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Introdução

O pacto de São José da Costa Rica, firmado em 22 de novembro de 1969 busca


através dos seus 81 artigos reafirmar dentro do continente americano um regime de
liberdade pessoal e justiça social, onde os direitos essenciais do homem vêm do fato
de ter como fundamento os atributos da pessoa humana e não levando em conta de
qual estado ou nação ele é natural, considerar que estes princípios foram consagrados
na Carta da Organização dos Estados Americanos, na Declaração Americana dos
Direitos e Deveres do Homem e na Declaração Universal dos Direitos do Homem,
direitos esses reafirmados por organizações de âmbito regional e mundial, reiterar que
para o cumprimento das premissas citadas nos documentos os estados devem
trabalhar para criar condições que permitam cada pessoa gozar de seus direitos e
considerar que a organização de normas para criar estas condições foram discutidas
em conferências anteriores (Argentina, 1967).
Visão Geral

O Pacto de São José baseia-se na Declaração Universal dos Direitos Humanos,


que, como o pacto, compreende o ideal do ser humano livre, desprovido de
segregação, isento da miséria e do medo, e sob condições que lhe permitam sempre
gozar dos seus direitos econômicos, individuais, sociais e culturais, bem como dos
seus direitos políticos e civis.

Também chamado de Convenção Americana de Direitos, possui no total de 81


artigos incluindo disposições transitórias. A convenção trata das garantias
fundamentais, garantias judiciais, da liberdade de consciência e religião, de
pensamento e expressão, assim como da liberdade de associação e da proteção à
família.
O Pacto de São José teve uma grande reflexão na nossa constituição federal, pois
os mesmos princípios estampados nessa declaração regem nossa carta magna, que
tem como alicerce as garantias dadas ao homem e mostradas ao mundo através da
mesma. A idéia de um estado democrático que é uma das principais metas da nossa
constituição, começou a nascer a partir do Pacto de São José.
O Pacto de São José da Costa Rica, também conhecido como Convenção
Americana de Direitos Humanos, é um tratado internacional entre os países-
membros da Organização dos Estados Americanos e que foi firmado durante a
Conferência Especializada Interamericana de Direitos Humanos, de 22 de novembro
de 1969, na cidade de São José da Costa Rica, e entrou em vigência em 18 de julho
de 1978. Consiste numa das bases do sistema interamericano de proteção dos
Direitos Humanos. Os Estados signatários desta Convenção se “comprometem a
respeitar os direitos e liberdades nela reconhecidos e a garantir seu livre e pleno
exercício a toda pessoa que está sujeita à sua jurisdição, sem qualquer
discriminação”.
Se o exercício de tais direitos e liberdades não estiverem ainda assegurados na
legislação ou outras disposições, os Estados membros estão obrigados a adotar as
medidas legais ou de outro caráter para que venham a tornar-se efetivas.
Estabelece, ainda, a obrigação dos Estados para o desenvolvimento progressivo dos
direitos econômicos, sociais e culturais contidos na Carta da OEA, na medida dos
recursos disponíveis, por via legislativa ou outros meios apropriados.
Como meios de proteção dos direitos e liberdades, estabelece dois órgãos para
conhecer dos assuntos relativos ao cumprimento da Convenção: a Comissão
Interamericana de Direitos Humanos e a Corte Interamericana de Direitos Humanos.
Os direitos assegurados no Pacto de São José da Costa Rica são essencialmente
os direitos de 1ª geração, àqueles relativos à garantia da liberdade, à vida, ao devido
processo legal, o direito a um julgamento justo, o direito à compensação em caso de
erro judiciário, o direito a privacidade, o direito à liberdade de consciência e religião,
o direito de participar do governo, o direito à igualdade e o direito à proteção judicial
entre outros.
O objetivo do Pacto de São José foi garantir a todos os nacionais e aos estrangeiros
que vivem no território americano, direitos que assegurem o respeito à vida, à
integridade física, existência do juiz natural, entre outros. A Convenção rejeita a
pena de morte, permitindo a sua aplicação apenas nos países que não a tenha
abolido para os delitos mais graves, sendo que esta não poderá ser restabelecida
nos Estados que a tenham abolido. O Pacto consagrou o instituto do Habeas
Corpus, permitindo que qualquer pessoa mesmo sem formação técnico-jurídica
impetre o remédio. Os Estados que forem signatários do Pacto ficam impedidos de
abolirem de suas legislações esta ação. O pacto traz também disposições a respeito
do princípio da inocência, e garantias para que todas as pessoas tenham acesso ao
duplo grau de jurisdição. A Convenção Americana, ainda, assegura aos acusados o
direito de não serem obrigados a deporem contra si e, nem de se declararem
culpados. Cabe ao Estado onde a pessoa está sendo processada proporcionar um
defensor para que este possa defendê-la das acusações formuladas. Se a pessoa
não compreender ou não falar o idioma do juízo ou Tribunal, o Estado deverá
providenciar, de forma gratuita, um tradutor ou intérprete. A confissão somente
poderá ser considerada válida se feita sem coação de qualquer natureza. O acusado
absolvido por sentença passada em julgado não poderá ser submetido a novo
processo pelos mesmos fatos. Em caso de erro judiciário, toda pessoa condenada
por sentença transitada em julgado tem direito a ser indenizada conforme a lei
vigente do país.
O Brasil subscreveu a Convenção por meio do Decreto Legislativo nº 27 de 26 de
maio de 1992, que aprovou o texto do instrumento, dando-lhe legitimação. Com a
aprovação pelo Congresso Nacional, nosso governo depositou a Carta de Adesão
junto a Organização dos Estados Americanos no dia 25 de setembro de 1992. Para
o nosso país a Convenção entrou em vigor a partir do Decreto presidencial nº 678 de
06 de novembro de 1992, publicado no Diário Oficial de 09 de novembro de 1992, p.
15.562 e seguintes, que determinou o integral cumprimento dos direitos
disciplinados no Pacto de São José da Costa Rica. Trata-se do mais importante
tratado internacional a que se obrigou o Brasil.
O Pacto de São José da Costa Rica é na verdade uma conquista do povo
americano, que após tantas lutas e governos ditatoriais, que preferem utilizar a força
e a autoridade em prejuízo do respeito da lei, procura concretizar a democracia em
nosso continente, marcado ainda pelo desrespeito aos direitos mais essenciais do
ser humano.
Pontos Principais

A polêmica na questão da prisão civil tem origem na discussão sobre a hierarquia


das normas, pois se discute o valor de norma constitucional do Pacto de São José
da Costa Rica ou de simples correspondência a uma norma ordinária.
A aceitação do pacto de São José da Costa Rica no Brasil teria revogado a prisão
por dívida do depositário infiel ou a Convenção citada não teria o poder de se
sobrepor a uma norma constitucional?
Logo se entendeu que o valor do Pacto de São José é supralegal, podendo assim
suas normas sobreporem as normas constitucionais quando aumentam direitos
humanos, concluindo desse modo que fica extinta a prisão civil do depositário infiel,
sendo permitida somente a prisão civil decorrente da inadimplência da obrigação
alimentar. Diante de tal decisão, é notória a importância da Convenção Americana
de Direitos Humanos e de tratados internacionais em geral no nosso ordenamento
jurídico.

Em geral, sobre a pena de morte, o Pacto de São José da Costa Rica é semelhante
à legislação brasileira. Num plano extenso, o pacto proíbe a pena de morte em
regra, mas abre exceção para os países que já o possuíam em seu ordenamento
jurídico. Ainda assim, para esses países, o pacto restringe a aplicação da pena mais
severa, a de morte. Vale ressaltar, e há quem se assuste ao escutar isso, que no
Brasil possui pena de morte. Entretanto, apenas em casos excepcionais, no caso, a
guerra declarada. Em concreto, quase não vemos aplicação dessa pena, por sua
extrema restrição, sendo este o motivo de muitos até desconhecerem a existência
da pena de morte.
Para os países que de forma alguma possuíam previsão para a pena de morte, fica
expressamente proibida a sua implantação.

O Pacto de São José da Costa Rica diz que o direito à vida deve ser observado
desde o momento da concepção. Entende-se por concepção o momento em que o
espermatozóide entra em contato com o óvulo, fato que ocorre já nas primeiras
horas após a relação sexual. Sobre a questão do aborto então, que é merecida de
destaque, entendemos que a sua legalização, feriria preceitos constitucionais, iria
contra o tratado internacional mais importante a que o Brasil se obrigou, o Pacto de
São José, e estaria em desacordo com todo o ordenamento jurídico brasileiro. Em
consonância com tudo que foi exposto, conclui-se que a vida se inicia na concepção,
portanto o embrião já possui vida e esta deve ser zelada desde o seu início e não
podendo ser interrompida forçadamente por um aborto, que é crime.
Conclusão

Podemos afirmar que, a Declaração Americana de Direitos é sem dúvida, um grande


exemplo a ser seguido por toda a humanidade. Todo estado deveria garantir a seu
povo uma vida digna e condições mínimas para se viver.
As principais garantias fundamentais expostas na nossa constituição federal vieram
dessa declaração.
Além de criar garantias fundamentais, individuais e coletivas obrigando todos os
países membros que ainda não possuíam tais garantias em suas constituições que
as garantisse, ainda criou um órgão para fiscalizar e julgar a violação contra os
direitos do homem.
Enfim, a Declaração Americana de Direitos veio para sacramentar a sofrida luta do
homem no decorrer dos tempos. Para que tenha iguais condições de vida, liberdade,
dignidade, integridade pessoal e moral, direito à educação e condições que
garantam a proteção da família.
Bibliografia

Rede de Direitos Humanos DHNet, disponível em:


http://www.dhnet.org.br/direitos/sip/oea/oeasjose.htm

FREITAS, Silviane Meneghetti de. Os direitos humanos e a evolução do


ordenamento jurídico brasileiro. Disponível em:
http://www.ufsm.br/direito/artigos/constitucional/direitos-evolucao.htm

TINOCO, Raquel. Pacto São José da Costa Rica. Disponível em:


http://professoraraqueltinoco.blogspot.com/2009/07/pacto-sao-jose-da-costa-
rica.html