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A mídia produz. Nossos olhos analisam Publicação on-line sobre Crítica de Mídia. Ano I Edição XI
A mídia produz. Nossos olhos analisam Publicação on-line sobre Crítica de Mídia. Ano I Edição XI
A mídia produz. Nossos olhos analisam Publicação on-line sobre Crítica de Mídia. Ano I Edição XI
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A mídia produz. Nossos olhos analisam Publicação on-line sobre Crítica de Mídia. Ano I Edição XI
A mídia produz. Nossos olhos analisam Publicação on-line sobre Crítica de Mídia. Ano I Edição XI

A mídia produz. Nossos olhos analisam

Publicação on-line sobre Crítica de Mídia. Ano I Edição XI

16 de junho de 2011

Ingenuidade é um defeito gigante para quem trabalha nas quatro linhas

André Luís Mapa

O site Superesportes afir- mou, há alguns dias, que os joga- dores Henrique e Fábio, do Cruzei- ro, haviam sido convocados para compor a Seleção Brasileira na disputa da Copa América. A notícia foi publicada com base nas infor- mações divulgadas de forma ofici- al pelo próprio clube, que publicou ainda um fax confirmando a con- vocação. No entanto, a informação foi desmentida horas depois pelo assessor de imprensa da CBF, Con- federação Brasileira de Futebol, que disse que o fax se tratava ape- nas de uma pré-convocação. As dúvidas permaneceram até a última terça-feira, após o amistoso da Seleção contra a Romênia, quando a relação dos convocados foi finalmente divulgada. Detalhe: sem os jogadores do Cruzeiro. Apesar da evidente “barriga”, o site não reconheceu o erro, deixando de lado a responsabilidade sobre a informação publicada. Não é nada ético publicar informações sem a devida apuração. Pior que isso, é publicar e não reconhecer seu erro diante do público. Erros acontecem, sejam por descuido, pressa ou ganância, e assumi-los é uma virtude. Tentar forçar o público a esquecê-los é i m p l o r a r p a r a p e r d e r a credibilidade essencial a qualquer veículo de comunicação. Há vários desvios na

A mídia produz. Nossos olhos analisam Publicação on-line sobre Crítica de Mídia. Ano I Edição XI

Site oficial do time divulga convocação dos atletas pela Seleção. Brasileira

condução deste caso pelo site, já que o erro inicial é ter confiado, sem apurar a veracidade das informações, na assessoria de imprensa do Cruzeiro. Ao aceitar ser manobrado pela assessoria, o ve í culo s e dispõe a s e r questionado se as outras informações nele publicadas também são provenientes de fontes internas do clube. Ainda que o site tenha publicado o fax explicitando que as informações tinham um fundo de verdade, o fato é que o veículo deveria ter questionado, sido crítico em relação a uma i n f o rma ç ã o q u e p o d e ri a beneficiar o clube, que as havia divulgado.

É

si m p l e s:

s e

o s

jogadores do Cruzeiro são convocados para a Seleção, o valor de mercado deles aumenta

e , c o n s e q u e n t eme n t e , o patrimônio do clube. Sendo assim, não há garantias de que o Cruzeiro tenha divulgado a informação com o intuito de valorizar seu capital para futuras negociações. A conduta do veículo neste caso foi pouco ética, preguiçosa e, no mínimo, ingênua. E como diria o diretor de marketing do Corinthians, “futebol é business” e quem se propõe a trabalhar neste meio, precisa deixar a ingenuidade de lado rápido se quiser sobreviver.

De um tempo para cá vimos

Jornal Em Foco -

16 de junho de 2011

-

Página 2

Quem financia os veículos de comunicação no Brasil

Ombudsman

Eugene Francklin

Jornal Em Foco - - Página 2 Quem financia os veículos de comunicação no Brasil Ombudsman

A história midiática brasileira se forma em cima de grandes conglomerados. A responsabilidade e orga- nização dos elementos referenciais que legitimam uma parte da construção da nossa identidade ficam sob controle de algumas oligar- quias da comunicação. Muitos dos negóci-

os das famílias ou empresas donas das mídias brasileiras se ligam ao ramo do empre- endedorismo de mercado direto. A compra do Baú da Felicidade, pertencente ao Grupo Sílvio Santos, pelo Magazine Luíza que ocorreu durante essa semana nos remete a um fato marcante da cultura brasileira. Fato

que nos passa despercebido pela banalização da nossa percepção sobre o que atin- ge a nossa vida. Os médias brasilei- ros se perdem entre títulos de capitalizações, lojas de varejo, bancos e tantos outros empreendimentos da ordem de mercado dire- to retidos na mão de um monopólio. É notável a asso- ciação da credibilidade con- quistada através da força presente nesses meios, capazes de invadir milhares de lares, prender milhões de olhos a sua delegada verdade, à esses produtos rentáveis. Essa credibilidade muitas vezes herdada sedi-

menta-se sobre esses pro- dutos, transferindo a estes a confiança e o consumo do telespectador. Podemos ver, mais uma vez, como é óbvia a presença do interesse empresarial vinculado as mídias que se favorecem de c o n c e ss õ e s p ú b l i c a s, ficando a parte a função s o c i a l d e ss e s m e i o s e n q u a n t o e l e m e n t o c o n st i t u t i v o d e ss a concessão. Em razão dessa negligência, a tarefa da mídia acaba cumprindo-se ao satisfazer o interesse privado. E o interesse público? Cadê o público? Assistindo e consumindo?

A mídia e as eleições no Peru:

uma história que teima em se repetir

Ombudsman

Dia três de abril

fo As eleições presi- denciais no Peru tiveram como vencedor Ollanta Humala, que derrotou não só o rival Keiko Fujimori, mas a grande mídia nacio- nal.

Falar que Humala venceu as eleições não é nosso papel enquanto críticos da mídia, o importante é mostrar o papel parcial feito pela grande mídia peruana, em específico o grupo “El Comercio”, maior grupo de comunicação do país, que liderou o ataque contra Humala. Há algum tempo vivemos um momento complicado na relação

e n t r e

p o l í t i c a

e

midiáticos e, com isso,

na

de

l

g

u

m

a

s

“ E l

jornalismo, nas quedas de

tem grande influência no

regimes totalitários

país. Dessa forma, usou

África e na Ásia, em que

seu poder para manipular

houve

uma

série de

o povo em favor de seus

acusações

de censura,

dentre

outras

barreiras

interesses. A

impostas

a jornalistas.

conclusões podem ser

Com isso, a mídia inteira

tiradas desse caso. A

se voltou a discursar a tão

saturação de críticas feitas

falada

liberdade

p o r u m v e í c u l o a

imprensa.

Mas

agora,

determinado candidato

temos que discutir quais

causa efeito contrário ao

são os limites éticos que

procurado, pois o público

esses

jornalistas

devem

deixa de acreditar no que

seguir

em campanhas

está sendo dito. O povo

eleitorais,

pois,

como

perdeu a confiança no que

sabemos, a isenção é algo

dizia o El Comércio e

utópico. O Comercio”

g r u p o dono

é

v e í c u l o s

de

começou a se simpatizar com Humalla, Algo parecido

d i v e r s o s

aconteceu no Brasil, nos

Alyson Soares

oito anos do governo Lula.

Mesmo com os ataques promovidos pela mídia de direita (Rede Globo, Revista Veja) o ex- presidente saiu com mais de 80% de aprovação em seu governo e ainda elegeu sua candidata, D i l m a Ro u ss e ff , à presidência. Se acontece mais de uma vez, não deve ser casualidade.

N o

f i n a l ,

a

v e r d a d e ir a o p i n i ã o

pública prevalece aos interesses da oligarquia que vem dominando os meios de comunicação tanto no Brasil quanto em outras partes do mundo.

Jornal Em Foco -

16 de junho de 2011

-

Página 3

O jogo sujo revelado no Jornal da Record

Allan Almeida

Nesta semana o Jornal da Record apresen- tou a série “Cartolas, jogo sujo” com reportagens espe- ciais revelando as políticas corruptas envolvendo pre- sidentes e diretores de clu- bes brasileiros, os chama- dos “cartolas”. Dentre eles estava também o presiden- te da Confederação Brasi- leira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, alvo da primeira reportagem, exi- bida na segunda-feira (13).

Aliás, os ataques ao presi- dente da CBF foram apenas uma continuidade dos ini- c i a d o s n o p r o g r ama Domingo Espetacular, do dia 12, quando foram exibi- dos trechos do especial da BBC Londres falando sobre o recebimento de propina por Teixeira e outros diri- gentes da FIFA.

O

que

a

Record

procurou mostrar já era de conhecimento superficial de alguns brasileiros liga- dos ao mundo dos negócios futebolísticos. Porém, para não cair em falácias e afir- mações anônimas usadas por críticos esportivos de veículos brasileiros, a emis- sora buscou arquivos, docu- mentos e fontes ligadas diretamente aos esquemas fraudulentos para funda- mentar o que era apresenta- do. Essa iniciativa, além de credibilizar seu trabalho,

Jornal Em Foco - 16 de junho de 2011 - Página 3 O jogo sujo revelado

revelava minúcias que de longe se passam pelos cam- pos de futebol. Futebol é palco de espetáculos e de paixões. Nesse caso, torna-se palco também de questões políti- cas e jogos de interesses. Parece engraçado, mas a Record acaba entrando em contradição em relação a essa política. Vamos recor- dar. Há pouco mais de dois meses, a Record negociava os direitos de transmissão dos Campeonatos Brasilei- ros de 2012 a 2014 com os principais clubes do país, depois de ver fracassada a negociação com o Clube dos 13. Hoje esses mesmos clubes, acertados com a arqui-rival Rede Globo, estão no meio de campo das investigações da emis- sora paulista.

Duas

avaliações

podem ser feitas, sem muito estudo, sobre a série “Cartolas, jogo sujo”. Pri- meira: A Record buscou

todo esse material para revelar ao torcedor como anda a administração de seu clube de coração, preo-

cupado com a política transparente do futebol brasileiro e com a informa- ção do público. Segunda: A emissora ainda colhe as mágoas por não ter con- quistado o direito de sediar os principais times do fute- bol brasileiro em sua grade de programação pelos pró- ximos três Campeonatos Brasileiros.

Qual

foram

as

intenções da Record ao criar essa série, somente seus idealizadores sabem. Segundo a nota da emissora à Folha de S. Paulo a série é motivada pelo puro jorna- lismo e nada tem a ver com direitos de transmissão. Seja lá qual for o motivo da séria, importância para o telespectador, principal- mente o apaixonado por futebol, ela tem. Resultado social também. No dia

seguinte à primeira repor- tagem do Jornal da Record, voltou a ser discutido na Câmara Federal a criação

da CPI da CBF. Isso inclu- sive foi mencionado com louvor no próprio Jornal da Record, enfatizando pela emissora a importância da série de reportagens.

De

fato

deve-se

reconhecer a autoridade desse material, por mais que tornemos a olhar para as possíveis intenções ins- titucionais contidas nele.A- final, não veremos uma reportagem dessa natureza, atacando inclusive a autori- dade máxima do futebol brasileiro, o presidente da CBF Ricardo Teixeira na Rede Globo, por exemplo. Não enquanto a emissora da família Marinho deter os direitos de transmissão dos eventos futebolísticos liga- dos à Confederação. É como já diz aquele conhe- cido narrador do plim plim, “Haja coração amigo!”que

comentar o excesso de luga-

Jornal Em Foco. Publicação de alunos de Comunicação Social / Jornalismo da Universidade Federal de Ouro Preto. Redatores: Allan Almeida, Alyson Soares, André Luís Mapa, Eugene Francklin e Flávia Pupo. Diagramação: Allan Almeida. Disciplina: Crítica da Mídia. Coordenador: Ricardo Lima.