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Nota Técnica

“Chico e Célia”(Caso Cenofa – 052)

O amor constrói-se: as etapas.

No filme de Norman Jewison, Um Violino no Telhado (1971), os dois protagonistas principais,


Tevye e a sua mulher Golde (Topol e Norma Crane), conversam entre si sobre o iminente
casamento da sua filha que anda apaixonadíssima.4

«- Golde, tenho que te contar uma coisa importante.


- Come a sopa.
- Está quente! Encontrei o Perchik com a Hodel.
- E... ?
- Bem, parece que eles gostam muito um do outro.
- E então? O que é que estás a pensar?
- Então... Resolvi autorizar o casamento!
- O quêeeeeeeeeeeeeeee?! Assim, sem mais nem menos? Sem sequer me perguntar?
- Eu é que sou o pai!
- Sabes quem é ele? Um pedinte! Não tem absolutamente nada!
- Eu não diria isso!Eu sei que ele tem um tio rico.
- Um tio rico!
- Golde, ele é um bom homem. Eu gosto dele. É meio doido, mas eu gosto dele. E o mais importante... é
que Hodel gosta dele. Hodel adora-o. O que é que podemos fazer? O mundo mudou: é o amor... Tu
amas-me?
- Eu o quê?!
- Amas-me?
- Se te amo?
- Sim?
- Acho que estás cansado e zangado: com tudo isto do casamento das filhas e os problemas ... Vai
descansar. Deves estar doente.
- Não, Golde, fiz-te uma pergunta: amas-me?
- És tolo!
- Eu sei que sou. Mas amas-me?
2

- Se te amo?
- Sim?
- Há 25 anos que lavo a tua roupa, cozinho, trato da casa, dei-te filhos, ordenho a vaca ...Depois de 25
anos, vamos falar de amor porquê?
- A primeira vez que nos vimos foi no dia do casamento ...
- Eu estava com medo
- Eu estava envergonhada
- Eu estava nervoso
- Eu também
- Os meus pais diziam que iríamos aprender a amar e eu, agora, pergunto: Golde amas-me?
- Sou a tua mulher.
- Eu sei! Mas amas-me?
- Se te amo?
- Então?
- Há 25 anos que moro com ele, luto com ele, passo fome com ele. Há vinte e cinco anos que a minha
cama é dele. Se isso não é amor, o que será?
- Então amas-me?
- Acho que sim...
- Eu também acho que te amo...
1
- Não muda nada, mas mesmo assim, depois de 25 anos é muito bom saber isso!»
O que aqui vemos é a perplexidade entre duas pessoas que têm concepções diferentes do amor. O pai
está confuso: para ele é evidente que a filha está apaixonada. O que ele questiona é se isso será amor.
Ele questiona-se a si próprio acerca de como se sentia quando casou, e quer saber se isso seria
(também) amor. Quer também saber se o que sente, agora, pela mulher é (também) amor. Como está
confuso, vai procurar a solução perguntando à mulher . Quer saber se ela sente alguma coisa parecida
com o que ele identifica como sendo amor: um sentimento, uma atracção ... 4

Ela, em contraponto a uma pergunta sobre sentimentos, responde com comportamentos - “durante 25
anos”. Centra a resposta em questões objectivas que revelam como vivem os dois, a dois.

Mas ele não parece totalmente satisfeito: de facto acaba por se refugiar no “acho que nos amamos”,
não encontra a total certeza que esperava.

A questão é portanto saber o que é o amor: porque se se chamar amor a qualquer atracção, então a
qualquer atrito se chamará crise.

De facto o amor contém em si não só os elementos de atracção, como também as várias etapas de crise
e crescimento, que fazem parte da natureza do próprio amor. A segurança que o nosso protagonista

1
Transcrição das legendas do filme “Fiddle in the roof”
3

pretende está no conhecimento de que é próprio do amor crescer e desenvolver-se, mas também ter
algumas dores de crescimento.4

O crescer do amor não é “automático”, depende de cuidados semelhantes a uma empresa (a empresa
pára, quando não se investe), ou a uma planta (que seca e mirra, se não for regada e cuidada no tempo
oportuno). A “lei do crescimento” também estipula que quando não cresce ... atrofia. Ou seja, é um
processo de permanente actividade (sempre a investir ...).

Confundindo o nevoeiro com o amor

A adolescente que corre para se abraçar ao poster do seu cantor preferido, tem certamente uma forte
atracção, mas evidentemente não é amor. O poster não permite o grau de união / convivência que o
amor deseja (embora às vezes para um coração adolescente assim possa parecer...)

Tampouco os companheiros de trabalho, que convivem longamente entre si, representam algum
modelo de amor, embora claramente exista alguma união dentro de uma equipa de trabalho.

Então o que faz com que estes dois elementos – união + sentimento – permaneçam juntos, de modo a
que suceda o amor? Só há uma coisa que pode “colar” estes dois elementos: a vontade (lembram-se do
saleiro e do pimenteiro no filme Fireproof 2?). Isto é: o querer amar.

Por isso é que são diversos o amor e o “sentir-se apaixonado”, estar enamorado. Com o termo
apaixonado, na linguagem corrente, o que queremos exprimir é uma situação passiva, e involuntária, de
quem “se apaixonou”, isto é, aconteceu-lhe apaixonar-se. Foi uma coisa que não se fez, que
simplesmente aconteceu.

A paixão é uma experiência que, pelo menos no início, se impõe, sem contar com a liberdade do
próprio. A chave do amor é o querer amar. Pode obviamente querer-se a paixão que se sente, porque
quero que ela me ligue à pessoa que amo, mas se é amor, isto é se existe um querer amar, então
quando a paixão se consome (como é normal que aconteça), o amor permanece.4

A paixão é uma labareda que explode em fumo, mas o amor arde sem fumo ... e sem cinzas. 3

De resto é o que se passa connosco: nem sempre estamos entusiasmados connosco próprios, mas não
deixamos de nos amar nesses momentos, sem o que cairíamos em estados destrutivos.

A vontade é a “ferramenta” QUE NOS PERMITE AGIR COM LIBERDADE. É pela vontade que amamos uma
pessoa concreta (e não uma qualquer imagem / abstracção / modelo adolescente que apenas existe na
memória ou na imaginação).

2
Fireproof (2008), realizado por Alex Kendrick. Filme visionado na primeira sessão do curso. Disponível no YouTube.
3
Gustave Thibon, Una mirada ciega hacia la luz, Ed. Belacqua. Barcelona: 2005.
4

A atracção espontânea por alguém não é uma atracção livre: dá-se como um processo que se vive de
modo passivo (sem ser necessariamente mau por isso).

A vontade é o “toque de Midas” que permite transformar o-que-simplesmente-me-acontece (não-livre),


numa coisa querida, isto é numa coisa-que-eu-faço (“faço e aconteço” , isto é, faço acontecer). Passa a
ser um acto da minha liberdade.

“Quando a vontade quer aquilo que a paixão lhe propõe, começa o amor.” 4

A vontade é a “cola” que une o sentimento com o desejo de união, e gera em simultâneo uma segunda
camada protectora do amor: as competências (virtudes, hábitos operativos) que mantêm a solidez do
vínculo – a fidelidade, a generosidade, a entrega.

Para os católicos, há uma terceira força envolvente, a Graça, que é como que uma amplificação da
firmeza, na vontade, e da lucidez, na inteligência.

Eu (não) tenho três amores ...

Há três formas de sentir o amor (pelo menos ...). O amor é o mesmo, mas a forma como nos impressiona
no nosso interior, a forma consciente como percebemos o afecto (o que nos afecta), vai mudando.

O amor paixão /amor enamorado.5

O amor tranquilo.

O amor crítico (amor dorido).

Não são espécies ou tipos de amor: são formas diferentes de sentir o amor: é sempre o mesmo amor,
um amor objectivo, concreto.4

O amor paixão/amor enamorado

É a forma de amor mais publicitada e mais conhecida, no cinema, na literatura, na música, na


publicidade, na linguagem corrente. É um amor que faz sair de si (ex-tase), que “vê” as qualidades do

4
Manglano, J. P., Construir el amor, Ed. Martinez Roca, 3ª ed., Madrid: 2004
5
Em português, apaixonado e enamorado não são sinónimos, pelo menos na linguagem corrente. Mas em muita
literatura de divulgação científica sobre a antropologia do amor, os dois termos aparecem geralmente como
equivalentes, pelo que se optou por manter esta opção, para tornar a leitura mais fácil.
5

outro de uma forma extraordinariamente ampliada, que tende a esquecer-se de si próprio, que arrasta e
impulsiona, que esquece as dificuldades.

«Uma única coisa lhe parecia evidente: que estava na mesma situação que um ano antes na estalagem
daquela capital de província junto ao leito de agonia do seu irmão Nicolau. Mas então tratava-se de uma
desgraça e agora de uma alegria. Tanto aquela desgraça como aquela alegria estavam, porém, fora das
condições normais da vida» 8

Neste texto de um romance de Tolstoi, aparece com grande evidência o carácter intenso deste
sentimento. O personagem percebe que a emoção que sente pela esposa é tão intensa como a que
sentiu perante a morte do irmão.

Não é um amor adolescente: tem um papel fundamental na biografia de qualquer amor. É muitas vezes
a força de “arranque” para um percurso que, como tudo o que tem valor, terá as suas dificuldades. É um
amor real, mas apenas no coração: é um amor ainda sem se concretizar no tempo e no quotidiano. O
egocentrismo parece morto, aparentemente vive-se apenas, e só, para o tu, mas rapidamente
reaparecerá o lastro do eu.

Isto não lhe retira nenhum valor – mostra um “modelo” do que é o amor desinteressado, isto é, aparece
frequentemente no princípio do amor, para nos mostrar como deve ser o objectivo final.4

Mas o amor paixão, não é o mesmo que a mera atracção (incorrectamente chamado “amor à primeira
vista”). A atracção, por mais intensa que seja, não é amor. A atracção (“estar caído por”, “estar
interessado”, sentir-se atraído, reparar em) pode levar ao amor, mas ainda não é amor.

Atracção não é amor

O adolescente que se “apaixona” por alguém que encontrou no autocarro e com quem nunca falou; o,
ou a, jovem que “acaba” uma relação “de amor”, e que na mesma semana começa outra; o homem, ou
mulher, comprometidos que pensam que o seu casamento acabou porque se sentem atraídos por outra
pessoa, são exemplos da confusão entre atracção e amor.

A atracção física – “é o meu tipo”, “agrada-me”, “tem bom aspecto”, “atrai-me”;

a atracção sentimental (a “paixão”) – há “química” entre nós, gosto de estar com ele(a), gosto
de pensar nele(a),

e o amor

são três coisas diferentes. Cada uma delas pode conter a anterior, mas só o
amor é ... amor.
6

1) A atracção física é o nível mais básico e universal. É comum às outras espécies animais. Está
sempre presente, mas por si só não basta para desencadear o amor. Leva à apropriação do
outro e à tentativa de o usar. Se estiver ausente, o amor não funciona, mas a mera presença não
é suficiente para o fundar. É o estereotipo mais comum das séries televisivas e das “soap
opera´s”. «Será que tinha enlouquecido, ou aquilo era afinal o nome impronunciável do amor?
Quando alguém dizia esta palavra no cinema, estava a desperdiçá-la. Embora os actores se
tivessem especializado em dizê-la; tinham-na estudado na Escola de Artes, tinham-se treinado
diante de um espelho, tinham-se exibido diante de júris e diante do público, para por fim dizer:
amo-te.» 6

2) A atracção sentimental, afectiva, é mais típicamente humana. É o que faz com que as pessoas
se sintam bem juntas, que gostem de partilhar ideias e interesses, de se conhecerem. É um
fenómeno espontâneo, que geralmente reflecte uma sintonia de carácteres, mas não tem
energia suficiente para o amor: falta-lhe a decisão da vontade. Geralmente as pessoas não
decidem sentir-se atraídas; sentem-se assim devido aos aspectos positivos do outro que lhes
aparecem como agradáveis.

3) No amor-paixão, ou amor-enamorado, estes dois níveis anteriores são queridos e assumidos


como compromisso de entrega ao outro, amando-o tal como é, e tal como será. É um amor com
o qual aceito a pessoa completa, não só com os aspectos que me agradam, com todas as suas
características, incluindo as que talvez não me agradem tanto. Trata-se de amar não aquilo que
me agrada naquela pessoa, mas a pessoa, com tudo aquilo que é, tal como é nesse momento, e
para sempre.

E dura muito este amor-enamorado? C. S. Lewis, com o seu realismo bem humorado, diz que dura
“uma semana”. A experiência da vida de muitos casais é a de que este amor regressa muitas vezes,
mas sempre de modo fugaz.

No modo do amor- enamorado há tendência a ver o outro de acordo com o nosso modelo ideal de
parceiro (sem o ver como ele realmente é, e sem vermos também os nossos próprios limites);
quando a realidade se instala, o outro irá aparecer com as suas reais qualidades (e defeitos): á e
altura de melhorar a qualidade do amor (um pouco idelaista) para um amor adulto (mais
“materialista”).12

Na vida de um casal decorrem ciclos em que o tipo de “visão / sentimento” varia (não
necessariamente sucessivos, podem ser misturados ou vividos em qualquer sequência): 12

Etapa da Fusão: fase muito intensa de integração do nós.

1ª etapa, fusão definitiva: cerca dos 7 anos de casamento -questões de “poder” e “território”
resolvidas, modelo de resolução de conflitos acordado, simetria e complementaridade na relação e
na gestão do dia a dia.

6
Erri de Luca, El dia antes de la felicidad, Ed. Siruela. Milão:2009.
7

2ª etapa, retorno do eu e do tu: cerca dos 10 – 15 anos de casamento – “fantasmas”, desejos de


separação.

3ª etapa, reencontro: reorganização do nós – desenvolvimento em qualidade da autonomia e da


independência.

O amor tranquilo

O amor é eterno, mas só se concretiza no tempo: isto é, amar no tempo significa estar a amar agora. Ou
se constrói o amor, diariamente, ou se destrói, também diariamente. Esperar que a paixão construa, é
como esperar que um avião esteja sempre a levantar: gasta muito combustível, faz muito barulho, mas
não chega a nenhum lugar. 

Os sentimentos são excelentes “motores de arranque”, mas péssimos na hora de viajar, sobretudo se a
viagem for longa. Quem é que quer andar de carro só com o motor de arranque?

A paixão é como os padrinhos: faz as promessas, mas nós é que temos de cumpri-las.7 E cada época da
vida (cada tempo), tem a sua própria expressão de amor.8

O amor-tranquilo é a forma mais frequente de sentir o amor, ao longo da vida. É o “querer-se”, o querer
estar. Não tem época, nem idade: é boa ideia tê-lo como modelo e objectivo permanente.

Ama-se sem agitação, sem explosões, ama-se simplesmente ... Está-se! Está-se no nosso sítio no mundo,
junto de quem compartilhamos tudo. 4

«O homem que ama a mulher com quem casou, tem mais sorte que os muitos homens que conseguiram
casar com a mulher que amavam” (G. K. Chesterton)

Esta forma de sentir o amor não é tão divulgada, mas nem por isso é menos necessária. A representação
do amor que nos propõem na literatura de ficção, ou no cinema, não corresponde ao comum da
felicidade dos casais. Divulgar uma imagem do amor que consiste em conquista, quando não em troféu,
não ajuda ao realismo da situação. Nos filmes, o casamento aparece quase sempre no fim, enquanto o
momento da atracção dura o filme todo. De facto, o casamento é apenas o princípio, não o fim.

O amor crítico
«Havia dois meses já que Liêvin se casara. Era feliz, mas não como o esperara. A cada passo surgiam
decepções, embora compensadas por imprevistos encantos. Era feliz, é certo, mas, ao principiar a sua
vida de família, via-se obrigado a reconhecer a cada instante que era muito diferente do que sempre

7
C.S.Lewis, Os quatro amores, ed. Wook, 2006.
8
L. Tolstoi, Ana Karenina.
8

imaginara. Exatamente como aquele que depois de admirar o barquinho que singra, sereno e ligeiro,
pelas águas de um lago, verifica, ao pôr os pés a bordo, que não basta ir quieto lá dentro, mas que é
preciso estar atento, a todo momento, ao rumo a seguir e à água que lhe corre por baixo, e que tem de
remar e que lhe doem as mãos não acostumadas aos remos, outro tanto ocorria com o seu casamento.
Em suma: era bem mais fácil olhar, pois, para o barco do que fazê-lo singrar» 8

O amor entra pelo coração, mas ao crescer, terá que subir à cabeça. 9 «O maior amor desmoronar-se-á,
virá abaixo, afundar-se-á e oxidar-se-á se não se cuidar dele. Não creio no amor eterno porque sim, sem
mais. Creio no amor construído e trabalhado no dia a dia, com base em coisas pequenas,
aparentemente miúdas mas que constituem o eixo do amor conjugal, um verdadeiro trabalho de
ourivesaria que consiste em cortar, polir, limar ou corrigir as pequenas, ou grandes, deficiências do
comportamento» 9

Tal como na vida física normal das pessoas há etapas de crescimento crítico (infância, adolescência,
meia idade, meno e andropausa, ...), o mesmo acontece no amor, sem que, no entanto, estas etapas
tenham que seguir uma qualquer sequência rígida, ou podendo até ser simultâneas.

Faz parte da aprendizagem do amor o entender que estes momentos críticos fazem parte do normal
desenvolvimento do casamento. O erro mais comum é entender estas crises como um fracasso pessoal
ou da relação, quando são apenas etapas de crescimento, que se apresentam normalmente e
necessariamente em todos os casais. 10

Claro que há sempre o risco de correr mal, tal como um adolescente pode não ser capaz de superar
sozinho a passagem à vida adulta, e ficar retido numa indefinida imaturidade.

As verdadeiras crises são momentos realmente bons: o amor estava a ficar apertado, mirrado, incapaz
de responder às novas exigências da vida naquele momento e precisa de limar mais alguma ferrugem do
velho ego (o tal cuja morte prematura foi anunciada durante a fase do amor paixão).4 Crise? De
crescimento!

Como todas as situações de crescimento e mudança, carrega consigo alguma insegurança e necessidade
de esforço. Este esforço pode ser percebido como sofrimento e angústia e gera um movimento
instintivo de fuga. É normal fugir da dor, mas aqui a fuga não resolve: evita a dor, mas não trata o
problema, simplesmente troca um problema por outro. 4 É o que vemos na literatura cor de rosa e nas
vidas pouco interessantes dos “famosos”: sempre a mudar de parceiro e sempre a lamentar-se dos
problemas ...

A pessoa imatura tem mais dificuldade em sair do aparente conforto das primeiras fases do pré-amor
(atracção): não sabe o que quer, sente medo da mudança e do compromisso adultos, é oscilante, não
tem ainda definido um modelo de identidade, ainda não sabe bem quem é, conhece-se mal a si própria.
O confronto com as realidades (excelentes) da vida adulta provocam-lhe um emaranhado de

9
Enrique Rojas. O amor inteligente. Ed. Gráfica de Coimbra, 1997.
10
Rafael Llano Cifuentes. Crises conjugais. Ed. Quadrante, S. Paulo:2008.
9

contradições internas: se não tiver uma forte filosofia de vida, mover-se-á de acordo com o vento que
sopra. 11

A vida conjugal é uma das formas mais radicais de deixarmos de pertencer a nós próprios:
compartilhamos a casa, o quarto, o armário, a mesa ... A simples atracção, física ou afectiva, é
insuficiente para este grau de dedicação ao outro. 10 Há um trabalho permanente de ajuste das teorias,
ideias preconcebidas, argumentos, estilos psicológicos de cada um para confluirem na realidade – viver
debaixo do mesmo tecto. É o momento da verdade. 9

Con-viver é antes de mais com-partilhar, tomar parte na vida do outro e, em retorno, torná-lo
participante da nossa maneira de ser: é uma actividade de risco, ficamos expostos, temos que nos
mostrar como somos e nem sempre gostaremos do que vemos em nós próprios. Quantas vezes o que
nos irrita no outro (o outro cônjugue, ou o outro, filhos) são “defeitos” que transportamos connosco?

Na luta pelo casamento feliz, parte da construção é a da nossa própria personalidade, para que se torne
mais independente do exterior e mais cimentada na afectividade interior, para que não oscile ao vento
das relações sociais passageiras ou da cultura dominante. Trata-se de ter uma idade mental pelo menos
tão madura quanto a idade cronológica. 11

Surfar a crise

1) As crises não passam, fazem-se passar.

Os momentos de mudança e crescimento surgem por si mesmos, fazem parte da vida normal.
Mas atravessá-los não é automático: implicam escolhas e mudanças. Amar é escolher, ou seja, é
prescindir de umas coisas, a favor de outras mais importantes.

Não se foge de uma crise: atravessa-se, ou eterniza-se. O custo da mudança é o preço para
chegar à fase seguinte. Matar a galinha não faz aparecer mais ovos: o objectivo é crescer com a
situação (resolvendo-a) e não encontrar culpados (mantendo o problema).

Há casais que optam pela máxima “não quero saber”, na crença de que um casal tem que estar
sempre de acordo, ou de que a diferença leva ao conflito. Procuram no silêncio a protecção
contra o desentendimento. Negar as dificuldades, ou optar pelo silêncio (“estou a descansar,
não incomodem”) não as resolve: bloqueia a comunicação.12

2) Nos períodos de crise / crescimento, a realidade é vista com óculos de distorção.

Há uma tendência (um pouco infantil, mas real) de procurar culpados. O passado é culpado das
nossas dificuldades porque deveríamos ter feito outras escolhas, o presente é culpado porque o

11
Enrique Rojas. Remédios para o desamor. Ed. Grafica de Coimbra.
12
José Gameiro. Entre marido e mulher. Ed. Trilhos, Lisboa: 2007.
10

outro, ou as circunstâncias actuais, não são o que deviam ser, o futuro é visto como um
prolongamento eterno das dificuldades actuais.

Tudo e todos são mais ou menos culpados – excepto nós próprios – e a situação fica
“encalhada”. Um sintoma comum é a “mística do oxalá” 13: «Às vezes, desejaríamos ser os
melhores em qualquer aspecto e em qualquer nível. Como isso não é possível, origina-se um
estado de desorientação e de ansiedade ou, inclusivamente, de desânimo e de tédio. Não se
pode estar em toda a parte ao mesmo tempo, não se sabe a que se há-de atender e não se
atende eficazmente a coisa nenhuma. Nesta situação, a alma fica exposta à inveja e é natural
que a imaginação se solte e procure um refúgio na fantasia, que afastando-nos da realidade,
acaba por adormecer a vontade. É a isso que tenho chamado repetidas vezes mística do oxalá,
feita de sonhos vãos e de idealismos falsos: oxalá não me tivesse casado, oxalá não tivesse esta
profissão, oxalá tivesse mais saúde, ou menos anos ou mais tempo!» 13

3) A verdadeira causa da crise é uma deficiência na minha forma de amar.

A situação de crise é um momento em que as limitações próprias de cada um exigem uma nova
resposta para o crescimento necessário ao projecto de amor que se começou. A “lei do
crescimento” (talvez esquecida), impôs-se: o amor cresce, ou desaparece. Como deixou de
crescer, sente-se a necessidade de mudar de padrão. Quando a gasolina falta no depósito, o
carro dá solavancos, mas o motor não tem nenhuma avaria ... É preciso reabastecer.

«Recordo-me do que me dizia uma senhora casada que já passara dos trinta anos: “Todo este
tempo fui uma pessoa condescendente, sempre fiz as vontades do meu marido. Agora, porém,
dei o “grito de Independência”. Não suporto mais o seu autoritarismo. Aliás nunca o suportei. Eu
calava-me, mas por dentro roía-me toda. Já chega!”

«O “grito de independência” foi um berro e o marido ficou assustado. De repente encontrou-se


com uma esposa diferente. Foi preciso dizer a ambos, a cada um em separado, aquilo que não
podiam continuar a ignorar. A ele, que precisava de sensibilidade para entender a revolta,
silenciosa e submissa, da mulher; a ela, que precisava de desenvolver a sinceridade suficiente
para comunicar as mágoas quando elas surgiam.» 10

4) Algumas crises são apenas falta de tempo

É possível confundir crises com mero cansaço ou falta de tempo. É o “ar do tempo” que
vivemos: «Cansaço significa muito amiúde angústia, desânimo, tédio e impaciência, quer dizer,
tensão egocentrada por causa do encolhimento existencial provocado, por sua vez, pela
frustração de possibilidades vitais, sobretudo pela incapacidade de se amar a si mesmo, de amar
o mundo, o próximo, o trabalho ...» 14

13
S. Josemaria. Temas actuais do cristianismo. Ed. Diel, Lisboa. Entrevistas entre 1966 e 1968, a Le Figaro, The New
York Times, Time, L'Osservatore della Domenica, e revistas Telva, Gaceta Universitaria e Palabra.
14
J. B. Torelló. Psicologia aberta. Ed. Quadrante: 1987.
11

Para amar é preciso não estar demasiado esgotado.4 Há pessoas tão habituadas ao ruído e à
actividade que vêem no silêncio um vazio que não querem enfrentar. Quando chegam a casa
ligam a tv ou o rádio, e não o desligam nem sequer para comer em família. Não conhecem os
efeitos sedantes e curativos do silêncio e procuram fugir dele, deixando invadir a sua vida com
aquilo que conhecem e onde se sentem dominadores: o trabalho e a actividade. 15

«Falar de agenda provoca a impressão de que estamos a falar de trabalho profissional, daquele
trabalho que não temos outro remédio senão fazê-lo. Mas de facto no fazer a agenda a
prioridade somos nós próprios: somos nós o motor de tudo o resto.» 15 Quando dizemos
“preciso de tempo para mim”, estamos a falar de uma necessidade imperiosa, mas também
estamos a dar azo a um engano, como se o tempo de trabalho e o tempo restante fossem
mundo diferentes – todo este tempo é nosso. A primeira coisa que temos de colocar na agenda
é um buraco para programar o dia, para pensar e reorganizar o tempo, para decidir o que vamos
fazer. Prescindir disto leva-nos a fazer as coisas sem saber porquê, a fazê-las de forma
desordenada.» 15 Daqui resulta aquele cansaço do esforço sentido como inútil e improdutivo. Se
as pessoas penteiam todos os dias o cabelo, porque não fazem o mesmo ao coração? 15

5) Podemos gerir as crises, mas não lutar contra elas.

Não se pode lutar contra uma crise, do mesmo modo que não se pode lutar contra a insónia. 4
Se ao deitar se tiver o adormecer como objectivo, o mais provável é ter uma insónia
monumental! É preciso con-viver com o período crítico do amor, adaptando-se e tentando
descobrir em que é que é preciso mudar. Algures no meio destas tentativas, a situação
desvanece-se, quase sem se dar por isso. Mas nunca se regressa ao anterior: vive-se uma nova
situação, há sempre um salto de qualidade.

A crise é um nome para o amor-crítico, amor-que-dói. A crise atravessa-se amando e o amor


tem a sua raiz na vontade. O que se sente como sofrimento é a trepidação do amor que cresce,
num contexto que exige um amor melhor e mais maduro. É a turbulência do voo; para fugir
dela, há que subir ... Esperam-nos novas emoções: a rotina é pouca própria do amor (quem
quiser rotina, melhor fará em não casar ...) O problema é que os nossos reflexos mais primitivos
nos levam a fugir do que custa: mas fugindo, nunca se cresce, e fugir do amor não é humano,
porque todos o desejamos e necessitamos dele (mesmo que de modos pouco coerentes).

15
Nuria Chinchilla, Maruja Moragas. Senhores do nosso destino. Como conciliar a vida profissional, familiar e
pessoal. Ed. Aletheia: 2009.
12

Os 4 cavaleiros do apocalipse 12

São sinais de risco numa relação. Cada um destes sinais precede e prepara o seguinte e, no seu
conjunto, são tão destrutivos que se tornam num bom indicador de prognóstico da recuperação.

Criticismo: não se limita a uma acção concreta, mas denigre globalmente o carácter do outro.
Consiste em generalizações e indirectas. “Estou farto de que nunca arrumes a cozinha; és
sempre assim; já sabia que ...; nem sequer vale a pena falar disto.” Prepara o “cavaleiro”
seguinte.

Desprezo: cinismo, humor negativo, insultos, gozo, caras trocistas. É impossível ultrapassar este
cavaleiro, não há comunicação possível, o conflito tende a aumentar e a incomunicação
também. Estes casais tendem a sofrer de mais doenças infecciosas que os outros ... Este
cavaleiro alimenta-se de pensamentos negativos sobre o outro, geralmente por diferenças não
geridas, ou silenciadas. São frequentes as ameaças veladas e as provocações.

Defensivo: a resposta à defesa embora possa parecer uma solução, tende a culpabilizar o outro,
que acaba por se tornar ainda mais agressivo. Quem se defende fica só, e hiper-vigilante, quem
critica, está só, e hiper-vigilante ...

Imperturbável: quando já entraram em cena os 3 cavaleiros, um dos parceiros tende a


“desligar”. A falta de reposta, torna o outro ainda mais activo e agreste. O parceiro que desliga
evita os problemas, mas também foge do seu casamento ...

São atitudes humanas, mas tão negativas que tendem a corroer qualquer relação. Aparecem,
geralmente, por esta ordem. Quanto mais um dos conjugues se sentir invadido pelo criticismo
do outro, mais vigilante se torna perante qualquer pequena ameaça de “temporal”: tem cada
vez mais medo de se expor, vive à defesa, isto é, sofre e tenta “desligar-se” emocionalmente
para não sofrer.

• Há uma “objectividade” própria do amor (só o subjectivo não é amor, é apenas o “sabor”)

O sentimental / subjectivo não se mede, mas o objectivo pode medir-se (violino no telhado). O
SENTIMENTAL é mais passivo, “acontece”, mas o objectivo pode ser objecto de treino e vontade.

Do menos ao mais, e do mais subjectivo ao mais objectivo:

• Necessidade: “preciso de ti”

• AMOR-CRÍTICO (não posso viver sem ti, nem contigo ...)

• Apreço / admiração: ainda bem que existes e estás aqui; não termino de conhecer-te.

• AMOR-TRANQUILO

• Doação: quereria dar-te tudo e proteger-te de tudo; quero que sejas feliz.
13

• AMOR-ENAMORADO

Remédios para o desamor 11

1) É irracional responsabilizar o cônjugue pelos problemas do casamento: o casamento é a dois e


cada qual tem a sua parte

2) Nenhuma crise é eterna

3) A incomunicação resulta sempre numa recusa (infantil) a crescer. Ex.: “Eu já tentei ... Não me
vou baixar a pedir desculpa por uma coisa de que não sou responsável ... Também sou gente ...”
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As medidas “anti-crise” também são medidas preventivas: são estratégias de crescimento pessoal e de
melhoria da qualidade do amor que sempre terão que estar presentes, de alguma maneira, em todos os
casais.

Os casais com mais problemas, tendem a fazer mais tentativas de reparação, do que os casais
aparentemente mais estáveis: 12 a qualidade do amor é que determina o sucesso da terapêutica.

6 A’s
ADMIRAÇÃO

AQUI

AGORA

AMABILIDADE

ACEITAÇÃO

ALEGRIA
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Admiração 10

Nunca se conhece totalmente o outro (ou então o outro não é humano ... ): mas para conhecer
é preciso estar aberto ao conhecimento que o outro nos transmite.

Ex. de incomunicação: “sei perfeitamente porque faz isto”, “já sei do que a casa gasta”,
“estava-se mesmo a ver ...”, “já sabia que ...”, “é sempre a mesma coisa”. São exemplos de
encerramento cognitivo: não vê porque já decidiu, antes de ver, o que está lá ...

Olhar o outro “de novo”, todos os dias, sem pré-conceitos.

Verbalizar a admiração: se não for eu a admirá-lo(a), quem é que espero que o faça?! Cada um a
seu estilo, nem todos seremos Cyrano de Bergerac ou a Julieta do Romeu, mas precisamos de
dizer em voz alta as coisas que apreciamos no outro e agradecer a sua presença.

E não, não é verdade que isto é pouco masculino: vem no WikiLeaks que os homens são mais
“carentes” que as mulheres.  Além disso, assim temos menos tempo para criticar ou discordar
do outro ....

Em público, sempre nos elogiaremos! O público, inclui os filhos e a família alargada.

Os interesses pessoais são comuns: leio, ouço, informo-me sobre as tarefas dela(e) e os seus
interesses extra-profissionais.

Manifesto admiração indirecta, pela forma como se veste / apresenta / fala / comporta em casa.
O trajo nacional do país não é necessariamente o pijama ou o fato de treino (presumindo que
ainda se sabe a diferença).

Não me comparo, não o(a) comparo com outros (isto não é nenhum concurso). Pergunto a
opinião, mas envolvo-me nas soluções (não transfiro o peso da decisão para o outro). Peço
ajuda, não critico a forma como resolveu ajudar. Verbalizo o que sinto de forma objectiva, não
me faço vítima.

Penso em como conseguir que goste de estar comigo (em vez de noutro sítio qualquer?).

As qualidades do outro não desaparecem com o tempo. Geralmente até melhoram porque o
casamento é um crescimento mútuo e fá-las crescer. O que por vezes pode desaparecer é a
nossa capacidade de ver: o amor não é cego, mas pode ir perdendo visão por falta de uso ...

Aqui
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O amor do outro é uma “bolha”, um espaço onde vivem a minha cabeça e o meu coração.

Fiz uma opção de viver nessa bolha, esta opção é uma escolha de amor: quando saio da bolha,
estou em risco de sair do amor.

A minha vida está aqui, a minha opção está aqui, é aqui que sou necessário(a) e é neste aqui que
poderei crescer até atingir a minha realização máxima. 4

• Posso ter muitos outros interesses, mas a “bolha” anda sempre comigo: a isto chama-se amor
total. Não é um ponto de partida, nem de chegada, é simplesmente a descrição do que é o
modo normal e natural de amar. 4 Todos os problemas começam quando começo a tentar sair
da bolha ... Isto é, a saúde do amor passa por aqui, e os cuidados preventivos também.

Agora

“Nos casamentos felizes, os parceiros tendem a olhar para trás lembrando-se mais das coisas boas e dos
momentos positivos; falam de modo entusiasta sobre o início da relação (...) e da admiração que
tiveram um pelo outro; quando falam dos momentos difíceis glorificam a luta que tiveram que travar e
mostram a força que tiveram ao atravessar a adversidade juntos.

Mas quando um casamento tem problemas a história do casal é reescrita – para pior.” 12

(...)” A melhor forma de reavivar um casal não é ajudá-los a discutir melhor, mas sim ajudá-los a
descobrir como são, como casal, na ausência de conflito.”12

Amabilidade

Entre à-vontade e caserna, existe seguramente alguma diferença.

Sempre é necessário alguma “cerimónia” para que a convivência não se torne difícil.

Os dias de rosas 11:

- conversar ao pequeno almoço, ter tempo para o pequeno almoço ...

- falar da agenda do dia de cada um

- cumprimentar à entrada e à saída ...

- elogiar o aspecto, reparar nalguma modificação


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- ouvir como foi o dia, responder como foi o dia

- que não haja fractura entre a noite e o dia (amar com o mesmo corpo de dia e de noite)

- partilhar as tarefas da casa

- estar com os filhos (estar ...)

- sair ... e não com a mesma roupa de trabalho

- não contrariar por sistema os planos alheios

- sentido de oportunidade para negociar

- deitar fora a lista negra das coisas passadas

- não amuar durante uma semana, sempre que existe alguma tensão

- ouvir sem interromper

- não usar o cansaço como desculpa permanente para tudo

Quando me parece que o outro está menos amável, pode acontecer que sou eu que me comporto como
se fosse um cliente de hotel. Não me deixo amar quando não sou amável.

Aceitação

Se me sinto permanentemente observado(a) terei que estar sempre à defesa.

- “fazes ruído a comer e isso irrita-me”

- “quando estamos com amigos contas tudo à tua maneira, inventas e deformas e não me deixas falar”

-“ interrompes-me sempre que começo a falar”

- “tens sempre razão / fazes cara de quem tem sempre razão”

- “comes demais e depois dizes que queres emagrecer”

- “estás sempre a dizer “não tolero”, “não suporto”, “é impossível””


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O outro muda, não sou eu que o mudo ...

Mas o outro é outro, não sou eu ...

“O outro não aborrece porque queira aborrecer ...”, mas porque não sabe ou não aprendeu a fazê-lo
de outro modo. Além disso, está a viver a mesma sensação em relação a nós.16

Alegria 11

Hipersensibilidade às críticas, desconfiança, estado de alerta permanente, dependência da opinião


alheia. Diagnóstico? Falta de sentido de humor.

Amor rima com humor. O sentido de humor é um forma de ser realista: ver o lado irónico e paradoxal da
vida e a relatividade das decisões práticas. É uma forma de viver no tempo (o tempo relativiza) e no
eterno (só há ironia quando se percebe o profundo paradoxo de viver no tempo, tendo como objectivo a
eternidade ;-)

Os casais felizes têm um bom nível de saúde mental, desdramatizam o dia-a-dia; sabem rir-se de si
próprios, o que facilita pedir desculpa e reduzir a normal tendência para o egocentrismo, minimizando
os conflitos. 11

O sentido de humor aumenta a perspectiva, permite ver a vida de ângulos mais diversos, entendendo o
valor relativo de algumas situações mais difíceis.

“Passei grande parte da minha vida preocupado com coisas que nunca aconteceram” (W. Churchill)

Fim 

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IFFD, notas sobre comunicação conjugal, documento de formação.