RELATÓRIO FINAL

2ª Conferência Internacional do Conselho Empresarial Brasil-China Desafios Emergentes

São Paulo – SP 17 e 18 de abril de 2007

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“A China quer incentivar o consumo como uma outra vertente do nosso crescimento econômico. A origem da competitividade de China e Índia. DESAFIOS EMERGENTES: A ASCENSÃO ECONÔMICA DE CHINA E ÍNDIA E SEUS EFEITOS PARA O BRASIL. De acordo com o embaixador. não houve quem não mencionasse o enorme desconhecimento entre os dois países. reuniu renomados especialistas brasileiros e internacionais em China e Índia. bem como as respostas empresariais e governamentais face à ascensão asiática. sobretudo entre as duas comunidades empresariais. declarou Ernesto Heinzelmann. A China está com importações anuais próximas a US$ 800 bilhões.” . e sugeriu que o momento é de se aproveitar o crescente consumo chinês. Mas queremos também promover as nossas exportações. Chen Duqing. Não adianta reclamar. a evolução do comércio bilateral tem sido exemplar. secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento. os principais impactos do crescimento desses dois países. Indústria e Comércio Exterior. além de realizar eventos nos dois países para aproximar a comunidade empresarial brasileira e chinesa”. como fazem a Embraco e a Embraer. a mensagem é unânime: é preciso acabar com o desconhecimento bilateral se Brasil e China quiserem garantir uma melhora qualitativa do intercâmbio comercial e incrementar o fluxo bilateral de investimentos. Nos discursos oficiais para a abertura de DESAFIOS EMERGENTES: A ASCENSÃO ECONÔMICA DE CHINA E ÍNDIA E SEUS EFEITOS PARA O BRASIL. o fluxo bilateral de comércio deve ultrapassar os US$ 20 bilhões. ABERTURA GERAL Do empresariado nacional às autoridades chinesas e brasileiras. Indústria e Comércio Exterior. Mas o investimento mútuo está longe de acompanhar o desenvolvimento comercial. “É preciso encorajar a participação nas cadeias de produção. Segundo estimativas do CEBC e corroboradas pelo embaixador da China no Brasil. o que significa que as importações irão crescer cada vez mais forte. com o objetivo de promover debate sobre os desafios e as oportunidades envolvidos no processo de ascensão dos dois países. É preciso ter uma mentalidade aberta. qualificando-o como “muito forte”. que combine com a globalização”. “É natural que haja preocupações com as importações. O público presente era composto por representantes de grandes empresas brasileiras. membros de federações industriais de todo o país. o desconhecimento. Há muito pouco de investimento mútuo hoje. Temos que promover nossas exportações. o Conselho Empresarial Brasil-China se empenha em produzir e divulgar no Brasil informações relevantes sobre as oportunidades e desafios proporcionados pelo crescimento econômico da China. O mercado brasileiro já é todo formado por multinacionais.INSTITUCIONAL A segunda conferência internacional organizada pelo Conselho Empresarial BrasilChina. o que é um número muito contundente e traz grandes oportunidades para o Brasil. foram os temas abordados durante os dois dias de conferência. em 2007. presidente do CEBC. além de representantes dos Ministérios da Economia. em seu discurso de abertura. As oportunidades para o Brasil também foram a tônica do discurso de Ivan Ramalho. os maiores desafios ambientais e energéticos. “Reconhecendo essa enorme barreira. Relações Exteriores e de Desenvolvimento. com crescimento médio anual na casa dos 30%.” O embaixador chinês criticou o protecionismo brasileiro.

O primeiro painel de DESAFIOS EMERGENTES buscou explicar a rápida ascensão econômica de China e Índia. a possibilidade de evoluirmos de um modelo em que a China meramente nos compra produtos de base com pouco ou nenhum processamento a um cenário onde investimentos chineses no Brasil permitirão que uma maior parte da cadeia processadora desses insumos seja instalada aqui. Não se deve. Segundo Castro Neves. afetando indústrias domésticas.Para o embaixador brasileiro na China. que estão muito além do custo de trabalho”. Economias de escala. agro-pecuária ou energia. mas suas infra-estruturas física e educacional são de primeiro mundo. amplamente declarada. somada a uma grande disponibilidade de capital e à disposição. “Partindo do princípio de que o Brasil não quer. já com seu mercado final garantido. em especial em função da entrada de produtos. como ao interesse estratégico chinês em dispor de suprimentos garantidos. é preciso fornecer as condições estruturais. e a única resposta possível é a das políticas públicas de reforço da competitividade estrutural. a China assusta. a demanda chinesa. a longo prazo. afirma Arthur . tendo a pensar que prioridade deve ser dada aos setores onde já existe uma complementaridade bem assentada entre nossas economias. sustentando seus preços internacionais em níveis altamente remuneradores. PAINEL I . O intenso crescimento econômico de China e Índia.CARACTERIZAÇÃO DA COMPETITIVIDADE ASIÁTICA Diagnósticos tradicionais ao modelo de crescimento chinês e indiano não se sustentam mais. de aumentar a “internacionalização” de suas empresas. por outro lado. especialmente soja. uma primeira premissa é não cair na tentação das soluções simplistas. mundo afora. mas é preciso ter em mente que mecanismos de defesa comercial não devem ser substitutos de uma política comercial propriamente dita.” Isso porque a demanda da China absorve quantidades importantes de nossas exportações de commodities. como preconizar um protecionismo.o que é mais importante. Vejo aí um cenário propício a muitos empreendimentos . a preços competitivos. Isso não nos levará a lugar algum. estímulo à competição.” Não protegerá a indústria de forma sustentada e criará um ambiente hostil junto a nossos parceiros. De um lado temos a abundância de recursos naturais do Brasil. A segunda premissa é mais estratégica: identificar as áreas realmente propícias para parcerias bilaterais. “A China ainda tem uma mão-de-obra de baixo custo. Nesse caso. não se deve minimizar o dilema daquelas indústrias mais diretamente impactadas. baixo custo de capital e investimentos em educação são componentes de um novo padrão competitivo que veio para ficar. intenso desenvolvimento da infra-estrutura. em minérios. Com isso atendemos tanto à demanda brasileira de agregar mais valor à pauta exportadora. mas é fundamental reconhecer que essa situação afeta dezenas de setores. desrespeito contínuo ao meio ambiente e vantagem competitiva em produtos manufaturados de baixo valor agregado. de outro. Luiz Augusto Castro Neves. de produtos que consideram estratégicos. e pode continuar a ser. extremamente positiva para a economia brasileira em geral. que ganham terreno no mercado interno. abrir mão de medidas de defesa comercial. em especial nos últimos quatro anos. associadas a estratégias empresariais que possam identificar nichos de mercado e melhores estruturas de custo. nem deve. não se baseia exclusivamente no baixo custo da mão-de-obra. e possibilitarão melhorar a infra-estrutura de transporte. de resto pouco eficaz como instrumento de proteção em um mundo globalizado onde os processos produtivos são cada vez mais internacionalizados. de armazenagem e de comercialização internacional desses produtos. ferro e petróleo. “Mas a prosperidade chinesa tem sido. Se o que se busca é crescimento sustentável e de longo prazo. e caracterizar seus modelos de desenvolvimento. perder o bonde das oportunidades.

O crescimento intenso da China na casa de 8% ao ano deve seguir por pelo menos mais 15 anos. a tendência de preço para as manufaturas menos sofisticadas é de queda. grandes oportunidades de investimentos no mercado varejista. geração e promoção de unidades produtivas para exportação através de zonas econômicas especiais. Segundo projeções feitas por Arthur Kroeber. Desafios à competitividade – Para Wenran Jiang. o sistema de partido único é uma limitação à competitividade chinesa. dado o aumento de escala provocado pelo modelo indiano e chinês. produtos farmacêuticos e tecnologia da informação. e é preciso acompanhar isso”. Uma crítica comum ao modelo de desenvolvimento chinês. Os chineses da zona rural gastam 30% de sua renda em saúde. Entretanto. É muito difícil para a sociedade adaptar-se ao aumento das desigualdades”. explica o professor. “Nosso grande salto qualitativo foi conseguir transformar mão-de-obra barata em capital humano de elevada qualidade. a falta de respeito ao meio ambiente. o impacto do crescimento chinês deverá ser positivo para países exportadores de matérias-primas e insumos em geral. na Índia. Nos termos de troca. “Vitoriosos serão os consumidores globais em razão da queda dos preços de bens manufaturados. diretor da Dragonomics Research & Advisory e co-editor da China Economic Quarterly. essa fatia deverá chegar a 22%. professor da Universidade de Jawaharlal Nehru. diretor e professor de ciência política do China Institute da Universidade de Alberta. Mudança estrutural nos termos de troca do comércio internacional . Amit Ray. Por outro lado. “Há grandes expectativas de ascensão social provenientes da possibilidade de migração na China. o que gerou assimetrias significativas. Ajit Tolani. resumiu da seguinte forma os fatores para a competitividade indiana: política de atração de investimentos em propriedade. melhoria paulatina das condições de fornecimento de energia elétrica. que deverão continuar assistindo ao aumento dos preços de seus produtos. expõe Wenran. muitas estão se adaptando às regras internacionais a fim de se tornarem globais. O processo de desenvolvimento está ficando mais complexo. Dada a fase de internacionalização das empresas chinesas. gerente da KPMG em Nova Iorque. “Há dúvidas se a China será capaz de construir um arcabouço jurídico de concorrência em um Estado de partido único”. implementação do imposto sobre o valor agregado e liberalização do investimento no setor de seguros. defende que a chave do crescimento indiano é conhecimento. Wenran também cita como desafios a rápida urbanização e o aumento da desigualdade. “Considerar a China competitiva porque o país não respeita o meio ambiente está se tornando cada vez menos válido. Amit reconhece que as políticas indianas de geração de capital humano eram pouco inclusivas. Os perdedores serão aqueles que trabalham nos velhos .Kroeber. especializada em biotecnologia. Em relação à Índia. O índice de analfabetismo permanece elevado e é preciso aprimorar a qualidade do ensino no país. Canadá. “O mundo tem que aprender a lidar com isso”. em especial das commodities. A combinação de tecnologia e capital humano explica nosso crescimento médio de 8% ao ano nos últimos quatro anos”. que terão seus produtos valorizados. também está em fase de mudança. mais 30% para educação. Em 2040. a China responde hoje por 7% da produção industrial do mundo. cada vez mais escassas. o que implica em uma mudança estrutural e de longo prazo nos termos de troca no comércio mundial. Grande parte da população indiana ainda vive em condições de pobreza extrema. bem como produtores de commodities e prestadores de serviços. resume Kroeber.

“Essa é uma escolha política que faz muito sentido: o setor financeiro não precisa dar muito lucro agora. tornando-se o maior emissor global. ao passo que os EUA. 14 trabalhadores chineses morrem em acidentes em minas. 70% da matriz energética chinesa é baseada no carvão.ramos da manufatura. E essa é a prioridade estratégica do país”. o equivalente a 20 milhões bpd.Caso a China atinja um patamar de consumo per capita similar ao norte-americano. acredita. utilizam 25% da produção global. “Não há risco de desmantelamento. o fato representará uma antecipação em dois anos das estimativas até pouco tempo feitas por analistas do setor. uma questão de escolha . a China deverá ultrapassar os Estados Unidos na emissão de gás carbônico. “Antes. A crescente demanda chinesa pela commodity deve manter os preços em alta nos próximos anos. seriam necessários 80 milhões de barris de petróleo por dia (bpd) para sustentar seu crescimento. Setor financeiro insipiente. Segundo Wenran. PAINEL II – IMPACTOS NO BRASIL E EM TERCEIROS PAÍSES . com 5% da população mundial. afirma Kroeber. apesar de mergulhado em volumes expressivos de créditos irrecuperáveis. afirma Kroeber. Wenran alerta para a necessidade de o mundo adaptar-se às necessidades energéticas chinesas e não ignorar a busca do país por parceiros fornecedores. não corre risco de sofrer uma crise que afete estruturalmente o crescimento do país. O que sustenta o crescimento rápido e por muito tempo é o setor real. O modelo de desenvolvimento chinês baseia-se na premissa de que o setor manufatureiro necessita de suporte financeiro durante seu desenvolvimento inicial. Estes terão que ganhar competitividade com marca e tecnologia para sobreviver”. China agrava desafio energético mundial . o governo deve empenhar-se na melhoraria de sua eficiência energética tanto no consumo quanto na produção.O desenvolvimento do setor real da economia em detrimento ao setor financeiro foi uma decisão estratégica da China. cuja exploração emprega trabalhadores em condições inseguras.2 trilhão são um colchão de segurança para o sistema financeiro. a China consome 7 milhões bpd. Atualmente. o desenvolvimento tende a ser mais intenso e muito mais sustentável”. o que evidencia a elevada ineficiência e o risco humano da produção. há uma mudança dramática do sistema financeiro desde o início da década de 90. Do lado chinês. o que equivale a toda a produção mundial. De acordo com o analista. quando os bancos nacionais foram responsáveis por facilitar o crédito para empresas envolvidas na produção. o sistema era um sustentáculo da seguridade social na China. Wenran Jiang também concorda que o sistema financeiro chinês. e são perfeitamente sustentáveis”. Diariamente. é simplificador pensar o problema do setor bancário chinês como um emprestador de dinheiro barato para empresas estatais. Em 2007. O dinheiro disponível nos setores público e privado garante o processo de reestruturação”. Atualmente. conforme previsão de Wenran Jiang. “A principal lição que o modelo chinês pode dar a outras nações em desenvolvimento é que ao priorizar o setor manufatureiro em detrimento ao financeiro. Já de acordo com Kroeber. o expressivo volume de poupança nacional. Esse mecanismo foi desmontado e hoje os bancos estão muito mais saudáveis do que já estiveram. esse modelo é muito similar ao adotado por Japão e Coréia do Sul entre as décadas de 50 e 70. na casa de 40% do PIB. Se concretizado. e as reservas acima de US$ 1. Ainda segundo Kroeber.

conhecer o mercado chinês”. A maior parte das exportações chinesas chega ao mercado norte-americano por via marítima e. afirma Rodrigo Tavares Maciel. a pesquisa do BID também mostra que o México é aquele que mais perde terceiros mercados para produtos chineses no . a diferença dos custos de frete é pouco significativa. observa-se o aumento de imigrantes chineses na região. subsídios e poder de aplicação seletiva do direito de propriedade intelectual. paulatinamente a intensificação do comércio bilateral sino-africano. em especial no mercado norte-americano. o cenário é de estagnação do crescimento das relações comerciais da América Latina.Para as maiores economias latino-americanas. secretário-executivo do Conselho Empresarial Brasil-China. reduzindo os custos. a China deverá ultrapassar a Argentina e tornar-se o segundo maior parceiro comercial brasileiro. “No Brasil temos um cenário trágico. enquanto os produtos brasileiros levam. “A China já fez seu dever de casa. 7 dias. Porém. a competição é alta. Nos últimos anos o crescimento anual médio da produtividade chinesa foi de 7%”. Commodities e manufaturados também compõem a pauta de exportação e importação africana para a China. não só bens intensivos em mão-de-obra”. Enquanto Brasil vem perdendo espaço para as manufaturas chinesas no mercado argentino. afirma. No geral. Precisamos fazer o caminho inverso. a balança comercial brasileira registrou déficit com a China de US$ 916. países latino-americanos registraram perda de 4% em terceiros mercados em função do “efeito China”. o principal impacto da competição da emergência chinesa tem sido em seus tradicionais parceiros comerciais. os produtos chineses também são favorecidos em peso e em valor.32 milhões. a intervenção do Estado na economia por meio de crédito quase ilimitado. As exportações brasileiras para a Argentina cresceram 82% entre 1990 e 2004. Do ponto de vista de países individualmente. começaremos a ter problemas fora e dentro do país”. Mas se não trabalharmos para criar um ambiente favorável à competitividade nacional ao crescimento das nossas exportações. Atualmente os chineses já exportam mais para a América Latina do que o próprio Brasil. Desde 2003 a produtividade cresce lentamente. de investimentos em infraestrutura para facilitar exportação produtos africanos e oferta de crédito para países de reputação duvidosa no cenário internacional. Em 2007. “A pauta de exportação chinesa tem de tudo. Desde 2001. a participação da China nas exportações para a América Latina passou de 0. alerta Maciel. Contudo. em razão do grande número de empresas de navegação operantes na China. e não no mercado doméstico. Soma-se outro fator importante. ao passo que vendas chinesas expandiram-se mais de 300%. a exceção do caso mexicano.8%. em média. Outra similaridade entre as relações comerciais da China com os países da região é a caracterização do comércio bilateral por exportação de commodities para o mercado chinês e importação de manufaturados. De outubro de 2006 a março de 2007. mostra que em 2006. Entre 1990 e 2004. O tempo médio de transporte das exportações chinesas para os Estados Unidos é de 24 dias. enquanto o câmbio aprecia. Apesar da proximidade. Os segmentos industriais mais suscetíveis são aqueles intensivos em mão-de-obra (como têxteis e calçados) e intensivos em capital (produtos de mais alta tecnologia). economista sênior do Departamento de Integração e Programas Regionais do Banco Interamericano de Desenvolvimento. “O impacto mais fundamental da competitividade chinesa está na perda de terceiros mercados.7% para 7. atrás apenas dos Estados Unidos. É neste ano também em que o Brasil deve acumular o primeiro déficit comercial anual com os chineses. México também sofre os impactos. Pesquisa apresentada por Maurício Moreira Mesquita. é a baixa produtividade brasileira o alvo das maiores críticas.

Apesar de bem-vindos. petróleo e gás. México e Brasil têm muito a discutir juntos. Grobbelaar criticou os investimentos chineses feitos de maneira não-criteriosa. infraestrutura seletiva. África: Assim como no caso latino-americano. e não é suficiente tratá-la como uma questão binacional. Mas a estabilidade econômica não é mais suficiente para nosso continente. Em 2006. sobretudo metais. É fácil culpar China ou Índia e amanhã o Vietnã por nossos problemas econômicos. liderado por produtos manufaturados. sobretudo minerais. por vezes destinados a expandir propriedades de famílias reais africanas. O México acumula déficit gigantesco com o país. Além disso. afirmou Neuma Grobbelaar. a crescente demanda chinesa por commodities também aqueceu as relações da China com África. avalia Enrique Dussel Peters. a política externa chinesa prevê a não intervenção em assuntos domésticos.continente. Do ponto de vista da infra-estrutura. o que caracteriza processo de “latinoamericanização” da pauta exportadora do México para a China. “Não há dúvidas de que a África é importante para a China e que os investimentos chineses são relevantes. “É muito freqüente que os projetos de investimento chineses venham acompanhados de influxo de mão-de-obra para os países africanos. enquanto o volume exportado para China foi de apenas US$ 1. assim como a maior parte dos países americanos. coordenador de política econômica da Universidade Nacional Autônoma de México (UNAM). O país tem feito apostas agressivas na exploração de fontes alternativas para fornecimento de matérias-primas. Para Peters.6 bilhão. “A China coloca novas questões para a América Latina ao evidenciar nossas falhas estruturais de competitividade. De fato. não é uma condição que interessa aos africanos”. o país importou US$ 22 bilhões em produtos chineses. Cabe aos países africanos não ceder incondicionalmente”. a balança comercial é superavitária para os chineses.eletrônicos e autopeças correspondem a 45% das vendas.”. em diferentes países da região. No âmbito das relações comerciais bilaterais. Entretanto. essa é uma questão regional. É preciso investir em tecnologia e traçar estratégias conjuntas. com participação significativa de produtos de maior valor agregado . os investimentos chineses apontam para novos desafios no continente. Mas a China tem potencial para desestabilizar as economias africanas na medida em que seus objetivos são claros. buscar competitividade sistêmica via esforço privado. destaca Enrique Dussel Peters. “Historicamente. tem registrado crescimento expressivo. 40% nos últimos cinco anos. dumping de produtos e incentivos financeiros a países com histórico de desrespeito aos direitos humanos. ou exclusivamente feitos para facilitar a extração mineral. em especial sobre como lidar com a mão-de-obra chinesa migrante. especialmente em segmentos de eletroeletrônicos e autopeças no mercado norte-americano. O setor têxtil e de vestuário também sofreu perda de mercado significativa. a baixa competitividade e a ausência de estratégia sólida no âmbito doméstico e regional são os maiores obstáculos a serem enfrentados pelos latinoamericanos face à emergência asiática. diretora de pesquisa do South African Institute of International Affairs (SAIIA). É no mínimo imoral que o governo chinês . o México possui pauta exportadora para a China diferenciada dos demais países latino-americanos. coordenador de política econômica da Universidad Nacional Autônoma de México (UNAM). A China é o segundo maior parceiro comercial mexicano e. A pesquisadora mostrou-se preocupada com o emprego de mão-de-obra barata por parte dos investidores chineses e a baixa transferência de tecnologia para as economias africanas. A pesquisadora também é contrária à política chinesa de estabelecer relações econômicas profundas com países com histórico negativo de direitos humanos sob a proteção do direito de soberania. a venda de commodities. público e acadêmico.

Também em 2005. não raramente. Elizabeth Economy admite que temas relacionados ao meio ambiente ganharam espaço na agenda pública nos últimos três anos. Somente 18% das empresas chinesas acreditam que é possível combinar crescimento com proteção ambiental. O comércio China-África foi de US$ 40 bilhões em 2005. Elizabeth Economy. Para 2010. o que agrava a estatística de que 80% dos rios não têm capacidade de abrigar vida hoje no país. As multas para as indústrias poluentes na China são. que as utiliza contra a população civil”. Segundo Marcos Jank. de acordo com Elizabeth Economy. a China detinha 700 projetos de investimento em andamento na África. não se pode negar a influência dos impactos ambientais e dos desafios energéticos como fatores para a estabilidade de suas lideranças no futuro. Japão e Coréia do Sul acusam os chineses por metade dos casos de chuva ácida enfrentados por ambos os países. O governo chinês reconhece que o crescimento econômico pode ser minado pela poluição e que a proteção do meio ambiente é elemento fundamental para a constituição de uma “sociedade harmoniosa”. A urbanização acelerada e o setor de transportes em expansão. mas a maioria de pequeno porte. na casa de US$ 10 milhões. PAINEL III – IMPACTOS AMBIENTAIS E DESAFIOS ENERGÉTICOS Na análise da emergência dos países asiáticos. O resultado é reflexo da prevalência do carvão como principal matriz energética do país e dos baixos incentivos para que empresas locais se adaptem a legislações de proteção ao meio ambiente. são fatores que têm agravado significativamente os índices de poluição. o país deixa de crescer o equivalente a cerca de 10% de seu PIB por conta de custos com degradação ambiental – que se estendem desde o desgaste do solo e poluição das águas até o aumento significativo de doenças respiratórias. concorda com Jank e acredita que. o maior desafio da China será o acesso à água limpa. Poluição . . Apenas 5% das companhias chinesas investem em tecnologia para diminuir a emissão de gases tóxicos. Já os Estados Unidos responsabilizam a China pelas nuvens de poluentes que atravessam o oceano em direção ao continente americano. até mesmo em função da pressão de acionistas.Das 20 cidades mais poluídas do mundo. Especialistas investigam a possibilidade de que aproximadamente 30% do mercúrio encontrado no solo norteamericano esteja relacionado ao descumprimento das legislações ambientais. com freqüência. bem como a questão dos recursos naturais. é mais barato pagá-las do que arcar com custos necessários para adaptar-se aos padrões ambientais internacionais. 16 são chinesas.concorde em vender armas para países como o Sudão. na sigla em inglês). em termos ambientais. entre elas o aumento da importância da água como commodity fundamental. a expectativa chinesa é de que o comércio bilateral chegue a US$ 100 bilhões. Segundo dados da Agência Estatal de Proteção Ambiental da China (SEPA. o começo do século XXI traz grandes mudanças estruturais. A degradação ambiental não se limita às fronteiras do país. impulsionado pela emergente classe média chinesa. A pesquisadora também acredita que o processo de internacionalização das empresas chinesas poderá ajudar a melhorar o respeito ao meio-ambiente. diretora de Estudos Asiáticos do Council on Foreign Relations dos Estados Unidos. critica. irrisórias e. A meta chinesa é possuir 16% de matriz energética renovável até 2010. presidente do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (ICONE). PIB e consumo de água crescem proporcionalmente. contra 11 bilhões em 2000.

O crescimento na produção terá que ser via aumento de produtividade. afirma Marcos Jank. “Hoje a relação da China com o Brasil ainda é muito oportunista.5% de 2005 para 2006. verduras. mas não quer aumentar a produtividade da terra. trigo e algodão. Carvalho acredita que a mudança da matriz energética chinesa traz oportunidades importantes para o Brasil. cuja produção cresceu 7. porém todos concordam que não se pode negar a influência de China e Índia no reordenamento produtivo global. cana e algodão. dado que não há estímulos diretos àqueles que colaborarem. o rápido crescimento populacional e a impressionante urbanização tornam essencial a busca de fontes alternativas. o que agrava o desafio energético chinês.“A emergência chinesa traz a tona possibilidades de guerra ou de choques econômicos relevantes no mundo”. a previsão é de que o incremento será de 12 milhões de automóveis por ano. a matriz energética chinesa terá que passar por mudanças significativas e não poderá mais depender tanto de carvão e petróleo. O presidente do ICONE afirma que o Brasil tem oportunidade no comércio agrícola com a China. seja nas instâncias econômica. como soja. Poderíamos fazer coisas mais sofisticadas”. presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Açúcar e do Álcool e diretor da Associação Brasileira de Agribusiness (ABAG). Agricultura . Poderiam os emergentes asiáticos assumir papéis de liderança no cenário internacional? Os três palestrantes do painel expuseram posições divergentes acerca da relevância dos novos emergentes asiáticos. argumenta Marcos Jank.Há uma complementaridade agrícola crescente entre Brasil e China. O objetivo é essencialmente empregar gente e evitar migração para a cidade”. O protecionismo continua. Para 2010. a China não pode ocupar uma posição . O carvão mineral é responsável hoje por 60% do consumo de energia chinês. além de sua grande reserva de pastagens para utilizá-los de maneira muito mais eficiente. explica Carvalho. Embora o índice de consumo per capita de energia no país seja 11 vezes menor do que nos Estados Unidos e cinco vezes menor do que no Japão. “A China tem evoluído nas negociações para buscar no Brasil o know how de cooperativas e plantation”. A China possui culturas intensivas em mão de obra. legumes. Em 2030.Apesar disso. milho. Instabilidade na política mundial . Para Lehmann. pois a China compra soja brasileira apenas quando preciso. alerta Jean-Pierre Lehmann. política ou social. A perspectiva é de que o consumo de carvão dobre nos próximos anos . Os brasileiros podem rearranjar sua produção de cana. professor de política econômica internacional do International Institute for Management Development (IMD). “A China está transformando uma agricultura intensiva em terra por algo intensivo em trabalho. PAINEL IV – A CONSTRUÇÃO DOS NOVOS LÍDERES ASIÁTICOS A abertura do segundo dia de palestras foi marcada por questionamentos geopolíticos da ascensão econômica de China e Índia. É importante lembrar que a China passa por crescimento de sua frota de automóveis. Estatísticas mostram que 25% do solo chinês é classificado como desértico. como frutas.atualmente apenas 5% das usinas de carvão usam mecanismo de controle de poluição. o país deverá responder por 60% das emissões per capita de CO² do mundo. Economy acredita que dificilmente a meta será cumprida. Matriz energética – De acordo com Luiz Carlos Corrêa Carvalho. o que justifica a importância da parceria com o Brasil no intercâmbio de expertise necessária à produção do álcool. Os chineses precisariam importar 5 ou 6 bilhões de litros de álcool anualmente para manter o seu padrão de consumo. ao passo que o Brasil é especialista em culturas extensivas.

para quem a China tem que assumir sua função de liderança em temas ambientais. Kroeber aponta três áreas que vão mudar em função da liderança chinesa: ambiental. como Índia e Rússia. e sistema de pagamento mundial. “Em suma. uma vez que aumenta seu senso de liderança e responsabilidade”. a China é um líder natural no mundo. porem pode torna-se insustentável ao longo dos anos.De uma plataforma produtiva relevante e que puxa o crescimento global. “Aqueles que detêm poder têm que reduzir a sensação de insegurança que a China sente a partir de sua posição isolada. Lehmann prevê que nos próximos vinte anos será impossível vivenciar um sistema econômico aberto coabitando com sistema político fechado. Acho que estamos assistindo ao inicio das mudanças”. Na área ambiental. E agora precisa agir com responsabilidade no processo de financiamento do déficit norte-americano”. A questão esta em saber se a abertura se dará de forma evolutiva ou de maneira abrupta.de liderança global em função da ausência de um regime democrático e de uma sociedade civil ativa. De acordo com o pesquisador. que têm pressionado por um Estado de direito e políticas mais liberais. ressalta Kroeber. Da perspectiva chinesa. não é possível ignorar a possibilidade de conflito dada a dinâmica política. consumo. segundo Kroeber. Inglaterra e Japão. concluiu. nas disputas por matériasprimas e no sistema de pagamento mundial. Kroeber acredita que o país se vê em posição extremamente ameaçadora. Os chineses entraram nesse jogo e não se preocupam em estar de acordo com as imposições das potencias tradicionais. Não devemos subestimar a transformação profunda que está acontecendo na economia”. cercada por vizinhos que são aliados dos Estados Unidos. Em um dado estágio. social e cultural do mundo hoje. e nações nucleares. a China terá que ter papel de líder internacional para barganhar e garantir a satisfação de sua demanda interna – “China esta preocupada em ter acesso aos recursos e não se importa com a natureza do sistema. sabíamos quem mandava no mundo: Estados Unidos. “Toda vez que um grande ator entrava no cenário internacional havia uma guerra. diretor da Dragonomics Research & Advisory e co-editor do China Economic Quarterly. No passado. Países que oferecem esses recursos vão ter oportunidade de crescer”. sob o risco de acentuar a instabilidade do sistema global em função da falta de coordenação entre as maiores economias do globo. Esta situação não será problemática no curto prazo. Isso explica por que eles tendem a evitar a tomada de . No consumo de produtos naturais. diretor da Dragonomics Research & Advisory e co-editor do China Economic Quarterly. A avaliação é de Arthur Kroeber. não há uma bússola moral”. a China será o maior emissor de gases poluentes do mundo. o diretor da Dragonomics afirma que a China é um dos maiores fornecedores globais de dinheiro. O momento é de assumir-se como líder e que se responsabiliza por suas ações no cenário internacional. Trazer a China para perto será muito benéfico para a ordem política internacional. Coréia do Sul. avalia. “Eu sou otimista. Sobre o sistema de pagamento mundial. de maneira a financiar o déficit norte-americano. Já a política externa chinesa. Responsabilidades de um líder global . “A China vai se tornar o país que mais polui no mundo e já é o maior consumidor de uma série de commodities agrícolas e minerais. a China precisa agora dar um passo além no seu processo de consolidação como potência global. Segundo Arthur Kroeber. instiga. o pesquisador acredita que haverá grande demanda por direitos políticos na China. como Japão. tende a ser extremamente conservadora e dúbia. Taiwan e alguns países do Sudeste Asiático.

Com isso. a China se tornará. Futuro do sistema político – Segundo Jean-Pierre Lehmann. que eventualmente pressionará o governo por reformas políticas. o Produto Interno Bruto (PIB) da China deverá ultrapassar o alemão em termos nominais. e lentidão nas reformas em razão de entraves políticos. a terceira maior economia do mundo. mas tem melhorado muito. Sobre a Índia. as manufaturas crescem 10% ao ano. Nas palavras de Leo Abruzzese. transparência maior. . O fantástico crescimento chinês tem agravado. o Estado chinês passa a ter papel significativo e deve portar-se como exemplo perante a população chinesa e o restante do mundo. o PIB chinês estava em US$ 2. contra 20-25% na China e 17% no Brasil. a desigualdade da população e criado stress social. Com as mudanças demográficas decorrentes da prosperidade econômica. Abruzzese questiona-se se o país será capaz de sustentar reformas com um governo democrático. a contribuição do consumo para o PIB ainda é baixa. Atualmente. em 2007. Abruzzese afirma que “Das empresas indianas. O palestrante Leo Abruzzese aponta como um dos desafios chineses o baixo consumo da população. responsável pelo departamento editorial do Economist Intelligence Unit. O palestrante aponta mais consumo e menos investimento como receita para crescimento sustentável chinês. Sobre os problemas de infra-estrutura. “A Índia precisa crescer mais em outros setores para empregar”. À medida que ocidentais compram mais fatias do sistema financeiro chinês. Nas estimativas do EIU. Já Arthur Kroeber não enxerga mudanças significativas a curto prazo – “é difícil ver uma pressão significativa na China”. a natureza da população urbana vai ser diferente em 15 anos. porém as indústrias de software empregam menos de 2 milhões. déficit em infra-estrutura.7 trilhões. “Há poucos anos atrás era comum escutar que sistema bancário chinês era insolvente. Em 2006.responsabilidades e por que o esforço para querem convencer o mundo de que sua emergência é totalmente pacífica é tão relevante. Além disso.9 trilhões da economia alemã. Exportação e investimento são os motores de crescimento do PIB chinês. privilégio do terceiro setor em detrimento das manufaturas.No segundo semestre de 2007. que eram contabilizados a 11 mil por ano há pouco tempo atrás. A previsão foi anunciada por Leo Abruzzese. não há uma cidade que tenha água 24 horas por dia todos os dias”. o PIB chinês deve chegar ao final do ano em US$ 3. “o governo chinês têm desempenhado papel importante na gestão de ativos. Há reservas suficientes e não é esperada nenhuma crise” afirma Abruzzese. A corrupção é uma questão endêmica que gera ressentimento.2 trilhões. ou Partido Comunista vai dar inicio a um pol de repressão. 60% possuem geradores. pobreza. Outro desafio apontado pelo palestrante foi a evolução do sistema bancário. Terceira economia mundial. contra US$ 2. expõe Abruzzese. mas desafios no caminho . Com maior responsabilidade. Incidentes de massa. Leo Abruzzese apontou como desafios uma possível bolha de crescimento. Nos Estados Unidos e na Europa. o consumo responde por 60 ou 70% do PIB. porém. O crédito está crescendo muito rápido e os padrões de empréstimo caem. chegaram a quase 85 mil em 2006. é impossível visualizar na China um sistema econômico aberto coabitando com sistema político fechado. O país possui população economicamente ativa de 500 milhões de trabalhadores. Lehmann é otimista e acredita que a abertura política vai acontecer de forma evolutiva. uma Índia estável será possível apenas se a manufatura equiparar-se ao setor de serviços. porém isto muda progressivamente”. Na visão de Abruzzese. Desafios indianos – Em relação à Índia.

pois é uma experiência que exige combinação de política e estratégia de negócio”. faz da China uma opção vantajosa de plataforma de produção. Na China. Embraer . em 1995. as operações seguem bem sucedidas no México. já havia realizado sua primeira venda no mercado local. Além da vantagem logística. atualmente o objetivo é transformar a base produtiva da China em uma plataforma de abastecimento do mercado asiático de compressores em expansão. A relativa facilidade de obtenção de crédito. após assinatura do contrato de joint-venture com a AVIC II. A Embraer abriu o primeiro escritório em Pequim em maio de 2000 e. acredita José Martins. vice-presidente do Conselho de Administração da Marcopolo. em junho.PAINEL V – AS RESPOSTAS EMPRESARIAIS BRASILEIRAS A internacionalização foi estratégia de sobrevivência adotada por algumas das maiores empresas brasileiras face à ascensão econômica dos países asiáticos. Martins admitiu que houve uma seqüência de erros no processo de internacionalização da Marcopolo. 30% já é garantido fora do Brasil. afirma Henrique Rzezinski. vicepresidente sênior de Relações Externas da Embraer. controlado pela municipalidade de Pequim. reflexo do projeto nacional de desenvolvimento do setor aeronáutico. e deu origem à Beijing Embraco Snowflake Compressor Company . A Embraer detém 51% da joint-venture. Apesar de o mercado local permanecer como foco. em 2000. parceiro local. A produção anual. A inauguração da primeira fábrica ocorreu em janeiro de 2003. bem como a entrada da Bombardier no mercado chinês. em especial na ida para Portugal e Argentina. Embraco . destinava-se ao abastecimento do mercado doméstico chinês. parte do requisito para garantir acesso ao mercado chinês. A liberalização progressiva da economia local. Os preços baixos. “A internacionalização deixa de ser uma opção para se tornar uma estratégia de salvação da empresa”.A necessidade de diluição dos riscos dos investimentos e de estabelecimento de parcerias. no entanto. consolidar uma fábrica chinesa voltada para exportação. de cerca de 1 milhão de compressores. no futuro. foram os principais fatores que motivaram a ida da Embraer para China. A parceria foi firmada com o grupo SnowFlake. “É preciso ter nervos de aço para operar na China. O modelo de negócio adotado internacionalmente pela Embraer (e também no caso chinês) baseia-se no estabelecimento de parcerias de risco – as empresas parceiras disponibilizam capital antes mesmo de o avião ser idealizado. em especial da China.A Embraco foi a primeira indústria brasileira a formar uma joint-venture com o governo chinês. Do faturamento total da empresa. em função do grande número de fabricantes e o ambiente altamente competitivo. A ida para a Ásia e o emprego das mesmas condições de baixo custo que aqueles países oferecem foram condições obrigatórias para que essas empresas conseguissem competir eficientemente no mercado global. África do Sul e Colômbia. tornam o país uma boa base exportadora. O objetivo é. onde a empresa não pretende aumentar a capacidade produtiva em função dos maus resultados. a BESCO inaugurou nova fábrica com um centro de pesquisa e desenvolvimento para atender à crescente . as condições são mais complexas. os benefícios tributários e o baixíssimo custo obrigaram a empresa a tornar-se uma multinacional.BESCO. Por outro lado. uma vez que a Ásia é um mercado importante para a empresa. a demanda crescente por aviões regionais e o direcionamento estratégico governamental para tornar a China um ator relevante no setor de aviação também exerceram influência significativa na decisão. Em 2006.

vê com ressalvas a necessidade de participação do Estado na definição dos rumos do desenvolvimento brasileiro. diretor do Centro de Economia Mundial da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Carlos Langoni. As compensações financeiras não são relevantes em termos de valor. Falta o setor governamental dar rumo ao país”. diretor de Planejamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). para dar conta dessa gigantesca nova demanda. destaca Ernesto Heinzelmann. fundamentalmente em resposta a esse efeito asiático. o papel do Estado não deve ser no sentido de bancar o crescimento por meio da injeção de recursos público. A indústria extrativa brasileira cresceu 6. desafia Antonio Barros de Castro. não representa uma bolha de crescimento ou de consumo e. e o Brasil tem chances de ocupar um papel importante na nova configuração produtiva global desde que as reformas político-econômicas sejam levadas a cabo. como Vietnã. Contudo. novas tecnologias terão que se desenvolver. instiga Barros de Castro. “Temos um setor público obsoleto hoje. ao contrário. presidente da Whirlpool S. e o sistema jurídico ainda é insipiente. a emergência econômica de China. vice-presidente do Conselho de Administração da BESCO e presidente do Conselho Empresarial Brasil–China. . PAINEL VI – AS RESPOSTAS PÚBLICAS BRASILEIRAS Um novo paradigma industrial está em curso. Alguma coisa muito importante está por acontecer. deve inaugurar um novo paradigma industrial. É óbvio que não há combustíveis e metais para sustentar isso. Apesar da divergência de opiniões sobre a ênfase que precisa ser dada a cada um destes componentes na condução do desenvolvimento brasileiro. mas sim por meio da orientação geral e do gerenciamento eficiente dos recursos escassos.3% em 2004.” Em suma. Índia e alguns países do Sudeste Asiático. “É importante crescer no mercado chinês. “O Brasil tem chances absolutamente espetaculares de não ter um papel secundário nessa virada.0% em 2006. A nova unidade também é capaz de reduzir o consumo de CO2. caso contrário perderemos espaço para os concorrentes locais”. Um dos principais desafios a ser enfrentado pelas empresas no país refere-se ao direito de propriedade intelectual. apresentando boas oportunidades para países como o Brasil. e prioriza o papel das reformas na modernização do país. Para o diretor do BNDES. “Subitamente.demanda por refrigeradores. Isso implica em promover um ajuste fiscal que contenha gastos e transferências. porque a carga tributária já atingiu seu pico tanto do ponto de vista político quanto técnico. quase 40% da população mundial foi inserida no consumo.Unidade Embraco.5 milhões de produtos.” Langoni acredita que o Brasil está “na ante-sala do . com capacidade de produção de 4. que precisa diminuir seu grau de intervenção. energia e água durante o processo produtivo. contra 4. os especialistas do último painel de DESAFIOS EMERGENTES são unânimes: mudanças estruturais no âmbito público e privado são necessárias para garantir que o Brasil ingresse competitivamente no novo esquema produtivo que se delineia. O setor industrial brasileiro não morreu e o agronegócio brasileiro é excepcional. os preços dos combustíveis e matérias-primas em geral deverão se manter em tendência de alta por pelo menos mais dez anos. e o Estado contribua dando a orientação estratégica e catalisando os recursos escassos. “É preciso usar o mundo que está sendo criado pela China para virar o crescimento brasileiro em direções mais ambiciosas”. o setor privado seja seletivo na sua inserção internacional. baseado fundamentalmente em biotecnologia e outras tecnologias de ponta. melhorar a eficiência da burocracia e criar um quadro regulatório mais adequado. Enquanto isso. a entrada da China na Organização Mundial do Comércio (OMC) deve auferir maior segurança aos investidores.A. Para Barros de Castro.

o encontro produziu maior preocupação e demonstração que atitudes devem ser tomadas urgentemente.3% do PIB. Para ele. mas obteve muito sucesso na atração e no desenvolvimento de empresas modernas nos segmentos de tecnologia da informação. como no caso chinês. Já o crescimento indiano. e apenas 60% dos indianos entre 15 e 24 anos sabem ler. e que China e Índia servem para estimular a competitividade das instituições públicas e privadas brasileiras. por exemplo. sintetiza. o PIB norteamericano manteve-se acima de 20% do PIB global entre 1980 e 2006. Ernesto Heizelmann. É a qualidade desse investimento”.desenvolvimento sustentável”. O analfabetismo atinge cerca de 24% da população jovem. Na China. Na avaliação de Marcelo Nonnenberg. falta de proteção à propriedade intelectual. concessão de terrenos e mecanismos de financiamento a empresas de alta tecnologia. editor do jornal O Globo e comentarista da Globonews. o país sofre com o ritmo lento das reformas econômicas. respectivamente). o analfabetismo entre os jovens está abaixo de 1%. ao passo que as participações de Japão e UE foram reduzidas. Nonnenberg também entende que o crescimento chinês é fruto de uma combinação de fatores complexos que vão além do custo de mão-de-obra. Ainda que seja considerada uma sociedade que produziu importantes avanços nos campos mais desenvolvidos do conhecimento. lembra Cardoso. Além dos gargalos na infra-estrutura. Os riscos. claro. a imensa oferta de mão-de-obra barata são os elementos que compõem o quadro do rápido crescimento. por sua vez. Altas taxas de investimento e poupança. De acordo com o presidente do CEBC. economias de escala. papel da inovação com qualidade. Debate final – Entrevistas com George Vidor Sobre a Conferência George Vidor. Em termos de Paridade de Poder de Compra (PPP). para o crescimento indiano são relevantes. passou de 5% para mais de 15% no período analisado. Lições de desenvolvimento para o Brasil – Ampliar gastos em pesquisa e desenvolvimento e concentrar os incentivos industriais em um só lugar. universidades. professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e ex-economista-chefe do Banco Mundial na China. estas são as duas principais lições que podem ser extraídas do modelo de desenvolvimento chinês. Eliana Cardoso. estabilidade das políticas macroeconômicas e. a conferência foi muito importante de forma a adicionar informações sobre essas grandes potências em constante ascensão. Apesar de os gastos em P&D não serem muito discrepantes na comparação entre Brasil e China (0. O Brasil . “Não é o volume gasto com P&D que explica a discrepância em termos de crescimento industrial. O jornalista afirmou que o “mundo está quase virando de cabeça para baixo com as economias chinesa e indiana e com a presença marcante da Ásia”. laboratórios e centros de pesquisa. A fatia chinesa. Na China. as regiões de mais alto grau de desenvolvimento industrial concentram também um número importante de incubadora de empresas. coordenador do Grupo de Estudos sobre China do Instituto de Pesquisa de Economia Avançada (IPEA). fortes influxos de investimentos estrangeiros diretos. a educação está muito distante de se tornar universal na Índia. além dos incentivos fiscais.8% e 1. como da legislação trabalhista. ainda não atingiu um modelo de industrialização que absorva grandes contingentes de mão-de-obra. liderou o debate final com alguns palestrantes de DESAFIOS EMERGENTES. os recursos chineses são aplicados de maneira muito mais eficiente. no entanto. ressalta que o aumento relativo do tamanho da economia chinesa se fez em função da redução do tamanho relativo das economias de Japão e União Européia.

“Globalização é uma força que não se pode interromper”. acrescenta. Isto deve estar além das fronteiras nacionais. Os Estados Unidos necessitam estabelecer regras e ser consistentes no sistema de gestão econômica e política. professor e coordenador de política econômica da Universidade Nacional Autônoma do México. crê que o país “dança com os lobos” há tempos. tais como insuficiência energética. está cada vez mais ativa com os norte-americanos. O país fala abertamente sobre metas e dilemas para o futuro. É preciso que os países estejam preparados para esse processo. Enrique Dussel Peters. no caso dos investimentos brasileiros em território chinês. “Os empresários precisam enxergar que as oportunidades não permacerão para sempre”. se tornará muito difícil para outros países acompanhar o crescimento. que faz parte de um processo histórico. Há necessidade de políticas claras nos setores públicos. foi possível melhorar os indicadores externos. Contudo. o Brasil conta com menos de dez já implantadas. que perdas grandes ocorram. O fato de não ter havido muitas mudanças no processo normativo do NAFTA (Acordo de livre-comércio da América do Norte. Para a professora Eliana Cardoso. investimentos em educação e planejamentos de longo prazo. em particular a China. Mecanismos de alocação de recursos são necessários para que seja possível compartilhar o custo do desenvolvimento em todos os países. A Ásia. Em relação ao México. China. Ele ressalta que “trata-se de uma questão emergencial”. para evitar. A questão chinesa Existem enormes diferenciais entre Brasil e China. dessa forma. complementa.deve ser eficiente e efetivo para manter sua posição. Os chineses fazem seu . A concorrência chinesa superou o mercado mexicano nos Estados Unidos. “dançar com a China” é uma grande idéia e isso tem sido feito nos últimos anos pelo Brasil. e reconhece que seu crescimento é insustentável. secretário Executivo do CEBC. de acordo com Ernesto Heinzelmann. infraestrutura. Com o crescimento das exportações. Kroeber ressalta que a ascensão de China e Índia e o conseqüente realinhamento no atacado são fatos que não podem ser descartados. pois atualmente a defesa de interesses próprios promove atrasos para o país”. talvez tenhamos experimentado nos últimos 20 anos sentimento de crescimento espetacular e de maior integração global. finaliza. junto às exportações e importações. em parte. que fazem com que o caminho de ascensão percorrido pelos orientais seja mais rápido e qualitativo. Índia e a União Européia contribuem para criação de um sistema internacional de governança econômica que reconheça o fato que todas as economias têm direitos e demandas em relação aos recursos mundiais. México e Estados Unidos. Atualmente. por exemplo. Para Arthur Kroeber. diretor da Dragonomics Research & Advisory. na sigla em inglês) teria uma parcela de culpa. O momento positivo pelo qual o país está passando é. processo inevitável e irreversível. “Já estamos dançando com a China e é uma dança muito boa”. as empresas brasileiras encontram-se em fase inicial de internacionalização. O desconhecimento ainda é grande e é importante fator impeditivo para o desenvolvimento das relações entre os dois países. Há a necessidade de um impulso aos empresários brasileiros para que esse cenário seja alterado. privados e acadêmicos para lidar de maneira adequada com o tamanho e dinamismo chinês. como carga tributária. e isso é uma realidade comum a outras nações. crê que o Brasil não entende a China e mal sabe o caminho para fazê-lo. tem diminuído nos últimos anos. Caso isso não se configure. derivado do impacto do crescimento chinês sobre o resto do mundo e advém de um choque positivo do nosso intercâmbio. Rodrigo Tavares Maciel. o grau de integração entre ambos. “Falta ao Brasil e suas lideranças um espírito de coletividade.

No caso do VAT. da penetração industrial das importações. material eletrônico). em resposta ao discuro de Lehmann sobre uma possibilidade de guerra que o mundo não deveria descartar. gerente da KPMG em Nova Iorque. que são de partidos de oposição. devido principalmente. Porém a Índia possui razões para estar otimista. continua a comprometer divisas. coordenador do grupo de estudos sobre China do Instituto de Pesquisas de Economia Avançada (IPEA). a indústria de transformação e seus setores passaram a crescer muito menos que o próprio PIB nacional. Em parte. Marcelo Nonnenberg. A grande dúvida seria como a introdução desse imposto seria feita. diz. mas o desafio na implementação foi ter retirado a autonomia do Estado quanto às cobranças dos impostos sobre a venda. sem que haja ambigüidade entre as leis. confere Maciel e acrescenta “talvez seja o momento de corrermos atrás e fazermos o mesmo”. em parte. e em parte à avassaladora e forte competição com a China. A questão indiana George Vidor argumentou que a similaridade entre Índia e Brasil é infinitamente maior. mas não é com ele que vamos chegar às taxas asiáticas de crescimento”. na medida em que resulta do aumento de importações de bens de capital com a incorporação de tecnologias mais avançadas. . houve formação de comitês com ministros de finanças dos estados e discussões para que se chegasse a um consenso. no qual houve a ascensão dessa grande potência sem que fosse resultado de um conflito militar. isso também pode significar ganhos de competitividade para a indústria nacional. tais como educação restrita. cujo crescimento não é dos melhores”. ressalta Vidor. equipamentos. “Guerras são condições de absorção de um novo poder. as ZEE’s. não implementaram o imposto por não concordarem.“A China foi quem descobriu o Brasil”. No Brasil. Elas serão as responsáveis pelo aumento das exportações e trarão reservas à Índia. A desaceleração industrial recente seria conseqüência. na sigla em inglês). a decisão foi do governo central. Kroeber exemplifica a afirmação acima lembrando o caso norte-americano. incluindo muitos problemas comuns. isso é atribuído à questão de câmbio. mas há precedentes que mostram a possibilidade que isso ocorra de forma pacifica”. mas para Tolani acabarão por fazê-lo. para isso. Um dos aspectos que chama a atenção é a necessidade de reforma tributária. “Claramente o Brasil tem vantagens comparativas no agronegócio.“dever de casa” há anos . Para Ajit Tolani. a reforma já se encontra em processo. O tópico mais importante indubitavelmente ao falar de Índia são as Zonas Econômicas Especiais. a reforma encontra-se em pauta há anos. acredita que o movimento de especialização no agronegócio (característica de outros países da América Latina) é provisório. afirma que o professor queria apenas ser provocativo. que se deu de maneira mais intensa nos setores intensivos em tecnologia(materiais elétricos. na qual uma das novidades foi a implementação do VAT (imposto sobre valor agregado. Contudo. a constituição nacional indiana define quais impostos são de responsabilidade do governo central e quais são do governo estadual. Crescimento chinês seria uma ameaça de guerra? Kroeber. Na Índia. Cerca de 10% dos governos locais. Por outro lado. à falta de consenso no sistema político que causa estagnação do sistema tributário nacional. devido à falta de consenso entre os poderes. máquinas. O Brasil “Num período recente. O governo discute preços das empresas locais e. dos juros no Brasil. infra-estrutura precária e desemprego. concorda que a possibilidade de ocorrência de deslocamentos provocados pela grande ascensão de China e Índia não pode ser descartada. Durante cerca de cinco anos.

Na China esse não é um canal possível. editor-chefe do EIU (Economist Inteligence Unit). que teriam chegado a 9%. o processo provocaria uma demanda social. contribuindo com quase 31% do crescimento mundial em prazo relativamente curto. Nos últimos quinze anos. O objetivo atual é encontrar uma maneira de trazê-los junto à China para um debate mais pacífico. poderia esperar-se um estímulo aos problemas sociais do país. acrescenta que os Estados Unidos ainda são os maiores responsáveis. houve uma nova tendência de queda nas semanas anteriores. A questão ambiental será . a tal ponto que o presidente Bush a recuou em relação à posição de não-adesão ao protocolo de Kyoto. Em contrapartida. países devem ser trazidos para a discussão no intuito de fazer acordos. devido ao regime protecionista. de um total de oitenta. se as monções forem favoráveis. Responsável pelas afirmações.5 para 6. papel que o Brasil também já assumiu devido às queimadas na Amazônia. mas também às grandes potências e à opinião pública. e não 9%. o impacto era sobre os investimentos diretos externos. Já em relação à questão ambiental. Contudo.Os indianos sempre possuiram política muito oportunista na aplicação de impostos. desde a década de 90. Indianos têm expectativa de que em menos de 6 meses ocorra queda e. maior fluxo de informações e muitas facilidades. a população não estava sendo beneficiada pelo governo vigente e. responsável por um terço das emissões de gases poluentes. há necessidade de ações cooperativas. portanto as pressões por um crescimento igualitário virão de baixo para cima”. os juros. Ao promover maior contato da população entre si. há convicção em afirmar que o assunto entrou na agenda internacional atraindo atenção que não se restringe mais às ONG’s. infere. Todavia os norteamericanos têm se mostrado mais abertos a mudanças. mas não é correto afirmar ainda como e quando isso poderia ocorrer. A China. subirá de patamar ainda nos próximos anos. a taxa se aproxime de 5%. que atualmente ocupa a segunda posição dos maiores contribuidores para o aquecimento global. A poluição atmosférica e a falta de preocupação do governo com a preservação do meio ambiente fazem do país o grande vilão. como de cooperação tecnológica. Segundo ele. Meio ambiente e a questão social George Vidor lembra que as questões sociais e do meio ambiente abordadas em DESAFIOS EMERGENTES não devem ser esquecidas. “No caso indiano. que poderia causar uma interrupção ou até mesmo uma previsão que a modernização não se concretizasse. De acordo com Leo Abruzzese. nem as melhoras e o progresso significativo. Dessa forma. “Pela primeira vez há esperanças que o governo dos Estados Unidos será mais agressivo nos debates sobre meio ambiente”. e atitudes já foram tomadas em relação a isso. considerada estável para a Índia. na sigla em inglês). de 6. O jornalista afirma que a China assume papel similar ao que os Estados Unidos tiveram nos últimos 50 anos. por meio de voto. a Índia adquiriu know-how através do processo de reformas econômicas. Elizabeth Economy. retiraram o partido do poder. que possibilitaram alcançar a marca de alcançaram US$ 50 bilhões de investimentos ligados às reservas de estrangeiras. Em relação às taxas inflacionárias. diretora de estudos do Council of Foreign Relations (CFR. com a modernização. pode-se dizer que nos próximos 15 anos devem ocorrer pressões na China para uma democratização.2 ponto percentual e sua despreocupação com a inflação deriva da administração eficiente do ministro das finanças. estabeleceram incentivos de exportação. Quando não tinham reservas externas. ao mesmo tempo. Segundo Economy. O setor siderúrgico é dominado pelo setor público e possui apenas uma empresa privada. Há interesse ministerial em afinar a política monetária. mas não possui competitividade como outros asiáticos. Vidor se surpreende ao não ver nenhum tipo de preocupação por parte de Amit Ray. o professor da Universidade de Jawaharlal Nehru afirma que a taxa só obteve aumento real nos últimos meses e está na faixa de 6%. coloca.

na sigla em inglês). no curto prazo. não ocorreram avanços significativos no continente por muito tempo e o caminho a percorrer ainda é longo. apesar das taxas serem muito boas (da Angola. por exemplo. Ainda há muita pobreza. foi de 20%). não haverá muitas mudanças no cenário. Mas.tópico importante a ser colocado nas mesas de negociação e é possível que seja criado um fundo para financiar as mudanças de adaptação a tecnologias mais limpas. diretora de pesquisa do South African Institute of International Affairs (SAIIA. O grande desafio é encontrar seu próprio caminho e implementar reformas institucionais para que seja possível que o continente alcance uma eqüidade com o crescimento chinês. África seria nova fronteira econômica? Pode-se dizer que o crescimento africano não é qualitativo e sua base é muito pequena. De acordo com Neuma Grobbelaar. . mas a África continuará sendo fonte robusta de recursos por vários anos. devido aos atrasos no desenvolvimento.

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