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CENTRO UNIVERSITÁRIO DA FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DE

BARRETOS – UNIFEB
ENGENHARIA QUÍMICA
CÁLCULO NUMÉRICO
PROFº MARCOS WILLIAM

INTEGRAÇÃO NUMÉRICA
REGRA DO TRAPÉZIO E REGRA 1/3 DE SIMPSON

JÚLIO CÉSAR GUISELINI


LEONARDO ROCHA MANTELLI
LETTÍCIA GOMES SILVA
MÁRIO KAWANO JÚNIOR
SANDRA LUIZA FIGUEIRA

BARRETOS
2011
Cálculo Numérico – Engenharia Química – Prof. Marcos Willian

1. INTRODUÇÃO

Quando se tem uma integral definida a resolver, cuja função seja


desconhecida ou que seja analiticamente difícil de resolvê-la, tem-se o método
da integração numérica. A integração numérica é um método utilizado para
facilitar cálculos de integrais bem complexas.
A integração numérica tradicional inclui as chamadas fórmulas de
Newton-Cotes, como a fórmula dos trapézios e a fórmula de Simpson. A
utilização de técnicas numéricas de aproximação envolve desde a dedução das
fórmulas a partir de alguns princípios, até a geração de aproximações sucessivas,
levando a questões como convergência de seqüências, determinação do erro,
existência e unicidade de solução. O objetivo deste trabalho é apresentar os
resultados de uma comparação entre as técnicas de integração numérica. Em
determinadas situações, integrais são difíceis, ou mesmo impossíveis de se
resolver analiticamente. Exemplo: o valor de f(x) é conhecido apenas em alguns
pontos, num intervalo [a, b]. A idéia geral de integração numérica, é substituir
uma função continua (F(x)):

Por um polinômio que aproxime razoavelmente o valor no intervalo [a,b]:

Na qual f(xi) são os valores da função f(x), Δx = xi+1 - xi.

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2. REGRA DO TRAPÉZIO

Esta regra é obtida fazendo-se n igual a um, ou seja, por meio da


integração do polinômio interpolador de grau um.
A Regra do Trapézio é a fórmula de Newton-Côtes que aproxima a função
f(x) pelo polinômio interpolador de grau 1 sobre os pontos x0 = a e x1 = b. O
polinômio interpolador de grau um, na forma de Newton é dado por:
p1(x) = f(x0) + f[x0; x1](x - x0)

2.1 Motivação Gráfica

Figura 1. Regra do Trapézio

 Área do trapézio: A=h . (T+t) /2


o h - altura do trapézio
o t - base menor
o T - base maior

 De acordo com a figura:


o h= b – a = x1 – x0
o t = f(b) = f(x1) x1

 f ( x)dx  2  f ( x )  f ( x )
h
0 1
o T = f(a) = f(x0) Logo, x0

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2.2 Método Simples e Análise de Erro

Significa aproximar uma curva qualquer por uma reta. Desta forma, a área
sob a função f(x), que é equivalente à integral dessa função, é aproximada pela
área do trapézio cuja largura é igual a (b – a) e a altura média igual a [f(a) +
f(b)]/2, Fazendo-se Δx = b – a, a fórmula para a integral pode ser escrita como:

T( f ) = ( f(a) + f(b) ) ( b - a ) / 2

Que corresponde exatamente ao valor da área do trapézio definido pela


reta interpoladora. Como mostrada na figura abaixo:

Figura 2. Regra dos Trapézios - Fórmula simples

Teorema (do Valor Intermédio para Integrais). Sejam f, g funções


contínuas em [a,b]. Se g não muda de sinal no intervalo [a, b] temos:

O valor absoluto do erro:


E( f ) = I ( f ) - T ( f )
Sabemos que
E( f ) = I ( f ) - T ( f ) = I ( f ) - I ( p1 ) = I ( f - p1 )
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Da fórmula do erro de interpolação temos


f (x) - p1(x) = f [ a, b, x ] ( x - a ) ( x - b )
E como ( x - a ) ( x - b ) não muda de sinal no intervalo [a, b] podemos
aplicar o Teorema do Valor Intermédio para Integrais e obtemos:

E supondo que f é C2[a, b], obtemos a fórmula do erro:

2.3 Método Composto e Análise de Erro

Quando se adota intervalos relativamente pequenos, o valor da integral é


aceitável. Quando o intervalo é relativamente grande, a aproximação é defasada,
mas a vantagem é que a área de interesse a calcular, pode ser subdividida em ŋ
intervalos e depois somá-las. O resultado torna-se mais próximo do valor real.
Definimos isso como sendo a técnica de soma de n intervalos. Quando se
faz a soma de n intervalos, observa-se:
In = I1, I2, I3...., In
I
h
y0  y1   h y1  y2   .........  h yn1  yn 
2 
   2   2 

I1 I2 In

Logo:

I
h
y0  2.y1  2.y 2  ...  2.y n 1  y n 
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O erro de truncamento et, pode ser expresso como:

et = (b – a)M

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Figura 3. Regra dos Trapézios – Fórmula composta

2.4 Exemplos e Aplicações

Exemplo: calcular usando a regra do trapézio simples


Solução: vamos calcular a integral aproximada pela regra do trapézio com
um, dois e quatro intervalos, entre os extremos de ligação [0,1].
a) Com um intervalo, n = 1 e, portanto, h = ∆x = (b – a)/n = (1 – 0)/1.

dx [f(a) + f(b)] = [ = [ 1 + 2,71828] = 1,85914

b) Com dois intervalos, n = 2 e h = ∆x = (b – a)/n = (1 – 0)/2 = 0,5.

dx [f (0) 2f (0,5) f (1)] = ( = 1,75393

c) Com quatro intervalos, n = 4 e h = ∆x = (b – a)/n = (1 – 0)/4 = 0,25

[f (0) 2f (0,25) 2f (0,5) 2f (0,75) f (1)]

( = 1,72722

A solução exata vale dx = 1,71828. Calculando-se o erro para cada


valor da integral temos:
(a) n = 1, erro = [1,71828 - 1,85914]= 0,14
(b) n = 2, erro = [1,71828 - 1,75393]= 0,036
(c) n = 4, erro = [1,71828 - 1,72722]= 0,0089

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Fazendo-se uma analise dos resultados, percebe-se que quanto maior o


número de intervalos, mais próximo do valor real se aproxima, ou seja, o erro
diminui. Explica-se o fato de que graficamente a reta escolhida por apenas um
intervalo, será mais distante da curva do que n retas escolhidas por n intervalos.
Defini-se então que o uso da técnica do trapézio composto de torna mais
eficiente em relação ao uso da técnica do trapézio simples.

3. REGRA 1/3 DE SIMPSON

A Regra de Simpson consiste na aproximação da função contínua f(x) no


intervalo [a,b] por uma função de segunda ordem, ou seja, na aproximação de
uma curva por uma parábola. A fórmula para a integral tem a forma:

3.1 Método Simples e Análise de Erro

Tal como a Regra dos Trapézios, trata-se de outro exemplo de Fórmula de


Newton-Cotes fechada, mas, ao invés de considerarmos a aproximação em cada
sub-intervalo através de um polinômio interpolador do 1º grau (reta), podemos
pensar numa aproximação um pouco melhor, considerando um polinômio
interpolador do 2º grau (parábola). Para isso, ao considerarmos a regra de
integração simples, precisamos de um ponto adicional, que será o ponto médio.

Figura 4. Regra 1/3 de Simpson método simples

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Neste caso,

n=2 h = (b-a)/2 x0 = a x1= c = a+h x2 = b

A fórmula de integração será do tipo


Q( f ) = A0 f(a) + A1f(c) + A2 f(b)
Podemos obter os pesos A0, A1, A2, resolvendo o sistema linear:

Obtemos, assim, a Regra de Simpson (simples):


S( f ) = ( f (a) + 4 f (c) + f (b) ) h / 3

O Erro da Regra de Simpson (simples) fica:

Esta fórmula do erro revela-nos que ela é exata mesmo para polinômios
do 3º grau. Portanto, enquanto que a Regra dos Trapézios tem apenas grau 1, a
Regra de Simpson tem grau 3.

3.2 Método Composto e Análise de Erro

Figura 5. Regra 1/3 de Simpson método composto

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Convém referir que, enquanto a Regra dos Trapézios composta


corresponde a fazer a aproximação da função integrando através de um spline
linear, no caso da Regra de Simpson composta, a aproximação feita não
corresponde a um spline de grau 2, pois não exigimos regularidade da derivada
nos nós. Essa regularidade não é necessária quando integramos. Aliás,
geometricamente depreende-se que, exigir a regularidade da função
aproximadora, nos nós, não traz aparentes vantagens para a aproximação da área
delimitada pelo gráfico da função. Para aplicar a regra de Simpson usando sub-
intervalos, devemos considerar um número impar de nós N+1, de forma que ao
dividirmos o intervalo [ a, b ] em N/2 sub-intervalos, obtemos os nós xi = a + i h
para i = 0, ..., N, com h = (b - a)/N.
Assim, podemos considerar três nós em cada sub-intervalo [ x2k-2, x2k ] :
x2k-2, x2k-1, x2k
para k = 0, ..., N/2, e aplicamos a regra de Simpson simples a cada um
destes sub-intervalos.
N/2
b x

  2i
I(f ) = f(x) dx = f(x)dx,
a x
2i-2
i =1
Obtem-se:
N/2
h
SN(f ) =  (f(x
3 i =1
2i-2) + 4 f(x2i-1) + f(x2i)),

Simplificando os termos repetidos, temos a Regra de Simpson


Composta:

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Tal como no caso da Regra dos Trapézios composta, o erro da Regra de


Simpson composta, resulta da soma dos erros em cada sub-intervalo, ou seja:

N/2 N/2
h5 h5 N/2 2
EN(f ) =   90
f (4)(i) = 
90
(N f (4)(i) )
i =1 i =1

A partir desta expressão, e de forma análoga, obtemos a formula de erro:


(b-a) h4
EN(f ) =  f (4)(), onde [a,b]
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3.3 Exemplos e Aplicações

Exemplo: Calcular empregando a regra de Simpson 1/3.

Solução: Vamos calcular a integral aproximada pela regra de Simpson


com dois e quatro intervalos, entre os extremos de integração [0;1].
(a) Com dois intervalos, n = 2 e, portanto, h = ∆x = (b – a)/n = (1 – 0)/2 =
0,5.

(b) Com quatro intervalos, n = 4 e h = ∆x = (b – a)/n = (1 – 0)/4 = 0,25

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A solução exata vale:

Calculando o erro para cada valor de integral obtida pela regra de


Simpson, temos os seguintes valores numéricos:
(a) n = 2, erro = 1,71828 - 1,71886= 0,00058
(b) n = 4, erro = 1,71828 - 1,71832= 0,00004

Comparando estes resultados com aqueles obtidos pela regra dos


trapézios, observa-se que a regra de Simpson apresenta menor erro de
truncamento, pois a aproximação pela regra de Simpson é feita por uma função
de 2º grau integrada, o que representa uma aproximação com convergência de 4ª
ordem.

4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

[1] Integração Numérica. Disponível em


<http://www.alunos.eel.usp.br/numerico/notasDeAula/integracao.pdf>. Acesso
em 22 de abril de 2011.

[2] Integração Numérica. Disponível em


<http://www.dsc.ufcg.edu.br/~cnum/modulos/Modulo7/integracao.ppt>. Acesso
em 22 de abril de 2011.

[3] Integração Numérica. Disponível em


<http://www.univasf.edu.br/~jorge.cavalcanti/8CN_integracao.pdf>. Acesso em
22 de abril de 2011.

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