com pequenos
conflitos e nada mais, além disto. Cá estou para lhes entregar uma oportunidade, uma
chance de mudar o mundo, um, como nomeado por vocês mesmo, ‘’ato divino’’ – Dizia a
voz em um encanto assustador - Acho necessário explicar antes quem sou eu, antes pelo
menos de fazer tal pronunciamento. Vossas senhorias devem ter por conhecimento, que foi
este ser quem vos fala que criou o chão onde pisas, que criou a água cujo ti bebes, que
criou o céu que tu admiras, assim como fui eu que criei a tempestade, os terremotos e todo
o tipos de caos de vontade própria, fui eu, sim e nada além deste ser, que criou os
sentimentos que ti sentes, os prazer que ti tens, e o ódio que ti ganhas, fui eu que trouxe a
paz, e será eu que tiraras a paz deste mundo, fui eu que trouxe o caos, e será eu que
tirarás o caos deste mundo, eu sou tudo, mas assim como imaginas eu também não sou
nada. Sou eu que dei a todos a vida, o fôlego, o sentir e tudo mais. Sou eu que pelas regras
dessa sociedade que todos vocês criaram, pelas línguas que todos falam, e pelas idéias que
todos transmitem que vocês deram o nome de ‘’ Deus’’ – A voz parou por um instante, e
depois o que acho que foram segundos, ela voltou – Pois então meus caros, devo lhes
pronunciar sobre minha decisão, sobre o meu ‘’ Ato divino’’ pois como lhe foram dito, esta
será uma nova oportunidade para vocês. Darei-lhes uma chance meus caros, que em 7
anos, 7 meses, 7 dias e 7 exatas horas, vocês terão a chance de escolher o como morrerão,
vocês terão esta oportunidade, e assim que vocês se derem por decididos, durmam e
sonhem, sonhem comigo e digam como desejam morrer neste sonho. Assim, por meio
deste guiarei o destino decidido por ti para que este lhe dê tal oportunidade. – Assim a voz
se deu por terminar, e a escuridão se esvaiu do meu ser.
Quando a escuridão se foi, eu estava ali, naquela janela observando a lua, só que desta
vez no silêncio. Segundos de silêncio foram seguidos pelos choros de minhas filhas, eu
voltei meu olhar para elas, e notei que minha mulher estava ali paralisada. Quando me
aproximei, talvez com o objetivo de mostra que esta tudo bem e que nada havia
acontecido, mas foi nos primeiros passos para me aproximar delas que notei que eu
tremia, notei as lagrimas que escorriam sobre meus olhos e minha incapacidade de voltar
para aquela noite normal. Era muito para um simples humano agüentar, um ser falou
conosco e se alto nominava ‘’Deus’’.
Passado algumas horas, consegui me acalmar e eu e minha espoca ficamos ao lado de
nossas filhas até que elas pelo menos parassem de chorar. Foi quando parecia que tudo
estava sobre controle que alguém tocou o interfone e me chamou na porta.
Me levantei calmamente e andei até a sala, lá coloquei minha mão direita sobre a
maçaneta a abri. Quando abri, me encontrei com meu visinho, um homem gordo e
barbudo, era mais alto que eu, mas parecia estar apavorado. Usava um set de blusa e calça
que mais se parecia com um pijama, mas as duas vestimentas estavam molhadas, tanto de
suor, quanto de urina.
- Boa noite Gabriel.
- Noite Eduardo – O barbudo falava – Pois de boa nada tem. Vou direto ao ponto, você
também teve aquele sonho?
- Você também... Mas bem, não posso dizer que foi um sonho, já que não estava
dormindo na hora. – Dizia eu para o vizinho todo molhado.
- Não estava? Então o que você estava fazendo?
- Ia colocar minhas filhas na cama, estávamos ouvindo uma história que Isabella nos
contava, quando de repente, a escuridão caiu sobre meus olhos e aquela voz começou a se
pronunciar. Foi inusitado e ao mesmo tempo, apavorante.
- Eu entendo. Fiquei na cama por algumas horas, até meus pais me ligarem para conversar
sobre isso e assim notar que não fui somente eu que teve tal visão.
- Estranho.
- Muito estranho. Na verdade a vizinhança quase toda acordou e esta falando sobre isso
na grande praça. Talvez devêssemos ir.
- Talvez – Falava em tom de resposta – talvez o melhor fosse ficar com nossas famílias, e
esperar notícias de redes maiores, até porque, nem sabemos se foram somente nos que
recebemos tal recado, ou se foi todo o mundo afora que escutou.
- Vou indo para a praça então. Amanhã, realmente seria melhor ir para a casa de meus
pais ficar com eles.
- Sim, seria melhor. Tenho uma boa noite Gabriel, pelo menos, se esforce para ter.
- Depois disto tudo, eu duvido que eu consiga.
E entrei novamente em casa. Era muito para pouco tempo, e eu simplesmente não
conseguia pensar direito. Foi em uma decisão mutua com Isabella que nos deitamos na
cama de nossas filhas e lá nos caímos ao sono. Ou pelo menos, nos esforçamos para isso.