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::Ensaio – Amazônia: Ciência e Meio Ambiente::

SUMÁRIO

Antes do primeiro ato


Expediente
01 JORNAL PESSOAL: ABORDAGEM SOBRE OS GRANDES PROJETOS
NA AMAZÔNIA - Isabela Patrazana, Ketlyn Feitosa e Tarcya Amorim

02 - BELO MONTE: JORNALISMO CIENTÍFICO E AMBIENTAL E A


RELAÇÃO COM A ÉTICA E CIDADANIA - Jéssica Shikama e Paula Suzana

03 - HIDRELÉTRICA NA AMAZÔNIA: IMPLANTAÇÃO DE GRANDES


PROJETOS E SUAS CONSEQUÊNCIAS NUM ESPAÇO URBANO –
Karolinni Guimarães Ranieri e Thallis Pereira Ferreira

04 - INFORMAÇÃO CIENTÍFICA: A EXPERIÊNCIA DA REVISTA


AMAZÔNIA - CIÊNCIA & DESENVOLVIMENTO - Carla Santos, Cláudia
Bagata e Michelle Daniel

05 – COMUNICAÇÃO ORGANIZACIONAL E CIENTÍFICA: O MODELO DA


EMBRAPA AMAZÔNIA ORIENTAL - Rodolfo de Oliveira

06 - NAVEGAPARÁ: A TECNOLOGIA DE INCLUSÃO DIGITAL NO PARÁ -


Denise da Conceição Soares e Andrea Ramos Virgínio

07 - DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA - PERDAS E FRACASSOS PODEM


INFLUENCIAR NO APARECIMENTO DO CANCER - Andressa Gonçalves da
Silva e Ísis de Mello Neto

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Universidade da Amazônia
Centro de Estudos Sociais Aplicados (CESA)
Curso de Comunicação Social

::Ensaio – Amazônia: Ciência e Meio Ambiente::

Exercício da Disciplina: Jornalismo Científico e Ambiental


Rogério Almeida – Docente

Capa – uma gentileza de Juliana Borges – MG


http://peledaterra.blogspot.com/

Antônio Vaz Pereira


Reitor

Roberto Alcântara
Diretor do CESA

Zenilda Botti Fernandes


Coordenação Pedagógica

Alda Costa
Coordenadora do Curso de Comunicação Social

Vânia Torres
Coordenadora Adjunta do Curso de Comunicação Social

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::Ensaio – Amazônia: Ciência e Meio Ambiente::
>Antes do primeiro ato<

O vocábulo Ensaio tem um conjunto de horizontes de interpretação. No universo


literário pode ser uma produção de caráter curto, com textos com intenção poética ou
didática. Ou uma abordagem sobre um ponto de vista de caráter humanista do campo da
filosofia, história, crítica literária ou política. Ortega y Gasset o define como ciência
sem prova explicita.
No berço do Século XVIII o gênero tomou de assaltou a seara do jornalismo
inglês. Já a História o deu excelente acolhida. A ambição do Ensaio não reside em
comprovar alguma verdade ou a empáfia da palavra definitiva sobre determinado tema.
Não se trata de uma produção que demanda um tempo mais prolongado para ser
concluída.
Embora sem grandes pretensões, o relato ensaístico não implica na ausência do
compromisso com o conhecimento. Francis Bacon, George Orwell, Aldous Huxley e
Antero de Quental estão no elenco de grandes ensaístas. No Brasil são notabilizadas
obras de autores do quilate de Benedito Nunes, Celso Furtado, Hipólito da Costa, Hélio
Jaguaribe e Sérgio Buarque de Holanda.
Pessoas, luzes, vozes, falas, figurino, música e adereços compõem o cenário do
Ensaio no teatro. Eis o enfoque que o presente exercício deve ser compreendido, como
uma fase que espera alcançar a excelência, e que ainda exige vários passos, maturação e
labuta. Ensaio – Amazônia: Ciência e Meio Ambiente reúne sete artigos com temáticas
amazônicas.
A publicação é fruto de um exercício para obtenção da primeira avaliação do
semestre da disciplina Jornalismo Científico e Ambiental, ministrada por Rogério
Almeida1, na Universidade da Amazônia (UNAMA). A matéria integra a grande do
derradeiro período do Curso de Comunicação Social, habilitação em Jornalismo. Os sete
artigos que dão vida à revista eletrônica envolve alunos\as de duas turmas do 8º período.
Uma do turno diurno e outra do noturno. Apenas os trabalhos com nota superior a seis

1
Mestre em planejamento pelo Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (NAEA), da Universidade Federal do Pará
(UFPA).

4
integram a publicação.
A empreitada que durou cerca de dois meses consistiu em dois passos. O
primeiro numa revisão de artigos dos pesquisadores Wilson da Costa Bueno, Anelise
Rubleski, Fabíola de Oliveira e do jornalista Marcelo Leite. O segundo passo residiu na
escolha do tema a ser abordado, levantamento de informação e a produção do artigo.
Além dos autores acima, outras fontes foram usadas.
É comum na presente fase a competição do tempo dos discentes com o estágio, a
busca por um posto no mercado de trabalho, sem falar na exigência da produção do
trabalho de conclusão de curso. O conjunto de atividades, em certa medida, colabora
num produto final com alguns limites, mas não compromete o resultado final.
A ambição do exercício reside em motivar o grupo de alunos\as a participar do
Encontro Nacional de Jornalismo Científico, agendado para o segundo semestre do ano
de 2011, a ser realizado em Belém. Alguns trabalhos estão bem encaminhados, outros
ainda carecem de uma carpintaria. Mas, o passo inicial foi dado. E, como diz a poética
pernambucana, Chico Science: Um passo à frente e você não está mais no mesmo lugar.
Não estão mais no mesmo lugar Tarcya Amorim, Isabela Patrazana e Ketlyn
Feitosa. As jovens realizaram uma análise sobre a cobertura dos grandes projetos, em
particular a recente construção das eclusas da Hidrelétrica de Tucuruí, erguida no rio
Tocantins, no sudeste do Pará, no município homonômico. As discentes tomaram como
referência matérias da publicação alternativa Jornal Pessoal, editada pelo jornalista
Lúcio Flávio Pinto. O periódico editado a mais de duas décadas é uma referência sobre
as questões da Amazônia.
Trilha semelhante segue o artigo assinado pela Jéssica Shikama e Paula Suzana.
As futuras jornalistas tratam sobre ética e cidadania sobre o projeto de construção da
hidrelétrica de Belo Monte. Trata-se de um projeto que existe desde a década de 1970,
para a região do Xingu, sudoeste do estado. O mesmo mobiliza posições bem definidas
contra e a favor. Hoje o tema hegemoniza a pauta sobre projeto de desenvolvimento
para a região em fóruns locais, nacionais e mundiais.
Karolinni Guimarães e Thalis Pereira se debruçaram numa pequena revisão
bibliográfica sobre os impactos da hidrelétrica de Tucuruí no espaço urbano. O artigo
sinaliza para o processo desigual da apropriação da renda, do espaço e do território que
essa modalidade de empreendimento instala na região. A cidade empresa (company
town) e a realidade do entorno dos grandes projetos dá visibilidade da segregação na
configuração espacial.

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Amazônia: Ciência e Desenvolvimento é uma publicação cientifica de
responsabilidade do Banco da Amazônia (BASA), que se encontra em sua 10ª edição. A
mesma contempla em suas páginas artigos que buscam compreender as realidades que
conformam a região. Em seu conselho editorial constam pesquisadores locais e de além
rio-mar. A análise sobre a revista foi uma obra de Carla Santos, Cláudia Bagata e
Michelle Daniel.
Já Rodolfo de Oliveira investigou as estratégias e ferramentas adotadas pela
assessoria de comunicação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa)
Amazônia Oriental. O discente privilegia os aspectos organizacionais do setor. O autor
sublinha que a Embrapa Amazônia Oriental busca repassar a partir de produtos
comunicacionais os valores de excelência em pesquisa e gestão, responsabilidade
socioambiental, ética, respeito à diversidade e à pluralidade, comprometimento e
cooperação como características da empresa.
A era em que vivemos é celebrado como a era da informação. Os meios de
comunicação tendem a ocupar o centro de gravidade do mundo contemporâneo. Muitas
das vezes a tecnologia tem se tornado um fetiche. Mas, como analisar e discutir a
questão numa região que ainda é periférica? Denise da Conceição e Andréa Ramos
realizam um esforço em compreender um projeto do governo do Pará de inclusão
digital, o NavegaPará. Indicam as linhas gerais do mesmo e alguns limites, sem antes
pinçarem aspectos sociais e econômicos que dão musculatura para as realidades
econômicas, políticas e sociais do estado.
Por fim, mas, não menos importante o artigo de Andressa Guimarães e Ísis
Mello divulgam a pesquisa da professora da Universidade Estadual do Pará (UEPA)
Oneli Gonçalves. A investigação de Gonçalves residiu em analisar os impactos da
personalidade e da história de vida das mulheres pacientes de câncer no Hospital
Brigadeiro, de São Paulo. Constatou que a personalidade e história de vida das mulheres
tem relação com o desenvolvimento da doença.
Ao cabo do primeiro passo 15 alunos\as cá estão presentes. Cada um a seu estilo,
inclinação e energia empregadas apresentam as suas produções para a leitura, análise e
crítica.

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Universidade da Amazônia
Centro de Estudos Sociais Aplicados (CESA)
Curso de Comunicação Social

::Ensaio – Amazônia: Ciência e Meio Ambiente::

Exercício da Disciplina: Jornalismo Científico e Ambiental


Rogério Almeida – Docente

Capa – uma gentileza de Juliana Borges – MG


http://peledaterra.blogspot.com/

Relação dos discentes por turma e turno

::8JLM11- Diurno::

Jéssica Shikama e Paula Suzana


Karolinni Guimarães e Thalis Pereira
Carla Santos, Cláudia Bagata e Michelle Daniel
Denise da Conceição e Andréa Ramos
Rodolfo de Oliveira

::8JLN11 – Noturno::

Tarcya Amorim, Isabela Patrazana e Ketlyn Feitosa


Andressa Guimarães e Ísis Mello

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JORNAL PESSOAL: ABORDAGEM SOBRE OS GRANDES PROJETOS NA
AMAZÔNIA

Isabela Patrazana2
Ketlyn Feitosa3
Tarcya Amorim4

Resumo: Este artigo tem como objetivo mostrar elementos do jornalismo científico-
ambiental realizado pelo jornalista Lúcio Flavio Pinto, através do jornal quinzenal, o
“Jornal Pessoal”, relatando como é feita a abordagem sobre a temática dos grandes
projetos na Amazônia. O artigo analisa duas edições do mês de novembro (2ª quinzena)
e dezembro (1ªquinzena) do ano de 2010 que tratam sobre a Hidrelétrica de Tucuruí.

Palavras chave: Jornal Pessoal, Grandes Projetos, Jornalismo Científico e


Ambiental

Introdução

A prática jornalística tem diversas especialidades, entre elas estão os assuntos de


caráter policial, cultural, esportivo, ambiental entre outros. Essas especialidades ajudam
o leitor a organizar seu entendimento sobre as notícias, selecionando aquilo que mais o
interessa, além de proporcionar melhor qualidade na informação. Em teoria, o
jornalismo especializado exige um maior preparo e cuidado na fase de apuração e
escrita sobre os assuntos específicos. Os autores que tratam do científico ressaltam os
desafios que o jornalista que opta pelo segmento vai enfrentar em diferentes frentes.

2
Estudante de Comunicação Social-Jornalismo pela UNAMA (Universidade da Amazônia). email:
isapatrazana@gmail.com
3
Estudante de Comunicação Social-Jornalismo pela UNAMA (Universidade da Amazônia). email:
ketlyn.feitosa@gmail.com
4
Estudante de Comunicação Social-Jornalismo pela UNAMA (Universidade da Amazônia). email:
tarcyamorim@gmail.com

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Grandes transformações nos campos da ciência e tecnologia marcaram as duas
últimas décadas. O que tornou ainda mais abrangente e complexo o campo do
jornalismo científico. O conjunto de pautas contempla ciências exatas, humanas,
humanas aplicadas, tecnologia de ponta, meio ambiente ou ecologia. Essas
especializações lidam com informações específicas sobre a produção de conhecimento
científico, temáticas que parecem infinitas e complexas, e mobilizam interesses de
variados campos (econômico, político e pessoal). Tal cenário exige do jornalista um
espirito de profissionalização, zelo com as informações, e uma dedicação na produção
da informação deste segmento.
O Jornalismo Cientifico é uma modalidade de jornalismo especializado. Anelise
Rublescki (2008) ao definir o Jornalismo Científico, tradução do scientific journalism
usual na literatura americana e inglesa, esclarece que é “a prática específica da
imprensa de divulgação de informações especializadas sobre novas tecnologias,
descobertas científicas, pesquisas aplicadas em áreas que vão da saúde às exatas,
passando pelas humanas e pelo meio ambiente.”
Ao informar as notícias, de alguma maneira, essas informações interferem no
cotidiano das pessoas e na forma de viver em sociedade. Portanto, o jornalista adquire
uma nova responsabilidade: a de garantir a qualidade da informação publicada, não só
precisa atentar para a informação que está publicando, como deve ter a consciência de
que aquilo que publica tem uma relevância social.
As rápidas inovações nas ciências e tecnologias induziram que o Jornalismo
Científico galgasse mais espaço, seja em veículos especializados ou convencionais. A
importância de informar a população sobre as inovações tecnológicas e aspectos
científicos que aprimoram e trazem uma evolução social é vista como indispensável
para a formação do pensamento crítico populacional. Entretanto, segundo Rublescki
(2008), “nas coberturas de ciência e tecnologia, a (aparente) neutralidade do texto do
repórter é, na realidade, a voz da fonte. Um único ponto de vista; fragmentos de um
estudo, de um grupo de pesquisadores, de um profissional”. Isto que dizer que há uma
monofonia na apuração e na escolha das fontes nesta modalidade de jornalismo. O
aspecto é considerado uma característica negativa. As pautas costumam utilizar as
referências em determinado campo do saber, as mesmas personalidades, não mostrando
um contraponto nas entrevistas, o que contraria uma característica do jornalismo, a
polifonia.
Bueno (2003) ao tratar sobre o cenário da produção do jornalismo científico

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salienta a necessidade do mesmo colaborar para a amplificação da democracia e da
cidadania, num país marcado por grandes desigualdades sociais. Ao revisar o contexto
do Jornalismo Cientifico tanto em países desenvolvidos, quanto em países periféricos,
alerta para a presença sistemática de lobbys de grandes empresas sobre os meios de
comunicação. E chama atenção ainda para a delicada relação entre pesquisadores,
universidades e empresas na produção do conhecimento. Em particular as empresas do
setor de farmácia. Sobre tal horizonte Bueno (2003: p.01) analisa que:

Uma análise mais acurada desta presença na mídia revela, no entanto, que nem
sempre o tom das manchetes destaca o caráter emancipador da ciência e da
tecnologia; pelo contrário, alimenta suspeitas contra empresas, universidades e
mesmo cientistas, acusados de privilegiarem, na produção e na divulgação de
suas pesquisas, interesses políticos, econômicos, comerciais ou pessoais.

Por isso, há um questionamento significativo nas matérias jornalísticas sobre


C&T e o papel do jornalista é fundamental, pois ele precisa entender a função exata do
trabalho que exerce, ou seja, o papel de qualquer jornalista é fazer pensar, criar reflexão
nas reportagens. O Jornalismo Científico não deve ser informado como um almanaque
de curiosidades, mas ser informação básica com direito dos cidadãos, (LEITE: 2005).
Os desafios para a produção de tal modalidade de jornalismo são hercúleos.
Passa pelos setores de interesses das grandes empresas, a precarização do trabalho nas
redações, a melhor qualificação dos profissionais, a não importância para a produção do
conhecimento no país e o analfabetismo - funcional ou não -. Apesar dos limites, nos
últimos vinte anos o jornalismo científico cresceu no Brasil, houve a consolidação da
pesquisa científica e o surgimento de revistas, programas e jornais especializados. E este
fato está diretamente ligado ao desenvolvimento da sociedade. Segundo Fabíola de
Oliveira (2002), a divulgação científica, por meio do jornalismo, está relacionada com a
cidadania, pois quando a ciência é traduzida para a massa, essas pessoas são inseridas na
cultura da ciência, assim entendem e conseguem ver qual a importância da ciência em
suas vidas.
Fabíola Oliveira (2002) pondera sobre a necessidade de incrementar a produção
do Jornalismo Científico, e alerta sobre pesquisas que apontam a demanda por
publicações nesse gênero ser cada vez maior e, infelizmente, aquelas já existentes
atingem apenas uma parcela restrita da sociedade. E fazer com que a ciência e a
tecnologia cheguem a mais pessoas é muito importante, pois essa área tem
consequências em diversas partes da sociedade, como em áreas comerciais, estratégicas

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e na saúde pública.
Conforme (Oliveira, 2002) as publicações na área do jornalismo científico
acarretam na socialização do processo de conhecimento, assim como sobre os
investimentos que são feitos em pesquisas que vêm dos cofres públicos, que por sua vez
tem origem no pagamento de impostos por parte da população. As pessoas têm o direito
de saber o que está acontecendo nessas áreas, e ter uma visão mais clara desses
acontecimentos é uma das possibilidades das publicações jornalísticas.
Na Amazônia o cenário fica ainda mais complexo pelo fato da condição
periférica, os níveis de informação escolar, às áreas sem cobertura de energia elétrica ou
acesso à rede mundial de computadores, sem falar no baixo investimento em ciência e
tecnologia dos órgãos públicos em diferentes níveis, que não ultrapassa a casa de 1%.
Sem tocar nos processos sociais e econômicos de integração da região ao resto do país,
que a tem consolidado como uma exportadora de matéria de prima e uma elite, - assim
como as nacionais, - marcada pelo patrimonialismo.
Nesse sentido, o trabalho apresentado faz um relato da publicação Jornal Pessoal
(JP), uma iniciativa do jornalista Lúcio Flávio Pinto5. Política, ciência e meio ambiente
integram as laudas do impresso que trata essencialmente de temáticas amazônicas. Para
tanto é necessário realizar um breve histórico a respeito do jornal selecionado.

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Lúcio Flávio Pinto é considerado a maior autoridade jornalística sobre a Amazônia. Tem 15 livros publicados e já
participou de inúmeras coletâneas. Trabalhou nos principais veículos de comunicação do país, entre eles o Estado de
São Paulo, por 17 anos. A obra de Pinto tem sido uma fonte de pesquisa nos mais diversos campos de pesquisa. O
reconhecimento do trabalho se traduz nas premiações que o mesmo já recebeu: ESSO por seis vezes, dois Fenaj, da
Federação Nacional dos Jornalistas. Em 1988 o Jornal Pessoal foi considerado a melhor publicação do Norte e
Nordeste, pelas abordagens jornalística política e investigativa que faz sobre a Amazônia. Em 1997, ganhou o prêmio
Colombe d'Oro per la Pace, dado anualmente pela organização não governamental italiana Archivio Disarmo a
personalidades e órgãos de imprensa que tenham uma contribuição significativa na promoção da paz. Em 2005, foi
premiado com o Internacional Press Freedom Award, da organização nova-iorquina Committe to Protect
Journalists (CPJ), dado a jornalistas que tenham se destacado na defesa da liberdade de imprensa. Colaborou com
várias publicações consideradas alternativas no período da ditadura (1964-1985), entre elas o “Resistência”, editado
pela Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH). O interesse público é o norte de sua obra, e que
por isso tem contrariado os mais variados setores. Por denunciar desvio de verba pública, grilagem de terras e
deslizes do judiciário coleciona processos de políticos, agentes do judiciário, empresários e grileiros de terras. Por
conta de uma matéria foi agredido fisicamente em espaço público por Ronaldo Maiorana, um dos executivos das
Organizações Rômulo Maiorana (ORM), que repete o sinal da TV Globo. Além de TV as ORM controlam TV aberta,
a cabo, rádios AM e FM e os jornais O Liberal e o Amazônia Jornal. O jornalista trabalhou no jornal O Liberal
quando o patriarca da família ainda era vivo. José de Souza Martins, sociólogo da USP é um dos intelectuais com
quem mantém correspondência. Em 1990 Fabíola Imaculada de Oliveira defendeu a dissertação de mestrado na
ECA\USP Jornalismo científico e a Amazônia: estudo de quatro jornais brasileiros. O Jornal Pessoal foi um dos casos
estudados. Já em 2008 Maria do Socorro Furtado Veloso defendeu também na ECA\USP a tese Imprensa, poder e
contra-hegemonia na Amazônia: 20 anos do Jornal Pessoal (1987-2007), sob a orientação do professor Laurindo Leal
Filho.

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Histórico Jornal Pessoal

O “Jornal Pessoal” é uma publicação paraense que circula somente em Belém


desde setembro de 1987. Feito por uma única pessoa, o jornalista e sociólogo Lúcio
Flávio Pinto, que apesar de não ser jornalista por formação acadêmica exerce a função
desde 1966. Após trabalhar nos jornais “Província do Pará” e “O Liberal”, como
correspondente especial do “Estado de São Paulo” e no carioca “Diário da Manhã”,
decidiu pela criação do JP. Em inúmeras matérias já explicou a gênese do jornal.
Ninguém queria publicar uma grande reportagem sobre a execução do advogado
militante dos direitos humanos e do PC do B, defensor de posseiros, Paulo Fonteles, por
conta dos laços dos suspeitos na encomenda do crime com a elite local. Desde o
primeiro número o JP busca contemplar uma agenda de debates sobre temas que a
grande imprensa não privilegia sobre a região.
O jornal quinzenal não tem anúncio, possui 12 páginas em formato A4, com
tiragem de dois mil exemplares por edição, totabilizando a venda de quatro mil
exemplares mensalmente. A única ajuda que Lúcio Flávio recebe é a de seu irmão, Luiz
Pinto, para a diagramação e ilustrações do jornal. O jornalista afirma que “O Pessoal”
não vende espaço publicitário para que não haja nenhuma veiculação que possa limitar
sua liberdade de expressão.

“O Jornal Pessoal nega a forma-mercadoria-notícia, que faz das pessoas meras


consumidoras. Desde seu nascimento, em setembro de 1987, se dedica a fazer
um jornalismo cidadão na Amazônia. Por meio de análise crítico-reflexiva, os
textos de Lúcio Flávio Pinto perseguem de forma cabal o sentido público da
informação por meio da denúncia, da publicação dos fatos sociais, do
metajornalismo” (Célia Amorim, Observatório da Imprensa).

Em 2010 o JP passou a ser veiculado na internet, porém sua edição via online
são postadas somente após serem veiculadas no jornal impresso. O ambiente político do
estado e da capital, os grandes projetos instalados no Pará e demais unidades que
integram a Amazônia, as tensões na luta pela terra são as pauta do jornal. Essas pautas
estão inseridas na prática do jornalismo ambiental, como também envolve assuntos de
política, economia e ciência, temas estes interligados que abordam uma região que
padece com a exploração de suas riquezas naturais desde os primeiros colonizadores.
Exploração que ganhou maior proporção com as políticas de integração iniciada com o
governo Vargas, e musculatura com o regime de exceção (1964-1985).
A Amazônia é a maior região florestal e hidrográfica do mundo, definida pela

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bacia do rio Amazonas e coberta em grande parte por floresta tropical, corresponde 60%
do território nacional. Estende-se das margens do Oceano Atlântico no leste, até o sopé
da Cordilheira dos Andes no oeste, espalha-se pelas Guianas, Venezuela, Colômbia,
Equador, Peru e Bolívia, perfazendo aproximadamente seis milhões de km2. Rica em
reservas minerais como ferro, cobre, manganês, alumínio, níquel, urânio, ouro,
diamante, possui o mais forte potencial biológico do mundo com recursos alimentares,
médicos, energéticos e materiais, como a madeira das árvores. Por isso é objeto de
cobiça dos mais variados campos e redes econômicas, políticas e sociais em escalas
regionais, nacionais e mundiais.
Muitos projetos são idealizados e trazidos de forma desordenada, causando
sérias degradações ambientais e socioeconômicas. E nesse contexto que Lúcio Flávio
utiliza o meio comunicacional como uma das formas (se não a única forma) de alertar a
sociedade sobre as consequências do modelo de desenvolvimento imposto para a região.
Pequena análise do Jornal Pessoal

Apesar do “Jornal Pessoal” discutir diversos assuntos ligados à região


amazônica, nos ateremos na temática grandes projetos, mas especificamente as matérias
relacionadas Hidrelétrica de Tucuruí6, nas edições do mês de novembro (1° quinzena) e
dezembro (2°quinzena), com os títulos respectivamente: “Eclusas: grandes, mas nem
tanto” e “Amazônia que morre”.
Na primeira quinzena de novembro o jornalista interpreta a respeito da
inauguração das Eclusas7 de Tucuruí, onde faz um rápido histórico a respeito da
hidrelétrica, mostrando que no projeto original não havia sido planejado as eclusas,
sendo acrescentada só após quatro anos da sua construção.
Relata também a inviabilidade identificada no projeto, além do valor exorbitante
destinado para a sua construção, entretanto a produção energética não ficará em nossa
região, Lúcio afirma que: “ao invés de servir ao desenvolvimento interno, criando

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A UHE de Tucuruí é a maior hidrelétrica genuinamente nacional e foi erguida no rio Tocantins há 26 anos para
alimentar com energia subsidiada empresas de produção de alumínio no Pará, Albrás e Alunorte, do grupo Vale e a
Alumar, no Maranhão, da estadunidense Alcoa. 75% da produção de energia de Tucuruí vão para a exportação e o
estado possui uma das tarifas domésticas mais caras do país. A potência instalada de Tucuruí é de 8,3 mil megawatts
e é localizada no município homônimo, no sudeste do Pará, no rio Tocantins (ALMEIDA, 2009).
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Uma eclusa ou comporta é uma obra de engenharia hidráulica que consiste numa construção que permite que
barcos subam ou desçam os rios ou mares em locais onde há desníveis (barragem, quedas de água ou corredeiras).
Eclusas funcionam como degraus ou elevadores para navios: há duas comportas separando os dois níveis do rio.
Quando a embarcação precisa subir o rio ela entra pela comporta da eclusa à jusante e fica no reservatório (ou
caldeira), que é, então, enchido com água elevando a embarcação para que possa atingir o nível mais alto, à montante
(http://pt.wikipedia.org/wiki/Eclusa).

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efeitos germinativos locais, se tornará mais uma via de escoamento de commodities8
para o exterior, no modelo colonial de exploração da Amazônia”. Deixando-nos apenas
os impactos com a retirada das riquezas da Amazônia.
Na segunda quinzena de novembro Lúcio Flávio relembra a apuração das
informações feita na época em que estava sendo construída a Hidrelétrica de Tucuruí
(1975\1984). Relata que foi um crítico constante sobre a construção deste grande
projeto, observa-se que ele ouviu a todos e fez suas próprias análises da situação,
informando que a maioria acreditava no desenvolvimento da região. No entanto a região
tem compartilhado somente os aspectos negativos de tais projetos, enquanto as benesses
são socializadas em outros rincões.
O jornalista analisa os impactos que as populações locais sofrem, como os
processos de reassentamentos. Tais efeitos tendem a romper com formas de
solidariedade, amizade, relação com a natureza e transferência de conhecimento
considerado tradicional. Muitas das vezes as condições de reprodução social, econômica
e política das populações afetadas não são reproduzidas. A segurança alimentar fica
comprometida, como no caso de Tucuruí, marcado pela redução do pescado e a
inundação da floresta. E agora com as eclusas as embarcações dos pescadores artesanais
estão impedidas de navegar.
Os relatos do jornalista do JP sinalizam que o modelo de desenvolvimento para a
Amazônia tem a condenado ao atraso, a mera exportadora de matérias primas. Soma-se
a isso uma elite nacional e local mobilizadas para a manutenção de privilégios, em
detrimento do interesse público.
Consideração derradeira
Nem sempre as especialidades escolhidas são fáceis, um exemplo claro são as
modalidades cientifica, político ou ambiental. Essa modalidade de jornalismo encontra
dificuldade de informações e espaço para veiculação de suas pautas. Neste contexto
amazônico o Jornal Pessoal se consolidou como uma referência de debate do interesse
público, como fonte de pesquisa sobre os ambientes científicos, econômicos, sociais e
políticos do estado e da agenda local não contemplada nos grandes meios de
comunicação. Sejam eles locais ou não.
A excelência do trabalho pode ser traduzida pelas pesquisas que o mesmo já

8
Commodity é um termo de língua inglesa que, como o seu plural commodities, significa mercadoria, é utilizado
nas transações comerciais de produtos de origem primária nas bolsas de mercadorias
(http://pt.wikipedia.org/wiki/Commodity).

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suscitou como objeto de investigação em universidades como a ECA\USP, os prêmios
nacionais e internacionais, a participação do editor em inúmeros fóruns de diferentes
vernizes que incentivam o debate sobre a região.

Bibliográficas

ALMEIDA, R. Geração de energia na Amazônia- caso de Estreito em questão. In


Pororoca pequena: marolinhas sobre a(s) Amazônia(s) de cá.
http://pt.scribd.com/doc/36864652/Novo-PDF-Pororoca2. Visualizado em 15 de abril de
2011, p 31 a 43.

BUENO,W. Jornalismo Científico, lobby e poder. In DUARTE, J & BARROS, T.


(ORG) COMUNICAÇÃO PARA CIÊNCIA, CIÊNCIA PARA COMUNICAÇÃO.
Embrapa, Brasília-DF, 2003.
Jornal Pessoal. Encontrado em: <http://www.lucioflaviopinto.com.br/?p=1715> último
acesso em 10/04/2011.
Jornalismo Científico. Encontrado em: <http://www.jornalismocientifico.com.br>
último acesso em 03/04/2011.
OLIVEIRA, Fabíola de Oliveira. “Jornalismo Científico”. 2. ed., 1ª reimpressão. São
Paulo: Contexto, 2007.
Observatório da Imprensa
<http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=513IMQ006> Por Anelise
Rublescki em 25/11/2008
Ecodebate <http://www.ecodebate.com.br/2011/03/31/desenvolvimento-para-a-
amazonia-%E2%80%93-os-grandes-projetos-como-discurso-unico-artigo-de-rogerio-
almeida/ > último acesso dia 11/04/2011
Observatório da Imprensa
< http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=500FDS009> Por Célia
Amorim em 26/8/2008
LEITE, Marcelo. O papel do jornalista científico e ambiental. 7 de Junho de 2005

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BELO MONTE: JORNALISMO CIENTÍFICO E AMBIENTAL E A RELAÇÃO
COM A ÉTICA E CIDADANIA

Jessica Shikama9
Paula Suzana10

Resumo: O presente artigo é um fragmento de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC)


sobre o projeto de construção da hidrelétrica de Belo Monte, projetada para ser instalada
no rio Xingu, sudoeste do Pará. O mesmo faz uma pequena inflexão sobre o Jornalismo
Científico, ética e a cidadania.

Palavras chave: Amazônia, Jornalismo Cientifico e Meio Ambiente

Introdução
Nas últimas décadas o mundo vem passando por uma série de transformações
em vários campos: ciência, política, tecnologia, social, cultural, comunicação,
econômico e ambiental. Os fenômenos naturais que resultam em catástrofes e atingem a
vida humana ou até mesmo por impactos ambientais causados pelo homem, têm
colocado o tema ambiental num fórum privilegiado de debates locais, nacionais e
internacionais. Entre as pautas elencadas sobre o tema é comum encontrar: seca,
queimada, enchente, degelo, desmatamento e o aumento de temperatura do planeta.
A partir de tal contexto o jornalismo em uma de suas vertentes o jornalismo
cientifico e ambiental se faz emergente nos conceitos da comunicação social. Este
jornalismo deve buscar de forma democrática, ética e cidadã, apresentar as questões
científicas e ambientais de interesse da sociedade, e que possa influenciar em medidas
com relação ao modelo de desenvolvimento adotado pelos países.
Trigueiro (2005: p. 288) alerta que meio ambiente ainda é uma questão periférica
na agenda da grande mídia, porque não alcançou o sentido mais amplo, que extrapola
a fauna e a flora.
“Meio ambiente é o complexo de relações, condições e influencias
que permitem a criação e a sustentação da vida em todas as suas
formas. Ele não se limita apenas ao chamado meio físico ou biológico
(solo, clima, ar, flora, fauna, recursos hídricos, energia, nutrientes, etc)
mas inclui as interações sociais, a cultura e expressões/ manifestações
que garantem a sobrevivência da natureza humana (política,
economia, etc)”. (BUENO, 2007, p.33)

9
Estudante de Comunicação Social – Jornalismo da Universidade da Amazônia (UNAMA). Email:
jessykshikama@hotmail.com
10
Estudante de Comunicação Social – Jornalismo da Universidade da Amazônia (UNAMA). Email:
paulasuzana_jlm@hotmail.com

16
O principal desafio e que pode ser considerado uma ambiguidade a ser
enfrentada dentro dessa especialidade do jornalismo, está relacionada com o próprio
conceito de jornalismo ambiental, no qual nota-se a imagem de meio ambiente como
algo distante da realidade que nos cerca, um elemento restrito as florestas, os animais e
outros.
Falar de meio ambiente também é jornalismo cientifico. Ao escrever sobre
ciência ambiental, levantam-se questões complexas. Além da questão da pauta há
também os elementos que compõem a noticia, como os dados oficiais que são
considerados de difícil acesso, como noticiar desmatamento na Amazônia sem dados
precisos ?
Lima (2011) alerta que o jornalismo científico e ambiental não deve ser
entendido como aquele noticiário comum dos jornais, revistas, rádios e estações de TV
que, embora centralizados, às vezes, em questões comuns e corriqueiras, não revela o
cuidado necessário no trato dos detalhes que se prendem a questões científicas. Como
resultado disto, transmite ao público noções falsas e equivocadas, muitas vezes em
prejuízo da saúde, do bem-estar e da própria segurança do cidadão em particular e da
comunidade em geral.
O jornalismo científico deve ser entendido como uma prática mediadora do
social um papel informativo/disseminador de informações. Para Marcelo Leite ele não é
um almanaque de curiosidade, mais sim, uma forma de informações básicas para que o
cidadão questione e exerça seus direitos, isso porque, a imprensa sabe que não existe
informação neutra e objetiva, já que as características são de responsabilidades do
emissor.
O jornalismo científico está sujeito a atos corriqueiros, como qualquer outra
modalidade de jornalismo. Além da pressão do tempo, de práticas profissionais e
normas empresarias de um jornal, o jornalista precisa levar em conta o desenvolvimento
do jornalismo em noticiar em tempo real (a internet), e a limitação de espaço no
jornalismo impresso.
Bueno (1984: p.48) adverte que é forçoso reconhecer que o jornalista científico,
premido pela pressão do tempo, encontra obstáculos na sua tarefa de comunicar o
público os temas ligados a Ciência e Tecnologia. Muitas vezes, pela insensibilidade dos
editores, vê-se obrigado tratar de um assunto de forma demasiado superficial.

Uma utopia de qualquer editoria de jornal, não apenas do jornalismo científico,

17
seria que as matérias fossem apenas de procedência de entrevistas e coleta de dados
produzidos pelo próprio repórter, baseada em vastas pesquisas, a partir de inúmeros
pesquisadores, num universo diversificado de bibliotecas e centros de investigação.
Problemas ambientais – aspectos conceituais globais
Percebe-se que os problemas ambientais intensificaram-se a partir do mundo
industrializado, pois, com o modelo de desenvolvimento intensivo no uso dos
recursos naturais, vieram as consequências sobre o meio ambiente. As mesmos a
cada dia inquietam especialistas de um leque de ciências.
A industrialização foi e continua sendo a causa de graves impactos sociais e
ambientais. As empresas orientadas a partir da busca incessante por lucro, novos
mercados e no uso incessante dos recursos da natureza no contexto da globalização,
tem gerado consequências delicadas para o conjunto da sociedade, entre elas o
aquecimento global.
O aquecimento tem provocado a diminuição da cobertura de gelo no
hemisfério Norte. Desde 1950 existe o registro da diminuição da camada polar de
cerca de 10% a 15% na primavera e no verão, segundo o estudo do IPCC, - Painel
Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas. Alguns especialistas afirmam,
apesar de não saberem exatamente em que proporção, que a humanidade contribui
para o aquecimento global.
Com o aumento do nível do mar, mudanças dos padrões climáticos e outros, as
consequências podem influenciar não só nas atividades humanas, mas também nos
ecossistemas naturais - bosques, florestas, desertos, rios, oceanos e outros -. Por
conta do aumento da temperatura global, alguns desses ecossistemas serão alterados,
com isso algumas espécies de peixes podem desaparecer, podendo ainda haver
superpopulação de insetos.
Tributa-se a queima progressiva de petróleo, carvão e gás o fenômeno, o que
agrava o efeito estufa que é um fenômeno natural que assegura a manutenção da
vida na Terra. O efeito estufa possui gases que compõem a atmosfera a milhares de
anos, eles é que mantêm a temperatura média do planeta de aproximadamente 15ºc,
assim favorecendo a manutenção da vida.
No Brasil os problemas ambientais crescem aceleradamente, segundo o estudo
publicado pela Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos – PNAS. O
Brasil foi o país que mais desmatou florestas no período de 2000 a 2005, levando o
título de líder em desmatamento mundial. Foram desmatados aproximadamente 165

18
mil quilômetros quadrados de floresta, o equivalente a 3,6% das perdas de florestas
no mundo todo.
Outro problema ambiental grave no país é a poluição. Segundo o relatório
editado pela organização não-governamental - Defensoria da Água, ligada à
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a poluição tomou 70% das águas
de rios, lagos e lagoas do Brasil.
Empreendimentos nos rios da Amazônia
Os rios tornaram-se alvo de discussões, não só pelos problemas ambientais
como a poluição, mas sim, pelos projetos que pretendem gerar energia a qualquer
preço. Estima-se que o país tenha 403 usinas hidrelétricas em operação e 25 em
construção, além de 3.500 unidades, em média, registradas no Sistema de Informação
do Potencial Hidrelétrico Brasileiro11.
Segundo especialistas a Amazônia possui o maior potencial hidrelétrico do
país. Vários empreendimentos dão inicio ao processo de licenciamento ambiental
junto ao Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis
(Ibama). Alguns projetos continuam paralisados por limites técnicos em suas peças e
processos de licenciamento ambiental.
Sabe-se que a região possui vários empreendimentos em processo de
licenciamento ambiental. No estado do Tocantins há pelo menos três projetos na
agenda, sem tocar nos que já foram instalados. Um dos que estão em pauta é a Usina
Hidrelétrica Arraias, que é considerada de pequeno porte em consideração as demais
da região no rio Palma (bacia Tocantins-Araguaia). A potência de geração para o
projeto é de 93 MW. O rio Tocantins tem ainda os projetos da Usina Hidrelétrica
Barra do Palma que também é considerada uma hidrelétrica de pequeno porte, o seu
potencial de geração é em torno de 90 MW.
Já a Usina Hidrelétrica de Marabá, projetada para o sudeste do Pará é
considerada um projeto de grande extensão. Vai impactar os estados do Maranhão, Pará
e Tocantins. O projeto é gerar 2.160 MW. O hidrelétrica prevê a interligação com a
hidrelétrica de Tucuruí12 a outras três nos rios Tocantins e Araguaia. A inundação de
parte do território indígena do povo Gavião é uma das polêmicas que norteia o
empreendimento.

11
Instrumento da divisão de Recursos Hídricos e Inventário da Eletrobrás em fase de avaliação e planejamento.
12
Tucuruí é a maior hidrelétrica genuinamente brasileira. Foi construída na década de 1980, no rio Tocantins, em um
município homônimo. Possui a potência de 8,3 mil MW.
19
Em Rondônia a Usina Hidrelétrica Tabajara é mais um projeto que continua em
debate. O projeto da usina localiza-se no Rio Ji-Paraná, um dos afluentes do Rio
Madeira no nordeste de Rondônia. A potência de geração esperado para o projeto é de
350 MW.
As polêmicas hidrelétricas do rio Madeira, Usina Hidrelétrica de Jirau e Usina
Hidrelétrica Santo Antônio, possuem os estudos de impacto ambiental e o relatório de
impacto ambiental criticados pelos opositores da obra. O potencial de geração esperado
para estes projetos é de 3.150 MW (Santo Antônio) e 3.300 (Jirau).
O rio Madeira é afluente da margem direita do Amazonas. Seu mais importante
tributário e o terceiro maior curso fluvial da América do Sul. Formado pela confluência
dos rios Beni e Mamoré, procedentes dos Andes bolivianos, o Madeira corta os estados
de Rondônia, onde passa pela capital, Porto Velho, e do Amazonas. Alguns rios da sua
bacia, como o Madre de Diós, cruzam território boliviano e têm nascentes nos Andes
peruanos. (Revista Pangea)
No Amapá estuda-se a área de impactos ambientais que a hidrelétrica Santo
Antônio, no rio Jari – fronteira entres os estados do Amapá e Pará, provocará. A
potência de geração do projeto é de 100 MW.
Há ainda a Usina Tele Pires, que será um complexo de hidrelétricas entre o Mato
Grosso e o Pará. O projeto fez um novo estudo de viabilidade, pois uma de suas
barragens inundaria uma terra indígena na região. O potencial de geração esperado para
este projeto é de 1.449 MW.
No Pará há ainda um dos projetos mais polêmicos em termos de divergência de
opiniões, o complexo hidrelétrico de Belo Monte, no Rio Xingu. Entre os documentos
entregues ao Ibama, o empreendedor reconhece a existência de doze aldeias indígenas
nas áreas afetadas pelo projeto, entre outros problemas de caráter social, cultural,
econômicos e ambientais.
Ao tratar sobre Amazônia, o projeto Belo Monte é centro de gravidade
Uma análise sobre o projeto de construção da Usina Hidrelétrica Belo Monte
mobiliza segmentos distintos. Num extremo, em oposição, populações consideradas
tradicionais, - em particular indígenas – ambientalistas e assessores ligados à defesa
dos direitos humanos e alguns pesquisadores; e noutro, empresários locais e alguns
políticos.
Caso efetivada a hidrelétrica será a terceira maior do mundo. Os impactos
ambientais irreversíveis no rio Xingu e suas proximidades tem provocado a

20
mobilização da população para o debate sobre o projeto. O empreendimento prevê a
construção de dois canais que desviarão o leito original do rio. As escavações são
comparáveis ao canal do Panamá (200 milhões m³) e área de alagamento de 516 m². A
obra ainda afetará parte da população as proximidades do Xingu, inclusive aldeias
indígenas e ameaça a biodiversidade e os ecossistemas do local.
Para muitos estudiosos a incrível biodiversidade de fauna e flora apresentada
pelo local sofrerá impactos irreversíveis, segundo o Estudo de Impacto Ambiental -
EIA, a bacia do Xingu apresenta uma quantidade rica em biodiversidade de peixes.
São 174 espécies, 387 espécies de répteis e, ainda, 440 espécies de aves e 259 espécies
de mamíferos. O rio Xingu possui espécies endêmicas (aquelas que só ocorrem na
área) e outras ameaçadas de extinção. Essa biodiversidade deve-se às corredeiras e
pedrais da Volta Grande do Xingu que, isolam em duas regiões o ambiente aquático da
bacia. Porém o sistema de eclusa da UHE deve romper esse isolamento, causando a
perda de centenas de espécies.
Ainda no regime militar, em 1975, iniciaram-se os estudos para o
aproveitamento hidrelétrico da bacia do rio Xingu – localizada nos Estados do Pará e
Mato Grosso. Estudou-se o meio físico (clima, qualidade da água, recursos minerais,
geologia e outros), o meio biótico (plantas e animais), o meio socioeconômico
(atividades econômicas, condições de vida, patrimônio histórico e cultural, saúde,
educação, entre outros) e as comunidades indígenas.
Durante esses anos muitas histórias e controvérsias surgiram e à própria
imprensa se fez presente em algumas delas. A licença prévia de Belo Monte é uma
delas. Em 2010 o Ibama autorizou parcialmente a construção pelo Ibama em favor da
Norte Energia S.A. – Nesa, a desmatar 238 hectares de florestas para a montagem dos
canteiros de obra e acampamentos dos sítios Pimental e Belo Monte, onde serão
construídas as duas barragens.
A hidrelétrica em Belo Monte deve ser preocupação de todos, percebe-se uma
deficiência por parte da imprensa em informar noticias com caráter ambiental. Uma das
premissas do jornalismo ambiental é perceber a realidade que nos cerca de um ângulo
mais abrangente, privilegiando a qualidade de vida do planeta.
Roberto Villar Belmonte (2004) alerta que segundo uma pesquisa do Iser –
Instituto Superior de Estudos da Religião, os seres humanos acham que natureza é
apenas sinônimo de fauna, flora, bicho e mato. Por isso queimadas na Amazônia ou
vazamento da Petrobrás - Petróleo Brasileiro S/A- são manchetes, o problema é que as

21
notícias, na maioria dos casos, não explicam que amanhã a molécula da água do rio
contaminado fará parte do corpo humano.
Trigueiro, em Mundo Sustentável (2005: p.285), diz estar convencido de que o
espaço do jornalismo ambiental está destinado a crescer em todas as mídias, e que isso
se dará ainda mais rapidamente à medida que os profissionais da imprensa souberem
fundamentar suas pautas com boas fontes e informação qualificada. O bom jornalismo é
aquele que se preocupa em ouvir os dois lados da história, oferecendo ao
leitor/ouvinte/telespectador/internauta a chance de formar juízo de valor sobre o assunto
em pauta.
O Rio Xingu
O Xingu nasce no Mato Grosso, corta o Pará e deságua no Rio Amazonas. Tem
1,8 mil quilômetros de extensão, segundo o Fórum Regional de Desenvolvimento
Econômico e Sócio Ambiental da Transamazônica e Xingu. O rio forma uma bacia
hidrográfica de 51,1 milhões de hectares13 que abriga trechos ainda preservados do
Cerrado, da Floresta Amazônica e áreas de transição. (Fonte: yikatuxingu)
A Usina de Belo Monte, projetada para ser construída no Rio Xingu é um dos
projetos do Governo Federal, previstos no Programa de Aceleração do Crescimento
(PAC). A Hidrelétrica envolve-se em uma problemática a cerca da perda da qualidade
da água, fauna, saneamento básico, população atingida, compensações sociais,
recuperação de áreas já degradadas e etc.
O projeto inclui-se em grandes números que vão desde a instalação da usina que
deverá inundar uma área de 500 km². Estima-se que Belo Monte produzirá 11.233
MW (Fonte: Portal Energia Hoje) e o valor total de investimentos com a obra,
segundo o governo, será de 19 bilhões, porém especula-se que a obra poderá ser de 30
bilhões.
Embora Belo Monte tenha capacidade instalada em média de 11 mil MW, o que a
tornará a segunda maior hidrelétrica do país, a usina terá energia firme (prevendo já os
períodos de seca) de 4,4 mil MW, 40% da capacidade. Já na binacional (Paraná/
Paraguai) Itaipu, localizada no rio Paraná, possui 14 mil MW de capacidade, a energia
firme representa 61%. Na primeira maior usina nacional, a de Tucuruí, localizada no rio
Tocantins, no Pará, o percentual é de 49%.
A hidrelétrica ocupará parte da área de cinco municípios do Pará, são eles:
Altamira, Anapu, Brasil Novo, Senador José Porfírio e Vitória do Xingu. Altamira é a

13
O dobro do território do Estado de São Paulo.
22
mais desenvolvida e tem a maior população dentre essas cidades, com 98 mil habitantes,
segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os demais municípios
possuem entre 10 mil a 20 mil habitantes.
Ao longo dos ciclos econômicos que norteiam à história da Amazônia as
populações consideradas tradicionais têm socializado os prejuízos sociais e ambientais.
Considerando toda a proporção do empreendimento e todos os impactos que ele
causará, entende-se que; o jornalismo ambiental deve atuar como um forte agente a
favor das comunidades ribeirinhas e indígenas. Ao longo do processo do debate sobre
Belo Monte as mesmas foram tratadas de maneira indiferente. Fato este que evidencia-
se na notificação do projeto. Estas comunidades só foram informadas após o Ministério
Público Federal ter interferido e exigido a informação de maneira legal as comunidades.

Sendo assim, o jornalismo científico e ambiental deve informar a estas


comunidades - ribeirinhas e indígenas -, o que, de fato, esta acontecendo e ainda vai
acontecer em Altamira. Para que assim, cada cidadão formule a sua opinião e busque
agir com fundamentos seguidos dela, para buscar soluções e cobrar medidas do Estado.

Bibliografia
BUENO, Wilson da Costa. Comunicação, Jornalismo e Meio Ambiente: teoria e
pesquisa. São Paulo: Mojoara Editorial, 2007

KOVACH, Bill. ROSENSTIEL, Tom. Os elementos do jornalismo: O que os


jornalistas devem escrever e o público exigir. Tradução de Wladir Dupont. São Paulo:
Geração Editorial, 2004.

TRIGUEIRO, André. Mundo Sustentável: Abrindo espaço na mídia para um planeta


em transformação. São Paulo: Editora Globo S.A, 2005.

VILAS BOAS, Sérgio. Formação e Informação Ambiental: Jornalismo para iniciados


e leigos. São Paulo: Summus, 2004

SITES DE REFERÊNCIA

_________.Site da Agência Norte de Notícias. Disponível em:


<http://www.agencianortedenoticias.com.br/??=cidades&id=67>. Acesso em: 06 de
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_________.Site do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Disponível em:
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_________.Site Web Artigos. Disponível em: <http://
www.webartigos.com/articles/4013/1/Causas-E-Consequencias-Do-Aquecimento-
Global/pagina1.html. Acesso em 05 de abril de 2011.
_________.Portal de Notícias da Globo. Disponível em:
<http://www.g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2010/04/governo-vence-e-faz-leilao-

23
de-belo-monte-mas-empresas-pedem-tempo.html>. Acesso em: 05 de abril de 2011.
_________.Site da Procuradoria da República no Estado do Pará. Disponível em:
http://www.prpa.mpf.gov.br/news/2011/mpf-vai-a-justica-contra-licenca-precaria-de-
belo-monte > Acesso em 12 de abril de 2011.
_________.Portal Eletrônico São Francisco. Disponível em:
<http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/meio-ambiente-floresta-
temperada/ecossistemas.php>. Acesso em 11 de novembro de 2010.

_________.Site Isto é Amazônia. Disponível em: <


http://www.istoeamazonia.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=624
&Itemid=2> Acesso em 07 de abril de 2011.
_________.Portal Energiahoje. Disponível em: <http://www.energiahoje.com>.
Acesso em 13 de abril de 2011.
_________.Site da Revista Pangea – Quinzenário de Política, Economia e Cultura.
Disponível em:
http://www.clubemundo.com.br/revistapangea/show_news.asp?n=323&ed=4. Acesso
em 10 de abril de 2011.
_________. Site da Campanha de Responsabilidade Social Compartilhada Y Ikatu
Xingu – Salve a água boa do Xingu. Disponível em:
<http://www.yikatuxingu.org.br/o-xingu-e-a-regiao/o-rio-xingu/> Acesso em 12 de abril
de 2011.

LIMA, Eliana de Souza. A Importância da mídia na conscientização ambiental.


Portal do Jornalismo Científico. Disponível em:
<http://www.jornalismocientifico.com.br/jornalismocientifico/artigos/jornalismo_ambie
ntal/artigo2.php>. Acesso em 19 de abril de 2011.
SALM, Rodolfo. Impactos indiretos de Belo Monte serão muito maiores que os
diretos. Correio da Cidadania. Disponível em:
<http://www.correiocidadania.com.br/content/view/5583/57/>. Acesso em 05/04/2011.

HIDRELÉTRICA NA AMAZÔNIA: IMPLANTAÇÃO DE GRANDES


PROJETOS E SUAS CONSEQUÊNCIAS NUM ESPAÇO URBANO

Karolinni Guimarães Ranieri14


Thallis Pereira Ferreira15

RESUMO O regime de exceção (1964-1985) é um marco na história recente


colonização da Amazônia. A integração da região ao restante do país foi realizada a
partir da efetivação de grandes projetos, como edificações faraônicas, a exemplo de

14
Estudante de Comunicação Social – Jornalismo da Universidade da Amazônia (UNAMA) /
karolranieri@gmailcom.
15
Estudante de Comunicação Social – Jornalismo da Universidade da Amazônia (UNAMA) /
thallispereira@hotmail.com.

24
hidrelétricas. O presente artigo, que tem como baliza o jornalismo cientifico, realizará
uma pequena revisão de parte da bibliografia que trata do assunto, tendo como
preocupação central a Hidrelétrica de Tucuruí, sudeste do Pará.

Palavras-chave: Usina Hidrelétrica de Tucuruí, Processos Migratórios e Problemas


Urbanos e Ambientais.

Introdução
A partir dos anos de 1960 do século passado a Amazônia, graças à intervenção
do Estado, passa a experimentar um conjunto de grandes transformações em diferentes
dimensões. A política de planejamento do governo militar visava integrar
economicamente a região ao resto do país. A construção de rodovias e outras grandes
obras reorganizaram os cenários econômico, social, territorial e físico da região.

A migração induzida ou espontânea remodelou a densidade demográfica, e


projetou a concentração da população nas pequenas e médias cidades. Os problemas
urbanos ganham volume: especulação imobiliária, criação de favelas e ocupações,
migrações rurais e superpovoamento. As populações passam a reivindicar infraestrutura,
saúde, escola, lazer, acessibilidade e trabalho.
Trindade Jr, (1998) sugere que os espaços territoriais onde foram implantados
grandes projetos receberam muitos migrantes que passaram a morar nas periferias das
cidades, modificando a malha urbana. Um dos componentes desse processo de
configuração de uma fronteira econômica no espaço amazônico foi o grau de
urbanização de seu território, revelando taxas de crescimento superiores ao que foi
verificado em nível nacional.
Becker (1998) enfatiza que o crescimento da população urbana não foi
acompanhado de implementação de infraestrutura para garantir condições mínimas de
qualidade de vida. O que acarretou baixos índices de saúde, educação e salários aliados
à falta de equipamentos urbanos, mostrando a baixa qualidade de vida da população
local.
Loureiro (2004) alerta que na Amazônia o modelo de cidade ribeirinha fundada
pelos portugueses, a partir do século XVII, onde já era possível perceber uma
articulação do homem com a natureza e uma identidade cultural desse homem, deixa de
existir nesse novo modelo de cidade configurado pelos grandes projetos. Os habitantes,
sejam eles naturais ou imigrantes, sentem-se incapacitados para explorá-la sem que
ocorra qualquer depredação ao meio ambiente. Pois, na ausência de políticas públicas

25
eficazes que atendam às necessidades da população migrante, surgem as periferias, as
ocupações irregulares e os assentamentos desumanos.
Há 27 anos a construção da Hidrelétrica de Tucuruí, sudeste do Pará, reorientou
a configuração do município homônimo. É sobre parte das reflexões acadêmicas sobre o
tema que este artigo se inclina.
Jornalismo científico – pequena revisão
Os autores que tratam sobre o tema comungam que a matriz é o primeiro mundo,
o termo scientific journalism era comum na literatura americana e inglesa. A
modalidade no Brasil é recente. Conforme revisão de Marques de Melo tem início nos
estados mais industrializados, em particular em São Paulo. Universidade de São Paulo
(USP), Universidade de Campinas (UNICAMP) e a Metodista passam a ser a tríade
irradiadora. Na década de 1980 começam a surgir as primeiras dissertações sobre o
assunto. Vera Lúcia Salles e Wilson da Costa Bueno integram o primeiro grupo de
pesquisadores que defendem tratados sobre o tema.
Wilson da Costa Bueno é hoje uma referência no assunto. Ele alerta num
conjunto de textos que a modalidade do jornalismo voltado para a ciência, assim com as
demais, também passa por constrangimentos do mercado. Ele analisa que o setor
mobiliza interesses de grandes corporações que possuem um lobby forte em diferentes
frentes. A ampliação da cidadania e uma perspectiva pedagógica devem orientar a ação
do profissional que atua em tal editoria.
Rubleski (2008) chama a atenção sobre a tensão que existe entre os
protagonistas: jornalistas e pesquisadores. Tensão que passa pela especificidade de cada
área do conhecimento, que possui modo particular de produção. Enquanto o jornalismo
o fator é exíguo, a linguagem é simples e público amplo; a produção acadêmica exige
tempo para maturação e teste, a linguagem é hermética e o público restrito.
Mudanças no território a partir da implantação de grandes projetos
A UHE de Tucuruí é a maior hidrelétrica genuinamente nacional e foi erguida no
rio Tocantins há 27 anos para alimentar com energia subsidiada empresas de produção
de alumínio no Pará, Albrás e Alunorte, do grupo Vale e a Alumar, no Maranhão, da
estadunidense Alcoa. 75% da produção de energia de Tucuruí vão para a exportação e o
estado possui uma das tarifas domésticas mais caras do país. O derradeiro reajuste foi de
16% (ALMEIDA, 2009:p.01).
Almeida (2009:01) explica que a segunda casa tem potência instalada de 4,1 mil
megawatts. Junto com a primeira casa de força a potência instalada de Tucuruí passou a
ser de 8,3 mil megawatts. O maior empreendimento do setor de energia encontra-se em
26
construção no mesmo rio, na fronteira do estado Maranhão com o Tocantins, no
município de Estreito. No planejamento do governo federal existe uma agenda para a
construção de inúmeras hidrelétricas na Amazônia, a exemplo dos projetos para os rios
Madeira, Tapajós, Xingu, Tocantins e Araguaia.
A literatura sobre grandes projetos na Amazônia salienta que os mesmos tendem
a não considerar as formas de organização econômica, cultural e social dos povos
locais, e menos ainda as consequências negativas que tais projetos provocam onde são
instalados. Os empreendimentos redesenham o território, desorganizam as sociedades
consideradas tradicionais, subordinam terras comunais à lógica do mercado.
Silva (2008) reflete que planejar e remodelar o espaço urbano sem levar em
consideração o homem que estava naquele meio e as relações sociais existentes neste
contexto acaba reduzindo o habitar em apenas espaço. A moradia é também a forma que
o homem estabelece para se comunicar com o global, com a cidade; todo esse espaço
possui signos, linguagem própria, movimentos dialéticos, conflituosos, por ser o habitar
a reflexão de toda a sociedade que está por trás
Conforme Souza (2008) o desenvolvimento urbano autêntico é identificado num
contexto mais teórico como desenvolvimento socioespacial. O qual pode ser notado e
alcançado a partir do momento em que se observa maior justiça social e melhoria na
qualidade de vida da população. Para os quais a concessão e/ou conquista da autonomia
individual e coletiva torna-se condição imprescindível.
No que diz respeito à participação popular no planejamento e na gestão, para
Souza (2008: p. 161), [...] “deveria ser fator-chave para o impulsionamento de uma
democratização do planejamento e da gestão, foi secundarizada como se nota ao
comparar a pouquíssima atenção dispensada aos conselhos de desenvolvimento
urbano”.
A procura por emprego, qualidade de vida, educação, atendimento à saúde são
os principais atrativos que as cidades exercem nos migrantes, mas estes acabam
surpreendidos pela realidade apresentada. O que aconteceu com Tucuruí durante a
implantação da Usina Hidrelétrica? Muitas pessoas migraram para a cidade acreditando
que uma obra desse porte poderia gerar renda, de fato gerou, mas não para a grande
maioria. Depois que a construção terminou, muitas famílias não se instalaram na cidade
planejada, mas nas periferias, construindo casas em locais impróprios, às margens de
igarapés, degradando o meio ambiente e vivendo em situação de risco.

27
Na ilusão da melhoria de vida, as pessoas enfrentam diversos tipos de entraves,
como mercado de trabalho exigente com a qualificação profissional, deficiência
habitacional e nos serviços de infraestrutura (ABELÉM, 1988).
A expansão do tecido urbano passa a ser enquadrada dentro deste modelo de
sociedade com distribuição desigual de renda, serviços e bens. Para Corrêa (1995) e
Lefebvre (2001) o problema da produção da habitação nas cidades, resulta da
comercialização do solo urbano, é a fragmentação do espaço no nível local em lotes ou
parcelas de propriedade privada. Os quais são negociados com base nas regras da renda
fundiária e da especulação imobiliária.
A segregação socioespacial de Tucuruí não pode ser analisada como
especificidade local. Existe acentuado processo de segregação do espaço em outras
cidades onde foram planejados e consolidados outros grandes projetos. As sedes
administrativas dos municípios foram coadjuvantes do processo de construções dos
equipamentos urbanos necessários para a funcionabilidade da vila residencial –
company-towns das cidades empresas dos grandes projetos, principalmente na
Amazônia.
Processos históricos diferenciados, como no período do regime militar no Brasil,
reservou para a Amazônia a mesma imagem que se tem hoje, a de fornecedora de
recursos naturais e de controle do excedente populacional.
A inserção da Amazônia na divisão internacional do trabalho fez com que as
frentes econômicas modelassem essa lógica de desenvolvimento regional baseada na
exploração: mineral, madeireira, agrícola e energética que acabaram por ocasionar
mudanças visíveis tanto no meio rural, como nas cidades que não estavam preparadas
para receber uma quantidade muito extensa de migrantes.
O que aconteceu em Tucuruí não difere de outro momento histórico mais
distante, o final do século XIX e nas primeiras décadas do século XX. A produção da
borracha na Amazônia transformou a estruturação urbana das maiores cidades da região
Norte do Brasil, Belém e Manaus, em particular em espaços segregados.

Com o regime militar (1964-1985) as rodovias passaram a ocupar o lugar dos


rios como as principais vias de transporte. As estradas federais Belém-Brasília,
Transamazônica (BR-230); a BR-163 - Cuiabá-Santarém, que liga o Centro-Oeste à
cidade de Santarém; BR-174, a Manaus-Boa Vista; BR-364, a Cuiabá-Porto Velho-Rio
Branco são as que provocaram o maior impacto demográfico e econômico na Amazônia

28
Legal.
Castro (1992) sinaliza que a construção da Belém-Brasília intensificou a entrada
de ocupantes e também de outro grupo de pessoas ligadas a negócios fundiários, de
agropecuária e agroindústria que se dirigiram para as terras ao longo das estradas.
A partir daí os antigos núcleos urbanos crescem e novas cidades surgem
adensando e desconcentrando a rede urbana amazônica, antes polarizada entre Belém e
Manaus. A intensificação das redes viária, urbana, de energia, telecomunicações e de
projetos governamentais compôs uma realidade que o Estado implantou de forma
eficaz, criando a infraestrutura física e de suporte humano necessário para a instalação
de grandes projetos econômicos transnacionais na Amazônia nas décadas de 1970 e
1980.
Esses projetos na fronteira amazônica impactaram e muito nos pequenos núcleos
populacionais existentes na sua área de influência direta. Assim, a cidade de Tucuruí
importante ponto para a implantação de um grande projeto energético, passou a
vivenciar realidades diferentes que se misturaram ao contexto global sobre realidades
locais, isoladas e pouco integradas até mesmo ao seu contexto regional, levou à sua
desestruturação econômica, cultural e ambiental.
A questão que se colocou para o Estado brasileiro, nesse período, era de como
atrair uma população que deveria se tornar força de trabalho, não proprietária de seus
meios de produção, e, ainda, como fixá-la sem lhe dar a propriedade da terra. Portanto, a
política de distribuição controlada de terras e a distribuição seletiva de créditos agrícolas
canalizaram os fluxos migratórios, enquanto que a política de urbanização agia no
sentido de alocar esta população num espaço crescentemente privatizado na região, o
espaço urbano.
Durante o processo de construção e consolidação da usina hidrelétrica, a cidade
de Tucuruí passou de cidade socializante na distribuição de pessoas e atividades para
uma estrutura intraurbana intensamente marcada pelo processo de segregação
socioespacial da população.
Ao invés de se constituir em uma cidade infraestruturada o suficiente para
receber tanto os funcionários da empresa, como o contingente populacional necessário
para execução do empreendimento, a propriedade pública da terra urbana passou a
funcionar como instrumento de ocupação seletiva; que instituiu a segregação planejada
ao construir e estruturar a cidade empresarial distante da cidade tradicional,
diferenciando socialmente os espaços da cidade. Ao analisar o tema em questão Valença

29
(1991: p.70), informa: “Na política seguida pela ELETRONORTE16, ou mesmo por
outras empresas que atuam na Amazônia, não se insere um desenvolvimento planificado
da cidade, ainda que esta represente de algum modo, um ponto de apoio à obra”.
A ineficiência nos equipamentos infraestruturais, e de serviços para atender as
necessidades básicas das populações acabam transformando as habitações dentro da
cidade empresarial sinônimo de ascensão social. Pois residir na Vila Permanente é
garantir acessibilidades aos equipamentos sociais, habitação de qualidade e seguridade.
A dicotomia entre mobilidade populacional e urbanização é um dos aspectos
mais complicados do processo de ocupação regional, já que, como foi colocado
anteriormente, as cidades não estavam infraestruturadas para receber os migrantes.
Transformando, assim, a Amazônia em uma “floresta urbanizada”, cujos núcleos
urbanos apresentam graves problemas ambientais e de segregações socioespaciais.
Rocha (2008) avalia que a implantação do empreendimento e o conjunto de
projetos econômicos a ele articulado, demonstram o papel decisivo do Estado na
redefinição do território. Assim como a imposição do externo sobre o interno e as
implicações do novo sobre o velho, repercutindo profundamente na estrutura espacial e
demográfica local.
Deste modo, não só Tucuruí, mas toda a região do Médio Tocantins conhece um
novo papel na divisão territorial do trabalho, que altera o significado e a natureza da
rede urbana local. A intensidade do capital investido na construção da usina hidrelétrica,
a força de trabalho que para lá se dirigiu, bem como a energia tornada disponível
posteriormente são fatores preponderantes na configuração do novo padrão de rede
urbana dos anos depois da implantação da hidrelétrica.
A implantação de um projeto hidrelétrico, dada a longa duração, produz como
que uma diferenciação de impactos no decorrer do tempo. Significa dizer que a região
sofrerá uma desestruturação/reestruturação em função dos anúncios do período de
construção, o que acarretou, além dos conflitos entre os atingidos pela barragem e a
empresa responsável pela implantação da Usina, também ineficiência infraestrutural e
de equipamentos urbanos para a maioria dos moradores das periferias de Tucuruí. Uma
vez estando a usina em operação, novas e profundas alterações são introduzidas, dando
origem a novos espaços.
A oferta de emprego que grandes investimentos proporcionam, aumenta
significativamente o número de trabalhadores que desempenham atividades econômicas

16
Centrais Elétricas do Norte S\A responsável pela administração da UHE de Tucuruí.
30
de baixa qualificação profissional. A remuneração destes não acarreta melhoria da
qualidade de vida, o que contribui para que essa classe social passe a morar em espaços
construídos sem qualquer infraestrutura que o planejamento urbano oferece.
Valença (1991) indica que em 1980 a população do município de Tucuruí teve
um incremento de aproximadamente 45%, migrantes de todas as partes do país.
Configuraram uma mão-de-obra empregada na construção da usina, proveniente de todo
o Brasil, alojada em vilas construídas especialmente para esse fim. Tucuruí
experimenta, então, um revigoramento, tornando-se uma cidade de “frente pioneira”, e
passa a exercer uma atratividade sobre vários grupos sociais.
É importante compreender dentro desse contexto, que o crescimento acelerado
de migrantes na cidade de Tucuruí, não significa que estava ocorrendo processo
econômico próximo do que aconteceu na cidade de São Paulo no início do século XX –
industrialização urbana –, pelo contrário. A economia estava atrelada às mudanças no
meio natural (rio Tocantins) para construção da Usina Hidrelétrica de Tucuruí, e toda a
circulação de dinheiro dependia da exploração de recursos naturais, como a extração de
madeira que aumentou consideravelmente no período.
Entretanto, como nas crescentes discussões sobre a Usina Hidrelétrica de Belo
Monte, o aumento do fluxo migratório para a cidade de Tucuruí, foi produto do
momento histórico audacioso de intolerância, autoritarismo, centralismo administrativo,
cuja implantação de projeto grandioso como a construção de hidrelétrica, não foi
acompanhada de estudos prévios de impactos ambientais, culturais e sociais. “É
imperioso lembrar que a constituição e o crescimento de novos contingentes de força de
trabalho ultrapassam o ritmo próprio de crescimento das atividades urbanas formais de
Tucuruí” (VALENÇA, 1991, p.63).
De acordo com os dados do IBGE, uma população urbana de 5.545 no ano de
1970, passou para 27.308 habitantes no início de 1980. Assim, o município de Tucuruí
na década seguinte destacou-se como local de densidade populacional do estado do
Pará.
Tucuruí, como cidade pioneira de investimentos energético no estado do Pará,
não é um lugar de produção. Tem, sobretudo, a função de um lugar de passagens de
homens, mercadorias e capitais.

Bibliografia

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Universidade Federal do Rio de Janeiro, 1991.

INFORMAÇÃO CIENTÍFICA: A EXPERIÊNCIA DA


REVISTA AMAZÔNIA - CIÊNCIA & DESENVOLVIMENTO

Carla Santos17
Cláudia Bagata18
Michelle Daniel19

RESUMO Este artigo pretende discutir sobre publicações científicas em arquivos de


livre acesso na internet. Como exemplo, utilizaremos a revista Amazônia - Ciência &
Desenvolvimento, um projeto do Banco da Amazônia. Como publicação científica,
insere-se no contexto das novas tecnologias de comunicação e informação. O ciclo da
informação científica é modificado pela multimídia, que envolve inúmeros fatores e
diversos jogos de interesses.

Palavras-chave: Revista Amazônia, Informação científica, Publicação Eletrônica.

Introdução

17
Estudante do Curso de Comunicação Social – Jornalismo da Universidade da Amazônia (UNAMA), email:
carla.sds@hotmail.com
18
Estudante do Curso de Comunicação Social – Jornalismo da Universidade da Amazônia (UNAMA), email:
claudiabagata@hotmail.com
19
Estudante do Curso de Comunicação Social – Jornalismo da Universidade da Amazônia (UNAMA), email:
michelledaniel2010@gmail.com

33
O desenvolvimento da internet e dos softwares de livre acesso permitem que o
conteúdo das revistas eletrônicas seja distribuído de forma mais abrangente. Novas
formas de controle bibliográfico são criadas entre publicações institucionais que usam
algum sistema de arquivos de livre acesso. Entre as vantagens desse tipo de publicação,
estão as rápidas disseminações da informação científica, melhorando a divulgação dos
resultados das pesquisas e possibilitando menores custos de produção.
Este artigo apresenta as contribuições da divulgação científica das publicações
de livre acesso na comunicação, voltada para temas socioeconômicos, tecnológicos e
ambientais. A revista Amazônia: Ciência & Desenvolvimento é um exemplo de
informação científica20. A publicação científica passa por várias transformações, em
consequência do acelerado processo das novas tecnologias de comunicação e
informação.
O ciclo da informação científica é modificado pela grande quantidade de
conteúdos publicados na web, dinamizando o processo de comunicação. A revista
utilizada como exemplo é um projeto do Banco da Amazônia. É um periódico cuja
origem parte da perspectiva que a instituição assume frente aos debates envolvendo
questões socioeconômicas, tecnológicas e ambientais, como foco estratégico de
desenvolvimento sustentável.

Breve histórico do banco

Banco de Crédito da Borracha, hoje Banco da Amazônia. Sede do Banco da Amazônia em Belém.
Fonte: http://www.gentedeopiniao.com.br/lerConteudo.php?news=72684 Fonte: Foto de Odilson Sá

O Banco da Amazônia é uma instituição assossiada à Federação Brasileira de


Bancos (Febraban), o banco é conhecido também por BASA. Foi fundado durante a
segunda Guerra Mundial por Getúlio Vargas, o nome era Banco de Crédito da

20
A Revista Amazônia: Ciência & Desenvolvimento também é disponibilizada no formato impresso.
34
Borracha. A instituição tinha como principal finalidade financiar o reaquecimento da
extração de látex no estado do Pará, o que correspondeu ao segundo Ciclo da Borracha
(BANCO DA AMAZÔNIA, 2007).
No ano de 1966 o governo militar mudou o nome para Banco da Amazônia S/A.
O banco é a principal instituição financeira federal de fomento21 com a missão de
promover o desenvolvimento da região amazônica. A instituição possui papel relevante,
tanto no apoio à pesquisa quanto no crédito de fomento, respondendo por mais de 60%
do crédito de longo prazo da Região. O banco está presente principalmente nos estados
da Amazônia Legal22, cerca de 59% do território nacional, possuindo também agências
nas seguintes capitais: Brasília, São Paulo e Porto Alegre (BANCO DA AMAZÔNIA,
2007).
É uma instituição estatal pertencente ao governo federal, com papéis sendo
negociados na Bovespa. Opera com exclusividade o Fundo Constitucional de
Financiamento do Norte (FNO) atende também outras fontes como: BNDES23, Fundo
de Amparo ao Trabalhador (FAT), Fundo da Marinha Mercante, Fundo de
Desenvolvimento da Amazônia (FDA), Orçamento Geral da União e recursos próprios.
A sede do Banco da Amazônia é situada em Belém do Pará, na Avenida Presidente
Vargas (BANCO DA AMAZÔNIA, 2007).

Logo do Banco da Amazônia


Fonte: internet.

Informação científica

No cenário da nova onda tecnológica os conteúdos de informação da ciência e da


tecnologia ganham cada vez mais espaço. Para isso, são utilizadas novas formas de

21
Estímulo, incitamento, favor, proteção, apoio.
22
Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins e o oeste do estado do Maranhão
23
Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social.

35
divulgação desses conteúdos na web. Dentre os procedimentos adotados seguem alguns
critérios de produção na linha editorial. Sobre este aspecto dos conteúdos de informação
científica, Fernanda Passini Moreno e Miguel Ángel Mádero Arellano (2005) discorrem
que a propagação e a transferência das informações científicas dependem da rede de
comunicação determinado dentro de uma comunidade científica.
Moreno e Arellano (2005) alertam que dentro da produção desse tipo de
informação científica, os seus autores devem seguir regras metodológicas pré-
estabelecidas, para só então tais informações serem divulgadas, ou seja, a divulgação
desses conteúdos são disponibilizados em canais de informação científica, na maioria
das vezes buscam o apoio de grandes corporações e associações científicas.
Para Moreno e Arellano (2005) a fase do conhecimento científico envolve a
produção, a comunicação e a aplicação do conhecimento que são formados. Para estes
autores, esse processo de publicação envolvendo informação científica exerce função
essencial porque viabiliza a divulgação dos resultados das pesquisas, além de promover
discussões entre pesquisadores. Porém é necessário se refletir que dentro desse processo
de disseminação e transferências de informações científicas estão envolvidos vários
jogos de interesses que vão contribuir para garantir confiabilidade ao tema. Por isso é
preciso que profissionais da área de comunicação e cientistas entrem em consenso
buscando a melhor maneira para a divulgação da informação científica, garantindo
assim o teor da informação jornalística sem comprometer a credibilidade do trabalho
dos cientistas.
Wilson Bueno (1999) ao analisar o processo de produção do jornalismo
cientifico, sublinha que existe uma tensão entre os campos de produção do
conhecimento: jornalistas e pesquisadores. Para o autor, as divergências existentes
dentro dessas áreas são carregadas de antagonismo, porque o jornalismo requer urgência
na produção da informação e isso gera a superficialidade, e muitas vezes o tom
sensacionalista das informações. Já os cientistas valorizam o tempo e a técnica. A
informação é tratada com rigor científico, possui próprios de avaliação, causando assim
tensões como o campo do jornalismo (BUENO: 1999, p. 3-4) analisa que:
Na prática, arrogância e desconfiança são pontos críticos deste
relacionamento. Cada um deles - cientista e jornalista - credita ao outro a
culpa pelos problemas decorrentes de uma divulgação incipiente e
inadequada. O cientista teme que suas declarações sejam mal traduzidas,
apoiado, talvez, em experiências concretas de uma má divulgação. Em
muitos casos, no entanto, este temor tem a ver com o fato de o cientista
revelar dificuldade para imaginar que o público-alvo do jornalismo científico,
em virtude de seu reconhecido baixo nível de alfabetização científica, deve
ser tratado, enquanto receptor de informações especializadas, de maneira
36
distinta dos seus pares.

(BUENO, 1999, p. 3-4) arremata afirmando que:


O jornalista, por sua vez, costuma taxar o cientista de arrogante, porque
identifica nele uma fonte pouco acessível, nem sempre disposta a empreender
um esforço maior no sentido de se fazer entender.

Bueno (1999) alerta que as consequências dessa relação conflituosa interferem


na forma de divulgação da notícia, porque nesse processo os jornalistas acabam
simplificando as notícias para facilitar a compreensão do público leigo, incomodando
assim os cientistas. Sobre a divulgação científica, o autor critica essa divulgação porque
muitas vezes atende aos interesses e à ganância dos empresários de comunicação,
enquanto que o teor da pesquisa é o que menos interessa.

Sobre a tensa relação entre jornalistas e pesquisadores (BUENO, 1999, p. 6)


alerta que:
A contribuição dos cientistas/pesquisadores para a ineficácia do processo de
divulgação ocupa espaço menos importante nestes trabalhos que, por isso, se
ressentem de uma maior abrangência. Fica a impressão de que a
responsabilidade e o interesse pela divulgação da Ciência e da Tecnologia
devam ser antes dos jornalistas e veículos que dos produtores do
conhecimento.

É necessário ter em mente que a divulgação da ciência e da tecnologia é uma


realidade e tende a expandir cada vez mais, levando consigo todos os tipos de
informação, por isso, a postura tanto por parte dos jornalistas quanto dos cientistas deve
ser repensada.
Anelise Rublescki (2009) analisa o Jornalismo Científico como uma prática
social que media informação e técnica para a produção de notícias. A autora discute as
dificuldades ainda encontradas dentro desse tipo de comunicação, visto que envolve
graus de complexidades gigantescos, que abrangem interesses de um conjuntos de
atores sociais, econômicos e políticos.
A pesquisadora alerta que a ampliação do domínio da ciência e da tecnologia
representa um obstáculo para os jornalistas. Para a autora, a educação e investimentos
disponibilizados a estes profissionais ainda são deficientes. Rublescki (2009: p.413),
avalia:

O fato da ciência e da tecnologia apresentarem-se em constante mutação


requer do profissional de imprensa uma atualização periódica, difícil diante
das condições de trabalho: baixos salários, reduzido apoio das empresas
jornalísticas em aprimoramento profissional, pouco tempo para pesquisas em
arquivos/bancos de dados já que, com equipes cada vez menores, cada
profissional tem que produzir mais matérias.

37
Ainda sobre o cenário da produção do jornalismo cientifico (RUBLESCKI,
2009, p. 413) analisa que:
Essa é uma realidade que permeia as redações de modo geral, o que explica,
mas não justifica a baixa qualidade do trabalho dito investigativo no
jornalismo. Especificamente no Jornalismo Científico, uma nova conquista
quanto ao preparo dos profissionais da imprensa é o crescimento dos cursos
especializados na área, que se multiplicam por todo o país, em nível de
especialização, mestrados ou doutorados. A especialização no Jornalismo
Científico poderá delinear um quadro diferente nas redações dos jornais
diários, com profissionais mais conscientes das particularidades da área em
que atuam e mais preparados para lidar com a vasta abrangência temática que
hoje o caracteriza.

É perceptível na visão da autora que o sistema educacional é um fator que


contribui para a atuação limitada de alguns profissionais que trabalham com Jornalismo
Científico. Outros autores também veem nos investimentos educacionais um fator
significativo para mudanças na postura dos jornalistas especializados nos temas
científicos, o que pode ser observado na visão de Marcelo Leite (2005). Para o autor, o
grande desafio do jornalismo científico-ambiental é a carência de profissionais
capacitados:
O desafio posto para o jornalismo científico-ambiental é colossal, trabalho
para profissionais e não para amadores. Tudo conspira contra a qualidade e o
sucesso: ignorância crescente do público, produto direto da falência dos
sistemas de educação; desconhecimento e conflitos abertos de interesse por
parte dos legisladores; desatenção de governantes que só têm olhos para a
dinâmica macroeconômica, não para a do desenvolvimento sustentável; e
também a tendência, até certo ponto compreensível, de organizações de
classe e não-governamentais para a espetacularização das questões, pois de
outro modo não conseguem atrair a atenção da imprensa, que se autodegrada
à condição de simples transmissora de ideias feitas sobre as maravilhas da
ciência. Comunidade científica e jornalistas só têm uma chance de vencer o
desafio: profissionalização. (LEITE, 2005, p.1).

Leite (2005) aponta a desinformação como uma barreira que leva à deficiência
no trabalho da imprensa na América Latina:
Cabe aqui uma explicação sobre por que prefiro falar em informação e não
em educação, para referir-me à missão da imprensa em relação às questões
complexas da ciência e da tecnologia, como genética e transgenética,
biodiversidade e mudança climática etc. O pressuposto, ao se falar em
educação, costuma ser o de que há fatos objetivos e inquestionáveis
produzidos pela ciência isenta e de que, uma vez que o público tenha acesso a
eles, o consenso racional se estabelecerá. Nada mais distante da realidade.
Essas questões são, e continuarão a ser por muito tempo, questões políticas. A
complexidade científica compõe somente seu pano de fundo, e é a partir dela
– e não determinada por ela - que a sociedade, ou a comunidade de nações,
tem de tomar decisões negociadas. Qualquer pessoa que tenha mantido o
mínimo contato com a esfera da pesquisa científica sabe que esse é o último
campo em que se pode encontrar consenso sobre coisa alguma. (LEITE:
2005, p.3).

38
O crescimento da produção da informação traz consigo considerações sobre o
espaço para seu armazenamento, difusão instantânea e compartilhamento globalizado.
Alguns dos fatores que provocaram a mudança das publicações para novos suportes
tecnológicos foram a necessidade da disseminação do conhecimento, os aumentos dos
custos na edição, o acesso restrito e o impacto dos resultados das pesquisas. Porém, é
necessário refletir que as informações postadas em conteúdos de livre acesso são
rapidamente disseminadas para inúmeros locais, por isso as notícias devem ser tratadas
com seriedade e responsabilidade.
Moreno e Arellano (2005) refletem que em algumas áreas do conhecimento, a
adoção do formato eletrônico se deu de forma mais imediata, devido à necessidade de
uma divulgação mais rápida dos avanços na ciência. A maioria dessas publicações
continua disponibilizando um reduzido número de edições em papel, mas começam a
adaptar suas políticas de editoração tradicionais aos novos modelos de comunicação
científica.
Uma postura crítica e libertária configura a perspectiva de Bueno (2001) ao
refletir sobre o Jornalismo Científico. É enfático ao destacar a importância de se
resgatar o caráter pedagógico e crítico do jornalismo. Para o autor, é necessário que os
profissionais que trabalham com a comunicação busquem atuar de forma honesta, visto
que o compromisso do jornalista com a sociedade exige respeito e ética. Sobre a relação
entre ciência, tecnologia e sociedade, pontua que, (BUENO: 2001, p.1):
As relações entre ciência/tecnologia e sociedade, permeadas por uma rede
complexa de interesses e compromissos, exigem uma nova postura do
jornalismo científico, agora, mais do que nunca, comprometido com uma
perspectiva crítica do processo de produção e divulgação em ciência e
tecnologia.

Bueno (2001) chama atenção para o fato de que se precisa ter em mente que hoje
os temas relacionados à tecnologia e informações se converteram em mercadoria,
envolvendo, assim, diversos jogos de interesses. Numa passagem sublinha que,
(BUENO, 2001, p.3):
Declarar que a ciência, a tecnologia e a informação se constituem nas
mercadorias mais valiosas do mundo moderno é certamente repetir o óbvio.
Inúmeros autores, com grande propriedade, já o fizeram antes. O que nos
interessa, neste contexto, é ressaltar o fato de que, enquanto mercadorias, elas
se atrelam a um espectro amplo de interesses e compromissos, marcado pela
ação de lobbies e de sistemas de controles, quando não de ações
deliberadamente espúrias (como as que promovem a constituição de cartéis e
monopólios), que visam garantir privilégios para os que dominam os
universos da ciência, da tecnologia e da informação.

São justificáveis as críticas de Wilson Bueno sobre a ciência e tecnologia. É

39
perceptível que esta preocupação está presente também na visão de Roberto Amaral
(2002). De acordo com este autor, a tecnologia permite novas formas de comunicação,
porém, Amaral alerta que esse processo acontece dentro de um quadro político-cultural
marcado por desigualdades sociais. Para ele, é preciso que se atente para o discurso que
é feito sobre algum tema, visto que estão envolvidos diversos interesses.
Para Roberto Amaral (2002), o uso e a apropriação dos meios de comunicação
de massa é um negócio lucrativo e a auto-inovação tecnológica não corresponde à
melhoria social, porque as políticas adotadas são concentralistas e regulatórias. Este
quadro afeta de forma negativa a base educacional, impossibilitando assim, reflexão
crítica aos usuários dessa nova onda tecnológica. Para Amaral (2002: p. 96-97) isso
estabelece um ciclo vicioso, ou seja, usuários cada vez mais desinformados:
Com o uso intensivo das novas tecnologias informatizadas, aos problemas de
um analfabetismo letrado aliam-se os do analfabetismo tecnológico, num
mundo no qual a importância do trabalho material é cada vez mais terreno ao
trabalho imaterial e gera uma divisão de trabalho sem precedentes ao impor a
separação espacial dos trabalhadores e inviabilizar a construção da identidade
no/pelo trabalho. Não mais a fábrica, com sua linha de montagem localizada
no mesmo espaço e organizando o proletariado, mas uma rede bastante
dispersa e fragmentada de fornecedores de peças desarticuladas de um
produto que não está mais à vista, coordenada pela inteligência informatizada
que isola o operário e tende a esvaziar o proletariado, seu ser coletivo.

Ao analisar a crítica de Amaral, percebe-se que apesar da internet ter um grande


potencial como difusora da informação científica, ela ainda é exclusiva, porque grande
parte de seus usuários não possuem visão crítica para os conteúdos disponibilizados
nesse sistema de comunicação. A internet, agindo assim, não está contribuindo para a
inclusão social, mas sim para que se mantenha um sistema de analfabetismo dos
usuários. Assim, é preciso refletir sobre questões culturais, econômicas e sociais que
envolvem diversos interesses nos discursos que são viabilizados com a ajuda da
tecnologia.
No entanto, a internet pode ser usada como provedora de informações dignas,
em que, mesmo se tendo em jogo interesses diversos, seja respeitado o direito do
cidadão de ter acesso à informação de qualidade. No caso da revista Amazônia:
Ciência & Desenvolvimento, é disponibilizado no site do Banco da Amazônia todas as
edições, em arquivos no formato pdf. Na edição impressa, a revista é feita em papel
reciclado. O objetivo principal do projeto da revista é incentivar os pesquisadores da
área, facilitando o processo de publicação de artigos científicos, técnicos, estudos de
caso, artigos de revisão, entre outros trabalhos de teor acadêmico.
Tem por objetivos específicos: eliminar os custos com papel, impressão e
40
postagem; promover a realização de pesquisa e produção de conhecimento entre
pesquisadores da área; oferecer suporte em mídia digital, facilitando a inserção de
artigos e, conseqüentemente, ampliando a disseminação dos trabalhos científicos;
estimular o desenvolvimento do rigor científico, oferecendo ao pesquisador a
possibilidade de ter seu trabalho avaliado por seus pares na sua área de atuação e
contribuir para a qualidade da ciência nacional, buscando reconhecimento também em
bases internacionais.

Breve histórico da revista


A revista Amazônia Ciência & Desenvolvimento aborda temas que despertam
para reflexão sobre assuntos que envolvem temas socioecônomicos, tecnológicos e
ambientais. Possui como assuntos abordados, o alinhamento do aproveitamento das
riquezas naturais, com a complexidade sistêmica dos fenômenos socioeconômicos e
ambientais da região, o que, invariavelmente, só será possível a partir de uma sólida
base de conhecimentos científicos. A publicação da revista faz parte da política editorial
do Banco da Amazônia, consubstanciada no projeto estratégico “excelência por
natureza”.
Lançado em março de 2006 – referente ao semestre de julho a dezembro de 2005
– o periódico multidisciplinar supre uma carência da região, que forma apenas 3% dos
doutores de toda a produção científica brasileira. Diante dos esforços dos editores, que
são rigorosos na escolha e edição dos artigos, em 2010, a publicação passou a integrar o
ranking da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES),
do Ministério da Educação24.
A revista é distribuída em universidades federais, estaduais e públicas, além de
órgãos governamentais e institutos de pesquisa. Nesses cinco anos foram veiculadas em
10 edições 131 artigos, em mais de duas mil e quinhentas páginas, que tratam as
especificidades socioeconômicas e tecnológicas dos nove Estados da Amazônia.
Com tiragem de mil exemplares e publicação semestral, a revista é coordenada
pelos editores Oderle Milhomem Araújo, Maria Lúcia Bahia e Fabrício Koury, além de
contar com um conselho editorial composto por 20 pesquisadores25 de instituições

24
O processo classifica os veículos utilizados pelos programas de pós-graduação na divulgação da produção
intelectual. Um fato que também constata a importância da revista no meio acadêmico é o histórico de profissionais
consagrados, que submetem suas pesquisas à publicação.
25
Ahmad Saeed Khan (UFC/DEA), Alfredo Kingo Oyama Homma (Embrapa Amazônia Oriental), Ana Laura dos
Santos Sena (IESAM), Antônio Carvalho Campos (UFV/DER), Antônio Cordeiro de Santana (UFRA/ISARH), David
Ferreira Carvalho (UFPA/NAEA), Dulce Helena Martins Costa (Banco da Amazônia), Erly Cardoso Teixeira
(UFV/DER), Fernando Antônio Teixeira Mendes (CEPLAC), Francisco de Assis Costa (UFPA/NAEA), Iran Pereira
Veiga Júnior (UFPA/NEAF), João Eustáquio de Lima (UFV/DER), Joaquim José Martins Guilhoto (USP/FEA), José
41
locais, regionais e nacionais.
Na primeira edição da revista, no ano de 2006, foram apresentados onze artigos
originais, além de doze resumos de notas técnicas e projetos de pesquisa financiados
pelo Banco da Amazônia. Os trabalhos abordaram temática como agricultura familiar,
pesca artesanal, cadeias produtivas, arranjos produtivos locais, economia industrial,
biodiversidade, entre outros.

Capa da revista jul/dez de 2005) Capa da revista (jan/jun de 2010)

Na décima e mais recente edição, no ano de 2010, foram produzidos doze artigos
de diversas áreas do conhecimento. As produções contemplaram entre vários temas, os
seguintes: avaliação de cultivares, gestão dos recursos naturais, impactos
socioambientais, manejo de solo, mercado varejista de móveis de madeira, produção
agrícola e pecuária e políticas públicas.
A produção científica tem como finalidade criar bases de conhecimento para que
estudantes e pesquisadores tenham fontes para aprofundar suas pesquisas e também para
que empreendedores interessados em aprofundar seus conhecimentos sobre a Amazônia
utilizem essas informações na prática.
A publicação do BASA é um periódico científico de caráter inter e
multidisciplinar que apresenta artigos, ensaios e notas técnicas originais, fruto de uma
construção de conhecimento. O foco da revista é expor, de forma íntegra, conteúdos e
novidades que acontecem no mundo científico. Dessa forma, seus conteúdos priorizam
os temas socioeconômicos, tecnológicos e amazônicos.

Jorge Valdez Pizarro (IESAM), Lauro Satoru Itó (UFRA/ISARH), Marcos Antônio Souza dos Santos (UFRA),
Mutsuo Asano Filho (UFRA/ISARH), Raimundo Aderson Lobão de Souza (UFRA/ISARH), Roberto Ribeiro Corrêa
(UFPA/DSE), Samuel Soares de Almeida (MPEG).

42
A revista Amazônia: Ciência & Desenvolvimento é um exemplo do esforço
científico de instituições e pessoas, que pesquisam e buscam refletir sobre as questões
regionais. Trata-se de um instrumento de difusão de conhecimento.

Considerações finais

Os arquivos abertos se firmam, aos poucos, como um novo espaço de publicação


e comunicação da informação científica. É importante que o pesquisador não
disponibilize suas pesquisas em qualquer página da web. É necessário que as
instituições invistam mais em financiamentos para esses tipos de publicações,
valorizando assim, os pesquisadores e contribuindo para uma informação de qualidade.
No caso da região amazônica, é preciso que se valorizem as publicações locais.
O empenho da equipe editorial da revista Amazônia: Ciência &
Desenvolvimento visa melhorar o suporte de divulgação das produções científicas da
área, buscando manter um compromisso com a publicação dos trabalhos. Todo o
processo de produção científica é acompanhado de perto por uma equipe de
profissionais, comprometida com a qualidade da revista. Dessa forma, pode-se dizer que
as revistas científicas disponíveis eletronicamente possuem grandes vantagens sobre as
revistas tradicionais impressas, uma vez que na versão eletrônica, é possível ter melhor
facilidade de comunicação.
Acredita-se que a tentativa de desenvolver uma revista científica em mídia
eletrônica beneficiou imensamente a comunidade científica da área, contribuindo assim
para o crescimento e para a qualidade da produção e contribuição científica. No caso da
revista Amazônia: Ciência & Desenvolvimento, é um periódico disponibilizado na
internet de fundamental importância científica, porque seus critérios de noticiabilidade
são fundamentados na ética que envolve pesquisadores especializados nos temas, seu
corpo editorial é composto por profissionais capacitados para expor informação de
qualidade.

Bibliografia

AMARAL, Roberto. Imprensa e controle da opinião pública (informação e


representação num mundo globalizado). In: MOTTA, Luiz Gonzaga. (Org.). Imprensa
e poder (coleção comunicação). Editora Universidade de Brasília, São Paulo: Imprensa
Oficial do Estado, 2002.

BANCO DA AMAZÔNIA - Site. 2007. Disponível em:


http://www.bancoamazonia.com.br/bancoamazonia2/institucional_obanco_historia.asp>
43
. Acesso em: 13 abr. 2011.

BUENO, Wilson da Costa. Jornalismo científico, lobby e poder. Parcerias


estratégicas. Brasília, Centro de Estudos Estratégicos/MCT, nº 13. 2001, p.168-200.

_______. Jornalismo Científico: resgate de uma trajetória. Comunicação &


Sociedade, n.30, 1999. Disponível em:
<http://mestradodivulgacaocientifica.files.wordpress.com/2009/12/cap_10_bueno.pdf>.
Acesso em: 13 abr. 2011.

Editora da Revista - Oderle Milhomem Araújo – cedeu entrevista à equipe para


obtenção de mais informações e enriquecimento do presente artigo.

LEITE, Marcelo. O papel do jornalista científico e ambiental. Encuentro


Latinoamericano de periodistas científicos y ambientales. Montevidéu, 2005.
Disponível em: <http://www.idrc.ca/uploads/user-
S/11182353001MarceloLeite(Brasil).pdf>. Acesso em: 28 mar. 2011.

MORENO, Fernanda Passini. ARELLANO, Miguel Ángel Márdero. Publicação


Científica em Arquivos de Acesso Aberto. 2005. Disponível em:
<http://www.periodicos.ufrgs.br/admin/sobrelinks/arquivos/Publicacao_acesso_aberto.p
df>. Acesso em: 25 mar. 2011.

RUBLESCKI, Anelise. Jornalismo Científico: problemas recorrentes e novas


perspectivas. Ponto de Acesso, Salvador, v. 3, n. 3, p. 407-427, dez. 2009. Disponível
em: <http://www.portalseer.ufba.br/index.php/revistaici/article/viewArticle/3357>.
Acesso em: 25 mar. 2011.

Site da Revista do Banco da Amazônia. 2007. Disponível em:


<http://www.bancoamazonia.com.br/bancoamazonia2/institucional_biblioteca_revistaa
mazonia.asp>. Acesso em: 28 mar, 2011.

COMUNICAÇÃO ORGANIZACIONAL E CIENTÍFICA: O MODELO DA


EMBRAPA AMAZÔNIA ORIENTAL

Rodolfo de Oliveira26

RESUMO Este artigo apresenta a síntese de um trabalho de conclusão de curso, sobre


como e em que medida as práticas de comunicação adotadas pela Embrapa Amazônia
Oriental tem contribuído para o seu desempenho institucional. São elementos sobre a
importância da comunicação nas organizações e como elas podem ser estruturadas
dentro de uma empresa.

26
Estudante de Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo na Universidade da Amazônia (UNAMA). Email:
rodeoliveiras@gmail.com
44
Palavras-chave: Comunicação Organizacional, Práticas de Comunicação e
Embrapa Amazônia Oriental.
Introdução

No mundo da comunicação das empresas e instituições, pouco se pensa sobre os


conceitos “política de comunicação”, “plano de comunicação” e “ações de
comunicação”. Nassar (2005) afirma que essa falta de reflexão sobre os aspectos
estratégicos e táticos da comunicação empresarial - e suas influências - sobre a empresa
e a sociedade tem entre suas causas principais o posicionamento, ainda reativo, imposto
ao profissional desse campo da atividade organizacional pela administração, voltada
apenas para a solução de questões e problemas cotidianos.

Segundo Wilson Bueno (2006) conceito de Comunicação Empresarial se


refinou: ela passou a ser estratégica para as organizações, o que significa que se
vinculava estritamente ao negócio, passando, também, a ser co-mandada por
profissionais com uma visão abrangente, seja da comunicação, seja do mercado em que
a empresa ou entidade se insere. A Embrapa Amazônia Oriental é uma referência no
conceito de comunicação organizacional. A empresa teve sua origem em 1939, com a
criação do Instituto Agronômico do Norte (IAN). É um dos mais antigos centros de
pesquisa da região amazônica, e uma das 41 unidades da Empresa Brasileira de
Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento.
A empresa tem como missão: "Viabilizar soluções de pesquisa, desenvolvimento
e inovação para a sustentabilidade da agropecuária, agroindústria e floresta e contribuir
para a conservação do capital natural da Amazônia Oriental em benefício da sociedade."
A Embrapa se destaca por adotar uma política de comunicação profissionalizada, entre
eles está o Plano Diretor. Nele a empresa define suas metas para todos os setores da
organização para um período de quatro anos, além de estabelecer como será a
divulgação de suas pesquisas científicas, a principal área de atuação da organização.

O jornalismo científico é hoje a maior área especializada do jornalismo. Trata-se


de uma prática de divulgação de informações especializadas sobre as novas tecnologias,
descobertas científicas, pesquisas de áreas humanas, técnicas e o meio ambiente. O
leque do setor é considerado infinito. Ele serve como um mediador entre as empresas
que divulgam as novas pesquisas e a sociedade que é beneficiada e está relacionado ao
assunto.
45
Leite (2005) relata que o jornalismo científico a cada dia exige um profissional
mais preparado ante ao conjunto de transformações que a sociedade vem passando, e
que o aprofundamento da cidadania deve servir como baliza do jornalista. E que a
atividade não deve ser entendida como um almanaque de curiosidades, mas como
fornecimento da informação básica que cada vez mais é fundamental para que cada
cidadão exerça seus direitos.
Ao se observar o último plano divulgado pela Embrapa Amazônia Oriental a
empresa reforça a importância da produção científica e a contribuição na geração de
conhecimento, tecnologia e inovação para a produção sustentável da agropecuária,
agroindústria e floresta, e na conservação do capital natural na Amazônia.
Nela o papel que é prestado ao comunicólogo, que muitas vezes é limitado a
apenas divulgar as melhorias da empresa com uma comunicação mercadológica, é
diferenciado por apresentar uma função abrangente. Para isso, a empresa adota diversas
práticas de comunicação fazendo um contato direto com o seu público, não apenas
como divulgação, e sim, uma comunicação na qual haja a troca de informação entre o
seu público interno e externo.
Comunicação Institucional versus Comunicação Mercadológica
Durante todas as décadas anteriores as empresas sempre pensavam na
comunicação apenas como um elemento secundário, e era separado dos valores
mercadológicos da empresa. Hoje podemos perceber que a comunicação está presente
em todos os setores de uma empresa, e que ela é realmente necessária para o
desenvolvimento da organização. Na modernidade a comunicação empresarial tem o
foco para a interação e para o mercado.
Mesmo existindo uma separação entre as duas vertentes, elas não são aplicadas
separadas, por isso muitas organizações utilizam das práticas e conceitos de
comunicação para que possam definir completamente o interesse da instituição. A
EMBRAPA – Amazônia Oriental apresenta dentro da sua comunicação institucional,
murais, intranet, boletim impresso e digital, livros, cartilhas, relatórios, mídia trainer, e-
mail entre outros para que haja uma relação direta entre todos os setores da empresa,
afim de que essa relação influencie na imagem e na comunicação externa da
organização.
A empresa conta com os vários segmentos da comunicação institucional para
melhorar o seu desempenho. Acreditando na ideia de que a comunicação interna é
46
importante e pode refletir na comunicação externa, e em como ela pode atingir o seu
público. A EMBRAPA – Amazônia Oriental trabalha com o conceito em que a
comunicação é utilizada como um meio de prestação de contas com a sociedade, assim
relacionando a concepção institucional com a concepção do mercado, que hoje são
fundamentais para uma comunicação organizacional.
Estamos na época da “Sociedade da Informação”, onde a opinião pública pode
afetar a imagem de uma empresa. “Na sociedade da informação, não se pode esconder a
verdade, sob pena de comprometer, definitivamente, a imagem” afirma Wilson Bueno.
Quase sempre, a opinião publica penaliza mais as organizações que escondem os erros
do que aquelas que os assumem e tomam medidas concretas para superá-los.
As políticas de comunicação são utilizadas para manter e até mesmo melhorar
essa qualidade. A relação entre instituição – público será reflexo da estratégia de
comunicação que é utilizada pela empresa. Logo a comunicação institucional e a
comunicação mercadológica serão diferentes lados, mas da mesma moeda.
No livro “O que é comunicação estratégica nas organizações?” Ivone de
Lourdes e Maria Aparecida de Paula (2007) afirmam que os fluxos informacionais
tornam-se um dos fatores preponderantes do ciclo produtivo, caracterizando a fase pós-
fordista, em que as organizações redirecionam seus fluxos para as demandas de
mercado, sendo sua produção cada vez mais determinada por estímulos do ambiente
externo. Esses fluxos causam sérios impactos no emprego e transformam,
fundamentalmente, as relações de trabalho com crescentes exigências de mais
qualificação, nível de conhecimento, iniciativa e capacidade para resolver problemas,
por parte dos trabalhadores.
A Embrapa usa desses fluxos para repassar os seus valores que balizam as
práticas e os comportamentos da organização e de seus integrantes, independentemente
do cenário vigente, e representam as doutrinas essenciais e duradouras da empresa
através da comunicação. A excelência em pesquisa e gestão, responsabilidade
socioambiental, ética, respeito à diversidade e à pluralidade, comprometimento e
cooperação são características da empresa em relação a sua comunicação.
Para Lupetti (2000) ter uma política de comunicação é uma estratégia básica de
comunicação de uma organização ou marca. Regras que devem ser seguidas no trabalho
de planejamento, criação, produção e mídia de todas as ferramentas de comunicação
institucional. A EMBRAPA possui uma das mais respeitadas políticas do Brasil, ela
trabalha todo o processo de comunicação, e usa do meio para melhorar o desempenho

47
da empresa em todos os setores. Esse conceito é transmitido para as 41 sedes espalhadas
no Brasil, através de auditorias anuais com todas as sedes da EMBRAPA.
A empresa usa da comunicação como um meio de prestação de contas com a
sociedade, já que a instituição faz parte de um órgão público, em que o objetivo
principal deve ser a melhoria para a sociedade.
Ao se analisar o cenário da comunicação da Embrapa visualizasse que a empresa
realmente se aproxima daquilo que é e expressa em suas linhas de atuação, fugindo da
tentação de se posicionar como aquilo que gostaria de ser. Para Bueno, (2003) a
transparência é a arma das organizações modernas, pois estabelece uma relação de
confiança com os seus públicos. Não praticá-la significa desrespeitar os públicos com
quem se relaciona. O que leva, mesmo em curto prazo, a abalos que podem ser fatais em
sua reputação.

A divulgação científica

O foco de atuação da Embrapa Amazônia Oriental é Pesquisa, Desenvolvimento


e Inovação (PD&I) para o desenvolvimento sustentável da Amazônia Oriental, visando
à eficiência e à competitividade dos segmentos agropecuário, agroindustrial e florestal.
A organização tem um projeto de comunicação no qual o jornalismo científico está
inserido. No site da Embrapa são divulgadas as informações sobre as pesquisa
realizadas na organização mediando o papel do pesquisador para o entendimento da
sociedade.
Os autores que se debruçam sobre o jornalismo científico-ambiental alertam
sobre a complexidade do tema, e o imenso desafio que o mesmo enseja, e que por conta
de sua especificidade é trabalho para profissionais e não para amadores. Nessa
perspectiva de aproximação da produção da ciência com o jornalismo a organização
atua em parcerias na geração de tecnologias em consonância com as diferentes
realidades socioambientais com as quais trabalha. No sentido de garantir avanços em
novas fronteiras do conhecimento científico e oferecer produtos e serviços de qualidade,
preservando e valorizando a biodiversidade e os recursos naturais.
No site da organização é disponibilizada uma página onde é possível encontrar
uma relação de Produtos e Serviços oferecidos pela Embrapa Amazônia Oriental. A
página disponibiliza equipamentos, sistemas e/ou métodos específicos desenvolvidos
para a produção agropecuária, florestal ou agroindustrial, e serviços de análises

48
laboratoriais nas áreas de solos.
A Embrapa é uma organização que trabalha com pesquisas e divulgações
científicas, exemplo de como o jornalista científico deve trabalhar, divulgando
imparcialmente a pesquisa com o interesse de esclarecer a sociedade. Essa área deve
ganhar cada vez mais espaço dentro do jornalismo, chegando a influenciar todas as
áreas da comunicação e da informação.

49
Bibliografia
BUENO, Wilson da Costa, Comunicação Empresarial: teoria e pesquisa / Wilson
da Costa Bueno. – Barueri, SP: Manole, 2003.
NASSAR, Paulo. Política e Comunicação - A comunicação com pensamento.
<http://www.reddircom.org/textos/nassar.pdf>
OLIVEIRA, Ivone. O que é comunicação estratégica nas organizações? Ivone de
Lourdes Oliveira, Maria Aparecida de Paula – São Paulo: Paulus, 2007.
PLANO DE COMUNICAÇÃO da Embrapa Amazônia Oriental. Disponível em:
< http://www.cpatu.embrapa.br/ >
LEITE, Marcelo. O papel do jornalista científico e ambiental. Artigo
apresentado no Encuentro Latino Americano de periodistas científicos y ambientales em
2005. Montevidéu.
DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA - PERDAS E FRACASSOS PODEM
INFLUENCIAR NO APARECIMENTO DO CANCER

Andressa Gonçalves da Silva¹


Ísis de Mello Neto²

RESUMO: O presente artigo reporta uma pesquisa realizada pela psicóloga paraense
Oneli Gonçalves, professora da Universidade do Estado do Pará (UEPA). Ela estudou
16 mulheres com câncer, pacientes do Hospital Brigadeiro, de São Paulo. Constatou que
personalidade e história de vida das mulheres tem relação com o desenvolvimento da
doença. Constatou que o estado emocional influencia no adoecimento.
Palavras chave: Jornalismo Científico, Pesquisa, Universidade do Estado Pará
(UEPA)
O Jornalismo Científico
O jornalismo científico¹ é a forma de divulgação da ciência e tecnologia nos
meios de comunicação de massa dentro do formato do sistema de produção jornalístico.
Entretanto, nem tudo que é divulgado nos meios de comunicação relacionados à ciência
e tecnologia pode ser considerados Jornalismo Científico. Segundo a Associação
Brasileira de Jornalismo Científico, alguns jornais internos de instituições que
trabalham com ciência e tecnologia divulgam artigos, ou textos sobre pesquisa cientifica
que não são jornalismo científico por não atenderem aos padrões do jornalismo.

50
Simplificadamente, o Jornalismo Científico compreende a
veiculação, segundo os padrões jornalísticos, de
informações sobre ciência, tecnologia e inovação e se
caracteriza por desempenhar inúmeras funções. Em
primeiro lugar, ele cumpre o papel, absolutamente
indispensável num país onde o ensino formal de ciências é
precário, de contribuir para o processo de alfabetização
científica, permitindo aos cidadãos tomar contato com o
que acontece no universo da ciência e da tecnologia
(BUENO, 2007)

O jornalismo científico se destina ao público leigo com a intenção de


democratizar as informações (pesquisas, inovações, conceitos de ciência e tecnologia).
O objetivo do jornalismo científico é fazer com que o público que não tem acesso a esse
tipo de informação passe a ter conhecimento sobre esses temas.
Esta modalidade de relato jornalístico possui características próprias que o
diferem dos outros jornalismos especializados. Dentre essas características está a
monofonia. Geralmente apenas um especialista ou pesquisador é a fonte de informação.
Outra característica importante do repórter do jornalismo científico é que, muitas vezes,
a linguagem utilizada por pesquisadores ou cientistas não é acessível ao público
comum, é esse repórter que vai reproduzir com uma linguagem mais simples e objetiva
o estudo do especialista.
Segundo Bueno (2007) a literatura em Jornalismo Científico no Brasil é
escassa e, tradicionalmente, prioriza discutir a relação entre cientistas e pesquisadores,
jornalistas e divulgadores de ciência ou explora a dificuldade de adaptação do discurso
científico, geralmente hermético. Os relatos jornalístico priorizam as temáticas
científicas em detrimento aos assuntos trabalhados pela maioria dos veículos
comunicacionais.
Os assuntos pautados pelo jornalismo são aqueles considerados de interesse
público. A teoria do agendamento ou agenda setting traduz essa especificidade do
jornalista agendar o que é de interesse do publico atrelando a certo interesse comercial
de alguns veículos.
Segundo Penna (2008: p. 142) a teoria do agendamento defende a ideia de que
os consumidores de notícias tendem a considerar mais importantes os assuntos que são
veiculados na imprensa sugerindo que os meios de comunicação agendam nossas
conversas.
O repórter é reconhecido como o mediador social, aquele que vai dizer o

51
que é interessante ao público. No caso do jornalismo cientifico, muitas vezes as fontes
buscam o repórter para buscar divulgação das pesquisas e muitas vezes pelo interesse no
financiamento e apoio que podem adquirir após a divulgação da pesquisa, uma vez que
ainda é difícil de conseguir financiamento a projetos científicos.
Geralmente quando o relato jornalístico desperta o interesse do repórter
científico ou é um caso de relevância a vida social, matérias relacionadas à saúde,
descobertas tecnológicas que causariam mudanças na rotina dos seres humanos. Muitas
vezes algumas dessas matérias não deixam de ter carácter sensacionalista, uma vez que
o ser humano tende a ser atraído por sentimentos, como, por exemplo, o medo.
Entendemos que a divulgação científica é importante ao público para ter
acesso ao conhecimento científico e ficar atualizado sobre as investigações e
descobertas dos pesquisadores.
A Universidade do Estado do Pará (UEPA)
Esse relato jornalístico apresenta a pesquisa da psicóloga paraense Oneli
Gonçalves, professora da Universidade do Estado do Pará, que atualmente leciona
psicologia no curso de Terapia Ocupacional. Já ministrou a disciplina para os cursos de
Licenciatura Plena em Música, Medicina, Ciências Naturais, Matemática e Pedagogia. A
Uepa tem por missão e objetivo contribuir para o desenvolvimento do estado do Pará,
foi criada em 18 de maio de 1993, a partir da promulgação do decreto Presidencial de
4/4/1994. A universidade nasceu da fusão de faculdades estaduais e tem por
característica ser multicampi onde funcionam os cursos de graduação e pós-graduação
lacto sensu e stricto sensu. A Uepa também estende seus polos oferecendo cursos de
graduação no interior do estado do Pará.
Na capital os campi da universidade se dividem em: CCBS, Centro de Ciências
Biológicas Saúde, onde funcionam os cursos de Medicina, Fisioterapia e Terapia
Ocupacional, que oferece laboratórios especializados de anatomia, genética, histologia,
além do Centro Saúde Escola que permite aos discentes vivenciarem a profissão junto à
comunidade. O CCSE, Centro de Ciências Sociais e da Educação, que coordena os
cursos de licenciaturas: Letras, Matemática, Pedagogia, Secretariado Executivo
Trilíngue, Música e Ciência da Religião e Ciências Naturais, e, Bacharelado em Música.
O Centro de Ciências Naturais e Tecnologia, CCNT, coordenam os cursos de
Engenharia Ambiental, Bacharelado em Design, Tecnologia Agroindustrial e
Engenharia de Produção. A escola de Educação Física comporta o curso e também
dispõe a comunidade aulas de prática esportiva e a escola de enfermagem “Magalhães

52
Barata” faz parte do CCBS, mas fica lotada em uma unidade separada.
A Uepa dispõe aos discentes os projetos de iniciação científica que tem como
objetivo contribuir para o processo de formação científica dos alunos dos cursos de
graduação da UEPA. Entre os objetivos estão: a) despertar vocação científica e
incentivar novos talentos potenciais entre estudantes de graduação, mediante sua
participação em projetos de pesquisa, preparando-os para o ingresso na pós-graduação e
b) proporcionar ao bolsista, orientado por pesquisador qualificado, a aprendizagem de
técnicas e métodos de pesquisa, bem como estimular o desenvolvimento do pensar
cientificamente e da criatividade.
A universidade também oferece serviços à comunidade bem como centro saúde
escola, unidade materno infantil, laboratório de tecnologia assistiva, ambulatório de
dermatologia, laboratório de analises clinicas e outros.

Perdas e Fracassos Podem Influenciar no Aparecimento do Câncer

Perder um filho, o emprego, mudar de cidade e divorciar-se são subtrações


que podem provocar uma dor além do luto, como um mal estar físico ou até o câncer.
Foi o que percebeu a psicóloga paraense, mestre em Psicologia Clínica e Social pela
Universidade Federal do Pará (Ufpa) e professora da Universidade Estadual do Pará
(Uepa) Oneli Gonçalves, durante pesquisa realizada em 1991, com mulheres com
câncer, pacientes do Hospital Brigadeiro em São Paulo.
Há quase 20 anos quando era estudante do curso de pós-graduação de
psicologia clínica na instituição de pesquisa e saúde do Instituto Nementon, em São
Paulo, a psicóloga identificou um ponto em comum entre pacientes mulheres do
Hospital Brigadeiro (SP), com mais de 30 anos, que desenvolveram câncer. Todas
relataram ter sofrido uma perda de três meses a um ano e meio antes do diagnóstico da
doença.
Na avaliação da psicóloga, o sofrimento e outros sentimentos que causam
mal estar contribuiu para o desenvolvimento de doenças, entre elas o câncer. Ao atender
as pacientes no hospital da capital paulista, ela identificou que além das dores físicas
provocadas pelo câncer, as mulheres sofriam por uma dor não física que ela denominou
dor psíquica. O assunto foi tema da pesquisa do mestrado em psicanálise realizado na
Universidade Federal do Pará há dois anos.
No entendimento dos psicanalistas, essa dor que se manifesta em

53
sentimentos só pode ser tratada a partir do momento que a paciente compreende o que
lhe causa o sofrimento para então saber como lidar com ele. É o que ela chama de
“elaborar a dor”, processo que se alcança com ajuda da psicoterapia. Diferente do
câncer e demais doenças, esta dor não é tratada com medicamentos, segundo observa a
psicóloga.
O Hospital Brigadeiro é referência no atendimento de portadores de câncer
que sem recursos financeiros para custear o tratamento da doença. Pacientes de todo o
Brasil viajam para São Paulo na perspectiva de se salvar da doença com ajuda dos
profissionais do hospital. Foi durante o curso de pós-graduação que Oneli Gonçalves
identificou um grupo mulheres com câncer que tinham histórias de vida semelhantes. A
pesquisa foi realizada no setor de ginecologia e oncologia do hospital que abrigava
mulheres que tinham diferentes respostas ao tratamento da doença.
“A minha grande pergunta era por que mulheres com o mesmo diagnóstico
de câncer, submetidas ao mesmo tratamento, respondiam de maneira tão diferente”,
explica o objeto de pesquisa. Ao longo do estudo, a pesquisadora observou que a
resposta ou até ausência de resposta ao tratamento estava relacionada com a história de
vida dessas mulheres.
A partir do atendimento psicológico às pacientes, a psicóloga elegeu as
participantes que concederam em contribuir para o estudo. Mulheres com mais de 30
anos, hospitalizadas no setor de ginecologia e oncologia do Hospital Brigadeiro. Oneli
Gonçalves entrevistou e acompanhou 16 mulheres que participaram de todas as etapas
do estudo. O número inicial era superior, mas as demais pacientes faleceram antes da
conclusão da pesquisa.
As entrevistas questionaram o que as pacientes conheciam sobre o câncer
que desenvolveram, investigavam sobre os acontecimentos de sua vida que
consideravam relevantes, com quem tinham casado, sobre a adolescência até chegar à
infância. ”Foi nesse percurso às avessas, vindo da vida adulta para investigar o infantil
dessa mulher que eu comecei a perceber que existia uma linha de funcionamento
psicológico comum entre elas. Uma coisa de ser doadora, cuidadosa, de sempre se
deixar por último, primeiro para todo mundo, depois sou eu”, explica a psicóloga.
Ela explica que toda a literatura médica e da psicologia que discute o perfil
do sujeito e a possibilidade de desenvolver determinada patologia – chamada de
psicossomática – deixa claro a relação entre o aparecimento da doença e o estado
emocional que a antecede. “A questão do câncer, da personalidade doadora, você

54
encontra não só na psicologia, mas também na literatura médica, escrito por médicos de
oncologia. (O câncer) vai refletir no teu ser mulher. O que simbolicamente caracteriza a
mulher? O seio, o útero, a vagina (locais onde se manifestou o câncer das pacientes
entrevistadas)”, pontua.
A pesquisa de Oneli Gonçalves definiu o que é ser/estar doente. Para
compreender os conceitos, a psicóloga estudou sobre o que é o câncer e as fases do
estado psicológico das pacientes segundo a autora Elizabeth Kubler-Ross que divide o
aspecto emocional da doença nos estágios de negação do câncer, revolta, barganha,
depressão e aceitação da morte.
É comum entre os pacientes com câncer não aceitar o diagnóstico da
doença. É quando ocorre o estágio de negação do câncer. “A mulher sabia que estava
doente e dizia que os médicos estavam errados, que o hospital não prestava. Iam fazer
exame em outro lugar, não aceitavam o diagnóstico”, pontua Oneli Gonçalves. O
reconhecimento da doença vinha logo em seguida, manifestado a partir do estágio da
revolta, momento em que as pacientes se sentiam injustiçadas por terem adoecido. “(A
paciente) começa a se questionar ‘por que eu? Sempre fui uma mulher cuidadosa, cuidei
de todo mundo e agora estou doente’”, lembra a queixa das pacientes.
A pesquisadora pontua que os médicos consideram a revolta uma fase
positiva para o tratamento da doença. Porque os estímulos contribuem para que o corpo
se manifeste em relação às reações dos medicamentos. “Os médicos sempre pediam:
‘mobilize este paciente que ele está muito parado’”, lembra a pesquisadora. Quando os
pacientes permanecem apáticos, os medicamentos pouco interferem no combate ao
desenvolvimento da doença, como observou a psicóloga.
“É comprovado cientificamente que toda pessoa que se entrega, que tem
dificuldade de reagir a uma situação de doença, o próprio sistema imunológico sofre
uma baixa”, observa Oneli Gonçalves. A fragilidade é propícia ao desenvolvimento do
processo infeccioso e deixa o paciente emocionalmente debilitada. “O funcionamento
global, psicológico, social do corpo dele vai funcionar de uma maneira muito lenta”,
avalia a pesquisadora.
Uma realidade desfavorável ao portador do câncer principalmente no
momento da realização do tratamento quimioterápico. A quimioterapia utilizada para
destruir as células cancerígenas mata também parte das células saudáveis do corpo. O
procedimento médico reduz as possibilidades de defesa do organismo porque afeta o
sistema imunológico. Por isso a necessidade dos pacientes ficarem isolados, excluídos

55
do contato com outras pessoas.
O isolamento e a dor emocional da luta contra o câncer leva os pacientes da
fase da revolta à barganha. De acordo com a psicóloga, momento em que a pessoa
recorre à espiritualidade, como se negociasse com a entidade espiritual a paz e a
salvação em troca de orações. “Ele estabelece uma troca com Deus ou com a entidade
que ele acredita para que ele fique curado. Isso é muito forte neles. Quando começa a
barganhar, em parte já aceita que está doente”, relata Oneli Gonçalves. Ela reconhece
que o momento também é importante para o tratamento médico porque contribui para a
adesão ao tratamento. O paciente passa a cumprir as prescrições médicas e o corpo
passa a reagir ao tratamento. Mas cada pessoa tem reações diversas, de acordo com o
tipo de câncer.
Com o tempo, quando as mulheres pesquisadas perceberam que o câncer era
resistente ao tratamento, elas entram em processo depressivo. As reações foram as
mesmas. Reflexos da revolta que alcançou seu auge. Desleixadas, descompromissadas
com a aparência e sem expectativa de vida, elas se entregam à ausência de perspectiva
de melhora. Manifestam medo da morte e de morrer sozinhas. Por isso não conseguem
dormir à noite, só de dia, quando sentem o conforto do movimento diurno das casas e
hospitais que disfarça a sensação de solidão.
Contraditoriamente também não sentem vontade do contato direto com as
pessoas. A maioria dos pacientes chega até esse estágio e morre sem querer se entregar à
morte. Alguns poucos alcançam o estágio de aceitação da morte, momento no qual os
pacientes vivenciam os momentos finais do câncer. “Aceitação: é o momento no qual a
pessoa se desprende das coisas materiais. Se despede das pessoas que ama porque sabe
que já vai morrer”, define a pesquisadora. Segundo ela, poucos pacientes alcançam o
estágio de aceitação. A psicóloga não investigou o fator responsável pela raridade da
conquista, mas especula que um deles seja o desenvolvimento da espiritualidade.
Oneli Gonçalves teve a oportunidade de acompanhar duas pacientes que
chegaram ao estágio da aceitação. As senhoras se despediram dos familiares, se
desligaram dos acontecimentos sociais e da vaidade. Segundo ela, algumas mulheres
cuidam da aparência até o dia da morte, o que denunciam as unhas feitas e outras
manifestações de vaidade.
“Tive uma paciente que era atriz de televisão, descendente de estrangeiro.
Morava sozinha no Brasil. Idosa, ela teve câncer, foi tratada e era extremamente
vaidosa. Quando estava no tratamento quimioterápico e perdeu os cabelos, cada dia que

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eu ia atendê-la ela estava com uma toca colorida diferente. As unhas bem vermelhas,
arrumadas, até o cobertor, a cama bem arrumada. Mas ela chegou ao nível de
aceitação.”
Paralelo à realização do estudo, a psicóloga continuou realizando
atendimento dos demais pacientes do Hospital Brigadeiro e confirmou a hipótese de que
o estado emocional deles tinha relação com o desenvolvimento do câncer. Um dos casos
foi de uma paciente oriental. Uma mulher “extremamente reservada”, como caracterizou
Oneli Gonçalves.
“Toda vez que (ela) falava da relação com o marido, com as pessoas, sempre
fazia um movimento com a mão esquerda no sentido de ‘ah, eu sempre engoli as coisas,
nunca falei nada, não sou de revidar’. O interessante é que ela desenvolveu um câncer
de esôfago e estômago. Simbolicamente falando, como se tudo ela engolisse, não
elaborou e (a repressão) contribuiu para o desenvolvimento da doença”, demonstra a
psicóloga.
A pesquisadora não contesta a hereditariedade e propensão do
desenvolvimento do câncer, mas chama atenção para a forma de funcionamento do
indivíduo como um aspecto determinante para o desenvolvimento da doença. “(Os
pacientes) geralmente são pessoas de grandes realizações, que tinham uma capacidade
de ser grandes profissionais e até foram. Mas o que ficou mais evidente (na pesquisa
com as mulheres) foi a marca da perda, uma coisa impressionante. Sempre tem a
dificuldade de lidar com separação, mudança de cidade, com a morte de um filho. Tem
dificuldade de lidar com grandes cortes da vida”, observa.
Oneli Gonçalves justifica que decidiu realizar a pesquisa para mostrar que o
estado psicológico das pessoas merece a mesma atenção e preocupação que o corpo. A
psicóloga defende o atendimento psicológico na rede pública de saúde. “Qualquer posto
de saúde deveria ter psicólogo. A gente não tem como se defender disso (dos problemas
psicológicos) senão trabalhando-os”, observa a psicóloga. Segundo ela, os avanços nas
pesquisas de psicanálise, psicologia e na própria medicina atestam que o estado
psicológico influencia na saúde e na doença.
“É imprescindível que haja atendimento psicológico nas escolas, empresas,
posto de saúde para a dona de casa que não está fazendo nenhuma atividade olhar para o
problema dela. Infelizmente só se olha o aspecto biológico. A gente ainda vive a velha
concepção de René Descartes, mente separada do corpo. Não tem condições de pensar
na vida humana ainda trabalhando nessa dicotomia”, avalia.

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Bibliografia

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