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Disciplina 2

Universidade Estácio de Sá

Ética e Comportamento Profissional

Programa Rio + Hospitaleiro

Rio + Hospitaleiro

Ética e Comportamento Profissional

Conteúdo:

1. Introdução: Ética e Comportamento.

2. Hospitalidade e ética profissional.

2.1. Hospitalidade.

2.2. Ética profissional.

3. Qualidade no atendimento.

3.1. Apresentação física.

3.2. Postura profissional e abordagem pessoal.

3.3. Prestação de informações.

4. Desempenho eficiente.

5. Responsabilidade civil e criminal em relação ao meio ambiente. 5.1. Ética e cultura.

5.2. Ética e meio ambiente.

6. Combate à exploração sexual infanto-juvenil no Turismo.

7. Bibliografia.

8. Slides da disciplina.

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1. Introdução: Ética e comportamento

Por que agimos assim? O que nos faz estar aqui e agora? Essas são questões relevantes? Ou elas não fazem sentido algum? A noção

de que há razões para se agir assim ou de outro modo, de que podemos apresentar

motivos que nos levaram a tomar alguma decisão, não é necessária pois, a princípio, podemos viver sem nos preocuparmos com isso, fazendo por fazer, por indiferença ou para cumprir ordens. O ser humano é capaz de viver assim. O que significa isso? É agir e trabalhar sem ser a causa da sua ação, como uma máquina. Nos perguntamos: queremos ser máquinas? Agir de modo irresponsável e inconsequente? As respostas a essas perguntas também não são imediatas. Pode haver quem prefira ser máquina, mas aí vem o problema: por que alguém prefere algo?

Mesmo para preferirmos isso, fizemos uma opção, algo nos levou a isso. Pense bem: mesmo se optarmos por não tomarmos decisão, estaremos tomando uma decisão. Aonde isso nos levará? Seria apenas uma decisão de tomar decisão de tomar decisão? Não, o problema do porquê das ações, ao final, nos levará a

nós mesmos. Decidimos algo porque isso parece que vai nos levar a ser feliz.

O conjunto de nossas decisões manifesta a maneira como reagimos a certos

problemas e constitui o que chamamos de comportamento. Dizíamos, então, que não há razões para fazermos o que fazemos. Isso não é, de fato, necessário, mas, à medida que escolhemos algo porque isso nos parece

ser bom para nós, aquilo que não é necessário se entrelaça com a nossa felicidade.

A felicidade não é necessária: há muita gente que vive sem ela, que sobrevive,

mas a pergunta é: alguém consegue viver sem buscar aquilo que considera como melhor para si mesmo? Se buscamos a felicidade, temos um projeto de vida. Ter projeto é ver no futuro o que não temos. E aí tentamos fazer hoje algo para conseguirmos

o que queremos. Talvez isso signifique – e em boa parte das vezes ocorre

– que teremos de abrir mão de um prazer mais imediato em nome do nosso

projeto, como um gordinho deixa de comer um brigadeiro para ficar em paz com a balança. O que ele está fazendo? Calculando: abro mão de algo aqui para ganhar algo mais ali, algo que representa para mim uma felicidade maior. Assim, não pensamos só no presente, também no futuro e em como o presente é a semente do futuro, é a causa do que virá. Com isso, voltamos a

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refletir em por que estamos aqui agora e vemos que estamos aqui por causa de uma decisão do passado que projetava no futuro a nossa presença. Enfim, se a resposta à nossa primeira pergunta – por que você faz o que faz? – era porque eu busco o que é melhor para mim, então, mesmo que a questão não seja necessária, ela é da maior importância, dela depende a felicidade. E assim, ao entendermos que faz sentido perguntar por que estamos aqui, nós entramos no âmbito da ética e passamos a refletir sobre nosso comportamento e postura profissional e cidadã. A ética é a preocupação com o porquê das ações. É a investigação dos motivos que temos para tomar nossas decisões: se esses são bons motivos, que podem de fato nos levar à felicidade, ou se são maus, que vão acabar em um grande transtorno para nós mesmos.

2. Ética profissional e Hospitalidade.

2.1. Hospitalidade

Em 2008, a cidade do Rio de Janeiro foi eleita o melhor destino turístico da América Latina, informação repassada por vários veículos de comunicação. Na cerimônia do South America Awards, uma espécie de “Oscar do Turismo”, os destaques ficaram com a Praia de Ipanema, com o Cristo Redentor e com a percepção de que o carioca é um povo hospitaleiro. Essa visão do brasileiro, em particular do carioca, só faz aumentar o potencial de atratividade de nossa cidade, o que contribui para o aumento do fluxo turístico. Por outro lado, o fato aponta a grande complexidade dessa indústria, por depender de fatores totalmente incontrolados, como a simpatia e receptividade do morador de nossa cidade. Nesse aspecto, o profissional que atua nesse ramo, como o motorista de táxi, o recepcionista, o garçom, etc., que é diretamente beneficiado pelo fenômeno do deslocamento, tem o desafio de contribuir para a manutenção dessa característica. De fato, a percepção do turista é diretamente influenciada pelo contato com esses profissionais. Pequenos gestos e atitudes podem ter um amplo significado.

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2.2. Ética Profissional

Vimos, na introdução desse material didático, que a questão ética sempre nos impõe uma decisão ou escolha. Mesmo quando não fazemos nada e ficamos de braços cruzados, isso pode significar uma escolha e, como toda escolha, pode trazer consequências positivas ou negativas para a nossa vida futura. Agora, é só imaginar que estamos dentro de uma empresa, executando nosso trabalho. Será que as decisões que tomamos fora se refletem dentro dela? Ou será que o mesmo indivíduo pode ser totalmente diferente no trabalho e fora dele?

Foi pensando nas questões acima, que se produziram, nos últimos anos, no Brasil e no mundo, códigos de ética profissional com a intenção de orientar as ações dos profissionais que integram o setor de turismo. Esses documentos

são públicos e podem ser encontrados em vários sites na internet, dentre eles na página da própria ABBTUR Nacional. O Código Global de Ética para o Turismo foi elaborado pela World Tourism Organization (WTO) e sua adoção ocorreu a partir de outubro de 1999, quando da realização da assembléia anual dessa organização, no Chile. O código se organiza em torno dos seguintes temas:

1. O turismo aporta uma contribuição para o entendimento e o respeito mútuo

entre povos e sociedades;

2. É um instrumento para a satisfação pessoal e coletiva;

3. É fator de desenvolvimento sustentável;

4. Utiliza-se do patrimônio cultural da humanidade, contribuindo para o seu

aprimoramento;

5. Gera benefícios para as comunidades e países receptores de visitantes;

6. Implica obrigações para todos os atores que interagem no setor;

7. É direito de todos;

8. Significa liberdade de movimentos;

9. É direito fundamental de trabalhadores e empreendedores;

10. Todos, agentes públicos e privados, devem se comprometer a implementar o Código Global de Ética para o Turismo.

No Brasil, no mesmo ano de 1999, o Conselho Nacional da ABBTUR (Associação Brasileira de Bacharéis em Turismo) procurou delinear alguns princípios gerais que deveriam nortear a ação do Turismólogo no Brasil, na sua relação com seus pares, com o mercado, com o meio ambiente e com o cliente e

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redigiu o Código de Ética do Bacharel em Turismo. A seguir, destacamos alguns princípios do código brasileiro que podem auxiliar o profissional da área em vários aspectos.

Capítulo I: Da compreensão do fenômeno Artigo 1º - o Bacharel em Turismo tem um amplo espectro de atuação profissional. Sua formação acadêmica multidisciplinar possibilita-lhe ter uma visão adequada do fenômeno contemporâneo caracterizado pelo conjunto de fatos e relações produzidas pelo deslocamento de indivíduos motivados por razões diversas, excetuando-se as de cunho econômico permanente.

Capítulo II: Dos princípios fundamentais Artigo 2º - O direito ao deslocamento dos indivíduos (ir e vir) sem discriminações, respeito às relações sociais, à cidadania e à paz social devem ser os fatos geradores da atividade profissional do Bacharel em Turismo. Artigo 3º - A atuação profissional do Bacharel em Turismo deve ser pautada pela verdade, dignidade, independência e probidade. Artigo 6º - Cabe ao profissional denunciar às autoridades e às instâncias dos órgãos da categoria quaisquer atos e práticas que coloquem em risco a integridade do turista, adotando-se o mesmo procedimento no caso de produtos ou serviços turísticos comercializados através de propaganda enganosa. Artigo 7º - Cabe também denunciar atos ou práticas que depredem ou comprometam os bens naturais e / ou culturais das comunidades receptoras.

3. Qualidade no atendimento

Com a implementação e divulgação dos códigos, o que se espera do

profissional da área é o total comprometimento com os valores e conceitos contidos em cada artigo. Quando isso ocorrer teremos encontrado uma base de comparação para avaliarmos a “qualidade no atendimento” ao turista, em nossa cidade. Com

o termo “qualidade” deparamo-nos com mais um conceito abstrato e de difícil

percepção. Mais uma vez, é fácil entender o que significa um carro ou televisor de

qualidade, ao passo que é difícil mensurar isso nos serviços turísticos. Em diversas áreas, a qualidade é aferida por especialistas que conferem selos

a determinados produtos e serviços. A empresa que o recebe pode transformar esse prêmio simbólico, que, na maioria das vezes, envolveu custos, em ótimas

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oportunidades de negócios futuros. O selo confere qualidade a uma marca que, por sua vez, ganha espaço na mídia e passa a ser identificada positivamente, por clientes e fornecedores. O alcance de padrão de qualidade pode nascer de exigências governamentais ou sociais. A União Européia foi pioneira ao condicionar a liberação de vendas de produtos em seu território à obtenção de Selos e padrões de Qualidade pré-estabelecidos. Desde então, a busca pela qualidade passou a ser um tema de crescente relevância dentro das empresas. No setor de Turismo há vários parâmetros para avaliarmos se um hotel tem três ou cinco estrelas ou se um restaurante foi citado por esse ou aquele guia gastronômico. A maior dificuldade encontrada nesse setor, porém, refere-se à ausência de mão de obra qualificada. Por envolver diferentes atores: motoristas, auxiliares de limpeza, garçons, etc., o setor sofre com, muitas das vezes, com a ausência de profissionalismo. Será que saber dirigir faz de você um motorista de taxi? Será que saber segurar uma bandeja faz de você um garçom? Como todas essas profissões podem contribuir muito para o desenvolvimento do turismo no Brasil, o grande desafio é a qualificação maciça de desses agentes que, como já dizemos, são os responsáveis pelo contato direto com o turista. Apresentamos na seqüência, alguns dos elementos que contribuem para essa qualificação do profissional de turismo:

3.1. Apresentação física.

A imagem do profissional é a primeira impressão na prestação dos serviços, sendo quesito fundamental para a qualidade. São elementos relevantes na apresentação física profissional:

1. Asseio: normas de higiene pessoal, como manter as unhas aparadas e os dentes escovados não são apenas prioritárias, como constituintes de um escopo mais amplo de manutenção da saúde. Profissionais que lidam diretamente com alimentos devem usar luvas, manter as mãos sempre limpas e os cabelos presos, de preferência com toucas. O uniforme ou roupa profissional deve estar sempre limpo e bem passado. 2. Ordenamento: além da higiene, o profissional deve tornar a sua aparência uma evidência do seu modo de trabalho: manter os cabelos penteados, a roupa alinhada, nem apertada, nem frouxa, sem ornamentos chamativos ou demonstrações de irreverência. Um profissional precisa chamar a atenção pela sua prestatividade, não por seu exotismo.

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3. Vestuário: as vestimentas mais adequadas ao exercício profissional são de estilo formal e social, discretas, em tons neutros. As mulheres, principalmente, devem optar por roupas compridas, que não sejam aderentes ao corpo, nem decotadas.

3.2. Postura profissional e abordagem pessoal

Um profissional em Turismo deve sempre manter o foco na prestação de

serviços ao cliente. São elementos relevantes na conduta de um profissional qualificados:

1. Cordialidade: mantenha sempre um sorriso no rosto e nunca se esqueça de

cumprimentar, agradecer e se despedir.

2. Atenção: esteja sempre disponível para realizar tarefas, mesmo que elas

não sejam propriamente da sua área de atuação. Lembre-se que o seu tempo é

dedicado ao cliente.

3. Correção na linguagem: evite coloquialismos, gírias e linguagem pessoal

demais ao tratar o turista.

4. Aprendizado constante: a cada dia, novas informações estão ao seu dispor,

capazes de qualificar a sua atuação profissional, não as desperdice.

3.3. Prestação de informações.

Os profissionais de Turismo são a fonte mais importante de informações ao turista, dependendo deles o êxito ou o fracasso do projeto do cliente. O atendimento deve ser bem feito, amável, simpático, sem intimidade, claro e eficiente. Procure responder sempre exatamente o que o cliente quer saber, complementando sua informação com adicionais necessárias, como condições, acesso, horário, regras de conduta, etc. Expressões como “não sei”, “não posso” devem ser eliminadas do cotidiano, sendo substituídas por “vou verificar”, “um momento, por favor”. Atendimento telefônico: os responsáveis devem ser capazes de transmitir o maior número possível de informações, como localização de pontos e serviços turísticos, horário de funcionamento, serviços de emergência, órgãos internacionais e diplomáticos, etc. Atendimento turístico: todo turista pretende ter uma experiência prazerosa singular e inesquecível. O profissional pode contribuir em muito para isso, ao

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prestar não um serviço automático e mecânico, mas humanizado e personalizado, sem nunca deixar de lado o seu profissionalismo.

4. Desempenho eficiente.

Toda empresa vende ou comercializa um produto ou um serviço. Quem

contrata esse serviço ou compra esse produto, o faz com determinada expectativa. Na maioria das transações entre empresas e clientes vemos surgir divergências relativas à mensurabilidade dessas expectativas: de um lado, o cliente quer o máximo de satisfação pagando pouco, do outro, o empresário quer o máximo de lucro. A relação só encontra bom termo quando se encontra algum equilíbrio entre a expectativa e sua realização. Ao perceber que as pessoas agregam valores éticos e culturais às organizações e que, ao contrário, também difundem na sociedade os aprendidos no mundo do trabalho, algumas empresas e entidades de classes começaram

a procurar organizar melhor os valores e conteúdos éticos de uma determinada

profissão, com várias finalidades. Em uma sociedade de comunicação, onde a televisão, a internet e os jornais são capazes de fazer a informação circular com grande velocidade, a atenção com certos padrões de comportamento profissional passou a ser considerada

como uma estratégia capaz de representar um diferencial em relação à qualidade

e à responsabilidade. Esse cenário só é uma realidade, no entanto, dentro de um

mercado em que haja competição. Aí, a confiança em uma marca, nos valores que seus produtos e profissionais representam, pode servir como meio de fidelização e de conquista de novos clientes. Será que voltaríamos a um hotel em que não nos sentimos seguros? Será que pagaríamos um pouco mais ao saber que um produto agride menos ao meio ambiente que o seu similar? Será que a qualidade pode representar um diferencial para marcas e profissionais? Em relação ao Brasil, algumas pesquisas mostraram que a maioria dos consumidores está de olho nesses “diferenciais” embutidos nos serviços e produtos e que 68% dos entrevistados estavam dispostos a pagar um pouco mais por eles. No setor de turismo, é muito comum se dizer que o produto ou serviço comercializado é o próprio sonho de felicidade. Exageros à parte, esta indústria relaciona-se com clientes cujas expectativas são sempre altas, em um terreno em que a objetividade cede lugar, facilmente, à fantasia.

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Espera-se destes profissionais a real compreensão de suas funções e de seus produtos. As promessas vãs, os discursos que exageram a atratividade de

um destino turístico e a omissão de problemas facilmente detectáveis pelos turistas podem simplesmente minar a relação com o cliente, por vários motivos. O primeiro deles é que, ao contribuir para aumentar desproporcionalmente as expectativas do turista, o turismólogo está colocando em risco a viabilidade do destino, pois, uma vez frustrado, o cliente não terá olhos para a real beleza e atratividade do destino. Em segundo lugar, uma vez gerada a frustração, não será fácil produzir uma compensação. Se compramos uma TV com problemas, a troca do aparelho, pelo fabricante, restitui a confiança ao consumidor, mas o mesmo não ocorre com

o turista. A viagem longamente planejada pode não ocorrer novamente. As férias

são curtas e o dinheiro, às vezes, contado. Uma boa prática, portanto, é não confundir hospitalidade com promessas exageradas de felicidade. Nesse caso, basta lembrar que devemos sempre resguardar a coerência entre o discurso e a prática, isto é, assumir responsabilidades geradas a partir daquilo que falamos ou prometemos.

5. Responsabilidade civil e criminal em relação ao meio ambiente.

5.1. Ética e cultura

Os valores éticos têm origem nos costumes e por isso podem variar de

país para país, de cultura para cultura. O costume opera através da repetição e perpetua-se pela transmissão de pai para filho. Quando se torna hábito, alguns valores se impõem como se fossem os únicos possíveis, isto é, como uma espécie de modelo ou padrão para o certo e para o errado, não só na existência moral, mas em vários âmbitos da vida prática, como, por exemplo, na culinária

e no modo de nos vestirmos. Ao pertencermos a um grupo, com determinados

costumes, temos dificuldades de compreendermos opções e costumes que se diferenciam dos nossos. Como convencer a um brasileiro que a carne de cachorro pode ser uma iguaria, ou que há povos que evitam a carne bovina? A dificuldade de aceitarmos os costumes alheios mostra como são fortes os

costumes que herdamos e como eles guiam nossas ações, mesmo quando não nos damos conta disso. Quando nos deparamos com avaliações e entendimentos diferentes sobre um mesmo problema moral, devemos agir automaticamente guiados por nossos

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costumes ou suspeitar que o problema pode ser encarado de modo diferente, por causa do relativismo ético-cultural? Nos dias de hoje, quando o fluxo de pessoas ao redor do mundo é cada vez mais intenso, e quando o nosso próprio país é visitado por grupos culturais diversificados, devemos ter em mente que, apesar de nossa dificuldade de entender e aceitar costumes diferentes, também os nossos se mostram diferentes para o estrangeiro. Como não é simples nem imediato a mudança de valores, devemos respeitar diferenças, ou aproveitar para compará-los aos nossos próprios costumes. Quando fazemos isso, percebemos que há muitos modos de organização moral e social ao redor do planeta e que todo e qualquer julgamento e condenação da cultura alheia é parcial e, portanto, dispensável, na maioria dos casos. Além de variar de cultura para cultura, os valores éticos sofrem alteração ao longo do tempo. Isso acontece toda vez que o sistema de transmissão de hábitos e costumes falhar. Sua falha, no entanto, nunca é total. Para nossa sorte, a maioria foi capaz de assimilar boa parte dos valores éticos e morais de nosso país, e somente por isso é que a vida em comunidade, apesar de todos os problemas, continua possível e preferível. A assimilação de valores, portanto, é similar ao aprendizado da língua materna. Assim como falar Português é natural para nós, brasileiros, é fácil distinguir o certo do errado relativo a essa mesma sociedade. A variação ou relativização dos valores éticos não é, necessariamente, ruim, mas a sensação que se tem dentro de um panorama de valores variados é de perda da segurança. A ausência de certezas, por sua vez, não significa, na maioria dos casos, que a moral deixou de existir, mas, ao contrário, que ela deixou de ser como era. Há várias gerações a sociedade vem encontrando meios de se organizar, por que seria diferente agora? O Código de Ética do Bacharel em Turismo diz o seguinte:

Capítulo V: Do relacionamento com o cliente Artigo 11º - Nas relações profissionais que mantiver com seu cliente, o Bacharel em Turismo deve:

§ 1º. observar a legislação vigente, especialmente no que tange aos direitos do consumidor; § 2º. atender o cliente de acordo com o real interesse e exigência deste, de forma técnica apropriada e exeqüível, orientando sua escolha e salientando as respectivas características do serviço prestado.

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Como não podia deixar de ser, a “qualidade no atendimento” implica diretamente valores éticos e respeito às diversidades. O tratamento profissional não

discrimina grupos raciais ou religiosos, nem ridiculariza opções sexuais ou hábitos e costumes incomuns. Os maiores deslocamentos percebidos na atualidade envolve

o turismo de negócio e o grupo de terceira idade e o grupo de gays e lésbicas. O

turismo religioso também pode representar grande fonte de receita, mas ele se concentra em destinos específicos e não chega a ser muito relevante em nossa cidade. Por tudo isso, a qualidade no atendimento é um desafio e, ao mesmo tempo, deve ser fruto de uma busca constante por parte de todos os profissionais da área.

5.2. Ética e Meio ambiente

Vivemos em uma sociedade massificada, na qual a questão da quantidade supera as da qualidade e da sustentabilidade. Com o contínuo crescimento da

indústria do Turismo, em parte sustentado pelo aumento de renda da população

e com a obtenção de alguns direitos trabalhistas, como aposentadoria e férias

remuneradas, por exemplo, a preocupação com a sustentabilidade de alguns sítios turísticos ganhou força. A percepção de que os recursos naturais são esgotáveis e que a ação humana contribui em alto grau para que isso aconteça abriu a discussão sobre como equacionar desenvolvimento e preservação. Todos parecem perceber claramente que patrimônios naturais, históricos e culturais deixam de ser atrativos quando não são devidamente preservados. Por outro lado, parece ser consenso que o turismo, quando não planejado, desencadeia uma série de ações hostis a “paraísos” naturais que, depois de excessiva visitação, tornaram-se degradados. O dilema é o seguinte:

Como associar exploração comercial com preservação? Como calcular o impacto gerado pelo setor e a capacidade de renovação e resistência do destino turístico? A complexidade do tema torna-se ainda maior quando imaginamos que, a exemplo de Fernando de Noronha, que controla o número de seus visitantes, ações de preservação representam, em parte, restrição de lucros. Então, a lógica de quanto maior o número de clientes maior o lucro precisa dar lugar a lógica de lucros compatíveis com a preservação. É preciso se convencer de que lucros menores, mas de médio e longo prazo, são melhores que lucros maiores de curto

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prazo, quando se trata do setor de turismo. Mas como colocar isso em prática? Se eu assumir a bandeira da sustentabilidade e meu concorrente não o fizer, será que eu não estou perdendo dinheiro? Na outra ponta, o problema não é menor: na maioria das vezes os turistas não são conscientes sobre a importância histórica de um monumento ou de determinado bioma; nesse caso, de quem é a responsabilidade? Toneladas de lixo são deixadas nas praias e nas ruas todo ano e ninguém parece disposto a assumir responsabilidade sobre isso. Como se tratam de várias ações praticadas por muitos grupos, com interesses diversos, é preciso evitar que temas como preservação e sustentabilidade fiquem apenas no discurso, isto é, as dificuldades não devem impedir ações práticas, pois do contrário estaremos desperdiçando os grandes potenciais (natural e cultural) de nossa cidade e, por outro lado, o associado à industria do turismo, no que tange à criação de empregos e à distribuição de renda.

Quando ouvimos falar no rápido esgotamento dos recursos naturais e, consequentemente, no risco de colapso de grandes indústrias, como no caso do setor de petróleo, percebemos o quanto o turismo – se planejado e sustentável – pode ser importante para nosso país por dois motivos principais: primeiro porque se trata de uma indústria renovável e, segundo, por gerar uma grande quantidade de empregos para diferentes níveis de qualificação. É preciso, no entanto, atentar que nem todos os modelos de turismo praticados no Brasil são sustentáveis ou capazes de maximizar vantagens. Os grandes resorts, segundo ARAUJO (2003; 99), ao oferecerem alimentação completa, translado, lojas de souvenirs, etc., acabam concentrando benefícios, além de causar grandes impactos sociais e ambientais. Do ponto de vista social, a especulação imobiliária, o crescimento abrupto de consumo de água, luz e de certas iguarias por parte desses grandes empreendimentos, podem produzir diminuição da qualidade de vida da população local. Ainda que a legislação vigente proíba praias particulares, por exemplo, em muitos casos até mesmo a circulação da população sofreu restrição. Em relação ao meio ambiente, os impactos também são notáveis. Valendo- se da fragilidade da infra-estrutura de algumas cidades, grandes empreendimentos são aprovados pelo poder público sem análise de impacto ambiental e sem exigências mínimas, no que diz respeito ao tratamento de esgoto e reciclagem de lixo. A população local percebe tais impactos, mas nem sempre consegue se organizar para denunciá-los e exigir a reparação. Enfim, como a preservação ambiental é ação de responsabilidade com as gerações futuras, nos cabe executá-las e exigir que outros façam o mesmo. Vale

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lembrar ainda que o artigo 225, parágrafo 3º, da Constituição Federal prevê que: “As condutas e atividades lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente da obrigação de reparar os danos causados”. Para o profissional de turismo, no entanto, as preservações ambiental e cultural é uma questão de manutenção da própria atividade profissional, razão pela qual ela ocupa tanto espaço no código de ética da categoria. Vejamos:

Capítulo III: Pressupostos do modelo de turismo sustentável Artigo 9º - Entendendo turismo sustentável como modelo de desenvolvimento da atividade turística, caracterizando-se pelo aproveitamento racional de recursos

naturais e culturais, o Bacharel em Turismo deverá:

§ 1º. planejar o uso adequado das áreas naturais, no desenvolvimento da atividade turística;

§ 2º. criar roteiros e produtos adequados à legislação ambiental em vigor;

§ 3º. respeitar a comunidade receptora, contribuindo diretamente para a melhor absorção social dos benefícios proporcionados pela atividade turística;

§ 4º. No planejamento e organização dos produtos e roteiros, estabelecer, como

premissa básica, o respeito e a defesa da integridade dos bens naturais e culturais da comunidade receptora. No caso do Brasil, o eco-turismo vem crescendo nos últimos anos com um planejamento, na maioria das vezes, adequado e comprometido com causas ambientais. Através da conscientização de todos os agentes que integram a cadeia do setor, é possível e economicamente viável, colocar em práticas boa parte das recomendações que se encontram no código de ética.

6. Combate à exploração sexual infanto-juvenil no Turismo.

Dentre as práticas antiéticas que geram um enorme impacto negativo para todo o setor de turismo, encontra-se o pornoturismo ou a exploração sexual de adultos e crianças. O tema é altamente polêmico e só recentemente ganhou maior atenção por parte das autoridades brasileiras. Em 1996, em um Congresso Mundial sobre Exploração Sexual Infanto-Juvenil, realizado em Estocolmo, o Brasil foi incluído entre os países que associavam o turismo com a exploração sexual. As críticas tinham endereço certo e não era uma organização criminal ou contraventora e sim uma agência oficial: a Embratur,

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mais especificamente, as campanhas publicitárias veiculadas no exterior de teor altamente sensual. Ao associar o turismo com mulheres de biquíni, por exemplo, o estrangeiro

era estimulado a reconhecer o Brasil como destino exótico e tolerante, com práticas libertinas. Além disso, a articulação dessa imagem sensual com notícias de jornal que retratam o país em sua impunidade e corrupção policial, faz com que identifique a nação como local privilegiado para práticas ilícitas. Segundo ARAUJO (2003; 180), as principais condições sócio-econômico- políticas que contribuem para esse tipo de turismo são:

1. Fácil acesso ao país ou localidade;

2. Tolerância da polícia ou das autoridades responsáveis pela manutenção

da ordem;

3. Chance reduzida de o turista ter sua reputação maculada (garantia de

certo anonimato e confidencialidade);

4. Preço acessível do “serviço” disponibilizado;

5. Padrão aceitável de higiene e saúde (baixo risco de contrair doenças).

O turismo sexual não é uma ocorrência casual. Ele requer toda uma rede que não é simples de ser estabelecida. Em primeiro lugar, para que o turista busque um certo destino para realizar práticas antiéticas, ele precisa reconhecer este lugar como apresentando segurança para tais atos. Isso envolve, como já dissemos, as agências governamentais, em suas ações de divulgação, mas também as privadas, como companhias aéreas e hotéis, que divulgam seus serviços assegurando cortesia e privacidade ao cliente. Em seguida, a promessa dos anúncios precisa contar com a participação dos profissionais envolvidos no setor de prestação de serviços ao turista, como taxistas, garçons, atendentes, comerciantes, etc. São eles que possibilitam que desejos ilícitos se concretizem em ações, não apenas agenciando encontros, mas também garantindo o seu anonimato e impunidade. Assim, podemos ver que a prostituição se configura apenas como o último ponto de uma cadeia de serviços prestados, uma seqüência que confunde a hospitalidade e a recepção profissionais com favores ilícitos paralelos, sempre intermediada por gorjetas e comissões. Medidas para o combate deste tipo de prática:

1. A conscientização: O turismo sexual é crime e precisa ser combatido, antes de tudo, por ferir o princípio de respeito ao ser humano. Ademais, o profissional que entende os princípios éticos de sua atividade sabe que o agenciamento sexual acaba por construir uma organização criminosa que se instaura nos destinos

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turísticos e que, a longo prazo, mina toda a estrutura legal, diminuindo o próprio potencial de atração da região. 2. A reelaboração da divulgação turística dos destinos: Associá-los a estereótipos sexuais é a principal causa do turismo sexual, afinal é isso o que gera o primeiro movimento do interessado em tais práticas. É preciso desfazer a associação entre símbolos sensuais e turismo, para que, já de início, o propósito da viagem não seja ele mesmo antiético. Nesse nível, as ações não apenas governamentais, mas também da iniciativa privada e da sociedade civil, devem ser meticulosamente pensadas. Por fim, a atenção deve ser redobrada com a exposição do Brasil no exterior por causa da estreita relação, abordada acima, entre cultura e ética. Como vimos, o costume nos faz tolerantes ou intolerantes a certas práticas. Desse modo, apesar do brasileiro, de modo geral, considerar como “natural” e normal o uso de trajes sumários em nossas praias e no Carnaval do Rio de Janeiro, é preciso levar em conta que uma vez fora do contexto, ou seja, fora da cultura brasileira, esses costumes podem ser mal interpretados. Não se trata, porém, de alterar nossos costumes em nome do “puritanismo” desse ou daquele país, mas nos cabe mostrar que o Carnaval é uma festa popular, que faz parte da cultura brasileira, e que o seu foco é a música, o desfile, não a “comercialização” de serviços sexuais. Se bem contextualizado, o Carnaval ou nossa cultura de praia, será modelo e não algo reprovável.

7. Bibliografia:

ABBTUR. Código de Ética do Bacharel em Turismo. Disponível em www.abbtursp.com.br ARAÚJO, Cíntia. Ética e qualidade no turismo do Brasil. São Paulo: Atlas, 2003. WTO. Código de Ética Mundial do Turismo. Disponível em www.projetur.com.br

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8. Slides da disciplina:

Ética e Comportamento Profissional Rio + Hospitaleiro 8. Slides da disciplina: 66
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Rio + Hospitaleiro Ética e Comportamento Profissional 67
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Rio + Hospitaleiro Ética e Comportamento Profissional 69
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