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PROCESSO CONSTITUCIONAL

VICENTE DE PAULO E MARCELO ALEXANDRINO

AULA 17.02.11

1. Trilogia estrutural do Direito Processual (ação – processo – jurisdição).

Ação; ato de solicitar ao estado juiz que substitua as vontades das partes
quando essa não tiverem um consenso e assim entrem em conflito. Se não
há conflito nao há jurisdição. Por isso que se diz que nao há jurisdição
voluntária, para a existência dessa é necessário o litígio e a substituição. A
ação sempre gerará um processo. O ato e pedir (ação) gera um processo e
assim há uma prestação jurisdicional. Função jurisdicional é composição de
conflito.

2. Princípios básicos do processo

2.1. Devido processo legal: esse é o único principio, os outros são


derivados, ou seja, sub princípios. Divide-se no direito de
informação e o direito de manifestar-se em relação ao
procedimento em seu desfavor. Revelia é a falta de contestação,
ou seja, você pode excepcionar ou reconvir mas, se não contestar
o réu será considerado reveu. A cada ato processual, a parte deve
ser informada para que possa se manifestar.

2.1.1.1. Contraditório e ampla defesa; só são viáveis devido ao


processo e aos procedimentos. Direito do cidadão de ser
informado e se manifestar sobre qualquer procedimento que o
envolva.

2.1.1.2. Juiz natural (Promotor Natural?); ninguém escolhe o julgador,


esse é pré determinado para o julgamento das demandas em
questão. Isso impossibilita a instauração de um juízo de
exceção, ou seja, tribunais criados especificamente para o caso
específico.

2.1.1.3. Inafastabilidade da tutela jurisdicional; o Estado nao pode


obstacularizar o direito do cidadão de pedir a tutela jurisdicional,
porém, para pedir, terão que ser atendidas as condições da
ação e os pressupostos processuais genéricos e específicos
(que servem apenas para aquela ação, por exemplo a ação
popular que para pleiteia - lá tem que ser cidadão). Isso deriva
da Teoria Eclética Sobre o Direito de Ação, a qual diz que o
direito de ação é autônomo e abstrato, porém dever respeitar
alguns requisito:

 Interesse de Agir; comprovara a necessidade e a


adequação, ou seja, você deve demonstrar que não
havia outra possibilidade a não ser mover a justiça.
Adequação; entrar com o remédio cabível para aquele
caso (habeas corpus, habeas data, mandato de injunção,
ADIN por omissão).

 Legitimidade para a causa, ad causan;

 Pedido juridicamente possível.

2.1.1.4. Motivação das decisões judiciais; art. 93, X, CF

2.1.1.5. Publicidade; to exercício da função jurisdicional, em regra, deve


ser público. Entre as exceções estão as causas de família,
segurança do Estado e da sociedade, inquérito policial, dentre
outras.

2.1.1.6. Licitude das provas; nao serão admitidas no processo as provas


obtidas por meio ilícito. Prova ilícita é toda prova que é
produzida com cerceamento de um direito fundamental.

2.1.1.7. Celeridade processual; ganhou força com a EC 45, que diz que
as partes do processo merecem ter uma razoável duração do
processo.

2.1.1.8. Presunção de inocência;

Há a possibilidade do uso do Habeas Data por sucessor?


Ouve uma demanda onde um filho entrou com HD para que se abrisse os
arquivos das Forças armadas no sentido de saber o que havia acontecido
com o pai, que já falecido a algum tempo, porém o HD foi indeferido por que
o autor não havia esgotado as instancias administrativas. Nesse mesmo
acórdão o relator afirma que tem legitimidade passiva para fazer o pedido o
herdeiro direto ou cônjuge sobrevivente. HD 001 02.05.89 TFR.

Qual a diferença entre Direito Processual Constitucional e Direito


Constitucional Processual?

- Direito Processual Constitucional

 é o controle de constitucionalidade atos administrativos e


a chamada jurisdição da liberdade, ou seja, remédios
constitucionais. Instrumental, Direito formal, formas de
resguardo dos direitos.

- Direito Constitucional Processual

 todas as normas presentes na constituição referentes a


Direito Processual. Infra estrutura, Direito Material.

Existe a figura do promotor natural?

A doutrina majoritária diz que sim, porém a jurisprudências mais recente nao
concorda. O STF está dividido nessa questão.

Qual o remédio cabível para a prisão por não pagamento de alimentos?

- a regra é que seja o agravo de instrumento, pois está se recorrendo de


uma decisão interlocutória. Nesse sentido a questão do pagamento
será discutida amplamente.

- No caso de desrespeito a direito líquido e certo e do preso em questão


nao querer discutir o mérito da pensão e sim a ilegalidade cometida
contra o direito de ir e vir o remédio cabível é o HC.

É importante lembrar que a prisão por alimentos é coercitiva e não punitiva.

AULA 24.02.11
HABEAS CORPUS

1. Origem e evolução; apareceu em Roma. Era de ofício e preventivo.


Nesse período, antes do soldado prender a pessoa, essa era levada
ao pretor e esse decidia se era caso de prisão imediata ou não. Não
interessava se o conduzido queria ser solto ou não, por isso era de
ofício. Tal modelo ainda funciona, afinal ainda hoje o juiz pode
conhecer e deferis o HC de ofício no caso de ter tomado conhecimento
de uma ilegalidade ou abuso de poder independentemente de pedido
do interessado. (ex. Caso da garota paraense presa com homens na
cela. O juiz soube ela imprensa do caso e mandou solta-la)

2. Natureza e despesas; por conta do claro interesse público do HC, esse


é completamente isento de despesas; total dispensabilidade da figura
do advogado no que se refere ao Jus postulendi. Não há forma.

3. Jus postulandi; é completamente dispensável a presença do


advogado.

4. Legitimidade ativa; temos o paciente, ou seja, a vítima e o impetrante,


Qualquer pessoa (um terceiro qualquer, um desconhecido, pessoa
júridica) pode entrar com o HC; como paciente (paciente impetrante)
ou como impetrante. Legitimidade ampla (interesse público).

5. O problema da pena de multa; nesse caso não cabe HC, afinal, multa
não atenta ao direito de liberdade. STF

6. Impetração contra particular; sempre que se fala em HC lembra-se do


estado, afinal é o detentor do jus punienti, porém, o particular também
pode ser alvo de impetração de HC. (ex. Paciente preso em hospital
por não pagar a conta)

7. O problema dos atos no juizado especial;

- É cabível?

- Quem detém competência para julgar o HC contra ato da Turma


Recursal Criminal e do juiz do juizado especial criminal?
8. Punições militares; a CF se refere ao mérito da questão quando diz
que não cabe HC contra prisão de natureza disciplinar. Nesse sentido,
quando há uma clara violação aos direitos e garantias individuais,
manifesta ilegalidade, cabe HC sim.

9. Empate em órgão colegiado; nessa situação a situação é decidida em


favor do paciente, ou seja, liberatória.

HC por violação reflexa (reflexivo) > para trancamento de processo ou


procedimento criminal. Quando um procedimento tem real potencialidade de
resultar em prisão, a jurisprudência foi se elastecendo no sentido de
conceder o HC; só quando há a real possibilidade do resultado, ainda que
reflexamente, prisão. Nesse cabe o HC para trancamento do procedimento.
O objeto não é a prisão e sim o procedimento que futuramente poderá gerar
uma prisão.

HC preventivo, tem como objeto a prisão.