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Saúde e Educação Infantil em Moçambique

O documento descreve o progresso e desafios de Moçambique, incluindo a redução da pobreza, mas ainda desafios como a mortalidade infantil e o HIV/AIDS. O país tem tido crescimento econômico contínuo desde o fim da guerra civil, mas ainda enfrenta disparidades sociais e altos níveis de pobreza, especialmente entre crianças.

Enviado por

Marta Filipe
Direitos autorais
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Saúde e Educação Infantil em Moçambique

O documento descreve o progresso e desafios de Moçambique, incluindo a redução da pobreza, mas ainda desafios como a mortalidade infantil e o HIV/AIDS. O país tem tido crescimento econômico contínuo desde o fim da guerra civil, mas ainda enfrenta disparidades sociais e altos níveis de pobreza, especialmente entre crianças.

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MOÇAMBIQUE

Para cada criança

Para cada criança


Saúde, Educação, Igualdade, Protecção
FAZENDO A HUMANIDADE AVANÇAR
© Fundo das Nações Unidas para a Infância
Janeiro de 2007

UNICEF Moçambique
Av. do Zimbabwe, 1440
C.P. 4713
Maputo, Moçambique

Telefone: (258) 21 481-100


Email: maputo@[Link]
Web: [Link]/mozambique
ÍNDICE
PROGRESSO
O progresso de um país é avaliado pelo bem-estar das suas crianças. 2

CRIANÇAS
O desenvolvimento humano equitativo e sustentável começa com as crianças. 6

SINERGIA
Corresponder ao desafio através de parcerias. 10

SOBREVIVÊNCIA DAS CRIANÇAS


As crianças vivem e prosperam se estiverem imunizadas, tiverem acesso à água e saneamento
seguro, estiverem devidamente nutridas e continuam saudáveis através de um sistema de saúde
primário de qualidade. 14

EDUCAÇÃO
A educação melhora vidas. A educação alivia as crianças e as suas famílias da pobreza e é a
base para o desenvolvimento sustentável. 20

HIV e SIDA
As crianças são a face oculta do SIDA e, no entanto, são a maior esperança para combater a epidemia. 24

PROTECÇÃO DAS CRIANÇAS


Criar um ambiente protector para as crianças é essencial para proteger os seus direitos à
sobrevivência, crescimento e desenvolvimento. 30

PAINÉIS
• O Programa Nacional de Cooperação do UNICEF, o Quadro de Assistência das Nações
Unidas para o Desenvolvimento (UNDAF) e os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM). 13
• Os Jovens Assumem a Liderança 28
• Acção Humanitária 33

1
PROGRESSO
O progresso de um país é avaliado
pelo bem-estar das suas crianças
UMA NAÇÃO EM ultrapassando as metas
PROGRESSO definidas na primeira Estratégia
para a Redução da Pobreza do
Moçambique é um país com grande Governo, conhecida como
potencial e muitos contrastes. PARPA.
Situado na África Austral, é um país
vasto que faz fronteira com seis Desenvolveram-se políticas e
outros países e com mais de 2.500 legislação nacional com as
Km de costa do Oceano Índico. A sua prioridades globais chave para
população é espantosamente jovem, as crianças e mulheres em
com 10 milhões de crianças mente. Moçambique promete
representando metade da população cumprir vários dos Objectivos de
total de 20 milhões. Desenvolvimento do Milénio
(ODM) relacionados com a
Cerca de 70 por cento dos redução da pobreza, mortalidade
Moçambicanos vive em zonas rurais, infantil e saúde materna. Os
onde a maioria sobrevive com base ODM – que incluem, entre
na agricultura de subsistência. No outros, reduzir a pobreza
entanto, as secas recorrentes no extrema para metade e parar a
interior do país levaram as pessoas a propagação do HIV e SIDA até
migrar para zonas urbanas e 2015, constituem um esquema
costeiras com consequências global para corresponder às
ambientais adversas tais como necessidades das pessoas mais
desertificação e poluição das águas pobres do mundo.
superficiais.
O país realizou com sucesso três
Apesar do rendimento per capita de eleições desde o final da guerra.
Moçambique ser de US$ 310, bem As eleições presidenciais mais
abaixo da média subsaariana de US$ recentes, em 2004, reafirmaram
754, o país surge como um dos
exemplos Africanos mais bem- FACTOS BREVES
sucedidos de reconstrução e
recuperação económica pós-conflito. População: . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20 milhões
Desde o final de uma guerra civil de Crianças com menos de 18 anos: . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10 milhões
16 anos em 1992, a economia de Rendimento per capita: . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . US$ 310
Moçambique tem crescido a um Pessoas a viver abaixo do limiar de pobreza: . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 54%
ritmo contínuo. Entre 1997 e 2003, o Taxa de mortalidade em crianças com menos de cinco anos: 152/1.000
crescimento económico médio foi de nados vivos
cerca de 9 por cento, bem acima da Prevalência nacional do HIV e SIDA: . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16.2%
média do continente e continua a Alfabetização: . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 67% para homens
crescer. No mesmo período, a 38% para mulheres
proporção de Moçambicanos a viver Esperança de vida: . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37 anos
abaixo do limiar da pobreza passou Fonte: A Pobreza na Infância: Uma Análise da Situação e da Tendência, UNICEF 2006.
de 69 por cento para 54 por cento,

3
o empenho do país no que diz 168 lugar de 177 países no Índice de No caso dos pobres e vulneráveis, a
respeito à estabilidade política, Desenvolvimento Humano de 2005. vida é agravada por secas e cheias
governação democrática e Cerca de metade da população periódicas. A pobreza significa que
reconciliação nacional. adulta vive na pobreza. A pobreza as famílias não podem recuperar do
infantil é um problema difuso e golpe dos desastres naturais e
O país atraiu também forte apoio dos profundamente enraizado, com 58 doenças debilitantes. A pobreza,
doadores e grandes influxos de por cento das crianças a viver abaixo quando aliada ao HIV e SIDA e secas,
investimento externo directo. A ajuda do limiar da pobreza. Um dos atinge os mais vulneráveis. É
externa representa 15 por cento do maiores desafios de Moçambique possível encontrar concentrações de
Produto Interno Bruto de será utilizar as suas receitas malnutrição severa, que afecta em
Moçambique, em comparação com económicas para melhorar a saúde e particular crianças órfãs, em áreas
6–8 por cento para o resto da África bem-estar infantil e materno a médio com insegurança alimentar severa e
subsaariana. Cerca de 80 por cento e longo prazo. elevada prevalência do HIV.
da assistência externa para o
desenvolvimento para Moçambique Os esforços para a redução da O HIV/SIDA é a maior ameaça para o
é agora fornecida por um grupo de pobreza e outros avanços sociais não desenvolvimento de Moçambique.
18 doadores bilaterais e multi- beneficiaram todos de forma igual. Existem cerca de 1.7 milhões de
laterais. Existem disparidades em termos de pessoas a viver com HIV e SIDA – 58
rendimento, educação, estado de por cento são mulheres. Dos 1.6
saúde e nutrição bem como acesso à milhões de órfãos de pais, mais de
DESAFIOS A água e saneamento seguro entre os 380.000 perderam os pais devido a
ENFRENTAR que vivem em áreas rurais e em doenças relacionadas com o SIDA. À
áreas urbanas; entre homens e medida que os pais continuam a
Apesar da recuperação económica mulheres, rapazes e raparigas e entre morrer, prevê-se que o número de
impressionante, Moçambique está os que têm escolarização e os que crianças órfãs aumente para 626.000
entre os 20 países mais pobres, em não têm. em 2010. Prevê-se também que a
esperança de vida passe de 37.1 anos
Crianças e adultos vivendo abaixo da linha da pobreza
em 2006 para 35.9 anos até 2010.
% 100
O Governo e os seus parceiros
aumentaram a escala da resposta
80
para parar a propagação do HIV e
74.4
SIDA. Este esforço deve ser
60 63.5 sustentado e reforçado à medida que
58.2
o impacto nos que estão infectados e
49.4
40 afectados aumenta.

20

0
1996/97 2002/03

Crianças Adultos
Fonte: IDS, 2003

4
Quadro produzido por crianças durante um atelier organizado pelo artista Moçambicano Naguib
em 2006, sobre o tema educação de qualidade e escolas amigas da criança.
CRIANÇAS
O desenvolvimento humano equitativo e
sustentável começa com as crianças
OS PRIMEIROS ANOS

A sobrevivência de uma criança


depende da saúde e da educação da
mãe bem como das condições nas
quais a criança nasce. Em
Moçambique, o acesso melhorado ao
planeamento familiar e a cuidados
pré-natais em particular nas zonas
rurais, está a ajudar a salvar a vida
das mulheres e das suas crianças. A
mortalidade materna baixou para 408
por 100.000 nados vivos e a
mortalidade infantil para 152 por
1.000 nados vivos.

No entanto, muitas mulheres e Moçambicanos que vivem com HIV e seu quinto aniversário do que há
crianças continuam vulneráveis. SIDA e apenas 6.7 por cento das vinte anos atrás, mas as taxas de
Apenas 48 por cento dos mulheres grávidas seropositivas mortalidade continuam altas. Todos
nascimentos contam com a presença estão a receber medicamentos anti- os dias, 320 crianças com menos de
de um técnico de saúde qualificado e retrovirais para reduzir o risco de cinco anos morrem vítimas de
70 por cento das mulheres grávidas passar o vírus para os seus bebés. doenças preveníveis e curáveis tais
estão anémicas, uma condição como malária, infecções respiratórias
associada a bebés com baixo peso Actualmente, as crianças e diarreia. As doenças relacionadas
ao nascimento. As mulheres Moçambicanas têm mais com o SIDA estão a marcar presença
constituem 58 por cento dos probabilidade de viver para além do rapidamente.

Taxa de mortalidade entre crianças por nível de A probabilidade de uma criança


escolaridade das mães
sobreviver a uma doença está
250
relacionada com o nível de educação
da mãe. Por exemplo, 97 por cento
Mortos por 1.000 nados vivos

200
200 das crianças cujas mães têm

163 educação secundária ou superior


150 142 recebem terapia de rehidratação oral,
um meio eficaz de tratar a
110
desidratação resultante da diarreia,
100 87 em comparação com 65 por cento
65
53 das crianças cujas mães não foram à
50 44
30 escola. A diarreia é outra das causas
principais da mortalidade infantil e
0 um resultado do fraco acesso da
Mortalidade neo-natal Mortalidade infantil Mortalidade < 5 anos população à água e saneamento
seguro e adequado.
Sem escolaridade Ensino primário Ensino secundário
Fonte: IDS, 2003

7
A malnutrição é uma causa Persistem desigualdades em termos por cento das crianças em idade do
subjacente principal da mortalidade de acesso à educação, baseados na ensino secundário frequentam o
infantil. Cerca de 41 por cento das zona de residência da criança, se é liceu. Não existem escolas
crianças sofre de malnutrição um rapaz ou uma rapariga e, no nível secundárias suficientes no país e a
crónica. Dois terços das crianças de pobreza do agregado familiar. Nas maioria está localizada nas cidades.
entre os 6-59 meses de idade têm famílias mais pobres, por exemplo, Para lidar com a sobrelotação, as
uma deficiência de vitamina A, uma apenas 39 por cento das raparigas, escolas introduziram turnos da
condição que as torna mais em comparação com 52 por cento de manhã, da tarde e nocturnos nas
susceptíveis a doenças infecciosas. rapazes frequenta a escola. Mais de escolas secundárias e primárias. Não
650.000 crianças que deveriam estar é invulgar ver estudantes nas aulas
na escola não estão. às 10 da noite.
DIAS DE ESCOLA
O número limitado de professoras – A pressão para desistir da escola, em
Em Moçambique, as crianças têm no nível primário do 2º grau, apenas particular para as raparigas, vem de
agora mais oportunidade para 23 por cento dos professores são diferentes fontes. As raparigas
aprender do que antes. Actualmente, mulheres – significa que as raparigas frequentemente desistem para tomar
83 por cento das crianças estão não têm, frequentemente, exemplos conta de irmãos mais novos ou de
matriculadas na escola primária, uma a seguir que as possam encorajar a familiares doentes. Muitas desistem
subida em relação aos 32 por cento continuar e a completar os seus também quando se casam ainda
de 1992. O número de escolas estudos. jovens – cerca de 18 por cento das
primárias e secundárias triplicou e mulheres entre os 20 a 24 anos de
recrutaram-se 3.500 novos idade casou antes dos 15 anos.
professores todos os anos desde UMA ALTURA PARA A adolescência acarreta também
1992. As propinas escolares foram EXPLORAR outros riscos. Aos 14 anos, um terço
abolidas em 2004, e introduziu-se um das crianças Moçambicanas tornam-
programa de apoio directo às Existem mais de 4.2 milhões de se sexualmente activas mas o
escolas. adolescentes em Moçambique. Para conhecimento sobre métodos de
muitos, a pobreza, o HIV e SIDA e as prevenção do HIV é baixo. Doze por
No entanto, os investimentos na oportunidades de educação limitadas cento das raparigas e 27 por cento
qualidade da educação não tornam a adolescência um período dos rapazes com idades entre os
conseguiram acompanhar a particularmente difícil. Não obstante, 15–24 anos declarou utilizar
expansão do sistema escolar. Muitas um número crescente de preservativos na sua última relação
escolas ainda não são amigas das adolescentes está a envolver-se para sexual. As raparigas têm uma
crianças. No nível primário do 1º encontrar soluções para os seus probabilidade três vezes maior de
grau, há uma média de um professor próprios problemas e criar novas serem seropositivas do que os
para cada 74 educandos e apenas 58 oportunidades para expressar as rapazes.
por cento dos professores neste nível suas preocupações através de
têm formação. Cerca de 70 por cento programas dos media, associações
das escolas não têm água e latrinas juvenis ou teatro comunitário.
separadas para os rapazes e as
raparigas. Mais de metade das No entanto, o acesso ao ensino
crianças em idade escolar desistem secundário é limitado e continua a
da escola antes de concluírem a 5ª ser um privilégio das crianças
classe. urbanas em particular. Apenas oito

8
Quadro produzido por crianças durante um atelier organizado pelo artista Moçambicano
Naguib em 2006, sobre o tema educação de qualidade e escolas amigas da criança.
SINERGIA
Corresponder ao desafio através
de parcerias
UMA PARCERIA MAIS atenção aos direitos das crianças nos nacionais para melhorar a prestação
FORTE planos para a redução da pobreza. A de serviços de saúde e nutrição
segunda Estratégia Nacional para a infantil, educação básica, água,
Moçambique fez uma recuperação Redução da Pobreza 2006-2009 saneamento e higiene, protecção das
inspiradora de um passado difícil. No (PARPA II) define metas claras e crianças e política social, advocacia e
entanto, o seu desenvolvimento periodicidade para a realização dos comunicação. Com o agravamento
continua a ser prejudicado pelo HIV e direitos das crianças, de acordo com da crise de HIV e SIDA, as
SIDA, pela pobreza e por os Objectivos de Desenvolvimento intervenções para apoiar crianças e
calamidades naturais. A necessidade do Milénio e a Convenção sobre os mulheres infectadas e afectadas
de ultrapassar estes desafios e Direitos da Criança. atravessa todos os aspectos do
continuar a melhorar a qualidade de programa. As actividades de
vida de todos os Moçambicanos está emergência para apoiar crianças e
a incentivar os parceiros de mulheres cronicamente vulneráveis
desenvolvimento a trabalhar em estão também integradas nos
conjunto de formas novas e diferentes componentes do
produtivas. Programa Nacional.

A assistência para o O Programa Nacional de Cooperação


desenvolvimento em Moçambique é baseado numa abordagem à
está a tornar-se mais eficaz à medida programação com base nos direitos
que os parceiros harmonizam e humanos e utiliza as estratégias
alinham os seus objectivos e seguintes para a implementação,
actividades em torno das prioridades monitoria e avaliação:
de desenvolvimento nacional.
Implementaram-se mecanismos de • Atingir as crianças mais
financiamento tais como fundos vulneráveis e marginalizadas, em
comuns e apoio directo ao particular crianças órfãs e as que
orçamento para tornar a atribuição vivem em zonas rurais remotas.
de recursos mais flexível e mais • Desenvolvimento da capacidade
relevante para as necessidades do dos provedores de direitos e dos
país. fornecedores de serviços. As
O PROGRAMA crianças, jovens e comunidades
No âmbito deste enquadramento, as NACIONAL participam no seu próprio
abordagens a nível do sector desenvolvimento.
(conhecidas como SWAPs) O Programa Nacional de Cooperação • Advocacia dos direitos das
operacionais em vários sectores, 2007-2009 entre o Governo de crianças no âmbito do
permitem aos parceiros de Moçambique e o UNICEF pretende desenvolvimento de políticas para
desenvolvimento, incluindo o reduzir as disparidades no bem-estar que as crianças estejam no centro
UNICEF, trabalhar em conjunto de das crianças. Uma em cada cinco do debate e dos programas para a
forma abrangente e coordenada para crianças em Moçambique sofre de redução da pobreza e
apoiar os programas liderados pelo múltiplas privações em termos de desenvolvimento humano.
Governo para um sector específico. educação, saúde, nutrição, abrigo e • Integração do HIV e SIDA, género
outras áreas críticas para a sua e preparação de emergência em
Em conjunto com outros parceiros, o sobrevivência e desenvolvimento. todos os aspectos dos programas.
UNICEF defende prestar mais O programa apoia os esforços

11
O Programa Nacional de Cooperação 2006–2009 (MTSP). O Plano
PARCERIAS COM
foi desenvolvido sob a tutela do Estratégico de Médio Prazo é a forma
TODOS
Governo e em consulta com agências como o UNICEF organiza o seu
das NU, ministérios de tutela, trabalho a nível global para
Responder às demandas de
sociedade civil, parceiros bilaterais e contribuir para um ou mais dos
desenvolvimento em Moçambique
outros multi-laterais. Está de acordo Objectivos de Desenvolvimento do
requer fortes parcerias com uma
com o Quadro de Assistência das Milénio.
multiplicidade de actores. UNICEF
Nações Unidas para o
trabalha com parceiros a todos os
Desenvolvimento (UNDAF) – que O UNICEF priorizou cinco áreas do
níveis da sociedade para
orienta o sistema das NU na MTSP a nível global para os
assegurar que as crianças e
concepção de programas de próximos quatro anos, de 2006 a
mulheres Moçambicanas recebam
cooperação comuns – e com a 2009: Sobrevivência e
a melhor oportunidade para a
Estratégia para a Redução da Desenvolvimento das Crianças,
sobrevivência, desenvolvimento e
Pobreza e metas nacionais de HIV e Educação Básica e Paridade de
protecção.
SIDA. Género, HIV e SIDA e as Crianças,
Protecção das Crianças e Política,
Com os parceiros de
O UNICEF em Moçambique é Advocacia e Parcerias para os
desenvolvimento nacionais e
também orientado pelo Plano Direitos das Crianças.
internacionais, o UNICEF forja
Estratégico de Médio Prazo para
alianças para melhorar os
mecanismos de assistência ao
desenvolvimento e mobilizar
recursos para beneficiar crianças e
mulheres.

A nível nacional, o UNICEF apoia


o Governo no desenvolvimento de
políticas nacionais e planos de
acção que são centrados na
criança e sensíveis ao género.

UNICEF trabalha com as


autoridades provinciais e distritais
através do reforço da sua
capacidade de providenciarem
serviços de qualidade para
crianças e mulheres.

Ao nível da base, UNICEF associa-


se a jovens, associações de
pessoas vivendo com HIV e SIDA,
famílias e líderes comunitários,
facilitando a sua capacitação e
habilitação para tomar conta do
seu próprio desenvolvimento.

12
O PROGRAMA NACIONAL DE COOPERAÇÃO DO UNICEF, O UNDAF E OS
OBJECTIVOS DE DESENVOLVIMENTO DO MILÉNIO
Programa Nacional de
Cooperação do UNICEF UNDAF PARPA II ODM MTSP

Saúde e Nutrição Infantil Capital Humano, Reduzir mortalidade Objectivo 1: Erradicar Sobrevivência e
HIV e SIDA infantil, malnutrição e pobreza extrema e Desenvolvimento
deficiências de fome das Crianças
micronutrientes nas
crianças

Prevenir transmissão Objectivo 4: HIV e SIDA e as


do HIV da Reduzir Crianças
mãe-para-filho mortalidade infantil

Tratamento para Objectivo 3:


crianças Melhorar saúde
seropositivas materna

Objectivo 6:
Combater HIV e SIDA,
malária e outras
doenças

Água, Saneamento e Capital Humano Aumentar cobertura Objectivo 6: Sobrevivência e


Promoção da Higiene do abastecimento Combater HIV e Desenvolvimento
de água SIDA, malária e das Crianças
outras doenças

Aumentar cobertura Objectivo 7:


de saneamento Assegurar
sustentabilidade
ambiental

Educação Básica Capital Humano Aumentar matrículas Objectivo 2: Educação Básica e


no ensino primário Atingir educação Igualdade de Género
primária universal

Objectivo 3: HIV e SIDA e as


Promover igualdade Crianças
de género e
capacitar mulheres

Protecção das Crianças Capital Humano, Criar redes de segurança Objectivo 6: HIV e SIDA e as
HIV e SIDA, social para os cidadãos Combater HIV e Crianças
Governação mais desfavorecidos, SIDA, malária e
incluindo crianças órfãs outras doenças

Proteger os que Proteger crianças da


estão vulneráveis violência, exploração
(Secção IV da e abuso
Declaração do Milénio)

Política Social, Capital Humano, Metas 1 a 8 dos ODM HIV e SIDA e as


Advocacia e HIV e SIDA, Crianças
Comunicação Governação
Política, Advocacia
e Parcerias para os
Direitos das Crianças

13
SOBREVIVÊNCIA
DAS CRIANÇAS
As crianças vivem e prosperam se estiverem completamente
imunizadas, tiverem acesso à água e saneamento seguro,
estiverem devidamente nutridas e continuam saudáveis
através de um sistema de saúde primário de qualidade
SAÚDE E NUTRIÇÃO as crianças estão mais vulneráveis a

INFANTIL doenças.

Sobrevivência das É possível salvar a vida das crianças


se as comunidades souberem como
crianças ameaçada
proteger a saúde e bem-estar das
As crianças e mulheres em
crianças. Quando as crianças ficam
Moçambique têm uma maior
doentes, é vital que as famílias as
probabilidade de sobrevivência em
levem a unidades sanitárias a tempo
relação a uma década atrás. Ao
e que recebam tratamento médico
longo das últimas duas décadas, a
adequado.
taxa de mortalidade em crianças com
menos de cinco anos baixou de 219
O Governo trabalha para atingir este
para 152 por 1.000 nados vivos e a
objectivo aumentando a consciência
taxa de mortalidade materna baixou
pública e a demanda de serviços de
de um pico de 1.000 para 408 por
saúde infantil e materna nos centros
100.000 nados vivos. A proporção de
de saúde e nas comunidades.
crianças com um ano de idade
completamente imunizadas contra as
A malnutrição é um factor acrescido O UNICEF trabalha com outros
seis doenças principais preveníveis
na mortalidade infantil. As crianças parceiros para fornecer assistência
através da vacinação aumentou
malnutridas estão mais susceptíveis técnica e financeira ao Ministério da
substancialmente ao longo da última
à doenças e têm menos Saúde na realização de formação
década.
probabilidade de recuperar de um para técnicos de saúde primários e
surto de doença. A malnutrição trabalhadores de saúde comunitária
No entanto, as melhorias no bem-
crónica não melhorou em no atendimento integrado de
estar das crianças e das mães não
Moçambique nos últimos anos e 41 doenças infantis, cuidados de
foram iguais em todo o país e por cento das crianças estão obstetrícia de emergência e cuidados
números elevados de crianças e de raquíticas, o que é considerado neonatais, distribuindo redes
mulheres, em particular as que muito alto pelas normas mosquiteiras tratadas com
vivem em zonas rurais remotas, internacionais. insecticida a agregados com crianças
continuam em risco. vulneráveis e imunizando crianças
Salvar a vida das contra doenças preveníveis através
Moçambique tem a 23ª taxa de crianças da vacinação.
mortalidade em crianças com menos O Ministério da Saúde, com apoio do
de cinco anos mais alta do mundo. UNICEF e de outros parceiros, Uma vez que a malnutrição é uma
As causas principais da mortalidade trabalha para abordar as causas causa subjacente da mortalidade
infantil são doenças preveníveis e subjacentes da elevada mortalidade e infantil, o UNICEF e outros parceiros
curáveis tais como a malária, do baixo estado nutritivo das apoiam o Governo na
doenças respiratórias, diarreia e crianças. As intervenções estão a ser implementação de um Pacote Básico
doenças preveníveis através da implementadas a nível da nação de Nutrição para impedir que as
vacinação. As doenças relacionadas enquanto actividades específicas tais crianças fiquem malnutridas em
com o SIDA estão rapidamente a como prevenção da malária e diferentes fases do seu ciclo de vida.
tornar-se ameaças significativas para imunização incidem em áreas com O pacote está a ser implementado
a sobrevivência infantil e materna. baixa cobertura de serviços e onde em centros de saúde e nas

15
comunidades. Abrange actividades desigual, com 81 por cento de Atingir os vulneráveis
na área de alimentação de crianças e crianças imunizadas contra todas as O Ministério da Saúde, com o apoio
bebés, nutrição materna, seis doenças nas cidades em do UNICEF e de outros parceiros,
suplementação de micronutrientes, comparação com 56 por cento nas pretende prevenir e controlar surtos
desparasitação e monitoria do zonas rurais. Existem também de epidemias preveníveis com
crescimento. As famílias e outros disparidades entre agregados, com vacinas. O foco principal das
provedores de cuidados para 45 por cento de crianças dos intervenções são as crianças
crianças recebem formação em boas agregados mais pobres imunizadas vulneráveis a viver em áreas remotas
práticas de cuidados das crianças e em comparação com 90 por cento de com taxas de cobertura de
formas de melhorar a sua nutrição. crianças dos agregados em melhor imunização baixas.
situação.
De forma a abordar a malnutrição
aguda registada nas crianças que
vivem em zonas de seca, a
insegurança alimentar e as taxas
elevadas de prevalência do HIV, é
necessário aumentar a escala das
intervenções terapêuticas e de
alimentação suplementar para ajudar
a salvar a vida das crianças e
mulheres cronicamente vulneráveis.

IMUNIZAÇÃO
Cobertura a melhorar
mas ainda baixa
O Programa Alargado de Vacinação
(PAV) nacional tem feito progressos
recentemente. Os serviços de
imunização foram alargados, a
capacidade dos técnicos de saúde Das seis doenças principais O envolvimento do UNICEF consiste
melhorada e registou-se um aumento preveníveis com vacinas, o sarampo em ajudar o Governo a reforçar os
significativo na disponibilidade de apresenta uma ameaça específica. O serviços de imunização de rotina
vacinas e de equipamento. Como sarampo ataca o sistema bem como as campanhas de
resultado, a proporção de crianças imunológico das crianças expondo- vacinação em massa. Isto é feito
com um ano de idade imunizadas as a uma variedade de doenças. Uma através da capacitação do governo
contra as seis doenças principais grande epidemia de sarampo afectou para uma melhor prestação de
preveníveis através de vacinação – 45.000 crianças em 2002/2004. O serviços, provisão de assistência
poliomielite, sarampo, tuberculose, Ministério da Saúde realizou a maior técnica e apoio financeiro para a
difteria, tosse convulsa e tétano – campanha de vacinação nacional em erradicação da poliomielite, controlo
aumentou de 47 por cento em 1997 2005, que incluiu também a vacina do sarampo e eliminação do tétano
para 63 por cento em 2003. da poliomielite. As taxas de neonatal e apoio a candidaturas para
cobertura para o sarampo e a financiamento pela Aliança Global
No entanto, a cobertura geral de poliomielite aumentaram para 95 por para Vacinas e Imunização (GAVI). A
imunização permanece baixa e cento.

16
GAVI é uma aliança global dedicada MALÁRIA tratamento anti-malária, o risco de
a fornecer às crianças acesso à morte aumenta de forma dramática.
vacinas. Um assassino
A malária mata cerca de uma em No caso das mulheres grávidas, a
A nível central, o UNICEF apoia o cada 20 crianças Moçambicanas com malária é também uma ameaça
Ministério da Saúde na gestão do menos de 5 anos de idade. Apesar de grave. A infecção da malária durante
PAV bem como no desenvolvimento ser uma doença prevenível e curável, a gravidez pode causar efeitos
de directrizes, de políticas e de a malária é a principal causa de adversos na mãe e no feto, incluindo
planos de implementação nacionais. morte infantil no país, em particular anemia materna, aborto, parto
As autoridades provinciais e distritais nas zonas rurais. O Ministério da prematuro e bebés com peso baixo.
de saúde e o pessoal do centro de Saúde atribuiu prioridade alta ao A malária contribui para a
saúde recebem formação em gestão controlo da malária e fizeram-se mortalidade materna quando aliada a
financeira e de programas das progressos em termos de outras doenças e condições tais
actividades do PAV a nível local. O tratamento, controlo, prevenção e como a tuberculose, HIV, malnutrição
sistema de rede de frio é apoiado mobilização social. e deficiência de ferro.
com a formação de técnicos e
equipamento como frigoríficos e Em países como Moçambique onde a De forma a melhorar o tratamento,
caixas térmicas. malária é endémica, é vital que introduziu-se recentemente a Terapia
qualquer estado febril numa criança Combinada de Artemisina como
Dias da Saúde Mensais – nos quais seja tratado como se fosse malária e tratamento de primeira linha e prevê-
as equipas de saúde móveis realizam a criança receba uma dose completa se que seja gradualmente alargado a
actividades de extensão – recebem de comprimidos anti-malária nas todo o país. Para o controlo e
apoio para atingir crianças primeiras 24 horas após o início dos prevenção da malária, o Programa
vulneráveis que não têm acesso à sintomas. Apesar da febre ser muito Nacional de Controlo da Malária está
unidades sanitárias. A desparasitação comum nas crianças, apenas 15 por rapidamente a aumentar o uso de
está integrada nos Dias da Saúde cento recebem tratamento para a Pulverização Interdomiciliária e de
Mensais para prevenir que as malária e oito por cento recebem Redes Mosquiteiras Tratadas com
crianças com idades entre os 12-59 tratamento em 24 horas. Para as Insecticidas (RMTIs) ou do programa
meses fiquem anémicas como crianças que não recebem Rede Impregnada de Longa Duração
resultado da infecção intestinal mais recente.
causada por parasitas.

O UNICEF e outros parceiros apoiam


também o Ministério da Saúde na
implementação da abordagem
Atingir Todos os Distritos, uma
estratégia relevante para melhorar a
imunização de rotina em áreas
difíceis de atingir e pouco servidas. A
abordagem Atingir Todos os Distritos
fornece também um ponto de
entrada para outras intervenções de
saúde, tais como nutrição ou
prevenção da malária.

17
Acção e Impacto Pouco mais de um terço da probabilidades de faltar à escola

O Ministério da Saúde, com apoio do população tem acesso à água potável quando vão buscar água para as

UNICEF e de outros parceiros, e 45 por cento à saneamento suas famílias. Viajar longas

trabalha para prevenir e controlar a adequado. Calcula-se que mais de distâncias para a fonte de água mais
300.000 crianças necessitem de próxima também as expõe ao perigo
incidência da malária e fornecer
acesso à um abastecimento de água de abuso.
tratamento para as pessoas
e saneamento melhorado todos os
vulneráveis. Todas as crianças com
menos de cinco anos e mulheres
anos para atingir a meta dos ODM Melhorar as condições
grávidas que vivem nas províncias
para água e saneamento em 2015. básicas de vida
Os Ministérios das Obras Públicas e
remotas e têm níveis elevados de
Existem disparidades significativas Habitação e da Saúde, com o apoio
pobreza e de prevalência do HIV são
no sector, em particular entre as do UNICEF e de outros parceiros,
abrangidas por vários programas.
áreas urbanas e rurais. Por exemplo, trabalham para aumentar a cobertura
apenas 23 por cento dos de água e de saneamento, melhorar
O UNICEF mobiliza fundos para o
Moçambicanos que vivem nas áreas a prestação de serviços e reduzir a
aprovisionamento de RMTIs e Redes
rurais e 66 por cento dos que vivem incidência de doenças transportadas
Impregnadas de Longa Duração e de
em áreas urbanas usam uma fonte pela água tais como a cólera e
medicamentos anti-malária e ajuda a
de água melhorada. diarreia nas partes rurais e urbanas
promover o uso das redes através de
do país com baixa cobertura e
campanhas de mobilização social. As
O acesso fraco e desigual à água incidência elevada de doenças
redes são distribuídas gratuitamente
potável segura e à saneamento transportadas pela água e do HIV e
às mulheres grávidas através de
adequado é responsável por surtos SIDA.
serviços pré-natais e a crianças com
regulares de cólera e a diarreia é
menos de cinco anos através de
uma causa principal de doença e Uma estratégia importante envolve
equipas móveis, onde a intervenção
mortalidade infantil. Regista-se reforçar a capacidade do Governo
é aliada a outras tais como
também uma prevalência mais para gerir melhor o sector de água e
desparasitação, imunização contra a elevada da diarreia nas áreas de saneamento. O UNICEF fornece
poliomielite, suplementação de afectadas por secas. As crianças têm apoio técnico para melhorar o
vitamina A e tratamento de doenças mais probabilidade de ficar doentes planeamento de programas e os
comuns. devido a doenças transportadas pela sistemas de implementação,
água quando começam a utilizar monitoria e avaliação. São criadas
fontes de água não seguras tais parcerias com instituições de
ÁGUA E SANEAMENTO como rios. pesquisa, parceiros de
desenvolvimento, ONGs e o sector
Uma área crítica para o A falta de acesso à água e privado para desenvolver tecnologias
desenvolvimento saneamento seguro infringe também de água e de saneamento
Apesar de se ter feito um progresso os direitos da criança à educação e inovadoras. As organizações da
considerável ao longo dos últimos protecção. Mais de dois terços das sociedade civil, o sector privado e os
anos para fazer chegar o escolas primárias não têm membros da comunidade estão
abastecimento de água e o instalações de água e de integrados na implementação dos
saneamento a mais pessoas, a água saneamento, uma situação que programas nos quais fornecem
e o saneamento continuam a ser afecta de forma negativa a presença conhecimento e mão-de-obra para
uma das áreas mais nas escolas, em particular das instalar furos, bombas de água,
subdesenvolvidas de Moçambique. raparigas. As raparigas têm mais reservatórios de água e latrinas.

18
Através da advocacia do UNICEF, as
abordagens de género centradas nas
crianças são utilizadas para
promover a participação dos jovens e
assegurar que as necessidades das
raparigas são centrais na
implementação do programa.

O UNICEF e os parceiros apoiam o


sector na reabilitação ou construção
de instalações de água e de
saneamento de baixo custo nas
comunidades e nas unidades
sanitárias. Os facilitadores e
activistas comunitários recebem
formação na consciencialização da
comunidade sobre a higiene e a
importância de água limpa e de
saneamento para combater doenças
oportunistas relacionadas com a
infecção pelo HIV.

As autoridades provinciais e as
ONGs, com a orientação técnica e o
apoio financeiro do UNICEF, instalam
ou reabilitam sistemas de
abastecimento de água nas escolas e
latrinas separadas para raparigas e
rapazes no âmbito da iniciativa
Escolas Amigas da Criança. O acesso
melhorado à água e saneamento tem
um impacto positivo nas matrículas,
retenção e desempenho, em
particular para raparigas e crianças
órfãs.

O UNICEF apoia o Governo no


desenvolvimento de políticas
sectoriais pró-pobres que focam a
equidade bem como o planeamento
descentralizado, monitoria e
mecanismos de avaliação. O
objectivo é de criar um ambiente
conducente à gestão sustentável do
sector de água e de saneamento.

19
EDUCAÇÃO
A educação melhora vidas. A educação alivia as
crianças e as suas famílias da pobreza e é a base
para o desenvolvimento sustentável
UM SISTEMA à educação. O acesso é O UNICEF defende a incorporação,
ALARGADO COM comprometido pela pobreza, género, nas políticas nacionais, de
ESPAÇO PARA residência e nível de educação do abordagens escolares sensíveis ao
MELHORIAS chefe do agregado. Por exemplo, nas género e abrangentes, com
famílias com um chefe de agregado incidência nas raparigas e crianças
As crianças Moçambicanas têm sem escolarização, 38 por cento das órfãs e vulneráveis. A capacidade das
agora mais oportunidades para crianças nunca frequentou a escola autoridades de educação e das
aprender do que antes. Actualmente, em comparação com apenas 4 por organizações da sociedade civil é
83 por cento das crianças estão cento nas famílias cujo chefe de reforçada nas áreas de análise de
matriculadas na escola primária, um agregado tem educação secundária políticas, planeamento e
aumento em relação aos 32 por ou superior. orçamentação.
cento de 1992. O número de crianças
no sistema secundário aumentou de O Governo está a implementar um
cerca de 45.000 para 245.000 no EDUCAÇÃO BASEADA pacote inovador de intervenções
mesmo período. NAS CRIANÇAS escolares para melhorar o acesso e a
qualidade, conhecido como iniciativa
Apesar de progressos significativos O Ministério da Educação e Cultura, Escolas Amigas da Criança. O
para expandir o sistema da educação com apoio do UNICEF e de outros programa trabalha para melhorar
em Moçambique na última década, parceiros, trabalha para aumentar o diferentes aspectos de uma escola de
não tem havido investimentos acesso e melhorar a qualidade da forma a criar um ambiente de ensino
correspondentes na qualidade da educação primária, em particular e de aprendizagem inclusivo, amigo
educação. Cerca de metade dos para raparigas e crianças vulneráveis das crianças, sensível ao género e
professores do ensino primário do 1° e para fornecer educação sobre protector.
grau não tem formação profissional habilidades para a vida a todas as
formal e introduziram-se turnos crianças. As Escolas Amigas da Criança
duplos ou triplos para lidar com a incluem material de ensino e de
falta de salas de aulas e de aprendizagem, programas extra-
professores. Existem também mais curriculares de habilidades para a
de 650.000 crianças em idade escolar vida sobre a prevenção do HIV e
que não estão na escola. SIDA e capacitação das raparigas,
água e saneamento seguro, saúde e
Muitas crianças não concluem a sua nutrição baseadas na escola e acesso
educação e desistem da escola como à serviços sociais para crianças órfãs
resultado da fraca qualidade do e vulneráveis. A mobilização da
ensino, salas de aulas sobrelotadas e comunidade e a consciencialização
da impossibilidade de comprar sobre a importância da educação
uniformes, livros e outros custos básica, em particular a educação das
relacionados com a escola. Em 2004, raparigas, reforça a abordagem das
apenas 28 por cento das raparigas e Escolas Amigas da Criança.
40 por cento dos rapazes concluíram
a escola primária. As escolas fornecem um ponto de
entrada para o desenvolvimento de
Existem também disparidades habilidades para a vida e a
significativas no acesso das crianças mobilização de jovens no âmbito do

21
movimento para parar a propagação
do HIV e SIDA. As crianças com
idades entre os 10 e os 14 anos
oferecem uma oportunidade para a
prevenção do HIV e SIDA. Muitas não
estão ainda sexualmente activas
nessas idades e, se equipadas com
os conhecimentos e habilidades
adequadas, podem evitar a infecção
do HIV.

O UNICEF e outros parceiros apoiam


o Ministério da Educação e Cultura a
reforçar o desenvolvimento
profissional de professores em
abordagens de ensino interactivas. A
formação é também disponibilizada
aos directores das escolas sobre
supervisão e gestão da escola e aos
Conselhos de Escola sobre
governação básica.

As escolas localizadas nos distritos


com tendência para secas, cheias,
terramotos e fome recebem apoio na
preparação para emergências
humanitárias. As autoridades da
educação recebem apoio no
desenvolvimento e actualização de
planos de contingência da educação
e os materiais são pré-posicionados
para assegurar a mínima perturbação
da escola durante as calamidades
naturais.

22
Quadro produzido por crianças durante um atelier organizado pelo artista Moçambicano
Naguib em 2006, sobre o tema educação de qualidade e escolas amigas da criança.
HIV E SIDA
As crianças são a face oculta do SIDA e, no
entanto, são a maior esperança para
combater a epidemia
EM CRESCENTE vulneráveis ao abuso e exploração resposta nacional para as crianças
PROPAGAÇÃO devido ao estigma e à falta de infectadas e afectadas pelo HIV e
cuidados e de supervisão dos SIDA.
Uma crescente proporção de adultos.
Moçambicanos está a ficar infectada As intervenções de HIV e SIDA
com HIV, sendo a maioria das novas Em 2005, o UNICEF e outros integram todos os programas do
infecções registada nos jovens. Em parceiros lançaram uma campanha UNICEF nas áreas de saúde e
2000, a prevalência nacional do HIV global sobre crianças e o SIDA com nutrição infantil, educação básica,
nos adultos – entre os 15 e os 49 foco em quatro áreas de resultados, água e saneamento ambiental,
anos de idade – foi calculada em 12.2 conhecidos como os “Quatro Ps”: protecção das crianças e resposta de
por cento e em 2006 aumentou para emergência.
1. Prevenir a transmissão vertical do
16.2 por cento.
HIV/SIDA de mãe para filho
2. Providenciar tratamento PREVENÇÃO DA
Cerca de 58 por cento dos
Moçambicanos infectados com HIV pediátrico às crianças infectadas TRANSMISSÃO DE
são mulheres. As raparigas com pelo HIV/SIDA MÃE PARA FILHO
idades entre os 15–19 anos têm uma 3. Prevenir a infecção pelo HIV/SIDA
probabilidade três vezes superior de entre adolescentes e jovens Mães e bebés
contrair a infecção do que os rapazes 4. Proteger e apoiar as crianças vulneráveis
na mesma faixa etária. Os afectadas pelo HIV e SIDA Em Moçambique, quase 100 bebés
adolescentes estão mais em risco de nascem seropositivos todos os dias.
Moçambique foi dos primeiros países
contrair HIV devido à sua falta de As mulheres grávidas podem
a advogar a iniciativa, sob o alto
conhecimento sobre como prevenir a transmitir o vírus para os seus bebés
patrocínio da Primeira Dama.
infecção, pressão dos pares e durante a gravidez, parto ou através
comportamento de risco. Actualmente, vários parceiros estão a
da amamentação.
aliar forças a nível de políticas,
Moçambique está a registar um advocacia e a nível técnico para
Uma mulher infectada nos países em
número crescente de crianças apoiar o aumento da escala da
desenvolvimento corre um risco de
seropositivas. Em 2006, cerca de 35 por cento de passar o HIV para o
99.000 crianças com menos de 15 seu bebé se não se fizer nada para
anos viviam com HIV ou SIDA; a
prevenir a transmissão. No entanto,
maioria destas tem menos de cinco
se ela beneficiar de um pacote de
anos de idade. Calcula-se que até
serviços especialmente concebido
2010, o número aumente para
para reduzir o risco, a probabilidade
121.000. A maioria das crianças foi
de infecção é reduzida para metade.
infectada através da transmissão do
HIV de mãe para filho e muitas não
Em 2002, lançou-se um programa
vivem muito tempo sem tratamento.
nacional de Prevenção da
Transmissão de Mãe para Filho
A pandemia do SIDA está também a
(PTV). Até finais de 2006, havia mais
agravar a crise de órfãos no país: dos
de 110 locais de PTV operacionais
1.6 milhões de crianças órfãs, um
em Moçambique. No entanto, a
quinto perdeu os pais devido ao
cobertura permanece baixa e muito
SIDA. As crianças órfãs devido ao
desigual. Apenas uma pequena
HIV e SIDA estão particularmente

25
fracção de mulheres seropositivas todas as unidades sanitárias com apoiando campanhas de informação
estavam a utilizar serviços PTV. O alas de cuidados pré-natais e de comunitárias.
nível de conhecimento sobre o risco maternidade. O UNICEF apoia o
de uma mãe seropositiva infectar a estabelecimento de novos locais de O UNICEF apoia também
sua criança é baixo, em particular PTV baseados nas províncias com organizações comunitárias que
nas áreas rurais e entre mulheres taxas de prevalência de HIV mais fornecem cuidados baseados no
pobres e mulheres sem uma elevadas. Um pacote abrangente de domicílio para mães e crianças com
escolarização formal. Os serviços de serviços e intervenções de PTV ajuda HIV e SIDA. Os Grupos de Apoio
PTV estão também concentrados em as mulheres a permanecerem Mães Seropositivas encorajam-nas a
e à volta das capitais provinciais, seronegativas, reduz o risco da dar a luz em unidades sanitárias em
limitando o acesso das mulheres que transmissão para as crianças e apoia vez de em casa e ajudam as
vivem em aldeias remotas. mulheres grávidas seropositivas a
aderir ao programa de PTV. As redes
Diminuir a mosquiteiras tratadas com
probabilidade de insecticida, suplementos nutricionais
infecção para crianças e multi-vitaminas para
O Ministério da Saúde recebe apoio adultos são distribuídos às mulheres
de uma variedade de parceiros, e crianças mais vulneráveis.
incluindo o UNICEF, outras agências
das NU, doadores, sociedade civil e
comunidades, para aumentar a PROVISÃO DE
escala do programa nacional de PTV, TRATAMENTO
melhorar a qualidade dos serviços e PEDIÁTRICO
fornecer apoio comunitário para
apoiar crianças e mulheres Os jovens em risco
seropositivas. As intervenções estão Cerca de 99.000 crianças com menos
concentradas nas províncias com as de 15 anos vivem com HIV e SIDA. A
taxas de prevalência mais elevadas. maioria tem menos de cinco anos.
Calcula-se que em 2010, haverá cerca
O UNICEF trabalha no âmbito do
de 121.000 crianças seropositivas em
enquadramento da Campanha Global
Moçambique. Apesar da maioria das
sobre Crianças e SIDA (Juntos pelas
infecções resultarem da transmissão
Crianças Juntos Contra o SIDA) e as mães e bebés seropositivos. A
de mãe para filho, o Hospital Central
incide, estrategicamente, em ajudar o formação no trabalho é fornecida a
de Maputo constata também que
Governo a criar demanda pública de enfermeiras e médicos sobre
algumas crianças estão a ficar
serviços de PTV fornecendo, ao protocolos de tratamento de
infectadas através de transfusões de
mesmo tempo, apoio para a transmissão vertical e de SIDA
sangue, injecções contaminadas e
capacitação nacional e comunitária pediátrico actualizados,
abuso sexual.
de forma a implementar um pacote aconselhamento e alimentação
abrangente de serviços de PTV como infantil, entre outros tópicos.
Mais de metade das crianças que
parte de programas de cuidados pré-
vive com HIV e SIDA morre no seu
natais.
O UNICEF ajuda o Governo a primeiro ano de vida se não receber
O Ministério da Saúde pretende aumentar a participação masculina tratamento, e as doenças
expandir os serviços de PTV em na PTV e a combater o estigma relacionadas com o SIDA estão cada

26
vez mais a surgir como uma causa um pacote de serviços integrado encontros sexuais não é protegido.
da mortalidade infantil. Em 2006, 17 para crianças, incluindo triagem, Apenas seis por cento das raparigas
por cento dos óbitos de crianças aconselhamento e testagem com idades entre os 15-19
resultaram de doenças relacionadas voluntária, tratamento de doenças declararam ter utilizado um
com o HIV. oportunistas, apoio nutricional e preservativo.
cuidados domiciliários.
Três quartos das crianças que vivem Os jovens estão também em risco de
com HIV e SIDA necessitam de anti- A nível nacional e provincial, o infecção porque não sabem o
retrovirais (ARVs) mas apenas 3 por UNICEF fornece apoio técnico ao suficiente sobre a transmissão e
cento das crianças elegíveis estão a Ministério da Saúde para rever prevenção do HIV. Apenas 47 por
receber tratamento em 2006. Das que protocolos de tratamento pediátrico e cento das raparigas e 63 por cento de
estão a receber ARVs, 55 por cento actualizar as capacidades dos rapazes entre os 15 e os 24 anos de
são crianças que vivem na capital técnicos de saúde. A nível da idade sabem que utilizar
Maputo, uma indicação da comunidade, utilizam-se várias preservativos e ter relações sexuais
disponibilidade e acesso desigual ao estratégias de comunicação para com um parceiro fiel e não infectado
tratamento. aumentar a consciencialização sobre são os dois métodos de prevenção
o SIDA pediátrico e criar demanda de principais.
Alargar os serviços para serviços. Os agregados que estão a
tomar conta de crianças infectadas Passar a ser agentes de
crianças seropositivas
beneficiam também de cuidados mudança
O Ministério da Saúde, com apoio do
domiciliários e de referência para
UNICEF e de outros parceiros, O Conselho Nacional de Combate ao
serviços de saúde primários.
trabalha para alargar o tratamento, SIDA, com apoio do UNICEF e de
cuidados e apoio para crianças outras agências das NU, parceiros
dos meios de comunicação,
seropositivas em todo o país. PREVENIR INFECÇÃO
Salienta-se a capacitação dos NOS JOVENS sociedade civil, comunidades e
técnicos de saúde e das jovens, executa um programa
comunidades, melhor prestação de Exposição numa idade nacional de HIV e SIDA que inclui a
serviços nos distritos, tenra prevenção da infecção de HIV nos
desenvolvimento de políticas Os jovens, em particular as adolescentes e jovens e combate à
nacionais com foco nas crianças e raparigas, são afectados pela discriminação e ao estigma. A
mobilização da comunidade. pandemia do SIDA de forma mobilização da comunidade e a
desproporcionada. Em 2006, a participação dos jovens são as duas
O Ministério da Saúde está a adoptar prevalência do HIV nas raparigas estratégias principais para atingir
uma abordagem de saúde pública ao com idades entre 15-19 era de 8.9 isto.
tratamento pediátrico, promovida por cento em comparação com 2.9
através de ligações com outras por cento nos rapazes da mesma O UNICEF e os parceiros apoiam o
intervenções de sobrevivência das faixa etária. As raparigas têm mais Governo a aumentar a
crianças tais como suplementos de risco de infecção devido a factores consciencialização pública e a
vitamina A, imunização, práticas de biológicos bem como a expectativas mobilizar a acção da comunidade em
alimentação infantil seguras e redes sociais que as impedem de negociar torno do HIV e SIDA. O teatro
mosquiteiras tratadas. Está-se a práticas sexuais mais seguras. comunitário, unidades multimédia
aumentar a escala e a reforçar novos móveis e as redes de rádio
locais de tratamento com ARV e Os jovens tornam-se sexualmente comunitárias são utilizadas para fazer
também locais existentes através de activos cedo, e a maioria dos chegar aos jovens vulneráveis que

27
JOVENS ASSUMEM A LIDERANÇA vivem em áreas remotas mensagens
sobre como prevenir a infecção do
HIV, viver de forma positiva e tomar
O envolvimento dos jovens é fundamental. Quando são apreciados como fontes de
conta dos amigos e vizinhos já
energia, imaginação e competência, os jovens florescem e o mesmo acontece às
infectados. Os membros das
comunidades em que vivem. A participação dos jovens nos programas de
comunidades são encorajados a
desenvolvimento não só é uma estratégia eficaz para o desenvolvimento social mas
procurar o aconselhamento e
também um direito humano fundamental.
testagem voluntária e as mulheres
recebem informações sobre como ter
Os jovens em Moçambique enfrentam vários desafios – pobreza, HIV e SIDA, falta de
acesso à serviços de PTV.
oportunidades de educação, acesso limitado à informação e práticas culturais que
discriminam contra as mulheres e as raparigas. Por isso, é ainda mais urgente do
Encorajar os jovens a participar de
que nunca oferecer-lhes plataformas através das quais possam ter um impacto
forma activa na resposta nacional ao
significativo no mundo em que vivem.
HIV e SIDA é fundamental para parar
a propagação da pandemia. Isto está
Os jovens em Moçambique trabalham para capacitar os seus pares, famílias e a a ser feito através da criação de
comunidade em geral com informações e conhecimentos que ajudem a salvar vidas oportunidades para as crianças e os
e a melhorar o bem-estar de todos. Os jovens recebem apoio do UNICEF e de outros jovens expressarem as suas
parceiros para atingir este objectivo através de vários meios de comunicação preocupações e para estimular o
comunitários: diálogo entre as crianças e os
fornecedores de serviços. O UNICEF
Rede de teatro comunitário: peças de teatro que convidam membros do público a promove os meios de comunicação
participarem de forma activa como actores. Em Moçambique, esta abordagem é da criança para criança, fornece
utilizada pelo grupo de teatro ‘Grupo de Teatro do Oprimido’ apoiado pelo UNICEF equipamento e ajuda a formar
(um estilo de teatro desenvolvido no Brasil como uma ferramenta para explorar crianças, adolescentes e jovens na
experiências da vida real). Através dos seus desempenhos activos, aumentam a produção de programas de rádio e
consciencialização e promovem atitudes e comportamentos positivos nas áreas de de TV. Os programas de rádio da
educação das raparigas, consciencialização sobre género e prevenção do HIV e SIDA. criança para criança sobre tópicos
tais como HIV e SIDA, educação das
Meios de Comunicação da Criança-para-Crianca: a rede de meios de comunicação da
criança-para-criança é a voz das crianças Moçambicanas nos meios de comunicação
locais. A rede envolve crianças e jovens no desenvolvimento, produção e
apresentação de programas de TV e de rádio. O abuso e a violência contra as
crianças, HIV e SIDA, educação e entretenimento fornecem o conteúdo para a
programação. O UNICEF trabalha com os jovens, a Rádio Moçambique, a TVM, a
FORCOM (a rede de rádios comunitárias) e a UNESCO neste projecto.

Unidades Móveis: uma unidade móvel é um veículo equipado com um projector de


vídeo, um ecrã grande, um rádio e que contém informações e material de educação e
de comunicação. Cada unidade inclui também tendas que podem ser montadas
como salas para aconselhamento ou espaços para uma discussão de grupo focal. As
unidades móveis deslocam-se às comunidades e são utilizadas para estimular o
debate e a partilha de informações sobre a educação das raparigas, HIV e SIDA e
serviços de saúde amigos dos adolescentes e jovens.

28
raparigas e prevenção do abuso das crianças são as que estão mais em de crianças com serviços sociais
crianças e violência baseada no risco. básicos tais como educação, saúde,
género são divulgados em todas as nutrição, apoio psico-social e
províncias e atingem milhares de Criar um ambiente protecção social.
crianças, adolescentes e jovens todas protector
as semanas. As associações juvenis O Governo, instituições nacionais e a O Governo, o UNICEF e outros
desenvolvem e realizam os seus sociedade civil recebem apoio do parceiros desenvolveram um Pacote
próprios programas de educação de UNICEF e de outros parceiros para Básico de itens do agregado,
pares sobre o HIV e SIDA em sete aumentar o acesso à serviços básicos incluindo redes mosquiteiras, roupas,
províncias com as taxas de infecção e à protecção social para crianças sabão, cobertores e utensílios de
de HIV mais elevadas. órfãs e vulneráveis nas províncias cozinha para as famílias mais
mais afectadas pelo HIV e SIDA. As desfavorecidas com órfãos. Trabalhar
estratégias principais utilizadas para com a comunidade é a forma mais
PROTEGER CRIANÇAS realizar este objectivo são capacitar o eficaz de fazer chegar serviços
ÓRFÃS E governo, mobilizar as comunidades essenciais às pessoas que deles
VULNERÁVEIS para apoiar crianças órfãs e necessitam. O UNICEF trabalha com
vulneráveis e prestar serviços as autoridades do governo local para
Números crescentes essenciais. reforçar a capacidade das
Com 500 Moçambicanos a ficarem organizações da sociedade civil e dos
infectados todos os dias, está claro activistas sociais comunitários para
que o número de adultos que vivem fazer chegar aos agregados liderados
com o HIV e SIDA ou que estão a por crianças, mulheres e idosos
morrer com doenças relacionadas apoio psico-social, educativo, de
com o SIDA vai continuar a crescer. saúde e nutricional bem como apoio
Na próxima década, um número com registo de nascimento. As
crescente de crianças vai viver com famílias vulneráveis recebem apoio
pais cronicamente doentes ou vai para estabelecer projectos geradores
ficar órfã. Em 2006, mais de 380.000 de rendimento para fortalecer a sua
crianças perderam os seus pais independência.
devido a doenças relacionadas com o
HIV. O Governo está a considerar formas
de expandir a protecção social para
As crianças órfãs enfrentam várias crianças órfãs e vulneráveis. O
vulnerabilidades e riscos, tais como UNICEF e outros parceiros chave
exploração sexual e abuso, trabalho estão a apoiar o Governo no
infantil perigoso, vida sexual desenvolvimento de uma estratégia
prematura e casamento, baixa A capacitação institucional é um pré- de longo prazo para esta área crítica.
frequência escolar, problemas de requisito para melhorar a vida das A protecção social inclui mecanismos
desempenho e psico-sociais. As crianças vulneráveis. A capacidade tais como subsídios alimentares ou
crianças órfãs, em particular as que do Ministério da Mulher e da Acção transferências monetárias que
perderam as mães, têm mais Social foi reforçada para aliviam as famílias vulneráveis e lhes
probabilidade de ficar malnutridas e implementar o Plano de Acção para oferecem a oportunidade de procurar
pouco saudáveis. As crianças que Crianças Órfãs e Vulneráveis. O plano trabalhar e de se tornarem auto-
vivem em agregados liderados por pretende atingir cerca de 1.3 milhões suficientes.

29
PROTECÇÃO DAS
CRIANÇAS
Criar um ambiente protector para as crianças é essencial
para proteger os seus direitos à sobrevivência, crescimento
e desenvolvimento
AMEAÇAS PARA AS criança. Muitas crianças em conflito para a protecção de crianças tais
CRIANÇAS com a lei estão extremamente como a Lei de Bases de Protecção da
vulneráveis ao abuso e à violência. Criança e um Plano de Acção
As informações a nível das violações Nacional para Crianças Órfãs e
dos direitos da criança tais como o Outra área crítica é a protecção de Vulneráveis. No entanto, o alcance
trabalho infantil, tráfico ou crianças órfãs. Existem cerca de 1.6 dos serviços para crianças em risco
exploração sexual são escassas milhões de órfãos em Moçambique e de violência, abuso e exploração é
devido à natureza sensível de tais este número está a aumentar como limitado.
tendências. No entanto, as provas resultado do HIV e SIDA. No caso de
disponíveis recolhidas através de crianças que perderam ambos os O Governo está a receber apoio do
vários inquéritos e estudos, pais, 60 por cento foi devido à UNICEF e de outros parceiros para
apresentam um quadro preocupante. pandemia do SIDA. Muitas das testar modelos diferentes de
crianças que estão órfãs e protecção e de prestação de serviços
Cerca de 35 por cento das mulheres vulneráveis devido ao HIV e SIDA são para as crianças mais vulneráveis e
que participaram num estudo as que têm mais probabilidade de para aumentar a escala das
realizado em 2004 pelo Ministério da serem estigmatizadas, trabalhar em intervenções bem sucedidas.
Mulher e da Acção Social declararam situações de exploração e estarem
ter sido espancadas, principalmente em risco de tráfico e exploração, O UNICEF e outros parceiros apoiam
pelos maridos e parentes do sexo abuso e negligência. também a implementação da Lei de
masculino. O estudo concluiu que a Bases de Protecção da Criança e o
aceitação cultural da violência Em Moçambique, apenas seis por estabelecimento de um órgão de
baseada no género é uma das causas cento das crianças com menos de coordenação nacional para fiscalizar
principais da violência doméstica. cinco anos tem uma certidão de a implementação da Lei. Secções
nascimento e milhões de crianças separadas para crianças estão a ser
Estudos de casos sugerem que continuam em risco porque não têm estabelecidas nos tribunais
existem níveis elevados de assédio protecção social. O registo de provinciais.
sexual e de exploração no sistema nascimento contribui para reduzir a
escolar. Num Perfil da Juventude vulnerabilidade das crianças. A prova Os sistemas de vigilância da
solicitado pelo Ministério da de idade que é uma certidão de comunidade responsáveis pela
Juventude e Desportos e pelo nascimento oferece um grau de monitoria, elaboração de relatórios
UNICEF em 2004, 20 por cento das protecção a uma criança de uma que ajudam a prevenir o abuso das
raparigas declararam que o abuso variedade de abusos relacionados crianças e a violência baseada no
sexual é um problema nas escolas. com a idade tais como casamento género estão a ser alargados. O
prematuro, exploração sexual, UNICEF apoia estes mecanismos,
O estudo da Save the Children trabalho infantil e recrutamento que incluem várias actividades tais
(Noruega) em 2003 revelou que pelo militar. como formar grupos de referência a
menos 25 por cento dos prisioneiros nível das escolas compostos por
nas províncias de Nampula, Sofala e autoridades provinciais e distritais,
Maputo tinha menos de 18 anos. O EXPANDIR O pais, educadores, educandos, líderes
sistema prisional não oferece aos AMBIENTE PROTECTOR comunitários e representantes da
reclusos juvenis protecção de acordo sociedade civil. Para complementar
com o previsto no âmbito dos Fizeram-se progressos significativos os sistemas de vigilância, está a ser
padrões internacionais para justiça no desenvolvimento de um realizado um projecto de
juvenil e protecção dos direitos da enquadramento legal abrangente consciencialização da comunidade

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sobre a prevenção da violência, Uma estratégia chave para melhorar Os modelos testados da prestação de
abuso e exploração através do teatro a protecção e cuidados de crianças serviços e da protecção social,
comunitário. órfãs e vulneráveis devido ao HIV e incluindo registo de nascimento,
SIDA é assegurar que o Plano de estão a ser utilizados para expandir e
As mulheres e crianças podem Acção Nacional para Crianças Órfãs e reforçar um programa nacional de
recorrer a Centros de Atendimento Vulneráveis é implementado. O protecção das crianças que impede
em todo o país que apoiam a UNICEF está a ajudar a reforçar a que as crianças sejam expostas ao
reabilitação de vítimas de violência e capacidade do Ministério da Mulher trabalho infantil, tráfico, casamento e
de abuso. Será estabelecido um e Acção Social para planear, prestar e outras formas de abuso e de
centro compreensivo em cada monitorar os serviços para crianças exploração.
província com programas baseados vulneráveis, as suas famílias e
no próprio Centro e programas de comunidades no âmbito do
extensão. enquadramento do plano de acção.

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ACÇÃO HUMANITÁRIA
Uma espiral viciosa
Moçambique está sujeito a calamidades naturais incluindo cronicamente vulneráveis e das mulheres afectadas por secas
ciclones, cheias, secas persistentes e terramotos. Estes eventos persistentes. Estas incluem apoiar o Governo e outros parceiros
têm um impacto dramático na vida das crianças e das a lidar com malnutrição crónica e grave, malária, doenças
mulheres, muitas das quais já sofrem de vulnerabilidade transmitidas pela água, surtos de cólera, actividades de
crónica devido à insegurança alimentar, HIV e SIDA, epidemias educação de emergência, entre outras.
de saúde e acesso inadequado à serviços sociais.
O UNICEF tem um plano interno de Preparação e Resposta a
As emergências de início rápido tais como ciclones ou cheias Emergências que foca a preparação e estratégias de resposta
danificam escolas, unidades sanitárias, estradas, pontes e para emergências de início rápido; estes cenários de
casas, limitando ainda mais o acesso das planeamento incluem a possibilidade de
pessoas à serviços básicos e, em alguns terramotos, ciclones e cheias.
casos, levando à deslocação.
O UNICEF faz parte da Equipa de Gestão de
Todos os anos, milhares de crianças, mulheres Calamidades das Nações Unidas em
e homens, em particular os que vivem em Moçambique que trabalha com o Governo de
zonas afectadas pela seca no sul e centro de Moçambique para reforçar a capacidade
Moçambique, são afectados pela insegurança nacional de preparação para responder e
alimentar, o que causa mais fome e mitigar os danos resultantes de situações de
malnutrição. emergência de início rápido e às necessidades
de emergência crónicas de início lento.
Os mecanismos tradicionais de lidar com a
situação confiando na família alargada Do mesmo modo, o UNICEF e outros parceiros
durante a época das secas foram esticados apoiam o Plano Estratégico Nacional para a
pela pandemia do SIDA, criando uma espiral viciosa de doença, Prevenção e Mitigação de Calamidades Naturais e trabalham
privação e insegurança alimentar. As raparigas e os jovens com o Instituto Nacional de Gestão de Calamidades para
correm o risco de se envolver em actividades de sexo reforçar a capacidade nacional de preparação, resposta e
comercial para sobreviver, o que os expõe a doenças mitigação do impacto das calamidades naturais.
sexualmente transmissíveis tais como HIV e SIDA.
Mecanismos como o Comité de Avaliação da Vulnerabilidade e
Durante os períodos de seca, a susceptibilidade a outras o Inquérito de Segurança Alimentar e de Nutrição do Agregado
doenças infecciosas tais como a cólera e a diarreia aumenta ajudam a identificar populações cronicamente vulneráveis que
quando os poços secam e as pessoas recorrem a água serão particularmente afectadas quando as condições das
contaminada para consumo. Para os que vivem com HIV e calamidades naturais piorarem, permitindo ao Governo e aos
SIDA, isto pode significar desastre uma vez que o sistema seus parceiros planear, preparar e responder de forma
imunológico frágil das pessoas não aguenta e o declínio da adequada às necessidades das populações.
saúde é acelerado.
A nível provincial, distrital e da comunidade, a capacidade das
Resposta a desastres autoridades e das comunidades foi reforçada para prestar ajuda
As actividades de resposta a emergências do UNICEF estão de emergência quando outro desastre natural exacerba as
integradas nas diferentes componentes do Programa Nacional condições de desenvolvimento já ténues.
de Cooperação para abordar as necessidades das crianças

Publicado pelo UNICEF Moçambique


33 Fotografias: Giacomo Pirozzi
Capa: quadro produzido por crianças durante um atelier organizado pelo artista Moçambicano
Naguib em 2006 sobre o tema educação de qualidade e escolas amigas da criança

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