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Matemática Superior - UVB

Aula 05
Derivadas das Funções
Elementares
Objetivos da Aula

• Apresentar as técnicas de derivação elementares, cuja utilização


direta otimiza e simplifica o cálculo da derivada de uma função.
• Aplicar o cálculo de derivadas na resolução de problemas.

Vimos na aula anterior que as derivadas são interpretadas como


as inclinações e as taxas de variação, vimos também como estimar
derivadas de funções dadas pelas tabelas de valores. Desta forma,
faremos a seguinte definição.

Definição de Derivada de uma Função


A derivada de uma função f é a função f‘ (lê-se f linha de x), tal que
seu valor em todo x do domínio de f se dado por
f ( x + ∆x) − f ( x)
f ' ( x) = lim
∆x  0 ∆x

se este limite existe.

A derivada de uma função y = f(x), pode ser representada também


pelos símbolos:

y’ , dy/dx ou f ‘ (x).

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Usamos a definição de uma só derivada para calcular as derivadas


de funções definidas pelas fórmulas, mas seria tedioso se sempre
usássemos a definição; então, mostraremos regras para encontrar
derivadas sem ter que usar diretamente a definição.

1. Derivada de uma Função Constante

Vamos iniciar com a função constante f(x) = c. O gráfico dessa função


é a reta horizontal y = c, cuja inclinação é 0 (zero); logo, devemos ter
f’(x) = 0, como mostra a figura abaixo.
Veja uma prova formal da definição de uma derivada:

f (x + h )− f (x ) c−c
f ' (x ) = lim = lim = lim 0 = 0
h →0 h h →0 h h →0

c y=c

inclinação = 0

0 x
O gráfico de f(x) = c é a reta y = c; assim f’(x) = 0.

Vamos agora escrever essa regra na notação de Leibniz.


d/dx(c) = 0 (sendo ”c”, uma constante).

Exemplos:

1º) Se f(x) = 32, então

d
f ' (x ) = (32 ) = 0
dx

2º) Se f(x) = -7, então


d
f ' (x ) = (−7) = 0
dx
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Função Potência

Vamos olhar a função f(x) = x n, onde n é um inteiro positivo. Se


n = 1, o gráfico f(x) = x é a reta y = x, cuja inclinação é 1 (veja a figura
abaixo).

c
y=x

inclinação = 1
0
x
O gráfico de f(x) = x é a reta y = x; assim f’(x) = 1.

Logo

d/dc (c) = 0 ou f’(x) = 1

Derivada da Função Potência ou Regra da


Potência
Se n é qualquer número real, e se f(x) = xn, então .

PRIMEIRA PROVA:

x n – a n = (x - a) . (x n-1 + x n – 2 + ... + xa n – 2 + a n - 1)

pode ser simplesmente verificada multiplicando-se o lado direito (ou


somando-se o segundo fator como uma séria geométrica).

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f (x )− f (a ) xn − an
f ' (a ) = lim = lim
x →a x−a x →a x−a

(
f ' (a ) = lim x n -1 + x n - 2 a +  + xa n - 2 + a n -1
x →a
)
f ' (a ) = a n -1 + a n - 2 a +  + aa n - 2 + a n -1

f ' (a ) = na n -1

SEGUNDA PROVA (usaremos h = Dx para facilitar a compreensão


do cálculo)
f (x + h )− f (x ) (x + h ) − x
n n
f ' (x ) = lim = lim
h →0 h h →0 h

Para achar a derivada de x 4desenvolvemos (x + h) 4. Aqui precisamos


desenvolver (x +h) n, usamos o teorema Binomial para fazer isto:

 n n -1 n(n − 1) n - 2 2 n -1 n n
 x + nx h + 2 x h +  + nxh + h  − x
 
f ' (x ) = lim
h →0 h

 n -1 n(n − 1) n - 2 2 
nx h + x h +  + nxh n -1 + h n 
 2 
f ' (x ) = lim
h →0 h

 n -1 n(n − 1) n - 2 n -2 n -1 
 nx h + x h +  + nxh + h 
 2 
f ' (x ) = lim
h →0 h

f ' (x ) = nx n -1

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porque todo o termo, exceto o primeiro, tem h como um fator,


conseqüentemente tende a 0 (zero).

Vamos analisar a regra da potência para o caso especial n = 2. Se


f(x) = x 2, então:

d 2 f (x + h )− f (x )
f ' (x ) =
dx
( )
x = lim
h →0 h

f ' (x ) = lim
(x + h )2 − x 2
h →0 h

x 2 + 2 xh + h 2 − x 2
f ' (x ) = lim
h →0 h

2 xh + h 2
f ' (x ) = lim
h →0 h
( )
= lim 2 xh + h 2 = 2 x
h →0

Exemplos:

1º) a) Se f(x) = x, então


d
f ' (x ) = (x ) = 1⋅ x 1−1 = x 0 = 1
dx

b) Se f(x) = x 8, então
d 8
f ' (x ) =
dx
(x )= 8x 7

c) Se f(x) = x 5/2, então


d 5/2 5
f ' (x ) =
dx
(x )= x 3 / 2
2

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d) f(x) = x

Reescrevendo x na forma x 1/2, obtemos

d 1/2 1 1 1
f ' (x ) =
dx
( )
x = x -1/2 = 1/2 =
2 2x 2 x

1
e) g(x) = 3
x
1 -1/3
R eescrevendo na forma x , obtemos
3
x

d -1/3 1 - 4/3 1 1 1
g ' (x ) =
dx
x( )
= x = 4/3 =
3
ou
3x 3 3 x4 3 3 x4

2º) Ache uma equação da reta tangente à curva y = x x no


ponto (1,1). Ilustre fazendo o gráfico da curva e sua reta
tangente.

Solução

A derivada de f (x ) = x x = xx = x é
1/2 3/2

3 (3/2 )−1 3 1/2 3


f ' (x ) = x = x = x
2 2 2

3
Logo a inclinação da reta tangente em (1,1) é f ' (x ) = . Portanto, uma
2

equação da reta tangente é

3 3 1
y −1 = (x − 1) ou y= x− .
2 2 2

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Este é o gráfico da curva e sua reta tangente.

y=x x

y=3x-1
2 2
-1 3

-1

3. Regra do Múltiplo Constante

Quando novas funções são formadas a partir das antigas


funções por adição, subtração, multiplicação ou divisão, suas
derivadas podem ser calculadas em termos das derivadas das
antigas funções. Em particular, a fórmula a seguir nos diz que
a derivada de uma constante vezes uma função é a constante
vezes a derivada da função.
Seja uma função diferenciável ou derivável, onde n é qualquer
número real e c for uma constante, então

d d
f ' ( x) = [cf (x )] = c f (x ) = c(nx n −1 ) = cnx n −1
dx dx

Representação Geométrica da Regra do Múltiplo


Constante

A multiplicação por c = 2 estica o gráfico verticalmente por um


fator de 2.

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Todas as subidas têm de ser dobradas, mas a corrida continua


a mesma. Logo as inclinações ficam dobradas também.

y = 2 f(x)

y = f(x)

0 x

PROVA: Se g(x) = cf(x), então

g (x + h )− g (x ) cf (x + h )− cf (x )
g ' (x ) = lim = lim
h →0 h h →0

 f (x + h )− f (x ) f (x + h )− f (x )
= lim c   = c lim = cf ' (x )
h →0
 h  h →0

EXEMPLOS:

1º) Se f(x) = - x, então

d
f ' (x ) = (− x ) = d [(− 1)⋅ x]= (− 1) d (x ) = −1⋅ (1) = − 1
dx dx dx

2º) Se f(x) = 5x 3, então

d d 3
f ' (x ) =
dx
( )
5x 3 = 5
dx
( ) ( )
x = 5 ⋅ 3 x 2 = 15 x

3
3º) Se f (x ) = , então
x
d  1 3
f ' (x ) =
dx
( ) 
3x 1 / 2 = 3 ⋅  − x −3 / 2  = − 3 / 2
 2  2x

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4. Regra da Soma

Se f e g são funções e h é a função definida por h(x) = f(x)


+ g(x), e se f’(x) e g’(x) existem, ou seja são diferenciáveis,
então

d
h' ( x ) = f ' ( x ) + g ' ( x ) ou [f (x )+ g (x )]= d [f (x )]+ d [g (x )]
dx dx dx

A derivada da soma (diferença) de duas funções diferenciáveis


é igual à soma (diferença) de duas derivadas.

Este resultado pode ser estendido para soma e diferença de


um número finito qualquer de funções diferenciáveis.
Vamos verificar a regra para a soma de duas funções.

PROVA: Seja s(x) = f(x) + g(x), então

s (x + h )− s (x )
s ' (x ) = lim
h →0 h

[ f (x + h )+ g (x + h )] − [ f (x )+ g (x )]
s ' (x ) = lim
h →0 h

[ f (x + h )− f (x )] + [ g (x + h )− g (x )]
s ' (x ) = lim
h →0 h

[ f (x + h )− f (x )] [ g (x + h )− g (x )]
s ' (x ) = lim + lim = f ' (x )+ g ' (x )
h →0 h h →0 h

A regra da soma pode ser estendida para a soma de qualquer


número de funções. Por exemplo, usando este teorema duas
vezes, obtemos

(f + g + h)’ = [(f + g) + h]’ = (f + g)’ = h´= f’ + g’ + h’

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Escrevendo f – g como f + (- 1)g e aplicando a Regra da Soma e


a Regra do Múltiplo Constante, obtemos a seguinte fórmula

5·Regra da Diferença

Se f e g forem ambas diferenciáveis, então

ou

As três regras podem ser combinadas com a Regra da Potência


para diferenciar qualquer polinômio.

Exemplos:

1º) f ( x) = x8 + 12 x 5 − 4 x 4 + 10 x 3 − 6 x + 5
f ' ( x) = 8 x8 −1 + 12 (5 x 5 −1 ) − 4(4 x 4 −1 ) + 10 (3 x 3−1 ) − 6(1x1−1 ) + 0
f ' ( x) = 8 x 7 + 12 (5 x 4 ) − 4(4 x 4 ) + 10 (3 x 2 ) − 6(1) + 0
f ' ( x) = 8 x 7 + 60 x 4 − 16 x 3 + 30 x 2 − 6

t2 5
2º) g (t ) = +
5 t3

d 1 2 −3  1
g ' (t ) =  t + 5t  (Reescrevendo 3 como t -3)
dx  5  t

2
g ' (t ) = t − 15t − 4
5

2t 5 − 75 -4 1
g ' (t ) = (Reescrevendo t como e simplificando)
5t 4
t4

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3º) Seja f(x) = 3x² + 2x. Determine: (a) f ’(-2) e (b) f ’(4)

f ' ( x) = 3(2 x 2 −1 ) + 2 = 6x + 2

a) f’(- 2) = 6(- 2) + 2 = -10 b) f’(4) = 6(4) + 2 = 26

4º) Ache os pontos sobre a curva y = x 4 – 6x 2 + 4 onde a reta


tangente é horizontal.

Solução

As tangentes horizontais ocorrem quando a derivada é zero.


Temos

dy d 4 d 2 d
=
dx dx
x −6 ( )
dx dx
( )
x + (4 ) = 4 x 3 − 12 x + 0 = 4 x ⋅ (x 2 − 3)

Assim dy/dx = 0 se x = 0 ou x 2 – 3 = 0, isto é, x = ± 3. Logo, a


curva dada tem tangentes horizontais quando x = 0, 3 e - .
Os 3pontos correspondentes são (0,4), ( 3 ,-5) e (- 3 ,-5). Veja a
figura abaixo

(0,4)

(- 3 ,- 5 ) ( 3 ,- 5 )

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
TAN, S.T. Matemática Aplicada à Administração e Economia. São Paulo:
Thomson, 2001.

FLAMMING, Diva Marília, GONÇALVES, Mírian Buss. Cálculo A. São


Paulo: Pearson Education do Brasil, 1992

LEITHOLD, L. O Cálculo com Geometria Analítica. São Paulo:


Harbra,1988.

STEWART, James. Cálculo Volume I. São Paulo: Pioneira Thomson


Learning, 2003.

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