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PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO PARA A EDUCAÇÃO INFANTIL -

MODA, EXIGÊNCIA OU VARIÁVEL DA APRENDIZAGEM?


Autor (a): Lisandra Brizolla Venturini
Orientadora: Profº Cecília Terezinha Meurer
Universidade Castelo Branco – IESDE – Santa Maria

Resumo

Esta pesquisa tem como objetivo conhecer e analisar em que medidas as orientações
do Projeto Político Pedagógico atua como moda, exigência ou variável de aprendizagem, em
um enfoque psicopedagógico, já que a Lei de Diretrizes e Bases da educação Nacional – n°
9.394/96 determina às escolas a elaboração e a execução de suas propostas pedagógicas.
Contudo, pensar um projeto de educação implica pensar o tipo e qualidade de escola, a
concepção de homem e de sociedade que se pretende construir. O estudo da referida proposta
amplia a visão de educadora, aumentando as chances de tornar eficaz o aprendizado das
crianças da Pré-Escola num ato concreto, permitindo, assim, ter melhores condições de realizar
a prática pedagógica com mais competência, prazer e eficácia. Esta pesquisa de tipo
qualitativa, através de instrumentos, como entrevistas semi-estruturadas para os pais e
professores, recolhendo dados sobre as formas de como o PPP tem sua essencialidade para a
aprendizagem, concluí que a construção deste é imprescindível e pode contribuir para
estabelecer novos paradigmas de gestão e de práticas pedagógicas que levem a instituição
escolar para uma educação flexível com a contemporaneidade, inovadora, a fim de provocar
uma revolução nas maneiras de ensinar e promover aprendizagens efetivas.

Palavras – chaves: Projeto Político-Pedagógico, aprendizagem, escola.

OBJETIVOS
Este artigo apresenta pesquisa que tem como objetivo conhecer e
analisar em que medidas as orientações do Projeto Político Pedagógico atuam
como moda, exigência ou variável de aprendizagem, em um enfoque
psicopedagógico.

METODOLOGIA
Esta pesquisa adotou o método qualitativo, pois, baseia-se nas
concepções de Bogdam e Biklen (1982), onde proporciona uma relação direta
do pesquisador com o ambiente procurando um significado mais profundo na
relação (ANDRÉ E LUDKE, 1986: p.16), sendo uma abordagem descritiva.
A pesquisa tem como meta analisar como a escola trabalha com o Projeto
Político-Pedagógico e de como os professores o percebem na maneira realizar
a aprendizagem de seus alunos.

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Introdução

O presente trabalho tem como tema a importância do projeto


Político-Pedagógico como variável da aprendizagem, num enfoque
psicopedagógico, de acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional – n° 9.394/96 que determina às escolas a elaboração e a execução
de suas propostas pedagógicas.
A partir do tema escolhido, minha primeira atitude como
educadora foi aprofundar teoricamente e constatar no cotidiano da escola
pesquisada a repercussão da implantação do Projeto Político-Pedagógico no
processo das aprendizagens dos educandos na Educação Infantil. E, ainda, se
havia sido elaborado conforme a realidade individual e social da clientela da
Escola. Daí a pergunta norteadora: O Projeto Político Pedagógico atuam como
moda, exigência ou variável de aprendizagem?
Ao propor-se compreender as diferentes concepções teóricas
acerca do PPP na Educação Infantil procura-se relacioná-las com as formas de
implantação, associa-se a teoria à prática e buscam-se interfaces necessárias
para o entendimento do problema.
Sabe-se que no Projeto Político-Pedagógico (P.P.P) constam as
principais características da Escola. Nele, está presente a concepção de
educação da escola, bem como, suas estratégias para este fim; retrata como é
elaborado e quem participa ou não do seu processo de construção. O P.P.P é,
portanto, a identidade da escola.
Contudo, sua elaboração, enquanto projeto de educação, significa
pensar e analisar a realidade em toda a sua extensão e que é uma atitude
imprescindível à realização bem sucedida daquilo que se propõe. Implica
antever o tipo de Escola que a comunidade escolar pretende, considerando
suas necessidades e possibilidades, a partir de uma reflexão de conceitos
fundamentais como: ser humano, escola e sociedade.
Sendo a educação uma responsabilidade social e não somente de
educadores, é, portanto, de patrimônio público, exigindo uma gestão
democrática e, contribuindo para formar cidadãos capazes de refletir e criticar a
realidade na qual está inserido e exercer participação cidadã em seu meio.

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Portanto, pensar um projeto de educação implica pensar o tipo e qualidade de
escola, a concepção de homem e de sociedade que se pretende construir.
Porém, durante os meus trabalhos com a Educação Infantil (no
período de graduação em Pedagogia), percebi nas instituições educacionais,
de um modo geral, uma correria enorme na busca da construção de seus PPP.
Inclusive no que se refere ao planejamento de aula por parte da Professora de
Pré - Escola.
Sabemos que as mudanças na educação dependem
fundamentalmente da vontade política, no que diz respeito a encará-la como
prioridade nacional e da vontade e empenho dos professores em tornar em
prática uma aprendizagem efetiva dos educandos, contribuindo, para que
tenhamos propostas interessantes no papel, mas, que na prática, há uma
grande distância entre o ideal e o que o fazer pedagógico realiza. Isso por que,
a nossa educação sempre foi um dos caminhos mais fáceis para se praticar os
desvios de recursos para outros setores.
Nesse sentido, como a moda é uma constante em nossas vidas,
alguns “educadores” encaram o Projeto de Educação como moda, pois,
esperam por um pacote pronto de técnicas e métodos de ensino, enquanto
outros aguardam como mais uma exigência de acordos internacionais, tendo-o
como apenas como uma lei a cumprir. E enquanto a sociedade se transforma
continuamente, a tecnologia avança rapidamente, a proposta de um ensino
prazeroso, qualitativo e efetivo, permanece só no papel. Salvo, é claro, com
algumas exceções, da luta daqueles que vêem a educação como o futuro da
humanidade, estes não acreditam nas mudanças na educação, quando elas
acontecem de cima para baixo.
Para buscar estas respostas procurou-se realizar a pesquisa de
campo, com entrevistas semi-estruturadas em Escolas Públicas de Santa
Maria.
Desse modo o trabalho está dividido em sete capítulos. No
primeiro capítulo, se faz presente a introdução. O segundo capítulo trata da
educação no contexto escolar, acompanhado de três subitens: a caminhada
sistemática do ato educativo, o currículo e a realidade do aluno, tendo como
terceiro item a formação do professor. No terceiro será abordado a respeito do
PPP e sua prática, bem como suas concepções e as ações da escola. Após,

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será a metodologia trabalhada, juntamente com os resultados obtidos nesta
pesquisa. Finalmente, é colocada a conclusão, seguida das referências
bibliográficas e, contendo também, os anexos no final deste trabalho.

2. A EDUCAÇÃO NO CONTEXTO ESCOLAR

2.1 A caminhada sistemática do ato educativo

Toda a pessoa ao nascer tem o direito de ter educação e adaptar-


se a um mundo que varia de geração para geração devido ao espírito criador
do ser humano.
É através da educação que a sociedade pode reproduzir seus
conhecimentos e se renovar cultural e espiritualmente, sendo um movimento
social em direção ao bem estar comum.
A Pedagogia, em seu sentido denotativo, nas palavras de Ferreira
(1977), é teoria e ciência da educação e do ensino. Sendo a ciência da
educação e do ensino, estuda a educação, a instrução e o ensino, permitindo,
assim, uma compreensão global do fenômeno educativo. Essa compreensão
diz respeito aos aspectos sócio-políticos da escola dentro do contexto mundial,
filosóficos, sociais, religiosos, culturais, intelectuais, históricos e emocionais de
cada aluno e indivíduos da escola, levando em consideração toda a
singularidade de cada um em meio à diversidade. Dessa forma, o processo
educativo que se desenvolve na escola pela educação, instrução e ensino
condiciona decisivamente o ensino para a aprendizagem. Subordina-se aos
interesses sociais e às culturas de determinada sociedade ou região na qual
pertence.
Nesse compasso, o ato educativo investiga questionamentos sobre
que tipo de homem se pretende formar e ao tipo de sociedade que se aspira.
De acordo com Libâneo (1990), a prática educativa requer uma direção de
sentido para a formação humana de indivíduos e processos que assegurem a
atividade prática que lhes corresponde (p.24). Essa pedagogia, portanto,
modela as ações educacionais na aliança com a teoria e a prática, pois, estuda

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as instruções apropriadas de acordo com a situação educacional, ensina para
uma aprendizagem afetiva e finalmente, educa e prepara o indivíduo para uma
vida social solidária, promovida ao bem comum. Libâneo (1990), vem a
complementar que

A prática educativa é o processo pelo qual são assimilados


conhecimentos e experiências acumulados pela prática social
da humanidade, Cabe à Pedagogia assegurá-lo, orientando-o
para finalidades sociais e políticas, e criando um conjunto de
condições metodológicas e organizativas para viabilizá-lo.
(p.24)

As influências educacionais se dão ao longo de toda a vida,


fazendo-se na família, na comunidade, em instituições sociais, culturais e
religiosas e entre estas, especialmente na escola, sendo que a ela cabe grande
parte da responsabilidade do indivíduo, uma vez que é nela que acontece a
sistematização do ato educativo.
A educação de qualidade é um dos caminhos e um dos instrumentos
mais importantes para a conquista da cidadania e para a construção de uma
sociedade mais justa, mais democrática, com mais paz e melhor para se viver.
Desta forma, é necessário ajudar a despertar em cada pessoa a
conscientização de sua própria dignidade e a sua capacidade de exercer a
cidadania. Aqueles que tiveram o privilégio de serem alfabetizados e de
estudar na escola, por exemplo, sabem a tamanha importância que a escola
exerce em suas vidas, nas decisões e até no comportamento de condutas.
Tanto os indivíduos que não tiveram a oportunidade de estar em uma escola
aprendendo quanto os que já a experimentaram, sentem as diferenças que a
escola promove na vida de cada um. Os primeiros lamentam não poder fazer
parte de uma sociedade na qual as informações passam por transformações
diariamente, enquanto no segundo, na maioria, concretizam seus sonhos de
“ser alguém” na vida, ou melhor, escolher uma profissão a percorrer durante
grande parte de sua caminhada. Dentro desses parâmetros, percebe-se,
contudo, que a da educação é um eixo condutor para que a pessoa torne-se
responsável pelo seu próprio progresso e pelo bem da comunidade.
Não basta saber. É necessário que esse saber esteja em função
de uma sociedade mais humana. É preciso aprender a aprender e colocar o

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aprendizado a serviço de uma melhor qualidade de vida para todos. Ensinar a
aprender e aprender a ser inteligente não é dom com o qual nascemos, mas é
o resultado de uma visão crítica de saber pensar, de avaliar, tomar decisões
podendo o educando exercer de maneira mais eficaz os seus direitos.
É através desta perspectiva de mudança que se pode alterar o
futuro de uma nova sociedade, de uma família, de uma escola. É válido afirmar
que ensinar e aprender é o estabelecimento de uma relação de causa e efeito.
É o produto da troca das informações e das experiências pessoais entre
educando e educador.
Nessa troca todos saem ganhando e os resultados são especiais,
no sentido em que especial for o empenho, a responsabilidade e as influências
de ambos, isto é, de quem ensina aprendendo e de quem aprende educando.
Assim, o ato educativo contribui para a emancipação do ser humano, e, por
outro lado, prepara para os desafios que encontrará nos caminhos de sua vida.

2.2 Currículo e a realidade do Aluno

O currículo educacional representa a síntese dos conhecimentos


e valores que caracterizam um processo social expresso pelo trabalho
pedagógico desenvolvido nas escolas.
A palavra currículo origina-se do Latim, curriculum, que significa
curso, rota, o caminho da vida ou das atividades de uma pessoa ou de um
grupo de pessoas.

Currículo pode ser conceituado como programa integral da


escola, envolvendo os fins da educação, o que os professores
e alunos fazem e como fazem e os materiais que usam. É
concebido com uma perspectiva abrangente, como o conjunto
de atividades da escola que afetam, direta ou indiretamente, o
processo de transmissão-assimilação e produção de
conhecimento. É o instrumento de confronto de saberes o
saber sistematizado, indispensável à compreensão crítica da
realidade e o saber de classe, que o aluno representa e que é o
resultado das formas de sobrevivência que as camadas
populares criam. (Marquezam ,2000, p.20)

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Assim sendo, o currículo deve ser planejado de forma
participativa, a partir das aspirações e necessidades da comunidade escolar,
considerando-se pelas características próprias com vistas à transformação da
sociedade. No currículo devem ser selecionados e organizados os objetivos e
as atividades a serem desenvolvidas no decorrer do processo educativo,
devendo ser centrado nos reais interesses e necessidades do grupo.
Também deve ser adequado às maneiras de pensar, agir, sentir
do aluno, de acordo com sua fase de desenvolvimento, ampliando seus
horizontes e levando-o a interagir consigo mesmo, com o outro e com o mundo.
Nesse compasso,, pensar em currículo escolar é considerar a diversidade das
características sociais que chegam a escola. Não havendo o reconhecimento
de seu universo, o aluno fica desorientado, é como se o seu mundo não
existisse a partir do momento em que não fosse valorizado pelo sistema
escolar, e, entretanto, ele também não se insere na realidade proposta, tida
como única.
Contudo, entende-se que os alunos que chegam à escola são
sujeitos sócio-culturais, e têm a capacidade de construir seus próprios
conhecimentos de acordo com os saberes e culturas próprias trazidas da
família.
Sob essa ótica, o ensino-aprendizagem não deve ocorrer numa
homogeneidade de ritmos, estratégias e propostas educativas para todos,
independente da origem social, idade ou das experiências vivenciadas. O
currículo não deve ser separado do contexto social que circunda, pois é
justamente aí onde ele irá achar elementos que constituirão sua estrutura.
Faz-se necessário a visão de que o currículo e a escola não
somente constrói uma sociedade como também a refletem. Uma escola de
zona rural, por exemplo, tem características, obviamente, distintas de uma
escola de zona urbana. Logo, é aferível que o currículo seja o reflexo dessas
características, tornando-as partes integrantes do processo educativo. Muitas
vezes, não há um questionamento ou conhecimento justificável sobre a
realidade na qual está inserido o aluno, pois, ela se quer é abordada,
impedindo assim, a criança de expressar uma das características básicas de
sua forma de aprender, que é o envolvimento de situações de aprendizagem,

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através da ligação com as suas vivências. Segundo o pensamento de Freire
(1996)

A questão da identidade cultural, de que fazem parte a


dimensão individual e a de classe dos educandos cujo
respeito é absolutamente fundamental na prática educativa
progressista, é problema que não pode ser desprezado. Tem
que ver diretamente com a assunção de nós por nós
mesmos. É isto que o puro treinamento do professor não faz,
perdendo-se e perdendo-o na estreita e pragmática visão do
processo (p.41-42).

Independente de qual sociedade a escola está inserida, levar em


conta a construção de um currículo compatível às reais necessidades da
aprendizagem não se limita apenas às meras aulas transmisssíveis e
mecanicistas ou apenas aos conteúdos a serem “jogados” aos alunos, mas,
mais do que um simples documento, uma questão atitudinal. O professor, na
qualidade de educador, deve assumir sua verdadeira função, que é o de
assumir a si mesmo, cada aluno e todo o conjunto de aprendizes que integram
o ser de sua profissão. Todos têm que entrar no processo de assunção,
corporificando o saber do senso comum para o científico, ao mesmo tempo,
aprimorando o currículo de fato.
Assim, quando uma criança fala do seu mundo, aprofunda a
compreensão de si mesmo, confronta seu conhecimento com outros
conhecimentos e vendo seu mundo validado, ganha confiança em si, passando
a ter confiança em sua capacidade de aprender. O que combina com a idéia de
Rego (1998), quando descreve que a escola desempenhará bem seu papel na
medida em que, partindo daquilo que a criança já sabe (o conhecimento que
ela traz de seu cotidiano, suas idéias, a respeito de seus objetivos, fatos e
fenômenos, suas teorias acerca do que observa no mundo)..., ela for capaz de
ampliar e desafiar a construção de novos conhecimentos.
Sabe-se que conteúdos curriculares não se constituem no fim em
si mesmos, mas, em instrumentos e caminhos para uma educação de
qualidade. Graças a eles, podemos dar cor ao preto e branco, ou seja, colorir
(ajeitar) o que pode ser melhorado, e ao mesmo tempo, refletir sobre o que
ainda precisa ser aprimorado.

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O autor também disponibiliza este pensamento de maneira
bastante consistente:

O currículo deve ser um meio de vida e ação, de modo que


os indivíduos construam e reconstruam o significado de suas
experiências. Segundo o autor, para provocar uma
aprendizagem ao mesmo tempo rigorosa e relevante será
necessário voltar o olhar para a aprendizagem espontânea,
cotidiana que a criança realiza em sua experiência vital, para
encontrar os modelos que possam orientar as dificuldades de
aprendizagem sistemática na sala de aula. (SACRISTÁN ,
2000.p.16)

Desta forma, percebe-se que o currículo é uma construção social


no sentido que está diretamente ligado a um momento histórico, a uma
determinada sociedade, as relações que esta estabelece com o conhecimento,
procurando jamais menosprezar o saber popular em nome do saber
acadêmico.
Um dos maiores educadores em eminência, não só no Brasil,
Paulo Freire (1996), o gerador de idéias inovadoras, através da pedagogia
libertadora, acreditava que deveríamos estabelecer uma “intimidade” entre os
saberes curriculares fundamentais aos alunos e a experiência social que eles
têm como indivíduos, que todo o aluno deve ser estimulado a construir o
próprio conhecimento, resolvendo problemas trazidos da sociedade, pois, só
assim poderá devolver para esta sociedade um conhecimento aproveitável e
produtivo. Sendo assim, o currículo precisa ser analisado de forma reflexiva,
crítica e contextualizada. Os educadores devem estar cientes de que devem
estar sempre atentos às mudanças e necessidades para formular estratégias
de releitura e análise da cultura que ocorre cotidianamente na vida dos
indivíduos. Elaborar um currículo de acordo com a realidade do aluno não quer
dizer trabalhar somente dentro desta realidade. Pelo contrário, partindo dessa
realidade é necessário proporcionar condições para que este aluno conheça e
valorize as diferenças.
O Referencial Curricular Nacional (1998) elaborado pelo Ministério
da Educação, justifica que a escola é o lugar ideal para trabalhar as diferenças,
uma vez que, nela se estabelecem os primeiros contatos com novos costumes,
hábitos, expressões e histórias. Segundo referido documento, o papel do

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educador é o de mostrar e provar que as pessoas pertencem a vários grupos
sociais, cada um, com modos de vidas singulares.
Assim inicia o processo de conscientização dos aprendizes sobre
suas relações com os demais indivíduos, com um novo olhar nas formas de ser
e de viver. Começam a reconstruir sua visão da realidade e tornam-se mais
receptivos à diversidade, tornando-se críticos, ao passo que, passam também
não apenas a aceitar as multiculturas, mas a entender e abraçar a diversidade.
É, portanto, imprescindível que a criança entenda com espontaneidade que o
mundo é enorme, heterogêneo e que sempre se tem algo novo a aprender.

2.3 A formação do Professor.

É necessário estar em constante investimento na pessoa do


professor, possibilitando-lhe capacidade de entender a globalização do sujeito,
e principalmente, demonstrar capacidade de assumir a formação como um
processo dinâmico. Por estes motivos, o professor deve assumir o papel de
formador e de formando.
Se o educador é formador, tem que estar em constante processo
de formação em todas as áreas. A educação é uma constante construção do
ser, é processo inacabado. Não projeta um homem ideal, e sim, possui o
propósito de oportunizar opções para que o sujeito faça escolhas. Ser
professor exige conhecimento dinâmico e consistente, a fim de acompanhar as
mudanças diárias impostas pelas ciências, informática e tecnologias. Ao
mesmo tempo, deve ter conhecimento de princípios estabelecidos, sobre os
quais se embasam todas as novas conquistas do intelecto humano. Ao atuar
em tal complexidade, é inadmissível o professor ter uma formação terminal e
completa, sendo de extrema importância a formação continuada.
Segundo Nóvoa (1995, p.28) “a formação não se faz antes da
mudança, faz-se durante, produz-se nesse esforço de inovação e de melhores
percursos para a transformação da escola”. As novas tecnologias e as novas
situações mundiais exigem, fundamentalmente, a chamada educação
continuada, de forma a atender, às novas exigências do mercado, de maneira
ágil e, ainda, em curto prazo.

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Vivemos na era da incerteza (MORIN: 2001: p.23) na qual, mais
do que aprender verdades estabelecidas e indiscutíveis, é necessário viver e
conviver com a diversidade de perspectivas, com a realidade das teorias, com
a existência de múltiplas interpretações, de toda informação para construir, a
partir delas, o próprio juízo ou ponto de vista.
Ser professor nesta “sociedade tecnológica” e estar plugado no
mundo, transformando a informação em conhecimento para si, para os alunos,
para a comunidade escolar.
Parece que a atualização é coisa que só diz respeito a fase
atual de nossa vida. Mesmo não lembrada em muitas
ocasiões, faz parte integrante de toda a vida humana. Para
que alguém progrida, basta ter inteligência e usar um pouco
de capacidade do cérebro. Uns criam, inventam, outros usam
os inventos, mas todos indistintamente, precisam se adaptar
às novas situações. Há uma cultura que acompanha cada
produto. Só a atualização através de educação faz com que
possamos usar os produtos novos (WERNECK, 2003, P.30).

Desta forma flexibilidade, articulação, autonomia de pensamento e


ação, capacidade de integrar conhecimentos vindos de várias áreas fazem
parte de um conjunto de habilidades supervalorizadas em todas as áreas e
principalmente na educacional.

É evidente que o professor não ensina senão na mediada em


que os alunos aprendem. Não há, de fato, docência, ela não
é cumprida sem a efetiva aprendizagem por parte dos alunos,
mais ainda, sem que, por meio dela também o professor
aprenda na relação dialogal com o outro. (MARQUES, 2000,
p.154).

O professor deve sempre refletir sobre suas ações, sobre os


resultados obtidos através de suas metas, se levaram aos objetivos
almejados, tendo sempre em mente que só conseguimos resultados
diferentes, quando fazemos as coisas de forma diferente.
Não basta entendermos a aprendizagem somente a partir de
quem aprende. Importa entendê-la, igualmente, na atuação
daquele com quem se aprende, ambos, o professor e o
aluno, não relacionados em abstratos e no vazio, mas
situados em lugares sociais específicos, entre os quais o
mais importante é a escola e, mais concretamente, a sala de
aula (MARQUES, 1994, p.85).

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É necessário que o professor avalie se está atualizado e alerta o
suficiente para emitir pareceres seguros, baseado em argumentação
consistentes a respeito do que se impõe na escola pela realidade emergente.
Não é preciso julgar tudo o que é novo como bom, nem como ruim. É
imprescindível a capacidade de aprender e analisar criticamente o contexto
dessa aprendizagem, aumentando cada vez mais o seu saber, retornando seu
espaço profissional e, acima de tudo, conquistando a confiança do aluno pela
coerência entre o fazer e o pensar.
Pensar sobre os fins que almeja a escola, sua forma de
organização e funcionamento como garantir a aprendizagem a todos os seus
alunos, o acesso ao conhecimento, é dever de todos os envolvidos no processo
educativo.

3. O PROJETO POLÌTICO PEDAGOGICO E SUA PRÁTICA

3.1. Concepções

Vive-se a época da “cultura de projeto” em nossa sociedade, onde

as condutas de antecipação para prever e explorar o futuro fazem parte de

nosso presente. Essa influência do futuro sobre nossas adaptações cotidianas

só faz sentido se o domínio que se tenta desenvolver sobre os diferentes

espaços, cumpre a função de melhorar as condições de vida do ser humano.

Portanto, é a partir desse pensar inicial que surge este texto, com o objetivo de

melhor compreender o significado e o processo do projeto pedagógico.

De forma clara, como coloca Gadotti (2001), a palavra projeto

vem do verbo projetar, lançar-se para frente, dando sempre a idéia de

movimento, de mudança. A sua origem etimológica, como explica Veiga (2001,

p.12), vem a confirmar sua origem, no qual “vem do latim projectu, particípio

passado do verbo projecere, que significa lançar para diante”.

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Como o projeto é uma atividade natural e intencional que o ser

humano utiliza para procurar solucionar problemas e construir conhecimentos,

se faz presente na escola, com embasamento legal definido o fazer de acordo

com a comunidade que o educando está inserido.

Boutinet (2002), em seu estudo sobre a antropologia do projeto,

explica que o termo projeto teve o seu reconhecimento no final do século XVII e

a primeira tentativa de formalização de um projeto foi através de uma criação

arquitetônica, com o sentido semelhante ao que nele se reconhece atualmente,

apesar da marca do pensamento medieval “no qual o presente pretende ser a

reatualização de um passado considerado como jamais ocorrido” (p.34).

Na tentativa de uma síntese, pode-se dizer que a palavra projeto

faz referência a idéia de frentes de um projetar, lançar para, a ação intencional

e sistemática, no qual estão presentes: a utopia concreta / confiança, a

ruptura / continuidade e o instituinte / instituído.

Conforme Gadotti (citado por VEIGA, 2001, p.18):

Todo projeto supõe ruptura com o presente e promessas para


o futuro. Projetar significa tentar quebrar um estado
confortável para arriscar-se, atravessar um período de
instabilidade e buscar uma estabilidade em função de
promessa que cada projeto contém de estado melhor do que
o presente. Um projeto educativo pode ser tomado como
promessa frente determinadas rupturas. As promessas
tornam visíveis os campos de ação possível, comprometendo
seus atores e autores.

E o projeto com a qualificação de pedagógico, qual é seu

significado? De repente, em meados da década de 90, a idéia de projeto

pedagógico vem tomando corpo no discurso oficial e em quase todas as

instituições de ensino, espalhadas no Brasil. A Lei de Diretrizes e Bases da

Educação Nacional (Lei 9394/94), em seu artigo 12, Inciso I, prevê que “os

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estabelecimentos de ensino, respeitadas as normas comuns e as do seu

sistema de ensino, tem a incumbência de elaborar e executar sua proposta

pedagógica”, deixando explícita a idéia de que a escola não pode prescindir da

reflexão sobre sua intencionalidade educativa. Assim, o projeto pedagógico

passou a ser objeto prioritário de estudo e de muita discussão.

Para André (2001, p.188), o projeto pedagógico “não é somente

uma carta de intenções”, nem apenas uma exigência de ordem administrativa,

pois deve “expressar a reflexão e o trabalho realizado em conjunto por todos os

profissionais da escola, no sentido de atender às Diretrizes do Sistema

Nacional de Educação, bem como as necessidades locais e específicas da

clientela da escola”, ele é “a concretização da identidade da escola e do

oferecimento das garantias para um ensino de qualidade”. Segundo Libâneo

(2001, p. 125), o projeto pedagógico “deve ser compreendido como instrumento

e processo de organização da escola”, tendo em conta as características do

instituído e instituinte.

Para Veiga (1998), o projeto pedagógico

Não é um conjunto de planos e projetos de professores, nem


somente um documento que trata das diretrizes pedagógicas da
instituição educativa, mas um produto específico que reflete a
realidade da escola, situada em um contexto mais amplo que a
influencia e que pode ser por ela influenciado. (p. 113)

Portanto, trata-se de um instrumento que permite clarificar a ação

educativa da instituição educacional em sua totalidade. O Projeto pedagógico

tem como propósito a explicitação dos fundamentos teórico-metodológicos, dos

objetivos, do tipo de organização e das formas de implementação e de

avaliação institucional.

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O projeto pedagógico não é modismo, nem documento para ficar

engavetado em uma mesa na sala de direção da escola, ele transcende o

simples agrupamento de planos de ensino e atividades diversificadas, pois, é

um instrumento do trabalho que indica rumo, direção e é construído com a

participação de todos os profissionais da instituição e demais membros da

comunidade escolar. Todos, contribuindo, conseqüentemente, para a

aprendizagem efetiva dos educandos.

O projeto pedagógico tem suas dimensões, como explicam André

(2001) e Veiga (1998): a política e a pedagógica. Ele “é político no sentido de

compromisso com a formação do cidadão para um tipo de sociedade”;

(ANDRÉ,2001,p.189) e é pedagógico porque possibilita a efetivação da

intencionalidade da escola, que é a formação do cidadão participativo,

responsável, compromissado, crítico e criativo “. Essa última é a dimensão que

trata de definir as ações educativas da escola, visando a efetivação de seus

propósitos e sua intencionalidade (VEIGA, p.12). Assim sendo, a” dimensão

política se cumpre na medida em que ela se realiza enquanto prática

especificamente pedagógica” (SAVIANI, cit. por VEIGA, 2001. p.13).

Para Veiga (2001, p.11) a concepção de um projeto pedagógico

deve apresentar características tais como: ser processo participativo de

decisões preocupar-se em instaurar uma forma de organização de trabalho

pedagógico que desvele os conflitos e as contradições, explicitar princípios

baseados na autonomia da escola, na solidariedade entre os agentes

educativos e no estímulo à participação de todos no projeto comum e coletivo,

conter opções explícitas na direção de superar problemas no decorrer do

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trabalho educativo voltado para uma realidade específica, explicitar o

compromisso com a formação do cidadão.

A execução de um projeto pedagógico de qualidade deve,

segundo a mesma autora: nascer da própria realidade, tendo como suporte a

explicitação das causas dos problemas e das situações nas quais tais

problemas aparecem, ser exeqüível e prever as condições necessárias ao

desenvolvimento e à avaliação, ser uma ação articulada de todos os envolvidos

com a realidade da escola, ser construído continuamente, pois, como produto,

é também processo.

3.2. As ações da escola

A cidadania requer a participação democrática em todas as

instâncias educativas, sociais e políticas.

A LDB 9394/96 propõe princípios da gestão democrática, no qual

a ação educativa deverá estar fundada numa instituição do saber onde a

escola seja construída, voltando-se para o contexto das diversas culturas em

que a aquisição dos conhecimentos, a formação de atitudes e habilidades, bem

como a conscientização da realidade sejam proposições sempre presentes em

qualquer contexto escolar.

Traçar e executar seu projeto pedagógico e nele sua identidade


afirmativa e distintiva é tarefa que não se limita ao âmbito das
relações interpessoais, mas que se faça realisticamente
presentes nas estruturas e funções da escola, na organicidade
dos fluxos de relações nos recursos e limites que a
singularizam envolvendo ações continuadas com prazos
distintos. (MARQUES, 1991, p. 50)

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Portanto, na LDB o grande desafio lançado às escolas é a

construção do seu projeto educativo. Porém, a necessidade de um Projeto

Político-Pedagógico na escola antecede a qualquer decisão política ou

exigência legal, uma vez que, enquanto membros de uma instituição escolar,

deve-se ter nítido a que horizonte pretende-se chegar com os alunos, com a

comunidade e com a sociedade.

Nenhum Projeto Político-Pedagógico pode ser considerado como

receita que pode ser transferida para uma outra realidade, uma vez que a

principal condição para que este projeto tenha êxito é o seu enraizamento no

contexto social-cultural sendo uma construção feita pelos sujeitos inseridos no

referido contexto. A escola, hoje, precisa aproveitar a abertura que a LDB N°

9394/96 proporciona para a construção do seu Projeto Político Pedagógico e,

por conseqüência, seu regimento.

No artigo 12, fica clara a autonomia da escola para elaborar e

executar sua proposta política e, logo a seguir, o artigo 13 incumbe os

docentes de participar da elaboração desta proposta. Assim, o Projeto Político-

Pedagógico deve ser elaborado com a participação de todos os integrantes da

comunidade escolar, no qual devem chegar a um denominador comum sobre a

adequação deste, à realidade da escola. Todos os envolvidos devem estar

conscientes de que devem contribuir para o êxito da referida proposta. Ao ser

construído, o projeto de uma escola será planejado o que tem se a há intenção

de fazer, realizar.

Nos dizeres de Gadotti:

Todo projeto supõe ruptura com o presente e promessas para o


futuro. Projetar significa tentar quebrar um estado confortável
para arriscar-se, atravessar um período de instabilidade e

17
buscar uma estabilidade em função de promessa que cada
projeto contém de estado melhor do que o presente. Um projeto
educativo pode ser tomado como promessa frente
determinadas rupturas. As promessas tornam visíveis os
campos de ação possível, comprometendo seus atores e
autores” (1994, p.579).

Assim sendo, Veiga (2001, p.12), coloca que o Projeto Político-

Pedagógico não é somente um agrupamento de planos de ensino e de

variadas atividades, não é apenas um documento elaborado e simplesmente

arquivado ou enviado para as autoridades educacionais como prova de

cumprimento de exigências legais. Ele deve ser construído e utilizado em todos

os momentos por todos os envolvidos com o processo educativo da escola,

sendo a síntese de todo o projeto de formação, da concepção política adotada

e das opções pedagógicas e metodológicas que deverão, em sala de aula e

nas diversas práticas escolares permitir a efetivação de uma práxis de fato

inovadora, capaz de concretizar os sonhos, os anseios, as aprendizagens de

fato, os desejos, as necessidades da formação permanente dos sujeitos

educativos.

Em suma, falar da construção do projeto pedagógico é falar de

planejamento no contexto de um processo participativo, no qual o passo inicial

é a elaboração do marco referencial, sendo este a luz que deverá iluminar o

fazer das demais etapas.

4. Os resultados

Na questão 1 foi perguntado aos professores ”Sua escola tem

Projeto Político Pedagógico. Como foi o processo de sua criação?”. As

respostas, em sua maioria, estão concentradas na segunda alternativa que

18
corresponde ao seguinte: “ Várias reuniões em estudos para depois formular o

documento”.

Na questão 2 “Todos participaram da elaboração? Ou somente

alguns? Houve representação dos pais? Dos alunos?” . Os dados recolhidos

foram que todos os segmentos da escola participaram, embora os

entrevistados não colocassem o número de participantes.

Na questão 3, foi perguntado como ocorreu a seleção da teoria

que embasa o documento . As respostas obtidas encaminham para “a busca

somente na prática dos professores as concepções do documento”. Isto

significa que a teoria embasada em autores foi colocada de lado

Na questão 4, pretendeu-se conhecer as partes do PPP . Os

dados obtidos foram na maioria relacionados com os “planos de estudos e

projetos de estudos culturais”, isto significa que o PPP ainda está como

currículo escolar.

Na questão 5, objetiva-se conhecer a relação entre o proposto

no PPP e as ações da escola. Perguntou-se aos entrevistados sobre o PPP e a

sua comunidade. Onde você vê isso acontecer? O que você aponta de

importante no PPP, o que tem a ver com sua comunidade?

Predominou nas respostas, o entendimento do PPP da escola

como uma ligação entre as famílias, alunos e professores. O PPP, portanto,

conforme uma das entrevistadas: “É um documento que norteia toda a vida da

escola”, sendo um instrumento de auxílio no diálogo entre pais, alunos e

professores. Porém, conforme constatei em entrevista semi-estruturada que

isto não significa que todos os segmentos da escola adotam a PPP como

19
variável de ensino, pois, o dia a dia é voltado apenas para os conteúdos de

ensino.

Na questão 6, foi perguntado: “No seu entender: os professores

vêem o PPP como uma necessidade na escola infantil? Ou pode ser

secundário, uma vez que a Educação Infantil tem direção própria? E seria mais

um documento a ser criado para ser guardado.”

As respostas obtidas giram em torno do PPP como uma

necessidade na escola infantil. Vale salientar que há a admissão da escola

infantil como parte integrante da escola, e em oposição, que as ações da

educação infantil são específicas, ou seja, que as atividades da educação

infantil só dizem respeito aos responsáveis pela educação infantil. Contudo,

percebe-se que a teoria proposta no projeto educativo da escola não condiz

com as práticas da maioria das escolas.

A outra clientela pesquisada: pais . Para eles foram feitas 3

perguntas.

A primeira: “O (A) senhor(a) conhece o Projeto Político

Pedagógico de sua escola?” Nas respostas encontradas domina a negativa,

pois muitos não sabem o que a escola pretende.

A segunda questão: ”Participou da elaboração dele? Como?”.Os

pais responderam que não.

A terceira questão: ”Que ações sua escola realiza para por em

prática o PPP?”As respostas foram que também não sabem associar as

atividades do filhos com o objetivo da escola.

20
4.1. Análise

Estamos hoje ainda em processo de discussão sobre o

projeto pedagógico. Até a poucas décadas, a escola se reduzia em

cumprir a meta de ensinar. Entretanto, em meados da década de 90,

a escola, repentinamente, passou a pensar o projeto pedagógico

como instrumento de autoconhecimento e conhecimento do contexto

escolar e mundial. Ou seja, a escola deparou-se com uma mudança

complexa, no sentido de levar em conta as multiculturas existentes,

propiciando, então, os questionamentos sobre seus fins e não apenas

aos métodos.

A questão do projeto da escola nas escolas públicas

pesquisadas representa um desafio para todos os educadores. Isso

porque é necessário que haja uma mudança na mentalidade de toda

a comunidade escolar. Uma elaboração conjunta, isto é, a gestão

democrática faz parte da natureza do Projeto Político-Pedagógico. A

comunidade escolar precisa compreender que a transformação social

depende não só do Estado, mas da ação ativa de todos nós. Sob esta

ótica, insisto que a mudança na mentalidade de toda a comunidade

escolar significa ressignificar o comprometimento e o envolvimento

de todos os segmentos responsáveis pela escola: a merendeira, a

faxineira, os professores e professoras, diretores e diretoras, pais,

mães, irmãos, vizinhos da escola, alunos e alunas e equipe diretiva. O

Estado pode contribuir com recursos e idéias positivas que

solucionem problemas escolares, mas a escola é que sabe sobre suas

21
culturas, sobre o contexto de sua região, etnias, etc. Portanto, cabe

uma mudança significativa na concepção de Projeto Político-

Pedagógico na escola. Pais estão omissos nas questões referentes à

instituição onde seus filhos aprendem a viver, a se comunicar, a

gostar de aprender, enfim, onde seus filhos tem a oportunidade de se

sentir importante para si e para os outros. Os professores limitados a

ensinar conteúdos.

Sabemos que o Projeto político-Pedagógico é visto, muitas

vezes, por alguns, como uma exigência e por outros, como uma

moda. Porém, também sabemos que a transformação da escola como

instituição identidária da comunidade é um processo que não ocorre

de forma rápida, pois, estamos em uma caminhada, na qual torna-se

imprescindível a discussão e reflexão do Projeto Político-Pedagógico

como variável de ensino.

CONCLUSÃO

O PPP é, portanto um documento que não deve ficar engavetado

em uma mesa na sala de direção da escola, ele transcende o simples

agrupamento de planos de ensino e atividades diversificadas, pois, é um

instrumento do trabalho que indica rumo, direção e é construído com a

participação de todos os profissionais da instituição e demais membros da

comunidade escolar, sendo imprescindível na aprendizagem, principalmente

dos que estão no início das descobertas sobre o mundo que o cerca.

A crise paradigmática presente atualmente no mundo

inteiro, também atinge a escola e ela se encontra no início da

22
caminhada, da transformação de uma escola caracterizada pela

globalização, numa sociedade pós-moderna e pós-industrial. Sem

dúvida, a escola começa a se questionar sobre si mesma, sobre seu

papel contra a hegemonização do poder e as desigualdades, em favor

do respeito à singularidade em meio à diversidade.

Percebe-se que a construção de um Projeto Político-

Pedagógico se faz necessário como uma obrigatoriedade para o

sucesso na educação. Ele pode contribuir para estabelecer novos

paradigmas de gestão e de práticas pedagógicas que levem a

instituição escolar a transgredir de uma educação tradicional,

conteudista apenas, para uma educação de esforços, construções,

flexível com a contemporaneidade, inovadora, a fim de provocar uma

revolução nas maneiras de ensinar e promover aprendizagens

efetivas.

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