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X Salão de Iniciação Científica PUCRS

Efeito da extensão de cadeia em dispersões aquosas de poliuretano

Renata F. Rocha1, Rafael Soares1, Cátia Klein2, Jeane E. L. Dullius1,2, Sandra M. O. Einloft1,2, Rosane A. Ligabue1,2 (orientador)
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Faculdade de Química, PUCRS 2 Programa de Pós-graduação em Engenharia e Tecnologia de Materiais, PUCRS

Resumo Introdução Dispersão aquosa de poliuretano (PUD) é uma tecnologia recente que vem sendo usada devido à preocupação com o meio ambiente. Os poliuretanos têm boas propriedades mecânicas e químicas e estas podem ser ajustadas conforme os constituintes da cadeia, o tamanho do segmento flexível, razão NCO/OH, entre outros parâmetros (Jang et al., 2002). A extensão de cadeia é uma etapa muito importante no processo da PUD. Dados da literatura mostram que a concentração de extensor de cadeia não influi na formação da partícula quando a adição do pré-polímero na água é seguida de extensão de cadeia depois da dispersão (Nanda et al., 2005). Geralmente, a extensão de cadeia é feita logo após a etapa da dispersão, ou seja, o polímero está em contato com água onde a micela está sendo formada e neste caso a extensão de cadeia pode acontecer, principalmente, na superfície da partícula do que entre as partículas, considera-se também que parte dos NCO livres sofram reação com água (Cheong et al., 2002; Jhon et al., 2000). Este trabalho tem como objetivo estudar a extensão de cadeia na síntese da dispersão aquosa de poliuretano e verificar sua influência no tamanho de partícula, viscosidade e massa molar. Metodologia Em um reator de vidro equipado com um agitador, termopar, condensador e funil de adição com entrada de N2 foi adicionado o poli(1,6-hexanodiol adipato de Mw = 1000), DMPA (ácido dimetilol propiônico) e DBTDL (dibutil dilaurato de estanho), após foi

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67 1. Neste caso. calculada pela fórmula (90% . massa molar ponderal média. e a etapa da dispersão foi feita usando água como meio dispersante para produzir no final uma dispersão aquosa de poliuretano com 45% de sólidos. PUD 3) se comparados com a PUD 1. grau de extensão 90%. que tem uma distribuição de tamanho de partícula mais estreita como mostra a Figura 2a. Na PUD 1. neste caso a extensão foi feita após a dispersão. O término da reação foi verificado pelo residual de NCO constante (Método da n-dibutilamina). e como conseqüência. viscosidade Brookfield. Resultados e Discussão O menor tamanho de partícula se encontra na dispersão a PUD 1 (Tabela 1).10%) / 50%. 2009 . Na PUD 3.37 2. foi adicionado o pré-polímero numa solução de água e extensor.1222 adicionado o TMXDI (m-tetrametilxileno diisocianato) sob agitação e 100 ºC. foi feita a extensão do pré-polímero antes de adicioná-lo na água. Na PUD 2. A extensão do pré-polímero foi feita adicionando EDA (etilenodiamina). Analisando os valores de massa molar dos polímeros obtidos (Tabela 1). aumentando assim o seu tamanho e obtendo-se uma distribuição de tamanho de partículas mais larga (Figura 2b).06 ηd (mPa. primeiro dispersou-se o pré-polimero na água e depois foi feita a extensão. então nesta etapa só houve a dispersão formando partículas com tamanhos mais uniformes. mantendo NCO/OH 1.55 1. foi feita a adição TEA (trietilamina) em meio de acetona (grau de neutralização 120%). Tabela 1 – Resultados das PUDs Reações PUD 1 PUD 2 PUD 3 a Tamanho de partícula médio (nm) 92 368 206 Spana 0. onde a extensão foi feita antes da X Salão de Iniciação Científica – PUCRS. a distribuição de tamanho de partícula mais heterogênea (tamanho de partícula variando de ± 200 a 800 nm) pode-se explicar o valor mais alto da viscosidade. Por outro lado. o maior tamanho de partícula obtido foi na PUD 2 (tabela 1). pode ter ocorrido a extensão intermolecular (extensão entre as micelas já formadas) ou também o encapsulamento de moléculas de água dentro das partículas.74 2. Nesta reação o polímero que foi disperso em água já estava extendido.7. os tamanhos de partícula da PUD pelo equipamento Dispersion Analyser LUMiSizer e viscosidade pelo viscosímetro Brookfield DV-I. observa-se que valores maiores foram conseguidos quando se fez a extensão após ou junto com a dispersão (PUD 2. Em seguida. d polidispersidade.s) 152 10500 3750 c índice de distribuição de tamanho de partícula.23 Mwb (Da) 20065 26702 32928 b IPc 1. Foi feita a caracterização da massa molar do PU por cromatografia de permeação em gel (GPC).

Vol. 23. X Salão de Iniciação Científica – PUCRS. Figura 2 – Distribuição de tamanho de partícula: (a) PUD 1. Colloids and Surfaces. Y. Quando a extensão de cadeia é feita após ou simultaneamente com a dispersão. Vol. Chain extension study of aqueous polyurethane dispersion. (2002). (2005). Kinetic aspects of chain extension reaction using water-soluble diamines in aqueous polyurethane dispersion. I. além da intramolecular. pp. 98. et al. J. Vol. 71-78 NANDA. and chain extension on aqueous polyurethane dispersion prepared by prepolymer method. pp. et al. Verificou-se que o tamanho de partícula e sua distribuição variam de acordo com a etapa da extensão. Referências CHEONG. Journal of Applied Polymer Science. (2002).. pp. Y. que está associada às extensões intermoleculares e intramoleculares. W. Journal of Dispersion Science and Technology. et al.1223 dispersão. 135-143. 179. Vol. 196. et al. K. Colloids and Surfaces. Estes resultados sugerem que o aumento da cadeia do poliuretano pode ter ocorrido em algum grau através da extensão intermolecular.. JANG. Effect of ionic content. 2009 . (2001). (c) PUD 3 Conclusão O presente trabalho apresenta um estudo da extensão de cadeia no processo da síntese de PUD. maiores valores de massa molar são obtidos para os poliuretanos.. solid content. A. pp. JHON. (b) PUD 2. degree of neutralization.. 2514-2520. Effect of process variables on molecular weight and mechanical properties of water-based polyurethane dispersion. 511-518.