1 INTRODUÇÃO Inicialmente, a afirmação e positivação dos direitos humanos nas primeiras constituições e tratados internacionais como a Declaração dos

Direitos do Homem de 1948, compreendem um importante passo da humanidade visando criar mecanismos de respeito e reconhecimento à dignidade da pessoa humana, a liberdade, a justiça e paz no mundo. Infelizmente, tais declarações e princípios e garantias constitucionais estão sendo transgredidos a cada momento, devido a vários fatores (capitalismo, globalização, neoliberalismo, entre outros fatores), justificados pela realidade social. Nesse sentido, será também enfatizado neste ensaio, a necessidade da busca de uma nova perspectiva para os direitos humanos, levando em consideração buscar maneiras para a concretização desses direitos, a eficácia das normas e tratados internacionais e nacionais para a realização da dignidade da pessoa humana e a justiça social. 2 DIREITOS HUMANOS: controvérsias entre o “papel” e a “realidade” Primeiramente, os direitos humanos compreendem garantias

individuais imprescindíveis. Um dos princípios fundamentais dos direitos humanos constitui o princípio da dignidade da pessoa humana, que traz a idéia da dignidade como qualidade intrínseca da pessoa humana, do qual o ser humano em virtude de sua condição humana, é titular de direitos de devem ser respeitados e reconhecidos[1]. Quanto ao conceito de direitos humanos, assevera Morais (2002, p. 523): [...] como conjunto de valores históricos básicos e fundamentais, que dizem respeito à vida digna jurídica, política, psíquica, física e afetiva dos seres e como condição fundante da vida, impondo aos agentes

político-jurídico-sociais a tarefa de agirem no sentido de permitir que a todos seja consignada a possibilidade de usufruí-los em benefício próprio e comum, ao mesmo tempo. Assim como os direitos humanos se dirigem a todos, o compromisso com a sua concretização caracteriza tarefa de todos, em um comprometimento comum com a dignidade de todos. Já a definição de Direitos Humanos para Almeida (1996, p. 24, grifo nosso), caracteriza-os como normas ou restrições direcionadas ao poder político, expressas em declarações que são ―[...] destinados a fazer respeitar a e concretizar ser humano as condições e de vida que suas possibilitem todo manter desenvolver

qualidades peculiares de inteligência, dignidade e consciência [...]‖. Eis que nesta conceituação tem-se a afirmação fazer respeitar e concretizar esses direitos, ou seja, o fundamento maior dessas normas, consistem em protegerem os valores e necessidades mais imprescindíveis e inalienáveis do ser humano, devendo ser respeitados e concretizados. Desta forma, em face a questão dos direitos humanos, de forma imperiosa, ressalta Bobbio (1992, p. 25) que Não se trata de saber quais e quantos são esses direitos, qual é a sua natureza e seu fundamento, se são direitos naturais ou históricos, absolutos ou relativos, mas sim qual é o modo mais seguro para garanti-los, para impedir que, apesar das solenes declarações, eles sejam continuamente violados. Nesta perspectiva, é imprescindível protegê-los e impedi-los de serem violados. Assim, não se pode olvidar da contribuição negativa do atual modo de produção, o capitalismo, que apenas beneficia o capital e quem o detém, além de trazer drásticas conseqüências para grande parte da população, que não podendo usufruí-lo, sofre com seus drásticos efeitos. O capitalismo,

Assim. ganha sempre a lógica do capital. o circuito reprodutivo do capital. a problemática dos direitos humanos. O cidadão que não possui poder de compra. que joga fora tudo que serviu como ―embalagem‖ para as mercadorias e o seu sistema. Nunca na História se falou tanto como hoje em Direitos Humanos. 800 milhões de seres humanos sofrem de subalimentação crônica e vivem em extrema pobreza. p. que não consome. destroçam-se os direitos sociais. do império do mercado. devido aos números alarmantes de famintos. de uma aguda destrutividade. . mantendo-se. o egoísmo. possui uma direta relação com o capitalismo e a globalização. p. mas estamos longe do efetivo respeito a eles. 07). 38). onde reina a competitividade. sexo ou cultura. torna-se predatória a relação produção/natureza. não possui seus direitos mínimos assegurados e/ou garantidos.Trata-se. portanto. especulativo e excludente. do consumismo. de excluídos por sua cor. do lucro. 30 milhões de pessoas morrem de fome no mundo. 2001. o consumismo. (GENEVOIS. No mundo globalizado. que no fundo é a expressão mais profunda da crise estrutural que assola a (des)sociabilização contemporânea: destrói-se força humana que trabalha. No mundo onde os interesses são distintos e antagônicos (direitos humanos x capitalismo). a pessoa humana não tem importância para os interesses supranacionais. vez que este modelo de produção possui um caráter extremamente individualista. como sujeitos de direitos. os direitos humanos constituem-se em tema de bastante relevância no atual momento. de desempregados e de escravos. A cada ano. (ANTUNES. São milhões de pessoas que não são reconhecidas como seres humanos. de sem teto e sem terras. entretanto. Desse modo. brutalizam-se enormes contigentes de homens e mulheres que vivem do trabalho. 2006. criando-se uma monumental ‖sociedade descartável‖. que não teve ―oportunidade‖ de ser escravo explorado deste modelo de produção.

Desta forma. De um lado. como os alimentos. será que existindo uma realidade perversa e desumana salientadas e afirmadas nas palavras da autora. mostram-se antagônicos em relação à realidade social.. com absoluto desprezo pelas necessidades alheias. 3 A REALIDADE SOCIAL: desilusão e perversidade Os direitos humanos. 63): [. protegidos e garantidos na Declaração Universal dos Direitos do Homem de 1948 e na Constituição do Brasil de 1988.] que alguns vivam ostentando riqueza. estruturada pela extrema perversidade e banalização aos direitos imprescindíveis ao ser humano. sofrendo com a crueldade da indiferença do sofrimento humano e com as péssimas condições de vida. uma verdadeira massa cada vez mais pobre. Como percebe-se quanto a temática da afirmação dos direitos humanos tem-se uma grande preocupação em como fazer que esses direitos essenciais ao ser humano sejam respeitados frente à atual conjuntura capitalista e neoliberal. Nessa perspectiva aduz Dallari (2004. enquanto que a grande maioria.. sem olhar a realidade (pobreza e miséria) e as transformações do mundo atual. Por outro lado. uma minoria de ricos cada vez mais ricos. como pode haver direitos humanos respeitados? Na perspectiva do mercado. não deve ser menosprezado o desleixo e banalização por parte da sociedade e das instituições jurídicas que acomodam-se e ignoram o problema. desperdiçando bens valiosos para a humanidade. Afinal. gastando muito dinheiro com coisas supérfluas. existem ―valores e desejos‖ que possuem peso maior em face à realização da justiça social. considera-se uma verdadeira falácia e hipocrisia tratar da questão dos direitos sem mencionar uma crítica a sua afirmação e efetividade. visando apenas à satisfação de sua vaidade ou . da competitividade da ganância e do egoísmo humano. ou seja. p.

O número de analfabetos chega ao bilhão.. p. II . se não se justifica pelos fatos reais e efetivos do poder.] na possibilidade de aplicação da norma aos casos concretos. ‖De nada servirá o que se escrever numa folha de papel. Quanto a alguns dados da realidade perversa no mundo e a constante violação dos direitos humanos. de frio ou de doenças conseqüentes da falta de um mínimo de bem-estar material.garantir o desenvolvimento nacional. justa e solidária.construir uma sociedade livre. 575) que cerca de Dois bilhões de pessoas estão desempregados ou subempregados. 3º as seguintes ordenações: Art. ou seja. exército desabrigados praticamente em todos os países. 2001.500. é necessário eficácia! E a eficácia jurídica consiste ―[. p. p.‖ (LASSALLE. afirma Müller (2002. quase quatro bilhões de pessoas vivem em países com uma renda anual per capita inferior a U$$ 1. o papel prega e ordena uma norma ou princípio que é contrariado pela realidade. Enquanto isso.de seus caprichos. III erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais. 37). Para expressar isso na média nacional. 222). mais limite de de um um bilhão vive o na pobreza. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: I . IV - .. Ou seja. como conseqüente geração dos efeitos jurídicos que lhe são inerentes. dos mais de 800 milhões aumenta experimentam a fome aguda. 2003. A desilusão maior encontra-se quando os dispositivos constitucionais nacionais ou internacionais não se mostram concretizados e eficazes frente à esta realidade.‖ (SARLET. outros lutam desesperadamente para conseguir o mínimo indispensável para não morrer de fome. A Constituição Brasileira de 1988 traz expressa em seu art.

(FERREIRA FILHO.promover o bem de todos. como os direitos de participação política. serve somente aos superintegrados. Ela não impõe mais o código direito/não-direito ao metacódigo inclusão/exclusão. O cúmulo do cinismo objetivo consiste então no fato de que ―se identifica constantemente com subversão‖ a vontade de subintegrados. p. idade e quaisquer outras formas de discriminação. o direito aos imperativos da economia. contestado as prescrições constitucionais. É este é posto como o responsável pelo atendimento aos direitos sociais‖. 50). sabendo que constitui como tarefa do Estado a proteção aos direitos sociais e outros direitos. Assim. o Estado está sujeito à economia. ―O sujeito passivo desses direitos é o Estado. sabese muito bem. As normas (constitucionais) lhes aparecem quase que só ―nos seus efeitos limitadores da liberdade‖. também deve haver uma conscientização da sociedade que não deve eximir-se de sua responsabilidade. que tais princípios constituem uma verdadeira falácia. mas o acesso à proteção jurídica e às vias legais existe para eles. raça. (sub)cidadãos. 574). Conforme os dispositivos constitucionais é dever do país. (sub)pessoas. seu fundamento maior ―realizam-se‖ apenas no papel. Entretanto. sem preconceitos de origem. de pretender os direitos de cidadania que lhes cabem segundo a lei e a Constituição. pois apesar de estarem elencados na lei maior do país. excluídas. A Constituição não integra mais eficazmente a economia e a sociedade. praticamente só no papel. . organizado em seus três poderes. 2000. sexo. p. (MÜLLER. visando o bem comum. 2002. cor. buscar efetivar os princípios fundamentais. justificadas pelas dimensões cada vez maiores das mazelas sociais no país. a política e o direito. A responsabilidade pela concretização de tais direitos é tarefa do Estado. assim.

A Constituição Federal de 1988." (BRASIL. a proteção à maternidade e à infância. a moradia. parcela expressiva das regras e princípios nela previstos continuam ineficazes (STRECK. Com efeito. uma vez que nem sequer esta é cumprida. 05. caracterizando a paisagem cruel e desumana do Brasil. em seu artigo sexto que se refere aos direitos sociais expressa que. bastando. Às crianças abandonadas na rua. a saúde. de negros desvalorizados e humilhados. no que concerne. em face ao grande número de desempregados. p. desenvolve atividades sem qualificação. de moradores sem moradia. a criança trabalha desde cedo. Esta negação de direitos e garantias faz com que uma grande parte da população. infelizmente. sucede uma geração de crianças de rua. a assistência aos desamparados.. tais ordenações jurídicas perdem o seu valor. o lazer. permaneçam à margem do desenvolvimento e dos benefícios da sociedade. vivem na indigência e são vítimas da violência policial. ver a inefetividade dos dispositivos da Constituição. a segurança. 2004. não desfruta de saneamento básico e. No entanto. como justifica-se na afirmação abaixo: [. de décadas atrás. os excluídos. passados doze anos desde a promulgação da Constituição. também é cruel. a realidade jurídica. não tem instrução nem acesso a eventos culturais. nem de um teto. na forma desta Constituição.] há até mesmo uma crise de legalidade.. grifo do autor). geradas sem família e sem moradia. Segundo Costa (1997). às vezes. Alimentamse irregular e precariamente. . a todo sistema jurídico constitucional e as normas de tratados e declarações internacionais. ―São direitos sociais a educação. uma vez que sofre com graves problemas de violações e ineficácia.Apesar da realidade social ser perversa e desoladora. o trabalho. 2004). para tanto. a previdência social.

irreversivelmente.. Nesse sentido. assevera Leal (2000.Em virtude das afirmações acima. p.] embora a Constituição Brasileira de 1988 assevere que os Direitos Humanos são objeto de proteção nacional. tragicamente. 39): A violência institucionalizada é o conjunto de condições sociais que esmagam parcela ponderável da população. por diversas razões e. as crianças que passam fome e cujo cérebro é. sem questionamentos sobre suas reais causas. pré-configurado. Não se pode escamotear que estão sendo violentados todos aqueles seres humanos privados das condições mínimas de existência: os adultos que passam fome. à privacidade de uma habitação. os que não têm direito ao abrigo. Torna-se de grande valia também mencionar que a negação de direitos. principalmente. 27) que [. os que não tem direito a qualquer descanso ou lazer porque a uma longa jornada de trabalho vem se somar com uma longa jornada perdida no transporte . a falta de espírito crítico em relação a esta temática e. toda a condição desumana em que vivem vários seres humanos que estão à margem desses direitos e do mundo globalizado e capitalista (violência estrutural)[2]. Sobre o conceito de violência institucionalizada de acordo com Herkenhoff (2001. como algo natural. Por outro lado. deteriorado pela desnutrição. salienta-se que os operadores e as instituições jurídicas precisam urgentemente ―saber‖ da inoperância das normas constitucionais e internacionais e refletirem sobre o preço e/ou as conseqüências da violação desses direitos. porque inexiste no universo reflexivo dos operadores do direito uma hermenêutica que leve em conta os seus significados multifacetados e sua importância social. a perversidade desta situação concretiza-se por estar apresentar de forma sutil. operadores jurídicos e das instituições oficiais (especialmente da tutela do Estado).. p. impossibilitando que os integrantes dessa parcela tenham uma vida humana. entretanto.

p. E os direitos dos desempregados-excluídos sociais voltarão? E o Estado que se pretende ―moderno e modesto‖ prestará algum dia. nesta perversa colocação de uma globalização de ganhos e de um liberalismo tão velho e desumano. 2004. nem se pensar estas massas desaparecerem com o amanhecer como as próprias sombras que os contêm? (ROCHA. constata-se a atual realidade de uma era marcada pela banalização e crueldade em face ao sofrimento .urbano. Com bases nas palavras da autora. do seu chão. os que não têm direito à solidariedade. p. condenados ao isolamento por força de uma organização social que pulveriza os contatos no nível de pessoa e de grupo. até por que rebaixados ao desnível dos que não são úteis e lucrativos? E se as sombras que escondem os vãos das pontes e os guetos das favelas não se mostram. Assim. 07). também apresenta a banalização. verdadeiramente. da qual traz privilégios para poucos com prejuízo para muitos. e se de tanto não se ver. (Herkenhoff. 2001. em detrimento de muitos‖. atenção àqueles que vivem nas sombras dos viadutos como nas sombras dos direitos? A quem interessa. o retorno das sociedades dessas hordas humanas para as quais os direitos humanos deixaram de valer. da referência física que lhes proporcionava segurança. 39-40). que privilegia poucos. É imperioso também enfatizar que a situação de violência institucionalizada. a irrelevância da condição dos excluídos e o desinteresse da sociedade em mudar esta realidade. conjunto ―A de carências que somam e agravam o quadro de impossibilidades e violência institucionalizada decorre de uma estrutura mantida à força. os que foram expulsos de sua terra. a violência institucionalizada constitui um frustrações numa sociedade de consumo.

embora pareça que essas experiências não conseguem mudar o homem. mas para toda a coletividade. p. é preciso não esquecer as necessárias limitações de uma experiência que exige o controle global para mostrar resultados conclusivos. (perdas. criando uma sociedade na qual a banalidade niilística do homo homini lupus é consistentemente realizada.humano. revolta. a visão e vontade de construir um mundo melhor. do que nunca tiveram). p. No que tange à universalidade dos direitos humanos. 2003. e. a massificação do jogo ―salve-se quem puder‖. são as ―perdas‖ de direitos. Torna-se mister. As conseqüências de tudo isto. das condições mínimas para a concretização da dignidade da pessoa humana. Cabe ao Estado brasileiro conferir séria e rigorosa observância aos instrumentos internacionais de direitos humanos. que vinculam juridicamente o Estado brasileiro. 217) define que . (PIOVESAN. (ARENDT. ocasionadas pela ordem neoliberal e pelas normas ―hiper ou ultra constitucionais do mercado‖ que estão acima de qualquer direito humano. p. salientar que o Estado brasileiro que possui a obrigação de garantir os direitos essenciais ao ser humano e estender a cidadania. 1997. mas apenas destruí-lo. decorrentes dos tratados de direitos humanos ratificados pelo Brasil. 352). Sobre a cidadania Corrêa (2002. a falta de indignação. como também no desafio de conferir cumprimento às obrigações internacionais assumidas relativamente aos direitos humanos. o desapreço a crítica. a responsabilidade do Estado concentra-se no desafio da extensão universal da cidadania. O que está em jogo é a natureza humana em si. não só para si. 510). a ineficácia das normas e infelizmente.

Em uma esfera onde o número de marginalizados e sujeitos que estão à margem das garantias do direito é cada vez maior e mais complexa. os defensores dos direitos humanos não devem ficar calados ou sem ação. Como assevera o autor. tendo como valor-fonte a plenitude da vida.] os excluídos. (CORRÊA.. uma parcela da responsabilidade também cabe a sociedade. . como agente componente do Estado. [.] significa a realização democrática de uma sociedade.. os oprimidos e discriminados de qualquer espécie são sujeitos políticos fundamentais de cuja conscientização e organização articulada dependerá a reconstrução do espaço públicoestatal fora da lógica do lucro e da mais-valia. 232). Isso exige organização e articulação política da população voltada para a superação da exclusão existente. Em contraponto.. 2002. Além disso.[. No atual momento de crise de modelos globais de sociedade é preciso fazer com que o novo ―horizonte de sentido‖ no campo simbólico possa vir acompanhado de um igualmente novo projeto político capaz de provocar a superação dialética das contradições vigentes. É pertinente a denúncia contra as constantes práticas de violências realizadas contra os seres humanos. p. Eis o grande desafio para os que ainda acreditam ser possível a construção de uma cidadania capaz de oportunizar a todos o acesso ao espaço público.. para a construção de uma verdadeira cidadania[3] é primacial a busca de novos viesses que superem esta ideologia dominante e excludente. torna-se necessária uma nova visão e uma organização que rompa com as estruturas dominantes e causadoras da exclusão. compartilhada por todos os indivíduos ao ponto de garantir a todos o acesso ao espaço público e condições de sobrevivência digna.

ensinar. 100). p. a classe social. 04): Um ser humano – da criança de rua a Bill Gates com seus U$$ 83 bilhões – é um milagre da vida.‖ (Milmann.. a nação ou a época em que nasceu.] é que no mundo de hoje é praticamente impossível esconder a prática de violência grave contra grupos humanos e manter em silêncio os defensores dos direitos humanos. também torna-se fundamental despertar a consciência da coletividade para que ninguém fique indiferente a afirmação dos direitos humanos e as violências contra a pessoa humana. Constatála deveria incutir em nós. Complementando. p. não nos dar conta desse acaso que consistiu um mundo tão desigual. p. ―É preciso falar. (DALLARI.. Parecemos. salienta Betto (2000.[. para a construção de uma sociedade mais justa e humana. 2004. ―A defesa dos direitos humanos deve discernir a compreensão do sentimento das vítimas. contudo. Esse é um novo ponto de partida. de consciência. de severidade aos que agridem esses direitos. é pertinente valorizar o ser humano. (DALLARI. Desta forma. Somos todos filhos da loteria biológica. em face as muitas práticas de agressões a pessoa humana. p. 100). sua indignação e suas demandas legítimas de reparação. Nenhum de nós escolheu a família. deixando patente que é dever moral e direito fundamental de todos resistir às injustiças e trabalhar pela construção de uma sociedade em que a pessoa humana seja o primeiro dos valores‖. conscientizar. Assim. suas necessidades e suas diferenças. 2004. pois até há não muito tempo grande parte da humanidade sofria violências e isso permanecia na sombra. os premiados. 03). Nesta perspectiva. uma injustiça. é imprescindível posturas de indignação. da avaliação e da denúncia dos fatores que determinam a escalada do medo e da violência. 2004. um mínimo de sentimento da dívida pessoal e social para com aqueles que tiveram a infelicidade . facilitando a continuação e a repetição das agressões à dignidade humana.

quando se omite. 2004. ou maneiras de falar acerca de um certo número.] isso porque estão à margem do sistema estatal. 207). p. a exploração e o descaso político de nossos antepassados. grupos ou populações que não têm acesso ao mínimo necessário para a sua reprodução biológica e social —. invisíveis em razão do ineficaz e excludente modelo de sujeito de direito.. considerando que a pobreza tenha sempre existido — pessoas.de nascer em condições criadas pelo colonialismo.. ou. Defendido o princípio de que todos os homens têm os mesmos direitos e são iguais perante a lei. Este individualismo consiste na ―perspectiva segundo a qual o indivíduo é a unidade básica da análise política e os atos sociais são meras construções lógicas. fica cada vez mais difícil justificar as diferenças sociais. A realidade social desmistifica o papel do Estado como garantidor de direitos. não tem acesso mínimo à satisfação de suas necessidades. o narcisismo e a competição da era atual. 1997. individual. Concretiza-se um déficit de cidadania de vários indivíduos que embora sejam sujeitos de direito (no papel)..]. ― [. além de trazer consigo a realidade de um Estado que também é violador de direitos. universal e abstrato. não garantindo aos cidadãos os direitos básicos a sua dignidade e sobrevivência. Se todos possuímos os mesmos direitos. p. 201).‖ (BLACKBURN. desses indivíduos e das relações entre eles. Torna-se imprescindível a busca. o egocentrismo. a reflexão e a dívida social com aqueles que sofrem com a exploração e a desconsideração como sujeitos de direitos.‖ (FEIX. esse fato hoje vai contra os princípios que acreditamos deveriam nortear a sociedade humana. É salutar o resgate em cada indivíduo dos valores que superam ao individualismo. [. ainda. quando nega ou exclui do cidadão à uma perspectiva de vida melhor. como ..

surpreendido e .] havia no Brasil 82. na medida em que a pobreza aumenta. decadentes e esquecidos. 1997. caracteriza-se a ineficácia das normas e dos tratados assinados pelo país. o ―esquecimento e o desinteresse‖ a esses sujeitos. 99).. perdendo os referenciais de cidadania‖. 255). notadamente. elas vão. os efeitos da globalização e do capitalismo.. Ou seja. de acordo com Pochmann et al (2005. Segundo Cabral (2005. conduzindo a perda da cidadania..335 total. p. Vazios são os lugares em que não se entra e onde se sentiria perdido e vulnerável. cheios de pessoas rudes e evidentemente desocupadas e crianças sujas vestindo farrapos. Assim. [. a falta de políticas públicas eficazes e a banalização e indiferença ao sofrimento humano por parte da sociedade. ―[..] pela falta de alternativas que são oferecidas a estas pessoas.pode haver grupos que não têm acesso ao mínimo de bens produzidos pela sociedade? (COSTA.9% da população Frente estatísticas alarmantes preocupantes.] o vazio do lugar está no olho de quem vê e nas pernas ou rodas de quem anda. ocasionados por vários aspectos multifacetados. aumenta a perversidade da realidade social. p. vez que tais números expressam quase a metade da população do país em situação de extrema miséria e pobreza.. p.164.] fileiras de barracos pobres.. paulatinamente. no que concerne à prescrição dos direitos e garantias fundamentais ao ser humano.‖ de pessoas à pobres estas segundo o critério de e pobreza[4] relativa adaptado ao Brasil – representando 47. [. Referente a controvérsia existente entre a afirmação dos direitos humanos e a realidade social e o percentual de pobres no Brasil (que representa quase a metade da população) pode-se dizer que suas condições de vida comprometem todo embasamento teórico da Constituição do país... 05) ―[.

a grande crítica aqui compreende a falta de ação e ativismo em relação a defender os direitos humanos para todos e fazer algo para mudar esta realidade. Por outro lado. a globalização e o capitalismo‖ ainda não chegaram. ou atemorizado por esta situação. ―Vazios‖ são todos que acostumaram-se a viver apenas a sua realidade. com o intenso envolvimento da sociedade civil. o que procura-se ressaltar consiste na banalização e invisibilidade das pessoas no que concerne a situação social de muitos indivíduos. mas sim uma necessidade ética. sem interesse por estes lugares. a partir dos delineamentos de uma cidadania ampliada. sem um olhar digno e humano do ―outro‖. Desta forma. (PIOVESAN. como mudar esta realidade. ―Vazio‖ é todo aquele que não se pergunta por que existe esta realidade. 08). na qual prefere viver bem distante. apenas mostraram seus efeitos. capaz combinar direitos e garantias nacional internacionalmente assegurados. ―Vazio‖ é o ser humano. é relevante a participação de todos. sem direitos. econômica e social. seja ela pública ou privada. 2001. conforme Salama e Valier (1997). e não de um determinado grupo ou governo. os instrumentos internacionais constituem um poderoso mecanismo para reforçar a proteção de dos direitos humanos e o regime e democrático no país. Em uma realidade perversa como esta. p. de seres humanos vazios. o combate as desigualdades sociais e a pobreza não devem consistir em simplesmente um ato de caridade. 121-122). . p. cujo perigo ou o temor vem de lugares vazios. Nesta perspectiva. 2000?.um tanto atemorizado pela presença de humanos (BAUMAN. ou mais ―vazio‖ é aquele que nem importa-se com esta realidade! Nesse viés. ―Vazio‖ também pode ser usado não só para caracterizar esses lugares onde a ―modernidade. descompromissado. Pode-se afirmar que.

Enfim. 138. A reversão destes números alarmantes só se concretizarão a partir de uma nova perspectiva ou visão em face à questão dos direitos humanos. fazendo delas ―colaboradores‖. é notório o envolvimento de todos na busca de uma nova condição de vida a esses milhões de excluídos. que apesar de terem seus direitos postulados em normas constitucionais nacionais e internacionais. Assim. torna-se necessário. que compreende Entendemos por banalização do mal não somente a atenuação da indignação contra a injustiça e o mal. mas. caracterizando a invisibilização/naturalização dos fenômenos. mobiliza progressivamente um número crescente de pessoas a serviço da execução do mal. desdramatiza o mal (quando este jamais deveria ser desdrarmatizado) e. o processo que. que consiste no recalcamento/banalização e insensibilidade das pessoas a essa realidade. em face a perversidade e banalização da realidade social. não se pode olvidar de mencionar um contexto que contribui cada vez mais para a situação desoladora da questão social do país. p. por um lado. Dejours (2001. 4 EM BUSCA DE UMA NOVA PERSPECTIVA PARA OS DIREITOS HUMANOS Frente a esta situação perversa em que as pessoas não possuem o mínimo de acesso a seus direitos e garantias fundamentais. grifos do autor) nos remete o termo ―banalização do mal‖. devido a novos ‗valores e normas‘ de um mundo globalizado e capitalista. buscar novas perspectivas que visem à efetivação dos direitos humanos elencados na Constituição e nos tratados internacionais. . primando pela redução deste quadro desumano que caracteriza a realidade brasileira. Quanto ao conceito de banalização. por outro. além disso. estão a margem de seus efeitos.

que corresponde a falta de indignação perante a injustiça. a omissão em não agir. Para Dejours (2001). 117) [. caracterizado pelo jogo do ‗salve-se quem puder‘. à adversidade e ao sofrimento de uma parcela de nossa população. pela grande maioria de nossos concidadãos. enfim. As pessoas vêem como ‗natural‘ a situação de uma criança maltrapilha pedindo moedas em praças ou em frente de departamentos comerciais. enquanto a pauperização atinge simultaneamente uma parcela crescente da população. ou seja. de outro. E esse comportamento de omissão e indiferença ao sofrimento humano.O emprego e utilização da expressão ―banalidade do mal‖. induzindo a atribuir o mal à ―causalidade do destino‖. já que se omite a esta realidade perversa. Poucos se sensibilizam ou se questionam sobre tais acontecimentos. dos estereótipos sobre a guerra econômica e a guerra das empresas.. Nesse viés salienta Dejours (2001. a indiferença e a tolerância crescente.. justifica-se pela ausência interventora. constituem algo ―natural‖ que caracterizam o cenário brasileiro. a falta de indignação e de reação coletiva em face da injustiça de uma sociedade cuja riqueza não pára de aumentar. caracterizado pela ―banalização do mal‖. não pode ser menosprezado o atual momento que a sociedade vive. guiado por outros valores e premissas que contribuem para este cenário perverso e preocupante. bem como a criança que cata lixos. já que isso tornou-se ―natural‖ devido a seu crescimento assustador. na sociedade neoliberal.] de um lado. Tanto o velho que dorme nas calçadas. também. . crítica e ativa em face a questão da realidade social e a violação aos direitos humanos. colaborando para a banalização da injustiça social. Por outro lado. um mundo excludente. a população que consente a injustiça e o sofrimento. a retomada. p. pode ser considerada como uma população dos ―normopatas‖. acomodando-se.

Tais visões tornam a problemática mais complexa e perversa.. sendo que para a classe mais pobre. que acabam normalizando o sofrimento humano. (LIPOVETSKY. p. ―[. A Educação em Direitos Humanos objetiva formar a consciência do indivíduo para que ele seja o sujeito de sua própria história. p. p. é relevante aludir que a problemática dos direitos humanos. Nesse sentido. existe um pensamento cínico por parte das elites. criando uma postura crítica e consciente. à la carte. É o tempo do engajamento mínimo em eco à ideologia mínima dos direitos do homem e à sensibilidade às devastações da pobreza. Somando-se a isso. pois apontam. visa incutir o ideal de uma sociedade justa e democrática. consagramos a ela o tempo e o dinheiro que queremos. 282)..‖ E .O engajamento do corpo e da alma foi substituído por uma participação passageira. se não existem valores para nortear os atos e se os cidadãos desconhecem seus Direitos e Deveres. especialmente). 2005. (GENEVOIS. 17). mostrando a deficiência dos institutos jurídicos (do Estado. 06). As leis e as constituições são insuficientes. esta situação é uma condição inevitável.] também o povo. a indiferença e imobilização de uma parcela da sociedade com relação aos problemas do país. 2006. Além disso. somos uma parte integrante da Constituição. como queremos. é fundamental e que cada indivíduo deve refletir sobre esta questão. e de outro. De acordo com Lassalle (2001. que justificam o problema como uma armação fixa da realidade. o espírito de tolerância e a fraternidade ao mesmo tempo em que a determinação de lutar pelos que não têm direitos. de um lado a razão cínica versus um conformismo. cada um possui sua cota de responsabilidade para com a atual situação social do país. quanto à realidade social. nós todos. de acordo com os desejos primeiros de autonomia individual.

] se a insensibilidade banaliza a crueldade da situação social dessas pessoas desvestidas não apenas de roupas mas. 07) que [. onde o Ter é sumariamente relevante. como considerar a Constituição a lei que permite a libertação de todos pela garantia das liberdades? E como produzir um constitucionalismo que obrigue o holofote sob os pilares soturnos nos quais não mais se recolhem ratos. no assaltante que ameaça e que. ética. às vezes. recantos. A presente citação retrata a realidade social. mas que faz parte da paisagem brasileira. Muitos não se importam se as pessoas estão passando fome. Destarte. principalmente.. mata. nos garotos que roubam e cheiram cola. na mulher que chafurda o lixo. Segundo Milmann (2004) para as pessoas. de direitos. mencionam ser um problema do governo. as crianças trabalhando. no que concerne a banalidade da realidade social. p. os homens lutando por um pedaço de terra ou morando em favelas. mas homens? Apenas a adesão plena dos cidadãos de todos os cantos. mendigando nas ruas. do humanismo e da solidariedade. salienta Rocha (2004. consciência. simplesmente. porque ela está na criança que esmola. contribuem para perversidade da realidade sociedade. encantos e desencantos do mundo será capaz de assegurar que a Constituição faça-se viva nos povos e os direitos humanos ativos para todos os homens. A falta de valores e de comprometimento com a realização da justiça social no país. A casa dos .. acabam ―esquecendo‖ dos valores.como parte integrante da lei maior do país também é dever do povo lutar para a diminuição das desigualdades e a concretização dos dispositivos constitucionais. jurídica e principalmente humana. a miséria é como uma inevitabilidade que se lamenta e se desaprova. grande parte da sociedade levada pela ideologia do capitalismo. ou perversamente muitos nem ―vêem‖ esses problemas! Infelizmente.

o papel como agente consciente e promovedor do bem comum. é imperioso extirpar com a insensibilidade e banalização dos brasileiros com relação à realidade social.brasileiros é ainda um refúgio. Segundo Herkenhoff (2002. é essencial mudar as mentalidades. tolerância e fraternidade – fundamentos de uma nova ordem social. A totalidade da cidadania apenas . Uma sociedade não tem futuro se perde a sua capacidade de se indignar. 67). gerou-se um grave apartheid social no país. com mais consciência e em busca do humanismo[5] universal. é pertinente ressaltar que frente à toda a crise de violação de direitos. é possibilitar a reflexão. ou seja. Nessa perspectiva. justiça. o reconhecimento dos valores humanos em uma esfera global. Assim. Acreditamos que isso só acontecerá pela educação e uma educação que incuta valores. Nós temos de nos indignar frente a marginalização que sacrifica milhões de irmãos brasileiros‖. Desse modo. criar uma cultura cujo embasamento seja o homem com dignidade. Para chegarmos a uma sociedade justa e democrática a que aspiramos. desenvolver o espírito crítico e incitar o reconhecimento e a aceitação do ―diferente‖ nos outros. prioritariamente. somente com uma nova postura da sociedade e das instituições jurídicas é possível mudar a realidade social deste país. tornando-se mister. É fundamental aguçar em cada um. a derradeira proteção contra uma realidade que muitos são incapazes de mudar. p. torna-se necessário pensar a idéia de direitos humanos a partir de novos viesses e realidades. a participação de cada cidadão. ―A exclusão social que violenta a maior parte da população brasileira está a exigir a nossa indignação. direitos e responsabilidades.8): Educar para os Direitos Humanos é. Por outro lado. ética. Portanto. p. no que concerne a realidade do país. complementa Genevois (2006.

] ainda é tempo de mudar de rota e navegar rumo à salvação. Para a construção de um mundo novo. p. p. é imperioso a consciência de cada indivíduo. 1991. pois as macroditaduras políticas. Assim. uma luta incessante do poder público com toda a população. como menciona Sen (2000. da universidade. 11): ―A vida do direito é a luta: luta dos povos. com novas posturas e consciência para uma sociedade nova. envolvendo outros valores.]. pois apesar da perversidade social. que respeite os direitos do homem. é necessário homens novos. Na fímbria do horizonte já luzem os primeiros sinais da aurora.. (NEUMANN. devemos questionar a nós mesmos. ―[.. Desta forma. podemos estar dispostos a fazer sacrifícios para promover outros . Ali se ensaia o futuro da sociedade. p. [. dentro da família. na medida em que todos são responsáveis pelo atual estado das coisas. da escola.] antes de questionar os sistemas. As grandes violações dos direitos humanos. em uma nova perspectiva o autor supracitado afirma que o direito constitui um trabalho sem tréguas. (COMPARATO.pode ser conquistada por meio da conscientização de cada indivíduo. econômicas e sociais começam nas microditaduras dentro de nós mesmos. das classes sociais.. como ressalta Ihering (2004.. bem como a atuação de toda a sociedade. 2004. começam nas pequenas e diárias lesões de egoísmo e mentira contra os nossos próximos mais próximos.] indo além de nosso bem-estar ou auto-interesse amplamente definidos. dos indivíduos‖. DALPIAZ. operadores do direito e demais agentes que preocupam com a temática dos direitos humanos vale enfatizar que a luta por um direito efetivo é essencial e incessante. A chama da liberdade.. regimes e modelos impostos ao povo. através de sistemas e regimes de força. a todos os juristas. Contribuindo com este estudo.. ―[. dos governos. 552). 306-307).. [. 18). p. da igualdade e da solidariedade haverá de iluminar a Terra inteira‖. Desta forma..

distribuir renda e dignidade de forma igualitária. É preciso lutar por um futuro novo. por compromisso. . além de outros fatores. A emancipação e efetivação dos direitos humanos dar-se primeiramente. mas por humanidade. E aos governos cabe a tarefa de deixar de lado aspectos meramente econômicos e preocupar-se em desenvolver o aspecto social. quando houver a ruptura do conformismo.valores. É necessário deixar de lado posturas meramente piedosas. mas é notório despertar em cada indivíduo o seu papel como agente de transformação das realidades. mesmo que seja utópico. Torna-se de suma relevância frente à temática. Desta forma. CONCLUSÃO Os direitos humanos. constantemente violados. que tenha coragem de não apenas salientar sobre o que está acontecendo e mostrar sua indignação. como justiça social. e embora protegidos e são expressos em constituições declarações internacionais. e o fazer não por caridade. nacionalismo ou bem-estar da comunidade‖. para buscar a transformação e a emancipação dos homens. dar o primeiro passo para contribuir para a afirmação e efetivação dos direitos humanos. A globalização e o capitalismo. antes que voltese a barbárie. ou que apenas dizem que as normas não são cumpridas. um dos grandes desafios em face à questão dos direitos humanos não consiste em apenas mencionar a realidade quanto a sua perversidade e afirmação das violações dos mesmos. uma nova postura de cada cidadão brasileiro. a revolta. da mesquinhez e da indiferença ao sofrimento humano. contribuem para a constante violação desses direitos. mas a partir do sentimento de justiça também chamar para si a responsabilidade. cabe a sociedade a conscientização. Desta forma. a indignação.

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práticas e relações no passado e presente. [4] Quanto a Pobreza relativa. que ainda que tenham superado as necessidades básicas. . [2] Violência Estrutural caracteriza-se pela atuação de grupos econômicos ou classes dominantes que utilizam as normas e as leis para manter sua posição privilegiada. seria a situação que estariam aqueles indivíduos. vivem em um nível de renda inferior a um determinado parâmetro definido a partir da renda média. [5] De acordo com Wolkmer (2003) o humanismo pode ser definido como o processo de reconhecimento e promoção dos valores humanos enquanto princípios. ou mediana em um país. compartilhada por todos os cidadãos de maneira a garantir a todos as condições de uma sobrevivência digna. [3] Segundo Corrêa (2002) cidadania pode ser definida como a organização democrática de uma sociedade. Sarlet (2002). superando a exclusão e as desigualdades.[1] Cf.

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