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DEFINIÇÕES

A sexualidade e a afectividade fazem parte da vida de todos os seres

humanos, mesmo daqueles que são “diferentes”.

O deficiente mental tem necessidade de expressar os seus sentimentos

de um modo particular e intransferível. Tem o direito de ter prazer e levar

uma vida saudável, dentro das suas possibilidades e limites.

Deficiência Mental: “Estado de redução (…) do funcionamento intelectual significativamente inferior à média, associado a limitações pelo menos em dois aspectos do funcionamento adaptativo: comunicação, cuidados pessoais, competências domésticas, habilidades sociais, utilização dos recursos comunitários, autonomia, saúde e segurança, aptidões escolares,

lazer e trabalho.” (AAMR, 2006; DSM-IV, 1994)

Sexualidade: "É uma energia que motiva para encontrar amor, contacto, ternura e intimidade; integra-se no modo como nos sentimos, movemos, tocamos e somos tocados; é ser-se sensual e ser-se sexual. A sexualidade influencia pensamentos e, por isso, influencia também a saúde física e mental. (…) É um aspecto central do ser humano, que acompanha toda a vida e que envolve o sexo, a identidade, os papéis de género, a orientação sexual, o erotismo, o prazer, a intimidade e a reprodução. A sexualidade é vivida e expressa em pensamentos, fantasias, desejos, crenças, atitudes, valores, comportamentos, práticas, papéis e relações. Se a sexualidade pode incluir todas as dimensões, nem sempre todas elas são experienciadas ou expressas. A sexualidade é influenciada pela interacção de factores biológicos, psicológicos, sociais, económicos, políticos, sociais, culturais, éticos, legais, históricos, religiosos e espirituais.” (OMS)

Afectividade: “Sentimento de inclinação para alguém; afeição; amizade; amor; carinho.” (Dicionário da Língua Portuguesa); “Conceito (…) extenso e de compreensão (…) vaga, que engloba estados tão diversos como as emoções, paixões, os sentimentos, a ansiedade, a angústia, a tristeza, a alegria sensações de prazer e dor.” (Doron & Parrot, 2001); “Conjunto dos sentimentos (estados de humor) da pessoa, de acordo com as suas características mais evidentes (qualidade essencial do estado de humor), com a sua intensidade, expressividade e duração.” (Scharfetter; Christian,

1996)

A SEXUALIDADE NO DM (deficiente mental)

O DM tem necessidade de expressar a sua sexualidade e a maneira como

ele o faz, pode provocar constrangimento social e familiar.

A repressão das manifestações sexuais do DM, pode diminuir o equilíbrio

emocional interno, aumentando a agressividade, a angústia, o isolamento,

reduzindo as suas possibilidades psíquicas na íntegra. Quando bem orientada, a sexualidade melhora o desenvolvimento afectivo, a auto- estima e inclusão social, e facilita a capacidade de se relacionar.

A sexualidade é um factor importante para o desenvolvimento da

personalidade. As expressões de sexualidade do DM não devem ser recriminadas mas sim tratadas como algo natural.

O DM pode ou não ser sexualmente activo. O facto de ser deficiente, não

significa que tenha o seu comportamento sexual comprometido.

Por medo de expor o DM a riscos físicos e emocionais, por constrangimento de exporem o filho e a si próprios, muitos pais negam a existência do problema e preferem encarar o filho como se fosse assexuado.

O DM é sexuado: tem sentimentos, pensamentos e necessidades sexuais.

A sexualidade não pode ser negada ou omitida no sentido libidinal, pois ela

existe desde o nascimento. As funções e desejos eróticos estão potencialmente reservados e não devem ser negados quando há algum tipo de limitação ou deficiência.

As aspirações sociais e sexuais do DM podem ser iguais a qualquer pessoa. Pode gostar de ter relações sexuais, casar e ter filhos, tem é menos oportunidades de explorar alguma relação com os seus pares, o que dificulta o alcance das suas aspirações.

Pais e Educadores do DM proporcionam, por vezes, insuficiente educação sexual, levando ao isolamento social, privando a chegada de informação sobre sexualidade, reprodução, contracepção e prevenção.

O DM é sexualmente vulnerável a assédios sexuais. Os terapeutas que

trabalham com ele devem discutir essas preocupações, bem como com os pais, não esperando que estes expressem esses receios. Desde cedo, necessitam conhecer atitudes saudáveis em relação ao seu corpo e às suas funções. Qualquer que possa ser o interesse ou o conhecimento sexual, eles devem entender tudo o que for possível sobre sexualidade.

O interesse sexual por parte do portador de DM é, por vezes, caracterizado

por perguntas directas e socialmente desinibidas, propostas e atitudes

inconvenientes repetidas com insistência.

Esta pode ser devida a factores como a ingenuidade, curiosidade e manifestações afectivas. Deve-se explicar de forma clara e paciente as inconveniências sociais de tais atitudes, os seus riscos e a confusão entre rejeição e colocação de limites.

O DM tem desejo sexual, anseia por uma relação afetiva e é capaz de

aprender a lidar com sua própria sexualidade. Na maioria das vezes, se apresenta comportamentos inadequados, como masturbar-se em locais

públicos, a causa do problema está na ausência de uma orientação e não

na

limitação intelectual.

O

DM precisa ser informado, sobre a ejaculação, menstruação e as

mudanças do corpo. A sexualidade no DM tem que ser entendida como expressão da afectividade,capacidade de estar em contacto consigo e com o outro, construção da auto-estima e do bem-estar.

Algumas pessoas tendem a considerar o DM como pessoa hipersexualizada, que não tem nenhum autocontrole, nem capacidade de entendimento ético e social. Este pensamento é associado à expressão pública de comportamentos sexuais. Na verdade não há relação entre sexualidade exagerada e as questões orgânicas da deficiência. Referirmo- nos à manifestação da sexualidade de um modo grosseiro que não correspondente às regras sociais, prejudica a imagem que as pessoas têm do DM, que o coloca como dotado de uma sexualidade atípica. Desse modo, o desejo que é normal em todo o ser humano, aparece como diferenciado e exagerado pela sua exteriorização inadequada.

Os jogos sexuais, comuns na infância, intensificam-se na adolescência e

servem para a construção da identidade sexual. A exploração corporal nos

casos de DM leve pode evoluir para a masturbação e mesmo para a relação sexual, dependendo do desenvolvimento psicosexual e do contexto sociocultural. Muitas vezes, este tipo de manipulação sexual pode ser inadequado em determinados contextos sociais, acontecendo de forma explicita, pouco íntima e pública.

Geralmente a masturbação, no portador de DM, é uma das poucas formas

de aliviar as suas tensões sexuais, e a punição por isso pode complicar a

sua situação emocional. É preciso lidar com estas manifestações da sexualidade com paciência, colocando os limites necessários, de forma coerente e incisiva, quanto ao local onde essa prática é possível, onde pode ser efetuada com privacidade.

O namoro do portador de DM nem sempre tem a mesma conotação que

em pessoas "normais", devido principalmente à dificuldade de discriminação afectiva, confundem amizade com namoro, e nem sempre o

desejo sexual está presente.

Agrupamento de Escolas de Rio Tinto nº2 | Núcleo de Educação Especial

RECURSOS DIDÁCTICOS

Internet

www.portadeacesso.com/artigos_leis/sex/sex000.htm

www.malhatlantica.pt/ecae-cm/sexualidade2.HTM

www.malhatlantica.pt/ecae-cm/sexualidade1.HTM

Filmes

“Simples como Amar”- MARSHALL, Direcção de Garry, EUA: Touchstonr Pictures/Mandeville Films, 1999 “Sexualidade e deficiência”- http://br.youtube.com/watch?v=DvsiPXVuVYs

Músicas

http://br.youtube.com/watch?v=HZQnoKKUlJk&feature=related

(Raul Seixas, EMI Brasil Ano: 2007)

Livros

Cole,Babette. A Mamã Nunca Me Disse!Terramar, 2003

Delgado, Javier Termenón. De Onde Venho? Associação Ilga Portugal,

2007

Erlbruch, Wolf .O Mistério do Urso. A Cobra Laranja,1992

Gray, Kes e Mcquillan, Mary (2006) (2ª ed.). O Coelhinho Tremeliques. Vila Nova de Gaia: Gailivro.

Manning, Mick. O Mundo Está Cheio de Bebés!Caminho, 1992

Manushkin, Fran O Bebé. Sá da Costa, 2ª ed., 2008

Martins, Isabel Minhós. Coração de Mãe. Planeta Tangerina, 2ª ed., 2008

Martins, Isabel Minhós. Pê de Pai. Planeta Tangerina, 3ª ed., 2009

McBratney, Sam Adivinha Quanto Eu Gosto de Ti. Caminho, 4ª ed.,

2004

Parr , Tood. O Livro da Família. Gailivro, 2ª ed., 2007

Pessoa, Sónia. Ser Diferente É Bom. Papiro Editora, 2008

Saldanha, Ana Mais ou Menos Meio Metro! Caminho, 2007

Silva, Paula Pinto da. Grávida no Coração. Campo das Letras, 2ª ed.,

2006

Soares, Luísa Ducla Os Ovos Misteriosos.Edições Afrontamento, 2ª ed.,

2008

Sobrino, Javier. Um Segredo do Bosque. OQO, 2009

Soria, Marisa López As Cores de Mateus. Everest Editora, 3ª ed., 2006

Velthuijs, Max. O Sapo Apaixonado. Caminho, 4ª ed., 2007

“A

Lei”

-

BIBLIOGRAFIA E SUGESTÕES DE LEITURA

(2009). Como Nascem os Bebés? Abrunheira: EuroImpala.

(2009). Quais as Diferenças entre Meninos e Meninas?Abrunheira:

EuroImpala.

(2010). Falar sobre Sexo Sem Complicações. Abrunheira: EuroImpala.

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Duarte, Ruth G. Sexo, Sexualidade e Doenças Sexualmente Transmissíveis. 2.ed. São Paulo: Moderna, 2007.

Gil, Carmen e Cáceres, María Teresa (2006). Porque Damos Beijos? Porto: Campo das Letras.

Maia, Ana Claúdia B. Sexualidade e Deficiência. São Paulo: UNESP.

2006.

Norac, Carl e Cneut, Carll (2005). Um Segredo para Crescer. Lisboa:

Edições Kual.

Paula, Ana Rita de; Regen, Mina; Lopes, Penha. Sexualidade e Deficiência: rompendo o silêncio.São Paulo:Expressão e Arte. 2005.

Rowe, John A. (2008). Dá-me um Abraço. Lisboa: Ambar.

Sprovieri, Maria Helena S

Colecção Ni. Editora Manole. 2005.

Veiga, Luísa; Teixeira, Filomena e couceiro, Fernanda (2001). Menina ou Menino – Eis a questão. Lisboa: Plátano Editora.

Deficiência Mental Sexualidade e Família.

Xavier, Lara e reimão, Rute (2007). Gosto Deles Porque Sim. [Lisboa]:

Texto Editores.

“A sexualidade faz parte de nossa conduta. Ela faz parte da liberdade em nosso usufruto deste mundo.”

Michel Foucault

“A nossa sociedade, convulsiva e mutável, não me parece caminhar no sentido de mais

egoísmo (

provável que vamos também para uma maior abertura ao outro, talvez diferente de si, mas do qual não se pode ignorar nem rejeitar a diferença.”

Simon

Se portanto, vamos no sentido de mais convívio, mais humanidade, é muito

)

Autoria

Núcleo de Educação Especial Agrupamento de Escolas de Rio Tinto Nº 2 Abril de 2011

Sexualidade na Deficiência Mental

Especial Agrupamento de Escolas de Rio Tinto Nº 2 Abril de 2011 Sexualidade na Deficiência Mental

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