FACULDADE INTERNACIONAL DE CURITIBA – FACINTER ANIBAL DE CARVALHO

ANTONIO MARCOS DOS SANTOS

HUMANIZANDO O ENSINO DA MATEMÁTICA

CRUZEIRO DO SUL 2009

ANTONIO MARCOS DOS SANTOS

EVASÃO ESCOLAR: UM PROBLEMA EMOCIONAL Projeto de pesquisa apresentado ás disciplinas de Jogos e Modelagem na Educação Matemática e Tópicos Especiais no Ensino da Matemática, no Curso de Metodologia do Ensino de Matemática e Física, da Faculdade Internacional de Curitiba – FACINTER. Prof. Flávia Dias Ribeiro e Dolores Follador

CRUZEIRO DO SUL 2009

TEMA: Humanizando o ensino da matemática. DELIMITAÇÃO DO TEMA: Educação emocional como fator indispensável para tornar agradável a transmissão dos conhecimentos matemáticos para os alunos da EJA (educação de jovens e adultos). .

.PROBLEMA: Na Educação de Jovens e Adultos. isto fazem como se não estivessem prontos para enfrentar o desafio de voltar para o ambiente escolar dos cálculos. espírito de investigação e desenvolvimento da capacidade para resolver problemas. os educadores têm convivido com o grande problema da dificuldade que os alunos têm de entender e gostar da matemática. esbarram na matemática como se fosse bicho de sete cabeças chegando no final do curso com pouco ou nenhum conhecimento matemático adquirido. curiosidade. ou terminam por simplesmente abandonar a escola por não entender matemática. já inseridos no mercado de trabalho. EJA. Alunos de personalidade formada. educadores de filhos e que compraram a idéia do quanto é importante prosseguir com os estudos. ou fossem imaturos para reconhecerem que a evasão simplesmente acarreta um atraso ainda maior em suas vidas sociocultural. estimulando o interesse. Esse conflito nos leva a questionar sobre quais motivos levam um aluno que se predispôs a terminar seus estudos abandonar seus objetivos ou não atingi-los perfeitamente por conta de uma matéria cuja finalidade é justamente proporcionar conhecimentos que ajudarão a compreender o mundo da lógica.

mas as soluções encontradas geralmente abrangem as circunstâncias que motivam o desinteresse e não as causas arraigadas no emocional de cada individuo. sem espaço para a pessoa humana com todas as suas particularidades. Cursando a pós-graduação da Faculdade Internacional de Curitiba – FACINTER. entendendo que a matemática faz parte do mundo a nossa volta e pode ser sim. direta e principalmente prática com professores de matemática do EJA que enfrentam sérias dificuldades para orientar matematicamente seus alunos que na grande maioria já passaram da idade escolar. Professores e diretoria da escola estão dispostos a buscar novas ferramentas que possibilitem um envolvimento maior e mais direcionado para os alunos especiais da EJA. para torná-lo mais atraente. muito atraente. estão há muito tempo sem resolver algum tipo de problema matemático. São especiais no sentido de fazerem parte de um universo destacado de estudantes. Partindo destas necessidades básicas torna-se indispensável oferecer um ensino que revigore o desejo de aprender por si próprio. se tudo isso não bastasse eles também sofrem de grande antipatia pela matemática por ser uma matéria desprovida de emoção. pessoas que almejam coisas simples como “nunca mais ficar envergonhada por ter que dizer à patroa que não tem capacidade de cozinhar a partir de uma receita impressa”. realizado na Escola Estadual João Kubitschek. curso de Metodologia do Ensino de Matemática e Física. de amar o conhecimento e alegrar-se a cada nova descoberta. onde impera sempre a razão. onde ou se está certo ou errado sem meio termo. .JUSTIFICATIVA O tema pesquisado pretende contribuir de maneira simples. cidadãos que despertaram e querem recuperar o que puderem do tempo perdido. cursar uma faculdade. poderem simplesmente portar o sonhado diploma de conclusão do Ensino Médio ou quem sabe. surgiu a oportunidade de trabalhar um assunto que tem sido parte de meu cotidiano como professor de matemática do 3º Segmento da EJA. Nos últimos anos têm surgido profissionais da educação com soluções interessantes para humanizar o ensino de matemática. já não se lembram de cálculos simples estudados nas séries do fundamental.

o Investigar trabalhos já existentes no ramo da psicologia que abordem o assunto das emoções humanas. o Analisar como tem sido encarado e o que se tem feito para amenizar esse desinteresse. o Confrontar os procedimentos já realizados com novas ferramentas desenvolvidas a partir da psicologia. o Entender o papel do educador como agente capaz de modificar emoções no ambiente escolar. pretendeu-se: o Descobrir junto aos alunos da EJA da Escola João Kubitschek.OBJETIVOS: • OBJETIVO GERAL: Difundir aos educadores da EJA a necessidade de entender e trabalhar as emoções humanas como forma de fazer da matemática um objeto de desejo. • OBJETIVOS ESPECÍFICOS Como objetivos específicos. . os principais motivos do desinteresse pela matemática.

Os professores precisam conhecer a si mesmos para desenvolverem sensibilidade suficiente para educar as emoções de seus alunos. Os alunos desejam entender e gostar da matemática.HIPÓTESE: • • matemático. e precisam desenvolver base emocional para conviver dom os desafios que aparecem no mundo .

Pensar na EJA. Daí.) e os responsabiliza a educar a emoção e estimular ( o desenvolvimento das funções mais importantes da inteligência. Professores Fascinantes responsabiliza o Sistema Educacional usado nos dias atuais como o grande responsável por se perder o prazer de estudar e por ter deixado a escola de ser uma (aventura saudável). Augusto Cury. capazes de sobreviver nessa sociedade. enriquecem seu conhecimento e aperfeiçoam suas qualificações técnicas e profissionais.. etc. A Educação de Adultos na visão da Declaração de Hamburgo. dores musculares..). ele gera freqüentes dores de cabeça. sendo que nada satisfaz prolongadamente. suor excessivo e fadiga de fundo emocional.) aprendizagens. indispensável para a conquista de uma cidadania plena.. Estudos têm nos revelado que essa disciplina tem contribuído para o fracasso escolar.expor e não impor as idéias.. na medida em que seu ensino. funciona. reclama-se da falta de tempo. do serviço árduo. Outro grande responsável é o estresse. compreender que a EJA representa um resgate da dívida social para com aqueles que não tiveram acesso ao código escrito como bem um social. e aqueles que fracassam são taxados de incompetentes e incapazes de aprendêla. ou seja. está descolado das questões do cotidiano dos alunos. ter espírito empreendedor. faz-se necessário analisar alguns fatores que esclarecerão motivos escondidos por detrás de todas as respostas já oferecidas até hoje para justificar a evasão escolar.. nesse mundo globalizado. da escola. tais como contemplar o belo. pensar antes de reagir. provocando um sentimento aversivo a seu respeito e o pensamento de que só alguns indivíduos têm condições de aprender Matemática. em seu livro Pais Brilhantes. gerenciar os pensamentos. apela também para a necessidade dos educadores serem (muito acima da média se quisermos formar seres humanos inteligentes e felizes. Essa concepção.FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Diante da atual realidade da EJA. pois a falta destas funções é que permite a capacidade intensa de reclamar. esta disciplina é uma ciência dos privilegiados. direcionando-as para a satisfação de suas necessidades e as da sua sociedade. como . também. dos filhos para cuidar. formal ou informal. de maneira geral. onde pessoas consideradas 'adultas' pela sociedade desenvolvem suas habilidades. é vista como um processo que engloba as (. gastrites.. no seu artigo 3º. além de contribuir com a evasão e a repetência. onde mais e mais alunos deixam de freqüentar as salas de aulas e outros se matriculam e nem sequer chegam à sala de aula. da dificuldade em aprender. que se dá ao longo de toda a vida e. que pode ser adquirida nos diversos setores que compõem a sociedade. é compreendê-la como um direito de todos.

para relatar enfim suas reflexões pessoais. a confiança em si mesmo explicitando o que sabem e quais as dúvidas que se apresentam. o que envolve reflexão. uma vez que o seu ensino não incorpora as experiências trazidas pelos alunos de suas vivências fora da escola. Outras vezes. para questionar ou para contestar. cada vez que se pede a um aluno para dizer o que fez e por que. encontraremos alunos desestimulados para aprender Matemática..) Cada nova pergunta exige uma volta ao que se sabe para enfrentar o desafio. afirma que: (. exercitando o ato de escutar um ao outro. os condenam a receber passivamente todo o conhecimento que lhes é transmitido. a conduzir uma problematização. procurando o melhor procedimento e os conhecimentos necessários à resolução das situações propostas. reflita sobre o que fez e elabore significados para as idéias e os procedimentos matemáticos envolvidos na situação que estiver sendo trabalhada. o professor ajuda a reformular. SMOLE et alii (2000. quando se refere a problematização. . Nesse debate relativo aos resultados e aos procedimentos. sem que sejam estimulados a um fazer ativo. uma vez que as estratégias de ensino centradas na exposição orais. o professor organize a confrontação das propostas dos alunos e estabeleça as condições em que cada um pode intervir para explicar a sua solução. sem pôr em evidência uma única solução. análise e conclusão.. compreendido como o processo que se começa a pensar naquilo que se pensou ou se fez. 26) destaca que: Particularmente em matemática. para verbalizar os procedimentos que adotou. Partindo dessa compreensão. estamos permitindo que modifique conhecimentos prévios. aprofunda reflexão e permite esclarecer outras relações entre o que se sabe e o que se está aprendendo. Este voltar exige uma combinação de saberes e uma forma mais elaborada de raciocínio. p. 17). a oportunidade de discussão oral das soluções encontradas. que exija saber pensar. p. quando problematizamos uma atividade já feita. Como conseqüência desse ensino. (2000. a repensar. Propicia ainda. resolução de problemas: Ao discutir as resoluções. podem escolher sua maneira própria de revolver os problemas. SMOLE et alii.um filtro social do sistema educacional. utilização da problematização como estratégia de ensino contribui com o aluno no desenvolvimento do seu processo metacognitivo. o fato de repensar sobre ela esclarece dúvidas que ficaram.

(. refere-se a utilização de atividades lúdicas.Outra estratégia de ensino na qual os alunos desenvolvem atitudes. os quais permitem a integração dos conteúdos matemáticos com outras áreas do conhecimento.... narrar. Os jogos de acordo com CHATEAU citado por KISHIMOTO (19994.. como também o estabelecimento da relação entre teoria e prática... (. segundo MARTINEZ & SANTOS (1998. p.) a idéia de projeto encontra-se no mundo do trabalho produtivo.. de forma integrada. permitindo a discussão e a construção de conhecimentos a partir de situações reais do cotidiano dos alunos. MACHADO (1997. contribuindo ainda para que os indivíduos saibam conviver num grupo social. pois estimula a descoberta e a reflexão sobre as ações realizadas. uma porta aberta que prepara não para uma profissão em especial. uma espécie de ‘vestíbulo do trabalho’. além de ser um meio para o aprendizado de regras. o planejamento elaborado. Neste caminho. na qual o professor procura transmitir de maneira coerente e precisa para os seus alunos. p. segundo os PCN (1998. O trabalho com projetos constitui-se um caminho importante para o estudo dos diversos conteúdos que compõem o currículo escolar. mas para a vida adulta. desenvolvimento da critica. p. 21): (. como estratégia de ensino. 46). esta é mais apropriada para explicar. oferecer uma visão geral e organizada de assuntos. onde tem uma presença cada vez mais forte como formatação para a realização . principalmente o jogo como recurso didático.. lançar-se à busca de soluções. O jogo é visto pelo seu potencial para o aprendizado moral. Outra estratégia de ensino que contribui para o desenvolvimento da pesquisa em sala de aula refere-se à proposta de trabalho com projetos de ensino. pois permitem que estes sejam apresentados de modo atrativo e favorecem a criatividade na elaboração de estratégias de resolução e busca de solução. No ensino da Matemática. 91): O professor discorre e os alunos prestam atenção. funções esta indispensável e intransferível.) considera que habilidades e conhecimentos adquiridos no jogo preparam para o desempenho do trabalho. 36) enfatiza que: (. p.. habilidades e conhecimentos. da intuição. tomam notas e fazem algumas perguntas.) os jogos podem contribuir para um trabalho de formação de atitudes – enfrentar desafios. O jogo é. para o autor. Sobre a exposição oral.) a aula deve ser aproveitada pelo professor para transmitir (para todos) sua versão ou interpretações dos tópicos do programa. da criação de estratégias e de possibilidade de alterálas quando o resultado não é satisfatório – necessárias para aprendizagem da Matemática..)s constituem uma forma interessante de propor problemas. Esta estratégia estimula as ações individuais e ao mesmo tempo articula um trabalho coletivo que conduza a construção de um sentido maior para algo que está sendo pesquisado. os jogos quando utilizados em sala de aula: (.

segundo FIORENTINI (1995... No universo do ensino. depois eu mando eles fazerem os exercícios do livro. segundo MACHADO (1997. Alguns recortes das falas dos professores pesquisados.. (Entrevista P1) (. parece que eles aprendem mais com a pesquisa..) de um modo geral continua sendo acentuadamente autoritário e centrado no professor que expõe/demonstra rigorosamente tudo no quadronegro.) Eu explico. além de. que não sofre influência das mudanças ocorridas na sociedade. à re-instalação do hábito. sobretudo. sem considerar as diferenças entre os sujeitos que aprendem.) Eu percebo que depois das explicações eles aprendem mais.das tarefas. Nos recortes das falas dos professores entrevistados. e que portanto. passivamente. p... (Entrevista P1) .. de avaliar o desempenho em função das metas do projeto que se realiza. os conteúdos que lhes são transmitidos e reproduzi-los igualmente como lhes foram repassados. O aluno....) bem interessante. porque na hora que estou fazendo o exercício eu mostro a ele todinho. continua sendo considerado passivo.. porque eles têm a preocupação de pesquisar. (Entrevista P3) Estes depoimentos apontam para a compreensão de que os professores da EJA concebem o conhecimento matemático como algo pronto e acabado. É prestar bastante atenção primeiro. (. propiciar a participação e à cooperação de todos na tarefa de persegui-las. nas atividades de sala de aula. para todos. a valorização do trabalho em grupo e.) Eu tiro as dúvidas deles e parto para fazer os exercícios. cada um explica. escrevem no caderno. associadas à realização de pesquisas. depois eu passo para eles resolverem no caderno.. acreditam num ensino centrado no seu discurso onde cabe ao aluno receber. igualmente. organizar para apresentar. tanto nos cursos de graduação quanto na escola básica. deve ser transmitido. 36). (.. (.14): (.) eles fizeram pesquisa na biblioteca.) Então eles têm que prestar bastante atenção para não ocorrer erros e não se prejudicarem. salvo algumas poucas experiências alternativas. A partir dessas concepções. evidenciam o ensaio de um novo fazer pedagógico na qual o aluno busca o conhecimento a partir de um trabalho de pesquisa: (. O significado do trabalho com projeto. depois eu explico.. Esta proposta de ensino e aprendizagem. é favorecer a compreensão dos objetivos que se quer atingir com o estudo de determinado tema. depois eles copiam. sua presença é pouco notada ou inexistente. deparou-se com trechos que retratam suas idéias sobre o ensino e aprendizagem da Matemática: Eu copio o assunto no quadro. e no universo acadêmico. p. (Entrevista P2) (. depois da pesquisa. tendo de reproduzir a linguagem e os raciocínios lógico-estruturais ditados pelo professor. tantas vezes esquecido.

não percebendo. você prefere fazer pela calculadora que é mais rápido do que você fazer pela cabeça. quando se refere ao uso da calculadora em sala de aula. o saber trabalhar em equipe. a desenvoltura na apresentação do trabalho. percebe-se que para o professor o que interessa é o trabalho final. ou seja. FIORENTINI (1995. se apresentam sistematizados nos livros didáticos.) Por enquanto eles não usam a calculadora.) acho interessante a desenvoltura deles. com possibilidade de uso em qualquer situação.) faço trabalho com eles de pesquisa. Percebemos nesta pesquisa é que os professores que atuam na EJA. (.. p. e na formação do cidadão. É importante esclarecer que outro professor pesquisado pensa diferente quanto ao uso da calculadora em sala de aula. o saber organizar as idéias principais. nestas falas. Esta visão está posta na fala de um dos professores pesquisados. resolver todos os problemas e passar exercícios parecidos com o modelo apresentado. ou talvez por desconhecimento de como utilizá-los bem. não sabendo explorá-los de forma criativa aproveitando ao máximo o potencial educativo que esses materiais apresentam. a calculadora deixa a pessoa totalmente dependente. em sala de aula. esse professor não enxerga que a calculadora está presente no dia-a-dia de todas as pessoas. acreditando que o aluno não vai aprender... ainda carregam na bagagem a idéia de que o aluno só aprende Matemática se o professor explicar tudo. o computador. então bastaria ao professor ‘passar’ ou ‘dar’aos alunos os conteúdos prontos e acabados.. (Entrevista P3) No entanto. Quer queira quer não. E por que a escola deve ficar de fora da utilização desse recurso didático? Será que a calculadora não ajuda ao aluno pensar? Quem digita os números na calculadora não pensa? Como saber que aquele resultado que aparece no visor da calculadora não está correto? O que se observa é que o professor apresenta limitações ou até mesmo desconhecimento de como utilizar os recursos tecnológicos no processo de ensino e aprendizagem. visto que este a considera um elemento importante nas atividades profissionais dos alunos da EJA: . estou estimulando eles a trabalhar com o raciocínio. porém. (Entrevista P3) Pensando assim. pois se o conhecimento preexistem e não são construídos ou inventados/produzidos pelo homem. 7) ressalta que estas idéias: São compatíveis com a concepção platônica.(. neste sentido reage à utilização de novos recursos didáticos para desenvolver os conteúdos matemáticos. que vai se refletir na construção do trabalho proposto. pois por mais que você saiba aquela conta. o qual enfatiza que este recurso não contribui para que o aluno pense: (. a calculadora. que esta estratégia de ensino possibilita a participação ativa do aluno na busca do conhecimento. os jogos. estando com a calculadora por perto. como o vídeo.. que já foram descobertos.. O professor.

cálculos de áreas e perímetros de qualquer ambiente profissional e pessoal e. propicia condições para que o aluno da EJA possa competir em igualdade com outros sujeitos. foram colocados: Jogos (02). Então. em sua maioria. Exercícios do Livro Didático (02). compasso. ainda não é tão utilizada. como recursos didáticos. e outra coisa eles já utilizam no seu trabalho. contribui para agilizar a aprendizagem dos conteúdos matemáticos. tendo em vista o perfil do novo profissional exigido pelo setor produtivo. que através de um programa de vídeo. Calculadora (01). transferidor. Fita de Vídeo (01). com o computador e com outros meios tecnológicos. pelo professor. nas aulas de Matemática. que os professores pesquisados fazem uso de: Aula Expositiva (03 professores). e o papel da revisão na matemática. na medida em que favorece a busca e a percepção de regularidades. construir conceitos. tv. Eles são vistos apenas. TV (01). O ensino de Matemática é visto pelos professores. No mapeamento das estratégias de ensino utilizadas pelos professores pesquisados. nas aulas de Matemática. Eles estão usando muito a calculadora na sala de aula. visto que para alguns professores. (Entrevista P2) Trabalhar com a calculadora. esquecendo-se que se o aluno tiver dificuldade na leitura terá também. como também. pôde-se identificar. Esta afirmação está referendada nas falas dos professores: . que o trabalho com régua. como instrumentos que facilitam a sua ação educativa. contribuir para que o aluno saiba conviver com os diferentes. apenas para que o aluno saiba resolver contas. que requer o saber utilizar os diversos recursos tecnológicos. encartes de propagandas entre outros. A calculadora. e eles precisam muito da calculadora no seu trabalho. como estratégia de ensino nas aulas de Matemática. compasso e réguas (01). A partir desses dados pôde-se verificar que a leitura. na interpretação. aprenda a conviver com regras e a socializar seus conhecimentos. réguas. porém. Trabalho Individual (03). então eu deixo usar. Pesquisa (03). pois o livro também nos orienta. Exercícios Mimeografados (01). Leitura (01). na leitura de mapas. o que se percebe é que o professor não tem conhecimento do porquê usar esses recursos o que eles podem propiciar ao aluno trabalhador. porque eles já sabem as quatro operações no caderno. No entanto. de televisão. Trabalho em Grupo (02). Resolução de Problemas (02). a leitura só pode ser abordada na disciplina de Língua Portuguesa. transferidor. gráficos e diagramas.e. pode-se desencadear uma discussão crítica sobre o tema que se está abordando. compasso e transferidor contribui para que o aluno possa efetuar medições. quando estávamos trabalhando regra de três eu deixava eles fazerem aquelas contas bem grande que apareciam. vídeo. utilizo a calculadora como estratégia de ensino. por exemplo. o desenvolvimento de estratégias para resolução de situações-problema (pois temporariamente permite pensar apenas nas operações sem preocupar-se com os cálculos). foram colocados nas entrevistas tais como: jogos. na compreensão dos conceitos e definições. Livros Didáticos do Telecurso (02). Outros recursos didáticos utilizados pelos professores. Chamada Oral ao Quadro (03). além de contribuir para formação do aluno trabalhador. não compreendendo.Eles aprenderam a utilizar a calculadora que eles não sabiam utilizar a memória da calculadora e tinha que começar tudo de novo. que o jogo serve tanto para fixar conteúdos. nas entrevistas. segundo os PCN (1998).

. tem que ter a questão direta e não ficar enrolando. no ensino da Matemática. sabe? E eles gostam mais de saber por exemplo. colocando que: (. P1) (. como afirma (SOLÉ... e sim. A esse respeito um dos professores pesquisado esclareceu a utilização da leitura em sua sala de aula.. eu diminuo quanto? Tenho quantos porcento disso aqui? Eu faço como eles. é preciso que o professor ao planejar as atividades com leitura. não as vejam descoladas dos interesses dos alunos. coloca que: Para que uma pessoa possa se envolver em uma atividade de leitura. ler. por que um aparelho num lugar custa um preço e em outro custa diferente.. e na Matemática também porque eles têm que ler as produções. tanto de forma autônoma como contando com a ajuda de outros mais experientes que atuam como suporte e recurso. as atividades de leitura não podem se restringir apenas às aulas de Português.. Voltando a SOLÉ (1998.) o livro de Matemática do SESI tem muito que ler. eles querem saber qual é a operação. a leitura não pode ser um elemento esquecido no planejamento dos professores de EJA.. é necessário que sinta que é capaz de ler. e que tenha em mente o objetivo concreto que se quer atingir com essas atividades. é essencial que o professor pesquise textos. o abandono.) pode se transformar em um sério ônus e provocar o desânimo. 1998. a desmotivação Com essa compreensão. 32). Desse modo. as horas trabalhadas. P3) Esta concepção sobre a leitura nas aulas de Matemática ainda é muito evidenciada. livros ou outros recursos didáticos que permitam ao aluno ler e informar-se dos temas discutidos na atualidade. deve ser considerada uma estratégia de ensino essencial na formação do aluno trabalhador. p. Para tanto. por que eles não vão utilizar alguma teoria sobre os escritos que vem de lá.) Eu fiz um breve resumo da leitura que tinha no livro. e ela provoca uma desvantagem profunda nas pessoas que não conseguiram realizar essa aprendizagem.. só que eles dão mais atenção as questões dos cálculos mesmo em si.) Uso a leitura muito pouco. (Entrevista. que a leitura aproxima as pessoas das situações do cotidiano profissional e pessoal e que portanto. os símbolos. e as máquinas que eles operam. a aquisição da leitura é imprescindível para agir com autonomia nas sociedades letradas.. p. através das idéias da professora . tudo.. o que poderia ser um desafio interessante (. visto que os professores não compreendem a necessidade da leitura em todas as atividades de ensino e na vida cotidiana. (Entrevista. Dessa forma. concebendo que a leitura serve como fonte de informação para essa clientela que não tem muito acesso a textos informativos. as instruções que o supervisor coloca para eles interpretarem. os manuais que eles têm que ler e interpretar as siglas. 42) quando referenda a importância do planejamento das atividades de leitura. de compreender o texto que tem em mãos. já que estamos a todo o momento precisando ler e interpretar as situações-problema .) a leitura de um modo geral. (Entrevista. quando há necessidade eu copio a leitura no quadro.(. De outro modo. P2) Ficou evidenciado. (. serve para interpretar a vida. à meta a ser atingida por hora. em todo momento do espaço escolar.

descontos e outros conteúdos matemáticos. (Entrevista. isto é. deve ser considerada como desafios para poder pensar por si mesmo. está referenda em SMOLE (2000). ensinar a partir de situações desafiadoras em que o aluno necessite buscar a solução adequada. conversar com eles para que vão para o quadro para resolver a questão. que eles fazem a diferença entre dois ou três supermercados. adquirirem. como ficou evidenciado nas falas dos professores: (. visto que os professores de EJA (entrevistados). a resolução de problemas pode ser vista como uma metodologia na qual os alunos. percentuais. todo assunto são resolvidos através de resolução de problemas.) a gente utiliza muito panfletos de supermercados. ou seja. P1) (. a partir de seus conhecimentos prévios..) esse livro ressalta muito a resolução de problema. Outro destaque que se deve dar sobre o mapeamento das estratégias de ensino. pela possibilidade de questionar e levantar hipóteses. uma vez que tanto no ambiente de trabalho. a confiança em si mesmo. p.. da discussão com o outro.. visto que os alunos podem escolher sua maneira própria de revolver os problemas. (2000. do questionamento do professor. P3) .) eles tem um medo maior do mundo de ir no quadro. segundo SMOLE et alii.) são envolvidos em “fazer matemática”. referese à Resolução de Problemas. que exigem apenas a aplicação direta dos algoritmos das operações ensinadas. como ficou evidenciado nas falas a seguir: (. explicitando o que sabem e quais as dúvidas que se apresentam. Eu sempre procuro conscientizar. (Entrevista. (Entrevista. portanto. não compreendem o que significa trabalhar com resolução de problemas. Todos os professores entrevistados compreendem que trabalhar com resolução de problemas é ensinar os alunos a resolver os problemas padrões dos livros didáticos. Uma outra estratégia de ensino mapeadas nas entrevistas trata-se da chamada dos alunos ao quadro onde o professor pode verificar se os alunos aprenderam o conteúdo repassado por ele. inflação. No ensino da matemática. o que contribui na formação do aluno trabalhador. juros. eles se tornam capazes de formular e resolver por si questões matemáticas e.relacionadas a dados estatísticos. exercitando o ato de escutar um ao outro. após o ensino das operações.. gráficos.. estamos sempre nos deparando com situações-problema que necessitam uma tomada de decisão imediata. a oportunidade de discussão oral das soluções encontradas.. relacionam e aplicam conceitos matemáticos.. 19). porque é mais fácil. por exemplo os números negativos. como no convívio em sociedade. e não como um ponto de partida que pode conduzir o aluno a um cálculo e que. pelo menos estão expondo suas dificuldades e eu vou poder identificar onde é que é preciso ajudar para que não aconteça mais. P2) Esta idéia que os professores têm a respeito de trabalhar com resolução de problemas. Propicia ainda. porque caso eles não entenderem. (. e não como aplicação direta de um algoritmo. quando afirma que a maioria dos professores compreende que resolver problemas implica em aplicar as técnicas operatórias das operações fundamentais. Este caminho para o ensino de Matemática contribui também para o desenvolvimento de atitudes. procurando o melhor procedimento e os conhecimentos necessários à resolução das situações propostas..

. eu trabalho mais em dupla. Olgamir Francisco de..) Uso muito em grupo. ficou evidenciado nas entrevistas que 02 professores o utilizam como estratégia de ensino nas aulas de Matemática. o próprio professor ao chamar os alunos ao quadro direcionava tudo o que ele o aluno deveria fazer. 1998. O trabalho em grupo possibilita a ampliação do conhecimento. tenha iniciativa de buscar soluções para os problemas surgidos no dia-a-dia e na escola. ou desafiando-o com outras questões.. e hoje por mais que a gente queira. o aprendizado de saber trabalhar em equipe.. 148p. Valéria Kneipp. 204p. Como a turma é pequena. saber conviver com os diferentes. o trabalho em grupo. É essencial que o professor elabore atividades em que os alunos possam estabelecer a troca de conhecimento entre eles. observamos que. aprenda a trabalhar em equipe. No entanto.É intenção do professor que o aluno possa avançar na sua compreensão do assunto estudado. ( 5ª a 8ª séries). (. a socialização do saber. Brasília: SESI-DN. para que haja modificações nos esquemas de conhecimento que ele já tinha e que possa utilizar esses conhecimentos em situações similares. (Entrevista. P2) (. bem como contribuem para compreensão e interpretação de textos específicos da profissão e outros presentes no seu cotidiano. CARVALHO.. sem questionar a sua resposta. Brasília: MEC/SEF. o que contribuiria para construção do seu conhecimento. 2000. diante desta análise podemos identificar que o trabalho com pesquisa. com projetos. porque o que noto muito é que eles gostam muito de trabalhar na individualidade. Daí. não deixando que o mesmo refletisse sobre o que havia feito. BIBLIOGRAFIA BRASIL. P3) Se todos os professores compreendessem a importância do trabalho em grupo na construção do novo perfil do trabalho neste mundo competitivo. (Entrevista. contribuir para conviver no ambiente de trabalho e de vida pessoal. (Módulo II – Formação de Jovens e Adultos e a Qualificação para o Trabalho).) Eu dou muito trabalho em grupo. SENA. . Secretaria de Educação Fundamental. PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS: Matemática.) Eu procuro sempre unir meus alunos para fazer trabalhos em grupo para despertar o interesse em compartilhar com o outro um determinado assunto. conseqüentemente. se ele não entendeu o outro ajuda. No tocante ao trabalho em grupo. respeitar as idéias dos outros e socializar também a sua opinião. comprovado nas falas: (. visto que estas metodologias fazem com que o aluno desenvolva sua autonomia.. não consegue. tomariam-no como metodologia essencial no planejamento das suas ações docentes. FUNDAMENTOS DE EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS: Módulo Integrado I. momentos de socialização em que se aprende a discutir e decidir a melhor solução para os problemas propostos e. a resolução de problemas e a leitura são estratégias essenciais na construção do novo perfil do trabalhador.

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METODOLOGIA .

INSTRUMENTO DE COLETA DE DADOS .

CRONOGRAMA .

REFERÊNCIAS .

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