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Cartilha Trabalhista

1a Edição

Fiscalização - Sistema de
Registro Eletrônico de
Ponto (SREP)

Este trabalho foi elaborado com base na interpretação


da legislação pela Equipe Técnica IOB.
Cartilha Trabalhista
Fiscalização -
Sistema de Registro Eletrônico de Ponto

Sumário

1. Introdução ......................................................................................................................................................... 1
2. Critério de verificação dos requisitos do SREP ............................................................................................... 1
3. Obtenção de informações dos empregados sobre o uso diário do sistema de controle da jornada - Dever 1
4. Verificação da regularidade dos bancos de horas........................................................................................... 1
5. Registrador Eletrônico de Ponto (REP) - Obrigatoriedade de conter dados dos empregados do mesmo
empregador - Exceções..................................................................................................................................... 2
6. Empregador usuário do SREP - Notificação pelo AFT - Documentos a serem apresentados .................... 2
7. Empregador usuário do SREP - Fornecimento de arquivos em meio eletrônico - Notificação pelo AFT ..... 3
8. Registro do modelo de REP utilizado pela empresa - Conferência pelo AFT .............................................. 3
9. Modelo do Programa de Tratamento de Registro de Ponto e os números de série dos REP -
Correspondência com as informações declaradas pelo empregador no Cadastro de Sistema de
Registro Eletrônico de Ponto (Carep) - Verificação pelo AFT........................................................................ 3
10. REP utilizados pelo empregador - Funcionalidades à disposição dos empregados e da inspeção do
trabalho - Verificação pelo AFT ........................................................................................................................ 4
11. Arquivo-Fonte de Dados (AFD) gerado a partir dos dados armazenados na MRP - Captura pelo AFT -
Objetivo da ação fiscal ...................................................................................................................................... 4
12. Aplicativo disponibilizado pela Secretaria de Inspeção do Trabalho para uso exclusivo do AFT -
Instrumento utilizado para fiscalização .......................................................................................................... 4
13. Descumprimento de qualquer determinação ou especificação constante da Portaria MTE
no 1.510/2009 - Descaracterização do controle eletrônico de jornada ........................................................ 5
14. Atributos “jornada” e “descanso” - Inclusão nas Ordens de Serviço ............................................................ 5
15. Obrigatoriedade da utilização do REP nas ações fiscais iniciadas até 25.11.2010 (*) - Observância do
critério da dupla visita pelo AFT ...................................................................................................................... 5
16. Dispositivos da Portaria MTE no 1.510/2009 referentes ao REP - Aplicabilidade - Prazo .......................... 6

CARTILHA TRABALHISTA - Fiscalização - Sistema de Registro Eletrônico de Ponto I


Cartilha Trabalhista
Fiscalização -
Sistema de Registro Eletrônico de Ponto

Trabalhista - Fiscalização - Sistema de Registro Eletrônico de Ponto (SREP) -


Critérios a serem adotados pela fiscalização

1. Introdução 3. Obtenção de informações dos


Nos termos da Instrução Normativa MTE no
empregados sobre o uso diário do
85/2010, em vigor desde 27.07.2010, foi disciplina-
sistema de controle da jornada - Dever
da a fiscalização do Sistema de Registro Eletrônico Durante a verificação física, o AFT deverá co-
de Ponto (SREP), regulamentado pela Portaria MTE lher dos empregados informações sobre o uso diá-
no 1.510/2009, e foi fixado prazo para o critério da rio do sistema de controle da jornada utilizado pelo
dupla visita em relação à obrigatoriedade da utiliza- empregador, bem como orientá-los e dirimir dúvidas
ção do equipamento nela previsto. eventualmente manifestadas, nos termos do inciso
II do art. 18 do Regulamento da Inspeção do Traba-
Assim, neste texto abordamos os procedi- lho (RIT), aprovado pelo Decreto no 4.552/2002.
mentos a serem observados pelos Auditores-Fiscais
Nota
do Trabalho (AFT), na fiscalização dos estabeleci- O inciso II do art. 18 do Decreto no 4.552/2002
mentos que adotam o SREP. dispõe:
“Art. 18. Compete aos Auditores-Fiscais do Tra-
Informamos, ainda, que não obstante as
balho, em todo o território nacional:
disposições tratadas neste texto, o Ministério do
[...]
Trabalho e Emprego (MTE) disponibiliza uma seção
II - ministrar orientações e dar informações e
específica sobre o sistema de registro eletrônico de
conselhos técnicos aos trabalhadores e às pesso-
ponto em seu site www.mte.gov.br, mais especifi- as sujeitas à inspeção do trabalho, atendidos os
camente no endereço http://www.mte.gov.br/pon- critérios administrativos de oportunidade e con-
toeletronico. veniência;
[...]”

2. Critério de verificação dos requisitos


4. Verificação da regularidade dos
do SREP
bancos de horas
Nas fiscalizações efetuadas nos estabeleci-
Deverá ser dada especial atenção à verifica-
mentos que utilizam o controle eletrônico de ponto, ção da regularidade dos bancos de horas, mediante
é obrigatória a verificação dos requisitos do SREP, exame do seu sistema de controle, da previsão e
quando do exame da regularidade dos atributos autorização em instrumento coletivo, bem como
“jornada” e/ou “descanso” e seus impactos nos dos critérios de compensação, prazo de validade e
atributos “salário” e Fundo de Garantia do Tempo quitação ou compensação das horas extraordinárias
de Serviço - “FGTS”. neles consignadas.

CARTILHA TRABALHISTA - Fiscalização - Sistema de Registro Eletrônico de Ponto 1


5. Registrador Eletrônico de Ponto 6. Empregador usuário do SREP -
(REP) - Obrigatoriedade de conter Notificação pelo AFT - Documentos
dados dos empregados do mesmo a serem apresentados
empregador - Exceções O empregador usuário do SREP deverá ser
O AFT deverá atentar para o fato de que cada notificado pelo AFT para a apresentação dos se-
REP somente poderá conter empregados do mesmo guintes documentos:
empregador, excetuados os seguintes casos:
a) Termo de Responsabilidade e Atestado Técnico
a) registro de jornada do trabalhador temporário emitido pelo fabricante do Programa de Tra-
regido pela Lei no 6.019/1974 no REP do to- tamento de Registro de Ponto utilizado pelo
mador de serviços, posto que a subordinação empregador, nos termos do art. 18, e seus
direta por este exercida obriga-o a atender ao parágrafos, da Portaria MTE no 1.510/2009;
disposto no § 2o do art. 74 da CLT em relação b) Termo de Responsabilidade e Atestado Técni-
ao referido trabalhador, sem prática discrimi- co emitido pelo fabricante do REP, nos termos
natória em comparação aos demais emprega- do art. 17, e seus parágrafos, da Portaria MTE
dos; e no 1.510/2009; e
b) empresas de um mesmo grupo econômico, c) Espelho de Ponto Eletrônico emitido pelo Pro-
nos termos do § 2o do art. 2o da Consolidação grama de Tratamento de Registro de Ponto,
das Leis do Trabalho (CLT), que podem deter- nos termos do art. 12 e anexo II da Portaria
minar a consignação das marcações de pon- MTE no 1.510/2009, relativo ao período a ser
to no mesmo REP dos seus empregados que fiscalizado.
compartilhem o mesmo local de trabalho ou
que estejam trabalhando em outra empresa do Nota
mesmo grupo econômico.
Os arts. 12, 17 e 18 da Portaria MTE no 1.510/2009
estabelecem:
Notas
(1) A Lei no 6.019/1974 dispõe sobre o trabalho “Art. 12. O “Programa de Tratamento de Registro
temporário nas empresas urbanas, e dá outras de Ponto” é o conjunto de rotinas informatizadas
providências. que tem por função tratar os dados relativos à
marcação dos horários de entrada e saída, origi-
(2) O § 2o do art. 74 da CLT dispõe: nários exclusivamente do AFD, gerando o relató-
“Art. 74 [...} rio “Espelho de Ponto Eletrônico”, de acordo com
§ 2o - Para os estabelecimentos de mais de dez o anexo II, o Arquivo Fonte de Dados Tratados
trabalhadores será obrigatória a anotação da hora - AFDT e Arquivo de Controle de Jornada para
de entrada e de saída, em registro manual, mecâ- Efeitos Fiscais - ACJEF, de acordo com o Anexo I.
nico ou eletrônico, conforme instruções a serem Parágrafo único. A função de tratamento dos
expedidas pelo Ministério do Trabalho, devendo dados se limitará a acrescentar informações para
haver pré-assinalação do período de repouso. complementar eventuais omissões no registro de
[...]” ponto ou indicar marcações indevidas.”
“Art. 17. O fabricante do equipamento REP de-
verá fornecer ao empregador usuário um docu-
5.1. Identificação do empregado e mento denominado “Atestado Técnico e Termo
de Responsabilidade” assinado pelo responsável
consideração das respectivas marcações
técnico e pelo responsável legal pela empresa,
para o controle de ponto da empresa afirmando expressamente que o equipamento e
empregadora os programas nele embutidos atendem às deter-
Ocorrendo alguma das situações menciona- minações desta portaria, especialmente que:
das nas letras “a” e “b” do item 5 deste texto, o I - não possuem mecanismos que permitam alte-
Programa de Tratamento de Registro de Ponto de- rações dos dados de marcações de ponto arma-
verá identificar o empregado e considerar as respec- zenados no equipamento;
tivas marcações para o controle de ponto da empre- II - não possuem mecanismos que restrinjam a
sa empregadora. marcação do ponto em qualquer horário;

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III - não possuem mecanismos que permitam o conformidade com a Portaria MTE
bloqueio à marcação de ponto; e no 1.510/2009
IV - possuem dispositivos de segurança para im- O AFT deverá verificar se os termos de res-
pedir o acesso ao equipamento por terceiros. ponsabilidade e atestados técnicos referentes aos
§ 1o No “Atestado Técnico e Termo de Responsa- REP e ao Programa de Tratamento de Registro de
bilidade” deverá constar que os declarantes estão Ponto utilizados estão em conformidade com as de-
cientes das conseqüências legais, cíveis e crimi- terminações dos arts. 17 e 18, respectivamente, da
nais, quanto à falsa declaração, falso atestado e Portaria MTE no 1.510/2009.
falsidade ideológica.
§ 2o O empregador deverá apresentar o docu- Nota
mento de que trata este artigo à Inspeção do Tra- Veja a transcrição dos arts. 17 e 18 da Portaria
balho, quando solicitado.” MTE no 1.510/2009 na “Nota” do item 6 deste
“Art. 18. O fabricante do programa de tratamen- texto.
to de registro de ponto eletrônico deverá forne-
cer ao consumidor do seu programa um docu-
mento denominado “Atestado Técnico e Termo 7. Empregador usuário do SREP -
de Responsabilidade” assinado pelo responsável
técnico pelo programa e pelo responsável legal
Fornecimento de arquivos em meio
pela empresa, afirmando expressamente que seu eletrônico - Notificação pelo AFT
programa atende às determinações desta porta- O empregador usuário do SREP deverá ser
ria, especialmente que não permita: notificado pelo AFT para fornecimento dos seguin-
I - alterações no AFD; e tes arquivos, em meio eletrônico:
II - divergências entre o AFD e os demais arquivos
a) Arquivo Fonte de Dados Tratados (AFDT), gera-
e relatórios gerados pelo programa.
do pelo Programa de Tratamento de Registro
§ 1o A declaração deverá constar ao seu término de Ponto, nos termos do art. 12 da Portaria
que os declarantes estão cientes das conseqüên- MTE no 1.510/2009, com o leiaute determina-
cias legais, cíveis e criminais, quanto à falsa decla- do no Anexo I, item 2, relativo ao período a ser
ração, falso atestado e falsidade ideológica. fiscalizado; e
§ 2o Este documento deverá ficar disponível para b) Arquivo de Controle de Jornada para Efeitos
pronta apresentação à Inspeção do Trabalho.” Fiscais (ACJEF), gerado pelo Programa de Tra-
tamento de Registro de Ponto, nos termos do
art. 12 da Portaria MTE no 1.510/2009, com o
6.1. Correspondência entre o equipamento leiaute determinado no Anexo I, item 3, relati-
REP e o Programa de Tratamento vo ao período a ser fiscalizado.
de Registro de Ponto - Verificação
pelo AFT Nota
Veja a transcrição do art. 12 da Portaria MTE no
Deverá ser conferida pelo AFT a correspon- 1.510/2009 na “Nota” do item 6 deste texto.
dência entre o equipamento REP e o Programa de
Tratamento de Registro de Ponto utilizados pelo em-
pregador com os modelos declarados nos termos 8. Registro do modelo de REP utilizado
de responsabilidade e atestados técnicos apresen- pela empresa - Conferência pelo AFT
tados, com observância do nome do fabricante do O registro do modelo de REP utilizado pela
REP, modelo e número da atualização, se houver. empresa deverá ser conferido pelo AFT na página
eletrônica do MTE na Internet.

6.2. Termos de responsabilidade e atestados


técnicos referentes aos REP e ao 9. Modelo do Programa de Tratamento
Programa de Tratamento de Registro de Registro de Ponto e os números
de Ponto - AFT - Verificação de de série dos REP - Correspondência
CARTILHA TRABALHISTA - Fiscalização - Sistema de Registro Eletrônico de Ponto 3
com as informações declaradas pelo 11.1. Relação Instantânea das Marcações -
empregador no Cadastro de Sistema Emissão - AFT - Possibilidade
de Registro Eletrônico de Ponto Havendo necessidade, o AFT poderá emitir a
(Carep) - Verificação pelo AFT Relação Instantânea das Marcações, que o auxiliará
na verificação física, podendo fazer a checagem en-
O AFT deverá verificar se o modelo do Pro-
tre as informações constantes no comprovante do
grama de Tratamento de Registro de Ponto e os nú-
empregado com as da relação instantânea, além do
meros de série dos REP utilizados correspondem às efetivo horário em que o empregado foi encontra-
informações declaradas pelo empregador no Carep do trabalhando.
na página eletrônica do MTE na Internet.

12. Aplicativo disponibilizado


10. REP utilizados pelo empregador - pela Secretaria de Inspeção do
Funcionalidades à disposição Trabalho para uso exclusivo do
dos empregados e da inspeção do AFT - Instrumento utilizado para
fiscalização
trabalho - Verificação pelo AFT
O aplicativo disponibilizado pela Secretaria de
Deverá ser verificado pelo AFT se os REP
Inspeção do Trabalho para uso exclusivo dos AFT é o
utilizados pelo empregador possuem as seguintes instrumento hábil para a validação e o cruzamento
funcionalidades à disposição dos empregados e da de dados entre os arquivos AFD, AFDT e ACJEF.
inspeção do trabalho:

a) emissão e disponibilização do comprovante


para o empregado, por meio de seu livre aces- 12.1. Análise das marcações de ponto para
so ao REP; identificação de eventuais irregularidades
b) impressão da Relação Instantânea das Marca- - AFT - Dever
ções pelo AFT, com todas as marcações efetu- O AFT deverá analisar as marcações de ponto
adas nas 24 horas precedentes; e para identificação de eventuais irregularidades, tais
c) livre acesso, pelo AFT, à porta fiscal para apro- como ausência e/ou redução de intervalos intrajor-
priação dos dados da Memória de Registro de nada e interjornada, realização de horas extras além
Ponto (MRP). do limite legal, horas extras sem acordo, horas ex-
tras sem a remuneração devida ou sem compensa-
ção, não concessão do descanso semanal remune-
rado, entre outros aspectos relativos aos limites da
11. Arquivo-Fonte de Dados (AFD) jornada e respectivos períodos de descanso.
gerado a partir dos dados
armazenados na MRP - Captura pelo
AFT - Objetivo da ação fiscal 12.2. Outras fontes de dados e sistemas
Será capturado pelo AFT o Arquivo-Fonte oficiais além do aplicativo
de Dados (AFD) gerado a partir dos dados arma- disponibilizado pela SIT - AFT -
zenados na MRP, de todos os REP necessários ao Utilização
objetivo da ação fiscal, com ciência do fato de que Para a análise prevista no subitem 12.1, o
os empregados podem registrar ponto em qualquer AFT deverá utilizar, além do aplicativo disponibi-
REP existente na empresa, desde que devidamente lizado pela SIT, outras fontes de dados e sistemas
cadastrados. oficiais.

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13. Descumprimento de qualquer cumentação apreendida para a chefia técnica
determinação ou especificação imediata, que enviará o relatório ao Ministério
Público do Trabalho e a outros órgãos que jul-
constante da Portaria MTE
gar pertinentes.
no 1.510/2009 - Descaracterização
do controle eletrônico de jornada Nota
O descumprimento de qualquer determina- A Instrução Normativa SIT no 28/2002 estabelece
ção ou especificação constante da Portaria MTE no procedimentos para apreensão e guarda de do-
1.510/2009 descaracteriza o controle eletrônico de cumentos, livros, materiais, equipamentos e asse-
melhados por AFT e aprova modelos de Auto de
jornada, pois este não se prestará às finalidades que
Apreensão, Termo de Guarda e Termo de Devolu-
a CLT lhe destina. ção de objetos.

13.1. Infração a qualquer determinação ou 14. Atributos “jornada” e “descanso” -


especificação constante da Portaria Inclusão nas Ordens de Serviço
MTE no 1.510/2009 - Lavratura de auto Deverão ser incluídos nas Ordens de Serviço
de infração pelo AFT os atributos “jornada” e “descanso”, especialmen-
A infração a qualquer determinação ou espe- te para verificação dos impactos de eventuais irre-
cificação constante da Portaria MTE no 1.510/2009 gularidades na saúde e segurança do trabalhador.
ensejará a lavratura de auto de infração pelo AFT,
com base no art. 74, § 2o, da CLT.
14.1. Exceção - Hipótese
Nota A regra do item 14 deste texto poderá ser
Veja a transcrição do § 2o do art. 74 da CLT na 2a
excetuada onde o planejamento da fiscalização for
“Nota” do item 5 deste texto.
com ela incompatível.

13.2. Adulteração de horários marcados


pelo trabalhador ou existência de 15. Obrigatoriedade da utilização do
dispositivos, programas ou sub-rotinas REP nas ações fiscais iniciadas até
que permitam a adulteração dos 25.11.2010 (*) - Observância do
reais dados do controle de jornada critério da dupla visita pelo AFT
ou parametrizações e bloqueios
na marcação - AFT - Adoção de (*) Importante
providências Não obstante a previsão adiante sobre o
Comprovada a adulteração de horários mar- critério da fiscalização por meio de dupla visita do
cados pelo trabalhador ou a existência de dispo- AFT e os respectivos prazos das ações fiscais, con-
sitivos, programas ou sub-rotinas que permitam a forme dispõem este item e os subitens 15.1 a 15.4
adulteração dos reais dados do controle de jornada deste texto, lembramos que o MTE publicou em
ou parametrizações e bloqueios na marcação, o AFT 19.08.2010, a Portaria MTE no 1.987/2010, segun-
deverá tomar as seguintes providências: do a qual foi alterado para 1o.03.2011 o prazo para
o início da utilização obrigatória do REP, previsto no
a) apreender documentos e equipamentos que art. 31 da Portaria MTE no 1.510/2009. Anterior-
julgar necessários para comprovação do ilícito, mente, o prazo estava previsto para a obrigação se
conforme Instrução Normativa SIT no 28/2002;
iniciar em 26.08.2010. Dessa forma, tendo em vista
b) copiar os arquivos eletrônicos que julgar ne- a referida alteração da data do início de vigência da
cessários para comprovação do ilícito; e utilização do REP pelas empresas, os prazos deste
c) elaborar relatório circunstanciado, contendo texto relativos à ação fiscal por ocasião do critério
cópia dos autos de infração lavrados e da do- da dupla visita do AFT poderão ser modificados

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a fim de se adequarem ao novo prazo estipulado 15.1. Dupla visita - Formalização em
pela Portaria MTE no 1.987/2010. Enquanto não for notificação - Fixação de prazo
publicado um ato oficial a esse respeito e, caso a
A dupla visita no período mencionado no
empresa queira se certificar dos critérios que a fisca-
item 15 deste texto será formalizada em notificação
lização trabalhista irá adotar, deverá consultar pre-
que fixará prazo de 30 a 90 dias, a critério do AFT.
viamente o órgão local do MTE. Havendo qualquer
manifestação oficial por parte dos órgãos compe-
tentes sobre o assunto, voltaremos a informar.
15.2. Prazo concedido - Consignação
Deverá ser observado o critério da dupla vi-
nas informações complementares
sita em relação à obrigatoriedade da utilização do
do respectivo Relatório de
REP nas ações fiscais iniciadas até 25.11.2010, nos
termos do art. 23 do RIT. Inspeção (RI)
O prazo concedido deverá ser consignado
Nota juntamente com breve relato da situação encon-
O art. 23 do RIT estabelece: trada nas informações complementares do respec-
“Art. 23. Os Auditores-Fiscais do Trabalho têm o tivo RI no Sistema Federal de Inspeção do Trabalho
dever de orientar e advertir as pessoas sujeitas à (SFIT).
inspeção do trabalho e os trabalhadores quanto
ao cumprimento da legislação trabalhista, e ob-
servarão o critério da dupla visita nos seguintes
casos: 15.3. Regularização não efetuada quanto
I - quando ocorrer promulgação ou expedição de à utilização do REP após o decurso do
novas leis, regulamentos ou instruções ministeriais, prazo fixado - Consequências - AFT -
sendo que, com relação exclusivamente a esses atos, Adoção de medidas cabíveis
será feita apenas a instrução dos responsáveis;
Não havendo a regularização quanto à uti-
II - quando se tratar de primeira inspeção nos lização do REP após o decurso do prazo fixado, o
estabelecimentos ou locais de trabalho recente-
AFT deverá autuar o empregador e elaborar re-
mente inaugurados ou empreendidos;
latório circunstanciado, com cópia dos autos de
III - quando se tratar de estabelecimento ou lo-
infração, a ser entregue para a chefia técnica ime-
cal de trabalho com até dez trabalhadores, salvo
quando for constatada infração por falta de re-
diata, que enviará o relatório ao Ministério Públi-
gistro de empregado ou de anotação da CTPS, co do Trabalho.
bem como na ocorrência de reincidência, fraude,
resistência ou embaraço à fiscalização; e
IV - quando se tratar de microempresa e empresa
de pequeno porte, na forma da lei específica.
15.4. Encerramento da ação fiscal pelo AFT -
Condição para sua ocorrência
§ 1o A autuação pelas infrações não dependerá
da dupla visita após o decurso do prazo de no- O AFT não poderá encerrar a ação fiscal sem
venta dias da vigência das disposições a que se concluir a fiscalização da obrigatoriedade da utili-
refere o inciso I ou do efetivo funcionamento do zação do REP, seja com a regularização ou com a
novo estabelecimento ou local de trabalho a que autuação devida.
se refere o inciso II.
§ 2o Após obedecido o disposto no inciso III, não
será mais observado o critério de dupla visita em
relação ao dispositivo infringido. 16. Dispositivos da Portaria MTE
§ 3o A dupla visita será formalizada em notifica- no 1.510/2009 referentes ao REP -
ção, que fixará prazo para a visita seguinte, na Aplicabilidade - Prazo
forma das instruções expedidas pela autoridade
nacional competente em matéria de inspeção do Os dispositivos da Portaria MTE no
trabalho.” 1.510/2009, referentes ao REP só serão aplicáveis a

6 CARTILHA TRABALHISTA - Fiscalização - Sistema de Registro Eletrônico de Ponto


partir de 1o.03.2011 (*), data de início de sua obri- como 26.08.2010, de acordo com a Instrução Nor-
gatoriedade. mativa MTE no 85/2010.
(Portaria MTE no 1.510/2009, alterada pela
(*) Importante
Portaria MTE no 2.233/2009 e pela Portaria MTE
O referido prazo está de acordo com a Por- no 1.001/2010; Portaria MTE no 1.987/2010; Instru-
taria MTE no 1.987/2010. Recorda-se que o prazo ção Normativa MTE no 85, de 26.07.2010 - DOU 1
anterior para início de vigência da obrigação estava de 27.07.2010)

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