RELATÓRIO FINAL

2ª Conferência Internacional do Conselho Empresarial Brasil-China Desafios Emergentes

São Paulo – SP 17 e 18 de abril de 2007

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secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento. Relações Exteriores e de Desenvolvimento. É preciso ter uma mentalidade aberta. Nos discursos oficiais para a abertura de DESAFIOS EMERGENTES: A ASCENSÃO ECONÔMICA DE CHINA E ÍNDIA E SEUS EFEITOS PARA O BRASIL. Indústria e Comércio Exterior. Não adianta reclamar. e sugeriu que o momento é de se aproveitar o crescente consumo chinês. “A China quer incentivar o consumo como uma outra vertente do nosso crescimento econômico. bem como as respostas empresariais e governamentais face à ascensão asiática. Mas o investimento mútuo está longe de acompanhar o desenvolvimento comercial. “Reconhecendo essa enorme barreira. “É preciso encorajar a participação nas cadeias de produção. A China está com importações anuais próximas a US$ 800 bilhões. os principais impactos do crescimento desses dois países. presidente do CEBC. o que é um número muito contundente e traz grandes oportunidades para o Brasil. além de realizar eventos nos dois países para aproximar a comunidade empresarial brasileira e chinesa”. os maiores desafios ambientais e energéticos. como fazem a Embraco e a Embraer. não houve quem não mencionasse o enorme desconhecimento entre os dois países. o desconhecimento. foram os temas abordados durante os dois dias de conferência. Temos que promover nossas exportações. “É natural que haja preocupações com as importações. O mercado brasileiro já é todo formado por multinacionais.” O embaixador chinês criticou o protecionismo brasileiro. com o objetivo de promover debate sobre os desafios e as oportunidades envolvidos no processo de ascensão dos dois países.INSTITUCIONAL A segunda conferência internacional organizada pelo Conselho Empresarial BrasilChina. a mensagem é unânime: é preciso acabar com o desconhecimento bilateral se Brasil e China quiserem garantir uma melhora qualitativa do intercâmbio comercial e incrementar o fluxo bilateral de investimentos. DESAFIOS EMERGENTES: A ASCENSÃO ECONÔMICA DE CHINA E ÍNDIA E SEUS EFEITOS PARA O BRASIL. Indústria e Comércio Exterior. o Conselho Empresarial Brasil-China se empenha em produzir e divulgar no Brasil informações relevantes sobre as oportunidades e desafios proporcionados pelo crescimento econômico da China. As oportunidades para o Brasil também foram a tônica do discurso de Ivan Ramalho. Há muito pouco de investimento mútuo hoje. sobretudo entre as duas comunidades empresariais. a evolução do comércio bilateral tem sido exemplar. qualificando-o como “muito forte”. o fluxo bilateral de comércio deve ultrapassar os US$ 20 bilhões. A origem da competitividade de China e Índia. Mas queremos também promover as nossas exportações.” . com crescimento médio anual na casa dos 30%. declarou Ernesto Heinzelmann. que combine com a globalização”. em seu discurso de abertura. o que significa que as importações irão crescer cada vez mais forte. ABERTURA GERAL Do empresariado nacional às autoridades chinesas e brasileiras. Segundo estimativas do CEBC e corroboradas pelo embaixador da China no Brasil. O público presente era composto por representantes de grandes empresas brasileiras. De acordo com o embaixador. membros de federações industriais de todo o país. além de representantes dos Ministérios da Economia. em 2007. Chen Duqing. reuniu renomados especialistas brasileiros e internacionais em China e Índia.

PAINEL I . é preciso fornecer as condições estruturais. a longo prazo. mas suas infra-estruturas física e educacional são de primeiro mundo. a China assusta.” Não protegerá a indústria de forma sustentada e criará um ambiente hostil junto a nossos parceiros. abrir mão de medidas de defesa comercial. Com isso atendemos tanto à demanda brasileira de agregar mais valor à pauta exportadora. em minérios. agro-pecuária ou energia. mas é preciso ter em mente que mecanismos de defesa comercial não devem ser substitutos de uma política comercial propriamente dita. baixo custo de capital e investimentos em educação são componentes de um novo padrão competitivo que veio para ficar. e a única resposta possível é a das políticas públicas de reforço da competitividade estrutural. em especial nos últimos quatro anos. que ganham terreno no mercado interno. Luiz Augusto Castro Neves. sustentando seus preços internacionais em níveis altamente remuneradores. Não se deve.CARACTERIZAÇÃO DA COMPETITIVIDADE ASIÁTICA Diagnósticos tradicionais ao modelo de crescimento chinês e indiano não se sustentam mais. Isso não nos levará a lugar algum. amplamente declarada. de outro.” Isso porque a demanda da China absorve quantidades importantes de nossas exportações de commodities. “A China ainda tem uma mão-de-obra de baixo custo. não se baseia exclusivamente no baixo custo da mão-de-obra. já com seu mercado final garantido. de aumentar a “internacionalização” de suas empresas. O primeiro painel de DESAFIOS EMERGENTES buscou explicar a rápida ascensão econômica de China e Índia. de produtos que consideram estratégicos. Economias de escala. e pode continuar a ser. e possibilitarão melhorar a infra-estrutura de transporte. a possibilidade de evoluirmos de um modelo em que a China meramente nos compra produtos de base com pouco ou nenhum processamento a um cenário onde investimentos chineses no Brasil permitirão que uma maior parte da cadeia processadora desses insumos seja instalada aqui. desrespeito contínuo ao meio ambiente e vantagem competitiva em produtos manufaturados de baixo valor agregado. como preconizar um protecionismo. afirma Arthur . afetando indústrias domésticas.o que é mais importante. como ao interesse estratégico chinês em dispor de suprimentos garantidos. especialmente soja. não se deve minimizar o dilema daquelas indústrias mais diretamente impactadas.Para o embaixador brasileiro na China. uma primeira premissa é não cair na tentação das soluções simplistas. Se o que se busca é crescimento sustentável e de longo prazo. nem deve. somada a uma grande disponibilidade de capital e à disposição. a preços competitivos. extremamente positiva para a economia brasileira em geral. mundo afora. De um lado temos a abundância de recursos naturais do Brasil. A segunda premissa é mais estratégica: identificar as áreas realmente propícias para parcerias bilaterais. ferro e petróleo. intenso desenvolvimento da infra-estrutura. tendo a pensar que prioridade deve ser dada aos setores onde já existe uma complementaridade bem assentada entre nossas economias. associadas a estratégias empresariais que possam identificar nichos de mercado e melhores estruturas de custo. e caracterizar seus modelos de desenvolvimento. por outro lado. em especial em função da entrada de produtos. perder o bonde das oportunidades. “Mas a prosperidade chinesa tem sido. Vejo aí um cenário propício a muitos empreendimentos . O intenso crescimento econômico de China e Índia. “Partindo do princípio de que o Brasil não quer. que estão muito além do custo de trabalho”. Segundo Castro Neves. de resto pouco eficaz como instrumento de proteção em um mundo globalizado onde os processos produtivos são cada vez mais internacionalizados. mas é fundamental reconhecer que essa situação afeta dezenas de setores. Nesse caso. estímulo à competição. de armazenagem e de comercialização internacional desses produtos. a demanda chinesa.

A combinação de tecnologia e capital humano explica nosso crescimento médio de 8% ao ano nos últimos quatro anos”. diretor e professor de ciência política do China Institute da Universidade de Alberta. “Considerar a China competitiva porque o país não respeita o meio ambiente está se tornando cada vez menos válido. a tendência de preço para as manufaturas menos sofisticadas é de queda. Segundo projeções feitas por Arthur Kroeber. produtos farmacêuticos e tecnologia da informação. na Índia. Grande parte da população indiana ainda vive em condições de pobreza extrema. resumiu da seguinte forma os fatores para a competitividade indiana: política de atração de investimentos em propriedade. dado o aumento de escala provocado pelo modelo indiano e chinês. professor da Universidade de Jawaharlal Nehru. “O mundo tem que aprender a lidar com isso”. resume Kroeber. explica o professor. e é preciso acompanhar isso”. Nos termos de troca. Amit Ray. Os chineses da zona rural gastam 30% de sua renda em saúde. É muito difícil para a sociedade adaptar-se ao aumento das desigualdades”. Mudança estrutural nos termos de troca do comércio internacional . que deverão continuar assistindo ao aumento dos preços de seus produtos. “Há grandes expectativas de ascensão social provenientes da possibilidade de migração na China. especializada em biotecnologia. Uma crítica comum ao modelo de desenvolvimento chinês. “Há dúvidas se a China será capaz de construir um arcabouço jurídico de concorrência em um Estado de partido único”. Por outro lado. diretor da Dragonomics Research & Advisory e co-editor da China Economic Quarterly. “Vitoriosos serão os consumidores globais em razão da queda dos preços de bens manufaturados. o que implica em uma mudança estrutural e de longo prazo nos termos de troca no comércio mundial.O crescimento intenso da China na casa de 8% ao ano deve seguir por pelo menos mais 15 anos. a falta de respeito ao meio ambiente. o impacto do crescimento chinês deverá ser positivo para países exportadores de matérias-primas e insumos em geral. gerente da KPMG em Nova Iorque. Entretanto. a China responde hoje por 7% da produção industrial do mundo. Ajit Tolani. defende que a chave do crescimento indiano é conhecimento.Kroeber. o sistema de partido único é uma limitação à competitividade chinesa. implementação do imposto sobre o valor agregado e liberalização do investimento no setor de seguros. que terão seus produtos valorizados. O processo de desenvolvimento está ficando mais complexo. mais 30% para educação. muitas estão se adaptando às regras internacionais a fim de se tornarem globais. bem como produtores de commodities e prestadores de serviços. Amit reconhece que as políticas indianas de geração de capital humano eram pouco inclusivas. expõe Wenran. grandes oportunidades de investimentos no mercado varejista. essa fatia deverá chegar a 22%. Os perdedores serão aqueles que trabalham nos velhos . também está em fase de mudança. Wenran também cita como desafios a rápida urbanização e o aumento da desigualdade. O índice de analfabetismo permanece elevado e é preciso aprimorar a qualidade do ensino no país. em especial das commodities. geração e promoção de unidades produtivas para exportação através de zonas econômicas especiais. Dada a fase de internacionalização das empresas chinesas. cada vez mais escassas. o que gerou assimetrias significativas. Desafios à competitividade – Para Wenran Jiang. “Nosso grande salto qualitativo foi conseguir transformar mão-de-obra barata em capital humano de elevada qualidade. melhoria paulatina das condições de fornecimento de energia elétrica. Canadá. Em 2040. Em relação à Índia.

2 trilhão são um colchão de segurança para o sistema financeiro. a China consome 7 milhões bpd. O modelo de desenvolvimento chinês baseia-se na premissa de que o setor manufatureiro necessita de suporte financeiro durante seu desenvolvimento inicial. Segundo Wenran. o sistema era um sustentáculo da seguridade social na China. Em 2007. E essa é a prioridade estratégica do país”. é simplificador pensar o problema do setor bancário chinês como um emprestador de dinheiro barato para empresas estatais. Estes terão que ganhar competitividade com marca e tecnologia para sobreviver”. o equivalente a 20 milhões bpd. “Antes. “Essa é uma escolha política que faz muito sentido: o setor financeiro não precisa dar muito lucro agora. acredita. apesar de mergulhado em volumes expressivos de créditos irrecuperáveis. uma questão de escolha . cuja exploração emprega trabalhadores em condições inseguras. A crescente demanda chinesa pela commodity deve manter os preços em alta nos próximos anos. seriam necessários 80 milhões de barris de petróleo por dia (bpd) para sustentar seu crescimento. Atualmente. Wenran alerta para a necessidade de o mundo adaptar-se às necessidades energéticas chinesas e não ignorar a busca do país por parceiros fornecedores. Atualmente.O desenvolvimento do setor real da economia em detrimento ao setor financeiro foi uma decisão estratégica da China. De acordo com o analista. Wenran Jiang também concorda que o sistema financeiro chinês. Ainda segundo Kroeber. conforme previsão de Wenran Jiang. e são perfeitamente sustentáveis”. não corre risco de sofrer uma crise que afete estruturalmente o crescimento do país. PAINEL II – IMPACTOS NO BRASIL E EM TERCEIROS PAÍSES . ao passo que os EUA. esse modelo é muito similar ao adotado por Japão e Coréia do Sul entre as décadas de 50 e 70. o governo deve empenhar-se na melhoraria de sua eficiência energética tanto no consumo quanto na produção. afirma Kroeber. o fato representará uma antecipação em dois anos das estimativas até pouco tempo feitas por analistas do setor. Se concretizado. O dinheiro disponível nos setores público e privado garante o processo de reestruturação”. o expressivo volume de poupança nacional. Esse mecanismo foi desmontado e hoje os bancos estão muito mais saudáveis do que já estiveram. na casa de 40% do PIB. “Não há risco de desmantelamento. Já de acordo com Kroeber. há uma mudança dramática do sistema financeiro desde o início da década de 90. utilizam 25% da produção global. O que sustenta o crescimento rápido e por muito tempo é o setor real. Do lado chinês. o que evidencia a elevada ineficiência e o risco humano da produção. tornando-se o maior emissor global. Diariamente.ramos da manufatura. a China deverá ultrapassar os Estados Unidos na emissão de gás carbônico. o desenvolvimento tende a ser mais intenso e muito mais sustentável”. Setor financeiro insipiente. “A principal lição que o modelo chinês pode dar a outras nações em desenvolvimento é que ao priorizar o setor manufatureiro em detrimento ao financeiro. com 5% da população mundial. China agrava desafio energético mundial . 14 trabalhadores chineses morrem em acidentes em minas. quando os bancos nacionais foram responsáveis por facilitar o crédito para empresas envolvidas na produção. afirma Kroeber. 70% da matriz energética chinesa é baseada no carvão. e as reservas acima de US$ 1.Caso a China atinja um patamar de consumo per capita similar ao norte-americano. o que equivale a toda a produção mundial.

Desde 2003 a produtividade cresce lentamente. economista sênior do Departamento de Integração e Programas Regionais do Banco Interamericano de Desenvolvimento. “A China já fez seu dever de casa. conhecer o mercado chinês”. Pesquisa apresentada por Maurício Moreira Mesquita. Do ponto de vista de países individualmente. mostra que em 2006. paulatinamente a intensificação do comércio bilateral sino-africano.Para as maiores economias latino-americanas. a balança comercial brasileira registrou déficit com a China de US$ 916. o principal impacto da competição da emergência chinesa tem sido em seus tradicionais parceiros comerciais. a pesquisa do BID também mostra que o México é aquele que mais perde terceiros mercados para produtos chineses no . Enquanto Brasil vem perdendo espaço para as manufaturas chinesas no mercado argentino. os produtos chineses também são favorecidos em peso e em valor. enquanto o câmbio aprecia. não só bens intensivos em mão-de-obra”. “A pauta de exportação chinesa tem de tudo. em média. a participação da China nas exportações para a América Latina passou de 0. atrás apenas dos Estados Unidos. Desde 2001. começaremos a ter problemas fora e dentro do país”. em razão do grande número de empresas de navegação operantes na China. De outubro de 2006 a março de 2007. é a baixa produtividade brasileira o alvo das maiores críticas. Entre 1990 e 2004. reduzindo os custos. No geral. observa-se o aumento de imigrantes chineses na região. a China deverá ultrapassar a Argentina e tornar-se o segundo maior parceiro comercial brasileiro.32 milhões. As exportações brasileiras para a Argentina cresceram 82% entre 1990 e 2004.8%. A maior parte das exportações chinesas chega ao mercado norte-americano por via marítima e. o cenário é de estagnação do crescimento das relações comerciais da América Latina. Soma-se outro fator importante. a competição é alta. afirma Rodrigo Tavares Maciel. a intervenção do Estado na economia por meio de crédito quase ilimitado. Precisamos fazer o caminho inverso. Mas se não trabalharmos para criar um ambiente favorável à competitividade nacional ao crescimento das nossas exportações. enquanto os produtos brasileiros levam. de investimentos em infraestrutura para facilitar exportação produtos africanos e oferta de crédito para países de reputação duvidosa no cenário internacional. Outra similaridade entre as relações comerciais da China com os países da região é a caracterização do comércio bilateral por exportação de commodities para o mercado chinês e importação de manufaturados. Nos últimos anos o crescimento anual médio da produtividade chinesa foi de 7%”. Contudo. secretário-executivo do Conselho Empresarial Brasil-China. 7 dias. “O impacto mais fundamental da competitividade chinesa está na perda de terceiros mercados. O tempo médio de transporte das exportações chinesas para os Estados Unidos é de 24 dias. “No Brasil temos um cenário trágico. Porém. Apesar da proximidade. e não no mercado doméstico. Os segmentos industriais mais suscetíveis são aqueles intensivos em mão-de-obra (como têxteis e calçados) e intensivos em capital (produtos de mais alta tecnologia). em especial no mercado norte-americano. México também sofre os impactos. Commodities e manufaturados também compõem a pauta de exportação e importação africana para a China. ao passo que vendas chinesas expandiram-se mais de 300%. a exceção do caso mexicano. afirma. Em 2007. a diferença dos custos de frete é pouco significativa. Atualmente os chineses já exportam mais para a América Latina do que o próprio Brasil. alerta Maciel.7% para 7. É neste ano também em que o Brasil deve acumular o primeiro déficit comercial anual com os chineses. países latino-americanos registraram perda de 4% em terceiros mercados em função do “efeito China”. subsídios e poder de aplicação seletiva do direito de propriedade intelectual.

40% nos últimos cinco anos. e não é suficiente tratá-la como uma questão binacional. não é uma condição que interessa aos africanos”. assim como a maior parte dos países americanos. É preciso investir em tecnologia e traçar estratégias conjuntas. infraestrutura seletiva. os investimentos chineses apontam para novos desafios no continente. De fato. a política externa chinesa prevê a não intervenção em assuntos domésticos. O México acumula déficit gigantesco com o país. A pesquisadora mostrou-se preocupada com o emprego de mão-de-obra barata por parte dos investidores chineses e a baixa transferência de tecnologia para as economias africanas.continente. petróleo e gás. Para Peters. A pesquisadora também é contrária à política chinesa de estabelecer relações econômicas profundas com países com histórico negativo de direitos humanos sob a proteção do direito de soberania. A China é o segundo maior parceiro comercial mexicano e. É no mínimo imoral que o governo chinês .”. Além disso. o que caracteriza processo de “latinoamericanização” da pauta exportadora do México para a China. público e acadêmico. “Historicamente. em diferentes países da região. África: Assim como no caso latino-americano. essa é uma questão regional. “A China coloca novas questões para a América Latina ao evidenciar nossas falhas estruturais de competitividade. No âmbito das relações comerciais bilaterais. por vezes destinados a expandir propriedades de famílias reais africanas. coordenador de política econômica da Universidad Nacional Autônoma de México (UNAM). É fácil culpar China ou Índia e amanhã o Vietnã por nossos problemas econômicos. O setor têxtil e de vestuário também sofreu perda de mercado significativa. com participação significativa de produtos de maior valor agregado .6 bilhão. Cabe aos países africanos não ceder incondicionalmente”. liderado por produtos manufaturados. tem registrado crescimento expressivo. coordenador de política econômica da Universidade Nacional Autônoma de México (UNAM). o México possui pauta exportadora para a China diferenciada dos demais países latino-americanos. buscar competitividade sistêmica via esforço privado. dumping de produtos e incentivos financeiros a países com histórico de desrespeito aos direitos humanos. avalia Enrique Dussel Peters. México e Brasil têm muito a discutir juntos. Mas a China tem potencial para desestabilizar as economias africanas na medida em que seus objetivos são claros.eletrônicos e autopeças correspondem a 45% das vendas. O país tem feito apostas agressivas na exploração de fontes alternativas para fornecimento de matérias-primas. afirmou Neuma Grobbelaar. sobretudo metais. destaca Enrique Dussel Peters. Mas a estabilidade econômica não é mais suficiente para nosso continente. ou exclusivamente feitos para facilitar a extração mineral. Em 2006. a baixa competitividade e a ausência de estratégia sólida no âmbito doméstico e regional são os maiores obstáculos a serem enfrentados pelos latinoamericanos face à emergência asiática. enquanto o volume exportado para China foi de apenas US$ 1. sobretudo minerais. Grobbelaar criticou os investimentos chineses feitos de maneira não-criteriosa. em especial sobre como lidar com a mão-de-obra chinesa migrante. Apesar de bem-vindos. diretora de pesquisa do South African Institute of International Affairs (SAIIA). a balança comercial é superavitária para os chineses. a venda de commodities. Entretanto. “É muito freqüente que os projetos de investimento chineses venham acompanhados de influxo de mão-de-obra para os países africanos. a crescente demanda chinesa por commodities também aqueceu as relações da China com África. o país importou US$ 22 bilhões em produtos chineses. especialmente em segmentos de eletroeletrônicos e autopeças no mercado norte-americano. “Não há dúvidas de que a África é importante para a China e que os investimentos chineses são relevantes. Do ponto de vista da infra-estrutura.

Segundo dados da Agência Estatal de Proteção Ambiental da China (SEPA. A pesquisadora também acredita que o processo de internacionalização das empresas chinesas poderá ajudar a melhorar o respeito ao meio-ambiente. bem como a questão dos recursos naturais. em termos ambientais. Também em 2005. Apenas 5% das companhias chinesas investem em tecnologia para diminuir a emissão de gases tóxicos. As multas para as indústrias poluentes na China são. O comércio China-África foi de US$ 40 bilhões em 2005. 16 são chinesas. não raramente. Elizabeth Economy admite que temas relacionados ao meio ambiente ganharam espaço na agenda pública nos últimos três anos. PIB e consumo de água crescem proporcionalmente. entre elas o aumento da importância da água como commodity fundamental. Já os Estados Unidos responsabilizam a China pelas nuvens de poluentes que atravessam o oceano em direção ao continente americano. impulsionado pela emergente classe média chinesa. na sigla em inglês). Especialistas investigam a possibilidade de que aproximadamente 30% do mercúrio encontrado no solo norteamericano esteja relacionado ao descumprimento das legislações ambientais. não se pode negar a influência dos impactos ambientais e dos desafios energéticos como fatores para a estabilidade de suas lideranças no futuro. O resultado é reflexo da prevalência do carvão como principal matriz energética do país e dos baixos incentivos para que empresas locais se adaptem a legislações de proteção ao meio ambiente. Para 2010. O governo chinês reconhece que o crescimento econômico pode ser minado pela poluição e que a proteção do meio ambiente é elemento fundamental para a constituição de uma “sociedade harmoniosa”. mas a maioria de pequeno porte. na casa de US$ 10 milhões. até mesmo em função da pressão de acionistas. o que agrava a estatística de que 80% dos rios não têm capacidade de abrigar vida hoje no país. Poluição . Segundo Marcos Jank.Das 20 cidades mais poluídas do mundo. concorda com Jank e acredita que. com freqüência. o começo do século XXI traz grandes mudanças estruturais. PAINEL III – IMPACTOS AMBIENTAIS E DESAFIOS ENERGÉTICOS Na análise da emergência dos países asiáticos. irrisórias e. o país deixa de crescer o equivalente a cerca de 10% de seu PIB por conta de custos com degradação ambiental – que se estendem desde o desgaste do solo e poluição das águas até o aumento significativo de doenças respiratórias. . A meta chinesa é possuir 16% de matriz energética renovável até 2010. presidente do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (ICONE). de acordo com Elizabeth Economy.concorde em vender armas para países como o Sudão. a expectativa chinesa é de que o comércio bilateral chegue a US$ 100 bilhões. que as utiliza contra a população civil”. o maior desafio da China será o acesso à água limpa. é mais barato pagá-las do que arcar com custos necessários para adaptar-se aos padrões ambientais internacionais. Somente 18% das empresas chinesas acreditam que é possível combinar crescimento com proteção ambiental. contra 11 bilhões em 2000. diretora de Estudos Asiáticos do Council on Foreign Relations dos Estados Unidos. A urbanização acelerada e o setor de transportes em expansão. são fatores que têm agravado significativamente os índices de poluição. Elizabeth Economy. critica. Japão e Coréia do Sul acusam os chineses por metade dos casos de chuva ácida enfrentados por ambos os países. a China detinha 700 projetos de investimento em andamento na África. A degradação ambiental não se limita às fronteiras do país.

dado que não há estímulos diretos àqueles que colaborarem. o que justifica a importância da parceria com o Brasil no intercâmbio de expertise necessária à produção do álcool. política ou social. O carvão mineral é responsável hoje por 60% do consumo de energia chinês. Os brasileiros podem rearranjar sua produção de cana. o que agrava o desafio energético chinês. O objetivo é essencialmente empregar gente e evitar migração para a cidade”. Instabilidade na política mundial . cana e algodão. o rápido crescimento populacional e a impressionante urbanização tornam essencial a busca de fontes alternativas. “A China está transformando uma agricultura intensiva em terra por algo intensivo em trabalho. professor de política econômica internacional do International Institute for Management Development (IMD). a China não pode ocupar uma posição . a matriz energética chinesa terá que passar por mudanças significativas e não poderá mais depender tanto de carvão e petróleo. verduras. Para 2010. argumenta Marcos Jank. Economy acredita que dificilmente a meta será cumprida. como soja. porém todos concordam que não se pode negar a influência de China e Índia no reordenamento produtivo global. Poderíamos fazer coisas mais sofisticadas”. Estatísticas mostram que 25% do solo chinês é classificado como desértico. a previsão é de que o incremento será de 12 milhões de automóveis por ano. É importante lembrar que a China passa por crescimento de sua frota de automóveis. Os chineses precisariam importar 5 ou 6 bilhões de litros de álcool anualmente para manter o seu padrão de consumo. Poderiam os emergentes asiáticos assumir papéis de liderança no cenário internacional? Os três palestrantes do painel expuseram posições divergentes acerca da relevância dos novos emergentes asiáticos. Em 2030. Para Lehmann. cuja produção cresceu 7. PAINEL IV – A CONSTRUÇÃO DOS NOVOS LÍDERES ASIÁTICOS A abertura do segundo dia de palestras foi marcada por questionamentos geopolíticos da ascensão econômica de China e Índia. o país deverá responder por 60% das emissões per capita de CO² do mundo. afirma Marcos Jank. mas não quer aumentar a produtividade da terra. Matriz energética – De acordo com Luiz Carlos Corrêa Carvalho. ao passo que o Brasil é especialista em culturas extensivas.5% de 2005 para 2006.Apesar disso. “Hoje a relação da China com o Brasil ainda é muito oportunista. alerta Jean-Pierre Lehmann. O presidente do ICONE afirma que o Brasil tem oportunidade no comércio agrícola com a China. A perspectiva é de que o consumo de carvão dobre nos próximos anos . pois a China compra soja brasileira apenas quando preciso. além de sua grande reserva de pastagens para utilizá-los de maneira muito mais eficiente. O crescimento na produção terá que ser via aumento de produtividade. O protecionismo continua.Há uma complementaridade agrícola crescente entre Brasil e China. “A China tem evoluído nas negociações para buscar no Brasil o know how de cooperativas e plantation”. trigo e algodão. milho. explica Carvalho. Embora o índice de consumo per capita de energia no país seja 11 vezes menor do que nos Estados Unidos e cinco vezes menor do que no Japão. como frutas. seja nas instâncias econômica. Carvalho acredita que a mudança da matriz energética chinesa traz oportunidades importantes para o Brasil. A China possui culturas intensivas em mão de obra. Agricultura . legumes.atualmente apenas 5% das usinas de carvão usam mecanismo de controle de poluição.“A emergência chinesa traz a tona possibilidades de guerra ou de choques econômicos relevantes no mundo”. presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Açúcar e do Álcool e diretor da Associação Brasileira de Agribusiness (ABAG).

de maneira a financiar o déficit norte-americano. Países que oferecem esses recursos vão ter oportunidade de crescer”. E agora precisa agir com responsabilidade no processo de financiamento do déficit norte-americano”. A avaliação é de Arthur Kroeber. Em um dado estágio. segundo Kroeber. “Em suma. porem pode torna-se insustentável ao longo dos anos. Trazer a China para perto será muito benéfico para a ordem política internacional. e nações nucleares. Kroeber acredita que o país se vê em posição extremamente ameaçadora. Isso explica por que eles tendem a evitar a tomada de . Kroeber aponta três áreas que vão mudar em função da liderança chinesa: ambiental. concluiu. para quem a China tem que assumir sua função de liderança em temas ambientais.De uma plataforma produtiva relevante e que puxa o crescimento global. “Eu sou otimista. a China será o maior emissor de gases poluentes do mundo. uma vez que aumenta seu senso de liderança e responsabilidade”. Sobre o sistema de pagamento mundial. e sistema de pagamento mundial. No consumo de produtos naturais. Coréia do Sul. social e cultural do mundo hoje. o pesquisador acredita que haverá grande demanda por direitos políticos na China. cercada por vizinhos que são aliados dos Estados Unidos. sabíamos quem mandava no mundo: Estados Unidos. A questão esta em saber se a abertura se dará de forma evolutiva ou de maneira abrupta. tende a ser extremamente conservadora e dúbia. Já a política externa chinesa. não é possível ignorar a possibilidade de conflito dada a dinâmica política. Lehmann prevê que nos próximos vinte anos será impossível vivenciar um sistema econômico aberto coabitando com sistema político fechado. O momento é de assumir-se como líder e que se responsabiliza por suas ações no cenário internacional. ressalta Kroeber. Acho que estamos assistindo ao inicio das mudanças”. Os chineses entraram nesse jogo e não se preocupam em estar de acordo com as imposições das potencias tradicionais. diretor da Dragonomics Research & Advisory e co-editor do China Economic Quarterly. consumo. Taiwan e alguns países do Sudeste Asiático. diretor da Dragonomics Research & Advisory e co-editor do China Economic Quarterly. o diretor da Dragonomics afirma que a China é um dos maiores fornecedores globais de dinheiro. Segundo Arthur Kroeber. não há uma bússola moral”. a China terá que ter papel de líder internacional para barganhar e garantir a satisfação de sua demanda interna – “China esta preocupada em ter acesso aos recursos e não se importa com a natureza do sistema. nas disputas por matériasprimas e no sistema de pagamento mundial. “A China vai se tornar o país que mais polui no mundo e já é o maior consumidor de uma série de commodities agrícolas e minerais. como Índia e Rússia. sob o risco de acentuar a instabilidade do sistema global em função da falta de coordenação entre as maiores economias do globo. a China é um líder natural no mundo. “Toda vez que um grande ator entrava no cenário internacional havia uma guerra. que têm pressionado por um Estado de direito e políticas mais liberais.de liderança global em função da ausência de um regime democrático e de uma sociedade civil ativa. “Aqueles que detêm poder têm que reduzir a sensação de insegurança que a China sente a partir de sua posição isolada. a China precisa agora dar um passo além no seu processo de consolidação como potência global. avalia. No passado. como Japão. Da perspectiva chinesa. Na área ambiental. De acordo com o pesquisador. instiga. Inglaterra e Japão. Esta situação não será problemática no curto prazo. Não devemos subestimar a transformação profunda que está acontecendo na economia”. Responsabilidades de um líder global .

Já Arthur Kroeber não enxerga mudanças significativas a curto prazo – “é difícil ver uma pressão significativa na China”. Abruzzese afirma que “Das empresas indianas. o PIB chinês estava em US$ 2. não há uma cidade que tenha água 24 horas por dia todos os dias”. que eram contabilizados a 11 mil por ano há pouco tempo atrás. O país possui população economicamente ativa de 500 milhões de trabalhadores.7 trilhões. Sobre a Índia.responsabilidades e por que o esforço para querem convencer o mundo de que sua emergência é totalmente pacífica é tão relevante. a desigualdade da população e criado stress social. Desafios indianos – Em relação à Índia. déficit em infra-estrutura. Com isso. Terceira economia mundial. O palestrante Leo Abruzzese aponta como um dos desafios chineses o baixo consumo da população.2 trilhões. A previsão foi anunciada por Leo Abruzzese. Exportação e investimento são os motores de crescimento do PIB chinês. chegaram a quase 85 mil em 2006. “o governo chinês têm desempenhado papel importante na gestão de ativos. Com maior responsabilidade. a China se tornará. Lehmann é otimista e acredita que a abertura política vai acontecer de forma evolutiva. Futuro do sistema político – Segundo Jean-Pierre Lehmann. Na visão de Abruzzese. o Produto Interno Bruto (PIB) da China deverá ultrapassar o alemão em termos nominais. Leo Abruzzese apontou como desafios uma possível bolha de crescimento. O palestrante aponta mais consumo e menos investimento como receita para crescimento sustentável chinês. porém as indústrias de software empregam menos de 2 milhões. pobreza. Outro desafio apontado pelo palestrante foi a evolução do sistema bancário. porém. o PIB chinês deve chegar ao final do ano em US$ 3. que eventualmente pressionará o governo por reformas políticas. O crédito está crescendo muito rápido e os padrões de empréstimo caem. Incidentes de massa. Nas palavras de Leo Abruzzese. mas desafios no caminho . 60% possuem geradores. contra US$ 2. Abruzzese questiona-se se o país será capaz de sustentar reformas com um governo democrático. uma Índia estável será possível apenas se a manufatura equiparar-se ao setor de serviços. transparência maior. as manufaturas crescem 10% ao ano. ou Partido Comunista vai dar inicio a um pol de repressão. em 2007. e lentidão nas reformas em razão de entraves políticos. é impossível visualizar na China um sistema econômico aberto coabitando com sistema político fechado. “Há poucos anos atrás era comum escutar que sistema bancário chinês era insolvente. Há reservas suficientes e não é esperada nenhuma crise” afirma Abruzzese. mas tem melhorado muito. Em 2006. o consumo responde por 60 ou 70% do PIB. Sobre os problemas de infra-estrutura. a terceira maior economia do mundo. O fantástico crescimento chinês tem agravado. expõe Abruzzese. responsável pelo departamento editorial do Economist Intelligence Unit. Além disso. “A Índia precisa crescer mais em outros setores para empregar”. a contribuição do consumo para o PIB ainda é baixa. . privilégio do terceiro setor em detrimento das manufaturas. contra 20-25% na China e 17% no Brasil. A corrupção é uma questão endêmica que gera ressentimento. porém isto muda progressivamente”. o Estado chinês passa a ter papel significativo e deve portar-se como exemplo perante a população chinesa e o restante do mundo. a natureza da população urbana vai ser diferente em 15 anos.No segundo semestre de 2007. Nas estimativas do EIU. À medida que ocidentais compram mais fatias do sistema financeiro chinês. Com as mudanças demográficas decorrentes da prosperidade econômica. Nos Estados Unidos e na Europa. Atualmente.9 trilhões da economia alemã.

A inauguração da primeira fábrica ocorreu em janeiro de 2003. Em 2006. em especial na ida para Portugal e Argentina. as condições são mais complexas.BESCO. atualmente o objetivo é transformar a base produtiva da China em uma plataforma de abastecimento do mercado asiático de compressores em expansão. Embraco . controlado pela municipalidade de Pequim. A Embraer detém 51% da joint-venture. O objetivo é. Na China.A Embraco foi a primeira indústria brasileira a formar uma joint-venture com o governo chinês. após assinatura do contrato de joint-venture com a AVIC II. em 1995. faz da China uma opção vantajosa de plataforma de produção. A ida para a Ásia e o emprego das mesmas condições de baixo custo que aqueles países oferecem foram condições obrigatórias para que essas empresas conseguissem competir eficientemente no mercado global. parceiro local. uma vez que a Ásia é um mercado importante para a empresa. Os preços baixos. “A internacionalização deixa de ser uma opção para se tornar uma estratégia de salvação da empresa”. Do faturamento total da empresa. destinava-se ao abastecimento do mercado doméstico chinês.A necessidade de diluição dos riscos dos investimentos e de estabelecimento de parcerias. a demanda crescente por aviões regionais e o direcionamento estratégico governamental para tornar a China um ator relevante no setor de aviação também exerceram influência significativa na decisão. Embraer . no entanto. tornam o país uma boa base exportadora. O modelo de negócio adotado internacionalmente pela Embraer (e também no caso chinês) baseia-se no estabelecimento de parcerias de risco – as empresas parceiras disponibilizam capital antes mesmo de o avião ser idealizado. reflexo do projeto nacional de desenvolvimento do setor aeronáutico. A liberalização progressiva da economia local. A relativa facilidade de obtenção de crédito. a BESCO inaugurou nova fábrica com um centro de pesquisa e desenvolvimento para atender à crescente . Apesar de o mercado local permanecer como foco. em 2000. onde a empresa não pretende aumentar a capacidade produtiva em função dos maus resultados. em junho. vicepresidente sênior de Relações Externas da Embraer. Por outro lado. consolidar uma fábrica chinesa voltada para exportação.PAINEL V – AS RESPOSTAS EMPRESARIAIS BRASILEIRAS A internacionalização foi estratégia de sobrevivência adotada por algumas das maiores empresas brasileiras face à ascensão econômica dos países asiáticos. África do Sul e Colômbia. afirma Henrique Rzezinski. vice-presidente do Conselho de Administração da Marcopolo. A Embraer abriu o primeiro escritório em Pequim em maio de 2000 e. pois é uma experiência que exige combinação de política e estratégia de negócio”. Além da vantagem logística. de cerca de 1 milhão de compressores. acredita José Martins. Martins admitiu que houve uma seqüência de erros no processo de internacionalização da Marcopolo. 30% já é garantido fora do Brasil. no futuro. parte do requisito para garantir acesso ao mercado chinês. em especial da China. e deu origem à Beijing Embraco Snowflake Compressor Company . “É preciso ter nervos de aço para operar na China. em função do grande número de fabricantes e o ambiente altamente competitivo. A produção anual. foram os principais fatores que motivaram a ida da Embraer para China. bem como a entrada da Bombardier no mercado chinês. os benefícios tributários e o baixíssimo custo obrigaram a empresa a tornar-se uma multinacional. as operações seguem bem sucedidas no México. A parceria foi firmada com o grupo SnowFlake. já havia realizado sua primeira venda no mercado local.

Enquanto isso. Índia e alguns países do Sudeste Asiático. destaca Ernesto Heinzelmann. “Temos um setor público obsoleto hoje.” Em suma. “É importante crescer no mercado chinês. melhorar a eficiência da burocracia e criar um quadro regulatório mais adequado. caso contrário perderemos espaço para os concorrentes locais”. para dar conta dessa gigantesca nova demanda. É óbvio que não há combustíveis e metais para sustentar isso. Falta o setor governamental dar rumo ao país”.0% em 2006. mas sim por meio da orientação geral e do gerenciamento eficiente dos recursos escassos. ao contrário. A indústria extrativa brasileira cresceu 6.5 milhões de produtos. “O Brasil tem chances absolutamente espetaculares de não ter um papel secundário nessa virada. o setor privado seja seletivo na sua inserção internacional. os preços dos combustíveis e matérias-primas em geral deverão se manter em tendência de alta por pelo menos mais dez anos. novas tecnologias terão que se desenvolver. contra 4. presidente da Whirlpool S. com capacidade de produção de 4. PAINEL VI – AS RESPOSTAS PÚBLICAS BRASILEIRAS Um novo paradigma industrial está em curso. baseado fundamentalmente em biotecnologia e outras tecnologias de ponta. Carlos Langoni. porque a carga tributária já atingiu seu pico tanto do ponto de vista político quanto técnico. Para Barros de Castro. “É preciso usar o mundo que está sendo criado pela China para virar o crescimento brasileiro em direções mais ambiciosas”. Apesar da divergência de opiniões sobre a ênfase que precisa ser dada a cada um destes componentes na condução do desenvolvimento brasileiro. e prioriza o papel das reformas na modernização do país. não representa uma bolha de crescimento ou de consumo e.demanda por refrigeradores. e o Brasil tem chances de ocupar um papel importante na nova configuração produtiva global desde que as reformas político-econômicas sejam levadas a cabo. Isso implica em promover um ajuste fiscal que contenha gastos e transferências. O setor industrial brasileiro não morreu e o agronegócio brasileiro é excepcional. a entrada da China na Organização Mundial do Comércio (OMC) deve auferir maior segurança aos investidores. que precisa diminuir seu grau de intervenção. energia e água durante o processo produtivo.A.” Langoni acredita que o Brasil está “na ante-sala do . As compensações financeiras não são relevantes em termos de valor. Contudo. .Unidade Embraco. os especialistas do último painel de DESAFIOS EMERGENTES são unânimes: mudanças estruturais no âmbito público e privado são necessárias para garantir que o Brasil ingresse competitivamente no novo esquema produtivo que se delineia.3% em 2004. diretor de Planejamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). apresentando boas oportunidades para países como o Brasil. e o sistema jurídico ainda é insipiente. instiga Barros de Castro. Para o diretor do BNDES. A nova unidade também é capaz de reduzir o consumo de CO2. como Vietnã. desafia Antonio Barros de Castro. vice-presidente do Conselho de Administração da BESCO e presidente do Conselho Empresarial Brasil–China. o papel do Estado não deve ser no sentido de bancar o crescimento por meio da injeção de recursos público. fundamentalmente em resposta a esse efeito asiático. vê com ressalvas a necessidade de participação do Estado na definição dos rumos do desenvolvimento brasileiro. Alguma coisa muito importante está por acontecer. e o Estado contribua dando a orientação estratégica e catalisando os recursos escassos. deve inaugurar um novo paradigma industrial. diretor do Centro de Economia Mundial da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Um dos principais desafios a ser enfrentado pelas empresas no país refere-se ao direito de propriedade intelectual. a emergência econômica de China. “Subitamente. quase 40% da população mundial foi inserida no consumo.

e que China e Índia servem para estimular a competitividade das instituições públicas e privadas brasileiras. respectivamente). De acordo com o presidente do CEBC. como no caso chinês. papel da inovação com qualidade. o analfabetismo entre os jovens está abaixo de 1%. ao passo que as participações de Japão e UE foram reduzidas. É a qualidade desse investimento”. editor do jornal O Globo e comentarista da Globonews. economias de escala. para o crescimento indiano são relevantes. A fatia chinesa.8% e 1. as regiões de mais alto grau de desenvolvimento industrial concentram também um número importante de incubadora de empresas. universidades. por exemplo. o PIB norteamericano manteve-se acima de 20% do PIB global entre 1980 e 2006. a imensa oferta de mão-de-obra barata são os elementos que compõem o quadro do rápido crescimento. Apesar de os gastos em P&D não serem muito discrepantes na comparação entre Brasil e China (0.desenvolvimento sustentável”. laboratórios e centros de pesquisa. liderou o debate final com alguns palestrantes de DESAFIOS EMERGENTES. lembra Cardoso. concessão de terrenos e mecanismos de financiamento a empresas de alta tecnologia. O Brasil . além dos incentivos fiscais. Além dos gargalos na infra-estrutura. coordenador do Grupo de Estudos sobre China do Instituto de Pesquisa de Economia Avançada (IPEA). O jornalista afirmou que o “mundo está quase virando de cabeça para baixo com as economias chinesa e indiana e com a presença marcante da Ásia”. o encontro produziu maior preocupação e demonstração que atitudes devem ser tomadas urgentemente. Os riscos. como da legislação trabalhista. sintetiza. a educação está muito distante de se tornar universal na Índia. claro. por sua vez. mas obteve muito sucesso na atração e no desenvolvimento de empresas modernas nos segmentos de tecnologia da informação. os recursos chineses são aplicados de maneira muito mais eficiente. professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e ex-economista-chefe do Banco Mundial na China. O analfabetismo atinge cerca de 24% da população jovem. Lições de desenvolvimento para o Brasil – Ampliar gastos em pesquisa e desenvolvimento e concentrar os incentivos industriais em um só lugar. Nonnenberg também entende que o crescimento chinês é fruto de uma combinação de fatores complexos que vão além do custo de mão-de-obra. ressalta que o aumento relativo do tamanho da economia chinesa se fez em função da redução do tamanho relativo das economias de Japão e União Européia. Em termos de Paridade de Poder de Compra (PPP). Altas taxas de investimento e poupança. e apenas 60% dos indianos entre 15 e 24 anos sabem ler. ainda não atingiu um modelo de industrialização que absorva grandes contingentes de mão-de-obra. estas são as duas principais lições que podem ser extraídas do modelo de desenvolvimento chinês. no entanto. falta de proteção à propriedade intelectual. passou de 5% para mais de 15% no período analisado. Eliana Cardoso. “Não é o volume gasto com P&D que explica a discrepância em termos de crescimento industrial. fortes influxos de investimentos estrangeiros diretos. Já o crescimento indiano. Ernesto Heizelmann. estabilidade das políticas macroeconômicas e. Ainda que seja considerada uma sociedade que produziu importantes avanços nos campos mais desenvolvidos do conhecimento. Para ele. Na China. o país sofre com o ritmo lento das reformas econômicas.3% do PIB. Na avaliação de Marcelo Nonnenberg. Na China. a conferência foi muito importante de forma a adicionar informações sobre essas grandes potências em constante ascensão. Debate final – Entrevistas com George Vidor Sobre a Conferência George Vidor.

É preciso que os países estejam preparados para esse processo. tais como insuficiência energética. Com o crescimento das exportações. Índia e a União Européia contribuem para criação de um sistema internacional de governança econômica que reconheça o fato que todas as economias têm direitos e demandas em relação aos recursos mundiais. “Falta ao Brasil e suas lideranças um espírito de coletividade. crê que o Brasil não entende a China e mal sabe o caminho para fazê-lo. A Ásia. e isso é uma realidade comum a outras nações.deve ser eficiente e efetivo para manter sua posição. que perdas grandes ocorram. o Brasil conta com menos de dez já implantadas. derivado do impacto do crescimento chinês sobre o resto do mundo e advém de um choque positivo do nosso intercâmbio. em particular a China. as empresas brasileiras encontram-se em fase inicial de internacionalização. talvez tenhamos experimentado nos últimos 20 anos sentimento de crescimento espetacular e de maior integração global. finaliza. crê que o país “dança com os lobos” há tempos. Rodrigo Tavares Maciel. “Globalização é uma força que não se pode interromper”. “dançar com a China” é uma grande idéia e isso tem sido feito nos últimos anos pelo Brasil. O país fala abertamente sobre metas e dilemas para o futuro. O desconhecimento ainda é grande e é importante fator impeditivo para o desenvolvimento das relações entre os dois países. professor e coordenador de política econômica da Universidade Nacional Autônoma do México. junto às exportações e importações. Para a professora Eliana Cardoso. que faz parte de um processo histórico. o grau de integração entre ambos. tem diminuído nos últimos anos. Kroeber ressalta que a ascensão de China e Índia e o conseqüente realinhamento no atacado são fatos que não podem ser descartados. diretor da Dragonomics Research & Advisory. por exemplo. para evitar. Caso isso não se configure. se tornará muito difícil para outros países acompanhar o crescimento. está cada vez mais ativa com os norte-americanos. Há necessidade de políticas claras nos setores públicos. Os Estados Unidos necessitam estabelecer regras e ser consistentes no sistema de gestão econômica e política. Em relação ao México. Para Arthur Kroeber. A questão chinesa Existem enormes diferenciais entre Brasil e China. Isto deve estar além das fronteiras nacionais. Enrique Dussel Peters. como carga tributária. que fazem com que o caminho de ascensão percorrido pelos orientais seja mais rápido e qualitativo. investimentos em educação e planejamentos de longo prazo. e reconhece que seu crescimento é insustentável. privados e acadêmicos para lidar de maneira adequada com o tamanho e dinamismo chinês. no caso dos investimentos brasileiros em território chinês. processo inevitável e irreversível. “Já estamos dançando com a China e é uma dança muito boa”. complementa. Mecanismos de alocação de recursos são necessários para que seja possível compartilhar o custo do desenvolvimento em todos os países. foi possível melhorar os indicadores externos. Contudo. acrescenta. dessa forma. secretário Executivo do CEBC. México e Estados Unidos. China. Os chineses fazem seu . de acordo com Ernesto Heinzelmann. A concorrência chinesa superou o mercado mexicano nos Estados Unidos. O momento positivo pelo qual o país está passando é. na sigla em inglês) teria uma parcela de culpa. “Os empresários precisam enxergar que as oportunidades não permacerão para sempre”. Ele ressalta que “trata-se de uma questão emergencial”. infraestrutura. em parte. pois atualmente a defesa de interesses próprios promove atrasos para o país”. O fato de não ter havido muitas mudanças no processo normativo do NAFTA (Acordo de livre-comércio da América do Norte. Atualmente. Há a necessidade de um impulso aos empresários brasileiros para que esse cenário seja alterado.

“dever de casa” há anos . diz. Por outro lado. Na Índia. infra-estrutura precária e desemprego. A desaceleração industrial recente seria conseqüência. em resposta ao discuro de Lehmann sobre uma possibilidade de guerra que o mundo não deveria descartar. A grande dúvida seria como a introdução desse imposto seria feita. mas há precedentes que mostram a possibilidade que isso ocorra de forma pacifica”. Em parte. cujo crescimento não é dos melhores”. afirma que o professor queria apenas ser provocativo. mas o desafio na implementação foi ter retirado a autonomia do Estado quanto às cobranças dos impostos sobre a venda. máquinas. que se deu de maneira mais intensa nos setores intensivos em tecnologia(materiais elétricos. na sigla em inglês). devido à falta de consenso entre os poderes. acredita que o movimento de especialização no agronegócio (característica de outros países da América Latina) é provisório. No Brasil. “Guerras são condições de absorção de um novo poder. continua a comprometer divisas. concorda que a possibilidade de ocorrência de deslocamentos provocados pela grande ascensão de China e Índia não pode ser descartada. mas não é com ele que vamos chegar às taxas asiáticas de crescimento”. que são de partidos de oposição. Para Ajit Tolani. na qual uma das novidades foi a implementação do VAT (imposto sobre valor agregado. a reforma já se encontra em processo. coordenador do grupo de estudos sobre China do Instituto de Pesquisas de Economia Avançada (IPEA).“A China foi quem descobriu o Brasil”. em parte. isso é atribuído à questão de câmbio. a indústria de transformação e seus setores passaram a crescer muito menos que o próprio PIB nacional. material eletrônico). Kroeber exemplifica a afirmação acima lembrando o caso norte-americano. no qual houve a ascensão dessa grande potência sem que fosse resultado de um conflito militar. a decisão foi do governo central. isso também pode significar ganhos de competitividade para a indústria nacional. Cerca de 10% dos governos locais. No caso do VAT. Durante cerca de cinco anos. equipamentos. . da penetração industrial das importações. Porém a Índia possui razões para estar otimista. na medida em que resulta do aumento de importações de bens de capital com a incorporação de tecnologias mais avançadas. A questão indiana George Vidor argumentou que a similaridade entre Índia e Brasil é infinitamente maior. “Claramente o Brasil tem vantagens comparativas no agronegócio. houve formação de comitês com ministros de finanças dos estados e discussões para que se chegasse a um consenso. O Brasil “Num período recente. tais como educação restrita. devido principalmente. O tópico mais importante indubitavelmente ao falar de Índia são as Zonas Econômicas Especiais. mas para Tolani acabarão por fazê-lo. sem que haja ambigüidade entre as leis. ressalta Vidor. gerente da KPMG em Nova Iorque. as ZEE’s. Contudo. confere Maciel e acrescenta “talvez seja o momento de corrermos atrás e fazermos o mesmo”. a reforma encontra-se em pauta há anos. a constituição nacional indiana define quais impostos são de responsabilidade do governo central e quais são do governo estadual. incluindo muitos problemas comuns. dos juros no Brasil. Elas serão as responsáveis pelo aumento das exportações e trarão reservas à Índia. Crescimento chinês seria uma ameaça de guerra? Kroeber. O governo discute preços das empresas locais e. e em parte à avassaladora e forte competição com a China. para isso. Um dos aspectos que chama a atenção é a necessidade de reforma tributária. não implementaram o imposto por não concordarem. à falta de consenso no sistema político que causa estagnação do sistema tributário nacional. Marcelo Nonnenberg.

Já em relação à questão ambiental. Em relação às taxas inflacionárias. “No caso indiano. Todavia os norteamericanos têm se mostrado mais abertos a mudanças. papel que o Brasil também já assumiu devido às queimadas na Amazônia. houve uma nova tendência de queda nas semanas anteriores. estabeleceram incentivos de exportação. que poderia causar uma interrupção ou até mesmo uma previsão que a modernização não se concretizasse. A poluição atmosférica e a falta de preocupação do governo com a preservação do meio ambiente fazem do país o grande vilão. de 6. com a modernização. O objetivo atual é encontrar uma maneira de trazê-los junto à China para um debate mais pacífico. desde a década de 90. diretora de estudos do Council of Foreign Relations (CFR. que atualmente ocupa a segunda posição dos maiores contribuidores para o aquecimento global. considerada estável para a Índia. editor-chefe do EIU (Economist Inteligence Unit). os juros. que possibilitaram alcançar a marca de alcançaram US$ 50 bilhões de investimentos ligados às reservas de estrangeiras. Meio ambiente e a questão social George Vidor lembra que as questões sociais e do meio ambiente abordadas em DESAFIOS EMERGENTES não devem ser esquecidas.2 ponto percentual e sua despreocupação com a inflação deriva da administração eficiente do ministro das finanças. infere. Há interesse ministerial em afinar a política monetária. retiraram o partido do poder. a população não estava sendo beneficiada pelo governo vigente e. acrescenta que os Estados Unidos ainda são os maiores responsáveis. “Pela primeira vez há esperanças que o governo dos Estados Unidos será mais agressivo nos debates sobre meio ambiente”. responsável por um terço das emissões de gases poluentes. subirá de patamar ainda nos próximos anos. a tal ponto que o presidente Bush a recuou em relação à posição de não-adesão ao protocolo de Kyoto. devido ao regime protecionista. Segundo Economy. poderia esperar-se um estímulo aos problemas sociais do país. mas não possui competitividade como outros asiáticos. por meio de voto. o processo provocaria uma demanda social. de um total de oitenta. nem as melhoras e o progresso significativo. que teriam chegado a 9%. Indianos têm expectativa de que em menos de 6 meses ocorra queda e. Ao promover maior contato da população entre si. na sigla em inglês). Em contrapartida.5 para 6. Responsável pelas afirmações. A China. contribuindo com quase 31% do crescimento mundial em prazo relativamente curto. a Índia adquiriu know-how através do processo de reformas econômicas. mas também às grandes potências e à opinião pública. mas não é correto afirmar ainda como e quando isso poderia ocorrer. e atitudes já foram tomadas em relação a isso. Nos últimos quinze anos. Vidor se surpreende ao não ver nenhum tipo de preocupação por parte de Amit Ray. países devem ser trazidos para a discussão no intuito de fazer acordos. ao mesmo tempo. A questão ambiental será . O setor siderúrgico é dominado pelo setor público e possui apenas uma empresa privada. a taxa se aproxime de 5%. como de cooperação tecnológica. o professor da Universidade de Jawaharlal Nehru afirma que a taxa só obteve aumento real nos últimos meses e está na faixa de 6%. se as monções forem favoráveis. O jornalista afirma que a China assume papel similar ao que os Estados Unidos tiveram nos últimos 50 anos. Dessa forma. Na China esse não é um canal possível. Elizabeth Economy. Contudo. Quando não tinham reservas externas. Segundo ele. De acordo com Leo Abruzzese. há convicção em afirmar que o assunto entrou na agenda internacional atraindo atenção que não se restringe mais às ONG’s. o impacto era sobre os investimentos diretos externos. há necessidade de ações cooperativas.Os indianos sempre possuiram política muito oportunista na aplicação de impostos. pode-se dizer que nos próximos 15 anos devem ocorrer pressões na China para uma democratização. maior fluxo de informações e muitas facilidades. e não 9%. portanto as pressões por um crescimento igualitário virão de baixo para cima”. coloca.

África seria nova fronteira econômica? Pode-se dizer que o crescimento africano não é qualitativo e sua base é muito pequena.tópico importante a ser colocado nas mesas de negociação e é possível que seja criado um fundo para financiar as mudanças de adaptação a tecnologias mais limpas. por exemplo. apesar das taxas serem muito boas (da Angola. Ainda há muita pobreza. O grande desafio é encontrar seu próprio caminho e implementar reformas institucionais para que seja possível que o continente alcance uma eqüidade com o crescimento chinês. . Mas. não ocorreram avanços significativos no continente por muito tempo e o caminho a percorrer ainda é longo. De acordo com Neuma Grobbelaar. na sigla em inglês). devido aos atrasos no desenvolvimento. diretora de pesquisa do South African Institute of International Affairs (SAIIA. mas a África continuará sendo fonte robusta de recursos por vários anos. não haverá muitas mudanças no cenário. no curto prazo. foi de 20%).

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