Você está na página 1de 2

Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento Rua Embrapa s/n - CP.

007 - 44380-000 - Cruz das Almas, BA Tel: (75) 3621-8000 - Fax: (75) 3621-8097 www.cnpmf.embrapa.br sac@cnpmf.embrapa.br

ABACAXI

EM FOCO

Número 36

Outubro/2005

MANEJO INTEGRADO DA BROCA-DO-FRUTO DO ABACAXI
Nilton Fritzons Sanches1

INTRODUÇÃO
A broca-do-fruto Strymon megarus (Godart, 1824), anteriormente denominada de Thecla basalides, é considerada uma das principais pragas da abacaxicultura brasileira. A praga ocorre em várias regiões produtoras do país, e quando não controlada, pode causar prejuízos de até 80%. Ela possui um número reduzido de hospedeiros; além do abacaxi, pode ser encontrada em espécies nativas de bromeliáceas. DESCRIÇÃO E HÁBITOS: Na fase adulta, é uma pequena borboleta com aproximadamente 2,8 a 3,5 cm de envergadura (Figura 1). A coloração das asas é cinza escura na face superior e cinza clara, na inferior. As borboletas, em vôos rápidos e irregulares, visitam as plantas em todas as horas do dia, onde realizam as posturas dos ovos desde a saída da inflorescência até o fechamento das últimas flores. As partes superior e mediana da inflorescência são os locais preferidos, embora os ovos também possam ser observados no pedúnculo e nas gemas que darão origem às mudas do tipo filhote. Essas informações são importantes no monitoramento da praga. O ovo é circular, esbranquiçado e achatado na sua parte inferior e, embora pequeno, com cêrca de 0,8 mm de diâmetro, é fácil de ser observado na planta (Figura 2). Para facilitar o monitoramento recomenda-se, ao induzir a planta, não jogar o carbureto, em pedras, diretamente na roseta foliar, pois o resíduo deste na inflorescência, dificultará a localização do ovo da broca. Cinco dias após a postura dos ovos ocorre a eclosão de uma lagartinha de coloração amarela-pálida, com aproximadamente 1,6 mm de comprimento, que inicia o seu ataque, normalmente, na base tenra das brácteas. Nessa fase, ela permanece no interior da inflorescência por aproximadamente 13 a 16 dias. Quando completamente desenvolvida, atinge 18-20 mm de comprimento e 6 mm de largura, e apresenta manchas longitudinais avermelhadas sobre o tom amarelo-escuro de seu corpo. O ventre e o dorso são ligeiramente deprimidos, o que lhe dá o aspecto típico de “lesma” ou “tatuzinho de jardim”. Ela desce pelo pedúnculo e, próximo a este, na base das folhas, se transforma em pupa. Sete a onze dias após, ocorre a emergência do adulto. A pupa possui uma coloração castanha com manchas escuras e o seu comprimento está em torno de 13 mm. SINTOMAS E DANOS: A lagarta, ao penetrar na inflorescência, rompe os tecidos, resultando no aparecimento de uma resina incolor, bastante fluída. Em contato com o ar, a resina forma bolhas irregulares, tornando-se amarelada e, ao endurecer, marrom-escura. É interessante observar que a inflorescência, quando infectada pela fusariose (doença fúngica), também exsuda resina como sintoma de ataque, porém, geralmente, pelo centro do frutilho, enquanto que no caso da broca-do-fruto a resina surge entre os frutilhos.

MONITORAMENTO E CONTROLE INTEGRADO:
A necessidade de efetuar, ou não, o controle químico é fundamentada no monitoramento, uma prática que nada mais é do que uma vistoria rigorosa, com o objetivo de observar a presença de adultos da referida praga na área e de ovos na inflorescência. Em plantios de até cinco hectares, deve-se amostrar 10 pontos por hectare, caminhando-se em ziguezague, avaliando-se 20 inflorescências seguidas na linha em cada ponto, num total de 200 plantas por hectare. Em plantios com área superior a cinco hectares, deve-se amostrar 20 pontos avaliando-se 20 inflorescências seguidas na linha em cada ponto, num total de 400 plantas por plantio (Figura 3). As avaliações, de freqüência semanal, devem ser iniciadas na época do aparecimento da inflorescência, aproximadamente na 6a. semana após a indução floral e finalizadas, aproximadamente, na 12a. semana, após o fechamento das últimas flores da inflorescência (Figura 4). Nessas avaliações, detectando-se pelo menos um adulto ou duas inflorescências com pelo menos uma postura (um ovo), iniciar o controle (Tabela 1), pulverizando 1.000 litros de calda inseticida por hectare por aplicação (35 ml calda/inflorescência/aplicação). Caso seja necessário reaplicar o produto, manter intervalos de 15 dias entre as aplicações. Havendo coincidência de tratamentos, as aplicações do inseticida podem ser associadas às aplicações do fungicida usado para o controle da fusariose. O monitoramento periódico das inflorescências é uma prática bastante útil, permitindo que a primeira aplicação seja iniciada somente quando do aparecimento do adulto e/ou das primeiras posturas dos ovos da broca, reduzindo-se assim a aplicação de inseticidas e os custos com mão-de-obra.

1

Engo Agrônomo, Pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical, Caixa Postal 007. CEP 44380-000, Cruz das Almas, BA.

Produtos registrados pelo Ministério da Agricultura. As embalagens vazias dos produtos químicos usados nos abacaxizais não devem ser deixadas expostas ao tempo e nem reutilizadas.gov. Esquema de caminhamento para amostragem da broca-do-fruto do abacaxizeiro durante a fase de florescimento da cultura em plantio de até cinco hectares ( ) e com mais de cinco hectares ( ).: A escolha e utilização desses produtos deve ser feita mediante orientação técnica e receituário agronômico. Pecuária e Abastecimento . realizando-se a coleta e a eliminação de inflorescências atacadas (presença de resinas) pela broca-do-fruto. Avaliar 20 inflorescências por local de amostragem. megarus é específica do abacaxizeiro. Pecuária e Abastecimento para o controle da broca-do-fruto do abacaxi Strymon megarus. Adultos (borboleta) da broca-dofruto.Pouco Tóxico Classe I II III IV * 3 Periculosidade ambiental Produto altamente perigoso Produto muito perigoso Produto perigoso Produto pouco perigoso Em adequação a lei nº 7. Devem ser encaminhadas para centrais de recolhimento de embalagens de agrotóxicos mantidas por instituições oficiais. Fig. para impedir a postura dos ovos nas inflorescências. 2. Fotos: Nilton Fritzons Sanches Fig. I C.br/agrofit_cons/principal_agrofit_cons (consultado em 30/08/2005) Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico Mandioca e Fruticultura Tropical Ministério da Agricultura. 2 . Diagrama do abacaxizeiro da indução floral ao fechamento das flores. Tabela 1. I C. I C. Base de dados. 3. I 1 Tox IV IV III III III III III II II II II II I 2 Amb IV I * II II II I * III I II II * 3 Dose para 100 litros de água 60 g 10 mL 15 kg/ha 225 mL 150 g 200 g 20 ml 225 mL 300 mL 8 ml 150 mL 150mL 135 mL Carência4 (dias) 0 14 7 7 7 14 14 7 7 14 14 14 15 Modo de Ação: 2 Classes e níveis de toxicidade dos agrotóxicos (a distinção do seu grau de periculosidade é feita pela cor da faixa colocada na base do rótulo dos produtos) I– Extremamente Tóxico II – Altamente Tóxico III – Medianamente Tóxico IV . I C. 1. aos 45-55 dias após a indução do florescimento. http://extranet. sendo de sete a dez dias o intervalo entre aplicações (Tabela 1). I C. Ilustração: Gildefran A. Eliminação de inflorescências atacadas: é um método que pode ser utilizado em pequenas áreas de cultivo. 3 . 40 dias II 20 dias III 20 dias IV I = Indução do florescimento (aplicação do carbureto) II = Surgimento da inflorescência na roseta foliar III = Abertura das primeiras flores IV = Fechamento das últimas flores Fig. I C. Ingrediente ativo B.agricultura.Método Mecânico Em pequenas áreas. de Assis I Fig. I C. a exemplo da Agência Estadual de Defesa Agropecuária da Bahia (ADAB). Ovo da broca-do-fruto numa inflorescência. I C. com o objetivo de diminuir o potencial de infestação do inseto-praga. assim esse método pode trazer vantagens.Outras medidas de manejo integrado da broca-do-fruto compõem-se de: 1 . Fonte: AGROFIT (2005). A broca-do-fruto S. I C. I C.802/89 Tiragem: 1000 exemplares 4 Intervalo entre a última aplicação e a colheita. em ordem decrescente de toxicidade. Obs. através de plantios alternados de plantas que não sejam hospedeiras das mesmas pragas. pode-se cobrir as inflorescências com sacos de papel parafinado. thuringiensis Deltametrina Carbaril Carbaril Carbaril Fenitrotiona Deltametrina Carbaril Triclorphon Beta-ciflutrina Fenitrotiona Fenitrotiona Parationa-metílica 1 Grupo Químico biológico piretróide metilcarbamato metilcarbamato metilcarbamato organofosforado piretróide carbamato organofosforado piretróide organofosforado organofosforado organofosforado S: sistêmico C: contato Tipo de Formulação Pó molhável (WP) Suspensão concentrada (SC) Pó sêco (DP) Suspensão concentrada (SC) Pó molhável (WP) Pó molhável (WP) Concentrado emulsionável (EC) Suspensão Concentrada (SC) Concentrado solúvel (SL) Suspensão concentrada (SC) Concentrado emulsionável (EC) Concentrado emulsionável (EC) Concentrado emulsionável (EC) I: ingestão Ação I C. I C.Métodos Culturais Rotação de cultura: é um método que visa reduzir a população de um inseto-praga de uma determinada cultura a um nível baixo. 4. A duração de cada fase pode ser maior em períodos com temperaturas baixas. D.Controle Biológico Inseticidas microbianos à base de Bacillus thuringhiensis Berliner podem ser usados para controlar esse inseto-praga.