Diretoria de Ciências Exatas

Laboratório de Física





Roteiro 01




Física Geral e Experimental I














Experimento: Medidas de Grandezas Físicas
2

Medidas de grandezas Físicas

1. Objetivos:

a. Analisar dados e apresentar os resultados finais de medidas de uma Grandeza Física,
segundo o Sistema Internacional de Unidades (SI) e normas gerais da ABNT.
b. Observar grandezas físicas fundamentais como comprimento, tempo e massa,
representando medidas destas grandezas, acompanhadas do erro instrumental.
c. Explorar as operações fundamentais com algarismos significativos.
d. O aluno deverá ser capaz de identificar e classificar os possíveis erros que ocorrem
durante um processo de medição.
e. A partir de uma série de medidas do Período do pêndulo efetuadas com a utilização de
um cronômetro, o aluno deverá determinar o valor mais provável, eleger a incerteza
adequada e expressar a medida na forma correta.

2. Material utilizado:

a. Trena;
b. Pêndulo simples;
c. Balança digital;
d. Cronômetro digital;
e. Transferidor analógico;
f. Proveta graduada.

3. Medidas de Grandezas Físicas

A nomenclatura e as regras básicas sobre incertezas em metrologia foram discutidas
nos últimos anos por grupos de trabalho constituídos de especialistas indicados por diversas
organizações internacionais (BIPM, ISO, IUPAC, IUPAP, IEC e OIML) e foram publicadas
em dois importantes textos: Guide to the Expression of Uncertainty in Measurements e
International Vocabulary of Basic and General Terms in Metrology. Esta última publicação foi
traduzida pela INMETRO em 1994.
Com a finalidade de tornar a exposição mais clara, e em conformidade com a
Legislação Brasileira, serão apresentadas as definições e alguns comentários sobre termos
mais usuais em Teoria dos Erros.

3.1. Algarismos Significativos

A sensibilidade e precisão de todo instrumento de medida está limitada na sua
fabricação. Muitas vezes a leitura do valor de uma grandeza é intermediária a dois traços
consecutivos da escala como na Figura1.

Figura1 - Exemplo de Medida de Distância.

A barra que está sendo medida na Figura 1 tem uma extremidade ajustada ao zero de
uma régua marcada em centímetros. A outra extremidade da barra não está coincidindo
com nenhum traço.
Observa-se que o valor deste comprimento é 27 cm mais alguns décimos de
centímetro, mas não podemos afirmar com certeza o seu valor. Ou seja, podemos apenas
3

estimar ou avaliar estes décimos de centímetros e a aproximação ao valor "verdadeiro"
dependerá da perícia e da capacidade da avaliação do operador.
Por exemplo, suponha que três pessoas diferentes apresentem como resultado desta
medida os seguintes valores:

27,3 cm 27,4 cm 27,5 cm

Pode-se verificar que há concordância com relação aos algarismos 2 (dezenas) e 7
(unidades) e, portanto um consenso de que eles são "verdadeiros" ou "exatos", enquanto
que os algarismos 3, 4, e 5 (décimos) são duvidosos. Os algarismos exatos de uma medida
bem como os algarismos duvidosos, são denominados algarismos significativos. No
exemplo acima, os dois primeiros algarismos de cada medição (2 e 7) são significativos
exatos mas os últimos algarismos de cada uma das medições (3, 4 e 5) são significativos
duvidosos.
O termo duvidoso vem do fato de que o mesmo apresenta uma incerteza, gerada pela
própria grandeza medida, pela sensibilidade do instrumento bem como pela perícia do
observador.
É importante observar que não há sentido em se escrever algarismos após o
algarismo duvidoso de uma medida.
Qualquer grandeza física escalar pode ser escrita na forma: ( )
a
A a u o = ± ×
onde A é o símbolo que representa determinada grandeza física, a é o seu valor numérico,
o
a
é a sua incerteza e u é a sua unidade da grandeza física medida.
O valor numérico (a) poderá ser resultado de uma ou mais medições diretas ou
indiretas. Entretanto, qualquer que seja a precisão adotada a quantidade de algarismos
estará limitada pelas condições experimentais, a uma determinada quantidade de
algarismos que têm realmente significado que, por esse motivo, são denominados
algarismos significativos.

3.2. Notação Científica (NC)

A maneira de se escrever o valor numérico em trabalhos científicos é,
preferencialmente, a notação científica. Nesta notação escreve-se o número recorrendo à
potência de dez, com a particularidade de que se deve conservar à esquerda da vírgula,
apenas um algarismo, diferente de zero.
Exemplos:
1) 125 g =
2
1, 25 10 g ×

3 algarismos significativos
2) 22,34 m = 2, 234 10m × 4 algarismos significativos
3) 0,0350 Ω =
3
3, 50 10
÷
× O 3 algarismos significativos
4) 1,0052 V = 1,0052 V 5 algarismos significativos
A razão para se preferir a notação científica a qualquer outra forma de indicação está
relacionada à facilidade e à rapidez com que se pode visualizar a grandeza (com a devida
potência de 10) e a quantidade de algarismos significativos.

3.3. Arredondamentos de Algarismos Significativos

As operações precisas com algarismos significativos exigem o conhecimento da
Teoria dos Erros, tema de próximos tópicos. Entretanto, algumas regras básicas podem
auxiliar para evitar o exagero de casas decimais, muitas vezes, representando uma precisão
que não corresponde à realidade.
Desta forma, resultados finais de operações matemáticas precisam ser arredondados
(ou truncados). Para tanto, são utilizadas as seguintes regras de arredondamento:
- Quando o algarismo imediatamente seguinte ao último algarismo significativo a ser
conservado for inferior a 5, o último algarismo (o duvidoso) a ser conservado permanecerá
sem modificação.
4

Exemplo: 1,5734 = 1,57 (truncado com 3 algarismos significativos)

- Quando o algarismo imediatamente seguinte ao último algarismo significativo a ser
conservado for superior a 5, ou, sendo 5 e este seguido de no mínimo um algarismo diferente
de zero, o último algarismo a ser conservado deverá ser aumentado de uma unidade.
Exemplos:
1) 1,666 = 1,67 (truncado com 3 algarismos significativos)
2) 4,8505 = 4,9 (truncado para 2 algarismos significativos)

- Quando o algarismo imediatamente seguinte ao último algarismo significativo a ser
conservado for 5 e este for seguido de zeros ou não houver algarismos depois do 5, deve-se
considerar:
a. se o último algarismo significativo for ímpar, arredondar o algarismo a ser conservado
para o próximo algarismo par.
Exemplos:
1) 4,5500 = 4,6 (truncado para 2 algarismos significativos)
2) 75,35=75,4 (truncado para 3 algarismos significativos)

b. se ele for um número par, o último algarismo é conservado.
Exemplos:
1) 7,156500 = 7,156 (truncado para 4 algarismos significativos)
2) 9,45=9,4 (truncado para 2 algarismos significativos)

3.4. Grandezas Físicas e o Sistema Internacional de Unidades (SI)

Tabela 1: Grandezas Fundamentais do SI e sua nomenclatura.
GRANDEZA
NOME DA
UNIDADE
SÍMBOLO DA
UNIDADE
DEFINIÇÃO DA UNIDADE
Comprimento metro M
“... o comprimento do percurso coberto pela luz, no
vácuo, em 1/299.792.458 de um segundo.” (1983)
Massa quilograma Kg
“... este protótipo (um certo cilindro de liga de
platina-irídio), será considerado daqui por diante a
unidade de massa.” (1889)
Tempo segundo S
“... a duração de 9.192.631.770 vibrações da
transmissão entre dois níveis hiperfinos do estado
fundamental do átomo de césio 133”.(1967)
Corrente elétrica Ampère A
“... a corrente constante que, mantida em dois
condutores retilíneos, paralelos, de comprimento
infinito, de seção circular desprezível e separada
pela distância de 1 metro no vácuo, provoca entre
esses condutores uma força igual a 2.10
-7
newtons
por metro de comprimento.” (1946)
Temperatura
termodinâmica
Kelvin K
“... a fração 1/273,16 da temperatura
termodinâmica do ponto triplo da água”.(1967)
Quantidade de
substância
mol Mol
“... a quantidade de substância de um sistema que
contém tantas entidades elementares quanto são os
átomos em 0,012 quilogramas de carbono 12.”
(1971)
Intensidade luminosa candela Cd
“... a intensidade luminosa, na direção
perpendicular, de uma superfície de 1/600.000
metros quadrados, de um corpo negro na
temperatura de solidificação da platina, sob a
pressão de 101,325 newtons por metro quadrado.”
(1967)
5

Uma grandeza física é um atributo a um fenômeno, corpo ou substância que pode
ser qualitativamente distinguido e quantitativamente determinado. Há dois tipos de
grandezas físicas: as grandezas fundamentais e as grandezas derivadas.

Grandezas Físicas Fundamentais: São grandezas que, funcionalmente, são
independentes de qualquer outra. Por exemplo, o comprimento de uma barra de ferro e a
massa de um corpo sólido. O tempo e a temperatura são outros exemplos de grandezas
fundamentais.

Grandezas Físicas Derivadas: As Leis da Física são expressas em termos de grandezas
que requerem uma definição clara e precisa. Assim, todas as Grandezas Derivadas da
Mecânica, como a velocidade, a área, a aceleração, a força etc., podem ser escritas em
termos das três Grandezas Fundamentais (comprimento, massa e tempo). A Tabela 2
fornece alguns exemplos de Grandezas Derivadas no SI.

Tabela 2: Grandezas Derivas e sua nomenclatura no SI.
GRANDEZA NOME DA UNIDADE
SÍMBOLO DA
UNIDADE
OUTRAS UNIDADES
Aceleração metro por segundo quadrado m/s
2

Área metro quadrado m
2

Densidade quilograma por metro cúbico kg/m
3

Energia, Trabalho Joule J kg.m
2
/s
2

Força Newton N kg.m/s
2

Potência Watt W kg.m
2
/s
3
(J/s)
Pressão Pascal Pa kg/m.s
2

Velocidade metro por segundo m/s
Volume metro cúbico m
3


Nota: No Sistema Internacional, a abertura angular é dada em radianos (rad):


















Figura 2: Aberturas angulares em radianos.

0
o
= 360
o
= 2t rad

r

m = 1 rad

S ÷ r

180
o
= rad
270
o
= rad
6

Além das unidades do SI, como o metro, o quilograma e o segundo, também se pode
utilizar subunidades, como o milímetro e o nanossegundo onde, os prefixos mili e nano
significam várias potências de dez. Alguns prefixos são frequentemente utilizados para
expressarem potências de dez, por exemplo:
1) 1×10
-3
m, é equivalente a 1 milímetro (mm) e
2) 1×10
3
m corresponde a 1 quilômetro (km).
3) De forma semelhante, 1 kg = 1×10
3
g.

A Tabela 3 fornece alguns prefixos comumente utilizados.

Tabela 3: Prefixos do SI.
POTÊNCIA PREFIXO SÍMBOLO
10
24
Iota Y
10
21
Zeta Z
10
18
Exa E
10
15
Peta P
10
12
Tera T
10
9
Giga G
10
6
Mega M
10
3
Quilo k
10
2
Hecto h
10
1
Deca da
10
0
= 1 -- --
10
-1
Deci d
10
-2
Centi c
10
-3
Mili m
10
-6
Micro µ
10
-9
Nano n
10
-12
Pico p
10
-15
Femto f
10
-18
Ato a
10
-21
Zepto z
10
-24
Iocto y

Há regras e convenções específicas para se apresentar, de forma mais compacta, o
resultado de uma grandeza física, tanto para grandezas fundamentais como para qualquer
grandeza derivada serão adotadas as regras e convenções do Sistema Internacional de
Unidades (SI). Então pode-se escrever o resultado da grandeza física L da seguinte forma:





Símbolo da unidade
Resultado da medida física
Símbolo da Grandeza
Física
L = 5,12 m
7

3.5. Definições

- Medição: Conjunto de operações que têm por objetivo determinar o valor de uma
grandeza.
- Repetitividade: Grau de concordância entre os resultados de sucessivas medições
de um mesmo mensurando, efetuadas sob as mesmas condições de medições.
- Reprodutibilidade: Grau de concordância entre os resultados de medições de um
mesmo mensurando, efetuadas sob condições de medições diferentes.
- Exatidão ou Acurácia: Grau de concordância entre o resultado de uma medição e o
valor verdadeiro do mensurando.
- Precisão: Conceito qualitativo para indicar o grau de concordância entre os diversos
resultados experimentais obtidos em condições de repetitividade.
Então, boa precisão significa erro estatístico pequeno, de forma que os resultados
apresentem boa repetitividade.
Observação: Mesmo com boa precisão, a exatidão ou a acurácia pode ser ruim caso
existam erros sistemáticos consideráveis.
- Valor Médio : Definição de uma dada grandeza específica, considerando uma
quantidade finita n de medições.
- Valor Médio Verdadeiro : Valor consistente com a definição de uma dada
grandeza específica, considerando uma quantidade infinita de medições.
O valor verdadeiro de uma grandeza é o valor que seria obtido para uma medição
perfeita e a determinação do mesmo pode ser entendida como o objetivo final da medição.
Entretanto, o valor verdadeiro é indeterminado por natureza.
- Resultado de uma medição: Valor obtido por medição e atribuído ao mensurando.
- Mensurando: Grandeza específica submetida à medição.
- Desvio: É a diferença entre o resultado de uma medição e o valor médio verdadeiro
do mensurando.
Como o valor verdadeiro é uma quantidade desconhecida logo, o desvio também é
desconhecido, em princípio.
- Variância associada ao processo de medição : É a média dos quadrados dos
desvios quando a quantidade de medições tende a infinito.
- Desvio padrão experimental : Definido com sendo a raiz quadrada da
variância.
- Incerteza de medição: Parâmetro associado ao resultado de uma medição e que
caracteriza a dispersão dos valores que podem ser fundamentalmente atribuídos ao
mensurando.
Embora desconhecido, o mensurando tem um valor verdadeiro único por hipótese.
Entretanto, diferentes valores podem ser "atribuídos" ao mensurando e a incerteza
caracteriza a dispersão destes valores.
Evidentemente, a incerteza só pode ser obtida e interpretada em termos
probabilísticos.
Existem várias formas de indicar a incerteza tais como a incerteza padrão, incerteza
expandida e limite de erro.
- Erro estatístico: Resultado de uma medição menos o Valor Médio Verdadeiro (ou
Média Limite).
- Erro sistemático: Diferença entre o Valor Médio Verdadeiro e o Valor verdadeiro.
O Erro Sistemático é o erro do valor médio verdadeiro.
- Incerteza padrão: Resultado final dado na forma de um desvio padrão.

3.6. Objetivos da Teoria de Erros

Quando uma grandeza física experimental x é determinada a partir de medição o
resultado é uma aproximação para o valor verdadeiro x
v
da grandeza. Os objetivos da teoria
de erros podem ser resumidos em obter:
8

a. O melhor valor para o mensurando a partir dos dados experimentais disponíveis. Isto
significa determinar a melhor aproximação possível para o valor verdadeiro em termos
estatísticos.
b. A incerteza no valor obtido, o que significa determinar em termos estatísticos o grau de
precisão e confiança na medida da grandeza física.

3.6.1. Erros Sistemáticos e Erros Estatísticos

Geralmente, ocorrem erros de vários tipos numa mesma medição. Estes erros podem
ser agrupados em dois grandes grupos que são: os erros sistemáticos e erros estatísticos
(ou aleatórios).
Considerando o conjunto de x
i
determinações (i = 1, 2,..., n) de um mensurando, os
erros podem ser divididos em:
a. Erro sistemático: é um erro que afeta igualmente todas as n medições x
i
. Isto é, o
conjunto completo das n medições x
i
apresenta-se igualmente deslocada com relação
ao valor verdadeiro x
v
.
Os erros sistemáticos podem ser de vários tipos:
a.1. Erro sistemático instrumental: Relativo à calibração do instrumento de medição.
a.2. Erro sistemático ambiental: Erro devido a efeitos do ambiente sobre a experiência.
Fatores ambientais como temperatura, pressão, umidade, luminosidade e outros podem
introduzir a erros no resultado de medição.
a.3. Erro sistemático observacional: Erro devido a pequenas falhas de procedimentos ou
limitações do observador. Por exemplo, o efeito de paralaxe na leitura de escalas de
instrumentos.
b. Erro estatístico ou erro aleatório: Medida da dispersão dos n resultados x
i
em torno do
valor verdadeiro x
v
.
Os erros estatísticos (ou aleatórios) resultam de variações aleatórias nas medições,
provenientes de fatores que não podem ser controlados ou que, por algum motivo, não
foram controlados. Por exemplo, na medição de massa com uma balança, correntes de ar
ou vibrações (fatores aleatórios) podem introduzir erros estatísticos na medição.

3.6.2. Desvio Padrão (o
n-1
)

Para estabelecer uma quantidade para a medida da dispersão com significado mais
amplo, emprega-se o conceito de que um conjunto represente uma amostra do universo de
medidas realizadas uma quantidade infinita de vezes naquele universo.
Uma das quantidades que é de interesse chama-se desvio padrão (o
n-1
) que vem a ser
o desvio médio quadrático das medidas com relação à média do universo de medidas.
Como é impossível fazer infinitas medidas em um universo de medições para
determinar a sua média, o procedimento adotado considera uma análise estatística a partir
de uma quantidade n de observações para obter a melhor estimativa para o desvio padrão.
Desta forma, a melhor estimativa para o desvio padrão é calculada por:



O desvio padrão indica o erro que teríamos caso fizéssemos uma única observação. O
significado do erro padrão de um dado conjunto de n determinações é que, em torno do
valor médio, uma dada observação tem:
68% de probabilidade de estar no intervalo ;
95% de probabilidade de estar no intervalo .

9

3.6.3. Desvio Padrão da Média (o
m
)

Considerando um conjunto de n resultados de medições, o Desvio Padrão da Média
ou Desvio Padrão do Valor Médio é a incerteza final correspondente aos erros estatísticos
nas medições e pode ser calculado por intermédio das fórmulas:



3.6.4. Incerteza Padrão Final

Ao se realizar um processo de medição, o ideal é que o instrumento de medida esteja
devidamente calibrado e que tenha uma sensibilidade suficiente para permitir a observação
de flutuações estatísticas.
Alguns erros sistemáticos podem ser corrigidos e, com isso, melhorar os resultados
finais da medição. Erros sistemáticos para os quais não é possível fazer correções são
chamados Erros Sistemáticos Residuais e as incertezas correspondentes são denominadas
Incertezas Sistemáticas Residuais.
No caso dos instrumentos de medida não preencherem a condição acima (possuírem
sensibilidade suficiente para observar as flutuações estatísticas), costuma-se especificar um
erro sistemático avaliado adotando-se uma das regras práticas especificadas abaixo:
- é a menor divisão da escala (em geral em instrumentos digitais) ou
- é a metade da menor divisão da escala (em geral para instrumentos analógicos).
Nessa avaliação é necessário considerar que este valor será tomado como um desvio
padrão, a fim de permitir cálculos de propagação de erros coerentes. Portanto essa
avaliação não deve abranger 100% de confiança, mas sim um pouco mais da metade (68%).
As incertezas estatísticas são obtidas por intermédio do cálculo do desvio padrão do
valor médio .
As incertezas sistemáticas residuais advindas de multiplicidade de efeitos são
mais difíceis de serem obtidas e não existe nenhum método padrão bem estabelecido para
isso, exceto o bom senso.
Para combinar as incertezas estatísticas e as incertezas sistemáticas residuais,
determina-se a incerteza padrão final de uma medição por intermédio da fórmula:



3.6.5. Quantidade de Algarismos Significativos na Incerteza Padrão

Quanto à quantidade de algarismos significativos no desvio ou na incerteza, um
procedimento muito comum é expressá-lo com apenas com um algarismo significativo.
No entanto, considerando que não existe uma regra muito bem estabelecida para a
quantidade de algarismos significativos com a qual deve ser indicada a incerteza padrão, a
tendência atual é de se indicar a incerteza padrão com 2 algarismos significativos, além de
zeros à esquerda (quando necessário). Entretanto, há situações em que não é possível
atribuir mais de 1 algarismo significativo para a incerteza padrão.
Então, quando o nível de confiança é dado pelo desvio padrão e a sua precisão é
grande, usa-se 2 algarismos significativos para o desvio, principalmente nos casos em que o
primeiro algarismo do desvio for 1 ou 2.


10

3.6.6. Resultado de uma Medição

Para escrever o resultado de uma medição, deve-se considerar o último algarismo
significativo da incerteza padrão final da medição, conforme os exemplos abaixo:
a.
Então:
No SI e em NC, fica
( ) 2, 757 0, 012 10 A m = ± ×
b.
Então:
No SI e em NC, fica
( )
5
4, 45600 0, 00023 10 L m = ± ×
c.
Então:
No SI e em NC, fica
( )
4
7,53 0, 41 10 M kg
÷
= ± ×
d.
Então:
Em NC, fica
( ) 9, 736 0, 010 10 T C = ± × °
No SI e em NC, fica
2
(3, 7036 0, 0010) 10 T K = ± ×
e.
Então:
Em NC, vem
( )
2
1,350 0, 020 10 u = ± × °
No SI e em NC, fica
( ) 2,3563 0, 0017 rad u = ±
f. 2, 356 0, 05
B
B cm e cm o = =
Então: (2, 36 0, 05) B cm = ±
No SI e em NC, vem
( )
2
2,36 0, 05 10 B m
÷
= ± ×
g. 25, 9865 0, 04569
t
t s e s o = =
Então: (25, 986 0, 046) t s = ±
No SI e em NC, vem
( ) 2,5986 0, 0046 10 t s = ± ×

4. Procedimento Experimental

Denominamos pêndulo simples o conjunto constituído por um fio ideal (inextensível e
de massa desprezível), fixo por uma das extremidades e que mantém suspenso na outra
extremidade um corpo de pequenas dimensões, que oscile em torno de uma posição de
equilíbrio. O período do movimento de um pêndulo simples corresponde ao tempo gasto
para uma oscilação completa do corpo suspenso.
Para pequenas amplitudes, ângulos (u) de abertura que obedecem à igualdade:
u = sen u
Quando u é expresso em radianos, vale a equação abaixo, para a determinação do
período (T) do pêndulo simples:

11

















Utilizaremos um pêndulo simples para aplicarmos os conceitos adquiridos neste
experimento.

5.1. Escolha um ângulo de abertura (u) menor do que 10º, no transferidor analógico para as
medidas dos períodos e expresse esta medida com a respectiva incerteza instrumental na
Tabela 4.

Tabela 4: Valores de Medidas Físicas.

5.2. Utilizando o cronômetro medir oito vezes o período de uma oscilação completa de um
pêndulo simples e completar a Tabela 5.

Grandeza física
Medida
acompanhada da
unidade da escala
de leitura
Quantidade de
algarismos
significativos

Incerteza
instrumental na
escala de leitura
Medida na
unidade de escala
de leitura,
acompanhada da
incerteza
instrumental
Medida em NC e
no SI,
acompanhada da
incerteza
instrumental
Massa do corpo
de prova do
pêndulo

Massa do fio
inextensível

Comprimento
do fio
inextensível

Abertura
angular

Período de uma
oscilação do
pêndulo

Massa de um
tronco de cone

Altura do tronco
de cone

Temperatura
ambiente

Volume de um
líquido

PÊNDULO SIMPLES
Figura 3: Ilustração de um pêndulo simples
0,0º < u
<10,0º
12

Tabela 5: Conjunto de n=8 medidas do período de um pêndulo simples.

Período de oscilação
Desvio
Absoluto
Quadrado do Desvio
( )
i
T s ( )
i
T T s ÷
2 2
( ) ( )
i
T T s ÷
1

2

3

4

5

6

7

8


Média
1
n
i
i
T
T
n
=
=
¯


Soma dos quadrados dos
desvios
( )
2
1
n
i
i
T T
=
÷
¯



5.3. Calcular o desvio padrão
( )
1 n
o
÷
da medida de um período de oscilação:
( )
2
1
1
1
n
i
i
n
T T
n
o
=
÷
÷
=
÷
¯


5.4. Calcular o desvio padrão do valor médio
( )
m
o :

( )
( )
2
1 1
1
n
i
n i
m m
T T
ou
n n n
o
o o
÷ =
÷
= =
· ÷
¯


5.5. Calcular a incerteza padrão final
( )
p
o das medidas dos períodos feitas através do
cronômetro.
2 2
p m s
o o o = +

5.6. Expresse o valor mais provável do período, com sua devida incerteza em Notação
Científica (NC) e no Sistema Internacional de Unidades (SI).


( )
(_______ _______) ________
p
T T u T o = ± ÷ = ±

c. acompanhadas do erro instrumental. Ou seja. Cronômetro digital. d. 2. ISO. serão apresentadas as definições e alguns comentários sobre termos mais usuais em Teoria dos Erros. tempo e massa. eleger a incerteza adequada e expressar a medida na forma correta. IUPAP. Muitas vezes a leitura do valor de uma grandeza é intermediária a dois traços consecutivos da escala como na Figura1. e. e. Analisar dados e apresentar os resultados finais de medidas de uma Grandeza Física. Explorar as operações fundamentais com algarismos significativos. Material utilizado: a. b. b. Transferidor analógico. d. O aluno deverá ser capaz de identificar e classificar os possíveis erros que ocorrem durante um processo de medição. A outra extremidade da barra não está coincidindo com nenhum traço. 3.Exemplo de Medida de Distância. Medidas de Grandezas Físicas A nomenclatura e as regras básicas sobre incertezas em metrologia foram discutidas nos últimos anos por grupos de trabalho constituídos de especialistas indicados por diversas organizações internacionais (BIPM. e em conformidade com a Legislação Brasileira. IEC e OIML) e foram publicadas em dois importantes textos: Guide to the Expression of Uncertainty in Measurements e International Vocabulary of Basic and General Terms in Metrology. Observa-se que o valor deste comprimento é 27 cm mais alguns décimos de centímetro. 3. Figura1 . mas não podemos afirmar com certeza o seu valor. IUPAC. c. Observar grandezas físicas fundamentais como comprimento. A partir de uma série de medidas do Período do pêndulo efetuadas com a utilização de um cronômetro. segundo o Sistema Internacional de Unidades (SI) e normas gerais da ABNT. podemos apenas 2 .1. representando medidas destas grandezas. Esta última publicação foi traduzida pela INMETRO em 1994. Balança digital. o aluno deverá determinar o valor mais provável. Pêndulo simples. Trena. Algarismos Significativos A sensibilidade e precisão de todo instrumento de medida está limitada na sua fabricação. Objetivos: a. Proveta graduada. f. Com a finalidade de tornar a exposição mais clara. A barra que está sendo medida na Figura 1 tem uma extremidade ajustada ao zero de uma régua marcada em centímetros.Medidas de grandezas Físicas 1.

3. Exemplos: 1. apenas um algarismo. 25 102 g 3 algarismos significativos 1) 125 g = 2) 22. são utilizadas as seguintes regras de arredondamento: . O valor numérico (a) poderá ser resultado de uma ou mais medições diretas ou indiretas. Entretanto. são denominados algarismos significativos. 3 . enquanto que os algarismos 3. Qualquer grandeza física escalar pode ser escrita na forma: A  (a   a )  u onde A é o símbolo que representa determinada grandeza física.3 cm 27. Por exemplo. são denominados algarismos significativos.34 m = 2.3. O termo duvidoso vem do fato de que o mesmo apresenta uma incerteza. tema de próximos tópicos. Notação Científica (NC) A maneira de se escrever o valor numérico em trabalhos científicos é. pela sensibilidade do instrumento bem como pela perícia do observador. Os algarismos exatos de uma medida bem como os algarismos duvidosos. suponha que três pessoas diferentes apresentem como resultado desta medida os seguintes valores: 27. o último algarismo (o duvidoso) a ser conservado permanecerá sem modificação. com a particularidade de que se deve conservar à esquerda da vírgula. 3. 234 10m 4 algarismos significativos 3. portanto um consenso de que eles são "verdadeiros" ou "exatos". e 5 (décimos) são duvidosos.0350 Ω = 4) 1. os dois primeiros algarismos de cada medição (2 e 7) são significativos exatos mas os últimos algarismos de cada uma das medições (3. muitas vezes. 4 e 5) são significativos duvidosos. algumas regras básicas podem auxiliar para evitar o exagero de casas decimais. Desta forma. diferente de zero. No exemplo acima.2. a é a sua incerteza e u é a sua unidade da grandeza física medida. a uma determinada quantidade de algarismos que têm realmente significado que. a notação científica. qualquer que seja a precisão adotada a quantidade de algarismos estará limitada pelas condições experimentais. representando uma precisão que não corresponde à realidade. Para tanto.estimar ou avaliar estes décimos de centímetros e a aproximação ao valor "verdadeiro" dependerá da perícia e da capacidade da avaliação do operador. É importante observar que não há sentido em se escrever algarismos após o algarismo duvidoso de uma medida.Quando o algarismo imediatamente seguinte ao último algarismo significativo a ser conservado for inferior a 5. resultados finais de operações matemáticas precisam ser arredondados (ou truncados).0052 V 5 algarismos significativos A razão para se preferir a notação científica a qualquer outra forma de indicação está relacionada à facilidade e à rapidez com que se pode visualizar a grandeza (com a devida potência de 10) e a quantidade de algarismos significativos. Arredondamentos de Algarismos Significativos As operações precisas com algarismos significativos exigem o conhecimento da Teoria dos Erros. preferencialmente. gerada pela própria grandeza medida.5 cm Pode-se verificar que há concordância com relação aos algarismos 2 (dezenas) e 7 (unidades) e. Entretanto. por esse motivo.50 103  3 algarismos significativos 3) 0. 4.0052 V = 1. Nesta notação escreve-se o número recorrendo à potência de dez. a é o seu valor numérico.4 cm 27.

.10-7 newtons por metro de comprimento.” (1889) “.156 (truncado para 4 algarismos significativos) 2) 9.” (1983) “..Quando o algarismo imediatamente seguinte ao último algarismo significativo a ser conservado for 5 e este for seguido de zeros ou não houver algarismos depois do 5...45=9. será considerado daqui por diante a unidade de massa. se ele for um número par. o último algarismo a ser conservado deverá ser aumentado de uma unidade.16 da temperatura termodinâmica do ponto triplo da água”. deve-se considerar: a. Grandezas Físicas e o Sistema Internacional de Unidades (SI) Tabela 1: Grandezas Fundamentais do SI e sua nomenclatura. em 1/299.. a duração de 9.458 de um segundo.. a fração 1/273. se o último algarismo significativo for ímpar.35=75.67 (truncado com 3 algarismos significativos) 2) 4. sendo 5 e este seguido de no mínimo um algarismo diferente de zero.770 vibrações da transmissão entre dois níveis hiperfinos do estado fundamental do átomo de césio 133”.(1967) “.8505 = 4. no vácuo. de uma superfície de 1/600.... Exemplos: 1) 1..156500 = 7.4 (truncado para 3 algarismos significativos) b. a quantidade de substância de um sistema que contém tantas entidades elementares quanto são os átomos em 0. mantida em dois condutores retilíneos. a corrente constante que.4 (truncado para 2 algarismos significativos) 3.666 = 1. Exemplos: 1) 4.9 (truncado para 2 algarismos significativos) . o último algarismo é conservado. paralelos. ou. arredondar o algarismo a ser conservado para o próximo algarismo par. de seção circular desprezível e separada pela distância de 1 metro no vácuo.5500 = 4.631.6 (truncado para 2 algarismos significativos) 2) 75.000 metros quadrados.325 newtons por metro quadrado.192.Quando o algarismo imediatamente seguinte ao último algarismo significativo a ser conservado for superior a 5....(1967) “. este protótipo (um certo cilindro de liga de platina-irídio).Exemplo: 1..012 quilogramas de carbono 12. de um corpo negro na temperatura de solidificação da platina. provoca entre esses condutores uma força igual a 2.57 (truncado com 3 algarismos significativos) . o comprimento do percurso coberto pela luz.” (1967) 4 .792.” (1971) “. de comprimento infinito. na direção perpendicular.” (1946) “. sob a pressão de 101. NOME DA SÍMBOLO DA GRANDEZA DEFINIÇÃO DA UNIDADE UNIDADE UNIDADE Comprimento Massa Tempo metro quilograma segundo M Kg S Corrente elétrica Ampère A Temperatura termodinâmica Quantidade de substância Kelvin mol K Mol Intensidade luminosa candela Cd “. a intensidade luminosa.4.5734 = 1. Exemplos: 1) 7.

corpo ou substância que pode ser qualitativamente distinguido e quantitativamente determinado.Uma grandeza física é um atributo a um fenômeno.s2 (J/s) OUTRAS UNIDADES Nota: No Sistema Internacional. a força etc.. são independentes de qualquer outra. o comprimento de uma barra de ferro e a massa de um corpo sólido.m/s2 kg. O tempo e a temperatura são outros exemplos de grandezas fundamentais. a aceleração.m2/s2 kg. Há dois tipos de grandezas físicas: as grandezas fundamentais e as grandezas derivadas. Trabalho Força Potência Pressão Velocidade Volume metro por segundo quadrado metro quadrado quilograma por metro cúbico Joule Newton Watt Pascal metro por segundo metro cúbico m/s2 m2 kg/m3 J N W Pa m/s m3 kg.m2/s3 kg/m. todas as Grandezas Derivadas da Mecânica. a abertura angular é dada em radianos (rad): Sr  = 1 rad 180 = o rad r 0o = 360o = 2 rad 270o = rad Figura 2: Aberturas angulares em radianos. Grandezas Físicas Derivadas: As Leis da Física são expressas em termos de grandezas que requerem uma definição clara e precisa. Assim. Tabela 2: Grandezas Derivas e sua nomenclatura no SI. como a velocidade. SÍMBOLO DA GRANDEZA NOME DA UNIDADE UNIDADE Aceleração Área Densidade Energia. Grandezas Físicas Fundamentais: São grandezas que. a área. funcionalmente. Por exemplo. 5 . A Tabela 2 fornece alguns exemplos de Grandezas Derivadas no SI. massa e tempo). podem ser escritas em termos das três Grandezas Fundamentais (comprimento.

12 m Símbolo da Grandeza Física Símbolo da unidade Resultado da medida física 6 . A Tabela 3 fornece alguns prefixos comumente utilizados. de forma mais compacta. como o milímetro e o nanossegundo onde. é equivalente a 1 milímetro (mm) e 2) 1  103 m corresponde a 1 quilômetro (km).Além das unidades do SI. Então pode-se escrever o resultado da grandeza física L da seguinte forma: L = 5. o resultado de uma grandeza física. também se pode utilizar subunidades. Tabela 3: Prefixos do SI. os prefixos mili e nano significam várias potências de dez. Alguns prefixos são frequentemente utilizados para expressarem potências de dez. o quilograma e o segundo. tanto para grandezas fundamentais como para qualquer grandeza derivada serão adotadas as regras e convenções do Sistema Internacional de Unidades (SI). como o metro. 1 kg = 1  103 g. por exemplo: 1) 1  10-3 m. 3) De forma semelhante. POTÊNCIA PREFIXO 10 24 SÍMBOLO Y Z E P T G M k h da -d c m µ n p f a z y Iota Zeta Exa Peta Tera Giga Mega Quilo Hecto Deca -Deci Centi Mili Micro Nano Pico Femto Ato Zepto Iocto 1021 1018 1015 1012 109 106 103 102 101 100 = 1 10 10 10 10 10 10 -1 -2 -3 -6 -9 -12 10-15 10-18 10-21 10-24 Há regras e convenções específicas para se apresentar.

considerando uma quantidade infinita de medições. a exatidão ou a acurácia pode ser ruim caso existam erros sistemáticos consideráveis. .Desvio padrão experimental : Definido com sendo a raiz quadrada da variância.Incerteza de medição: Parâmetro associado ao resultado de uma medição e que caracteriza a dispersão dos valores que podem ser fundamentalmente atribuídos ao mensurando. Evidentemente. Entretanto. diferentes valores podem ser "atribuídos" ao mensurando e a incerteza caracteriza a dispersão destes valores.Precisão: Conceito qualitativo para indicar o grau de concordância entre os diversos resultados experimentais obtidos em condições de repetitividade. considerando uma quantidade finita n de medições. Embora desconhecido. o desvio também é desconhecido.Resultado de uma medição: Valor obtido por medição e atribuído ao mensurando.Valor Médio Verdadeiro : Valor consistente com a definição de uma dada grandeza específica. a incerteza só pode ser obtida e interpretada em termos probabilísticos. Existem várias formas de indicar a incerteza tais como a incerteza padrão.Desvio: É a diferença entre o resultado de uma medição e o valor médio verdadeiro do mensurando.Mensurando: Grandeza específica submetida à medição. . . efetuadas sob as mesmas condições de medições.Incerteza padrão: Resultado final dado na forma de um desvio padrão. Definições .Medição: Conjunto de operações que têm por objetivo determinar o valor de uma grandeza.5. . . incerteza expandida e limite de erro. Objetivos da Teoria de Erros Quando uma grandeza física experimental x é determinada a partir de medição o resultado é uma aproximação para o valor verdadeiro xv da grandeza. O Erro Sistemático é o erro do valor médio verdadeiro. .Exatidão ou Acurácia: Grau de concordância entre o resultado de uma medição e o valor verdadeiro do mensurando. Entretanto. o valor verdadeiro é indeterminado por natureza. .Variância associada ao processo de medição : É a média dos quadrados dos desvios quando a quantidade de medições tende a infinito. . Como o valor verdadeiro é uma quantidade desconhecida logo. de forma que os resultados apresentem boa repetitividade.6. em princípio. Os objetivos da teoria de erros podem ser resumidos em obter: 7 .Erro sistemático: Diferença entre o Valor Médio Verdadeiro e o Valor verdadeiro.Reprodutibilidade: Grau de concordância entre os resultados de medições de um mesmo mensurando.Erro estatístico: Resultado de uma medição menos o Valor Médio Verdadeiro (ou Média Limite). boa precisão significa erro estatístico pequeno. . O valor verdadeiro de uma grandeza é o valor que seria obtido para uma medição perfeita e a determinação do mesmo pode ser entendida como o objetivo final da medição. Observação: Mesmo com boa precisão. . Então. efetuadas sob condições de medições diferentes.3.Repetitividade: Grau de concordância entre os resultados de sucessivas medições de um mesmo mensurando. . . . . . o mensurando tem um valor verdadeiro único por hipótese. 3.Valor Médio : Definição de uma dada grandeza específica.

. O significado do erro padrão de um dado conjunto de n determinações é que. correntes de ar ou vibrações (fatores aleatórios) podem introduzir erros estatísticos na medição. Erros Sistemáticos e Erros Estatísticos Geralmente. 3. Erro sistemático: é um erro que afeta igualmente todas as n medições xi. Como é impossível fazer infinitas medidas em um universo de medições para determinar a sua média. Erro sistemático instrumental: Relativo à calibração do instrumento de medição.6. Isto é. o que significa determinar em termos estatísticos o grau de precisão e confiança na medida da grandeza física. Erro sistemático ambiental: Erro devido a efeitos do ambiente sobre a experiência. pressão. a. o conjunto completo das n medições xi apresenta-se igualmente deslocada com relação ao valor verdadeiro xv.6. Por exemplo. umidade. Os erros estatísticos (ou aleatórios) resultam de variações aleatórias nas medições. por algum motivo. Estes erros podem ser agrupados em dois grandes grupos que são: os erros sistemáticos e erros estatísticos (ou aleatórios). Os erros sistemáticos podem ser de vários tipos: a. Desvio Padrão (n-1) Para estabelecer uma quantidade para a medida da dispersão com significado mais amplo. 95% de probabilidade de estar no intervalo . 8 . Isto significa determinar a melhor aproximação possível para o valor verdadeiro em termos estatísticos. A incerteza no valor obtido. emprega-se o conceito de que um conjunto represente uma amostra do universo de medidas realizadas uma quantidade infinita de vezes naquele universo.2..1.a.3.2. b. Fatores ambientais como temperatura. O melhor valor para o mensurando a partir dos dados experimentais disponíveis. luminosidade e outros podem introduzir a erros no resultado de medição. a melhor estimativa para o desvio padrão é calculada por: O desvio padrão indica o erro que teríamos caso fizéssemos uma única observação. o procedimento adotado considera uma análise estatística a partir de uma quantidade n de observações para obter a melhor estimativa para o desvio padrão. provenientes de fatores que não podem ser controlados ou que. Uma das quantidades que é de interesse chama-se desvio padrão (n-1) que vem a ser o desvio médio quadrático das medidas com relação à média do universo de medidas. não foram controlados. Considerando o conjunto de xi determinações (i = 1. 3. n) de um mensurando. Erro sistemático observacional: Erro devido a pequenas falhas de procedimentos ou limitações do observador. Por exemplo. Desta forma.1. a. b. Erro estatístico ou erro aleatório: Medida da dispersão dos n resultados xi em torno do valor verdadeiro xv. uma dada observação tem: 68% de probabilidade de estar no intervalo .. na medição de massa com uma balança. ocorrem erros de vários tipos numa mesma medição. o efeito de paralaxe na leitura de escalas de instrumentos.. 2. os erros podem ser divididos em: a. em torno do valor médio.

As incertezas sistemáticas residuais advindas de multiplicidade de efeitos são mais difíceis de serem obtidas e não existe nenhum método padrão bem estabelecido para isso.3. Incerteza Padrão Final Ao se realizar um processo de medição. Nessa avaliação é necessário considerar que este valor será tomado como um desvio padrão. Para combinar as incertezas estatísticas e as incertezas sistemáticas residuais. há situações em que não é possível atribuir mais de 1 algarismo significativo para a incerteza padrão. costuma-se especificar um erro sistemático avaliado adotando-se uma das regras práticas especificadas abaixo: é a menor divisão da escala (em geral em instrumentos digitais) ou é a metade da menor divisão da escala (em geral para instrumentos analógicos). quando o nível de confiança é dado pelo desvio padrão e a sua precisão é grande. Então. exceto o bom senso. Alguns erros sistemáticos podem ser corrigidos e.6. Portanto essa avaliação não deve abranger 100% de confiança. No entanto. determina-se a incerteza padrão final de uma medição por intermédio da fórmula: 3. com isso. usa-se 2 algarismos significativos para o desvio. a fim de permitir cálculos de propagação de erros coerentes. o Desvio Padrão da Média ou Desvio Padrão do Valor Médio é a incerteza final correspondente aos erros estatísticos nas medições e pode ser calculado por intermédio das fórmulas: 3. o ideal é que o instrumento de medida esteja devidamente calibrado e que tenha uma sensibilidade suficiente para permitir a observação de flutuações estatísticas. Desvio Padrão da Média (m) Considerando um conjunto de n resultados de medições.6. Quantidade de Algarismos Significativos na Incerteza Padrão Quanto à quantidade de algarismos significativos no desvio ou na incerteza. No caso dos instrumentos de medida não preencherem a condição acima (possuírem sensibilidade suficiente para observar as flutuações estatísticas). Erros sistemáticos para os quais não é possível fazer correções são chamados Erros Sistemáticos Residuais e as incertezas correspondentes são denominadas Incertezas Sistemáticas Residuais. principalmente nos casos em que o primeiro algarismo do desvio for 1 ou 2.5. Entretanto. um procedimento muito comum é expressá-lo com apenas com um algarismo significativo. além de zeros à esquerda (quando necessário). 9 . As incertezas estatísticas são obtidas por intermédio do cálculo do desvio padrão do valor médio . melhorar os resultados finais da medição. a tendência atual é de se indicar a incerteza padrão com 2 algarismos significativos. mas sim um pouco mais da metade (68%).6.4. considerando que não existe uma regra muito bem estabelecida para a quantidade de algarismos significativos com a qual deve ser indicada a incerteza padrão.3.

45600  0. Resultado de uma Medição Para escrever o resultado de uma medição. 046) s No SI e em NC. Procedimento Experimental Denominamos pêndulo simples o conjunto constituído por um fio ideal (inextensível e de massa desprezível).0017  rad f. fica L   4. 05cm Então: B  (2.53  0. fica T  (3.986  0. conforme os exemplos abaixo: a. para a determinação do período (T) do pêndulo simples: 10 . O período do movimento de um pêndulo simples corresponde ao tempo gasto para uma oscilação completa do corpo suspenso. Então: No SI e em NC.356cm e  B  0. fica M   7.0046 10s 4. ângulos () de abertura que obedecem à igualdade:  = sen  Quando  é expresso em radianos. deve-se considerar o último algarismo significativo da incerteza padrão final da medição. 04569s Então: t  (25. fica A   2. 7036  0.05)cm No SI e em NC. 0010) 102 K e. vale a equação abaixo. fica T  9. vem   1.9865s e  t  0.36  0.757  0.00023 105 m c. Então: No SI e em NC. Então: Em NC.05 102 m g.6. fixo por uma das extremidades e que mantém suspenso na outra extremidade um corpo de pequenas dimensões.736  0. t  25.010 10C No SI e em NC.6. B  2.3563  0.350  0. Então: Em NC. fica    2. vem t   2.36  0.012 10m b. Então: No SI e em NC. que oscile em torno de uma posição de equilíbrio.020 102  No SI e em NC.5986  0. Para pequenas amplitudes.3. vem B   2. 41 104 kg d.

11 . acompanhada da incerteza instrumental Grandeza física Massa do corpo de prova do pêndulo Massa do fio inextensível Comprimento do fio inextensível Abertura angular Período de uma oscilação do pêndulo Massa de um tronco de cone Altura do tronco de cone Temperatura ambiente Volume de um líquido 5. Medida acompanhada da unidade da escala de leitura Quantidade de algarismos significativos Medida na Incerteza unidade de escala instrumental na de leitura. escala de leitura acompanhada da incerteza instrumental Medida em NC e no SI.PÊNDULO SIMPLES 0.1. 5.0º Figura 3: Ilustração de um pêndulo simples Utilizaremos um pêndulo simples para aplicarmos os conceitos adquiridos neste experimento. Utilizando o cronômetro medir oito vezes o período de uma oscilação completa de um pêndulo simples e completar a Tabela 5.2. Escolha um ângulo de abertura () menor do que 10º. Tabela 4: Valores de Medidas Físicas. no transferidor analógico para as medidas dos períodos e expresse esta medida com a respectiva incerteza instrumental na Tabela 4.0º <  <10.

Calcular a incerteza padrão final  p cronômetro. Calcular o desvio padrão  n1  da medida de um período de oscilação:  n1   T  T  n i 1 i 2 n 1 5.   das medidas dos períodos feitas através do 2  p   m   s2 5. com sua devida incerteza em Notação Científica (NC) e no Sistema Internacional de Unidades (SI).5. T  T   p  u  T  (_______  _______) ________ 12 . Expresse o valor mais provável do período.Tabela 5: Conjunto de n=8 medidas do período de um pêndulo simples. Calcular o desvio padrão do valor médio  m  : m   n 1 n ou m   T  T  i 1 i n 2 n   n  1 5. Desvio Período de oscilação Quadrado do Desvio Absoluto Nº Ti ( s ) 1 2 3 4 5 6 7 8 Média Ti  T ( s ) (Ti  T ) 2 ( s 2 ) T  T i 1 n Soma dos quadrados dos desvios i n  T  T  n i 1 i 2 5.4.3.6.

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