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REFLEXÕES SOBRE A RELAÇÃO ENTRE AS PRÁTICAS DO NUPEEJA/UFRN E A EDUCAÇÃO POPULAR Walter Pinheiro Barbosa Junior1 walter_natal@hotmail.com

Principiando

Desorganizar a razão me parece, por mais paradoxal que seja, trabalho racional. (Eli Celso)

O convite para celebrar a vida dialogando sobre Educação Popular e Movimentos Sociais nesse vigésimo Encontro de Pesquisa Educacional do Norte e Nordeste, despertou em mim um desejo de querer compartilhar as práticas do Núcleo de Pesquisa e Estudos de Educação de Jovens e Adultos (NUPEEJA/UFRN), que integra a Cátedra UNESCO de EJA no Brasil e refletir sobre como essas práticas se relacionam com a Educação Popular. Tomei como o a-se-pensar para esse artigo a relação entre as práticas do NUPEEJA e a Educação Popular. Essa perspectiva deve-se ao reconhecimento de que as práticas implicam pessoas com suas idéias e seus corpos, providas de necessidades e desejos, em um tempo e espaço que se experimentam com o mundo. Assim, diminuo a possibilidade de desvirtuar-me do pulsar da vida, pois não recorro racionalmente a idéias pré-concebidas de onde a vida derivaria, ou a pessoas idealizadas por construtos teóricos. A vida deriva da vida. Portanto, esse esforço que busca identificar e refletir os efeitos da prática na reorganização do pensamento enraízase na retomada de um debate que existiu na antiguidade. Segundo SILVEIRA (2002), em sua tese de doutorado, intitulada: Livro de Utopias Regras e Métricas. Há uma distinção entre Protágoras e Platão. Protágoras, um
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Professor do Centro de Educação da UFRN e do Programa de Pós-Graduação em Educação. Lotado no Departamento de Fundamentos e Políticas da Educação. Membro do Núcleo de Pesquisa e Estudos de Jovens e Adultos e da Cátedra da UNESCO de EJA. Coordenador do Grupo de Pesquisa Dialogicidade, Educação de Jovens e Adultos e Práticas Culturais. Casado com Rossana Pinheiro e Pai de Artur Pinheiro.

e foi assim que os chefes. O homem é que deriva desse grande modelo. 15. uma cultura em que o público passa para a esfera privada. implicou fortemente na política. intitulada: “Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens”. Na obra citada. esse debate entre os dois filósofos ocidentais se constitua em uma das raízes que explica um pouco o movimento atual. Talvez. já acostumado com a dependência. p. 1999. ao publicar em 1754 sua obra. Platão demoliu essa máxima. Para este filósofo. se instaurou um movimento vivencial em que os humanos deixaram de ser a medida de todas as coisas. tornando-se estranhos a si mesmo. acostumaram-se a olhar sua magistratura como um bem de família. por meio de uma relação em que o povo. de se inserir nele com mais consciência de si e da vida. consentiu em deixar aumentar sua servidão para fortalecer sua tranqüilidade. encontrei a seguinte interpretação: O povo. a chamar seus concidadãos de escravos.2 sofista. 2002) Essa perspectiva anunciada por Platão parece indicar que.. sugere que “o homem é a medida de todas as coisas. segundo SILVEIRA: O mundo não está estabelecido por um modelo humano. Construindo no século XVIII. em que os humanos deixaram de ser a medida de todas as coisas. Rousseau..234). Passaram de instituintes a instituídos. mas geométrico. Rousseau evidencia a existência de um grupo que transita de “funcionário” a “proprietário” do Estado. . Este modelo é a medida pela qual o mundo do homem conhecerá sua razão. Evidencia aspectos importantes sobre gênese e práticas que explicam a desigualdade entre os humanos. tendo se tornado hereditários. em que as pessoas deixaram de tomar suas práticas e experimentações cotidianas como fonte geradora do sentido de seu viver com o mundo e. com o sossego e com as comodidades da vida. Esse conflito tratado pelos antigos. e já sem condições de romper seus grilhões. p.]. na medida em que são e que não são”. a olhar a si mesmos como os proprietários do Estado do qual de início eram apenas os funcionários. acostumado com a dependência e sem condições de romper os grilhões “consentiu” em deixar aumentar sua servidão para fortalecer sua tranquilidade. a incluí-los como gado no número das coisas que lhes pertenciam [. (SILVEIRA. (Rousseau.

como nos sugere AZEVEDO (2003). exatamente. seus vínculos de essencialidade para com a dimensão prática”. de prescrição a ser seguida. As tarefas de seu tempo não são captadas pelo homem simples. afoga-se no anonimato nivelador da massificação. que: “uma das características mais comumente associadas à Educação Popular é. Esses três pensadores estranhamente geraram suas idéias a partir de práticas vivenciadas em suas configurações históricas. foi objeto de reflexão do educador pernambucano Paulo Reglus Neves Freire.43) Essa perspectiva vivencial apontada por Freire. sugerindo que: Uma das grandes. 1967. mas a ele apresentadas por uma elite que a interpreta e lhas entrega em forma de receita. publicou o livro intitulado: “Educação Como Prática da Liberdade” e. articula-se com a formulação platônica que demoliu o principio de Protágoras e com o movimento de organização da burguesia interpretado por Rousseau. se não a maior. pode gerar um movimento que possibilite cada pessoa reinterpretar em si mesmo o mundo. quando julga que se salva seguindo as prescrições. [. E. sem o saber. refere-se ao brasileiro.. refletir a partir das práticas cotidianas das pessoas e grupos organizados em uma dada configuração. NUPEEJA/UFRN e suas práticas . Coisifica-se. Rebaixa-se a puro objeto.. no primeiro capítulo. que estudando o Brasil na década de 1960. e por isso vem renunciando cada vez. domesticado e acomodado: já não é sujeito. está em que é hoje dominado pela força dos mitos e comandado pela publicidade organizada. em que o ser humano tende a renunciar sua capacidade de decidir.]. (FREIRE. p. sem esperança e sem fé. identificar os debates que ajudaram a desenhar as relações intersubjetivas entre os humanos na atualidade e.3 Esse paradoxo político e social. em que o povo “consente” aumentar a servidão para ganhar em troca a tranquilidade. Esse conjunto de concepções apresentados até agora me orientaram no percurso da vereda em que busco compartilhar as práticas do NUPEEJA e refletir sobre como elas se relacionam com a Educação Popular. Assim. É importante considerar. à sua capacidade de decidir. tragédia do homem moderno. Vem sendo expulso da órbita das decisões. denominado: “A sociedade brasileira em transição”.

As práticas do Núcleo foram orientadas entre os anos de 1997 e 2010. O Núcleo de Pesquisa e Estudo de Educação de Jovens e Adultos protagonizou desde 1997. ao mesmo tempo em que se especializavam em EJA. as principais iniciativas de intervenção nas áreas de ensino. denominado: “diálogo das inquietudes”.4 Ninguém pode permanecer em si: a humanidade do Seraí. os professores do Núcleo. As professoras responsáveis por essa retomada das atividades do Departamento no campo da EJA foram Rosa Aparecida Pinheiro. A Base aflorou no Núcleo e contribuiu para que os resultados dos Projetos de Extensão se constituíssem em fonte de pesquisas no campo da EJA. Esse foi um movimento que fez emergir a necessidade dos professores do Núcleo apresentar projetos de extensão e projetos de pesquisa relacionando-os. Sandra Maria Borba Pereira. Essa configuração pouco favorável. fez com que os professores do Núcleo realizassem um movimento de reorganização de suas práticas a partir do ano de 2004. não estavam credenciados no Programa de Pós-Graduação em Educação. No entanto. pesquisa e extensão em Educação de Jovens e Adultos. oferecendo disciplinas complementar de EJA para os graduandos de Pedagogia e por formular e executar Programas e Projetos de Extensão. retomando as atividades que foram desenvolvidas pelo Departamento de Educação da UFRN. pela preocupação com o ensino. naquele momento. uma vez que as políticas direcionadas para as Instituições de Ensino Superior priorizavam essencialmente a pesquisa em nível de pósgraduação e. uma das práticas de maior impacto no processo de organização do NUPEEJA. que contribuiu para refletirmos sobre a relação com a Educação Popular e os movimentos sociais foi o movimento. Maria Estela Costa Holanda Campelo e. Trata- . os professores Alessandro Augusto de Azevedo e Walter Pinheiro Barbosa Junior. até meados de 1994. Esses professores contaram com um conjunto de graduandos de diversas licenciaturas que participavam da execução dos Programas e Projetos do Núcleo. quando instituíram a Base de Pesquisa: Educação de Jovens e Adultos e Práticas Culturais. Essas práticas com ensino e extensão não conferiam ao Núcleo um reconhecimento estratégico dentro da Universidade. é uma responsabilidade pelos outros.

de transcendência. o intelectual que não abdicou da capacidade de tomar a vida em suas mãos e de buscar coletivamente um rumo político que possibilite as pessoas realizar sua vocação ontológica: ser mais com o outro. o NUPEEJA. mas a prática que o conjunto de educadores e estudantes do NUPEEJA vem realizando procura articular os quatro campos no fluxo do movimento. ao afirmar que: “O conceito de relações. passaram a se redescobrir instituintes. Relação assume aqui o sentido que Paulo Freire atribui. ao mesmo tempo fortalecia o coletivo. O diálogo das inquietudes tinha um formato muito simples. da esfera puramente humana. Assim. desnudando-se em companhia dos outros. Essa estratégia movimentava as individualidades e. p. Retoma-se o sujeito e. compartilhavam os rumores de sua subjetividade.5 se da disposição coletiva de se estabelecer uma relação entre as individualidades dos professores que constituíam ou estavam dispostos a constituir o Núcleo. em uma relação dialógica entre as pessoas vem possibilitando ao coletivo trabalhar articulando quatro dimensões básicas da universidade: ensino. em sua obra: “Educação como Prática da Liberdade”. essencialmente. durante a travessia pelas veredas do mundo. se constitua de encontros de professores que falavam sobre si. que atentos suspendiam suas verdades e examinavam as inquietudes do mundo manifesta na vida de cada um. desejava a pessoa provida de sua palavra e dos lugares que haviam florescido em sua alma. de conseqüência e de temporalidade” (FREIRE. instituía uma prática dialógica enraizando a reorganização do Núcleo na palavra autentica de cada pessoa. no fato de que o foco de reorganização do NUPEEJA deixou de ser o Núcleo e passou a ser as pessoas que o constituiriam. fez emergir uma prática que de instituídos. pesquisa. Esse movimento que solicitou a presença de cada um como gente e não mais como professor titulado. instaurando uma confiança e bem querer entre os professores. de criticidade. extensão e gestão do público. guarda em si conotações de pluralidade. 1967. Cada uma com sua especificidade. com ele.39). . A prática de enraizar todo o movimento do Núcleo. posso inferir que a singularidade dela residia. Refletindo sobre essa prática. Esse movimento solicitava mais que o intelectual. Abandonava-se naquele momento um costume acadêmico de organizar grupos e Núcleos a partir de conceitos ou autoridades estabelecidas.

O NUPEEJA formulou e executou esse Projeto. a oferta de uma Especialização em EJA.6 O ensino e a aprendizagem dentro da formação inicial e continuada dos professores no campo da EJA. foi organizada a partir da necessidade de três professores e quatro estudantes de buscar compreender um pouco mais o processo histórico de constituição da brasilidade e do desejo de estudando um pouco mais o sertão. . História e Memória de EJA. foram ampliadas com o processo de participação do Núcleo na criação e institucionalização da Cátedra da UNESCO de EJA. UFPE e UFPB. Sertania. por exemplo. Credenciado pela UFRN e CNPq. Política e Gestão de EJA e Sertania e EJA ao Longo da Vida. No campo da Pesquisa. 324 professores concluíram o Curso. o NUPEEJA se organiza por meio do Grupo Dialogicidade. os professores do Núcleo aproveitaram o processo de reorganização do Currículo de Pedagogia para inserir EJA. como um componente curricular obrigatório e. prejudica enormemente seu desempenho no exercício da profissão. As práticas que articulam ensino. Uma das práticas mais ricas vivenciada pelo Núcleo foi gerada pela necessidade de responder a provocação do Sistema Municipal de Ensino da Cidade do Natal-RN. denominada provisoriamente de Sertania. pois dos 350 matriculados. com um bom aproveitamento dos professores que se matricularam. atualmente dialogam com o Centro de Educação sobre a necessidade de se ampliar a oferta de disciplinas de EJA para as demais licenciaturas. é. Assim. Educação de Jovens e Adultos e Práticas Culturais. Atualmente existem quatro cátedras da UNESCO de EJA no mundo e uma delas encontra-se aqui no Brasil. localizada no Nordeste e. As Linhas organizam-se com professores e estudantes que investigam os fenômenos próprios de cada uma. é constituída por três universidades a UFRN. Esse grupo organiza-se em quatro Linhas de Pesquisa: Formação continuada e Organização do Trabalho Pedagógico. tem se constituído em uma preocupação constante do NUPEEJA. que por meio da Secretaria de Educação solicitou a UFRN no ano de 2005. formular uma matriz educacional que vem sendo construída e. extensão e pesquisa do NUPEEJA. Essa experiência possibilitou aos professores do Núcleo perceber que a ausência de uma noção dessa modalidade de ensino para os licenciados pela UFRN.

Pessoas que guardam em suas casas retalhos da memória de Educação de Jovens e Adultos e da Educação Popular que marcaram a história de Natal nesses campos. nas comunidades.7 Esse movimento vem possibilitando ao NUPEEJA. Um projeto que implica em dialogo permanente entre membros do NUPEEJA e moradores da cidade que são guardiões da memória. por já ter vivenciado outras experiências com essa comunidade. Público aqui assumido em duas dimensões: pessoas e coisas públicas (de todos). CREFAL e Ministério da Educação do Brasil. Assim. pratica-se a gestão do público. um diálogo com jovens e adultos que estão na universidade. Sentíamos que gestar e gerir projetos de extensão exigia saberes e qualidades que não possuíamos. Esse projeto objetiva formular um conceito de Comunidade de Aprendizagem a partir das práticas e dialogo comparativo entre culturas diversas. é o Projeto Comunidade de Aprendizagem que foi elaborado e vem sendo executado pela Cátedra. Outra prática que vem reorganizando a relação entre universidade e os moradores da cidade. na escola. que concebe esse termo como modo de ser e de viver do ser-aí no sendo. O Projeto que foi formulado e vem sendo executado pelo NUPEEJA é intitulado: Comunidade de Aprendizagem Guarapes – RN: A escola como dinamizadora de uma experiência de aprendizagem ao longo da vida. experimentar diálogos entre universidade e comunidade do Guarapes. localizada na Zona Oeste da Cidade. onde a UFRN se localiza. mas tínhamos que aprender no “carbureto” 4. é o Projeto História e Memória da EJA. Escola Municipal e os moradores do bairro e. 2 O NUPEEJA escolheu a comunidade do Guarapes. pesquisa e extensão. A prática que mais vem ampliando a reorganização do pensamento sobre Educação Popular e Escola. Esse conjunto de práticas provocou nos professores a percepção de que além do ensino. para acelerar artificialmente seu processo de amadurecimento. entre jovens e adultos brasileiros com mexicanos e paraguaios. nos movimentos sociais organizados e em outros países da América. o que possibilita uma relação entre um conjunto de pessoas com ethos3 diferenciados. Trata-se de uma prática que vem possibilitando ao NUPEEJA. pois ele é executado no México com uma comunidade indígena. 3 Assumimos ethos no sentido sugerido por BARBOSA JUNIOR. utilizamos esse fenômeno como metáfora . no Paraguai com um conjunto de catadores de lixo e no Brasil em uma comunidade2 da cidade do Natal-RN. 4 Trata-se de um processo em que se introduz carbureto (De cálcio que libera o acetileno. quando umedecido) entre as frutas verdes.

que o faz ser o ente de relações que é. . Para esse educador pernambucano: “É fundamental. vamos refletir um pouco sobre como essas práticas se relacionam com a Educação Popular. ficou mais claro que existe um lugar para o qual os educadores não são formados: para gestão de sistemas públicos. um conjunto de práticas vivenciadas pelos participantes do NUPEEJA. Naquele momento histórico. mas com o mundo. partirmos de que o homem. retomando o que foi anunciado anteriormente. não apenas está no mundo. As práticas do NUPEEJA/UFRN e sua relação com a Educação Popular A dimensão prática da vida possui uma essencialidade que geralmente é associada à Educação Popular Refletir sobre as relações existentes entre as práticas do NUPEEJA e a Educação Popular. só há relação entre NUPEEJA e Educação Popular porque nesses lugares se encontram pessoas e estes são entes de relação e não de contatos ou encerrados em si mesmo. provoca em meu pensamento a necessidade de inicialmente anunciar o que compreendo por relação. para expressar o movimento de aprendizagem que passamos para nos tornarmos gestores. 1967. Mas. a necessidade de se pensar um pouco mais sobre como trabalhar a gestão do público sem submeter esse processo à lógica de empresas que foca seus objetivos e metas nas coisas e no lucro e não nas pessoas. p. ser de relações e não só de contatos. As práticas e demandas da vida fizeram emergir. mas trazendo outro aspecto do sentido que Paulo Freire atribui a este termo.39) Essa perspectiva conceitual de Freire me possibilita pensar que. entre os participantes do NUPEEJA. Eis aqui.8 Esse sentimento se tornou consciência no momento em que a SECAD/MEC convidou o NUPEEJA para formular um Projeto de Capacitação dos profissionais do Ministério da Educação de Moçambique. Estar com o mundo resulta de sua abertura à realidade.” (FREIRE.

como uma referencia do que podemos praticar no NUPEEJA.9 Assim. as práticas do NUPEEJA. No entanto. Pois. os lugares que estamos comparando se encontram em campos distintos uma vez que o NUPEEJA da UFRN pode ser localizado no Estado e o lócus privilegiado da Educação Popular é a sociedade civil. na Educação Popular ou nos Movimentos Sociais. pode acontecer em instituições do Estado. me fez compreender que o essencial são as pessoas com tudo o que ignoramos sobre elas. Pois. por se constituir em um movimento reorganizador do pensamento político e educacional. Assim. descrever seres humanos tem sido impossível até agora. pois o modo como ela concebe o mundo. pode decidir os rumos do lugar em que ela se encontra. Seu processo de formação pode habitar nosso coração. não são os lugares que determinam se a educação é ou não um exercício de prática da liberdade. mas desejamos evidenciar a capacidade que reside no pensamento que se manifesta em cada pessoa. Com isso não queremos negar os condicionamentos objetivos das instituições. procurando identificar como esse movimento se relaciona com Educação Popular. com o Rio Amazonas. Assim. se processou uma transformação que vem acontecendo na relação entre as pessoas que trabalham em uma instituição do Estado Brasileiro. me permitiram compreender que o lugar não é um espaço físico exterior ao sujeito e que o condiciona a determinadas práticas ou formas de pensar. mas o modo como as pessoas que estão nos lugares pensam. as práticas do Núcleo organizaram-se por meio de um movimento que se enraizou no ethos de cada pessoa do Núcleo. as práticas do NUPEEJA evidenciam que o ato de educar como processo de humanização e. sem que para isso tenha se efetuado uma revolução social. . Conforme pode se constatar no tópico anterior. Refletir sobre as práticas do NUPEEJA. porque não se tem consciência do que é um ser humano. Sabe-se de uma faísca que o acende no mundo. a prática do NUPEEJA se relaciona em essência com a Educação Popular. que retomar o princípio de que “o homem é a medida de todas as coisas”. e não em conceitos ou pensadores estabelecidos. por exemplo. Portanto. Sabemos pouco sobre o fenômeno humano e temos desaprendido a aprender com outras formas de manifestação da vida como.

Rio de janeiro: Paz e terra. Edineide. 1976. Walter Pinheiro. Kelma Socorro Lopes de. Livro de Utopias Regras e Métricas. EDUCAÇÃO COMO PRÁTICA DA LIBERDADE. Natal/RN. Tese (Doutorado em Letras) – Universidade Federal do Rio de Janeiro. Tese (Doutorado em Educação) – Universidade Federal do Rio Grande do Norte. gera o fenômeno conhecido como Pororoca ou mupororoca (do tupi "poro'roka". Educação Popular: Virtudes e Vicissitudes de uma proposta Político Pedagógica. João Amós. 2003. 2002. Solimões. Alessandro Augusto de. Esse movimento potencializa de tal forma o terceiro. Tradução: Joaquim Ferreira Gomes. que quando encontra as águas do mar. Fortaleza: Editora Universitária. João Pessoa: Editora Universitária. de uma espécie de encantamento que a fez dormir. Paulo.10 O Rio Amazonas se constitui do Rio Negro e Rio Solimões. formado por rios da Colômbia e Venezuela suas águas recebem coloração escura devido a vegetação dos igarapés. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. de "poro'rog". O Ethos humano e a práxis escolar: dimensões esquecidas em um projeto político Pedagógico. O segundo. Os dois rios não se misturam por mais de 6km. 1985. BARBOSA JUNIOR. In MATOS. intenciono que as pessoas que pensam e desejam um mundo em que as formas de manifestação da vida possam existir e conviver na diversidade. ele movimenta-se oscilando entre 4 a 6km/h. 139p. Didática Magna. nasce nos Andes do Peru e por isso chegam mais frias a Manaus com águas barrentas. Educação Popular e Movimentos Sociais. REFERÊNCIAS JEZINE. COMÈNIO. permitam se implicar em um movimento que gere uma Pororoca capaz de despertar a vida. Ed. Educação Popular e Escola. Eli Celso da. Rio de Janeiro. estrondar). Ele corre a uma velocidade de 2km/h. Afonso Celso. FREIRE. com uma temperatura de 22ºC. 203f. . SCOCUGLIA. 2006. O primeiro nasce acima da linha do Equador. Mas. reorganizem em si mesmo seus pensamentos e. AZEVEDO. 6º. Movimentos Sociais. 3 ed. Assim. SILVEIRA. mesmo com diferenças convivem e aos poucos se interpenetram gerando um terceiro que é o Rio Amazonas. 2002.

11 ARISTÓTELES. Luiz Dias. 2ª Edição. . Tradução Maria Ermantina Galvão. Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens. São Paulo: Martins Fontes. Como se conceitua a educação popular? In: SCOCUGLIA. 2002. 1999. São Paulo: Martins Fontes. ROSSEUA. João Pessoa. Afonso Celso e José Francisco de Melo Neto (orgs. Editora Universitária. A política. Jean Jacque. 1999. RODRIGUES.) Educação Popular outros Caminhos. Tradução: Roberto Leal Ferreira.

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