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A modernização do Exército nos primórdios da República

As dificuldades decorrentes da pacificação do Arraial de Canudos trouxeram a lume o despreparo


da Força Terrestre para o cumprimento de sua missão constitucional. Formada no
ensino livresco e atolada no bacharelismo, “virtude militar” cultivada nos últimos
anos do Império, a oficialidade ressentia-se de motivação profissional.

A criação do Estado-Maior do Exército, em 1896, como órgão emulador do


preparo e do emprego da Força, já representou um primeiro passo no sentido da
reversão desse quadro adverso.

Em 1905, o General Hermes da Fonseca patrocinou a realização de grandes


manobras, que serviram para testar inovadoras táticas e técnicas de combate.

A extinção da Guarda Nacional, consumada em 1911, legou ao Exército a


condição de único responsável pela ordem interna, o que lhe exigiria melhor
disposição para mantê-la.
Durante a 1ª
Guerra
Os ares do revigoramento profissional sopram com mais intensidade, quando
Mundial, o
oficiais do Exército Brasileiro são mandados estagiar no poderoso exército
Tenente José
alemão, embalado nas melhores tradições militares prussianas. São os “jovens
Pessoa
turcos”, que retornam cheios de entusiasmo e de novas idéias. Chegam a fundar,
comandou um
em 1913, uma revista, “A Defesa Nacional”, para dar efeito multiplicador aos
pelotão
conhecimentos adquiridos.
composto de
soldados turcos,
A eclosão da Primeira Guerra Mundial, na Europa, e o conseqüente envolvimento
tendo sido
brasileiro em função do torpedeamento de navio que singrava águas
promovido a
internacionais, levam o Exército a participar do conflito. Integraram o esforço de
capitão por atos
guerra sos homens públicos sensibilizam-se, convencidos pela pena brilhante de
de bravura.
Olavo Bilac, da necessidade da introdução, no Brasil, do Serviço Militar
Obrigatório. "Se todos os cidadãos usufruem das benesses da Pátria, nada mais justo de que todos
participem de sua defesa."

Na Escola Militar do Realengo, oficiais selecionados por seus dotes de instrutor,


receberam o encargo de incutir, nos alunos, a nova mentalidade profissional do
Exército. Era a “Missão Indígena”, ventre no qual seriam gerados os próceres do
Tenentismo.

Data dessa época, a construção de inúmeros quartéis que ainda hoje desafiam o
tempo em várias guarnições, mandados construir pelo Ministro da Guerra Dr.
Pandiá Calógeras.

Poeta Olavo Porém, o que mais marcou esse período de soerguimento profissional da Força
Bilac Terrestre foi a obra ciclópica de Rondon, realizada em benefício dos brasileiros e
reconhecida internacionalmente como conquista da humanidade. Este autêntico
“Bandeirante do Século XX” propôs-se a rasgar sertões nunca dantes palmilhados para levar o
telégrafo até a Amazônia, interligando remotas regiões do Brasil ao seu centro político-
administrativo. Sua atuação à frente da Comissão Construtora de Linhas Telegráficas do Mato
Grosso ao Amazonas, criada em 1907, conferiu ao Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon o
laurel de ser o Patrono das Comunicações brasileiras.
O surto de modernização do Exército iria completar-se com a
contratação, em 1920, de uma Missão Militar, credenciada pela
vitória da França na Primeira Guerra Mundial. Essa missão, que por
vinte anos permaneceria no Brasil, contribuiu sobremaneira para a
elevação do padrão profissional dos nossos oficiais de todos os
escalões e, por via de conseqüência, da Instituição. Dessa forma, o O Presidente Wenceslau Brás
Exército preparava-se, sem saber, para enfrentar abalos em sua assina a declaração de
coesão, durante o ciclo revolucionário, e o desafio de organizar, beligerância que envolve o
instruir e enviar uma força expedicionária para lutar na Segunda Brasil na Primeira Guerra
Guerra Mundial. Mundial.

A Olavo Bilac, o príncipe dos poetas brasileiros, devemos a instituição, no Brasil, do Serviço
Militar Obrigatório.

Graças ao trabalho de Rondon, puderam ser integrados ao território nacional regiões até então
inacessíveis, como o sertão de Mato Grosso e as planícies da Amazônia.

Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon:


quando Jovem, desbravando os ignotos
sertões da Amazônia brasileira. Hoje, Patrono
da Arma de Comunicações do Exército
Brasileiro.
Participação em missões de paz

Desde a criação da Organização das Nações Unidas (ONU), como fruto da Segunda Guerra
Mundial, o Brasil vem apoiando as iniciativas destinadas a preservar a paz entre as nações e entre os
homens de um mesmo país.

Em que pese o esforço que vem sendo feito no sentido de incentivar a


convivência pacífica entre os países e o respeito à autodeterminação
dos povos, guerras localizadas têm irrompido em várias partes do
mundo. Isto tem exigido a colocação, entre os beligerantes, dos
famosos capacetes azuis, cuja função se assemelha a algodão colocado
entre cristais.

Nesse sentido, o Brasil vem integrando missões de paz, enviando De 1956 a 1967, tropas
observadores militares, para Ásia (Índia e Paquistão), Oriente Médio brasileiras, integrando a
(separando, entre 1956 e 1967, árabes e judeus), América Central Força de Emergência das
(Nicarágua, El Salvador e República Dominicana), África (Angola, Nações Unidas, separaram
Moçambique e Ruanda) e Europa (na ex-Iugoslávia). árabes e judeus, no
Oriente Médio.
Em face do prestígio do Brasil no âmbito internacional, oficiais-generais do Exército Brasileiro
comandaram a Primeira Missão de Verificação das Nações Unidas em Angola (UNAVEM I) e a
ONUMOZ, Operação das Nações Unidas em Moçambique.

Em 1994, o Exército Brasileiro enviou a Moçambique, como força de paz, uma Companhia de
Infantaria, encarregada de fiscalizar a desmobilização das forças guerrilheiras que convulsionavam
aquele país africano.

Os militares brasileiros, mercê do excelente desempenho de suas atribuições como combatentes da


Paz, têm angariado o respeito e a admiração internacionais, pela forma profissional como enfrentam
os desafios da missão e pela forma fraterna com que se relacionam com os naturais de cada país.
Com isso, conseguem projetar em verdadeira grandeza, o valor do Exército Brasileiro no exterior.

A participação brasileira nas Meio século depois da FEB,


forças de paz da ONU, em Angola, tropas brasileiras atravessam o
foi fundamental para se chegar ao Atlântico, desta feita para
entendimento entre as facções em garantir a conveniência
luta. pacífica entre irmãos, em
Moçambique, país amigo de
lingua portuguesa.

As Missões de Paz são o instrumento do Brasil para a garantia dos direitos de todos os povos em
conflito. A alma conciliadora do brasileiro capacita o nosso soldado a contribuir de modo
significativo para paz mundial.