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CFP – Alvimar Carneiro de Rezende

Lista de Exercícios - Base Tecnológica: Normalização e Gestão dos Processos Industriais


Instrutor: Ana Carolina Aquino Turma: AELT 20 Data:
Aluno (a):

A HISTÓRIA DO DESAFIO DA QUALIDADE


A preocupação com Qualidade existe desde que o homem começou a manufaturar alguma coisa, já na pré-
história. Quando o artesão separava seus vasos de cerâmica que julgava não tão bonitos e os quebrava,
estava fazendo controle da qualidade.
Historicamente, podemos distinguir quatro eras básicas do desenvolvimento da qualidade:
• Processo de Inspeção: foi a primeira atividade regular formal adotada na empresa como processo de
controle da qualidade, a partir do surgimento da produção em série. Baseado na inspeção visual consiste
em separar peças defeituosas das boas. Tinha fins apenas defensivos, não atacando as causas dos
problemas - apenas eliminava-se o efeito.

• Controle Estatístico da Qualidade: Tem como marco inicial experiência realizada na Bell Telephones,
no inicio da década de 30. Tem como base o acompanhamento e avaliação da produção diária, com
controle estatístico das probabilidades de variações em um padrão, e determinação de flutuações
aceitáveis. Surgem aqui as técnicas de amostragem baseadas em estatísticas. Pode-se dizer que só aqui o
problema da qualidade passou a ser visto como atividade gerencial, e só aqui começa-se a atacar as causas
dos desvios de qualidade, por aferição de instrumentos, ferramentas e equipamentos.

• Garantia da Qualidade: O nascimento da preocupação com as causas fez com que as empresas
percebessem que o controle de qualidade teria de envolver fatores externos -o cliente, e quantificação de
custos da não-qualidade. Enquanto nas fases anteriores apenas um ou dois departamentos estavam
envolvidos com o problema da qualidade, aqui envolve-se todos os departamentos, embora a alta gerência
participe ainda timidamente. O profissional da Qualidade necessita agora ter uma visão integrada da
empresa. Nascem aqui os conceitos de Engenharia da Confiabilidade, Controle Total da Qualidade e Zero
Defeito. Começa-se também a fazer programas e política da Qualidade.

• Gerência Estratégica da Qualidade: Enquanto as eras anteriores tinham como preocupação básica o
controle da qualidade (basicamente defensivo), agora a qualidade passa a ser uma arma agressiva de
concorrência. O cliente passa a participar diretamente na própria definição da Qualidade na empresa. As
empresas abrem canais de comunicação com o cliente através de hot-lines ou ligações gratuitas. O pós-
venda passa a ser parte do processo como um todo. A alta gerência da empresa passa a envolver-se de
fato, exercendo forte liderança, mobilizando todos os funcionários na empresa. O papel do profissional da
Qualidade passa a ser o de educar e treinar, atuando como consultor das demais áreas da empresa. Sendo
necessário o envolvimento eficaz de todos na empresa, surge aqui a necessidade de conscientizar e obter o
engajamento de todos os funcionários de todos os departamentos, mesmo aqueles para os quais a cultura
da qualidade era estranha.

QUAL O SIGNIFICADO DA PALAVRA NORMALIZAÇÃO?


Normalização vem da palavra raiz “norma”, mais a palavra “ação”.

Norma: Documento estabelecido por consenso e aprovado por um organismo reconhecido, que
fornece, para uso comum e repetitivo, regras, diretrizes ou características para atividades ou seus
resultados, visando à obtenção de um grau ótimo de ordenação em um dado contexto.
São elaboradas a partir da experiência acumulada na indústria e no uso, com os conhecimentos
tecnológicos alcançados. Contêm informações técnicas para uso de fabricantes e consumidores

A norma deve ser:


• Ser tão completa quanto necessário;
• Ser coerente, clara e precisa;
• Levar em consideração o estado da arte (bom senso);
• Servir de base para o desenvolvimento do setor;
• Ser compreensível para o pessoal qualificado que não participou da sua elaboração.

NORMALIZAÇÃO
É o processo de formulação e aplicação de regras para um tratamento ordenado de uma atividade
específica, para o benefício e com a cooperação de todos os interessados e, em particular, para a
promoção da economia global ótima, levando na devida conta condições funcionais e requisitos de
segurança.

Resumindo: é a maneira de realizar uma atividade utilizando regras ou normas.

Na prática, a Normalização está presente na fabricação dos produtos, na transferência de tecnologia, na


melhoria da qualidade de vida através de normas relativas à saúde, à segurança e à preservação do meio
ambiente.
O quadro a seguir mostra alguns itens normalizados e não normalizados.
ITEM NORMALIZADO NÃO-NORMALIZADO
Não há preocupação com
uniformidade na mesma
Forma A forma é única e otimizada
empresa, o produto pode ter
tamanho e formas diferentes.
Seleção feita a partir das
propriedades necessárias. Em
Selecionado de acordo com a
Material muitos casos, acarreta excesso
especificação orientada por normas
de materiais para se fabricar
determinado produto.
Realizado segundo orientações e Nem sempre é realizado e em
Teste de controle
procedimentos específicos e ensaios que muitos casos, quando o teste é
de qualidade
tornam o produto mais confiável. feito, não há critérios objetivos.
Manutenção
Mais fácil não precisa retrabalhar as Mais complexidade depende
(reposição de
peças acopladas no conjunto. de ajustes caso a caso.
peças)

NÍVEIS DE ELABORAÇÃO DE UMA NORMA

As normas podem ser elaboradas em quatro níveis:

ISO / IEC
INTERNACIONAL

AMN / CEN / COPANT


REGIONA
L
NACIONA ABNT / DIN
L
PETROBRAS / SENAI
EMPRESARI
AL
NÍVEL INTERNACIONAL
Normas destinadas ao uso internacional, resultantes da ativa participação das nações com interesses
comuns. Por exemplo, normas:
ISO - International Organization for Standardization (Organização Internacional de Normalização)
Fundada em 1946, com sede na Suíça. É representada, no Brasil pela ABNT. È recomendada para qualquer
tipo de empresa, como por exemplo: Mecânica, Agricultura, Transporte, Química, Construção Civil,
Qualidade, Meio Ambiente, etc.

IEC - International Eletrotechnical Comission (Comissão Internacional de Eletrotécnica)


Fundada em 1906. Suas normas internacionais permitem que os fabricantes de componentes elétricos e
eletrônicos utilizem os mesmos parâmetros quanto à terminologia, simboliza, padrão de desempenho e
segurança.

NÍVEL REGIONAL
Normas destinadas ao uso regional, elaboradas por um limitado grupo de países de um mesmo
continente. Por exemplo: normas da CEN (Comitê Europeu de Normalização - Europa), COPANT (Comissão
Panamericana de Normas Técnicas- Hemisfério Americano), AMN (Associação Mercosul de Normalização -
Mercado Comum do Cone Sul).

NÍVEL NACIONAL
Normas destinadas ao uso nacional, elaboradas por consenso entre os interessados em uma
organização nacional reconhecida como autoridade no respectivo país. Por exemplo: normas da ABNT
(Brasil); AFNOR (França); DIN (Alemanha); JISC (Japão) e BSI (Reino Unido).

NÍVEL EMPRESA
Algumas normas são elaboradas pelas próprias empresas. Temo por objetivo orientar a
elaboração de projetos, ou processos de fabricação, organização dos sistemas de compras e venda e outras
operações de interesse da empresa. Embora de uso interno, as normas de empresa algumas vezes são
usadas de forma mais ampla. As normas da Petrobrás e da FIAT, por exemplo, além do uso específico pela
empresa, também são seguidas por suas fornecedoras

OBJETIVOS DAS NORMAS


SIMPLIFICAÇÃO
Um importante aspecto da simplificação é a limitação da variedade dos produtos manufaturados e seus
componentes. A diminuição da variedade subentende a intercambiabilidade, isto é, a capacidade do
fabricante produzir um grande lote de produtos, similares em todas as características, permitindo que elas
possam substituir umas às outras sem alteração no seu desempenho.
SEGURANÇA
Mais do que nunca pode ser dito que segurança e proteção da vida humana são dois dos principais
objetivos da Normalização. Se o maior objetivo de uma Norma é garantir a segurança, então esse aspecto
precede em importância a qualquer outro. Os produtos têm de ser fabricados com o maior cuidado, para que
alcancem um alto grau de confiabilidade, programados para serem testados, periodicamente, durante sua
vida útil.
Os requisitos envolvidos devem constar da Norma e o seu atendimento é, freqüentemente, respaldado por
lei.

PROTEÇÃO AO CONSUMIDOR
Quando o consumidor compra produto Normalizado, significa que está adquirindo um produto de qualidade.
Sabe que o produto foi fabricado de acordo com os requisitos da norma pertinente, garantido-se desta
maneira, que o fabricante utilizou na sua fabricação, matéria prima e processo controlados e,
principalmente, que o produto está de acordo com as regras de proteção ao consumidor.

ELIMINAÇÃO DAS BARREIRAS COMERCIAIS


Um dos objetivos da Normalização é alcançar a concordância entre os especialistas internacionais, tais
como acontece nos Comitês Técnicos da ISO e IEC, sobre o conteúdo técnico das Normas. Depois, é
aplicado o princípio da "referência às normas", nas regras de desenho e regulamentos individuais dos
países onde elas são utilizadas. Somente dessa maneira, o direito das nações de fazerem suas próprias
normas e regulamentos pode ser compatível com o empenho universal em eliminar as barreiras técnicas ao
comércio internacional.

COMUNICAÇÃO
A função básica das Normas é prover meios de comunicação entre o FABRICANTE e o CLIENTE. Onde a
qualidade é especificada, a comunicação é um objetivo da maior importância, pois os requisitos
especificados devem ser expressos, de forma facilmente compreendida pelas partes envolvidas.
Dois importantes exemplos são as recomendações ISO para a Prática dos Desenhos de Engenharia
(ISO/128 e 129) e para as unidades do Sistema Internacional (SI) e seu uso (ISO/31 e 1000). A primeira
recomendação permite que os projetos possam ser compreendidos em qualquer parte, simplificando e
minimizando o problema do idioma. A segunda nos dá os meios de representar as dimensões e as
quantidades físicas, garantindo o seu entendimento em todos os países.
ECONOMIA
Com a sistematização e ordenação das atividades Produtivas é evidenciada a necessidade da redução de
Custos de Produtos e Serviços, com a conseqüente economia para CLIENTES e FORNECEDORES.

VANTAGENS DA NORMALIZAÇÃO
Organizar o mercado nacional;
Constituir uma linguagem única entre produtor e consumidor;
Aumentar a qualidade de bens e serviços;
Orientar as concorrências públicas;
Aumentar a produtividade, com conseqüente redução dos custos de bens e serviços;
Contribuir para o aumento da economia do país;
Desenvolver a tecnologia nacional.

BENEFÍCIOS QUALITATIVOS
São aqueles que mesmo sendo observados não podem ser medidos ou são de difícil medição.
Utilização adequada de recursos;
Disciplina da produção;
Uniformidade do trabalho;
Registro do conhecimento tecnológico;
Melhoria do nível de capacitação do pessoal;
Controle dos produtos e processos;
Segurança do pessoal e dos equipamentos;
Racionalização do uso do tempo.

BENEFÍCIOS QUANTITATIVOS
São benefícios que podem ser medidos.
Redução do consumo e do desperdício;
Especificação de matérias-primas;
Padronização de componentes e equipamentos;
Redução de variedades de produtos;
Procedimentos para cálculos e projetos;
Aumento da produtividade;
Melhoria da qualidade de produtos e serviços.

TIPOS DE NORMAS
Procedimento: de que forma devemos executar um serviço. (ex: fixar rotinas administrativas)
• Especificação: detalhamento das características de um produto ou serviço. (ex: que características
físicas, químicas ou produtos devam apresentar).
• Padronização: para garantir a intercambiabilidade. (ex: padronizar as dimensões de um bocal de
lâmpadas).
• Método de ensaio: a durabilidade de um produto deve ser verificada periodicamente através de ensaios.
• Terminologia: para definir, relacionar e/ou equivalência em diversas línguas e termos técnicos.
• Simbologia: para fixar convenções e símbolos gráficos com a finalidade de representar, esquemas,
fluxogramas, circuitos, entre outros.
• Classificação: classificar os diversos tipos de serviço e produtos.
• Outros exemplos: Normas de Órgãos Públicos, como normas de exportação de produtos e normas de
segurança no trabalho. Normas de empresa: Normas da Petrobrás e normas de fabricantes de geladeira,
automóveis, etc.

SISTEMAS DE NORMALIZAÇÃO DAS EMPRESAS


• OPERACIONAL: Padrões operacionais.
• GERENCIAL: Procedimentos técnicos, especificações, simbologia, padrões gerenciais e normas.
• POLÍTICA ESTRATÉGICA: Manual da qualidade, manual de gerência administrativa, princípios
empresariais e organização geral.

ABNT
QUEM É A ABNT
ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas

Entidade privada, sem fins lucrativos, de utilidade pública, fundada em 1940;


Fórum Nacional de Normalização (único);
• Membro fundador da ISO, da COPANT (Comissão Panamericana de Normas Técnicas) e
da AMN (Associação Mercosul de Normalização);
• Representante do Brasil junto aos fóruns regionais e internacionais de normalização
voluntária (único).

OBJETIVOS DA ABNT
Gestão do processo de elaboração de normas técnicas;
Adoção e difusão de normas;
Incentivo ao movimento de normalização do país;
Representar o Brasil junto às entidades internacionais e regionais de normalização voluntária;
Intercâmbio com as organizações similares;
Emissão de pareceres concernentes à normalização;
Conceder marca de conformidade e certificação, diretamente ou através de terceiros.

O sistema brasileiro prevê a elaboração de normas técnicas em dois órgãos distintos, coordenados pela
ABNT.

BRASILEIRO
Órgão da ABNT, responsável pela coordenação e planejamento das atividades de normalização em uma
área ou setor específico. Dentro do seu campo de atuação é responsável, ainda, pela integração da ABNT
no sistema de normalização internacional na sua área ou setor.

SMOS DE NORMALIZAÇÃO SETORIAL


Organismo público, privado ou misto, sem fins lucrativos, que tem atividade reconhecida no campo de
normalização em um dado domínio setorial. É credenciado pela ABNT, segundo critérios aprovados pelo
CONMETRO. Os ONS têm papel de elaborar normas brasileiras nos setores para os quais foram
credenciados, bem como de representar o país em entidades internacionais no seu campo de atuação,
mediante delegação da ABNT.

COMITÊS TÉCNICOS (48 CB’S E 2 ONS’S)

CB – 01 – Mineração e metalurgia
CB – 02 – Construção civil
CB – 03 – Eletricidade
CB – 04 – Máquinas e equipamentos mecânicos
CB – 05 – Automóveis, caminhões, tratores, veículos similares e autopeças
CB – 06 – Metrô-ferroviário
CB – 07 – Navios, embarcações e tecnologia marítima
CB – 08 – Aeronáutica e espaço
CB – 09 – Combustíveis (exclusive nucleares)
CB – 10 – Química, petroquímica e farmácia
CB – 11 – Couro e calçados
CB – 12 – Agricultura, pecuária e implementos
CB – 13 – Bebidas
CB – 14 – Finanças, bancos, seguros, comércio, administração e documentação
CB – 15 – Mobiliário
CB – 16 – Transporte e tráfego
CB – 17 – Têxteis e do vestuário
CB – 18 – Cimento, concreto e agregados
CB – 19 – Refratários
CB – 20 – Energia nuclear
CB – 21 – Computadores e processamentos de dados
CB – 22 – Isolação térmica e impermeabilização
CB – 23 – Embalagem e acondicionamento
CB – 24 – Segurança contra incêndio
CB – 25 – Qualidade
CB – 26 – Odonto-médico-hospitalar

ONS – 27 – TECNOLOGIA GRÁFICA


CB – 28 – Siderurgia
CB – 29 – Celulose e papel
CB – 30 – Tecnologia alimentar
CB – 31 – Madeiras
CB – 32 – Equipamento de proteção individual
CB – 33 – Joalheria, gemas, metais preciosos e bijuteria
ONS – 34 – PETRÓLEO
CB – 35 – Alumínio
CB – 36 – Análises clínicas e diagnóstico in vitro
CB – 37 – Vidros planos
CB – 38 – Gestão ambiental
CB – 39 – Implementos rodoviários
CB – 40 – Acessibilidade
CB – 41 – Minérios de ferro
CB – 42 – Soldagem
CB – 43 – Corrosão
CB – 44 – Cobre
CB – 45 – Pneus e Aros
CB - 46 - Áreas Limpas e Controladas
CB - 47 - Amianto Crisotila
CB - 48 - Máquinas Rodoviárias
CB - 49 - Óptica e Instrumentos Ópticos
CB - 50 - Materiais, Equipamentos e Estruturas Off-Shore

A ABNT é a única e exclusiva representante no Brasil das seguintes entidades:

• INTERNACIONAIS

ISO – International Organization for Standardization

IEC – International Electrotechnical Comission e das entidades de normalização

• REGIONAL
COPANT – Comissão Panamericana de Normas Técnicas

AMN – Associação Mercosul de Normalização