CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS

1. RELAÇÕES INTERATIVAS EM SALA DE AULA
Expõe o valor das relações que se estabelecem entre os professores, os alunos e os conteúdos no processo ensino e aprendizagem. Comenta que essas se sobrepõem às seqüências didáticas, visto que o professor e os alunos possuem certo grau de participação nesse processo, diferente do ensino tradicional, caracterizado pela compreensão e reprodução de conhecimentos. Examina, dentro da concepção construtivista, a natureza dos diferentes conteúdos, o papel dos professores e dos alunos, bem como a relação entre eles no processo, colocando que o professor necessita diversificar as estratégias, propor desafios, comparar, dirigir e estar atento à diversidade dos alunos, o que significa estabelecer uma interação direta com eles. O professor possui uma série de funções nessas relações interativas: o planejamento e a plasticidade na aplicação desse plano, o que permite uma adaptação às necessidades dos alunos; levar em conta as contribuições dos alunos no início e durante as atividades; auxiliá-los a encontrar sentido no que fazem, comunicando objetivos, levando-os a enxergar os processos e o que se espera deles; estabelecer metas alcançáveis; oferecer ajuda adequada no processo de construção do aluno; promover o estabelecimento de relações com o novo conteúdo apresentado, e exigir dos alunos análise, síntese e avaliação do trabalho; estabelecer um ambiente e relações que facilitem a auto-estima e o auto-conceito; promover canais de comunicação entre professor/aluno, aluno/aluno; potencializar a autonomia, possibilitando a metacognição; avaliar o aluno conforme sua capacidade e esforço. Em seguida, aborda a influência dos tipos dos conteúdos procedimentais e atitudinais na estruturação das interações educativas na aula. Nos procedimentais, o professor necessita perceber e criar condições adequadas às necessidades específicas de cada aluno; nas atitudinais, é preciso articular ações formativas, não bastando propor debates e reflexões sobre comportamento cooperativo, tolerância, justiça, respeito mútuo etc.; é preciso viver o clima de solidariedade, tolerância. Trabalhar conteúdos atitudinais é muito difícil, envolvendo em primeiro lugar a contradição entre o que é trabalhado na escola e o sistema social, ou o que é veiculado pela mídia. Contudo, em relação ao modelo militar vigente anteriormente já houve certos avanços consideráveis no processo das relações interativas. As relações humanas, embora complexas, são peças fundamentais na realização comportamental e profissional de um indivíduo. Desta forma, a análise dos relacionamentos entre professor/aluno envolve interesses e intenções, sendo esta interação o expoente das conseqüências, pois a educação é uma das fontes mais importantes do desenvolvimento comportamental e agregação de valores nos membros da espécie humana. Neste sentido, a interação estabelecida caracteriza-se pela seleção de conteúdos, organização, sistematização didática para facilitar o aprendizado dos alunos e exposição onde o professor demonstrará seus conteúdos. No entanto este paradigma deve ser quebrado, é preciso não limitar este estudo em relação comportamento do professor com resultados do aluno; devendo introduzir os processos construtivos como mediadores para superar as limitações do paradigma processo-produto. Segundo GADOTTI (1999: 2), o educador para pôr em prática o diálogo, não deve colocar-se na posição de detentor do saber, deve antes, colocar-se na posição de quem não sabe tudo, reconhecendo que mesmo um analfabeto é portador do conhecimento mais importante: o da vida. Desta maneira, o aprender se torna

mais interessante quando o aluno se sente competente pelas atitudes e métodos de motivação em sala de aula. O prazer pelo aprender não é uma atividade que surge espontaneamente nos alunos, pois, não é uma tarefa que cumprem com satisfação, sendo em alguns casos encarada como obrigação. Para que isto possa ser melhor cultivado, o professor deve despertar a curiosidade dos alunos, acompanhando suas ações no desenvolver das atividades. O professor não deve preocupar-se somente com o conhecimento através da absorção de informações, mas também pelo processo de construção da cidadania do aluno. Apesar de tal, para que isto ocorra, é necessária a conscientização do professor de que seu papel é de facilitador de aprendizagem, aberto às novas experiências, procurando compreender, numa relação empática, também os sentimentos e os problemas de seus alunos e tentar levá-los à auto-realização. De modo concreto, não podemos pensar que a construção do conhecimento é entendida como individual. O conhecimento é produto da atividade e do conhecimento humano marcado social e culturalmente. O papel do professor consiste em agir com intermediário entre os conteúdos da aprendizagem e a atividade construtiva para assimilação. O trabalho do professor em sala de aula, seu relacionamento com os alunos é expresso pela relação que ele tem com a sociedade e com cultura. ABREU & MASETTO (1990: 115), afirma que “é o modo de agir do professor em sala de aula, mais do que suas características de personalidade que colabora para uma adequada aprendizagem dos alunos; fundamenta-se numa determinada concepção do papel do professor, que por sua vez reflete valores e padrões da sociedade”. Segundo FREIRE (1996: 96), “o bom professor é o que consegue, enquanto fala, trazer o aluno até a intimidade do movimento do seu pensamento. Sua aula é assim um desafio e não uma cantiga de ninar. Seus alunos cansam, não dormem. Cansam porque acompanham as idas e vindas de seu pensamento, surpreendem suas pausas, suas dúvidas, suas incertezas”. Ainda segundo o autor, “o professor autoritário, o professor licencioso, o professor competente, sério, o professor incompetente, irresponsável, o professor amoroso da vida e das gentes, o professor mal-amado, sempre com raiva do mundo e das pessoas, frio, burocrático, racionalista, nenhum deles passa pelos alunos sem deixar sua marca”. Apesar da importância da existência de afetividade, confiança, empatia e respeito entre professores e alunos para que se desenvolva a leitura, a escrita, a reflexão, a aprendizagem e a pesquisa autônoma; por outro, SIQUEIRA (2005: 01), afirma que os educadores não podem permitir que tais sentimentos interfiram no cumprimento ético de seu dever de professor. Assim, situações diferenciadas adotadas com um determinado aluno (como melhorar a nota deste, para que ele não fique de recuperação), apenas norteadas pelo fator amizade ou empatia, não deveriam fazer parte das atitudes de um “formador de opiniões”. Logo, a relação entre professor e aluno depende, fundamentalmente, do clima estabelecido pelo professor, da relação empática com seus alunos, de sua capacidade de ouvir, refletir e discutir o nível de compreensão dos alunos e da criação das pontes entre o seu conhecimento e o deles. Indica também, que o professor, educador da era industrial com raras exceções, deve buscar educar para as mudanças, para a autonomia, para a liberdade possível numa abordagem global, trabalhando o lado positivo dos alunos e para a formação de um cidadão consciente de seus deveres e de suas responsabilidades sociais.

Apostilas Decisão

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Apostilas Decisão

Alguns teóricos defendem a idéia de que a educação deve ser individualizada. a entrosarse com seus semelhantes.após o início da mesma . Instrução e Treinamento DEMO (1994) diz que o aprender a aprender é fundamental.ao procurar um emprego . No que diz respeito à definição de ensino. suplantar os conflitos cognitivos em um ambiente estimulador. Antes de qualquer coisa é importante definir o que é aprender. Atentos à definição de uma aprendizagem significativa. "fazedores" fidedignos. e. simplesmente. intelectuais e morais reclamados pela sociedade política. Outros defendem a tese da educação comunitária. segundo.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Educação. é o dado que encontramos nas publicações. Na verdade. diz-se que não tem a educação necessária. eficiente (com tecnologia) e responsável (eticamente) a fim de serem atendidas as necessidades e aspirações da criatura humana. Numa outra perspectiva. preservando assim tanto os seus interesses como os da comunidade em que vive. O conhecimento é a informação interpretada. aquele trabalhador capaz de perfazer a tarefa como cópia perfeita no esquema do reflexo condicionado. executores de planos e projetos alheios. informação é o fato. e pelo meio especial a que a criança particularmente se destina.exige-se do candidato o diploma de ensino médio. a esforçar-se. Ela produz respostas em diferentes níveis. no seu conjunto. Não se fazem "mestres". portanto. na rua e na igreja. Para DURKHÜEIM (1972) a educação é uma ação exercida pelas gerações adultas sobre as gerações que não se encontram ainda preparadas para a vida social e tem por objetivo suscitar e desenvolver na criança certo número de estados físicos. bem como habilitar cada um a orientar a sua própria aprendizagem. mas sim sua capacidade de adaptação à sociedade vigente. uma vez que a habilidade obtida em processos de mero ensino e de mera aprendizagem caracteriza-se pela cópia. em casa. pois não leva em consideração os conhecimentos reais do educando. a figura da primeira professora. O ensino confunde-se então com conhecimento e instrução. mas não estritamente cumulativa. mas só poderemos nos instruir. o indivíduo encontra rapidamente informação. sem qualquer questionamento crítico. aprender é resolver problemas. elas poderiam mudar de papel. Por último. Da mesma forma. aprender é modificar comportamentos. Os que não entenderem essa nova realidade correm o risco de serem substituídos por uma máquina. ou melhor. há. não é esse o objetivo da educação. Portanto. É inegável que estamos vivendo uma nova era. Contudo. instrução e treinamento. A inteligência é. de natureza pessoal. Para o professor José A . é apropriar-se de respostas. a desenvolver a criatividade. aprender é agir na direção de construir respostas para problemas. Quando se fala em educação. eficiente e responsável. a educação formal. pela imitação. o agir é um interagir consigo mêsmo e com outras pessoas. Disso resulta o "treinado". mas o papel do professor continua e continuará sendo fundamental para auxiliar o aluno a construir o conhecimento. a fim de poder participar na sociedade como pessoa consciente. a ter iniciativa. Ensino. ensino. à educação de casa. Nessa concepção NÉRICI (1993) diz: educação é o processo que visa a revelar e a desenvolver as potencialidades do indivíduo em contato com a realidade.Valente. relacionada e processada. Pessoas que defendem essa concepção acreditam que a inteligência não é um dom nem um acúmulo de saberes. senão o que teremos é um enorme número de informações desconexas e. como até hoje é. nem mesmo do seu país. primeiro de qualidade. Através dela o aluno pode ser motivado a construir seu conhecimento. da Unicamp. Essa definição é deveras tendenciosa e manipuladora. o resultado de uma construção progressiva. treinamento é algo que nos faz lembrar da teoria de condicionamento de Skinner na qual o educando é estimulado a aprender a partir da repetição de exercícios. A descoberta pela experiência permite uma solução original pela própria pessoa que aprende. fala-se em educação. à educação informal. e este não o tem. Gabriel Mario Rodrigues conclui muito bem seu ensaio quando diz: a tecnologia facilita a transmissão da informação. confunde-se com a função do educador atual que é de facilitar a aprendizagem do educando. apenas aprendizes. Ela se constrói no decorrer de um longo processo. ou do bairro. muitas são as técnicas específicas de auxiliar o aprender a aprender. uma vez que o homem seria o objeto central do processo educativo. pois entrou em sala de aula . Apostilas Decisão 2 Apostilas Decisão . esse é entendido como conseqüência da educação. Nesta perspectiva. instrução e treinamento. pois nem tudo que existe na rede é. notase que há várias teorias em torno do que seja educação. Assim. Logo. O professor que trabalhar mais como um facilitador será insubstituível e inesquecível. para qualquer de nós. A educação se dá de várias formas e em vários lugares e contextos. os que acreditam na educação socializante pela qual o homem integra-se à comunidade de forma ativa e participativa. Atualmente. estamos nos referindo à educação dos pais. quando . de relevância educacional. A relação professor-aluno é fundamental em todos os níveis e modalidades de ensino. descobrir fatores invariáveis e variáveis e se apropriar de raciocínios. porém a informação só passará a ser conhecimento se esse for bem instruído. tendo direito ao erro. Também na rede podemos treinar e ser treinados. a fim de levá-lo a atuar na mesma de maneira consciente (com conhecimento). a educação hodierna tem que atender igualmente aos interesses do indivíduo e da comunidade. DEPRESBITERIS (1999) nos esclarece que para os comportamentalistas. Para aqueles que defendem uma aprendizagem significativa. Não podemos esquecer que esses são apenas uns dos muitos exemplos que poderiam ter sido apresentados para distinguir educação formal da informal. para ajudá-lo a compreender que nem tudo que ele lê transformar-se-á em conhecimento. direcionado por um profissional da educação. Para NÉRICI (1993) ensino é o processo que visa a modificar o comportamento do indivíduo por intermédio da aprendizagem com o propósito de efetivar as intenções do conceito de educação.sem pedir licença à professora. a era tecnológica na qual o mundo encontra-se plugado e globalizado de tal forma que o profissional de hoje não deve ser mais o melhor da "turma". a cultivar a confiança em si. ainda. social e transcendental. na escola. Com o avanço tecnológico. na Internet ou trocando informações. com certeza. uma vez que o destino do homem é viver em sociedade. ou nos educar se tivermos arreigados os conceitos de crítica e autonomia da educação. ignorar os avanços dessa nova era tecnológica. mas sim o melhor do mundo. dependendo do exemplo dado. podemos começar a pensar sobre a diferença entre educação. O educador dispõe de dois meios para desenvolver o aprender: transmitida seja assimilada por aquele a quem ela se destina. por esse prisma. Ao falarmos que fulano não tem educação. Por outro lado. deve sim acompanhar as mudanças e aproveitar os benefícios que essa nova realidade traz para si. ou da sua cidade. a educação não pode. Desse modo. a partir dos meios multimídias. seguida de recompensa. podemos partir para a diferença entre ensino.

será através do debate e discussão entre iguais que o processo do desenvolvimento cognitivo se dará. mais se desenvolve mentalmente. Dessa forma. Segundo Piaget esse tempo utilizado apenas para a verbalização do professor é um tempo perdido. Voltando a relação professor-aluno. que é definido por ele como: (. Assim. e o nível de desenvolvimento potencial. uma relação de cooperação. e para Vygotky. Vygotsky conceituou o desenvolvimento intelectual de cada pessoa em dois níveis: um real e um potencial. onde os “erros” dos estudantes passam a ser vistos como integrantes do processo de aprendizagem. restitui seu papel fundamental na aprendizagem. que determina o que a criança já é capaz de fazer por si própria porque já tem um conhecimento consolidado. Para eles era através do diálogo do professor com o aluno que a ZDP se desenvolve na sala de aula. e perdem a oportunidade de acompanhar a estrutura de raciocínio espontânea de seus alunos. como um indivíduo mais experiente. (VYGOTSKY apud GOMES . Baseado nisso.. mas sim ao raciocínio lógico. essa espontaneidade muitas vezes é distorcida em sua interpretação. Com a concepção das respostas “certas” e sem o incentivo para pesquisa pessoal o estudante acaba por ter sua atividade dirigida e canalizada. mas não impedem que as crianças cheguem a ela. Ao contrário. O professor será o incentivador. desenvolveram essa idéia. Diferentemente de Vygotsky.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Relação professor-aluno segundo Vygotsky A relação educador-educando não deve ser uma relação de imposição. compreensão e reflexão. de respeito e de crescimento. Ainda a respeito da relação professor-aluno. assim o aluno teria uma resposta e o professor dava o feedback a essa resposta (GOMES. se domina a adição esse é um nível de desenvolvimento real. 2002). O aluno deve ser considerado como um sujeito interativo e ativo no seu processo de construção de conhecimento. buscando compreender o significado do processo e não só o produto. que coloca a importância da observação do professor sobre o aluno. à construção de um conhecimento racional e dinâmico dos alunos. alegando a falta de tempo. Segundo Vygotsky. essa demanda por desenvolvimento é característica das crianças. Para isso. Piaget ainda reforça que o aprender não se reduz à memorização. Com um esquema I-R-F (iniciação – resposta – feedback). mas também a relação aluno-aluno. p. precisa apenas de um «empurrão». Assim. As conseqüências serão à descentralização. bem como o trabalho conjunto entre colegas. Piaget a coloca baseada na cooperação de ambos. quando ele já sabe somar. assim saber que atividade cognitiva aquele aluno estará apto a investigar. Por exemplo. o professor que se contenta com o que elas já sabem é dispensável. o que o aluno já sabe. Piaget coloca que o aprendizado é individual. dois autores Newman. São Paulo. O modelo tradicional de intervenção do professor consiste em explicar como resolver os problemas e dizer “está certo” ou “está errado”. e isso se dará principalmente com a ajuda de outras pessoas. a educação não fica à espera do desenvolvimento intelectual da criança. Griffin & Cole. afinal. Ao educador. Vai ser na distância desses dois níveis que estará um dos principais conceitos de Vygotsky: as zonas de desenvolvimento proximal. Isso se dará quando a criança receber informações relativas ao objeto de estudo para organizar suas atividades e agir sobre elas. Relação professor-aluno segundo Piaget Para Piaget a aprendizagem do estudante será significativa quando esse for um sujeito ativo. Por exemplo. Coloca-se também a importância da espontaneidade da criança. Isso se dá porque à medida que o aluno “erra” o professor consegue ver o que já se está sabendo e o que ainda deve ser ensinado. mantendo o clima de cooperação. para o aluno construir novos conhecimentos precisa-se de alguém que os ajude. mas está próximo de aprender. utilizando alguma metodologia. sua função é levar o aluno adiante. Por isso Piaget fixa tanto essa idéia da espontaneidade do aluno. O professor e os colegas formam um conjunto de mediadores da cultura que possibilita progressos no desenvolvimento da criança. erroneamente estará aplicando o que Piaget diz.97) Esse conceito abre uma nova perspectiva a prática pedagógica colocando a busca do conhecimento e não de respostas corretas. sem ignorar a ação intrapsíquica do sujeito. mas sim. cabe ao professor ver seus alunos sob outra perspectiva. podendo até dizer moldada pelo método de ensino tradicional. determinando através da solução de problemas sob a orientação de um adulto ou de companheiros mais capazes. porém. O professor seria o suporte. Segundo Emilia Ferreiro e Ana Teberosky são esses “erros construtivos” que podem diferir das respostas corretas. Nessa perspectiva. que favorece também a ação do outro na ZDP (zona de desenvolvimento proximal). Assim. Nessa perspectiva. sua bagagem cultural e intelectual. para ver o momento de desenvolvimento que a criança está vivendo. Se elas próprias fazem da brincadeira um exercício de ser o que ainda não são. para que a aprendizagem do educando a um conhecimento novo seja satisfatória. portanto. Vygotsky acreditava que a noção de ZDP já se fazia presente no bom senso do professor quando este elaborava suas aulas. pois quanto mais ele aprende. O potencial é quando a criança ainda não aprendeu tal assunto. Assumindo o educador um papel fundamental nesse processo. a construção do conhecimento se dará coletivamente. o encorajador para a iniciativa própria do estudante. Apostilas Decisão 3 Apostilas Decisão . Será construído na cabeça do sujeito a partir das estruturas mentais que ele possui. Martins Fontes. para a construção da aprendizagem. a produção das crianças passa a fazer parte do processo de ensino e aprendizagem. Isso está contra a teoria da psicologia genética de Piaget. Uma observação criteriosa. Dificilmente aguardam as respostas dos educandos. está bom próximo de fazer uma multiplicação simples. e se gastá-lo permitindo que os alunos usem a abordagem tentativa e erro. não cabe analisar somente a relação professoraluno. à socialização. e o professor assumindo o papel apenas de instigador e provocador. Piaget coloca que essa relação tem que ser baseada no diálogo mais fecundo. o professor tem que interferir na ZDP do aluno. será na verdade um ganho. 1989. essa se dava através da linguagem. esse tempo gasto a mais. achando que essa aprenderá sozinha. Se um professor deixar a criança sem planejar sua atividade. Para Vygotsky.) A distância entre o nível de desenvolvimento que se costuma determinar através da solução independente de problemas. que o professor “dando pistas” para o aluno iniciava o processo. eles não o farão sozinhos. O real é aquele já adquirido ou formado. “A formação Social da mente: O desenvolvimento dos processos psicológicos superiores”. ou “andaime”. Muitas vezes o professor se mostra tão preocupado em ensinar que não têm paciência suficiente para esperar que as crianças aprendam. Geralmente os professores “jogam” somente os símbolos falados e escritos para os alunos. Por essa razão cabe ao professor considerar também.

em que um não sobrevive sem o outro. colegas e professores. 1962). que é a afetividade”. Ele fala ainda que “(. os problemas não seriam colocados e não haveria ações inteligentes” (Piaget. seja em sala de aula ou em outro trabalho qualquer. é necessário ter afetividade com conteúdos. não pode se desenvolver senão na e pela cooperação” (Piaget. partindo de tal ponto de vista. Em ambos os casos. Afetividade e cognição parecem ser palavras opostas. Piaget apreciava a afetividade como um agente promotor e selecionador da atividade intelectual. Porém a afetividade. corpo e razão possuem um significado muito maior do que se forem segmentados em partes. as pessoas vivem em um mundo onde não mais se prioriza a competição. assim como pode asfixiar o conhecimento. para isso. assim como não existem comportamentos puramente cognitivos.. Tal esforço. Para Piaget a afetividade é o motor do desenvolvimento cognitivo. Mas. e por conseqüência acelerada ou retardada por sentimentos.) tentarei demonstrar geneticamente que a afetividade pode levar a aceleração ou retardamento.94). a mente é dotada de estruturas cognitivas através das quais o indivíduo se adapta e organiza o meio no qual está inserido.. englobando fases desde o nascimento até o seu mais completo grau de maturidade e estabilidade. Ocorrendo de forma paralela. a interação social é que vai fornecer elementos para que haja o desenvolvimento psicológico. É fundamental cuidar do aspecto afetivo no processo de aprendizagem. No âmbito escolar. A CRIANÇA E O DESENVOLVIMENTO COGNITIVO A palavra afeto vem do latim affectur (afetar. “sentimentos como raiva. não haveria interesse. pois é na relação interpessoal concreta que o indivíduo interioriza as formas culturalmente estabelecidas de funcionamento psicológico. a afetividade e a cognição são inseparáveis. as características mentais de cada fase do desenvolvimento serão determinantes para a construção da afetividade. Piaget apud Ferreira (2003) demonstrou o desenvolvimento cognitivo infantil sob um ponto de vista lógico-formal. Nos estudos sobre epistemologia genética. De acordo com essa postura. p. O desenvolvimento afetivo ocorre paralelamente ao cognitivo e possui uma profunda autoridade sobre o desenvolvimento intelectual.. “(.. ele não é afetado por ele e esse conteúdo se torna difícil para esse aluno aprender. a compreensão da igualdade pode ser retardada por certas situações afetivas. bem como as biológicas. para haver a cognição. também declara Morin (2002)..CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 2. Levando em conta esse aspecto. De acordo com Piaget não existem estados afetivos sem elementos cognitivos. A criança. conforme mostra a linha evolutiva da Psicologia. pois acreditava que toda atividade intelectual é sempre direcionada a componentes e episódios característicos. tocar) e constitui o elemento básico da afetividade. mas não é a causa da formação das estruturas cognitivas. Atualmente.. Além disso.. nem necessidade. TEORIA DO DESENVOLVIMENTO O estudo do desenvolvimento do ser humano constitui uma área do conhecimento da Psicologia cujas proposições nucleares concentram-se no esforço de compreender o homem em todos os seus aspectos. desenvolvendo e expandindo seus esquemas. Percebe-se que do mesmo modo que a afetividade acelera a construção do conhecimento também pode retardar. Desse modo.(.. têm como objetivo a adaptação do indivíduo ao meio. indissociadas em todas as ações simbólicas e sensório-motoras”. nem motivação.. considerava que as crianças se desenvolvem por intermédio de estágios. 1977. onde conseguem ter capacidade para pensar sobre o pensar. Alguns pesquisadores mostram o contrário. acreditava que o meio exercia influência fundamental sobre o desenvolvimento infantil. a partir de diferentes metodologias e pontos Apostilas Decisão 4 Apostilas Decisão . porém isso não quer dizer que se não tiver afetividade não haverá cognição. essa norma tão importante que é a reciprocidade. Para colaborar devese desenvolver afetividade e. Para Vygotsky.. mas sim a cooperação: “(.. interesse e afeto.) apesar de diferentes em sua natureza. Percebe-se que a necessidade e o interesse levam a pessoa a ter afetividade com o objeto a ser estudado e que o comprometimento e a interação com o outro conduz a pessoa a ter afetividade com o que faz. as atividades mentais.) toda ação e pensamento comportam um aspecto cognitivo. Assim. mesmo que sua construção possa ser motivada. representado pelas estruturas mentais. essa escolha é provocada pela afetividade. e um aspecto afetivo. tem culminado na elaboração de várias teorias que procuram reconstituir.) nossos estudos têm mostrado que as normas racionais e. o sujeito acabará por aceitar que 7+5=12. 3. como Jean Piaget (1962): “(. até atingirem o pensamento formal. é importante pensar sob o ponto de vista do outro e perceber o ser humano como um todo. amor e amizade podem nos cegar. por exemplo: quando o aluno não gosta ou não tem interesse por determinado conteúdo. A Influência da Afetividade para o Processo de Cognição De acordo com Piaget.. É necessário que se compreenda que a criança difere em cada estágio de desenvolvimento e exigir que ela aprenda regras de comportamento sem proporcionar a ela situações de interação que a conduzam a uma tomada de consciência pode dificultar a aquisição do desenvolvimento cognitivo e afetivo. Na visão de Piaget. formas de apreensão da realidade.) separados um do outro. diversamente de Piaget. Vygotsky pensava da mesma forma que Piaget na questão da construção de conhecimento pela criança e da importância de sua ação pelo meio. Isto mostra a estrutura independente do afeto.) numa estrutura aritmética como 7+5=12. Segundo Piaget (1962): (. Além dessa percepção é importante respeitar as diferenças e acolher o diferente porque receber o semelhante é fácil. Piaget apud Ferreira (2003) acreditava que o conhecimento é construído pela criança em sua interação com o meio. ou pode ser acelerada onde o interesse estiver envolvido. onde sentimento. nasceria com reflexos básicos (esquemas) e no intercâmbio com o meio passaria a construir o seu conhecimento acerca do mundo. representado por uma energética. apud Espíndola (2002). apud Espíndola (2002) a interação entre indivíduos desempenha uma função importante na construção do ser humano. em particular. Percebendo que o desenvolvimento intelectual envolve os aspectos cognitivo e afetivo. o desenvolvimento intelectual é composto pelos componentes afetivo e cognitivo. pode também fortalecê-lo”.

argumentando que "o conhecimento não procede nem da experiência única dos objetos nem de uma programação inata pré-formada no sujeito. portanto. por sua vez. nesse sentido.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS de vistas. as condições de produção da representação do mundo e de suas vinculações com as visões de mundo e de homem dominantes em cada momento histórico da sociedade. a primazia do sujeito sobre o objeto (Freitas. embora essencial. A Visão Interacionista de Piaget: a Relação de Interdependência entre o Homem e o Objeto do Conhecimento Introduzindo uma terceira visão teórica representada pela linha interacionista. na concepção de Piaget.). o desenvolvimento da filogenia humana se dá através de um mecanismo auto-regulatório que tem como base um 'kit' de condições biológicas (inatas portanto). e a Psicologia subjetivista. outras indagações afins. calcada no substrato psíquico. a de Jean Piaget (18961980). Nesse sentido. ou do pensamento lógico do homem. etc. o 'status' da lógica matemática perfaz o enigma básico a ser desvendado. são herdadas do dualismo radical de Descartes que propôs a separação estanque entre corpo e alma. sobretudo. equivale à compreensão dos mecanismos envolvidos na formação do pensamento lógico. Precipuamente. 2000. entende que todo conhecimento é anterior à experiência. quer sejam: como é que a lógica passa do nível elementar para o nível superior? Como se dá o processo de elaboração das idéias? Como a elaboração do conhecimento influencia a adaptação à realidade? Etc. 1992. de ações que se tornaram reversíveis e passíveis de serem compostas entre si'". Dentre essas teorias. isto é. o processo evolutivo da filogenia humana tem uma origem biológica que é ativada pela ação e interação do organismo com o meio ambiente . 2000:63). matemático. que é a referência deste nosso trabalho. Esse processo. tais como: o processo de maturação do organismo. O Processo de Equilibração: a Marcha do Organismo em Busca do Pensamento Lógico Pode-se dizer que o "sujeito epistêmico" protagoniza o papel central do modelo piagetiano. a elaboração do pensamento lógico demanda um processo interno de reflexão. principalmente. Piaget focaliza o processo interno dessa construção.). Simplificando ao máximo. Coll. significando entender com isso que as formas primitivas da mente. ao tentar descrever a origem da constituição do pensamento lógico. ou seja. Quer dizer. Por sua vez.. as idéias de Piaget contrapõemse. Imbricam-se nessa questão. Por assim dizer. Freitas. o exercício do raciocínio. Id est.cit. 2. pois a grande preocupação da teoria é desvendar os mecanismos processuais do pensamento do homem. o desenvolvimento humano. como procuraremos expor em seguida.físico e social . ao campo da Educação . Um outro ponto importante a ser considerado. é explicado segundo o pressuposto de que existe uma conjuntura de relações interdependentes entre o sujeito conhecedor e o objeto a conhecer. afirmando que todo conhecimento provém da experiência. mas de construções sucessivas com elaborações constantes de estruturas novas" (Piaget. não foge à regra. Ambas as correntes são derivadas de duas grandes vertentes da Filosofia (o idealismo e o materialismo mecanicista) que. 1981. privilegia o dado externo. a Psicologia objetivista. id est. ainda. Trata-se de um fenômeno que Apostilas Decisão 5 Apostilas Decisão . Ela é 'um sistema de operações. a experiência com objetos. etc. 1992. Furtado et. 1976 apud Freitas 2000:64). por sua vez. no método psicogenético. tanto a experiência sensorial quanto o raciocínio são fundantes do processo de constituição da inteligência. se efetua através de um mecanismo autoregulatório que consiste no processo de equilíbração progressiva do organismo com o meio em que o indivíduo está inserido. que trouxe contribuições práticas importantes. 1992. ou seja. O conceito de equilibração torna-se especialmente marcante na teoria de Piaget pois ele representa o fundamento que explica todo o processo do desenvolvimento humano. o pensamento lógico não é inato ou tampouco externo ao organismo mas é fundamentalmente construído na interação homemobjeto. 1. conforme mencionamos mais acima. Tais aspectos deixam à mostra que. da mesma forma também não é uma condição suficiente ao desenvolvimento cognitivo humano. 2003. Procurando soluções para esse problema central. reconhecendo. haja vista que este só acontecerá a partir da interação do sujeito com o objeto a conhecer.. La Taille.) a lógica representa para Piaget a forma final do equilíbrio das ações. Considerando insuficientes essas duas posições para explicar o processo evolutivo da filogenia humana. Esses fatores que são complementares envolvem mecanismos bastante complexos e intrincados que englobam o entrelaçamento de fatores que são complementares. "(.. Rappaport. No entanto. biologicamente constituídas. ampla e consistente ao longo de 70 anos. 1992. a relação com o objeto. na medida em que ela busca. Quer dizer.físico e social (Rappaport. em contraste. uma vez que para tanto é preciso. como as demais. a intenção de Piaget não tenha propriamente incluído a idéia de formular uma teoria específica de aprendizagem (La Taille. portanto. no modelo piagetiano. segundo estudiosos. op. existe uma relação de interdependência entre o sujeito conhecedor e o objeto a conhecer. às visões de duas correntes antagônicas e inconciliáveis que permeiam a Psicologia em geral: o objetivismo e o subjetivismo.muito embora. que é ativado pela ação e interação do organismo com o meio ambiente . Assim sendo. O maior problema. Piaget sustenta que a gênese do conhecimento está no próprio sujeito.ambas marcadas pelo antagonismo inconciliável de seus postulados que separam de forma estanque o físico e o psíquico. compreender o desenvolvimento do ser humano. Como lembra La Taille (1992:17). entre físico e psíquico. curiosamente aliás. al.). concentra-se na busca de respostas pertinentes para uma questão fulcral: "Como os homens constróem o conhecimento?" (La Taille: vídeo). no entanto. é o de que o modelo piagetiano prima pelo rigor científico de sua produção. esse fato per se não assegura o desencadeamento de fatores que propiciarão o seu desenvolvimento. a equilibração do organismo ao meio. ela se destaca de outras pelo seu caráter inovador quando introduz uma 'terceira visão' representada pela linha interacionista que constitui uma tentativa de integrar as posições dicotômicas de duas tendências teóricas que permeiam a Psicologia em geral o materialismo mecanicista e o idealismo . Está implícito nessa ótica de Piaget que o homem é possuidor de uma estrutura biológica que o possibilita desenvolver o mental. desde o início da sua vida até a idade adulta. a compreensão dos mecanismos de constituição do conhecimento. são reorganizadas pela psique socializada. Piaget formula o conceito de epigênese. naturalmente.1999.que o rodeia (Coll. a vivência social e.

é um mundo inferencial. em última instância.). em sua essência.cit. ou uma situação é exatamente igual a outra. para Piaget.que permanecem constantes ao longo da sua vida. Nessa linha de raciocínio. que.Desequilíbrio . visando à adaptação do indivíduo ao real que o circunda. São essas estruturas biológicas que irão predispor o surgimento de certas estruturas mentais. o trabalho de Piaget leva em conta a atuação de 2 elementos básicos ao desenvolvimento humano: os fatores invariantes e os fatores variantes. consiste na capacidade de modificação da estrutura mental antiga para dar conta de dominar um novo objeto do conhecimento. Vê-se nessa idéia de "equilibração" de Piaget a marca da sua formação como Biólogo que o levou a traçar um paralelo entre a evolução biológica da espécie e as construções cognitivas. pois que é no processo de construções sucessivas resultantes da relação sujeito-objeto que o indivíduo vai formar o pensamento lógico. vídeo). que. um caráter universal. a) A Assimilação: consiste na tentativa do indivíduo em solucionar uma determinada situação a partir da estrutura cognitiva que ele possui naquele momento específico da sua existência.Assimilação . op. ou seja. considera-se que o indivíduo carrega consigo duas marcas inatas que são a tendência natural à organização e à adaptação. portanto. Em síntese. os processos de assimilação e acomodação são complementares e acham-se presentes durante toda a vida do indivíduo e permitem um estado de adaptação intelectual (. o indivíduo recebe como herança uma série de estruturas biológicas . Como observa Rappaport (1981:56). da cognição.Adaptação . o conceito de equilibração sugere algo móvel e dinâmico. como o elemento complementar das interações sujeito-objeto.cit.sensoriais e neurológicas . toda experiência é assimilada a uma estrutura de idéias já existentes (esquemas) podendo provocar uma transformação nesses esquemas. gerando um processo de acomodação. na medida em que toda experiência leva em graus diferentes a um processo de assimilação e acomodação. id est. consequentemente. é necessário que se estabeleça um conflito cognitivo que demande um esforço do indivíduo para superá-lo a fim de que o equilíbrio do organismo seja restabelecido. já que é de igual ocorrência para todos os indivíduos da espécie humana mas que pode sofrer variações em função de conteúdos culturais do meio em que o indivíduo está inserido. tendo que se adaptar a ela. pois dificilmente um objeto é igual a outro já conhecido. haja vista que no processo de interação podem ocorrer desajustes do meio ambiente que rompem com o estado de equilíbrio do organismo. na linha piagetiana. ao nascer.. portanto.Equilibração Majorante Dessa perspectiva. a concepção do desenvolvimento humano. eliciando esforços para que a adaptação se restabeleça. trata-se de entender que o mundo das idéias. isso porque a visada conquista da equilibração do organismo reflete as elaborações possibilitadas pelos níveis de desenvolvimento cognitivo Apostilas Decisão 6 Apostilas Decisão . Em última instância.cit. deixa ver que é no contato com o mundo que a matéria bruta do conhecimento é 'arrecadada'. ainda. Quer dizer. Haja vista que o "objeto nunca se deixa compreender totalmente" (La Taille. na medida em que a constituição do conhecimento coloca o indivíduo frente a conflitos cognitivos constantes que movimentam o organismo no sentido de resolvê-los. Em síntese. op. É bom considerar. Essa busca do organismo por novas formas de adaptação envolvem dois mecanismos que apesar de distintos são indissociáveis e que se complementam: a assimilação e a acomodação. Com isso. se não impossível.:65) emergindo. o processo de equilibração pode ser definido como um mecanismo de organização de estruturas cognitivas em um sistema coerente que visa a levar o indivíduo a construção de uma forma de adaptação à realidade. Tal processo pode ser representado pelo seguinte: . Representa um processo contínuo na medida em que o indivíduo está em constante atividade de interpretação da realidade que o rodeia e. Como o processo de assimilação representa sempre uma tentativa de integração de aspectos experienciais aos esquemas previamente estruturados. a teoria psicogenética deixa à mostra que a inteligência não é herdada. a) Os Fatores Invariantes: Piaget postula que. ao entrar em contato com o objeto do conhecimento o indivíduo busca retirar dele as informações que lhe interessam deixando outras que não lhe são tão importantes (La Taille.) É muito difícil. sendo um elemento que se tranforma no processo de interação com o meio. visando sempre a restabelecer a equilibração do organismo.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS tem. Em vista disso. o equilíbrio é o norte que o organismo almeja mas que paradoxalmente nunca alcança (La Taille. op. esse processo de transformação vai depender sempre de como o indivíduo vai elaborar e assimilar as suas interações com o meio. o 'motor' do comportamento do homem é inerente ao ser.. a acomodação representa "o momento da ação do objeto sobre o sujeito" (Freitas.). e assim sucessivamente.Acomodação . mas sim que ela é construída no processo interativo entre o homem e o meio ambiente (físico e social) em que ele estiver inserido. No entanto.Ambiente . imaginar uma situação em que possa ocorrer assimilação sem acomodação. b) Os Fatores Variantes: são representados pelo conceito de esquema que constitui a unidade básica de pensamento e ação estrutural do modelo piagetiano. na linha piagetiana. Para avançar no desenvolvimento é preciso que o ambiente promova condições para transformações cognitivas. pode-se dizer que. significando entender. b) A Acomodação: por sua vez.

cit. portanto.cit. c) Período das Operações Concretas (7 a 11. afetivos e sociais da criança. Em uma palavra. o movimento dos olhos. neste estágio. Os Estágios do Desenvolvimento Hhumano Piaget considera 4 períodos no processo evolutivo da espécie humana que são caracterizados "por aquilo que o indivíduo consegue fazer melhor" no decorrer das diversas faixas etárias ao longo do seu processo de desenvolvimento (Furtado.cit. op. etc. embora a criança consiga raciocinar de forma coerente. sem precisar medi-las usando a ação física). por exemplo). tempo. a) Período Sensório-Motor (0 a 2 anos): segundo La Taille (2003). entre os quais situa a si mesma como um objeto específico. um entendimento da realidade desequilibrado (em função da ausência de esquemas conceituais).cit. op. sem entrar em uma descrição detalhada. sugerindo. Por isso mesmo é que "a divisão nessas faixas etárias é uma referência. o universo que circunda a criança é conquistado mediante a percepção e os movimentos (como a sucção. A esse respeito. as funções mentais limitam-se ao exercício dos aparelhos reflexos inatos. lembrome muito bem que me chamava à atenção o fato de. Todavia. qual é a vareta maior. De uma forma geral. Na linha piagetiana. em grande parte. espaço. que a aceleração do alcance do pensamento neste estágio do desenvolvimento. ou seja. op. Tanto é assim. No recém nascido. o que marca a passagem do período sensório-motor para o pré-operatório é o aparecimento da função simbólica ou semiótica. São eles: 1º Período: Sensório-Motoro 2º Período: Pré-Operatório 3º Período: Operações Concretas 4º Período: Operações Formais 0 a 2 anos 2 a 7 anos 7 a 11 ou 12 anos 11 ou 12 anos em diante Cada uma dessas fases é caracterizada por formas diferentes de organização mental que possibilitam as diferentes maneiras do indivíduo relacionar-se com a realidade que o rodeia (Coll e Gillièron. às possibilidades de contatos interindividuais fornecidos pela linguagem. uma vez que a criança não concebe uma realidade da qual não faça parte. op. a inteligência é anterior à emergência da linguagem e por isso mesmo "não se pode atribuir à linguagem a origem da lógica. o egocentrismo característico desta fase do desenvolvimento. ou seja. uma vez que ela possibilita as interações interindividuais e fornece. causalidade objetivados e solidários. Assim sendo. ela será capaz de responder acertadamente comparando-as mediante a ação mental. os modos de relacionamento com a realidade são divididos em 4 períodos. desse modo. agente e paciente dos eventos que nele ocorrem" (id ibid). para Piaget. pelo egocentrismo. a emergência da linguagem acarreta modificações importantes em aspectos cognitivos. nessa faixa etária. todos os indivíduos vivenciam essas 4 fases na mesma seqüência. ele caracteriza-se. pois existe um trabalho de reorganização da ação cognitiva que não é dado pela linguagem. De acordo com a tese piagetiana. principalmente. como destacaremos na próxima seção deste trabalho. com tempo e espaço subjetivamente sentidos. Contudo. Progressivamente. 12 anos): neste período o egocentrismo intelectual e social (incapacidade de se colocar no ponto de vista de outros) que caracteriza a fase anterior dá lugar à emergência da capacidade da criança de estabelecer relações e coordenar pontos de vista diferentes (próprios e de outrem ) e de integrá-los de modo lógico e coerente (Rappaport. Contudo.cit. portanto.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS que o organismo detém nos diversos estágios da sua vida. 1987). devido à ausência de esquemas conceituais e da lógica. Furtado.. conforme demonstram as pesquisas psicogenéticas (La Taille. por exemplo. conforme salienta Rappaport (op. conforme lembra Furtado (op. Para citar um exemplo pessoal relacionado à questão.. embora o alcance do pensamento apresente transformações importantes. em uma forma de onipotência" (id ibid). b) Período Pré-Operatório (2 a 7 anos): para Piaget.cit. a criança vai aperfeiçoando tais movimentos reflexos e adquirindo habilidades e chega ao final do período sensório-motor já se concebendo dentro de um cosmo "com objetos. Nessa concepção. é atribuída. entre várias. ainda. é a emergência da linguagem. Assim.). o meu filho dizer coisas do tipo "o meu carro do meu pai". embora a criança apresente a capacidade de atuar de forma lógica e coerente (em função da aquisição de esquemas sensoriais-motores na fase anterior) ela apresentará. Abordaremos. conforme alerta La Taille (1992). op. ela começa a realizar operações mentalmente e não mais apenas através de ações físicas típicas da inteligência sensório-motor (se lhe perguntarem. habitado por objetos evanescentes (que desapareceriam uma vez fora do campo da percepção). isso implica entender que o desenvolvimento da linguagem depende do desenvolvimento da inteligência.). as principais características de cada um desses períodos. a capacidade de trabalhar com representações para atribuir significados à realidade. "a criança nasce em um universo para ela caótico.). porém o início e o término de cada uma delas pode sofrer variações em função das características da estrutura biológica de cada indivíduo e da riqueza (ou não) dos estímulos proporcionados pelo meio ambiente em que ele estiver inserido. paradoxalmente. e não uma norma rígida". Piaget usa a expressão "a passagem do caos ao cosmo" para traduzir o que o estudo sobre a construção do real descreve e explica. a linguagem é considerada como uma condição necessária mas não suficiente ao desenvolvimento. ou seja. Um outro aspecto importante neste estágio refere-se ao aparecimento da capacidade da criança de interiorizar as ações.cit.).). e causalidade reduzida ao poder das ações. que constitui o núcleo do pensamento racional" (Coll e Gillièron.). tanto os esquemas conceituais como as ações executadas Apostilas Decisão 7 Apostilas Decisão . a seguir.

Nesse sentido. corresponde ao último estágio do desenvolvimento da moral.cit..:74) a criança adquire "capacidade de criticar os sistemas sociais e propor novos códigos de conduta: discute valores morais de seus pais e contrói os seus próprios (adquirindo. b) princípios: que representam o espírito das regras (amai-vos uns aos outros. de acordo com a teoria. ainda. explícitas (como os 10 Mandamentos. nesta fase. De acordo com os pressupostos da teoria de Piaget. adquirir condições de ampliar e aprofundar conhecimentos (lógico-formal) se não lhes é reservada. 2001a:148). não dependeria do desenvolvimento da estrutura cognitiva a capacidade de desenvolver o pensamento descontextualizado? Bem. a capacidade de desenvolver "novos modos de funcionamento mental"? . em que a moral não se coloca. do contexto concreto e da experiência pessoal" (Oliveira. ele consegue alcançar o padrão intelectual que persistirá durante a idade adulta. ao atingir esta fase. as relações interindividuais que são regidas por regras envolvem.cit. Com isso. retomando a nossa discussão. as regras não correpondem a um acordo mútuo firmado entre os jogadores. já consegue raciocinar sobre hipóteses na medida em que ela é capaz de formar esquemas conceituais abstratos e através deles executar operações mentais dentro de princípios da lógica formal. para Piaget. de acordo com a respectiva teoria. o estágio final do desenvolvimento que caracteriza o funcionamento do adulto (lógico-formal). a ausência de conservação da quantidade quando se transvaza o conteúdo de um copo A para outro B. o indivíduo adquire a sua forma final de equilíbrio. porém o indivíduo ainda não está mobilizado pelas relações bem x mal e sim pelo sentido de hábito. em que a moral é = a autoridade. tal reversibilidade será construída ao longo dos estágios operatório concreto e formal. vale ressaltar. a partir do ápice adquirido na adolescência. no estágio operatório-concreto. sendo que cada um deles consegue conceber a si próprio como possível 'legislador' em regime de cooperação entre todos os membros do grupo. b) heteronomia (crianças até 9. a própria moral pressupõe inteligência. Assim sendo. por sua vez. "esta será a forma predominante de raciocínio utilizada pelo adulto. Como é que tais adultos (operatório-concreto) poderiam.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS mentalmente se referem. ainda. portanto. 10 anos de idade). a moralidade implica pensar o racional. existe um desenvolvimento da moral que ocorre por etapas. ou seja.aliás. ou seja. porém não suficiente ao desenvolvimento da moral. relações de coação que corresponde à noção de dever. ampliando as capacidades conquistadas na fase anterior. as regras são seguidas. em 3 dimensões: a) regras: que são formulações verbais concretas. Além disso. apesar de herdadas culturalmente. ou seja. Assim sendo. que. mas não na aquisição de novos modos de funcionamento mental". Para Piaget (1977 apud La Taille 1992:21). e de cooperação que pressupõe a noção de articulação de operações de Apostilas Decisão 8 Apostilas Decisão . a partir da seguinte reflexão: resultados de pesquisas* têm indicado que adultos "pouco-letrados/escolarizados" apresentam modo de funcionamento cognitivo "balizado pelas informações provenientes de dados perceptuais. sendo que o dever de 'respeitá-las' implica a moral por envolver questões de justiça e honestidade. conforme pontua La Taille (1992:17) se no período pré-operatório a criança ainda não havia adquirido a capacidade de reversibilidade. mas sim como algo imposto pela tradição e. em que há a legitimação das regras e a criança pensa a moral pela reciprocidade. ou seja. não teriam alcançado. Cabe-nos problematizar as considerações anteriores de Rappaport. Piaget argumenta que o desenvolvimento da moral abrange 3 fases: a) anomia (crianças até 5 anos). haja vista que as relações entre moral x inteligência têm a mesma lógica atribuída às relações inteligência x linguagem. "toda moral consiste num sistema de regras e a essência de toda moralidade deve ser procurada no respeito que o indivíduo adquire por estas regras". de diâmetro menor)". ainda. por exemplo). de acordo com os estágios do desenvolvimento humano. Isso porque Piaget entende que nos jogos coletivos as relações interindividuais são regidas por normas que. quer seja o respeito a regras é entendido como decorrente de acordos mútuos entre os jogadores. c) valores: que dão respostas aos deveres e aos sentidos da vida. De acordo com a tese piagetiana. Seu desenvolvimento posterior consistirá numa ampliação de conhecimentos tanto em extensão como em profundidade. d) Período das Operações Formais (12 anos em diante): nesta fase a criança. como enfatiza Rappaport (op. de dever. i. conforme aponta Rappaport (op. autonomia)". permitindo entender de onde são derivados os princípios das regras a serem seguidas. Para Piaget. a inteligência é uma condição necessária. imutável. c) autonomia. a objetos ou situações passíveis de serem manipuladas ou imaginadas de forma concreta. Isso não quer dizer que ocorra uma estagnação das funções cognitivas. tais adultos estariam.e. portanto.:63). "a capacidade de pensar simultaneamente o estado inicial e o estado final de alguma transformação efetuada sobre os objetos (por exemplo. por exemplo). podem ser modificadas consensualmente entre os jogadores. Quer dizer. portanto.

) ressalta. Uma das razões da difícil penetração da teoria genética no âmbito da escola deve-se. às relações existentes entre as diversas categorias. Coll (op. curiosamente. p. os erros passam a ser entendidos como estratégias usadas pelo aluno na sua tentativa de aprendizagem de novos conhecimentos (PCN. por ser esta de caráter preeminentemente político-metodológico e não técnico como tradicionalmente se procurou incutir nas idéias da sociedade. dentro da concepção cognitivista da teoria psicogenética. Os conceitos de classificação e enquadramento desenvolvidos por Bernstein (1996. que uma das peculiaridades do modelo piagetiano consiste em que o papel das relações interindividuais no processo evolutivo do homem é focalizado sob a perspectiva da ética (La Taille. um reducionismo psicologizante em detrimento ao social (aliás.O conceito de classificação se refere. por exemplo. 1998). sejam instâncias. contrapondo-se. d) a idéia básica do construtivismo postulando que a atividade de organização e planificação da aquisição de conhecimentos estão à cargo do aluno acaba por não dar conta de explicar o caráter da intervenção por parte do professor. também. 1998). principalmente. entrecortada pelos elementos pedagógicos e relacionais do próprio contexto escolar. portanto. o objeto a conhecer não deve estar nem além nem aquém da capacidade do aprendiz conhecedor. inclusive. metodológicas e teóricas no uso de provas operatórias como instrumento de diagnóstico psicopedagógico. motivo de caloroso debate entre acadêmicos*). o conceito possibilita o exame da força das fronteiras entre as diversas disciplinas escolares que se estabelecem com identidades próprias. (PCN. de forma contraditória aos interesses previstos. a especialização dos discursos escolares. Não obstante esse fato. Isso implica entender que "o desenvolvimento cognitivo é condição necessária ao pleno exercício da cooperação. envolvendo não apenas a noção de 'dever' mas a de 'querer' fazer. 1998). entre outros. ao caráter fundamental de transmissão do saber acumulado culturalmente que é uma função da instituição escolar. Por outro lado. b) a predominância no "como" ensinar coloca o objetivo do "o quê" ensinar em segundo plano. De acordo com Coll (op. as relações entre teoria psicogenética x educação. mas não condição suficiente.) as tentativas de aplicação da teoria genética no campo da aprendizagem são numerosas e variadas. c) uma outra contribuição importante do enfoque psicogenético foi lançar luz à questão dos diferentes estilos individuais de aprendizagem. "ao difícil entendimento do seu conteúdo conceitual como pelos método de análise formalizante que utiliza e pelo estilo às vezes 'hermético' que caracteriza as publicações de Piaget" (idem p. No caso específico do ensino escolar. mas pela lacuna que existe entre este e outros discursos Apostilas Decisão 9 Apostilas Decisão . na Europa e no Brasil. exigindo um alto grau de especialização e de prudência profissional. entre outros: a) as dificuldades de ordem técnica. em grande parte. 21). Em resumo.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS dois ou mais sujeitos. e entre o conhecimento formal e informal. veio a se tornar uma das mais importantes diretrizes no campo da aprendizagem escolar. e) a idéia de que o indivíduo apropria os conteúdos em conformidade com o desenvolvimento das suas estruturas cognitivas estabelece o desafio da descoberta do "grau ótimo de desequilíbrio". que a aplicação educacional da teoria genética tem como fatores complicadores. pode-se considerar que a teoria psicogenética trouxe contribuições importantes ao campo da aprendizagem escolar. segundo Bernstein ( 1996. Vemos. 192) e da tendência dos projetos privilegiarem. por exemplo: a) a possibilidade de estabelecer objetivos educacionais uma vez que a teoria fornece parâmetros importantes sobre o 'processo de pensamento da criança' relacionados aos estádios do desenvolvimento.cit. Coll (1992:172) faz a seguinte observação: "ao que se sabe. especificidades e vozes especiais. 1998) se constituíram como conceitos importantes para a compreensão do espaço da concretização curricular e da apropriação dos conhecimentos pelos sujeitos educacionais. portanto. no âmbito desse estudo. pois uma postura ética deverá completar o quadro" (idem p. como contribuições contundentes da teoria psicogenética podem ser citados. ele [Piaget] nunca participou diretamente nem coordenou uma pesquisa com objetivos pedagógicos". ou seja. Apropriação do Conhecimento As concepções e práticas curriculares das escolas refletem construções conceituais que os sujeitosprofessores vão construindo sobre o currículo. sendo que esta especialização não se constitui pelo próprio discurso. ou seja. a fim de se evitar os riscos de sérios erros. A esse respeito. b) em oposição às visões de teorias behavioristas que consideravam o erro como interferências negativas no processo de aprendizagem. c) a parte social da escola fica prejudicada uma vez que o raciocínio por trás da argumentação de que a criança vai atingir o estágio operatório secundariza a noção do desenvolvimento do pensamento crítico. ao longo de sua trajetória profissional e pessoal. conforme aponta Coll (1992). nos USA. A força da classificação gera especialização das categorias. As Conseqüências do Modelo Piagetiano para a Ação Pedagógica Como já foi mencionado. segundo o autor. no entanto os resultados práticos obtidos com tais aplicações não podem ser considerados tão frutíferos. 1992). a teoria psicogenética de Piaget não tinha como objetivo principal propor uma teoria de aprendizagem. discursos ou práticas. dessa forma. o modelo piagetiano. apesar dos complicadores decorrentes da "dicotomia entre os aspectos estruturais e os aspectos funcionais da explicação genética" (idem. 174).cit.

desenvolveu a auto-estima e o desejo de aprender. as solicitações dos outros níveis educativos. com maior auto-confiança. As forças do enquadramento e da classificação. envolvida. bem arranjados e dotados com equipamento suficiente e em bom estado de utilização. os desejos da comunidade e. fica modificada ou alterada a forma da organização curricular e da divisão social do trabalho presente na educação. Todavia. Enquanto a classificação se refere à "voz" da comunicação. quanto do aluno . seus valores internos podem variar em relação aos elementos da prática pedagógica. expressou sentimentos e emoções. a atividade intelectual não pode ser separada do funcionamento "total" do organismo (1952. A outra tendência é a organização. Um forte princípio de classificação pode produzir. Assim. Começa ao nascer. uma fragmentação temporal do conhecimento que é distribuído. mais nítido o controle sobre a seleção. sendo que o primeiro é o aspecto interno do ciclo do qual a adaptação constitui o aspecto externo. podendo se diferenciar independentemente. Jean Piaget. O conhecimento da criança e da sua evolução constitui o fundamento da diferenciação pedagógica que parte do que esta sabe e é capaz de fazer para alargar os seus interesses e desenvolver as suas potencialidades. para explicar o desenvolvimento intelectual. O educador é o construtor. Assim. Os educadores de infância têm o direito de exigir que. com os amigos. os critérios e o ritmo do processo de transmissão e aquisição do conhecimento. 4. especialmente na atividade pedagógica. posteriormente. Piaget entende que o desenvolvimento intelectual age do mesmo modo que o desenvolvimento biológico (WADSWORTH. Discursos fortemente classificados. um texto legítimo para a comunicação pedagógica. o gestor do currículo. somadas e/ou integradas. no âmbito do projeto educativo do estabelecimento ou do conjunto de estabelecimentos.quanto mais forte o enquadramento. entre o conhecimento escolar formal e o conhecimento extra-escolar. fez "leituras" do mundo à sua volta. tanto do professor. É uma das tendências básicas inerentes a todas as espécies. 1986). produzindo estratificações e localizações. assim como a essência do funcionamento biológico. num tempo posterior da transmissão. As análises feitas a partir de estudos sobre o impacto de programas pré-escolares desenvolvidos em todo o mundo concluíram que a educação pré-escolar de qualidade tem um impacto duradouro no decursos da vida ulterior da criança. nos outros níveis escolares. com identidades especializadas. poderá vir a desenvolver características importantes para o sucesso no trabalho e nas relações pessoais e sociais. a seqüenciação. o organismo discrimina entre a miríade de estímulos e sensações com os quais é bombardeado e as organiza em alguma forma de estrutura. recolher informações sobre o contexto familiar e o meio em que as crianças vivem. Para Piaget. havendo uma maior proximidade entre as categorias. cotidiano. Na relação pedagógica. aprendeu a trabalhar sozinha e em grupo. sempre procurando manter um equilíbrio. ou seja. a adaptação é a essência do funcionamento intelectual. p. Segundo Bernstein (1998). a adaptação acontece através da organização.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS diferenciados. O CONCEITO DE APRENDIZAGEM NA OBRA DE PIAGET Tudo que ocorre na sociedade é educação. E poderá vir a obter mais sucesso na sua vida pessoal e profissional. não estão automaticamente vinculadas. Sendo assim. organização é inseparável da adaptação: Eles são dois processos complementares de um único mecanismo. viu livros. o enquadramento se refere ao "como" . da organização do currículo e da forma pedagógica do ensino. na escola. mantendo os princípios da divisão social do trabalho. são as rupturas no fluxo potencial dos discursos que provocam a especialização das categorias. menos opções são disponibilizadas para a implementação do processo pedagógico.7): Do ponto de vista biológico. Esse processo de adaptação é então realizado sob duas operações. O educador deve construir esse currículo com a equipa pedagógica. também. conduzem a uma distribuição interna do conhecimento que segue progressões. de forma externa e interna. sendo que. o sucesso na vida. estejam garantidos espaços adequados. 1996). seu ritmo e previsão de progressão para a aquisição. A educação que começa em casa. com suas especificidades e sua cultura escolar própria. tem a ver com os pais. Ainda segundo Piaget (PULASKI. interesses e dificuldades. pesquisou. e quanto mais forte o enquadramento. quando essa separação é rompida. O enquadramento examina a natureza do controle presente na relação pedagógica quanto à seleção e seqüenciação da comunicação. Existe na escola e. sem dúvida. deve ter continuidade nos jardins de infância e. a assimilação e a acomodação. o conhecimento é fragmentado e separado do sujeito conhecedor – o nível mais abstrato de um dado conhecimento somente pode ser adquirido pelo sujeito. o caráter do espaço social. comparou. Tudo isto vai ajudala numa melhor compreensão das aprendizagens formais da escola. teve contato com a escrita. mais amplamente. Outro aspecto importante desse conceito se refere ao grau de fronteira entre o que pode ser ensinado e o que não deve fazer parte do ensino. A freqüência de um jardim de infância é. um contributo para o sucesso escolar pois. o controle está visivelmente nas mãos do professor. partindo do conhecimento local e concreto para princípios gerais mais abstratos.a forma como os significados vão ser unidos e traduzidos como uma mensagem. construindo assim. partiu da idéia que os atos biológicos são atos de adaptação ao meio físico e organizações do meio ambiente. Ainda segundo o autor. Que constitui a habilidade de integrar as estruturas físicas e psicológicas em sistemas coerentes. observar cada criança e o grupo para conhecer as suas capacidades. um jogo de forças que. e assim. é a separação entre as categorias do discurso que traduz a mensagem de poder implícita na especialização de cada conteúdo. com a família. O conceito de classificação nos ajuda a examinar parcelas desse conflito e possibilita o direcionamento do olhar do investigador para as relações de poder que emergem. e a mensagem a ser transmitida e assimilada pelos alunos se torna uma mensagem explícita e definida a priori. para o autor. os critérios adotados para a transmissão e o controle da base social que torna possível essa comunicação. ou seja. identificou e classificou objetos. a o "quê" é transmitido na escola. o bairro e todo o meio em que a criança está Apostilas Decisão 10 Apostilas Decisão . observou. para a sua ação educativa. é o próprio poder que trata de preservar essa separação. escutando os saberes das crianças e suas famílias. permitindo-lhe o sucesso escolar e. Desta forma. A função do educador de infância parte primeiro da observação. produzem uma escola particular. quando a criança chega à escola já ouviu e contou histórias. ela poderá vir a ter melhores resultados escolares (menos necessidade de freqüentar programas de educação compensatórios).

Quando corrigida. Uma criança. Estes esquemas são utilizados para processar e identificar a entrada de estímulos. 7) "A acomodação explica o desenvolvimento (uma mudança qualitativa). seus esquemas tornamse generalizados. Esta criança tem agora. e uma vez modificada a estrutura cognitiva. 1997a). ou seja a similaridade entre o cavalo e o cachorro (apesar da diferença de tamanho) faz com que um cavalo passe por um cachorro em função da proximidades dos estímulos e da pouca variedade e qualidade dos esquemas acumulados pela criança até o momento. etc. um esquema de cachorro.). mais organizado e mais complexo. 18. Procurando elucidar essas declarações. mas mudam continuamente ou tornam-se mais refinados. não existe uma estrutura cognitiva que assimile a nova informação em função das particularidades desse novo estímulo (Nitzke et alli. Diante deste impasse. são constructos hipotéticos. quadrúpede. que grosseiramente poderíamos compará-los como fichas de um arquivo. e graças a isto o organismo está apto a diferenciar estímulos. por exemplo. Ou seja. Dessa forma. NITZKE et alli (1997a) escreve que os esquemas cognitivos do adulto são derivados dos esquemas sensório-motores da criança. como também está apto a generalizá-los.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Os Esquemas Antes de prosseguir com a definição da assimilação e da acomodação. de acordo com características comuns. quando nasce. WADSWORTH diz que (1996. um processo de assimilação. ou padrão de comportamento ou pensamento. uma integração à estruturas prévias. imaginemos que uma criança está aprendendo a reconhecer animais. pelas quais os indivíduos intelectualmente se adaptam e organizam o meio. no entanto. essa criança tenta "encaixar" o estímulo em um esquema disponível. pescoço. que escreve que os processos responsáveis por mudanças nas estruturas cognitivas são a assimilação e a acomodação. motor ou conceitual às estruturas cognitivas prévias (WADSWORTH. nariz molhado. um outro animal que possua alguma semelhança. possui um vasto arranjo de esquemas comparativamente complexos que permitem um grande número de diferenciações. quando se fala que não existe assimilação sem acomodação. aquilo não é um cachorro. o único animal que ela conhece e tem organizado esquematicamente é o cachorro. mas sem descontinuidade com o estado precedente. Figura 000 – Ligeira semelhança morfológica entre um cavalo e um cachorro Notadamente. ela a terá também como cachorro (marrom. De fato. O próprio Piaget define a assimilação como (PIAGET. portanto. "não. mais diferenciados e mais numerosos. Esta declaração de Piaget. Neste momento. Esse novo conceito que estamos procurando introduzir é chamado por Piaget de esquema (schema). Vemos então. Conforme PULASKI (1986). criando assim um novo esquema. ou ouvindo coisas novas) ela tenta adaptar esses novos estímulos às estruturas cognitivas que já possui. juntos eles explicam a adaptação intelectual e o desenvolvimento das estruturas cognitivas. à esta criança. deixa claro que da mesma forma como não há assimilação sem acomodações (anteriores ou atuais). acomodará aquele estímulo a uma nova estrutura cognitiva. Os esquemas não são observáveis. ou seja. é interessante introduzir um novo conceito que é amplamente utilizado quando essas operações. iniciamos com definição dada por PIAGET (p. mas como conjuntos de processos dentro do sistema nervoso. Por exemplo. um esquema para o conceito de cachorro e outro para o conceito de cavalo. Assim. ou cognitivas. 1996). definindo que se trata de um cavalo. também não existem acomodações sem assimilação. que emerge da integração de unidades mais simples e primitivas em um todo mais amplo. os esquemas são tratados. neste caso. Assim. são inferidos e. Ambas as ações resultam em uma mudança na estrutura cognitiva. então. WADSWORTH (1996) define os esquemas como estruturas mentais. uma adulto intervém e corrige. A Assimilação e Acomodação A assimilação é o processo cognitivo pelo qual uma pessoa integra (classifica) um novo dado perceptual. assimilação e acomodação. podemos dizer que a criança possui. e à medida que se desenvolve. como um cavalo. isto é. são empregadas. Ou seja. sem serem destruídas. ocorre. restam apenas duas saídas: criar um novo esquema ou modificar um esquema existente. quando a criança tem novas experiências (vendo coisas novas. Assim sendo. a acomodação acontece quando a criança não consegue assimilar um novo estímulo. 1996. não como objetos reais. o estímulo é prontamente assimilado. A diferenciação do cavalo para o cachorro deverá ocorrer por um processo chamado de acomodação. quando apresentada. O funcionamento é mais ou menos o seguinte. uma criança apresenta um certo número de esquemas.. mas desencadeia ajustamentos ativos. a criança. é um cavalo". motor ou conceitual se dará primeiramente em esquemas já Apostilas Decisão 11 Apostilas Decisão . temos a definição que os esquemas não são fixos. apresenta poucos esquemas (sendo de natureza reflexa). Pois bem. a criança." Essa mesma opinião é compartilhada por Nitzke et alli (1997a). um rabo. e não mais de um cachorro. Isto significa que a criança tenta continuamente adaptar os novos estímulos aos esquemas que ela possui até aquele momento. a criança pode tentar assimilar o estímulo novamente. p.. e até o momento. em sua estrutura cognitiva. um adulto. 13): . Entrando agora na operação cognitiva da acomodação. que podem permanecer invariáveis ou são mais ou menos modificadas por esta própria integração. significa que a assimilação de um novo dado perceptual. p. Diante de um estímulo. 1996): Chamaremos acomodação (por analogia com os "acomodatos" biológicos) toda modificação dos esquemas de assimilação sob a influência de situações exteriores (meio) ao quais se aplicam. e a assimilação explica o crescimento (uma mudança quantitativa). quando expõe as idéias da assimilação e da acomodação. mas simplesmente acomodando-se à nova situação. apontará para o cavalo e dirá "cachorro" . PIAGET (1996). significa que o meio não provoca simplesmente o registro de impressões ou a formação de cópias. esquema é uma estrutura cognitiva. Ocorrida a acomodação. que os esquemas são estruturas intelectuais que organizam os eventos como eles são percebidos pelo organismo e classificados em grupos.

por diferenciações sucessivas. Segundo Postulado : Todo esquema de assimilação é obrigado a se acomodar aos elementos que assimila. Dessa forma. tem um enfoque diferente do que normalmente se atribui à esta palavra. O contrário também é nocivo. de esquemas anteriores. Embora. p. uma vez que um esquema amplo pode abranger uma gama enorme de objetos sem modificá-los ou compreendê-los. Piaget. lembra que os tipos possuem o comum aspecto de serem todas relativas ao equilíbrio entre a assimilação e a acomodação. pois se uma pessoa só acomodasse estímulos. Os Estágios Cognitivos Segundo Piaget Piaget. 1996). segundo a teoria da equilibração como uma tarefa de assimilação. processos de assimilação e acomodação recíprocos que asseguram as interações entre dois ou mais esquemas que. Obviamente. motor ou conceitual é acomodado perante a sua assimilação no sistema cognitivo existente. Piaget separa o processo cognitivo inteligente Apostilas Decisão 12 Apostilas Decisão . acarretando uma taxa de generalização tão baixa que a maioria das coisas seriam vistas sempre como diferentes. mesmo pertencendo à mesma classe. 3. a incorporar elementos que lhe são exteriores e compatíveis com a sua natureza. ela tenta. Segundo WAZLAVICK (1993). e assim. isto é. Partindo da idéia de que não existe acomodação sem assimilação. constroem-se pouco a pouco. na Segunda forma temos a equilibração pela diferenciação. É neste contexto que Piaget (1996. De uma forma bastante simples. Se ela for bem sucedida. compõem um outro que os integra. o equilíbrio é alcançado. é considerada como um mecanismo auto-regulador. nesse momento. ocorre a assimilação do estímulo e. pois naquela a equilibração intervém nas interações entre as partes. se as partes apresentam propriedades enquanto totalidades. 1996). O primeiro postulado limita-se a consignar um motor à pesquisa. a terceira forma de equilibração é a que assegura as interações entre os esquemas e a totalidade. Piaget (1975) define que o equilíbrio cognitivo implica em afirmar que : 1. é alcançado no momento. uma criança. acomodados em fases anteriores. é notada principalmente frente a dois postulados organizados por PIAGET (1975. trata de um ponto de equilíbrio entre a assimilação e a acomodação. Isto é. o equilíbrio. 2. perder sua continuidade (portanto. A presença necessária de acomodações nas estruturas. mas. pois. em lugar de corresponder a uma montagem hereditária acabada. Em outras palavras. a maior parte dos esquemas.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS existentes.147). tenta assimilar o estímulo a um esquema existente. ou seja. Nesta linha de pensamento em torno da teoria das equilibrações. Na acomodação o inverso é verdadeiro. Quando isso é feito. Piaget tenha apontando três tipos de equilibração. em relação àquela situação estimuladora particular. na terceira temos a equilibração pela integração. há primeiramente a equilibração entre a assimilação destes esquemas e a acomodação destes últimos aos objetos. acabaria com uma grande quantidade de esquemas cognitivos. Finalmente. as propriedades das partes diferenciam-se entre si. em segundo lugar. A importância da teoria da equilibração. uma pessoa impõe sua estrutura disponível aos estímulos que estão sendo processados. sem com isso. pode-se dizer que a adaptação é um equilíbrio constante entre a assimilação e a acomodação. isto é. a se modificar em função de suas particularidades. igualmente. significa que um dado perceptual. enquanto que a diferenciação pode ser vista como uma tarefa de acomodação. Se a criança não consegue assimilar o estímulo. Há. Em função da interação fundamental de início entre o sujeito e os objetos. muito amplos. modificando um esquema ou criando um esquema novo. os estímulos são "forçados" a se ajustarem à estrutura da pessoa. de acordo com a teoria construtivista. então. A pessoa é "forçada" a mudar sua estrutura para acomodar os novos estímulos. O segundo postulado afirma a necessidade de um equilíbrio entre a assimilação e a acomodação na medida em que a acomodação é bem sucedida e permanece compatível com o ciclo. WADSWORTH (1996) escreve que durante a assimilação. pois derivam sempre. elas apresentam propriedades enquanto partes. juntos. p. Essa terceira forma é diferente da Segunda. Intervêm aqui. E é dessa maneira que os esquemas se desenvolvem por crescentes equilibrações e auto-regulações. uma forma de equilibração que assegura as interações entre os esquemas. fazer uma acomodação. Segundo WADSWORTH (1996).14): Primeiro Postulado : Todo esquema de assimilação tende a alimentar-se. e dão lugar a diferenciações. seu fechamento enquanto ciclo de processos interdependentes). porém muito pequenos. conservação mútua do todo e das partes. e não implica na construção de novidades. enquanto que nesta terceira a equilibração intervém nas interações das partes com o todo. e por isso. já descrito nesta seção. quando descreve a aprendizagem. 2. p. nem seus poderes anteriores de assimilação. modificado ou não. de uma maneira geral. por acomodação às situações modificadas. necessária para assegurar à criança uma interação eficiente dela com o meio-ambiente. são elas : 1. ao experienciar um novo estímulo (ou um estímulo velho outra vez). identifica três formas básicas de equilibração. E quando se fala que não existem acomodações sem assimilação. A Teoria da Equilibração Segundo Piaget (WADSWORTH. 18) fala de "acomodação de esquemas de assimilação". contudo. A conservação de tais estruturas em caso de acomodações bem sucedidas. segundo LIMA (1994. a teoria da equilibração. Esta equilibração é necessária porque se uma pessoa só assimilasse estímulos acabaria com alguns poucos esquemas cognitivos. incapaz de detectar diferenças nas coisas. além de conduzir o fortalecimento das características positivas pertencentes aos esquemas no sistema cognitivo. Assim. como é o caso do esquema "seres". ou por combinações (assimilações recíprocas com ou sem acomodações novas) múltiplas ou variadas. Há. Em outras palavras. podemos ver a integração em um todo. podemos dizer que esses esquemas cognitivos não admitem o começo absoluto (PIAGET.

.14 anos). a partir de reflexos neurológicos básicos. Segundo LOPES. Apesar de não se limitar mais a uma representação imediata. . que ele próprio chama de fases de transição (PIAGET. espaço. as noções de espaço e tempo são construídas pela ação. anulando a transformação observada. 1975). a aprendizagem refere-se à aquisição de uma resposta particular. quando postula sua teoria sobre o desenvolvimento da criança. espaço. Não relaciona as situações. Exemplos: Despeja-se a água de dois copos em outros.. Aprimorando esses esquemas. Um importante conceito desta fase é o desenvolvimento da reversibilidade. Em outras palavras. em 4 estados. Enquanto que o desenvolvimento seria uma aprendizagem de fato. e não consegue se colocar. 1982). velocidade. sem depender mais só da observação da realidade. para que a criança diga se as quantidades continuam iguais. 124) é assim que os esquemas vão "pouco a pouco. ou seja.Já pode agir por simulação. uma inteligência essencialmente prática.  Operatório-concreto ( 8 .. A criança deste estágio: . Para Piaget. p. Exemplos: O bebê pega o que está em sua mão. não se limitando mais à representação imediata e nem às relações previamente existentes. A representação agora permite à criança uma abstração total. sendo este o responsável pela formação dos conhecimentos. pois verifica-se que ocorre uma crescente melhoria na sua aprendizagem. abstratamente. aprendida em função da experiência. diferenciando-se e integrando-se. depende do mundo concreto para abstrair. 1991). descreve-a.  Pré-operatório ( 2 .Não aceita a idéia do acaso e tudo deve ter uma explicação (é fase dos "por quês"). sem representação ou pensamento.  Operatório-formal (8 . pois as formas são diferentes.. a capacidade da representação de uma ação no sentido inverso de uma anterior. A criança nega que a quantidade de massa continue igual. .2 anos). Operatório-Formal Segundo WADSWORTH (1996) é neste momento que as estruturas cognitivas da criança alcançam seu nível mais elevado de desenvolvimento. obtida de forma sistemática ou não. "como se". causalidade e tempo (MACEDO. por isso mesmo. duas bolinhas de massa iguais e dá-se a uma delas a forma de salsicha. "mama" o que é posto em sua boca. de formatos diferentes. Conforme MACEDO (1991. é capaz de ver um objeto. a criança trabalha com a lógica da idéia (metáfora) e não com a imagem de uma galinha comendo grãos. O CONCEITO DE APRENDIZAGEM NA OBRA DE PAULO FREIRE Apostilas Decisão 13 Apostilas Decisão . e esta substituição é possível. . sendo então capaz de relacionar diferentes aspectos e abstrair dados da realidade. no mesmo tempo em que o sujeito vai se separando dos objetos podendo. ordem. Operatório-Concreto Conforme Nitzke et alli (1997b). permitindo que a mesma explore melhor o ambiente.Deixa se levar pela aparência sem relacionar fatos. interagir com eles de forma mais complexa. segundo MACEDO (1994). conforme PIAGET. o bebê começa a construir esquemas de ação para assimilar mentalmente o meio (LOPES. Piaget. pegá-lo e levá-lo a boca. Assim este estágio é também muito conhecido como o estágio da Inteligência Simbólica. 1996). MACEDO (1991) lembra que a atividade sensório-motor não está esquecida ou abandonada. . Exemplos: Mostram-se para a criança. Exemplos: Se lhe pedem para analisar um provérbio como "de grão em grão. casualidade. "vê" o que está diante de si. Também é marcado pela construção prática das noções de objeto.Possui percepção global sem discriminar detalhes. Essas 4 fases são :  Sensório-motor (0 . graças à função simbólica. a galinha enche o papo". mas refinada e mais sofisticada. neste estágio a criança desenvolve noções de tempo.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS em duas palavras : aprendizagem e desenvolvimento.11 anos). Agora a criança é capaz de pensar logicamente.7." Nitzke et alli (1997b) diz-se que o contato com o meio é direto e imediato. centrada em si mesma. as estruturas cognitivas da criança alcançam seu nível mais elevado de desenvolvimento e tornam-se aptas a aplicar o raciocínio lógico a todas as classes de problemas. Pré-Operatório É nesta fase que surge.É egocêntrica.8 anos). na criança. no lugar do outro. basicamente. Sensório-Motor Neste estágio. a capacidade de substituir um objeto ou acontecimento por uma representação (PIAGET e INHELDER. formular hipóteses e buscar soluções. fazendo uso de mais e mais sofisticados movimentos e percepções intuitivas. configurando assim. 5. A resposta é afirmativa uma vez que a criança já diferencia aspectos e é capaz de "refazer" a ação. Contudo.

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Apostilas Decisão 14 Apostilas Decisão .

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